sexta-feira, 18 de maio de 2012

O mediano álbum de Maria Rita




A responsabilidade que Maria Rita teve ao lançar Maria Rita em 2003, seu primeiro disco, foi tamanha, tanto que se juntaram a ela os melhores compositores, os melhores músicos, os melhores produtores e diretores musicais e o resultado foi aquilo: um pouco de Milton Nascimento e Rita Lee (grandes amigos de sua mãe, Elis), os músicos mais cobiçados do momento, de Lenine a Marcelo Camelo, passando por regravações e pelo filho de Ivan Lins, Claudio Lins (que ainda não emplacou como cantor). Ou seja, tudo aquilo que Elis fez em vida, Maria Rita copiou a altura. Porém, sua responsabilidade estava só no começo de uma tortura que estaria presente no segundo disco, cujo todos estavam apreensivos para saber quais seriam suas novas músicas, novas regravações e novos adereços.

Segundo (2005 / BMG / 19,99) surgiu com tamanha expectativa, com uma capa muito bonita, dando a dimensão do tamanho da competência vocal representada por um microfone em uma das mãos, nos remetendo ao disco de Elis de 1979, ao vivo e um dos melhores de sua carreira. Mas o que poderia ser um belo disco, na verdade, se tornou um gigantesco fracasso. Desta vez, Maria Rita regravou pérolas de Chico Buarque, colheu compositores novos e talentos como Edu Krieger e Francisco Bosco (filho de João Bosco) e teve o prazer de gravar uma das melhores faixas do disco, de Paulinho Moska.

Segundo: poderia ser melhor
Antes mesmo de baixar a poeira de seu disco de estreia (que vendeu 800 mil cópias), a crítica e o público já esperavam ávidos pelo lançamento do segundo álbum de Maria Rita. Isso aconteceu por dois motivos. O primeiro era para responder a uma pergunta: será que Maria Rita permanecerá apenas como uma sombra da mãe, Elis Regina, considerada a maior cantora brasileira? O segundo: a música brasileira precisava, urgente, de novos ares, um respiro.

Segundo, lançado em 16 de setembro de 2005, antes mesmo dessa data, já havia vendido 180 mil cópias em pré-venda. O público realmente estava ansioso. Todos tocando ao mesmo tempo, como num show, sem emendas nem consertos. Igual ao primeiro disco. Igual Elis fazia na década de 70.

Duvidei que ela fosse capaz de manter a mesma identidade musical com um disco produzido por Lenine. Mas manteve, até mesmo porque Lenine é um dos melhores artistas surgidos nos últimos dez anos. Porém, mesmo com um Lenine ao lado, ouvi o disco atentamente e até hoje algumas situações não me saem da cabeça.

O disco está simples demais e se parece muito com o repertório da mãe, morta em 1982. Maria Rita está cantando muito melhor do que no primeiro disco, mas precisa melhorar e parece que estamos em meados de 1970 ouvindo um disco de Elis, tamanha a comparação entre mãe e filha.

Dependendo do ponto de vista de alguns, sua musicalidade, seu timbre, suas interpretações, intenções, sua movimentação no palco, não deixam dúvidas do quanto ela tem semelhanças com Elis. Mas Maria Rita tem características e identidade próprias, embora às vezes se possa duvidar disso. Ouça Conta outra da filha e em seguida Eu hein Rosa, lançada em 1979 da mãe para entender melhor. É impossível não comparar.

 Maria Rita me leva a cometer uma leviandade moral ao estabalecer dois pesos e duas medidas. Comparado com o primeiro disco, este se torna mediano. A opção pela simplicidade comprometeu algumas músicas que passam desapercebidas. Comparado com o mercado de música brasileira atual, o disco é bom, mas talvez nem isso.

A segunda capa
 Os destaques são Sem aviso, a ótima Muito Pouco e Despedida (Marcelo Camelo). Ao ouvir, não se assuste, são músicas nada comerciais. A surpresa fica por conta de Minha Alma (a paz que eu não quero) (O Rappa / Marcelo Yuka), sucesso pop-protesto de O Rappa. Tem ainda uma faixa escondida no final do disco, Mantra, uma pegadinha que Luciana Mello, Zeca Baleiro, Maria Gadú e outros tantos andam fazendo e outra para baixar da internet mediante um código contido no encarte do CD original.

