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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Salve, Jorge


O protetor dos escritores
São Jorge é um dos santos mais populares que o Brasil conhece e é por isso que é o mais cantado por todos os seus fieis seguidores, como cantada apenas como musicalidade instituída na canção. E a popularidade do soberanamente perfeito São Jorge vai aumentar, tendo em vista que a novela de Glória Perez vai abordar durante os próximos nove meses sobre o santo guerreiro. É o santo padroeiro em diversas partes do mundo: Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia, da cidade de Moscou e, extraoficialmente, da cidade do Rio de Janeiro (título oficialmente atribuído a São Sebastião), além de ser padroeiro dos escoteiros, e da Cavalaria do Exército Brasileiro. Há uma tradição que aponta o ano 303 como ano da sua morte. Apesar de sua história se basear em documentos lendários e apócrifos (decreto gelasiano do século VI), a devoção a São Jorge se espalhou por todo o mundo.

Mas São Jorge é cultura e muito venerado por muitos. Caetano Veloso talvez seja o cantor mais conhecido por ter feito a canção Lua de São Jorge, assim como Jorge de Capadócia é uma música de Jorge Ben, interpretada também por Caetano Veloso, Fernanda Abreu e pelos Racionais MC's. O dia 23 de abril, para algumas das religiões afro-brasileiras, é o dia em que se fazem homenagens ao santo.

Existe um romance sobre São Jorge criado pelo escritor italiano Tito Casini chamado Perseguidores e Mártires (no Brasil, editado pelas Edições Paulinas, por volta de 1960). No livro, São Jorge é retratado como o verdadeiro paladino da Capadócia que, apesar de ser perseguido pelo tirano imperador Diocleciano, manteve-se fiel ao Império Romano, mas também a Cristo e se recusou a contrair alianças com o genro do imperador, Galério, que pretendia ter o apoio do conde da Capadócia para deliberar um golpe contra Diocleciano, o que terminantemente, o santo militar recusou. São Jorge é o Santo Padroeiro da Cavalaria do Exército Brasileiro.

Zeca Pagodinho gravou recentemente em seu álbum Uma Prova de Amor a música Ogum com uma letra com um forte apelo ao sincretismo, a oração de São Jorge é feita no trecho final da música pelo cantor e compositor Jorge Ben. Moacyr Luz e Aldir Blanc fizeram em homenagem ao santo a música Medalha de São Jorge, que foi gravada pela Cantora Maria Bethânia em 1992.

De Zeca Baleiro a Vinicius de Moraes, passando por Wilson Simonal, Seu Jorge e Leila Pinheiro, São Jorge é um dos santos mais cantados e aclamados por uma legião fiel de seguidores ávidos por suas lutas e conquistas. E é por este motivo que o Mais Cultura! de hoje revência este santo guerreiro.

Salve, Jorge!

Salve, Jorge!

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sexto Lugar: Rodrigo Maranhão - Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos


Carioca de nascimento, Rodrigo Maranhão nunca escondeu a raiz nordestina tão presente em sua canção, que vai do xote ao baião, passando obrigatoriamente por samba, embolada e até pela valsa. Paralelamente à carreira solo, Rodrigo integra o grupo Bangalafumenga e, no momento, lança Passageiro, o segundo álbum solo. Assumido minimalista (no sentido da depuração), Rodrigo trabalha mais com a tesoura em suas belas canções. Rodrigo Maranhão não esconde o orgulho de ter obra marcada por canções nas vozes consagradas de Maria Rita (Caminho das águas), Roberta Sá (Olho de boi e a ótima Samba de um minuto), Fernanda Abreu (Dance, dance e Baile da pesada), Anna Luisa (Baião digital e O osso) e Zélia Duncan (Gringo guaraná).

De seu primeiro e surpreendente disco solo, Bordado(2007), Rodrigo Maranhão trouxe, além do já inconfundível estilo de compor e cantar brasileiro, a variedade de ritmos e gêneros. Variedade, claro, calcada nas duas grandes veredas da música brasileira, o samba (urbano) e o baião (rural). Mas se lá, em Bordado, ele apresentou quase um manifesto pelo direito de sua geração de continuar a fazer simplesmente uma música brasileira ampla e em Passageiro, mais maduro Rodrigo põe tudo em dúvida, questiona ritmos e gêneros, é ora metalinguístico, ora onírico. Sempre e ainda surpreendente.

