sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Nelson Gonçalves, o maior cantor depois de Roberto Carlos

Ele foi o maior dos maiores Sem comparação. Sem restrições. Sem mistérios. Cantado até hoje por legiões de fiéis espalhados pelos quatro cantos do Brasil, Nelson Gonçalves foi um cantor que sabia conquistar multidões, plateias admiradas com sua presença de palco e com voz firme e polivalente. Admirado por dez entre dez estrelas da música popular brasileira, Nelson Gonçalves foi o grande responsável pela chamada “música de dor de cotovelo”. O que não dá para entender é o porquê até hoje, mais de dez anos após sua morte, as pessoas já esqueceram o grande cantor que foi Nelson Gonçalves. Não dá para entender o porquê não se cantam mais suas músicas e o porquê as pessoas riem, caçoam e menosprezam Nelson Gonçalves. Como se vê neste artigo, Nelson gravou ao lado de muitos cantores e regravou muita juventude. Isso era digno do dogma de Nelson: sapiente e inteligente, o cantor sempre foi tido com um cavalheiro. O que, definitivamente, era para poucos.
Nélson Gonçalves (nome artístico de Antônio Gonçalves Sobral, Santana do Livramento, 21 de junho de 1919 — Rio de Janeiro, 18 de abril de 1998) foi um cantor brasileiro. Segundo maior vendedor de discos da história do Brasil, com mais de 75 milhões de copias vendidas, fica atrás apenas de Roberto Carlos, com mais de 120 milhões e Tonico & Tinoco com aproximadamente 150 milhões. Seu maior sucesso foi a canção A volta do boêmio.
Nasceu no Rio Grande do Sul, mudou-se com os seus pais portugueses para São Paulo, no bairro do Brás. Quando criança, era levado, para praças e feiras pelo seu pai, que fazendo-se de cego, tocava violino, enquanto ele cantava.
Foi jornaleiro, mecânico, engraxate, polidor e tamanqueiro. Foi também lutador de boxe na categoria peso-médio, recebendo aos dezesseis anos o título de campeão paulista.
Mesmo com o apelido de "Metralha", por causa da gagueira, decidiu ser cantor. Em uma de suas primeiras bandas, teve como baterista Joaquim Silva Torres. Foi reprovado duas vezes no programa de calouros de Aurélio Campos. Finalmente foi admitido na rádio PRA-5, mas dispensado logo depois.
Nesta época, casou-se com Elvira Molla e com ela teve dois filhos. Sem emprego, trabalhou como garçom, no bar do seu irmão, na Avenida São João.
Seguiu para o Rio de Janeiro em 1939, onde trilhou mais uma vez o caminho dos programas de calouros. Foi reprovado novamente na maioria deles, inclusive no de Ary Barroso, que o aconselhou a desistir. Finalmente, em 1941, conseguiu gravar um disco de 78 rotações, que foi bem recebido pelo público. Passou a crooner do Cassino Copacabana (do Hotel Copacabana Palace) e assinou contrato com a Rádio Mayrink Veiga, iniciando uma carreira de ídolo do rádio nas décadas de 40 e 50, da escola dos grandes, discípulo de Orlando Silva e Francisco Alves.
Alguns de seus grandes sucessos dos anos 40 foram Maria Bethânia (Capiba), Normalista (Benedito Lacerda / Davi Nasser), Caminhemos (Herivelto Martins), Renúncia (Roberto Martins / Mário Rossi) e muitos outros. Maiores ainda foram os êxitos na década de 50, que incluem Última Seresta (Adelino Moreira / Sebastião Santana), Meu Vício É Você e a emblemática A Volta do Boêmio (ambas de Adelino Moreira).
Na década de 50, além de shows em todo o Brasil, chegou a se apresentar em países como Uruguai, Argentina e Estados Unidos, no Radio City Music Hall.
Em 1952, casou-se com Lourdinha Bittencourt, substituta de Dalva de Oliveira no Trio de Ouro. O casamento durou até 1959.
Em 1965, casa-se de novo, com Maria Luiza da Silva Ramos, com quem teve dois filhos, Ricardo da Silva Ramos Gonçalves e Maria das Graças da Silva Ramos Gonçalves. A caçula tem seu apelido no refrão da música Até 2001. (É no gogo gugu).
No entanto, o seu envolvimento com a cocaína, em 1958, tendo, inclusive, sido preso em flagrante em 1965 e passado um mês na Casa de Detenção, o que lhe trouxe problemas pessoais e profissionais. Superada a crise, lançou o disco A Volta do Boêmio nº1, um grande sucesso.
Após abandonar o vício com o apoio de sua mulher, retomou uma carreira bem sucedida.
Continuou gravando regularmente nos anos 70, 80 e 90, reafirmado a posição entre os recordistas nacionais de vendas de discos. Além dos eternos antigos sucessos, Nélson Gonçalves sempre se manteve atento a novos compositores, e chegou a gravar canções de Ângela Rô Rô (Simples Carinho), Kid Abelha (Nada por Mim), Legião Urbana (Ainda É Cedo) e Lulu Santos (Como uma Onda). Compôs e gravou A Deusa do Amor, com Lobão.
Ganhador de um prêmio Nipper da RCA, dado aos que permanecem muito tempo na gravadora, sendo somente Elvis Presley o outro agraciado. Durante sua carreira, gravou mais de duas mil canções, 183 discos em 78 rpm, 128 álbuns, vendeu cerca de 78 milhões de discos, ganhou 38 discos de ouro e 20 de platina.[2]
Morreu em consequência de um infarto agudo do miocárdio no apartamento de sua filha Margareth, no Rio de Janeiro. Encontra-se sepultado no Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro.
A vida de Nélson Gonçalves teve sua biografia dramatizada nas seguintes obras:
Na década de 90, foi encenado nas principais capitais do país o musical Metralha.
Em 2001 foi lançado o documentário Nélson Gonçalves, contando a sua trajetória, com direção de Elizeu Ewald e protagonizado por Alexandre Borges e Júlia Lemmertz, e tendo a sua filha Margareth Gonçalves como produtora executiva.

