segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O retorno de Baby do Brasil


 

Baby e o filho, Pedro: a volta
Baby* sempre foi do Brasil, mesmo quando assinava Consuelo. Apesar de ter trocado o nome artístico em meados dos anos 90, a vida inteira misturou toda sorte de ritmos em seu caldeirão, prevalecendo sempre o sabor tropical, bem brasileiro. Não é por acaso que ela é a nossa única cantora brasileira que fez sucesso cantando chorinho depois da fase áurea da rainha do gênero, Ademilde Fonseca e, também uma das raras a cantar samba de um jeito furioso e esfuziante como outra de suas referências, Elza Soares. E Baby também sempre fora polêmica. Ora com a barriga de fora, ora cantando praticamente como se estivesse recebendo um santo qualquer, Baby reproduziu no Brasil a espécie de uma das cantoras mais populares e descoladas dos anos 1970.

Quando Baby e Pepeu Gomes (seu então marido na época) alcançaram o topo das paradas de sucesso, foram participar imediatamente do Festival da Música em Montreux [1980, Suíça], onde cada um gravou seu primeiro disco ao vivo. Vale ressaltar que naquela época, somente os verdadeiros e bons cantores da MPB ou de movimentos ricos de imaginação e criação, eram convidados a participar do Festival da Suíça. Também participaram do Rock In Rio [1985, Rio de Janeiro], onde Baby estava grávida do seu filho caçula. Foi um choque para a população ver Baby cantando com a barriga de fora, já que isso, na época, era uma coisa fora do normal. Baby também aparece coberta de metais entortados por Thomaz Green Morton. 

Depois de um tempo afastada da mídia e dos palcos e sem lançar praticamente nenhum disco, Baby troca o Consuelo pelo do Brasil e se torna evangélica (o que, para mim, é a mais pura identidade desprovida de consolidação artística). Encontrou-se única e detentora de seus direitos através da igreja a qual pertencia e a partir deste momento, uma nova transformação acontece na vida da cantora. Retornou aos palcos na década de 90, já casada com o produtor Nando Chagas. O casamento durou 8 anos. Baby finalmente assume o nome artístico Baby do Brasil. Grava um especial com os Novos Baianos [Infinito Circular], em 1997. Também lança um livro chamado Peregrina ... Meu Caminho no Caminho, onde conta a sua passagem pelo caminho de Santiago de Compostela [Espanha].

A verdadeira responsável pela volta de Baby aos palcos foi da cantora Gal Costa, que, em conversa com Pedro, filho guitarrista de Baby, propôs a ele a ideia de dirigir a mãe em comemoração aos seus 60 anos de carreira, a qual ficou denominado Baby Sucessos. Talvez seja um choque para todos, mais uma vez vinda de uma das cantoras mais loucas da MPB: com uma carreira marcada por polêmicas e por altos e baixos, igrejas evangélicas, filhas pastoras, maridos calados, filhos numerosos, musicalidade boa, troca de nomes, cabelos coloridos, viagens, livros e a comemoração de seus 60 anos. É esperar para ver.

 

O retorno de Baby do Brasil

Marcelo Teixeira

*artigo idealizado por Diogo Silva, escrito por Marcelo Teixeira.

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