Senão ouçam Samba quadrado, o samba irônico e metalinguístico que abre o CD (anunciando o espírito da coisa): se na letra ele diz que tentou fazer um samba importado/ um samba quadrado/um samba só, na música tudo suinga, tudo balança, do pandeiro de Pretinho da Serrinha e da guitarra de Thiago di Sabatto, ao quarteto de cordas arranjado por Leandro Braga.

No mesmo espírito de estranhamento com ritmos e gêneros estão a Valsa lisérgica, única parceria do disco, a letra de Pedro Luís cheia de imagens loucas também no espírito da coisa; o Quase um fado, gravado entre Rio e Lisboa, com direito à voz potente do português Antônio Zambujo, em quem, aliás, Rodrigo se inspirou para fazer a canção, depois de assistir um concerto dele no Rio; o sambão Um samba pra ela, popular e escorreito na melodia, com direito à suingueira do trombone de Zé da Velha e o trompete de Silvério Ponte, além do sax soprano do produtor Zé Nogueira reforçando o naipe e o suingue, mas em cuja letra também irônica e metalinguística revela-se que tentei fazer um samba pra ela/ mas a palavra se nega/ não me dá satisfação.

Conhecedor dos meandros da canção brasileira, como se vê, Rodrigo Maranhão se dá ao luxo de brincar com ela, de por vezes virá-la ao avesso. É o caso da faixa mais pop do disco, Camaleão, conduzida pela orquestra percussiva de Marçal e pela deslumbrante flauta baixo de Andrea Ernest Dias, tocada com o sopro evidente, à maneira de Hermeto Pascoal, e com a letra propondo um negaceio típico deste trabalho: No inverno posso ser verão/ Ser um só e ser camaleão. É também o caso do lindo xote Maria sem vergonha, a orquestra percussiva desta vez a cargo de Marcos Suzano, o arranjo minimalista conduzido pelo órgão Hammond vintage de Marcelo Caldi e pela guitarra de Ricardo Silveira, um misto de coisas velhas e formas novas para a letra que confessa: Volto ao velho e companheiro cais/ Para espiar no mar de tantas eras/ O que ainda é novo e o que ficou pra trás.

A produção de Zé Nogueira, aliás, privilegia o acústico e o minimalismo que as canções de Rodrigo pedem, ou melhor, exigem. As cordas e o piano são usados, por exemplo, de forma parcimoniosa (e deslumbrantes, com direito também a solo do sax de Zé Nogueira) por Leandro Braga em De mares e Marias, canção de amor de feição clássica, mas com letra cheia de dúvidas, tão no espírito do disco: Pode ser que a noite queira dizer tanta coisa, tanta coisa/ Mais de uma vez, eu sei/ Pode o amor passar/ Ninguém saber.

Espírito do disco, aliás, que pode ser resumido no baião onírico Sonho: Se é sonho ou verdade/ Eu não sei. Ou mais ainda na embolada-canção (com direito a rabeca de Siba) que não por acaso dá título ao disco, Passageiro, que encerra o trabalho com um conselho daqueles de cego cantador e que deve ser seguido à risca: Pra chegar no fim do verso/ É preciso ficar quieto.

Com todos esses ensinamentos e soberania sobre música popular brasileira e pelo novo talento surgido nos últimos anos, é que Rodrigo Maranhão encabeça a sexta colocação da lista dos 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos. Merecidamente.



