segunda-feira, 30 de abril de 2012

Marina Wisnik: surpresa na MPB





A cantora Marina Wisnik
Ela é filha do escritor, poeta, compositor, intelectual, cantor e artista qualificado José Miguel Wisnik, que teve suas canções imortalizadas nas vozes de Zizi Possi, Zélia Duncan, Mônica Salmaso, Virgínia Rosa e isso para ficarmos nas grandes cantoras. Seu nome é Marina Wisnik, uma cantora tão refinada e qualificada quanto o pai. Escritora, Marina Wisnik formou-se em Letras e encontrou na música seu caminho mais delicado para soltar sua bela voz, capaz de nos hipnotizar a cada verso cantado.

Na Rua Agora (2012 / Circus Produções), com produção de Marcelo Jeneci e Yuri Kalil, só está disponível pela internet por enquanto, mas a qualidade musical está acima de qualquer suspeita. Dona de um carisma incrível, Marina vem conseguindo impor seu estilo musical nas redes sociais e a quantidade de pessoas que estão indo atrás de seu trabalho é respeitável. No Site Musicoteca (www.musicoteca.com.br/marinawisnik), você consegue baixar todo o disco e se arrepiar com músicas de altíssimo nível. Vale lembrar que logo o mais o disco estará à venda nas melhores lojas do segmento fonográfico e assim que sair do forno, o Mais Cultura! divulgará em primeira mão.

O que torna irresistível o trabalho de Marina é a técnica vocal e as letras muito bem compostas, com um início, meio e fim. Marina sabe o que canta e interpreta suas próprias canções com um certo intimismo e uma delicadeza profunda, deixando nítido que ela veio para ficar. Seu disco de estreia contêm onze faixas e é a mais pura e verdadeira MPB.

O romantismo aflora em Na Rua Agora e na maioria de suas faixas o som que Marina produz é diferente do que há disponível hoje na chamada nova MPB. As músicas são singelas, puras, doces, ingênuas e de alcance único. E isso faz o diferencial entre Marina Wisnik e as demais cantoras. Seu som é sutil e sua musicalidade é simétrica e depurada.

Abrindo o disco, Na Rua Agora, que dá nome ao seu trabalho é uma música alegre, descontraída e contagiante, dando a dimensão da mensagem que Marina transpassa: ela está ali agora, na rua, para mostrar a que veio e que não está somente de passagem. O jogo de vocábulos se manifesta na solene e romântica Deitada em Si, música que brinca com a repetição de palavras e que se transforma numa lindeza do começo ao fim, com suas nuances, dando a sensação de que Marina está cantando bem ao pé do nosso ouvido. Jardim de Inverno é ótima, divertida e a afinação de Marina é perfeita para contar as desventuras de um amor e a diversificação de jardins existentes na vida.

Em Sei lá, a quarta faixa, a voz de Marina soa cristalina, pura e de uma energia magnífica e sensual e talvez seja a melhor faixa do disco. Mar Te Achar tem de tudo um pouco: música cantada com uma certa rapidez, como num jogo de palavras, passando para música falada em versos curtos e em determinado ponto temos a sensação de que estamos defronte ao mar, com suas conchas, suas ondas, a areia por perto, transformando a canção maravilhosamente bela. Mas é em Miragem que a grandiosidade de Marina Wisnik aflora: em meio a uma atmosfera meio mística, meio surreal, sentimos, ao ouvir a canção, uma certa miragem, qualquer miragem, a verdadeira miragem, se fecharmos os olhos ao som de sua suave voz, deixando a música adentrar em nossa pele, nossos poros, nossa alma. A melhor faixa do disco está aqui, dando a dimensão de todo o disco. Esta música tem participação de seu pai, José Miguel Wisnik.


Marina em um show: voz cristalina e doce
Manhã de Manhã é uma canção que foi feita para acordar, com sua beleza, seus versos e sua característica matinal. Veneno é uma música falada, estilo hoje que poucos cantores ousam fazer, talvez temendo que a fórmula esteja ultrapassada ou que soe sem sentimentos, mas o fato é que aqui Marina consegue versar as palavras num ritmo que não se perde no fio condutor da canção. A suavidade da voz doce de Marina aparece também em Dezesseis, música que fala de uma pessoa que pensa a todo instante em alguém e vira do avesso a cada pensamento. Esta música tem uma particularidade: é a única faixa do disco que tem passagens em inglês, cantada por Thiago Pethit.

