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quarta-feira, 18 de julho de 2012

3º lugar: Mariana Aydar - As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos


Mariana Aydar: terceira colocação
Criada no ambiente artístico, Mariana sempre teve a música bastante presente como fonte de expressão e liberdade. Uma espécie de conexão com o que não tem palavras, uma expressão quase osmótica, sem regras. Estudou violoncelo e musicalização infantil dos 10 aos 15 anos no Conservatório Musical do Brooklin. Cursou o colegial na Escola Waldorf de São Paulo, conhecida pelo incentivo às atividades artísticas, onde teve contato com o teatro, coral e artes plásticas. Fez um ano da Faculdade Santa Marcelina, mas resolveu se dedicar a aulas mais práticas na escola de música Groove, em São Paulo. Foi aos 20 anos que descobriu que toda esta bagagem era uma desculpa para fazer o que mais gostava: cantar. Em 2000, aos 20 anos, começou a cantar profissionalmente como backing vocal do violeiro Miltinho Edilberto, cujo repertório era basicamente de forró. Logo depois, comandou sua primeira banda, Caruá, também de forró, durante três anos. Neste período, teve a oportunidade de dividir o palco com grandes nomes da música popular brasileira, como Dominguinhos e Elba Ramalho. Foi também backing vocal no trio elétrico de Daniela Mercury, no carnaval de 2004. Em paralelo, integrava a banda do compositor paulistano Dante Ozzetti.

Aos 24 anos, se viu num impasse: ou continuava o trabalho com a Caruá e gravava o primeiro disco da banda ou procuraria o que realmente espelhasse a variedade de sua musicalidade. Com um disco demo embaixo do braço, foi morar fora do Brasil, sozinha, para buscar novas referências.

Optou por Paris pela efervescência cultural e percebeu ter feito a escolha certa. Lá conheceu músicas e músicos do mundo inteiro: africanos, asiáticos, franceses; foi um ano de amadurecimento pessoal e, consequentemente, musical. Observar o Brasil com um olhar estrangeiro foi muito importante para sua formação. Se já era apaixonada pela música brasileira, se deu conta do valor do tesouro cultural que tinha em volta de si, desde criança. Ainda em Paris, fez a curadoria de programa de televisão brasileiro, onde recebia discos de todo o Brasil, percebendo concretamente, à distância, um movimento cultural contemporâneo que acontecia em seu país. Então sentiu-se pronta e inspirada para voltar e gravar o seu primeiro álbum juntando as influências colecionadas ao longo da sua vida e da vivência no exterior.

Assim nasceu o álbum Kavita 1, sob os cuidados dos produtores BiD e Duani Martins, com mixagens de Mario Caldato e Luis Paulo Serafim. O trabalho de estreia reúne compositores da antiga e da nova geração: João Nogueira, Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin (Minha Missão e Maior é Deus), João Donato e Lysias Ênio (Vento no Canavial), Leci Brandão (Zé do Caroço), Theo de Barros (Menino das Laranjas), Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulo Antônio (Candomblé), Chico César (Prainha), Rodrigo Amarante (Deixa o Verão), Giana Viscardi e Michael Ruzitshkal (Na Gangorra). No disco está também Festança, sua primeira composição, em parceria com Duani.

Kavita 1 teve uma ótima repercussão de público e crítica no Brasil e levou Mariana Aydar novamente ao exterior. Recebeu resenhas elogiosas ao redor do mundo. Sobre a receptividade no exterior, ela fica surpresa, mas reconhece que está cercada de um abre-alas muito peculiar e especial: a genuína música brasileira.  Seu som tem aspectos universais e sofisticados, mas sem perder as raízes da música brasileira.

Irreverente, Mariana alcança o Bronze
Depois de 2 anos excursionando com sua banda, cantando com artistas como Ivan Lins, Emilio Santiago e João Donato, Mariana decidiu que chegara a hora de voltar ao estúdio. Novamente ao lado do parceiro músico e produtor musical Duani convidou o produtor Kassin para o novo álbum, Peixes Pássaros Pessoas (2009), lançado pela Universal Music. Juntou-se a compositores de sua geração que admirava e quis falar do que sentia naquele momento através de 13 músicas inéditas. Deste período de inspiração, também surgiram mais composições próprias: Palavras não Falam, o samba cotidiano Aqui em casa (em parceria com Duani) e a introspectiva Tudo que eu Trago no Bolso (em parceria com Nuno Ramos).