Sexto Lugar: Rodrigo Maranhão

Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Sétimo lugar: Lucas Santtana - Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos


Lucas Santtana é o tipo de artista que é difícil catalogar. Ao mesmo tempo que seus discos e suas composições tem uma ligação com a tradição da Música Popular Brasileira,  elas absorvem influências que vão do Afrobeat ao Dance Hall, passando pelo Dub, Eletrônica, Funk Carioca,dentre outras. Esticando ainda mais a linha evolutiva da música Brasileira. Em 2000 Lucas Santtana iniciou sua carreira solo lançando o CD Eletro Ben Dodô, produzido pelo renomado produtor Chico Neves e mixado no estúdio Realworld de Peter Gabriel. O cd recebeu críticas elogiosas no Brasil e em importantes publicações no mundo da música como a Village Voice, Down beat e o Chicago Tribune(E.U.A); Le monde e Vibrations ( França); Latino  e Esquire (Japão) , além de estar incluído na seleta lista dos dez melhores cds independentes do ano de 2000 pelo The New York Times.
Em julho de 2003 Lucas Santtana lançou o seu segundo cd, intitulado Parada de Lucas. O cd é dedicado ao geógrafo Milton Santos. Assim como o primeiro, Parada de Lucas recebeu críticas elogiosas dos principais jornais e revistas do Brasil e mais uma vez ganhou matéria no The New York Times. Como instrumentista participou dos CD’s de Chico Science e Nação Zumbi, Marisa Monte, Fernanda Abreu, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Como compositor teve suas músicas gravadas por Marisa Monte, Fernanda Abreu, Arto Lindsay, Adriana Calcanhotto, dentre outros.
Lucas participou da trilha sonora do filme Deus é Brasileiro de Cacá Diegues e compôs a trilha da peça O Bispo, do ator João Miguel (Cinema ,aspirinas e urubus, Estômago, etc). Em 2006 lança o 3º cd 3 sessions in a greenhouse acompanhado da banda Seleção Natural. Lançado em julho de 2009, seu 4º disco, intitulado Sem Nostalgia, que traz uma releitura moderna do formato voz e violão, um clássico da Música Brasileira. Assim como os 3 primeiros discos, Lucas Santtana continua suas alquimias sonoras tendo a canção como centro, mas sobrepondo  a ela diversas texturas musicais.
Por todos esses singelos detalhes e pelo enriquecimento na música popular brasileira que nos confere a dimensão de sua rica intelectualidade, Lucas Santtana (namorado da atriz Camila Pitanga) merece destaque no sétimo lugar na lista dos 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos.

Sétimo Lugar: Lucas Santtana
Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O Tempo de Julia Bosco


Tempo, de Julia Bosco
A cantora Julia Bosco lança o primeiro CD, Tempo, demonstrando que veio com fome e vontade de ocupar um espaço nobre e elegante na música popular brasileira. Filha de João Bosco e frequentadora das rodas de samba da Lapa carioca, ela opta por canções que fogem ao que se poderia esperar dessas referências e caminham em direção ao intimismo, à delicadeza e ao romantismo nada piegas, mas que se manifesta nos mínimos detalhes cotidianos. É o que se percebe logo na primeira faixa, Desavisados, parceria com o marido Fabio Santanna, que também toca teclados e guitarra, além de aparecer na autoria de todas as faixas do disco.

O álbum conta com duas participações para lá de especiais. A primeira é a de Marcos Valle, nos vocais, rhodes e moog de Curtição, nova parceria do casal Julia e Fabio, marcada por um clima bem suingado e ensolarado, graças à bateria e percussão de Ronaldo Silva e dos metais de Marlon Sette, Altair Martins e José Carlos Bigorna. Agora as metas da cantora parecem ficar clara nos versos: A curtição / É um desejo / De perseguir / A minha estrada / Minha voz / Se faz presente / Num canto solto / Que vagueia por aí.

A segunda participação especial é de João Bosco, tocando violão na delicada Na Oração, que recita alguns versos como um poema: Na oração eu fecho os olhos / Ajoelho e agradeço / Pela fé e proteção / Que renova meus defeitos / Ilumine meu caminho / Noite e dia, cada instante / E a luz que se faz única / Se revela agora e sempre / Na oração. Também vale a pena prestar atenção na força dos vocais de Cecília Spyer.