Primeiro Céu é a música que nos surpreende e mostra toda a versatilidade de uma cantora: aqui, Marina se mostra sutil e agressiva. Sutil nas melodias, na letra da música e nos primeiros acordes, mas a canção vira do avesso e nos revela uma Marina agressiva no sentido roqueiro, com sons eletrônicos, ruídos e muita sujeira boa na canção. Música perfeita para encerrar o disco.

Mesmo chegando tarde ao cenário musical, Marina Wisnik apareceu em um momento que mais precisávamos: a MPB está redondamente perfeita de cantoras boas e de altíssimo calibre e tendo agora Marina em seu casting é agraciar e enriquecer nossa cultura com sua poesia urbana.



Faixas

·       1 – Na Rua Agora

·       2 – Deitada Em Si

·       3 – Jardim de Inverno

·       4 – Sei Lá

·       5 – Mar Te Achar

·       6 – Miragem

ü  Part. Especial de José Miguel Wisnik

·       7 – Manhã de Manhã

·       8 – Fim de Estrada

·       9 – Veneno

·       10 – Dezesseis

ü  Part. Especial de Thiago Pethit

·       11 – Primeiro Céu



Produzido por Marcelo Jeneci e Yuri Kalil



Nota 10

Na Rua Agora / Marina Wisnik

Marcelo Teixeira

sábado, 28 de abril de 2012

Ney Matogrosso Ao Vivo




Show de Ney Matogrosso: intimista
Beijo Bandido (11/01/2011 / EMI / 49,99), projeto homônimo ao CD de Ney Matogrosso lançado ano passado, ganha agora registro em DVD. A gravação aconteceu no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Com direção musical e arranjos de Leandro Braga, Beijo Bandido já arrebatou o Prêmio da APCA (Associação paulista de críticos de arte) de Melhor Show de Música Popular de 2009. A banda que o acompanha Ney reúne Leandro Braga (piano), Lui Coimbra (cello e violão), Alexandre Casado ( violino, bandolim e pandeiro) e Felipe Roseno (percussão), que juntos reeditam a sonoridade acústica presente nas faixas do CD homônimo.

No repertório estão pérolas do cancioneiro, como Tango para Teresa (Evaldo Gouveia/Jair Amorim), sucesso de Ângela Maria; De cigarro em cigarro (Luiz Bonfá) e Segredo (Herivelto Martins/Marino Pinto), ambas registradas anteriormente, em diferentes concepções musicais. Já Nada por mim, balada de Herbert Vianna e Paula Toller, ganhou novos contornos. Na linha da MPB pop, o cantor foi buscar Mulher sem razão, de Cazuza, Dé e Bebel Gilberto.

Destaque também para as duas faixas bônus: Verdade da Vida – que foi um dos temas da próxima novela Insensato Coração e Seu Tipo, tema da novela Ti, Ti, Ti.

Ouvir Ney Matogrosso já é sensacional. Ver Ney Matogrosso é uma sensação única.



Faixas



·       01. Tango Pra Tereza

·       02. Da Cor Do Pecado

·       03. Fascinação (Fascination)

·       04. Invento

·       05. De Cigarro Em Cigarro

·       06. A Bela e A Fera

·       07. À Distância

·       08. A Cor Do Desejo

·       09. Nada Por Mim

·       10. Segredo

·       11. Doce De Coco

·       12. Medo De Amar (Vire Essa Folha Do Livro)      

·       13. Bicho de 7 Cabeças II

·       14. As Ilhas (Live)

·       15. Incinero

·       16. Mulher Sem Razão

·       17. Poema Dos Olhos Da Amada

·       18. Tema De Amor De Gabriela

·       19. Fala

ü  20. Making Of (Ao Vivo)


Nota 10

Beijo Bandido Show DVD / Ney Matogrosso

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O disco ao vivo de Mariene de Castro: energia pura


Disco Ao Vivo de Mariene: energia folclórica
Cantora baiana que foge da massificação axé carnavalesca, Mariene de Castro lança o ótimo CD Santo de casa ao vivo (2010 / Universal / 25,90) pela Universal Music. Em seu tabuleiro aparecem vertentes do samba, cirandas e ijexás com foco especial na bem festejada obra de Roque Ferreira. E das 15 faixas do CD, nada menos que seis trazem o nome do compositor baiano, que já teve seu repertório revisitado por Roberta Sá no belo disco Quando o Canto é Reza, também lançado em 2010. Roque Ferreira está presente com sua voz firme e suave na vinheta que fecha e batiza o álbum.

