terça-feira, 25 de junho de 2013

Mara Maravilha - a evangélica da música fingida



Mara: sofredora e falida
Ao longo de seus mais de 30 anos de carreira, Mara Maravilha já foi musa infantil, símbolo sexual e agora se aposentará como cantora evangélica. Eu digo que ela se aposentará, pois é o último degrau para as pessoas que pecaram no passado ou até se esquivaram por outros caminhos, foram esquecidos pela mídia e pelo público, perderam seus espaços, empregos e muito dinheiro para se tornar uma legítima seguidora de Deus. Ao certo, um Deus que não enxerga seus erros, mas que suas ovelhas fazem questão de criticar os outros. Agora, a morena que rivalizava com as loiras Xuxa e Angélica nos idos anos 80 diz que está em mais um momento de conversão. A música, definitivamente, agradece por Mara Maravilha estar longe dos holofotes.


Sempre acreditei que esses cantores de meia tigela, como Mara Maravilha, que tiveram uma carreira sólida e muito bem distinta de outras personalidades, quando se transformam em cantoras evangélicas, é porque querem ocultar alguma coisa. Mara sempre ocultou muita coisa de seu passado. E mesmo sendo uma musa infantil, foi impura com seus fãs, posando nua para uma revista de grande circulação, causando estranhamento e ridicularizando o mundo pueril. Mesmo deixando de ser uma cantora popular, ela segue à risca sua principal rival, se tornando evangélica. Para o trocadilho, ela ainda alcunha a Angélica.

Mara Maravilha é a filha do capeta lhe serve e sua música hoje é uma aberração divina. Senhora pecadora do próprio destino, Mara não atribuiu tanto assim para sua carreira a não ser o de ser apresentadora infantil. Musicalmente, é melhor cantar essas pregações inferiores, cujo seu deus está de costas. Ao ouvir Mara Maravilha, sinto um nojo, uma repulsa, um anseio de que a música gospel é justamente aquilo que eu já imaginava: uma porcaria. E Mara Maravilha só envergonha e empobrece esse estilo.

 
Dos tempos em que apresentava programas infantis, Mara só tem saudade de lidar com crianças, mas também, pudera: sua carreira apenas definhou se tornando uma ilustre entre a maioria dos cantores religiosos. Vale ressaltar que Mara Maravilha é uma criatura irracional, que canta arrastado e que não vale um real por sua música. Seja qualquer música que ela cante. Sendo uma cantora gospel, ela se sobressai uma excelente cantora baiana sem méritos algum, sem destino algum e, pior, sem brasilidade alguma.

Mara incumbe a uma casta de celebridades falidas que é das minhas favoritas: as madalenas arrependidas, tipo arcaico cujos espécimes caracterizam-se pelo grande empenho em negar, na segunda parte de suas vidas, tudo o que fizeram na primeira. Curioso que o arrependimento pelos desatinos passados só ocorra à celebridades deste tipo quando são atiradas na profunda cova do ostracismo. A pergunta que fica é se tal arrependimento lhes bateria à porta da consciência se tudo tivesse ocorrido conforme seus planos de dominação da bagaça. Pessoalmente, tenho convicção de que a resposta é um tremendo não.

De infrutífera apresentadora de programas infantis à pastora evangélica fracassada, fazendo entre esses dois pontos uma escala técnica na Playboy da era pré-Photoshop e da pré-depilação à brasileira, Mara dedicou os últimos 25 anos à construção de um codex de desconcertantes equívocos estratégicos e ideológicos – sua própria biografia.

Certa vez li uma entrevista onde gabava-se ter sido homenageada pela Academia Brasileira de Letras (eles estavam cegos) por apresentar o programa de televisão comercial mais didático de então, o longínquo ano de 1991. Ora, em primeiro lugar, ser homenageada pela ABL, a mesma que hoje patrocina os chás da tarde entre Paulo Coelho e José Sarney, devidamente fantasiados em seus fardões adquiridos do espólio do Xou da Xuxa, é muito mais uma cruz que uma graça.

Depois, contextualizando o evento e avaliando os programas semelhantes da época, entende-se que até um programa onde crianças sofriam xingamentos e puxões de cabelo dados por uma bruxa loira e rabugenta enquadrava-se na categoria didático. Desta forma, não há do que vangloriar-se. Presa a um patológico arrependimento fingido, último recurso dos que afundam nas areias movediças da própria incompetência, a ex – fique claro – apresentadora parece só conseguir emitir opiniões que depõem contra sua capacidade de dar um passo adiante e oferecer, afinal, algum conteúdo que se aproveite.
 
Mas não o dá porque esse passo além das cercanias de suas limitadas habilidades seria a mais franca de todas as suas declarações públicas, a assunção de uma verdade que já é cristalina e evidente: a de que nada tem a oferecer além de um moralismo calcado numa retórica pseudo-religiosa vazia que apenas ridiculariza e vulgariza a sua própria prática de fé. E que ninguém diga que este humilde coveiro não se compadece da dor e do arrependimento alheio. Ora, se possuo ao menos uma virtude, essa é a da compaixão, entretanto, existe diferença entre ser franco e ser tolo. Esse hábito de pontuar cada frase com as palavras Deus e Jesus, nessa visão de quem já viu muito cadeieiro velho pecar com a Bíblia embaixo do braço, é sintoma claro de culpa e não de reverência.

Por essas e por outras trapalhadas fora renegada até pela denominação religiosa que a acolhia. Ressentida, chutada de lado a outro, refugia-se agora em declarações de que é um ser singular por não pertencer a uma religião, mas a Deus. E sua música gospel, fica aonde? Enfiada no cutuvelos alheios.

Regravou de Roupa Nova a Alexandre Pires, foi indicada ao prêmio Grammy Latino de música gospel, Mara é um lixo que precisa ser esquecido e riscado da memória popular brasileira. Mais uma vez temos que aturar essa aberração que reluta para estar nas mídias. Aberração é termos que aguentar sua voz, sua fisionomia de maçã mau comida e seus trejeitos de moça púdica. Aberração é sabermos que Jesus aceitou Mara Maravilha, mas Mara Maravilha não aceitou verdadeiramente Jesus.

Neste momento, eu enterro Mara Maravilha além de sete palmos de terra!

Mara Maravilha – a evangélica da música fingida
Marcelo Teixeira

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