Continuando sua trajetória, Mariana fez uma série de shows para testar novas músicas para seu terceiro CD no final de 2010. Esse contato com o público deu a ela uma ideia do que queria para o terceiro álbum. Mariana foi guiada pela intuição para criar o novo disco. O álbum Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo que, costurado a partir de suas composições, traz ainda canções de outros compositores que se integram ao clima.

Produzido pelo multi-instrumentista e parceiro desde o primeiro trabalho, Duani Martins, em parceria com o maestro, compositor e arranjador Letieres Leite, da Orkestra Rumpilezz, o CD gravado ao vivo em estúdio revela ritmos afro-brasileiros, além da busca pelas origens sem perder o caráter contemporâneo. As contribuições não param aí. A musicalidade de cada um dos integrantes da banda que participaram do disco também se soma ao projeto, revelando a busca por algo autêntico e rico.

O resultado é um trabalho artesanal, misterioso e que está pronto para ser descoberto por seus ouvintes. E por todos estes méritos e conquistas e boa musicalidade, que Mariana Aydar, a grande revelação na MPB, consagra o terceiro lugar na lista das Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos, promovido pelo Mais Cultura!.



Troféu de Bronze

Terceiro lugar: Mariana Aydar

As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Peixes, Pássaros, Pessoas, de Mariana Aydar




A obra-prima de Mariana Aydar
Mariana Aydar é dessas raras cantoras que, ao abrigar uma canção em sua voz, consegue significá-la definitivamente, canonizando-a, estilista do canto que se revelou desde seu primeiro CD, lançado há mais de três anos. Hoje o Mais Cultura! traz o já consagrado Peixes Pássaros Pessoas (2009 / Universal Music / 29,99), corajosamente composto por 13 canções inéditas, encadeadas num roteiro conceitualmente elaborado – fato que confere aos temas escolhidos, uma significação específica e diferencial no conjunto do repertório. Aliás, o repertório, sua qualidade e as formas com que Mariana o molda implicam a essencial destoância do disco em relação às demais produções contemporâneas, costumeiramente centradas no excessivo cuidado com arranjos e com a voz do cantor.

Aqui, nesse maravilhoso Peixes Pássaros Pessoas, o resultado advém de uma proposta aparentemente descentrada dos padrões, voltando sim atenção a refinados arranjos e ao modo ímpar de interpretação da cantora, mas estabelecendo e obtendo, de todo o processo criativo, uma força vetorial conduzida pela segurança da intérprete que coloca destreza e inteligência a serviço de uma escuta global, inteiriça e estoica, conseguindo oferecer ao público um dos mais diferenciados CDs produzidos nos últimos anos.

Ao iniciar o disco com o belo samba Florindo, de Duani (compositor de mais seis imprescindíveis temas do roteiro, e produtor do CD junto com Kassin), camadas de pensamentos condizentes ao fio-condutor temático do roteiro são levemente prenunciadas, como num samba de Candeia, daqueles em que a esperança é modestamente perseguida pela remissão consciente do mundo material: Quem quer viver bem no presente encontra o seu lugar (…) E todo esse sofrimento não pertence à sua casa, sentencia Duani, autor capaz de chegar a extremos de densidade poética em demais versos e sambas.

Transbordando em signos, metáforas e imagens oníricas sobre o branco da página e sob nuvens rasas, Mariana e Duani desenham claramente o viés-motriz do projeto, conseguindo estabelecer um diálogo espontâneo entre as canções – trabalho árduo nos dias de hoje. E essas, individual e coletivamente, perfazem uma espécie de oráculo, decurso pelo qual a canção passa a servir de espaço para a expressão de uma fala recusada, elidida, bastante visível, por exemplo, no neo-baião Tá? (da trinca Carlos Rennó, Pedro Luis e Roberta Sá), no qual cada frase é mutilada antes do término da sílaba ta, pois por onde você passa o ar você empes..., e pra bom entendedor, meia palavra bas.... Aliás, esse fora o mote inicial da criação que acrescenta ao disco pitadas de uma cosmovisão acidamente crítica, que também se intercala, sutilmente, no bojo de outras canções.

