segunda-feira, 13 de maio de 2013

Chico Buarque agrega musicalidade em Na Carreira


O ótimo Chico
Intitulado Na Carreira, o novo DVD duplo ao vivo do mestre das poesias musicadas, Chico Buarque, tem tudo aquilo sobre a vida e obra do compositor carioca durante as gravações do último disco Chico. Nos bastidores, um site (www.chicobastidores.com.br) foi criado com relatos e curiosidades do novo trabalho do artista, retratando esse mega sucesso. Entre o material selecionado, há diversos vídeos de Chico falando sobre o ato de tocar violão, além de um bate papo sobre a seleção de repertório, recepção do público, a energia do ao vivo e sobre a evolução de seu show.O DVD agrega canções de seu álbum Chico, já resenhado aqui no Mais Cultura Brasileira! e que já vendeu mais de 80 mil cópias. Junto com as novas canções, o artista vasculhou os mais de 400 títulos de sua obra, tão vasta em gêneros quanto em assuntos, para chegar à lista final de 30 músicas.

Se no CD Chico temos um certo Chico Buarque meio murcho, muito apático, com frases sem sentido em algumas canções, como amar uma mulher sem orifícios, aqui no DVD tudo é diferente: mostra um Chico Buarque mais a vontade, cantando maravilhosamente pérolas de outras épocas, demonstrando ser o velho Chico, e com jogo de iluminação perfeita. Na Carreira só demonstra o quanto Chico Buarque é essencial para a música popular brasileira.

 

Faixas

1.O Velho Francisco/ 2. De volta ao samba/ 3. Desalento/ 4. Injuriado/ 5. Querido Diário/ 6. Rubato/ 7. Choro Bandido/ 8. Essa Pequena/ 9. Tipo um baião/ 10. Se eu soubesse/ 11. Sem você nº 2/ 12. Bastidores/ 13. Todo o sentimento/ 14. O meu amor/ 15. Teresinha/ 16. Ana de Amsterdam/ 17. Anos Dourados/ 18. Sob Medida/ 19. Nina/ 20. Valsa Brasileira/ 21. Geni e o Zepelim/ 22. Sou Eu/ 23. Tereza da Praia/ 24. A violeira/ 25. Baioque/ 26. Rap de Cálice/ 27. Sinhá/ 28. Barafunda/ 29. Futuros Amantes/ 30. Na carreira

 

Na Carreira DVD – Chico Buarque

Nota 10

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 10 de maio de 2013

É o Que Temos, mostra a versatilidade de Barbara Eugênia

Barbara: sutileza e beleza
O registro na identidade revela a carioquice, mas a falta de sotaque e a pele alva a camuflam entre as mulheres paulistanas. Discreta moradora do bairro da Pompéia, na zona oeste da capital paulista, a bela cantora Barbara Eugênia saiu do ensolarado Rio de Janeiro há quase uma década e aportou em São Paulo ainda sem saber que a música seria seu ofício. Tradutora, profissão que ainda exerce para custear parte das despesas que insistem em bater em sua porta, começou a cantar graças ao cinema, cujo foi convidada pelo produtor Apollo Nove e participou de duas músicas para a trilha sonora do filme O Cheiro do Ralo, dirigido pelo pernambucano Heitor Dhalia. Sua primeira vez nos palcos foi ao lado de Edgard Scandurra em um tributo ao francês Serge Gainsbourg.

Em 2010, lançou Journal de BAD, resenhado aqui no Mais Cultura Brasileira! com requintes de pompa e esse seu disco de estreia carregava o nome dos e-mails que mandava aos amigos contando sobre os pormenores da vida. Através do guitarrista Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, deu uma dica para que a cantora deixasse de lado a história de ser bad para ser good. Esse foi o salto sem paraquedas na música popular brasileira, lugar de onde Barbara Eugênia jamais deva sair. Com as participações de Tom Zé e Otto, o trabalho deu notoriedade e rendeu convites à cantora pelos quatro cantos do país. Fez contatos, shows, participou de projetos interessantes como o 3 na Massa (desenvolvido por Rica Amabis em parceria com os músicos Dengue e Pupillo, da Nação Zumbi) e ganhou experiência e cacha para o passo seguinte.

Aos 32 anos e com muita beleza de sobra, Barbara Eugênia se prepara para lançar seu disco número dois, que não carrega nenhum bad no nome. Mas as dificuldades e fantasmas do segundo CD passaram longe. O clima descontraído na produção de Edgar, sempre próximo, e Clayton Martin, baterista da banda Cidadão Instigado, fez com que o disco nascesse leve e descompromissado, daqueles de colar o rosto e brincar de amar.

Mais maduro e consistente, É o que temos tem as participações de Pélico, Tatá Aeroplano, Guizado e dos incontroláveis e talentosos Mustache & Os Apaches, grupo que toca com frequência nas portas de restaurantes de Pinheiros e Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo. O disco foi lançado virtualmente no site www.oimusica.com.br

Barbara Eugênia canta brilhantemente. E é muito melhor ouvir o disco do que eu resenhar uma ou outra faixa do CD. Barbara Eugênia cresceu musicalmente e achou na música o seu lugar e volta depois de um hiato de três anos para mostrar o que tem de melhor, o que não é, acreditem se quiser, seu belo rosto.