Sem dúvida é um disco para ter em casa e ouvir naquelas ocasiões que um som descontaminado da música pop é necessário. Voz, piano, bateria e baixo. Em resumo, o disco é mediano, poderia ser melhor, mas não é o melhor disco de Maria Rita, uma cantora que precisa pensar e repensar sobre suas músicas, sua maneira de pensar e seu trabalho para se tornar na maior cantora brasileira.



Faixas



·       01 – Caminho das Águas (Rodrigo Maranhão)

·       02 – Recado (Rodrigo Maranhão)

·       03 – Casa Pré-Fabricada (Marcelo Camelo)

·       04 – Mal Intento (Jorge Drexler)

·       05 – Ciranda do Mundo (Edu Kriger)

·       06 – Minha Alma (O Rappa / Macelo Yuka)

·       07 – Sobre Todas as Coisas (Chico Buarque / Edu Lobo)

·       08 – Sem Aviso (Francisco Bosco / Fred Martins)

·       09 – Muito Pouco (Moska)

·       10 – Feliz (Dudu Falcão)

·       11 – Despedida (Marcelo Camelo)

·       12 – Conta Outra (Ao Vivo) (Edu Tedeschi)



Direção Artística de Alexandre Wesley

Produção de Lenine e Maria Rita



Nota 7



Segundo / Maria Rita



Marcelo Teixeira




quinta-feira, 17 de maio de 2012

Vagarosa, de Céu




Vagarosa, o segundo disco da cantora e compositora Céu, transcorre suave nas curvas das 13 faixas, que ziguezagueiam em várias direções, mas apontam (quase sempre) para esquinas aconchegantes entre as músicas brasileira e jamaicana. Passados cinco anos do primeiro disco, ela deu tempo ao tempo. A boa repercussão do trabalho a levou em turnês Brasil e mundo afora e, sem pressa, ela fecundou o novo repertório. E esta calma chega ao ouvinte logo na primeira audição: ainda é na roda da saudável malemolência que as canções giram – ora na cadência bonita do samba (Sobre o Amor e Seu Trabalho Silencioso, Vira Lata), ora no transe do reggae (Cangote, Cumadi, Cordão da Insônia), ora em climas de inspiradora e inspirada letargia (Bubuia, Ponteiro, Espaçonave).

Vagarosa: obra-prima
Com a voz ainda mais potente e versátil, Céu trabalha as harmonias em arranjos elaborados e surpreende com novos recursos. A roupa instrumental que veste seu timbre é igualmente instigante e o trabalho de estúdio, de cara, bate no ouvido. Quatro produtores assinam Vagarosa: a própria Céu; Beto Villares, também produtor do primeiro disco; Gustavo Lenza, responsável pela produção dos discos do Curumin; e Gui Amabis, parceiro de Céu no projeto Sonantes . As cantoras e compositoras Thalma de Freitas e Anélis  Assumpção participam da gainsbourguiana Bubuia e as três vozes, com diferentes divisões e timbres somados, se misturam e levam a faixa para além da imaginação. Los Sebozos Postizos – aqui representados pelo guitarrista Lúcio Maia, o baixista Dengue, o baterista Pupillo (todos da Nação Zumbi) e Bactéria (ex-Mundo Livre S/A) – carregam no sotaque jamaicano em “, Menina Rosa (de Jorge Ben), única versão do disco. E Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, toca guitarra e dá o toque de psicodelia em Espaçonave e colore a paisagem climática de Bubuia.

Há, ainda, duas contribuições de luxo: Luiz Melodia divide os vocais com Céu em Vira Lata e o baterista Gigante Brazil, morto em 2008, toca em duas faixas – Cangote e Papa. Artista contratada do selo independente Urban Jungle, Céu lança Vagarosa com distribuição da gravadora Universal no Brasil. Na maciota, devagar e sempre, ela se espreguiça cada vez mais confortável no colo da MPB.