Paralelamente, como exemplo, a recepção afetiva e amorosa do samba Aqui em Casa (de Duani e Kavita), leva o ouvinte a imageticamente criar o idílio que, com o seguimento dos versos, culmina na realidade de que todo esse amor (…) nunca passou de amizade, últimas estrofes que conferem a abrupta cisão na expectativa imaginária. Do macro ao micro, isto é, da consciência de um todo existencial ao pequeno mundo dos afetos, o roteiro transcende ainda ao buscar o lócus paradisíaco, tônica presente em obras de alguns poetas-letristas. Trata-se do sincopado Pras Bandas de Lá, de Duani, no qual o eu-lírico-enfastiado pretende deixar o mundo velho por aqui, pois é cada uma que eu tenho que escutar -, abandono e troca de um mundo saturado para a opção das bandas de lá, lugar-incomum idealizado onde se pode ver o sol morrendo no mar. Com um sensível radar, a completude alcançada pelo encadeamento de canções consegue enfatizar a contradição como uma essência comum e natural de nossa condição humana contemporânea.

Com Nuno Ramos, Duani cria o dilacerante samba Manhã Azul, no qual uma outra Mariana brinca com sua intenção interpretativa, narrando manhãs possíveis a uma vida aberta para folhas secas e vento, eclodindo em quem foi que botou a chuva dentro dos meus olhos? Qual foi a luz da luz do sol que cegou e me fez ver?. E esse olhar-gume afiado, veladamente apocalíptico, enxerga a cidade cair em pé, iluminando-se pela luz de uma alegria azul, prenúncio que se afigura mais concretamente em Poderoso Rei (Duani), no qual um dia as pessoas da terra vão perceber que não valeu de nada o que se defendeu, samba entoado em garra e dentes por uma Mariana que, inevitavelmente, faz emergir a lembrança da grande intérprete Clara Nunes, cuja temática dos dois sambas também integravam um segmento de sua obra (como As Forças da Natureza, de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, Juízo Final, de Nelson Cavaquinho, entre outras peças).

Não há comparações entre Mariana Aydar e Clara Nunes, separadas por uma lacuna abissal de tempo e de evoluções estéticas; mas se Clara estivesse viva, provavelmente abraçaria Mariana, e encontraria na jovem uma ponte de continuidade, devido à importante característica que as une: ambas abraçaram o samba como um segmento concernente e bem definido em suas produções, sem se rotularem sambistas (embora Clara ainda sofra esse efeito), o que as limitaria diante do vasto potencial de intérpretes e estilistas do canto que possuem.

Não à toa Clara Nunes, num mesmo disco, cantava sambas de Nei Lopes, Candeia, João Nogueira, Paulinho da Viola, que dividiam espaço com um bolero composto por Paulo César Pinheiro, assim como um fado de Chico Buarque – refiro-me ao LP As Forças da Natureza, de 1977. Lançando mão de outros modos de abordagem e criação, Mariana Aydar concentra-se na ressignificação de suas referências, bem como no processo de seu trabalho que, sem cair em equívocos, reforça sua atuação como intérprete da canção, embora o samba a persiga (como diz no dueto com Zeca Pagodinho, O Samba me Persegue, de Duani), mas mantendo-se fiel ao seu talento e ofício: a de intérprete, capaz de vestir estilos diversos, de acordo com aquilo com o que quer dizer.

E no esteio do querer dizer o essencial em poucas palavras, utilizando-se de um vasto campo semântico ao qual os compositores parecem obter livre acesso, Mariana nos apresenta a marcha Peixes (de Nenung) que, empunhada por guitarras, cellos, teclados, baixo e uma lancinante bateria e árvore de sinos, parece deflagrar e consolidar o eixo da ideia central do projeto, tornando-se uma chave de compreensão para a rica hibridez do disco -  o título Peixes Pássaros Pessoas é extraído de um dos versos da música. Ao abusar de metáforas na medida certa, Peixes alinhava as demais canções, permitindo-as confluir, respirar e coexistir natural e espontaneamente nesse inesgotável matulão de signos que o disco traz.