 

É o que temos – Barbara Eugênia

Nota 10

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Viva, Legião Urbana!


Revolucionários
O grupo de rock Legião Urbana acabou em 1996, quando o líder e único porta-voz da banda, Renato Russo, veio a falecer. Lembro-me de quando era pequeno, acho que lá pelos 14 ou 15 anos, da minha prima ouvindo umas músicas que sempre me aguçavam a curiosidade, mas que não me chamavam a atenção os quatro marmanjos. Seja pela letra ou pelas melodias, sempre me atraia aquele som. Minha prima e alguns amigos próximos tinham várias fitas cassetes e vinis do Legião Urbana em casa e então comecei a ouvir por influência deles, mas sem nenhum resquício de sobrevivência por eles. Hoje compreendo melhor as letras do Renato Russo, suas dificuldades, suas saliências, suas maldades e suas tristezas e alegrias contidas em músicas rebeldes ou melancólicas e também por conhecer sua história ouço os CDs me situando no que ele passava em cada época de gravação dos mesmos.

Dia destes vi um documentário do Legião Urbana que foi passado em um canal pago. Tinham imagens e histórias que foram revelados só agora mostrando os últimos momentos de Renato entre nós. Legião Urbana, para mim, é a melhor banda de Rock que existiu no Brasil e até hoje tento encontrar alguma banda melhor que eles. Em vão. Nenhuma chega perto de sua capacidade de envolver multidões de vários estilos de vida como eles. Prefiro músicas como Tempo Perdido ou Giz. Confesso que prefiro as músicas que não são as mais famosas. Uma das minha preferidas é Longe do meu lado

Acredito que o Renato seja um dos maiores compositores do rock brasileiro ao lado de Cazuza, Chico Buarque e Antônio Carlos Jobim. Foi uma época que não volta mais. Não é toda banda que consegue levar 100 mil pessoas em um show. A banda é muito importante para todos aqueles que vivenciaram o momento e por amantes do Legião após a morte de Renato, pois suas músicas refletem algo nas pessoas.

As melodias do Legião Urbana fazem bem para alma. Não sei como, mas souberam fazer músicas incríveis. Um CD que é raridade é o Duetos, onde o Renato canta raridades com diversos cantores. Realmente Renato Russo sabia compor e colocava em palavras o que muitos de nós sentimos e às vezes não conseguimos demonstrar. Talvez seja por isso que o Legião Urbana tenha feito tanto sucesso. É de arrepiar ver as gravações dos shows da banda e ver como aquelas pessoas gostavam das músicas e cantavam sem parar.

Legião Urbana ficará para sempre na história da música popular brasileira.

 

Viva, Legião Urbana!

Marcelo Teixeira

 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

As releituras de Seu Jorge e Almaz vão muito além da música


Ótimo disco em releituras e vozes
A voz de Seu Jorge consente a ele cantar o que ambicionar. Do estrondo do trovão ao sussurro, passando por diversos matizes timbrísticos, tudo cabe na voz de Seu Jorge. Do mesmo modo, mimeografando o passado e imprimindo futuros, os músicos da Nação Zumbi aprofundam a pesquisa de uma brasilidade braseira. Aconteceu o projeto que estava há anos engavetado e que saiu no finalzinho de 2009. Seu Jorge e Almaz. Sem mais. Sem palavras. O melhor de Seu Jorge sem o poder das grandes canções comerciais e indo mais fundo, mais profundo, mais adentro de músicas mais elaboradas, mais sofisticadas, mais elitizadas, mas ainda assim sem perder o preceito de uma música comercial. Para o projeto Seu Jorge e Almaz (EMI / 2010 / 29,99), o cantor acoplou sua energia vocal à tonelada rítmica de dois componentes do grupo Nação Zumbi - Pupillo e Lucio Maia -, além do conhecimento em trilhas sonoras de Antonio Pinto. O resultado é um disco forte: com sonoridades mestiças, volteios agradáveis e surpresas. Boas.

Reciclando canções diversas - de Tim Maia a Rodney Temperton, passando por Jorge Ben e Dorival Caymmi -, o quarteto compôs um conjunto sonoro autoral: um som livre de fixações universais e misturados. A poética Juízo final, de Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, sem perder o cavaquinho, ganhou uma moldura melódica atômica, biônica e eletron-sansônica irradiando a mensagem do amor que será eterno novamente.

Aqui, longe da destruição apocalíptica, o juízo final traz a esperança do sol que brilhará. A produção do grupo Almaz investe em uma tempestade de sons eletronicamente modificados para adensar o canto do desejo do sujeito à espera de mudança.

A performance vocal preguiçosa de Seu Jorge parece contrastar com o desejo do sujeito exposto. Porém, tal dicção pode ser lida como a tematização dos angonismos presentes na letra. Aliás, em Seu Jorge e Almaz o cantor investiu a mais não poder na sua dicção malandra, desleixada e, por isso, única. Em ritmo crônico, o sujeito da canção caminha rumor a além do horizonte, onde tropa de todos os baques existentes comporão com sons psicodélicos a luz do dia seguinte.