Além de Roque, o álbum passa por compositores contemporâneos baianos como J.Velloso e Roberto Mendes e ao mesmo tempo faz uma ponte com o folclore cantando Mamãe Oxum e um medley com cirandas de domínio público e sambas de roda. E a receita é das mais belas e das mais nobres. Viva a cultura popular celebra no início do disco a cantora de voz forte e suingue irresistível.

A cultura popular da Bahia é rica, mesmo que a massificação do axé e de uma música comercial de carnaval tipo exportação domine rádios e TVs. Infelizmente é o que se tem maior visibilidade, então parece que a Bahia só produz isso, mas está provado que existe um movimento novo na cidade e que começa a mudar esse olhar sobre as músicas da Bahia, uma música que estava escondida, mas que vez por outra ganha uma força incomparável e irresistível.

Muito comparada com a cantora Clara Nunes, morta em 1983, devido a suas roupas, seu cabelo e se repertório, Mariene de Castro parece não se intimidar com essa comparação e sente até orgulho disso, prova que ela é a cópia restaurada da maior cantora que este país já teve. Comparações à parte, Mariene segue seu caminho trilhando o caminho da boa musicalidade, mostrando e divulgando aquilo que a Bahia tem de melhor para nos mostrar e apadrinhando nossa rica cultura.


A baiana Mariene de Castro
Mas há uma verdade na musicalidade de Mariene de Castro. Verdade essa que fez sua música viajar muito além das fronteiras da terra de Caymmi. Mariene já levou seu samba para turnês pela França e Espanha (países em que foi muito bem acolhida) enquanto também canta pelo Brasil, capitais e interior. Enquanto isso Mariene celebra o reconhecimento que, aos poucos, chega em seu próprio país. Com carisma da verdadeira baiana, Mariene vai aos poucos construindo seu caminho de enorme sucesso e prestigio. Seu nome já começa a ser conhecido e aplaudido. Sua música tem força e quilate para romper qualquer fronteira.

Seu nome é Mariene de Castro. E sua origem: baiana com todo orgulho.



Faixas



·       1 – Saudação à Yemanjá / Temporal (Folclore / Roque Ferreira)

·       2 – Abre Caminho (Roque Ferreira / J. Velloso / Mariene de Castro)

·       3 – Ilha de Maré (Walmir Lima / Lupa)

·       4 – Falsa Baiana (Geraldo Pereira)

·       5 – Pot-Pourri de Nené

·       6 – Chico e Chica (Roque Ferreira)

·       7 – Cirandas

·       8 – Prece de Pescador (Roque Ferreira / J. Velloso)

·       9 – Vi Mamãe Oxum na Cachoeira (Folclore)

·       10 – Vi Mamãe na Areia (Roque Ferreira)

·       11 – Samba de Terreiro (Roque Ferreira)

·       12 – Raiz (Roberto Mendes / J. Velloso)

·       13 – De Maré (Roque Ferrreira / Toninho Geraes)

·       14 – Pot-Pourri de Samba de Roda

·       15 – Vinheta Santo de Casa (Roque Ferreira)

ü  Part. Especial de Roque Ferreira



Produzido por Gerson Silva e Mariene de Castro



Nota 10

Santo de Casa / Mariene de Castro

Marcelo Teixeira




quinta-feira, 26 de abril de 2012

A persistência de Maurício Mattar na música


O neo-cantor Maurício Mattar: persistência
Quando uma carreira de um ator que fica famoso pelo seu talento meramente reconhecido pelo público, pela crítica e pelos colegas de profissão, tudo se resume em uma única e bela palavra: talento. A arte de representar um papel, a arte de dominar os palcos ou a cena de uma novela é para ser vivida pelos grandes nomes que a TV e o teatro já proporcionaram à muitos. Representar não é uma tarefa fácil e fazer isso requer muito estudo, muito aprendizado e muita dedicação. Mas quando um ator enfrenta os obstáculos que a vida lhe impõe e ele passa a usar destes dotes artísticos para se auto promover a outros dons, como cantar ou escrever uma telenovela, as coisas mudam de figura e requer um novo estudo sobre a personalidade, o dom e principalmente o talento.