Por meio da canção de Nenung (atuante compositor da banda Os The Darma Lóvers, que ainda vai dar o que falar!), conseguimos inclusive viajar nos detalhes do projeto do encarte do disco, que apresenta fotos de Mariana Aydar coberta por restos de drapejados dourados, sobras de carnaval, brocados misturados à terra (mãe-terra?) sobre a qual Mariana aparece deitada, expondo bracelete dourado e pulso, ora rindo, ora sisuda, ora com rosto encoberto pelo braço, ora guerreira, ora menina, sob fios embolados e sustentados por postes.

É quando Mariana – Kavita, matizada em sânscrita poeta, deixa de ser um pseudônimo para se tornar seu próprio heterônimo mítico, pitonisa que se subverte ao enxergar e referenciar a corrosiva e real igualdade, translúcida sob seus olhos, entre objetos seres coisas homens vida e morte, peixes pássaros pessoas aprisionados à crueza da cegueira condicionada pela inversão de valores e de condutas, enfermidade generalizada pela qual passa a humanidade.

Num grito sufocante, Mariana encerra Peixes como que enfrentando os anzóis atravessados na garganta, na negação de se morrer como decoração de casas, tocando, outra vez, e conscientemente, na nevralgia da contradição. Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música, ratifica em sua bela Palavras Não falam, mas contraditoriamente diz se entender escrevendo e vendo tudo sem vaidade ao preencher o branco desta página linda. Situada (e sitiada) em um radical e interminável jogo de contrários, entre o desmanche do que fora o carnaval, caminhando sobre o luto posterior à festa, entre belezas acesas das práticas do amor e horrores de tanta social e amores falsos, a artista esfacela sua persona em espelhos, matizes e signos, acintosamente para dar conta do conteúdo de seu dizer, súmula da existência de um trabalho que consegue escapar de rótulos – índie, new-hippie etc. -, para conseguir chegar, do modo que for à tessitura da alma do ouvinte.

Daí a necessidade de um trabalho que é, indubitavelmente, resultado das reflexões, das experiências e da alma criativa dos artistas envolvidos, e de Mariana, que na contracapa do disco expõe o rosto à contraluz, tentando enxergar algo – a imanente e incessante busca pela aprendizagem. Ousadamente encerra o disco com Tudo o que Trago no Bolso (dela em parceria com Nuno Ramos), num quase sussurro exausto, sobre os acordes da guitarra de Lanny Gordin: Como assim? Onde estou? Já passei da foto no jornal da minha cara….

Por onde Mariana passa, deixa um rastro de poesia e luz, hai-kais entre flores de aço e vasos de barro, versos transversais atravessados em nossos olhos, peixes, pássaros e pessoas reluzentes num mesmo plano, sinalizando-nos a direção de um caminho – e a música é sua forma de expressão.



Nota 10

Peixes Pássaros Pessoas / Mariana Aydar



Marcelo Teixeira

terça-feira, 24 de abril de 2012

Efêmera, de Tulipa Ruiz: espetacular




A cantora Tulipa Ruiz
Tulipa é um gênero de plantas angiospermas (plantas com flores) da família das liláceas. Com cerca de cem espécies, as tulipas têm folhas que podem ser oblongas, ovais ou lanceoladas (em forma de lança). Do centro da folhagem surge uma haste ereta, com flor solitária formada por seis pétalas. Cores e formas são bem variadas. Existem muitas variedades cultivadas e milhares de híbridos em diversas cores, tons matizados, pontas picotadas, etc.

Efêmeras são aquelas transitórias, passageiras ou que duram pouco tempo. O antônimo de efêmera é duradouro, prolongado e distante e essa palavra, efêmera, também está relacionado com tempo delicado, feminino, afeminar.

Tulipa Ruiz é uma cantora e, diga-se de passagem, excelente compositora, uma das melhores que o Brasil já conheceu. Filha de Graziella Ruiz, escritora, Tulipa apareceu tardiamente no cenário musical, mas veio muito bem acompanhada por familiares e amigos muito próximos, cujo já estão na estrada há um tempo e com sucessos garantidos, caso de Tiê, Céu, Thalma de Freitas, Mariana Aydar e Anélis Assumpção, filha do maravilhoso compositor e cantor Itamar Assumpção, morto em 2003. Vale ressaltar que o pai de Anélis, Itamar, é responsável pelos maiores sucessos de Ná Ozzetti, Zélia Duncan e Virgínia Rosa. Seu pai, Luiz Chagas, é o responsável pela faixa mais longa do disco, porém, a mais bonita e dançante  e que nos leva a um som meio roqueiro, meio abusivo e muito estiloso, que recebeu o título de Às Vezes. Ao ouvirmos esta música, uma sensação de que a Jovem Guarda está presente é notório. Chagas também ganha vivacidade, além das composições, da sua potente guitarra, que dá uma sonoridade extra em algumas boas faixas.