Recriar Baden Powell e Vinicius de Moraes com sofisticação, reconstruir Martinho da Vila com solidez, descaracterizar Dorival Caymmi com elegância e refazer Jorge Ben com sagaz complacência só poderia ser feito com a tenra desenvoltura de um cantor à altura de Seu Jorge, com sua voz de trovão e seu canto endiabrado.

Salve, Seu Jorge!

 

Seu Jorge e Almaz

Nota 10

Marcelo Teixeira

terça-feira, 7 de maio de 2013

O ar retrô de Blubell em ótimo disco


Blubell e o ar retrô do telefone
Sempre tive uma adoração às cantoras desconhecidas ou que o grande público não tem tanto apreço ou conhecimento ou segmento ou qualquer coisa que o valha. Sempre tive preconceito com relação a onomatopeias na música, que são aquelas sílabas repetidas, sem sentido algum, que só fazem a música ruim grudar na cabeça e fazer a gente cantarolar por aí mesmo sem gostar. E há inúmeros exemplos, de lele, tchetche e tchucha, lek lek lek. Porém, as coisas mudam. Os artigos mudam dependendo da cantora ou do cantor resenhado. Essa minha concepção engessada mudou completamente quando ouvi a música Chalala. O que significa chalala? Nada. Não tem significado algum. Nada vezes nada, mas posso garantir que é muito melhor que lelé, tchetche e tchucha e lek lek lek.

Mais uma rima sem sentido, mas que fez com que eu me desse conta das múltiplas formas de expressão da música. E de como este cenário independente brasileiro e por demais de bom como cantoras que pensam e pensam no melhor da música, não importando se ficaremos na deliciosa chalala ou nas delícias provocadas por sua voz.

Seu nome é Blubell, uma cantora fofa de nariz arrebitado e voz fina. O nome do seu segundo disco, lançado em 2011, é Eu sou do tempo em que a gente se telefonava. Meio vintage, não? E como amo tudo o que é vintage, comecei amando o disco já na capa. O ar retrô do álbum se confirma na primeira música, chamada (simplesmente) Música. O som parece vir de um vinil nos versos Então saia do sofá e se toca porque nós somos a música.

A segunda canção do disco é a minha preferida: Chalala, claro. Ela tem clipe, inspirado nos cartazes de clipes de Bob Dylan. Tudo bem. Não é vergonha nenhuma copiar o Dylan, não é? Já a terceira música, 1, 2, 3, 5, tem a participação de Baby do Brasil, a musa dos Novos Baianos, cantando maravilhosamente sem a presença do divino.

Não há como classificar o disco em um gênero, assim como toda boa música. Há um toque de tudo: jazz, pop, MPB, folk. Entre as influências da cantora estão Frank Sinatra, George Gershwin, Chet Baker, Abbey Lincoln e Anita O’Day: cantores internacionais, sim, mas com clima brasileiro e isso faz toda a diferença.

Das 11 músicas do disco, Blubell escreveu todos. Três são parcerias. A produção fica por conta de Maurício Tagliari, que também produziu o disco Azul e Vermelho, de Nina Becker, e Cristalina, de Lulina. Com produções magistrais, o resultado de Eu sou do tempo em que a gente se telefonava não poderia ser melhor.

É um disco espetacular.

 

Eu Sou do Tempo em que a Gente se Telefonava / Blubell

Nota 10

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Agenda Mais Cultura! - Olivia Gênesi


Agenda do mês da cantora
O mês de Maio é o mês das mães, mas também o mês da música de qualidade e a cantora Olivia Gênesi se apresentará em alguns pontos da cidade de São Paulo levando sua musicalidade rica em sonoridades e boas letras. A cantora já disponibilizou sua agenda de shows para o mês e vale a pena conferir o trabalho desta artista sensacional, que tem formação musical e inspira-se em Tom Jobim, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Elis Regina. E detalhe: tudo gratuito. Leve sua mãe e dê a ela esse enorme presente, ouvindo de pertinho a voz suave e doce de Olivia. No dia 7, em pleno o almoço, a cantora se apresentará com Beba Zanettinni um repertório em homenagem à Bossa Nova no Sesc Bom Retiro, das 12 às 14 horas de muita música boa e com releituras feitas pela dupla. No dia 12, ela volta ao Parque Trianon para o projeto Arte no Parque, cujo Olivia já se apresentou no final de Abril deste ano, ao lado de Luca Batista, competente violonista, cantor e compositor. Dia 18, no Espaço Art’er, na Vila Madalena, às 19 horas, ocorrerá a festa de lançamento do clipe Perto da Orla, música que estará no novo CD, que sairá no final deste mês. Encerrando o mês, Olivia é acompanhada mais uma vez por Luca Batista na Feira de Artes da Vila Pompéia (horário a confirmar). Se você quiser também ter maiores informações sobre o trabalho da artista, acesse o site www.oliviagenesi.com.br Vale lembrar que os shows de Olivia é sempre sinônimo de qualidade garantida.