Faixas



·       01 – Sobre o Amor e Seu Trabalho Silencioso (Céu)

·       02 – Cangote (Céu)

ü  Part. Especial de Gigante Brasil

·       03 – Comadi (Céu / Beto Villares)

·       04 – Bubuia (Céu / Anélis Assumpção / Thalma de Freitas)

ü  Part. Especial de Negresko Sis

·       05 – Nascente (Siba / Céu)

·       06 – Grains de Beautê (Céu / Beto Villares)

·       07 – Vira-Lata (Céu)

ü  Part. Especial de Luiz Melodia

·       08 – Papa (Céu)

ü  Part. Especial de Gigante Brasil

·       09 – Ponteiro (Céu)

·       10 – Cordão da Insônia (Céu / Beto Villares)

·       11 – Rosa, Menina, Rosa (Jorge Benjor)

  • Part. Especial de Los Sebozos Postizos

·       12 – Sonâmbulo (Céu / Serginho Machado / Bruno Buarque / Lucas Martins / DJ Marco / Guilherme Ribeiro / Céu)

·       13 – Espaçonave (Céu / Fernando Catatau)





Nota 10



Vagarosa / Céu



Marcelo Teixeira

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Roberta Sá no Programa do Jô


A cantora Roberta Sá
Roberta Sá esteve no Programa do Jô ontem lançando seu quinto álbum, Segunda Pele, que já está sendo considerado por muitos como uma obra prima de sua carreira. Roberta, mais uma vez, foi obrigada a falar sobre sua participação no programa Fama, exibido pela TV Globo em 2002 e, desta vez, o apresentador mostrou uma queda da cantora em plena gravação. A entrevista foi até que legal. Roberta explicou, talvez pela primeira vez, sua ligação com o cantor Ney Matogrosso: em um ato cômico, sua mãe entrou um CD demo ao cantor no momento em que ele fazia aulas de pilates. Ao ouvir o CD, Ney procurou a cantora (até então amadora) e disse que ela tinha muito chão pela frente, que era para seguir aquele caminho, que ela teria futuro. Não muito distante, em 2005 nascia Braseiro, seu primeiro e sensacional disco e tendo Ney como destaque na canção Lavoura.

Para Roberta, Segunda Pele, o título de seu novo álbum, significa mudança de pele, tendo em vista que a cantora completou trinta anos no ano passado e esta renovação também afetou o seu trabalho. Além de cantar A Vizinha do Lado, Roberta encantou com trechos de Pavilhão de Espelhos e ilustrou o programa com Segunda Pele.

O mico de Jô Soares foi dizer, logo no começo da entrevista, que Roberta está com a cara da Marisa Monte, tanto na feição quanto na voz. E eu pergunto: aonde, o que? No mundo não existe somente a Marisa Monte como referência musical e fazer este disparate ao dizer que a voz de Roberta é idêntica ao de Marisa Monte é padecer na falta de inteligência musical, o que não é, talvez, a seara do Jô. Roberta ficou sem graça e disse que Marisa era uma cantora maravilhosa.

No fim, Roberta fez o público rir bastante e contou casos inusitados sobre sua indicação ao Grammy.



Marcelo Teixeira

O Coração do Homem Bomba, de Zeca Baleiro




O disco, de 2008: inovação na carreira de Zeca
Zeca Baleiro já não precisa de apresentação. O músico maranhense já escreveu seu nome na história da MPB e consolidou sua carreira nesse conturbado mundo da música que está sempre sedento por novidades descartáveis e rostinhos bonitos, tanto que O Coração do Homem-Bomba Volume 1 (2008 / Microservice / 19,99) é o nono disco na carreira de sua carreira, incluindo um álbum ao vivo, a parceria com Raimundo Fagner e o Lado Z, que reunia regravações. Como o nome indica, este é o primeiro volume de um lançamento duplo. O disco traz 13 faixas e pelo menos duas delas já conhecidas dos fãs que acompanham o cantor ao vivo.

Uma delas é Toca Raul. Com certa ironia, a música é uma homenagem ao Maluco Beleza Raul Seixas e uma sacada genial de Zeca em resposta aos chatos e insistentes gritos de toca Raul que já viraram regra em qualquer show. Além da letra muito legal o destaque dessa faixa é o trabalho do tecladista Adriano Magoo.

Outra já conhecida de muitos fãs é Alma Não Tem Cor, música da banda Karnak que tem cara de Zeca Baleiro e se encaixou perfeitamente no repertório do cantor. Outra regravação que o disco traz é Bola Dividida, sucesso do sambista Luiz Ayrão lançada em 1974. De sambão nos anos 70 a nova versão se transformou em um pop bósnio, conforme diz o próprio Zeca. Pra saber o que é isso só ouvindo mesmo.