A sensualidade, com uma pegada "caetaniana", aparece na gostosa Confusão, composta apenas por Fabio Santanna: Rapte-me, adapte-me, abrace-me / Jazz me com você / Com você, amor. Já em Mesmo Princípio, é possível sentir a influência de várias outras cantoras do pop nacional, como Marina Lima e Fernanda Abreu. Ela é marcada pelo ótimo baixo de Lancaster Lopes, combinado com a bateria de Ronaldo Silva. Os versos, novamente compostos pelo casal, trazem um romantismo à flor da pele: Ainda conservo / Tudo no mesmo lugar / Fica um vazio / Quando você não está / Sua presença / Ainda sinto no ar.

O que falar então do dueto de Julia Bosco e Fabio Santanna na "new bossa" Play a Fool, composta por ele, que assume ter sido um tolo e assume que o período em que a amada esteve fora da vida dele foi o tempo em que esteve em seus pensamentos. As desculpas parecem vir na delicada balada Tudo Sempre: Nem tudo o que você disser / Eu vou lembrar / Mas tudo que você lembrar / É onde eu vou estar / Nem tudo que já consegui / Você sabe eu não agi bem / Mas vamos esquecer as dores / Se eu te faço bem.

Em Dia Santo, Julia Bosco estabelece mais um diálogo com Marina Lima. Apesar das referências claramente africanas, reforçadas pela percussão e bateria de Ronaldo Silva, Julia canta Eu vi o rei chegar / Eu vi o céu se abrir / Vi você se aproximar / Vi a luz cegar. Em 1993, Marina Lima gravou uma canção chamada justamente Eu Vi o Rei Chegar: Eu vi o rei chegar / Um rei assim / Que não escuta bem / Que adora luz / Mas não vê ninguém.

O clima cool segue na divertida Carta para uma amiga, que opta por um recurso caro à música popular brasileira - da carta ou do diálogo em que se escuta apenas uma das partes. Basta lembrar das sempre clássicas e inesquecíveis Sinal Fechado, de Paulinho da Viola; e Bye Bye Brasil, de Chico Buarque e Roberto Menescal. Em seguida, vem o ótimo samba reggae cadenciado Mutantes. Nessa canção, os vocais de Fabio Santanna remete também ao racional Tim Maia.

Tudo Bem começa com uma pitada salseira, marcada pelos metais de Marlon Sette e Altair Martins, e pelos rhodes de Ge Fonseca. Já a referência da gostosa Angel parece ser o músico, cantor e compositor francês Serge Gainsbourg. Para encerrar, a doce Tempo, de Fabio Santanna, é marcada pela bonita voz de Julia Bosco, em total harmonia com o piano e o órgão de Ge Fonseca: Deixe marcas no meu rosto / Venha triste e então prossiga / E me ensine a aprender com a dor / Mas não me deixe esquecer / Sempre há algum tempo....

Tempo não é, definitivamente, um álbum com grandes inovações e com pretensões de renovar a música brasileira. Talvez justamente por vir como algo despretensioso, é extremamente prazeroso de se ouvir e marca uma estreia de gente grande, de quem mostra vontade de vir para ficar. E depois de ouvi-lo bem que dá vontade de aproveitar as tardes ensolaradas desse verão e sair para namorar. Ah, e na produção aparece também Plínio Profeta, cujo nome você deve estar se acostumando a sempre encontrar nessas resenhas de CDs como sinônimo de qualidade.
 
Acompanhe o tempo de Júlia Bosco. Soboreie Júlia Bosco. Ela veio para ficar.



Nota 10

Tempo / Julia Bosco



Marcelo Teixeira

sexta-feira, 30 de março de 2012

Meio-Dia, Meia-Noite, de Chico Pinheiro: grandes nomes da MPB e um excelente disco



Grandes nomes da música neste disco
Quando lançou Meia-Noite, Meio-Dia (2003 / Art Music / 26,99 com relançamento em 2010), Chico Pinheiro talvez não tivesse tanta certeza de sua responsabilidade em chamar para dividir as canções cantores de alto escalão como Maria Rita Mariano (na época ela ainda usava o sobrenome do pai, Cesar Camargo Mariano), Ed Motta, Lenine, Chico César e a novata Luciana Alves. O resultado é tão perfeito e original, que Chico Pinheiro foi alçado ao patamar de um dos melhores violonistas do Brasil e um dos compositores mais prodígios que o país conheceu. Chegando de mansinho no cenário musical e tendo uma boa parcela de amigos na área, Chico Pinheiro usou e abusou do bom tom para conseguir angariar um excelente resultado: seu disco ganhou prêmios e arrebatou inúmeros fãs tanto aqui no Brasil quanto fora dele.