 

Agenda Cultural Mais Cultura! – Olivia Gênesi

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Olívia Gênesi revela os segredos da música



Ótimo disco, ótima cantora

Ao redor do mundo existem cantoras e cantoras. Cantoras boas, medianas, inteligentes, mas nunca uma cantora ruim, mas sim, pouco habilitada com a profissão. Mas existem também as cantoras excepcionais, aquelas em que temos que prestar muita atenção em suas letras, sua musicalidade, seu perfil e, sobretudo, em sua voz. Assim Olívia Gênesi conquista seu público: com sua voz suave, sua música com mistura eletrônica e bossa novista e um estilo único de poder cantar aquilo que realmente gosta. Olívia é assim: simples ao seu jeito, mas com uma categoria exemplar. Hoje o Mais Cultura! traz seu CD Só a Música Faz, lançado em 2009 pela Elefant – D e Tratore e cujo nos mostra uma Olívia leve e solta as voltas de sua rica música.


O disco tem uma miscelânea de compositores tarimbados, casos de Paulo Preto, que assina junto com Olívia a música E você, meu amor, não vem?,  Lígia Kas e Monalisa Lins. Só a Música Faz é uma reflexão sobre o mundo da música, sobre o mundo transgressor que assola nossas vidas e mentes e sobre as carências que perpetuam nossos sentimentos. Poderíamos viver sem música? Para Olívia, não. Assim como sua voz pede passagem para que possamos ouvi-la com tamanha atenção, sua música pede um espaço entre ouvidos solenes e mentes abertas para que ela passe e se instale em nossos corações e fique em nossos poros por muito tempo.

 

Quero algo que não saia da mente

Nem que a gente tente tirar

Quero que envolve a minha cabeça

E me leve pra outro lugar

Algo que seja como a alegria

Que irradia e passa a brilhar

Como a felicidade

Calma, plena, leve, clara, estou aqui

 

(Trecho de Só a Música Faz, de Olívia)

 

 

A voz de Olívia é suave como o vento leve, mas pode ser cortante como uma lâmina. Ela encanta já na primeira faixa e essa vontade de ouvir todo o disco faz com que sejamos pessoas conscientes sobre nossos atos e reações, pois a música de Olívia nos compromete a ficarmos cantarolando para cima e para baixo trechos como e você, meu amor, não vem? A musicalidade de Olívia a mostra como ela é interiormente e assim é revelada na canção Ah, Musica. Revela uma Olívia como pensa, sente e age. Seu desejo íntimo da alma, o seu eu interior, suas esperanças, sonhos, ideais, motivações. Talvez a música a descreva assim, ao menos Olívia é assim: uma cantora que precisa cantar para que possamos entender o significado das músicas.

Às vezes é possível que percebamos essa manifestação, mas talvez não a expressemos como deveríamos ou mesmo não vivemos de acordo com ela e assim estamos reprimindo os nossos sentimentos e impulsos, o que gostaríamos de ser ou fazer, estamos adormecendo nossos objetivos secretos, as ambições, os ideais mais íntimos. A cada disco lançado, Olívia sempre está em busca da sabedoria, do conhecimento e da perfeição e depois de tantos lançamentos bons, de uma carreira significativa e alguns prêmios, Olívia nos presenteia com um disco à altura de seu talento. Só a Música Faz é banho de interpretação e uma homenagem a música como um todo.

 

Descalça pela rua, pisando na brasa do tempo

Me inspiro na saudade do presente

Enquanto a árvore se dobra pelo vento

O mundo todo está em movimento

E você, meu amor, não vem?

 

(Trecho de E você, meu amor, não vem? de Olívia e Paulo Preto)

 

 

Seu canto é intuitivo, inspirador e revelador. Basta ouvirmos E você, meu amor, não vem? (parceria dela com Paulo Preto), para notarmos o potencial de sua voz, a grandeza de seu trabalho e a leveza de sua tez estampada na capa do disco. Uma canção maravilhosa, uma sensação única e um estilo capaz de provocar alegria a corações apaixonados. Encerrando com a divertida Sweet Soul Singing, composta por Frank Krischman, brasileiro radicado em Austin, Texas, Olívia fecha o disco com chave de ouro.

Com pinceladas em inglês, músicas bossa novistas e com uma levada caracteristicamente sutil, Só a Música Faz é um dos mais belos retratos de uma artista que precisa ser ouvida com exaustão. Seu nome é Olívia. Seu sobrenome Gênesi. Mas pode chama-la de Olívia com todo o prazer.