Dois aspectos que já se tornaram marca registrada de Zeca se fazem presentes neste álbum. Primeiro as letras com forte acento cômico. Mesmo quando o assunto é mais sério, Zeca consegue tratar do tema de modo divertido. Só não se encaixa nessa descrição a última música, Geraldo Vandré, que trava um diálogo com o enigmático compositor, mas um tanto quanto melancólico. O outro aspecto marcante é a variedade de ritmos no disco. Rock, Reggae, Ska, Forró, Samba, tem de tudo um pouco e na medida certa para causar uma verdadeira confusão em quem quiser rotular o álbum. Melhor assim, rótulos não são necessários.

Ela Falou Malandro é a segunda composição de Zeca em parceria com Zé Geraldo. A primeira é Na Barra de seu Vestido, que foi lançada no novo álbum de Zé Geraldo. A música tem uma levada Jovem Guarda no refrão que apesar de simples é bem empolgante. Além dos trompetes que dão um clima meio brega, meio latino.

Uma das músicas mais animadas do disco é Você Não Liga Pra Mim. Zeca já estava apresentando essa música nos shows antes do lançamento do álbum, e a recepção da plateia comprova que é uma das mais legais do novo trabalho.



Faixas



·       01. O Coração do Homem-Bomba

·       02. Você Não Liga Pra Mim

·       03. Alma Não Tem Cor

·       04. Vai de Madureira

·       05. Elas Por Elas

·       06. Aquela Prainha

·       07. Ela Falou Malandro

·       08. Você é Má

·       09. Bola Dividida

·       10. Aí Beethoven

·       11. Toca Raul

·       12. Nega Neguinha

·       13. Geraldo Vandré



Nota 08

O Coração do Homem Bomba Volume 1 / Zeca Baleiro



Marcelo Teixeira

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ney Matogrosso e Pedro Luís e A Parede fazem o belo disco Vagabundo


Vagabundo, de 2003: ótimo
A inspiração vem de onde? Assim começa a música Transpiração, do mestre Itamar Assumpção em parceria com Alzira Espíndola e que deixa nítida a sensação de que a inspiração do disco Vagabundo (2003 / Som Livre / 35,99) vem de boa parte de Ney Matogrosso, cantando maravilhosamente bem neste disco e de boa parte do grupo A Parede, liderada por Pedro Luís, hoje integrante do Monobloco e marido de Roberta Sá. A ideia de juntar o antigo e o novo, o que é ótimo com a qualidade extrema de bom gosto e jovialidade inquietante de hoje, fez deste disco merecedor de aplausos efusivos e contagiantes e não deixa dúvidas de que foi o melhor lançamento do ano de 2003 (comprovado por vários críticos de música) como na carreira de ambos os cantores. A inspiração vem da ideia de quem juntou Ney Matogrosso e A Parede, vem da transpiração de ambos, vem das músicas aqui prestadas neste álbum.
Mas o disco é um punhado de mensagens fortes e agressivas e nem por isso deixa de ser belo e cantante. Músicas realmente com contexto aflorado não deixam resquícios de que Pedro Luís é um mestre na arte de compor de deixar sua marca registrada naquilo que faz. Ney dá o tom de colocar sua bela voz em todas as músicas e, como o próprio Ney disse em varias entrevistas, “achar Pedro Luís foi dar vida a sua carreira”.
Abrindo com a provocante A Ordem é Samba, lançada em 1966, Ney foi buscar no fundo do baú uma relíquia de Jackson do Pandeiro e cantá-la neste disco foi uma afronta para o mundo musical quando o álbum foi lançado: no momento, o que mais se ouvia era pagode, grupinhos sem nexo dançando na mesma embarcação e deslanchando em um final nada pomposo. Deixando a deixa para Pedro Luís vir em seguida com Seres Tupy, uma provocação com a pobreza social e as mazelas que somente ele sabe retratar tão bem, com a frase marcante “de Porto Alegre ao Acre, a pobreza só muda o sotaque”. Vale ressaltar que Ney já gravou a música Miséria no Japão (também de Pedro Luís) no belo álbum Olhos de Farol (2000), iniciando ai uma bela parceria.
De uns tempos para cá, Ney anda fazendo homenagens a Itamar Assumpção, morto em 2003, pincelando ótimas regravações do artista maldito, como era conhecido. Foi assim com as músicas Transpiração e Finalmente, esta de uma delicadeza profunda sobre a espera de um beijo e o ato de amar. Regravou também Disritmia, de Martinho da Vila, fazendo uma versão mais intimista da música e trouxe um pouco de Secos e Molhados com a bela regravação de Assim Assado, numa provocante releitura.
Os músicos e compositores Antônio Saraiva e Wilson das Neves participam da música Vagabundo, que dá título ao disco, sendo Antônio nos arranjos e sax-tenor e Wilson no contra-tempo, tamborins e caixas. A música não é das mais fáceis de ser cantadas, mas a levada rítmica faz dela um achado e tanto.
Ney e A Parede
Pedro Luís provoca e deixa muita gente inquieta nas belas músicas Interesse, aonde tem em seus versos as frases “acenda uma vela pra Deus e outra pro diabo”, com uma entonação de Ney profunda e forte, em Noite Severina (cada ser tem sonhos a sua maneira) e na arrebatadora Jesus (vamos tirar Jesus da Cruz). Inquietante e provocadores, Pedro Luís não se intimidou ao lançar o disco e ninguém se sentiu humilhado ou ofendido com as frases. As músicas são bonitas, dançantes e nos faz pensar sobre as questões religiosas, humanitárias e a forma de expressar tanto do compositor quanto do cantor foram unanimes para o bom resultado das canções.
Napoleão é divertida e denota aquilo que todos sabem: o lado homossexual do ditador francês perante seu reinado. Tempo Afora é singela, sensível de um magnetismo único, retratando a dura penalidade de amar. Fechando com chave de ouro, pincelaram de André Azambuja a ótima O Mundo com a frase “todos somos filhos de Deus, só não falamos a mesma língua”.
Um disco para ficar na história da MPB e na melhor parte de sua coleção. Ney canta e encanta e parece cantar ainda melhor, no alto de sua sabedoria e não se importa com os dizeres maléficos de que não cantava mais nada e que estava fadado aos tempos de Secos e Molhados. Em Vagabundo, ele arrebenta, solta a voz, pula, dança e revigora o soberbo mundo da MPB.

