segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A macumba de Rita Ribeiro


A boa música de Rita Ribeiro
A música de Rita Ribeiro incomoda, pois reafirma a posição de manter viva a liberdade de culto e de expressão musical, trazendo uma novidade bem mais agradável e valiosa. Ao romper o mês de São Jorge, ouvi um disco bastante interessante! Acredito que a maioria das pessoas não ouvem um repertório, um CD direito. Talvez as pessoas fiquem restritas pela música de trabalho, mas, com toda a certeza, o projeto fonográfico de Rita Ribeiro em Tecnomacumba lhe convida a ouvir o resto. A maranhense que antes já havia gravado preciosidades como Pérola aos povos de 1999, em que lança a música de Zeca Baleiro Muzak, trouxe um arcabouço rico e bastante condizente com o nome: tecnomacumba. Ela acaba de criar, atrevidamente, um gênero, talvez um estilo. Sabendo que muitos já macumbaram, entre eles, Caetano, Gil, Bethânia e tantos outros, Rita relê algumas raridades e recria novas roupagens, fora as novidades que são um show a parte. A concepção de criação remete-se ao jeito mais faceiro e mais gostoso, que é o lado mais dançante.

Impossível pensar diferente, já que a palavra macumba significa festa e que algumas músicas são chamamentos litúrgicos da umbanda e do candomblé. Ao pensar em festa, num ritmo mais tocante e que se aproxima dos toques de percussão, as músicas ganham uma roupagem mais moderna, arrojada e inesperada: o tecno. Ao começar a ouvir, a impressão é que se pôr alto, aquele vizinho acostumado em colocar bem alto louvores cristãos de pura apelação de cantores como Regis Danese, grupos como Toque no Altar e da linda (mas insuportável) Aline Barros irá se assustar já na primeira música. Hoje, parece que se você colocar bem alto as músicas de Rita Ribeiro você pode ser condenado a uma censura de seu vizinho, achando-o incomodado.

E Todavia é! A música de Rita Ribeiro incomoda, pois reafirma a posição de manter viva a liberdade de culto e de expressão musical, trazendo uma novidade bem mais agradável e valiosa. No repertório, ainda temos uma música que era desconhecida e que ao inovar, carimba um formato único e imprescindível. Domingo 23 é de Jorge Ben Jor, e faz parte do disco Ben de 1972 que inclui, também, o grande sucesso Taj Mahal. Sendo assim, o que era velho, foi possível se transformar em novo, uma verdadeira alquimia que trouxe outras músicas para uma batida diferente, entre elas Iansã de Caetano Veloso e Gilberto Gil, Oração ao Tempo de Caetano Veloso, Coisa da Antiga de Wilson Moreira e Ney Lopes, Rainha do Mar de Dorival Caymmi, Tambor de Crioula de Junior e Oberdan Oliveira.

Além de criações próprias, como Saudação (colagens de pontos e cantos para orixás e guias espirituais) como abertura do CD, Jurema e Canto de Oxalá. E, também, temos outras novidades como a música lindíssima E d’Oxum de Gerônimo e Vevé Calazans, já interpretada por Davi Moraes e Maria Bethânia. Sem dúvida, uma surpresa e, bem se bobear, capaz de virar uma verdadeiro clássico… ah, não, já é!

 

Technomacumba / Rita Ribeiro

Nota 10

Marcelo Teixeira

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