 

Só a Música Faz – Olívia Gênesi

Nota 10

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Lá se vai o Paulo Vanzolini


Adeus ao velho boêmio
Paulo Vanzolini disse certa vez que adorava a música Volta Por Cima, pois o retratava de maneira singela e verdadeira. Mas embora o público sempre se recordava do verso levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, para ele, Paulo Vanzolini, gostava do início da frase: reconhece a queda. A queda, neste caso, é o motim para que os versos seguintes possam ser bem explicados. A queda de Paulo Vanzolini foi maior e dura neste domingo, quando recebemos a notícia de sua morte. Morreu Paulo Vanzolini. Um dos últimos boêmios de São Paulo, Paulo Vanzolini fora amigo de Adoniran Barbosa e juntos cantavam, conversavam e paqueravam. Paulo era um acadêmico, estudioso dos répteis,  aclamado até em Harvad, criador de Ronda (cantada por Inezita Barroso em 1953), Samba Erudito, Volta Por Cima e muitos outros. Adoniram não tinha academia alguma, falava com sotaque e trejeitos engraçados que Paulo admirava e gostava. Não importava as faculdades: Paulo era amigo de Adoniram, ambos boêmios, ambos adoradores de música, ambos adoradores do Centro de São Paulo. Lá se vai o seu Paulo, que resolveu nos abandonar aos 89 anos para cantar no céu, ao lado de Adoniram, que o aguardava de sorriso nos lábios.

 

Luto: Paulo Vanzolini

Marcelo Teixeira

terça-feira, 30 de abril de 2013

Emília Monteiro revela os sons do Norte em Cheia de Graça


Emília: revelação do Norte
Ela é amapaense, cresceu em Minas Gerais, mas vive atualmente em Brasília e é da capital do Brasil que surge uma das cantoras que merecem ser ouvidas e admiradas por seu canto, graça, beleza e espontaneidade. Emília Monteiro tem todos os atributos para ser considerada uma das maiores cantoras do Brasil, pois sua música é rica em elementos rítmicos do norte do país, respeitando a sonoridade opulenta de cada estado. Lançando Cheia de Graça (2012 / Independente - Trattore / 27,99) este ano, Emília Monteiro é uma dessas cantoras que faltavam no mercado fonográfico para falar do povo do norte, suas referencias e seus estilos, e que o CD chega em um momento certo dentro da MPB: com pompa de um grande disco, Cheia de Graça merece todos os destaques e ser considerado um dos melhores discos do novo século. É um CD com referência amazônica, mais especificamente do Pará e Amapá. Ritmos como o carimbó, marabaixo, carimbó chamegado, batuque e lundu relidos em arranjos contemporâneos e universais, além de outras músicas também percussivas, mais o valor da MPB contemporânea. No CD há músicas inéditas de compositores já conhecidos e que compõe com vontade e satisfação sempre pensando no melhor da música como Zeca Baleiro, Celso Viáfora, Simone Guimarães, Ellen Oléria e Dona Onete e outros igualmente talentosos, porém ainda não conhecidos da grande mídia (de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro).

Os batuques são manifestações que se ramificou do candomblé e foi implantada na Amazônia na era colonial, da mesma forma como nas demais províncias e regiões brasileiras. O batuque é a denominação genérica dada pelos portugueses para toda e qualquer dança de negros ou qualquer dança de tambor de caráter religioso ou não. No Pará, Amapá e Amazonas, é a denominação comum para os cultos afro-brasileiros. No Amapá de Emília Monteiro e em sua música, o batuque assume rituais miscigenados, praticados nas comunidades festeiras e em outras de origem negra. A mais extraordinária manifestação de criatividade artística do povo paraense foi criada pelos índios Tupinambá que, segundo os historiadores, eram dotados de um senso artístico invulgar, chegando a ser considerados, nas tribos, como verdadeiros semi-deuses.

Inicialmente, segundo tudo indica, a Dança do Carimbó era apresentada num andamento monótono, como acontece com a grande maioria das danças indígenas. Quando os escravos africanos tomaram contato com essa manifestação artística dos Tupinambá começaram a aperfeiçoar a dança, iniciando pelo andamento que, de monótono, passou a vibrar como uma espécie de variante do batuque africano. Por isso contagiava até mesmo os colonizadores portugueses que, pelo interesse de conseguir mão-de-obra para os mais diversos trabalhos, não somente estimulavam essas manifestações, como também, excepcionalmente, faziam questão de participar, acrescentando traços da expressão corporal característica das danças portuguesas. Não é à toa que a Dança do Carimbó apresenta, em certas passagens, alguns movimentos das danças folclóricas lusitanas, como os dedos castanholando na marcação certa do ritmo agitado e absorvente. Na língua indígena carimbó - Curi (Pau) e Mbó ( Oco ou furado), significa pau que produz som. Em alguns lugares do interior do Pará continua o título original de Dança do Curimbó. Mais recentemente, entretanto, a dança ficou nacionalmente conhecida como Dança do Carimbó, sem qualquer possibilidade de transformação. E são essas danças que estão representadas no belo CD Cheia de Graça, revelando os ritmos do Norte.