Efêmera: singelo e maravilhoso
Efêmera (2010 / YB / 22,90) veio para comprovar a essência de Tulipa Ruiz, que anda fazendo um certo barulho com sua musicalidade simples e rica ao mesmo tempo, com um sabor de quero mais, um sentido maior de encantamento profundo e mistérios por parte desta cantora simplesmente maravilhosa. O disco é recheado por músicas belas, redondamente bem compostas, tendo um começo, meio e fim e por uma suavidade, um refinamento e uma pronúncia muito bem elaboradas por Tulipa. O disco não poderia receber outro nome senão Efêmera, que de passageiro não tem absolutamente nada.

Efêmera, que abre o disco, é a prova disso: deliciosamente harmoniosa, o timbre de Tulipa penetra em nossos poros, dando a dimensão de sua mensagem e deixando evidente que nada realmente é temporário. Pontual, que segue na segunda faixa, prontamente é uma crítica moralmente reconhecível, mas de uma forma contextuada, uma comédia romântica que trata da falta de pontualidade das pessoas até para ir ao cinema e perder a sessão das dez! Pedrinho é a mais divertida e sensual, desses tipos de Pedros que encontramos ao nosso lado sempre, que é amigo, companheiro, cúmplice e que pode ser nosso amante também.

Já na faixa Aqui tem uma particularidade: ao final da canção, tem uma citação a uma música de Caetano Veloso cantada no CD Livro (1997), chamada How Beautiful Could A Being Be, cujo não consta nos créditos. Só sei Dançar Com Você foi gravada primeiramente pela delicada Tiê no seu segundo disco de carreira, A Coruja e o Coração (2011), e a canção tem a participação vocal de Zé Pi. Exceto pela música Às Vezes, composta por Luiz Chagas, todas as outras faixas foram compostas por Tulipa Ruiz sozinha ou na companhia de Gustavo Ruiz, seu irmão. Tendo a tiracolo participações especiais, como Duani, marido de Mariana Aydar, Kassin, Tatá Aeroplano e Iara Rennó, o disco só poderia sair do forno com uma qualidade refinada, com um gosto de quero mais e com a nítida certeza de que Tulipa veio para ficar.

O disco de Tulipa é uma graciosidade: além de várias tulipas desenhadas por várias cantoras e amigas, como Ná Ozzetti, Tiê e pela própria Tulipa, ela foi considerada uma das 50 melhores cantoras da década e seu CD é classificado como Pop Florestal, um gênero criado como brincadeira pela cantora. Músicas de altíssima qualidade, com determinação e garra, com sentimentalismo aflorado à flor da pele e com muito chão pela frente de poder mostrar todo o seu carisma e seu talento, esperemos que Efêmera não seja temporário e que venha outros discos igualmente a este ou melhores que este.



 
Faixas

·       1 - Efêmera (Gustavo Ruiz / Tulipa Ruiz)

·       2 – Pontual (Tulipa Ruiz)

·       3 – Do Amor (Gustavo Ruiz / Tulipa Ruiz)

·       4 – Pedrinho (Tulipa Ruiz)

·       5 – A Ordem Das Árvores (Tulipa Ruiz)

·       6 – Sushi (Luiz Chagas / Tulipa Ruiz)

·       7 – Brocal Dourado (Gustavo Ruiz / Tulipa Ruiz)

·       8 – Aqui (Tulipa Ruiz)

·       9 – Às Vezes (Luiz Chagas)

·       10 – Da Menina (Tulipa Ruiz)

·       11 – Só Sei Dançar Com Você (Tulipa Ruiz)

ü  Part. Especial de Zé Pi



Nota 10

Efêmera / Tulipa Ruiz



Marcelo Teixeira