segunda-feira, 24 de junho de 2013

Fascinação é o melhor álbum de coletâneas de Elis - e só!


O melhor de Elis está aqui
Elis Regina ainda é considerada por alguns critícos medonhos como a maior cantora do Brasil, mas seus discos, na maior parte deles, não são tudo isso. Elis era histriônica e ficou mais conhecida não por sua música, mas sim por suas frases de efeito moral e constrangedor e pelo fato de ter lançado compositores ávidos por música boa e de qualidade e que estavam em um momento propício para isso. Seu álbum mais completo com relação as coletâneas lançadas após a sua morte é duplo Fascinação, lançado originalmente em 1988. Depois deste álbum, muitos outros vieram, com capas horrendas e músicas ditas inéditas, o que não é verdade. Em Fascinação (1988 / EMI / 25,99) temos praticamente tudo aquilo que Elis cantou em discos pouco caprichados ou sem acabamento algum e que reforçam, aqui, o melhor da cantora.

 Há vários momentos e fases na vida da Pimentinha, mas que nem sempre seus discos ajudavam, mas Elis fez discos que valeram muito a pena, como Elis (1973), Elis, Essa Mulher (1979), Falso Brilhante (1976) ou o antológico Elis & Tom, gravado em 1974, que foi um marco na carreira de Tom Jobim juntamente com a marrenta Elis Regina e um disco que não pode faltar na sua prateleira.

Fascinação é a melhor coletânea de Elis e isso fica evidente pelos trabalhos respectivos que vieram à tona: fracos, feios e oprimidos. Aqui, Elis recebe carinho e tratamento especial, com uma capa geniosa demonstrando sua face de cantora de protesto numa bela pintura e com estrelas norteando sua presença. As músicas retratam várias passagens da cantora, como O Fino da Bossa, época de grande prestígio tanto para Elis como para Jair Rodrigues, o grande amigo da cantora.

De João Bosco a Renato Teixeira, passando por Milton Nascimento e Ivan Lins, Fascinação tem de tudo um pouco e nos por vezes me faz acreditar que ela é a maior cantora do Brasil. Não desmerecendo a tragetória de Elis, que nos brindou com algumas das melhores músicas da MPB, aqui destacadas nesta coleção. Para gostar de Elis é preciso um disco assim, com os melhores sucessos de sua carreira e não um disco qualquer de um ano qualquer. Assim o ouvinte de primeira viagem poderá perder a vontade de conhecer toda a sua obra ou ao menos vasculhá-la.

Elis não tem as melhores músicas, mas gravou um punhado de canção legal, que futuramente, com algumas cantoras, como Zizi Possi ou Daniela Mercury soaram até melhor e menos agressivas. Elis era Elis e ainda continua sendo Elis, mas não foi a cantora suficientemente boa e pensante para fazer discos futuros para que pudessêmos ficar horas e horas ouvindo. Por vezes, cansa. Por dias a esquecemos. Mas vira e mexe estamos lá ouvindo ao menos uma canção sua. E Fascinação é uma boa pedida nesses momentos.

 

Fascinação – Elis Regina

Nota 10

Marcelo Teixeira

3 comentários:

Wilson Junior disse...

Elis não foi a maior cantora do Brasil, ela é a voz que mais se caracterizou com o país. Ela foi e sempre vai ser a voz desse país. Festival de Montreaux demonstra claramente a capacidade vocal, capacidade de adaptação, improviso e sobretudo entrega que somente ela era capaz de dar. Não por acaso Elis foi várias vezes eleita e lembrada como a maior cantora da época por revistas como a Time e Rolling Stones e isso só não é pouco. Música cantada com a alma isso era Elis. Desculpe, embora respeite, não concordo com seu texto no que diz respeito a voz "histriônica" de Elis. E referente a sucesso....Elis foi a primeira artista a vender mais de 1 milhão de discos em solo nacional. Teve prestigio por parte de críticos e publico. Elis e Tom figura em várias das listas dos maiores álbuns do mundo. Elis estava muito a frente de seu tempo. Quem defende Elis como a maior cantora de seu tempo não sou eu (Gal, Nana, etc.), mas as próprias cantoras de sua listagem das 10 maiores cantoras. Mas isso tudo é bobagem, pois defendo o direito da opinião contraria...da democracia. Democracia essa que Elis tanto queria.

Jônatas disse...

Essa foi a crítica mais imparcial e vazia que já li. Continue brindando todos com artigos alienados!

Aliás, um brinde a Elis, a maior cantora do Brasil!

Jônatas disse...

Essa foi uma das críticas mais imparciais e vazias que já li. Continue com o trabalho e você terá um futuro pleno em revistas como a Veja ou o The Sun.

Aliás, um brinde à Elis Regina, a maior cantora do Brasil!