E para que este sucesso fosse maior, nada melhor do que ouvir maravilhas compostas por Chico sendo interpretadas por bambas da MPB. O time escalado deu conta do recado e o resultado é tão gostoso de ouvir, tão saboroso e tão interessante, que denota o quanto estava carente o cenário musical no início dos anos 2000. Para tanto, Chico Pinheiro foi destacado o melhor violonista e o melhor compositor jovem e o lançamento de Meia-Noite, Meio-Dia só reforçou aquilo que todos já sabiam: seu disco era ótimo.

Chico Cesar: boa parceria
De Chico Cesar podemos desfrutar de Aquela, música bonita e que deixa Cesar muito a vontade nos bastidores. A música se torna um dos melhores do disco e os refrãos se tornam ainda mais sensíveis à medida que o cantor a canta. A outra canção, Passagem, também demonstra uma sensibilidade à flor da pele com um toque de amor reprimido. Ambas as músicas, composta em parceria pelos músicos, são tão harmoniosas, que parece que foram feitas sobre encomendas. Sua carreira artística tem repercussão internacional. A maioria de suas canções são poesias de alto poder de encanto linguístico.

Ed Motta dá um tom jazzístico
Ed Motta surge com Essa Canção, dando um tom jazzístico ao disco. Sua música tem raízes nos estilos funk/soul e disco, mas também tem influências de jazz, bossa nova, reggae, rock. Com grande diversidade de estilos e vários álbuns lançados no exterior, Ed Motta possui uma longa carreira nacional e internacional, tendo tocado e gravado com inúmeros nomes do cenário mundial, como Incognito, Bernardie Purdie (baterista do Steely Dan), o grupo português Jazzinho, entre outros. Sobrinho do cantor carioca Tim Maia, Ed Motta ficou conhecido no fim da década de 1980, com as composições Manuel e Vamos Dançar, que gravou com a sua então banda Conexão Japeri. Na década de 1990 retornou às paradas de sucesso com os hits Fora da Lei, Vendaval e Colombina (esta, lançada em 2000).

Lenine: apenas sons vocais
Lenine aparece com Buritizais e ele faz o que mais gosta: sustenidos e gritinhos e arroubos marcam a canção, sem nenhuma frase. Um achado e tanto para um destacamento perfeito. Lenine já teve seu som gravado por Elba Ramalho, sendo ela a primeira cantora de sucesso nacional a gravar uma música sua. Depois vieram Fernanda Abreu, O Rappa, Milton Nascimento, Maria Rita, Maria Bethânia e muitos outros. Produziu Segundo, de Maria Rita e De uns tempos pra cá, de Chico César. Participou também da direção do musical de Cambaio, musical de João Falcão e Adriana Falcão, baseado em canções de Chico Buarque e Edu Lobo.

Lenine ganhou dois prêmios Grammy Latino: um pelo Melhor Álbum Pop Contemporâneo com seu álbum Falange Canibal; e outro em 2009 na categoria melhor canção brasileira com a música Martelo Bigorna.

Luciana Alves: as melhores faixas do disco são dela
Luciana Alves, esposa de Chico Pinheiro, herda as pérolas do disco, com as belas canções Jardim de Arroz, Meia-Noite, Meio-Dia, Na Beira do Rio, Ao Vento e Onde Estiver. Luciana Alves é paulistana, tem 27 anos de idade e nove de carreira. Filha de músico, ela tem contato com o meio artístico desde a infância e começou cantando em eventos esporádicos. Aos 18 anos, abraçou a música como profissão, apresentando-se em bares e participando da gravação de jingles. Como integrante do grupo Notícias dum Brasil, idealizado pelo compositor Eduardo Gudin, participou como principal solista do CD Pra Tirar o Chapéu e apresentou-se ao lado de renomados músicos, como Guinga, Hermeto Pascoal, Paulinho da Viola e Elton Medeiros

Participou do CD Madeira que Cupim Não Rói do multiartista Antônio Nóbrega, e esteve presente na turnê do show Pernambuco Falando para o Mundo.

