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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O pagode de Leo Russo


Voz de preto, jeito moleque
A semelhança entre Leo Russo e Diogo Nogueira é enorme. Os dois tem olhos azuis, pele clara, são sambistas e, de quebra, quase a mesma voz. Mas isso não interfere em ambos os talentosos artistas, até mesmo porque ambos são excelentes cantores. Leo Russo está lançando um CD na praça em que convidou bambas cariocas para um divertimento e dessa festa nasceu parcerias musicais incríveis, como a participação de Dudu Nobre, o próprio Diogo Nogueira e a Velha Guarda da Portela, fazendo uníssono em algumas das belas canções. A única coisa chata na carreira de Leo é a sua semelhança com o filho ilustre de João Nogueira, porque o resto ele comanda a festa na melhor maneira possível. Leo Russo lança Leo Russo (2013 / Independente / 24,99) com pompa dos grandes sambistas do Rio e faz deste momento um único caminho para trilhar o sucesso. Tirando as aparências de lado, Leo canta e encanta nas catorze faixas que compõe o disco e nos presenteia com um pagode pé de serra feito pelos grandes bambas de outros carnavais, como Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Roberto Ribeiro. De uma coisa é fato: Leo Russo é um expoente desta geração a qual não viveu musicalmente, mas que cresceu ouvindo o melhor do pagode e do samba de sua cidade. O Rio de Janeiro produziu os melhores e maiores letristas, sambistas e puxadores de samba  de todos os tempos e Leo Russo veio para brilhar e dar continuidade a este segmento.

Voz de preto e jeito moleque, Leo Russo é um loiro que caiu no samba sendo influenciado por Zeca Pagodinho. Com um pandeiro nas mãos, o cantor reconhece que é preciso batalhar bastante para se ter um lugar ao sol. Dono de uma voz malemolente e contagiante, Leo faz de seu samba um tom maior para se firmar na música como sendo ele próprio mais um integrante das rodas cariocas. Suas letras são convidativas e sua alegria é presente nas faixas que encantam o ouvinte. Primeiro disco do cantor e compositor, Leo é um sambista romântico que consegue transformar as dores de amor por um bom partido alto.

Como vertente musical, Leo nasceria exatamente desta manifestação popular completamente ao seu estilo e registrando os acontecimentos musicais ao seu redor e sua música veio batizar esponteneamente o novo estilo de se fazer música, inovando o pagode derivado do samba carioca. A malandragem dos morros cariocas fez de Leo Russo ser um dos mais autênticos sambistas da atualidade e seu disco comprova esta autenticidade. Seu pagode, como manifestação cultural brasileira, aparece justamente no momento em que o estilo pede uma inovação no estilo.

Sua voz agrada, seu estilo agrada. Leo Russo é um cantor brasileiro, que canta samba ou pagode da melhor qualidade possível e isto reflete como sendo o melhor momento tanto para ele quanto para a nossa música popular brasileira.

Salve, salve, Leo Russo.

 
O pagode de Leo Russo / Leo Russo
Nota 8
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A grande voz de Péricles


 

Péricles, uma das melhores vozes
O pagode tem um líder à frente de seu estilo que se chama Péricles e cheguei a esta conclusão pelo simples fato de Péricles ser como ele mesmo: Péricles. Grande voz, grande cantor, grande personalidade, fui rendido à musicalidade deste grande cantor desde o início do grupo Exaltasamba, nos anos 1990. Péricles resistiu a todos os nomes que vieram depois no pagode, aceitou as transmutações, se divertiu com a troca de vocais do grupo, assistiu decadências e oscilações pagodeiras, viu a bancada sertaneja crescer, desbancou grupos de rock, destruiu tarjas que colocavam o pagode nas estribeiras de um caminho sem volta e hoje reina absoluto como um dos líderes mais bem iluminados do pagode.

Gosto de Péricles e isso não é nenhuma novidade para quem me conhece. Sua voz me agrada tanto, que gosto como ele conduz as músicas e o palco. Seu jeito tímido alcança notas dificílimas e seu olhar conduz atentamente o que ele planeja cantar para uma multidão ávida de esperanças. Para tanto, o grupo Exaltasamba, que recentemente se desfez,  ainda permanece intocável graças ao seu líder maior.

Mas o Exaltasamba não acabou. Péricles é quem ainda está no comando do grupo, mesmo não tendo o nome de peso que o consagrou. Mas estão todos ali, com seus instrumentos, cantando como vocais, mas as espreitas, praticamente longe dos olhos da multidão. Péricles assumiu o comando e agora segue carreira solo. Mas o que acontece é o oposto. Péricles é um grande nome da música popular brasileira e seu estilo de cantar é ainda mais agradável do que nomes consagrados do estilo, como Dudu Nobre, Alexandre Pires e Jorge Aragão. Por ser um grande nome da música universal hoje, a ideia de seguir carreira solo talvez surgiu após a ida de Thiaguinho, em grande estilo, para a mesma seara que muitos já tomaram.

Porém, Péricles agora vive um dilema, pois sua missão é derrotar o grande imperador do pagode, seu arqui-inimigo amigo Thiaguinho. Ambos continuam não conseguindo fazer shows solos, ou seja, sem a companhia do grupo por trás (Péricles tem os antigos músicos do grupo, enquanto Thiaguinho mantém uma trupe impecável de músicos ao seu redor) e o que mais parece agora, é que ambos estão travando uma briga por fã. Se Thiaguinho seguiu carreira solo, abandonando o barco do sucesso que o consagrou um dia, agora chegou a vez de Péricles derrubar este império.

Péricles é um cantor de excelente gabarito e, mesmo tendo o Exaltasamba ao seu redor, o cantor se sai muito bem sozinho, que, por muitas vezes, temos a sensação de que ele está sozinho ali no palco, conversando com a gente (o que não acontece com Thiaguinho). E, mesmo se um dia Péricles vir a abandonar o cenário musical, seu nome estará gravado para sempre, pois ele é a alma do verdadeiro pagode.

 

Péricles

Marcelo Teixeira