Maiores sucessos
(ordem cronológica)

·       1941 - Se Eu Pudesse um Dia
·       1942 - Dorme que Eu Velo por Ti
·       1942 - Fingiu Que Não Me Viu
·       1942 - Renúncia
·       1943 - Noite de Lua
·       1943 - Quando a Saudade Vier
·       1943 - Não Sou Feliz nos Amores
·       1943 - A Saudade É um Compasso de Mais
·       1943 - A Mulher do Seu José
·       1943 - Solidão
·       1943 - Perfeitamente
·       1944 - Sabiá de Mangueira
·       1944 - Quase Louco
·       1944 - Dos Meus Braços Tu Não Sairás
·       1944 - Ela me Beijou
·       1945 - Eu Não Posso Viver Sem Mulher
·       1945 - Aquela Mulher
·       1945 - Meus Amores
·       1945 - Maria Bethânia
·       1946 - Pelas Lágrimas
·       1946 - Seus Olhos na Canção
·       1946 - Segure no Meu Braço
·       1946 - Quando É Noite de Lua
·       1946 - Menina dos Olhos
·       1946 - A Você
·       1946 - Coração
·       1946 - Espanhola
·       1947 - Dona Rosa (com Isaura Garcia)
·       1947 - Segredo
·       1947 - A Rainha do Mar
·       1947 - Odalisca
·       1948 - Princesa de Bagdá
·       1948 - Perdôo, Sim
·       1949 - Normalista
·       1949 - Quando Voltares
·       1949 - Pepita
·       1952 - Confete Dourado
·       1953 - Camisola do Dia
·       1953 - Meu Vício É Você
·       1954 - Carlos Gardel
·       1954 - Francisco Alves
·       1955 - Último Desejo
·       1955 - Esta Noite me Embriago
·       1955 - Hoje Quem Paga Sou Eu
·       1956 - Nossa Senhora das Graças
·       1956 - Por um Beijo de Amor
·       1956 - Meu Vício É Você
·       1956 - Natal Branco (com o Trio de Ouro)
·       1957 - A Volta do Boêmio
·       1957 - Pensando em Ti
·       1957 - História da Lapa
·       1957 - Grilo Seresteiro
·       1958 - Escultura
·       1958 - Pensando em Ti
·       1959 - Prece ao Sol
·       1959 - Revolta
·       1959 - Deusa do Asfalto
·       1960 - Meu Dilema
·       1960 - Chore Comigo
·       1960 - Queixas
·       1961 - Negue
·       1961 - Fica Comigo Esta Noite
·       1962 - Dois Amores
·       1963 - Enigma

Um comentário:

Isabel Andrade disse...

Como se chamavam os pais de Nelson Gonçalves?