Ao lado de Joyce Moreno e Roberto Menescal, cantou Nara Leão dentro do projeto Boteco do Cabral, idealizado e apresentado pelo jornalista e escritor Sérgio Cabral. Em novembro de 2001, dentro do mesmo projeto, cantou Dolores Duran ao lado de Johny Alf e Alaíde Costa.

 No 2º Prêmio Visa de MPB -Edição Vocal, classificou-se entre os doze semifinalistas. No ano seguinte, no 3º Prêmio Visa - Edição Compositores, defendeu as músicas de Chico Pinheiro, compositor que conquistou o segundo lugar. Durante o Festival da Música Brasileira, realizado pela Rede Globo, participou ao lado de José Miguel Wisnik, sendo considerada pela crítica uma das grandes revelações do festival. Luciana integra também o grupo do compositor paulista André Hosoi, com quem lançou o CD Junina, e prepara-se para gravar seu primeiro CD solo.

Maria Rita ainda Mariano: perfeita
Maria Rita surge com a engraçada Popó, a inquietante De Frente e a amargurada Desde o Primeiro Dia. Maria Rita iniciou sua carreira com cerca de 24 anos, apesar de querer cantar desde os quatorze. O peso da carreira da mãe, bastante famosa no Brasil, influenciou o adiamento de sua obra. Segundo a própria: sempre tive a consciência de ser a única filha mulher de uma grande cantora. Antes de se tornar cantora profissional, ela fez um estágio em uma revista para adolescentes, tendo estudado Comunicação social e estudos latino-americanos na Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Apesar do sucesso recente, consagrou-se como novo ícone da MPB.

Ganhadora de seis prêmios Grammy Latino incluindo Grammy Latino de Melhor Artista Revelação, também já ganhou dois Prêmio Multishow de Música Brasileira, entre outros prêmios nacionais. Maria já vendeu 1,985 milhão de CDs e DVDs, somente no Brasil.

Chico Pinheiro: o anfitrião
E Chico abre o disco com Contemplação e encerra com a linda Choro Calado, ambos apenas ao violão. Com um belo disco e uma equipe de peso, Chico Pinheiro se consolida no cenário musical como um dos melhores artistas, únicos e detentores dos melhores encantamentos e entusiasmos que possamos destilar.



Faixas


·       1.Contemplação (Chico Pinheiro) Chico Pinheiro

·       2.Ao Vento (Chico Pinheiro - Guile Wisnik - Paulo Neves)  Luciana Alves

·       3.Meia-Noite, Meio-Dia (Chico Pinheiro) Luciana Alves

·       4.Aquela (Chico Pinheiro - Chico César) Chico César

·       5.Desde o 1º Dia (Chico Pinheiro - Guile Wisnik) Maria Rita Mariano

·       6.Essa Canção (Chico Pinheiro - Guile Wisnik - Paulo Neves) Ed Motta

·       7.Buritizais (Chico Pinheiro) Lenine

·       8.Jardim de Arroz (Chico Pinheiro - Guile Wisnik) Luciana Alves

·       9.Passagem (Chico Pinheiro - Chico César) Chico César

·       10.Na Beira do Rio (Chico Pinheiro - Paulo Neves) Luciana Alves

·       11.Popó (Chico Pinheiro - Aldir Blanc) Maria Rita Mariano

·       12.De Frente (Chico Pinheiro - Guile Wisnik) Maria Rita Mariano

·       13.Onde Estiver (Chico Pinheiro - Paulo Neves) Luciana Alves

·       14.Choro Calado (Chico Pinheiro) Chico Pinheiro



Produzido por Chico Pinheiro e Swami Jr.



Nota 10

Meia-Noite, Meio-Dia / Chico Pinheiro



Marcelo Teixeira