Faixas

01 – A Ordem é Samba (Jackson do Pandeiro / Severino Ramos)
02 – Seres Tupy (Pedro Luís)
03 – Transpiração (Alzira Espíndola  / Itamar Assumpção)
04 – Interesse (Suely Mesquita / Pedro Luís)
05 – Assim Assado (João Ricardo)
06 – Noite Severina (Lula Queiroga / Pedro Luís)
07 – Vagabundo (Antônio Saraiva)
Part. Especial de Antônio Saraiva e Wilson das Neves
08 – Inspiração (Gilberto Mendonça Teles / Pedro Luís)
09 – Disritmia (Martinho da Vila)
10 – Napoleão (Luhli / Lucinha)
11 – Tempo Afora (Fred Martins / Marcelo Diniz)
12 – Jesus (Gustavo Valente / Lucas de Oliveira / Dado / André Pessoa / Rodrigo Cabelo / Beto Valente / Pedro Luís)
13 – Finalmente (Itamar Assumpção / Alzira Espíndola / Paulo Salles)

Bônus

14 – O Mundo (André Azambuja)


Direção de Produção de João Mario Linhares e Carlos Martau
Direção Musical de Ney Matogrosso, Pedro Luís e A Parede

Nota 10

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mr Catra, o sexto pior cantor do Brasil


Catra, o sexto pior cantor
De olho na qualidade musical atual e tendo a visão generalizada de que alguns cantores não deveriam exercer a função, o Mais Cultura! de hoje destaca o sexto pior cantor do Brasil, sendo ele o representante absoluto daquilo que o país já produziu de pior e de péssima qualidade artística e distante do que há de melhor no cenário musical num contexto geral. Seu nome é Mr Catra, um cantor tão infame, tão díspar e tão sem noção, que não merecia destaque sequer no neste blog e muito menos ser lembrado como cantor. Sua voz é horrível, anasalada, seu comportamento é desumano e suas músicas são chucras, chulas e indeléveis. Sua musicalidade representa aquilo que a sociedade cega e obsoleta quer ouvir sobre as mazelas da vida, o sexo fácil, o dinheiro sujo, a roupa não lavada no quintal da própria casa.