Existe uma variedade de ator e atriz que viram cantores e vice versa. Para enumerar, temos Miguel Falabella, que é um excelente ator, dançarino, mas perde credibilidade ao escrever uma telenovela, aonde se perde totalmente do meio da trama para o final. Assim acontece com Daniel Boaventura, que tem um dom excepcional para a teledramaturgia, mas se perde totalmente no disco que lançou recentemente. O último desta seita satânica foi o humorista Rafael Côrtes, que é um excelente repórter, mas se perde na sua musicalidade e seu disco, também lançado recentemente, é um show de horror de bestialidades infames.

Disco de 2007: horripilante, mas ele insiste
Outras personalidades importantes da TV brasileira já se arriscaram a trocar de papel e arriscar sua voz (ou seria riscar a voz?) e garimpar pelo mercado fonográfico sem o maior êxito. Marília Gabriela e Hebe Camargo já lançaram discos tão cabisbaixos (embora Marília cante muito bem e atua estupendamente), tão insonsos, que fica a pergunta no ar: vale a pena arriscar uma carreira bem sucedida? Roberto Justus que o diga: grande empresário e apresentador, ele diz que gravou o disco por hobby, o que não deixa de ser uma verdade, tendo em vista que muitas lojas do segmento não vendem seus discos. Susana Vieira, a maravilhosa atriz, se envolveu recentemente numa batalha feroz com todos, desde mídia até público, para se defender de seu disco de estreia que, de tão ruim, virou artigo de piada pública.

Por enquanto, Roberto Justus, Susana Vieira, Marília Gabriela e Hebe Camargo lançaram discos para deleite próprios, talvez não pensando em lançar discos futuros, voltando toda as suas atenções para seus respectivos trabalhos, mas isso talvez não podemos esperar de Daniel Boaventura e Rafael Côrtes, tendo em vista que eles até cantam bem, mas lamentavelmente, seu estilos e vozes não agradam a ninguém.

Parafraseando e contrariando a todos estes artistas citados acima, talvez a única atriz que consiga desmistificar esse processo seja Thalma de Freitas: além de excelente atriz, ela também é cantora e o Mais Cultura! já se deleitou com seu belíssimo disco de estreia e, mesmo contendo apenas seis faixas, o disco é uma obra-prima consagrada, porém Thalma hoje em dia tenha dado preferências para vocalização em discos primordiais das cantoras Tiê, Mariana Aydar, Céu e Andrea Dias.

Persistir no erro talvez seja uma emenda que muitos não conseguem entender e por este motivo, Mauricio Mattar, grande ator do passado, mas esquecido pela própria emissora, é o campeão de futilidades. Gravou discos que não ganham prêmios algum, não tem relevância no mercado fonográfico e ninguém fica sabendo o que ele grava, mesmo um ou outro programa dar vazão ao seu novo trabalho.

Ouvi, através de sites, as músicas de Mauricio Mattar e pude constatar: além de ser um festival de horror, aquilo que ele canta são musiquinhas aquém de um grande ator. Ele poderia investir em qualquer outra carreira, menos a de cantor, que é um oficio para grandes interpretes da música popular. Mauricio Mattar não acrescenta em mais nada na cultura brasileira e suas músicas são horríveis, chatas, deprimentes e sua voz não agrada, não estimula e nem embevece nossa autoestima.

Ouvir Mauricio Mattar, literalmente, é de matar.



Marcelo Teixeira

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O íncerto futuro de Thiaguinho


Thiaguinho, o pagodeiro mais bem vestido
Quando o grupo de pagode Exaltasamba já estava no sucesso absoluto, no patamar mais honrado do pagode de roda e no mirante mais adequado para ninguém retirar seu mérito, Thiaguinho entrou para o seleto grupo como um estranho no ninho. Estranho para poucos, porque o moço, com sua qualidade artística invejável, já estava trilhando o seu caminho há um certo tempo, desde quando participou do programa Fama, no início dos anos 2000, tendo ao lado a cantora Roberta Sá e sendo um dos eliminados do reality show. Hoje Roberta Sá brilha como uma das estrelas da nova MPB, enquanto Thiaguinho brilha absoluto como o cantor mais influenciado do pagado atual. Mas o destino estava apenas lhe mostrando que o caminho a seguir era justamente o da música e quando o vocalista central do Exalta saiu, todos foram unanimes em apontar Thiaguinho como o líder oficial do grupo.