No disco, Emília Monteiro reúne variadas influências da MPB e de seu Amapá natal, com elementos europeus, africanos e ameríndios. Participação de Dona Onete em Eu Quero Esse Moreno pra Mim. A compositora paraense também é autora de Veneno de Cobra; as duas músicas são inéditas. Destaque ainda para Mal de Amor, de Joãozinho Gomes e Val Milhomem, sucesso que marcou a carreira de Emília na noite macapaense. A cantora disponibilizou o CD no site www.soundcloud.com/emiliamonteiro. Lá você poderá ter uma noção mais abrangente da musicalidade do CD como um todo. Eu destaco As deliciosas Mandacaru e Descalço (Nanon) compositor inédito de São Paulo, Coisinha (Zeca Baleiro/Suely Mesquita), Meus Ventos (Márcia Tauil / Simone Guimarães).

Emília Monteiro me encanta, me fascina e me influência. Seu canto é embalado por sons amazônicos e africanos e esse é todo o emaranhado de caracteres que a cantora exprime ao se deleitar em sua música. Logo nos encantamos com a regionalidade musical desta amapaense simpática, sorriso largo e inspirador. Sempre antenada com os movimentos artísticos, Emília busca na sonoridade de seu som, atributos para que sua música seja cada dia mais levada por multidões e que não fique apenas no reduto nortista. Emília Monteiro é uma guerreira e seu som precisa ser desbravado pelos quatro cantos deste país, revelando uma das melhores cantoras de todos os tempos e a vontade de que dá é de ir até o Norte do Brasil para conhecer de perto esta rica cultura, a qual precisamos descobrir mais e mais.

Vale ressaltar que hoje é o aniversário desta grande guerreira e o Mais Cultura Brasileira! e o moderador deste blog, Marcelo Teixeira, assim como milhares de leitores, desejam à você Emília, um Feliz Aniversário com muito sucesso e que este novo ciclo seja repleto de sucessos.

 



Cheia de Graça / Emília Monteiro

Nota 10

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A falta de Marisa Gata Mansa


Marisa em capa de disco: obra-prima
Chega a ser irrisório em pleno século 21, as pessoas não conhecerem ou não tomarem mais conhecimento de uma grande cantora chamada Marisa Gata Mansa. Em meio a tantas inutilidades que ouvimos por ai em esquinas, bares e bocas sujas e nulas, Marisa Gata Mansa é a cantora que faz falta no cenário musical e que poderíamos ouvir mais e mais e mais, sem cansar e sempre repetindo suas belas músicas com sua bela voz.  Marisa Gata Mansa é de origem de uma família que gostava muito de música e desde a infância se interessou em cantar. Devido ao seu jeito calmo de falar, recebeu de Djalma Sampaio o apelido de Gata Mansa, que adotou como nome artístico ainda na década de 1950. Em 1953, recebeu de João Gilberto a música Você esteve com meu bem?, de João Gilberto e Russo do Pandeiro, que gravou em seu primeiro disco, lançado pela RCA Victor.

No ano seguinte, iniciou sua carreira como intérprete de jazz. No mesmo ano, gravou os sambas Só eu não, de Monsueto, Raul Marques e M. Fernandes e Quem me fez chorar, de Caboclo, Carino e Gustavo. Atuou como crooner do Golden Room do Copacabana Palace (RJ) durante quatro anos. Em 1956, conheceu Dolores Duran, substituindo-a como cantora no Bacará. Seu contato com Dolores, a quem foi muito ligada, facilitou seu acesso ao movimento da bossa nova. Já integrada ao movimento, passou a cantar no Beco das Garrafas (RJ). Nessa mesma época, conheceu Antônio Maria, de cujas canções se tornou intérprete muito constante. Flávio Cavalcanti a levou para a TV Tupi, onde dividiu com Moacir Silva a apresentação do programa Convite à música.

Nessa época conheceu Bororó, Dick Farney, Johnny Alf e Sérgio Ricardo. A partir de 1958, gravou na Copacabana o fox You do something to me, de Cole Porter e o choro Que é?Que é?, de Bororó e Evagrio. No mesmo ano, gravou o clássico da música popular, Chega de saudade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes e o samba canção Castigo, de Dolores Duran, seu maior sucesso. No ano seguinte, gravou seu primeiro LP, A suave Marisa, que incluiu a faixa "A noite do meu bem", de Dolores Duran, que foi para as paradas de sucesso. Registrou em disco quase toda a obra de Dolores Duran, que a homenageou com a canção Não me culpe. Foi casada com o compositor e pianista César Camargo Mariano, que compôs para ela a música Marisa, tema da cerimônia religiosa de seu casamento com o compositor. Teve um filho com ele, o músico Marcelo Mariano.

Em 1961, gravou o samba canção Um novo céu, de Fernando César e Ted Moreno e o samba Operação amor, de Jaime Florence e Augusto Mesquita. Morou em São Paulo durante sete anos, época em que tentou fazer teatro, chegando a participar de um musical com Lennie Dale e de um espetáculo com Caetano Veloso e Taiguara, no Teatro de Arena. Voltou para o Rio de Janeiro, e passou a atuar nas boates Fossa e Taba. Gravou músicas inéditas de Johnny Alf, Carlos Lyra, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, entre outros. Em 1972, gravou um compacto simples com Viagem, de João de Aquino e Paulo César Pinheiro, marco em sua carreira. Homenageou Dolores Duran em três espetáculos: Dolores, 20 anos depois (1979), A noite de meu bem e Tributo a Dolores Duran.