Ter a certeza de que este cantor da pior das espécies existe é ter a certeza de que o espírito maligno padece entre a cultura de bom senso comum entre as civilizações. Pisemos em seus discos e o quebremos com a mesma garra e vontade de ver este estilo musical afundado na pior das lamas. E que futuramente tanto o estilo quanto o cantor desapareçam da face musical e artística dando vazão a verdadeiros músicos que representam alguma originalidade para com seus trabalhos.

Rei da baixaria do universo do funk, Mr Catra é o insulto que cuspimos, o chão que pisamos e somos obrigados a conviver com uma personalidade tão mesquinha entre anúncios de uma programação musical e outra. Sua musicalidade não representa absolutamente nada. Sabendo que existe um cantor como este no Brasil, é ter a plena certeza de que ainda produzimos o que há de pior na música popular brasileira.



Marcelo Teixeira




sábado, 12 de maio de 2012

Simone e Zélia Duncan Ao Vivo


Vivendo grande fase em sua carreira, Simone encontra Zélia Duncan para realizar um sonho antigo de fazer um espetáculo juntas. Gravado ao vivo, em São Paulo, o DVD Amigo É Casa (2008 / Biscoito Fino / 49,99) traz músicas que foram sucessos na voz destas grandes intérpretes da nossa MPB, bem como releituras de sucessos de outros compositores de destaque como Erasmo Carlos (Vou ficar Nu Pra Chamar Sua Atenção e Meu Ego) e Guilherme Arantes (Cuide-se Bem).







Faixas



·       01- Alguém Cantando (Caetano Veloso)

·       02- Petúnia Resedá (Gonzaguinha)

·       03- Grávida (Marina Lima / Arnaldo Antunes)

·       04- Mar e Lua (Chico Buarque)

·       05- Kitnet (Alzira E / Arruda)

·       06- Cuide-se Bem (Guilherme Arantes)

·       07- Na Próxima Encarnação (Itamar Assumpção)

·       08- A Companheira (Luiz Tatit)

·       09- Mãos Atadas (Simone Saback)

·       10- Meu Ego (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)

·       11- Idade do Céu (Jorge Drexler / Paulinho Moska)

·       12- Existe um Céu (Francis / Geraldo Azevedo)

·       13- Diga lá, Coração (Gonzaguinha)

·       14- Medo de Amar nº2 (Sueli Costa / Tite Lemos)

·       15- Encontros e Despedidas (Milton Nascimento / Fernando Brant)

·       16- Vou Ficar Nu pra Chamar sua Atenção (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)

·       17- Gatas Extraordinárias (Caetano Veloso)

·       18- Vento Nordeste (Sueli Costa / Abel Silva)

·       19- Então me Diz (Damien Rice / Zélia Duncan)

·       20- Ralador (Roque Ferreira / Paulo César Pinheiro)

·       21- Alma (Sueli Costa / Abel Silva)

·       22- Alma (Arnaldo Antunes / Pepeu Gomes)

·       23- Agito e Uso (Ângela Roro)

·       24- Não Vá Ainda (Christian Oyesn / Zélia Duncan)

·       25- Jura Secreta (Sueli Costa / Abel Silva)

·       26- Tô Voltando (Maurício Tapajós / Paulo César Pinheiro )



Nota 10



Amigo É Casa / Simone e Zélia Duncan



Marcelo Teixeira

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Luísa Maita: a grande revelação na MPB


Lero-Lero: voz e disco primorosos
Luísa Maita é a compositora favorita de Maria Gadú (que em seu último disco gravou Axé Acappella, em companhia de Dani Black) e das cantoras Virginia Rosa e Mariana Aydar. Pudera. Suas músicas são de uma originalidade única e falam de amores complicados, integrantes de comunidades que querem se amar e de amores que aparecem do nada, dando a dimensão de sua musicalidade. A inspiração de Luísa Maita alimenta-se da tradição musical brasileira na mesma intensidade com que frequenta a prateleria do pop americano. Para Luísa, não há diferença sensível entre João Gilberto e Michael Jackson, Nana Caymmi e Beyoncé, funk carioca e R&B como mostra Lero-Lero (2010 / Oi Música - Phonobase / 27,99), primeiro álbum da cantora e compositora paulistana. Como compositora Luísa Maita é uma cronista que não só observa, mas participa da cidade, caminha pelas avenidas e vielas do centro e da periferia à procura de estalos poéticos e melódicos.