O que era perfeito, ficou ainda melhor, porque Thiaguinho, com sua entrada triunfal, deixou o grupo ainda mais jovem e angariou ainda mais fãs (até deste colunista que até então detestava pagode – e continuo detestando, mas Exaltasamba é simplesmente Exaltasamba!). O grupo vendeu ainda mais discos, fez história na música popular brasileira, fez bonito na seara do samba e ainda por cima conseguiu prêmios merecedores de aplausos efusivos.

Vale lembrar que pagodes até então considerados os melhores como Raça Negra, Só Pra Contrariar e Negritude Junior, vieram à falência alguns anos mais tarde devido aos problemas enfrentados pelas gravadoras, pelo cansaço que o ritmo enfrentava e pelos novos ritmos que adentravam no cenário musical, como o forró universitário e a volta da MPB tradicional, com cantoras novas e com qualidade musical acima do esperado. Até hoje, o único grupo que tenta resistir ao tempo é o Raça Negra, mas sem nenhum pingo de originalidade artística nem musical.

Mas quando tudo estava perfeito, eis que vem a bomba: a saída de Thiaguinho do grupo mais antigo (25 anos de estrada) e com um enorme sucesso de público e crítica, pega a todos de surpresa. Muitos não queriam, mas o que Thiaguinho mais queria era seguir carreira solo. Muito se cogitou que tudo não passava de armação, que tudo era um atrativo de marketing, que tudo era ilusão da mídia, mas o fato é que Thiaguinho saiu do grupo e agora tentará a carreira solo.

Mas o motivo de eu escrever este artigo é justamente porque uma pergunta me ronda até agora: será que Thiaguinho, ex Exaltasamba, irá sobreviver sozinho em um palco? Muitos cantores, depois de abandonar um grupo de enorme sucesso, faliram musicalmente ou não tiveram respaldo de uma grande gravadora e ficaram a mercê de showzinhos baratos em casas noturnas fuleiras e sem qualidade. Rodriguinho, que fizera parte vocal do grupo Os Travessos, que o diga: enorme sucesso entre os pagodeiros, ele saiu do grupo no meio de uma avalanche de sucesso, no momento mais sublime de seu grupo e tentou uma carreira solo. O resultado: um verdadeiro ostracismo.


Gilberto Gil com Thiago: arriscando na MPB?
Alexandre Pires, pagodeiro líder do grupo Só Pra Contrariar, também foi outro pagodeiro que saiu de um grupo que estava fazendo sucesso para tentar a carreira solo. Resultado: um pequeno ostracismo e o que era pagode virou romantismo. Alexandre hoje virou um cantor romântico, tentando a todo custo uma carreira internacional e cantando ao lado de Xuxa, Ivete Sangalo, macacos dançarinos, louras extravagantes e uma qualidade musical muito aquém de seu estilo e talento. Totalmente diferente daquilo que esperava, tentaram fazer de Alexandre um novo Luíz Miguel ou Rick Martín, mas nada justifica sua medíocre qualificação como cantor solo.

O que será de Thiaguinho após a saída do Exalta e o que o aguarda nesta nova jornada de sua vida? Seu disco já é tão aguardado e ansiado por muitos fãs, que ficará difícil do cantor lançar um disco qualquer. A responsabilidade que Thiaguinho tem agora é muito maior agora de quando estava tentando o primeiro lugar no programa Fama ou quando estava à frente do grupo que já era um enorme sucesso. Seu disco solo terá que suprir a necessidade do público, da crítica e de todos aqueles que imploraram para que ele não saísse do grupo.

Desejamos toda a sorte para que Thiaguinho continue nesta pegada de sucesso e que não repita os passos dos amigos fracassados Rodriguinho e Alexandre Pires. O que sabemos por hora é que Gilberto Gil, ex-tropicalista e um dos melhores e mais antigos cantores da MPB, estará presente no primeiro DVD que o pagodeiro está para lançar. Será que essa participação de Gil seria uma pré-ideia de uma possível aventura pelas bandas da MPB por parte de Thiaguinho, caso o seu pagode não seja conquistado? A resposta só teremos daqui a um tempo, quando tivermos um resultado e um balanço da nova trajetória do pagodeiro e o Mais Cultura! estará ali avaliando seu novo trabalho.



Marcelo Teixeira

terça-feira, 24 de abril de 2012

Efêmera, de Tulipa Ruiz: espetacular




A cantora Tulipa Ruiz
Tulipa é um gênero de plantas angiospermas (plantas com flores) da família das liláceas. Com cerca de cem espécies, as tulipas têm folhas que podem ser oblongas, ovais ou lanceoladas (em forma de lança). Do centro da folhagem surge uma haste ereta, com flor solitária formada por seis pétalas. Cores e formas são bem variadas. Existem muitas variedades cultivadas e milhares de híbridos em diversas cores, tons matizados, pontas picotadas, etc.