Na década de 1980, gravou os LPs Marisa Gata Mansa e Leopardo. Em 1997, lançou um CD em homenagem ao cronista e compositor Antônio Maria, com destaque para Samba de Orfeu e Manhã de Carnaval, ambas de Antônio Maria e Luís Bonfá. Também o homenageou com o disco e espetáculo musical Encontro com Antonio Maria, escrito e dirigido por Ruy Faria do grupo vocal MPB-4. Teve ativa participação em projetos musicais, como Seis e meia, dirigido por Hermínio Belo de Carvalho e Albino Pinheiro, e Pixinguinha. Apresentou-se em todas as capitais e diversas cidades do interior do País. Faleceu aos 69 anos, devido a uma insuficiência respiratória aguda, consequência de uma isquemia cardíaca.

A falta que Marisa provoca em mim é tão absurda, que eu preferiria escutar sua bela voz ao invés de proferir estas palavras neste artigo. Peço apenas uma única coisa: ouçam Marisa Gata Mansa ao menos uma vez em sua vida!

 

A falta de Marisa Gata Mansa

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Lek lek lek... já deu o que tinha que dar!


Incitação ao ridículo
A porcaria que assola a nossa música popular brasileira não tem fronteiras para acabar e inundam, mancham e emporcalham nossos ouvidos solenes com tantos lek lek lek e quadradinhos de quatro. Chega a ser uma verdadeira vergonha esses três garotos saídos de uma comunidade do Rio de Janeiro para demonstrarem tamanha aberração nada cultural. Não que a comunidade do Rio seja uma aberração completa, não estou aqui dizendo isso, mas bem que a comunidade poderia ter nos mostrado algo muito mais valioso culturalmente do que esses moleques ridículos fantasiados dos pés à cabeça com óculos coloridos, bonés coloridos, gargantilhas, correntes, brincos, calças apertadíssimas, camisetas largas, cintos espalhafatosos, tênis coloridos em cada pé. Isso é uma coisa tão chocante quanto o grupo Restart, que utilizavam calças coloridas. E, para início de conversa, o grupo Restart é muito mais civilizado do que esses Federados Originais.

Fora a briga pelo poder, pelo dinheiro, pela comunidade e por espaço que está acontecendo no momento. Um outro grupo de lek lek resolveram entrar na disputa e estão dizendo a todo custo que são os originais, formadores de cantoria e que inventaram a letra desengonçada e pueril. Afinal, ficar retorcendo de um lado para o outro ao passo de um passinho de volante é só para retardos mentais que nada pensam sobre o futuro e músicas de cantores e cantoras consagrados vão por água abaixo num piscar de olhos.

Tanto faz este lek lek com três integrantes como o lek lek com quatro esquisitos, a sua música é horrenda, fétida e só imunda a imagem do Brasil. Quem acompanha esses imbecis acaba sendo mais imbecis que eles, mais ignorantes que eles e mais pobre de cultura que eles. Infelizmente, estamos rodeados de figuras impiedosas ao nosso lado, que acabam com nossa cultura, mas chega a ser tão grotesco, tão desumano, tão animal e tão imaturo quanto os que os seguem.

 

Os ridículos Lek Lek Lek

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Agenda Mais Cultura! Olivia Genesi


Olivia: show grátis dia 28/04
Domingo próximo a Avenida Paulista, mais precisamente no Parque Trianon, a manhã será iluminada pela presença marcante e pela voz deliciosa da cantora Olivia Genesi, que estará ali, junto das árvores e dos pássaros cantando músicas de seus CDs e do novo que está prestes a sair do forno. Acompanhada de Luca Batista nos violões, Olivia se prevalecerá do sol, do tempo bom, da manhã e de um público caloroso no Trianon, em frente ao Masp, aqui em São Paulo, para um desfiadeiro de canções. Valerá a pena acordar cedo para assistir a um show totalmente gratuito em um dos cartões postais mais vistos na cidade. Para quem já conhece a obra da cantora, será um prazer vê-la de perto e cantar suas músicas. Para quem não a conhece, será mais um motivo para sair de casa e ir ao seu encontro e desfrutar de uma boa música. O Agenda Mais Cultura!, mais uma vez, reverencia este canto. Aproveitem e venham ouvir Olivia!

 

Agenda Mais Cultura! – Olivia

Quando: 28/04/13 - Domingo

Local: Parque Trianon, Av. Paulista

Horário: 11 da manhã

 

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A briga das cantoras Maria Rita e Rita Maria perdura desde 2003


A afinadíssima Rita Maria
A briga começou em 2003 e até hoje rende uma fofoca ali ou acolá sobre o assunto: a cantora Maria Rita (não a filha de Elis) foi obrigada a trocar de nome para não ter complicações na carreira e, assim, passou a ser chamada de Rita Maria. Na estrada há quinze anos, a cantora agora chamada de Rita Maria descobriu ao longo de 2003 que ia ter de mudar de nome. Virou Rita Maria, para escapar da confusão com a outra Maria Rita, a filha de Elis Regina, a que agora todo mundo conhece e que lançou seu primeiro disco em 2003, fazendo enorme sucesso de público e crítica. Definindo-se cantora genérica num divertido texto em seu site (www.mariarita.mus.br), Rita Maria conta o auge a que chegou a confusão, quando um show seu coincidiu com o de Chico Pinheiro, no qual estreava Maria Rita Mariano: “As pessoas iam ao camarim chorando e me dizendo: 'Você é a cara da sua mãe, sua voz é igual à dela'. Caíram muitas fichas para mim.