Essa facilidade com o trato da canção foi identificada pela cantora Virgínia Rosa quando decidiu gravar dois sambas de Luísa – Madrugada e Amado Samba – e por Mariana Aydar que gravou Beleza (uma parceria com Rodrigo Campos), eleita uma das melhores músicas de 2009 pela revista Rolling Stone Brasil e recentemente gravou Solitude, com parceria de Kavita e Jwala.

A intérprete Luísa usa a sensualidade de forma sutil como forma de transmitir sensações, como instrumento de comunicação. Parece mesmo ter encontrado a medida certa para, em suas próprias palavras, atingir o máximo de expressão com o mínimo de afetação. Essa característica pode ser verificada (ainda que de maneira mais tímida) em algumas faixas do álbum de seu primeiro grupo, a Urbanda. A personalidade musical de Luísa ganha mais força nas participações que fez no disco São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe de Rodrigo Campos e Alborada do Brasil de Carlos Nuñez e também em sua interpretação para os vídeos da candidatura do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016 dirigidos por Fernando Meirelles.

Mas em nenhum desses trabalhos Luísa Maita se revela como em Lero-Lero que sintetiza compositora e intérprete, une referências musicais e pessoais com preciosismo e despojamento. Síntese cujas medidas foram assimiladas por Paulo Lepetit, o alfaiate produtor do álbum, que lhe conferiu uma vibração contemporânea através dos beats e programações eletrônicas e por Rodrigo Campos (co-produtor ao lado de Luísa) e seu violão afro que dialoga no mesmo volume com a base rítmica das canções.

Luisa e Mariana Aydar: amigas
O álbum é pontuado por influências da música pop e eletrônica indissociáveis da base acústica profundamente enraizada no samba, na bossa nova e na música popular brasileira. As faixas apresentam uma galeria de ritmos tradicionais do Brasil: do samba ao maculelê, da bossa nova ao baião. No entanto, aparecem desconstruídos, muitas vezes reduzidos às células rítmicas básicas que se transformam com os timbres eletrônicos dos beats e com a instrumentação acústica.

Além de Paulo Lepetit e Rodrigo Campos, o disco conta com a participação dos músicos Kuki Storlarski e Sérgio Reze (bateria), Théo da Cuíca e Jorge Neguinho (cuíca), Siba (rabeca), Fabio Tagliaferri (viola) e Swami Jr (violão).

Com o filtro da sensibilidade, Luísa recorta pedaços da história musical brasileira, do cotidiano da cidade de São Paulo e de seu povo. Juntando as faixas, salta aos ouvidos uma unidade, uma massa sonora de delicadezas, sensualidade e autenticidade. Um exemplo da constante evolução e reinterpretação da música brasileira, a estreia de Luísa Maita exibe uma artista exposta à tradição e modernidade, enraizada à vida contemporânea, pronta para devolver tudo àquilo que absorveu de sua família, da cidade e das pessoas: a música.

Luísa é uma das representantes mais consistentes da tão saturada cena brasileira de novas cantoras/compositoras e sua presença em cena é inesquecível. Canta com personalidade impressionante e encontrou um caminho próprio na estrada superpovoada de cantoras.





Faixas



·       01. Lero-Lero (Luísa Maita)

·       2. Alento (Luísa Maita)

·       3. Aí vem ele… (Luísa Maita)

·       4. Desencabulada (Luis Felipe Gama e Rodrigo Campos)

·       5. Fulaninha (Luísa Maita)

·       7. Maria e Moleque (Rodrigo Campos)

·       8. Anunciou (Luísa Maita)

·       9. Um vento bom (Luísa Maita)

·       10. Alívio (Luísa Maita)

·       11. Amor e Paz (Luísa Maita)



Produzido por Paulo Lepetit (exceto faixa 11 produzida por Swami Jr.)

Co-produzido por Rodrigo Campos e Luísa Maita



Nota 10

Lero-Lero / Luísa Maita



Marcelo Teixeira

www.oimusica.com.br/luisamaita