Efêmeras são aquelas transitórias, passageiras ou que duram pouco tempo. O antônimo de efêmera é duradouro, prolongado e distante e essa palavra, efêmera, também está relacionado com tempo delicado, feminino, afeminar.

Tulipa Ruiz é uma cantora e, diga-se de passagem, excelente compositora, uma das melhores que o Brasil já conheceu. Filha de Graziella Ruiz, escritora, Tulipa apareceu tardiamente no cenário musical, mas veio muito bem acompanhada por familiares e amigos muito próximos, cujo já estão na estrada há um tempo e com sucessos garantidos, caso de Tiê, Céu, Thalma de Freitas, Mariana Aydar e Anélis Assumpção, filha do maravilhoso compositor e cantor Itamar Assumpção, morto em 2003. Vale ressaltar que o pai de Anélis, Itamar, é responsável pelos maiores sucessos de Ná Ozzetti, Zélia Duncan e Virgínia Rosa. Seu pai, Luiz Chagas, é o responsável pela faixa mais longa do disco, porém, a mais bonita e dançante  e que nos leva a um som meio roqueiro, meio abusivo e muito estiloso, que recebeu o título de Às Vezes. Ao ouvirmos esta música, uma sensação de que a Jovem Guarda está presente é notório. Chagas também ganha vivacidade, além das composições, da sua potente guitarra, que dá uma sonoridade extra em algumas boas faixas.

Efêmera: singelo e maravilhoso
Efêmera (2010 / YB / 22,90) veio para comprovar a essência de Tulipa Ruiz, que anda fazendo um certo barulho com sua musicalidade simples e rica ao mesmo tempo, com um sabor de quero mais, um sentido maior de encantamento profundo e mistérios por parte desta cantora simplesmente maravilhosa. O disco é recheado por músicas belas, redondamente bem compostas, tendo um começo, meio e fim e por uma suavidade, um refinamento e uma pronúncia muito bem elaboradas por Tulipa. O disco não poderia receber outro nome senão Efêmera, que de passageiro não tem absolutamente nada.

Efêmera, que abre o disco, é a prova disso: deliciosamente harmoniosa, o timbre de Tulipa penetra em nossos poros, dando a dimensão de sua mensagem e deixando evidente que nada realmente é temporário. Pontual, que segue na segunda faixa, prontamente é uma crítica moralmente reconhecível, mas de uma forma contextuada, uma comédia romântica que trata da falta de pontualidade das pessoas até para ir ao cinema e perder a sessão das dez! Pedrinho é a mais divertida e sensual, desses tipos de Pedros que encontramos ao nosso lado sempre, que é amigo, companheiro, cúmplice e que pode ser nosso amante também.

Já na faixa Aqui tem uma particularidade: ao final da canção, tem uma citação a uma música de Caetano Veloso cantada no CD Livro (1997), chamada How Beautiful Could A Being Be, cujo não consta nos créditos. Só sei Dançar Com Você foi gravada primeiramente pela delicada Tiê no seu segundo disco de carreira, A Coruja e o Coração (2011), e a canção tem a participação vocal de Zé Pi. Exceto pela música Às Vezes, composta por Luiz Chagas, todas as outras faixas foram compostas por Tulipa Ruiz sozinha ou na companhia de Gustavo Ruiz, seu irmão. Tendo a tiracolo participações especiais, como Duani, marido de Mariana Aydar, Kassin, Tatá Aeroplano e Iara Rennó, o disco só poderia sair do forno com uma qualidade refinada, com um gosto de quero mais e com a nítida certeza de que Tulipa veio para ficar.

O disco de Tulipa é uma graciosidade: além de várias tulipas desenhadas por várias cantoras e amigas, como Ná Ozzetti, Tiê e pela própria Tulipa, ela foi considerada uma das 50 melhores cantoras da década e seu CD é classificado como Pop Florestal, um gênero criado como brincadeira pela cantora. Músicas de altíssima qualidade, com determinação e garra, com sentimentalismo aflorado à flor da pele e com muito chão pela frente de poder mostrar todo o seu carisma e seu talento, esperemos que Efêmera não seja temporário e que venha outros discos igualmente a este ou melhores que este.