Rita Maria é cantora e compositora paulistana, que desde o início de sua carreira desenvolve trabalho autoral e inédito. O primeiro registro dessa trajetória é o CD FORA DE ÓRBITA – gravação independente com distribuição da Tratore. Sua formação musical inclui aulas de canto lírico (com Elenis Guimarães na Escola Municipal de Música de São Paulo), canto popular com Beth Amin e Regina Machado, percussão corporal (com Fernando Barbosa – barbatuques), piano, improvisação vocal, arranjo vocal e regência coral.

Rita Maria também é professora de canto popular em escolas renomadas da capital paulista (Espaço Musical, Canto do Brasil e Intermezzo) e aluna do curso de licenciatura em música da Universidade de São Paulo. Atualmente prepara a gravação de seu segundo CD, com produção de Gilberto Assis.

Assim como Rita Ribeiro, que hoje assina Rita Benedditto ou a cantora Anna Luiza, que agora assina Anna Ratto, Rita Maria trocou o nome para não haver confusão futuramente. Já chegou ao ponto de Rita Maria estar sendo entrevistada e tocar ao fundo uma música de Maria Rita.

Zélia Duncan já fora Zélia Cristina, Gal Costa era Maria da Graça, Gonzaguinha já fora Luiz Gonzaga Junior, Jorge Ben Jor agora é Jorge Ben, Sandra Sá agora é Sandra de Sá, Joyce virou Joyce Moreno, Marisa Gata Mansa virou apenas Marisa, Baby Consuelo agora é Brasil. No caso de Rita Benedditto e Anna Luiza, as cantoras também eram confundidas aqui no Brasil e no exterior com outras cantoras com mesmo nome. Anna Luiza é uma outra cantora que canta ao lado de Luiz Felipe Gama e que tem uma voz cristalina e de difícil alcance e que não se parece com a Anna Luiza que agora virou Ratto. Já Rita Ribeiro é muito confundida em Portugal. Confuso? Um pouco, ainda mais quando não se conhece profundamente as cantoras.

Como toda grande estrela, Rita Maria deixou de ser Maria Rita, mas não perdeu sua verdadeira identidade.


Maria Rita vira Rita Maria porque Maria Rita é a filha de Elis Regina

Marcelo Teixeira

terça-feira, 23 de abril de 2013

Seu nome é Marion Stein


A cantora Marion Stein
Prestem atenção neste nome: Marion Stein. Ela é cantora, mas infelizmente não tem disco nenhum no concorrido mercado fonográfico, que insiste em lançar artistas desqualificados ao invés de investirem em qualidade. Marion já se apresentou em algumas casas com seu antigo Trio Bratcho, sempre fazendo burburinhos satisfatórios por onde passou, arrancando palmas esfuziantes de pessoas emocionadas com seu canto. Marion Stein é detentora de uma voz maravilhosa, uma grande presença de palco e consegue fazer todo o clima do local ser untado em harmonia e cantoria.

Moderninha ao seu jeito, a cantora Marion Stein por vezes se parece com a cantora mineira Ceumar, devido ao cabelo volumoso. Fã de carteirinha da cantora Tulipa Ruiz (foi em um desses shows que tive o prazer de conhece-la) e de Tiê, Marion se inspira nas cantoras de seu tempo, sem perder a chance de conhecer e desbravar um pouco do passado.

Antenadíssima com o circuito musical paulistano, Marion Stein segue os passos dos novos cantores como Pedro Viáfora, Márcia Castro, o grupo 5 a Seco e inspira-se em alguns cantores internacionais, como, por exemplo, Cole Porter, Amy Winehose, Laura Marling e Edith Piaf, sem esquecer dos mestres do passado, como Chico Buarque e Rita Lee.

Marion Stein canta de tudo um pouco: de baião ao rock, de MPB ao samba sempre com maestria e com a dominação de quem sabe o que faz. E Marion manda bem no vocal, seu instrumento maior: brinca com as cordas vocais com tamanha sutileza e impõe uma sofisticação extra ao seu timbre.

Marion Stein precisa ser descoberta. Precisa ser ouvida. Precisa que sua música chegue até ouvidos mais distantes e que carece de boa musicalidade. Moradora de São Paulo, por onde passa, chama a atenção por sua beleza e carisma e consegue atrair olhares atentos de todos os lados. Marion precisa de sua atenção para demonstrar o quanto sua música e sua voz são sensacionais.

Marion é uma cantora sensacional.

 

Seu nome é Marion Stein

Marcelo Teixeira