sábado, 3 de outubro de 2015

O desespero de Ângela Ro Ro


Desespero ou desesperada?
Não há como negar a existência de Ângela Ro Ro na música popular brasileira, assim como não há que negar seus escândalos e suas aventuras amorosas e suas amizades esdruxulas. Ângela é uma cantora de peso, com sucessos gravados e regravados por diversos nomes de categoria refinada e que merece destaque quando falamos de música de qualidade ou de cantoras que lutaram pela inclusão da mulher na seara dominada por homens. É bem verdade que seus escândalos amorosos com a cantora Zizi Possi tornaram sua vida pública ainda mais saborosa, fazendo com que sua música ficasse em segundo plano, impossibilitando a cantora de ser uma referência musical nos dias de hoje. Antes mesmo de escrever este artigo emergencial, saí às ruas (adoro fazer isso) para perguntar quem conhecia a cantora e dez entre oito pessoas jovens não sabiam de sua existência. Ângela está esquecida do grande público, não tem gravadora, não tem patrocinador, não tem plateia e não tem fãs, porque estes debandaram para a nova safra de cantoras ou migraram para outros nomes de pesos que preferem lançar discos cada vez mais autênticos, rebuscados e completos. Mas Ângela é daqueles tipos de cantoras que não levam desaforos para casa, não tolera a intolerância do outro, não usa o modernismo para se proclamar como a detentora do saber, não aceita modismos, não acata a rivalidade, mas quando entra na briga ela sabe que é pra ganhar. Recentemente a cantora se envolveu em mais uma polêmica, humilhando fãs, rebaixando funcionários do teatro, agredindo a quem estava lhe assistindo e, para piorar a situação, revidou aos insultos que estava sendo acometida. Ângela errou apenas em uma coisa neste episódio: denegrir a imagem do Ceará, um dos cartões postais mais belos do Nordeste e se auto afirmando ser uma cópia original carioca. Tudo bem que a cantora não precisa de público para ir aos seus shows, não precisa mais provar a ninguém que sabe fazer música de qualidade e não precisa mais estar entre as grandes cantoras para estar no auge de um sucesso, mas a mesma não consegue ficar longe de um holofote. Chega a ser vergonhoso senão pecaminoso seus versos filosóficos neste lamentável caso, em que a integridade moral de uma senhora de cabelos brancos deixa transpassar para todos aqueles que a estimam. Humilhar fãs não é caráter de nenhum artista, ainda mais quando este fã é jovem e que está dedilhando em poder conhecer sua carreira. Humilhar fãs não é caráter de um artista que trilhou um caminho de longa estrada para se chegar nesse ponto da vida e se ver desesperada com tal situação. Se em 2002 a cantora lançou um dos melhores discos do ano com o sensacional Acertei no Milênio e recentemente a cantora voltou às paradas de sucesso com Compasso, sendo muito executado nas rádios de todo o Brasil, a mesma Ângela que um dia cantou Amor, Meu Louco Amor e recusou de Cazuza a música Malandragem (cantada brilhantemente por Cássia Eller) se rende a histeria do desespero compassado com a tristeza de um abismo profundo.


O desespero de Ângela Ro Ro
Por Marcelo Teixeira

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