 
Faixas

·       1 - Efêmera (Gustavo Ruiz / Tulipa Ruiz)

·       2 – Pontual (Tulipa Ruiz)

·       3 – Do Amor (Gustavo Ruiz / Tulipa Ruiz)

·       4 – Pedrinho (Tulipa Ruiz)

·       5 – A Ordem Das Árvores (Tulipa Ruiz)

·       6 – Sushi (Luiz Chagas / Tulipa Ruiz)

·       7 – Brocal Dourado (Gustavo Ruiz / Tulipa Ruiz)

·       8 – Aqui (Tulipa Ruiz)

·       9 – Às Vezes (Luiz Chagas)

·       10 – Da Menina (Tulipa Ruiz)

·       11 – Só Sei Dançar Com Você (Tulipa Ruiz)

ü  Part. Especial de Zé Pi



Nota 10

Efêmera / Tulipa Ruiz



Marcelo Teixeira

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Latino: o quinto pior cantor do Brasil




Latino, no início de carreira
No início da década de 90, o Brasil teve o desprazer de conhecer um cantor medíocre e de péssima personalidade, com suas danças andrógenas e seus passinhos de gazela amofinada. Fomos obrigados a participar daquele carnaval fora de época, daquela carniça com bigodinho enfadoso e ridículo e com umas roupas bregas, tão bregas, que ficava impossível não rir da caricatura de um homem alto, com cabelinho de lado e franjinhas esdrúxulas. Com o pseudônimo de Latino, nome artístico este que pegou bem para o seu modelito na época, o cantor conseguiu criar um novo conceito de ritmo brasileiro (na qual até hoje muita gente não consegue distinguir o que é esse tal ritmo) e conseguiu desbancar o pagode, que estava em alta e derrubar de vez o rock nacional.

Latino nasceu Roberto de Souza Rocha e em um dia muito especial: 2 de fevereiro, dia de Yemanjá. Porém a santa, protetora dos mares, trouxe a oferenda para o lado contrário e despejou para nós o lixo que consumimos até os dias de hoje. Com uma musicalidade que flerta com o funk, o sertanejo, o pagode e a música brega, Latino ainda tenta se encontrar em um estilo próprio e com marca registrada. Não é fácil ser Latino: ele consegue, num mesmo disco, emplacar sucessos que a massa encefálica desumana não entende por ser ruim, pejorativa, desumana e hostil. O público de Latino é único e transgressor, porque atiça a libido, mas não consegue usufruir de nada culturalmente.

Suas modalidades musicais só comprovam o que ele já conseguiu demonstrar em vida de cidadão normal e que não é preciso postar aqui neste artigo. Mas Latino, um cantor tão vulgar quanto suas criações, gosta de humilhar as mulheres, expor ao ridículo as crianças e deixar os homens pouco a vontade com suas peripécias. Latino é aquilo que não gostaríamos nunca de comprar e seus discos são péssimos, horripilantes e incoerentes. De péssima formação cultural, o cantor conseguiu deixar muita gente horrorizada com a qualidade musical de quando ele iniciou sua carreira, com o que ele anda cantando agora.

Latino hoje: show de horrores
De fato, quando Latino surgiu com as músicas Me Leva e Só Você, todos se renderam aos seus encantos, seus charmes e seu talento. Sua música era uma novidade para todos e era uma nova alternativa para afundar o rock nacional e desbancar o já cansativo pagode (que se tornaria, alguns anos mais tarde, como uma febre nacional). Foi uma grata surpresa para aqueles que não tinham um ritmo, uma dança, um cantor à frente das telas fazendo coreografias sensuais (o último talvez fora Sidney Magal) e Latino estava ali para dar uma resposta a essas pessoas. Uma espécie de salvador da pátria.

Desde que a lambada, criada por Beto Barbosa nos anos 80, foi praticamente extinguida, não existiu outro ritmo dito caliente para que as pessoas pudessem mostrar um pouco da sua própria sensualidade. Latino teve esta superexposição, graças à falida lambada, que teve, entre outros cantores famosos à época como a Gretchen, Sarajane, Luíz Caldas e isso para ficarmos nos mais famosos. Latino, com sua dancinha horrorosa e seus dotes artísticos de péssimo nível, conseguiu montar um público ainda mais horroroso e com péssimo nível educacional. Mas não posso criticar somente o público e sim o cantor, que coleciona mulheres, filhos e uma miscelânea de ritmos, assim como é retratada suas músicas: um lixo.



Marcelo Teixeira

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Quando o Canto é Reza, a homenagem de Roberta Sá a Roque Ferreira




Homenagem à Roque Ferreira
Uma das vozes mais elogiadas da nova geração da MPB, Roberta Sá lançou o CD Quando o Canto é Reza no segundo semestre de 2010. O trabalho é uma parceria com o trio de percussão Madeira Brasil, formado por Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim. São treze canções de autoria do compositor baiano Roque Ferreira, que já foi gravado por Clara Nunes, Maria Bethânia, Alcione e Zeca Pagodinho. O samba de Roberta Sá tem agora uma cadência e um acompanhamento diferentes. O compasso vem da Bahia e a levada é do afiadíssimo Trio Madeira Brasil. O resultado está neste belíssimo disco, que denota também uma guinada diferenciada no habitual som da cantora natalense radicada no Rio de Janeiro.

Quando o Canto é Reza (2010 / Universal / 25,90) é o mergulho de Roberta e os músicos do Trio Madeira na obra de Roque Ferreira, um compositor e cantador do Recôncavo Baiano, considerado um mestre atual do samba-de-roda. Uma musicalidade onde cabem elementos de coco, ijexá e ritmos afro-brasileiros. Um caldo de referências que resultou no seu trabalho mais vigoroso. Vigor que vem da força de sua poesia e do poder das imagens que ele retrata.

Roque Ferreira, o homenageado
Este disco de Roberta é totalmente diferente dos outros que ela já gravou, como o de estreia, Braseiro, tão rico e tão bonito que já demonstrava que a cantora logo estaria entre as melhores do novo século. Em seguida veio Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria, que veio consolidar sua brilhante carreira, com músicas caprichadas, capa primorosa e voz cristalina. Porém, Quando o Canto é Reza, disco que norteia um novo horizonte na carreira de Roberta, passou praticamente despercebido pelo grande público, embora a crítica tenha aprovado e feito muita divulgação do disco.

Todas as músicas falam do cancioneiro baiano e o clima amistoso nos remete à Bahia de todos os santos, muito cantado por Dorival Caymmi, mas numa outra atmosfera. Aqui, Roberta canta Roque Ferreira em trejeitos e formas cadenciadas num jargão mais intimista e íntima dos santos, do candomblé, da umbanda e do misticismo que somente a Bahia tem e nos proporciona.

Roberta Sá
As músicas do CD parecem rezas, de fato. A começar por Mandingo, que mais parece uma cantiga para receber um santo. Cocada é uma delícia de música, dessas que o refrão gruda em nossa memoria e não sai por nada. A romântica Água da Minha Sede e Água Doce dão a dimensão da capacidade homérica de Roque em fazer canção com sua sapiência e cadência elevadas, desmitificando a alma das rezas. Com essas duas canções, o disco prima por experimentar o sentimentalismo aflorado do compositor e deixando evidente que Roque Ferreira consegue adentrar em nosso coração através de uma boa música.

Tô Fora é a única canção em que o homenageado faz participação vocal e, diga-se de passagem, é uma música maravilhosa e o duo entre Roberta e Roque caiu como uma luva. Dinamismo e respeito mútuo pelo trabalho alheio, Roberta Sá não só entrou definitivamente para o rol das estrelas da MPB, como teve seu carimbo assinado com um grande disco.



Faixas



·       1 – Mandingo (Roque Ferreira / Pedro Luís)

·       2 – Chita Fina (Roque Ferreira)

·       3 – Zambiapungo (Roque Ferreira / Zé Paulo Becker)

·       4 – Cocada (Roque Ferreira)

·       5 – Água da Minha Sede (Roque Ferreira / Dudu Nobre)

·       6 – Orixá de Frente (Roque Ferreira)

·       7 – Água Doce (Roque Ferreira)

·       8 – Menino (Roque Ferreira)

·       9 – Tô Fora (Roque Ferreira)

ü  Part. Especial: Roque Ferreira

ü  10 – Xirê (Roque Ferreira)

ü  11 – Marejada (Roque Ferreira)

ü  12 – A Mão do Amor (Roque Ferreira)

ü  13 – Festejo (Roque Ferreira)

ü  Citação: Samba Pras Moças (Grazielle e Roque Ferreira)



Produção de Pedro Luís



Nota 10


Quando o Canto é Reza / Roberta Sá


Marcelo Teixeira