quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Belas e Feras, de Vânia Bastos, destoa o melhor da MPB


Ótima voz, ótimo disco
Uma das mais belas vozes da MPB, Vânia Bastos ainda não é uma cantora reconhecida pelo grande público e isso se deve a falta de informação que muitos carregam dentro de si e pela alta dosagem de música sem fundamento que assola o cenário musical, esmagando, quase que por completo, artistas de excelente gabarito. Mas quem está antenado com o melhor da música brasileira, sabe que Vânia Bastos é uma cantora completa, digna de uma refinada voz e com discos que exprimem o quanto a MPB é valorizada. E é com esta valorização que hoje resenho o disco Belas e Feras, lançado em 1999. O álbum, somente com músicas de compositoras de altíssimo nível, demonstra o quanto o país hoje é tomado pelo sexo feminino num todo. Ganhando o título de Belas e Feras, Vânia dá o recado numa forma generosa de homenagear suas colegas, sem deixar cair a peteca e fazendo de sua voz um grande e maravilhoso álbum.

O oitavo disco de Vânia vêm com pitadas saborosas de Marina Lima, Ângela Ro Ro, Joyce, Lucina, Dona Ivone Lara, Adriana Calcanhotto e até Daniela Mercury como letrista formidável que acabou se consolidando. O álbum, acima de tudo, é romântico, aonde o amor é incondicional e as mulheres são fortes e o cantar de Vânia deixa o disco tão belo, tão harmonioso e simples, que chega a ser lindo de ouvir. Sublinhamente aconchegante, Belas e Feras adentra meu universo e carrego na emoção ao ouvir tamanho clamor de uma excelente cantora e que todos deveriam conhecer e carregar no coração a beleza pura de uma voz única.

Do começo ao fim, o disco se mostra capaz de nos agarrar pelo sentimento aflorado de canções marcantes com tonificação exclusiva de Vânia. Impossível ficarmos sem repetir uma faixa sequer, pois quando o disco se encerra, queremos ouvir mais e mais. E é assim que Vânia Bastos entrou em minha vida: com um disco a altura de uma grande cantora, com músicas significativas e com uma voz de arrepiar.

 

Belas e Feras / Vânia Bastos

Nota 10

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Gonzaguinha - o herói de um tempo sem tempo


Gonzaguinha: ídolo
Morto em 1991, Gonzaguinha ainda consegue se impor como um dos mais brilhantes e coerentes artistas de seu tempo. Com uma voz que denunciava a tudo e a todos, o cantor era o centro das atenções quando lançava um disco e conseguia exprimir todos os seus sentimentos e politicagem num mesmo álbum. Suas músicas foram marcadas pelo temperamento forte de um homem capaz de vomitar no prato da família brasileira tudo aquilo que estava entalado em sua garganta, na mais profunda rebeldia, tristeza, angustia e ânsia por um resultado satisfatório. Sim, Gonzaguinha faz uma tremenda falta. E quando ouço suas músicas, um sentimento insano me invade a alma e adentra em meus poros e eu preciso gritar o mais alto possível, pois sei que Gonzaguinha é, pra mim, um dos cantores e compositores que conseguiu extrair de mim a minha revolta contra tudo e todos. Desde a política imposta neste país até a mais singela borboleta que pousa num tronco de árvore ou a água que jorra da torneira pelo ralo sem destino certo, Gonzaguinha me transmitiu todo o verdadeiro caminho musical a qual eu um dia iria transitar. Dono de uma inteligência sagaz e única, Gonzaga tem em sua musicalidade os mais belos e revoltosos versos, que foram compostos com um amor e um ódio voraz, com uma alegria e uma ansiedade transparente e com determinação e ousadia que poucos ousavam à época.

Nos dias de hoje, suas músicas me vêm à mente com muito mais frequência e isso me faz ter em meus catálogos todos os seus discos. Sinto-me um homem realizado, feliz, contemporâneo quando ouço suas músicas e me sinto ainda mais homem quando sei que o mesmo foi genuinamente brasileiro, guerreiro, poderoso, artista, único, vivo, esperto, político, humano, triste, um homem que redescobria as palavras, os trejeitos musicais, o universo feminino, a depressão, o trabalhador, o negro, o crime passional, o suicídio.

Suas músicas me transpassam a verdade nua e crua de um homem sensivelmente desesperado com o futuro que ele não viria a conhecer e transitar. Gonzaguinha foi o herói de um tempo sem tempo, com sua voz forte, pesada, dura, mas que muitas vezes soava sereno, quase um sussurro. Sinto sua falta quando o ouço cantar e muitas vezes penso o que teria produzido após os anos subsequentes a sua morte. Teria sobrevivido ao rock progressivo e impostado pelos anti-heróis daquele verão? Teria sucumbido ao estilo da lambada cantarolada por homens descalços e mulheres seminuas? Teria aguentado a ira pueril da onda pagodeira?

Sua voz e sua música continuam mais vivas e fortes do que nunca. A cada dia o cantor tem mais fãs, curiosos com o aparecimento e morte repentina de um grande artista, que, acima de tudo, fora um grande homem. A música cantada por Gonzaguinha nos anos complicados do país servem hoje de inspiração para o que vemos na TV, nos jornais e revistas eletrônicas sobre as mortes anunciadas, sobre os suicídios, sobre a política, sobre os homens.
Se a Cássia Eller elegeu Chico Buarque como seu verdadeiro pai, elevo à minha própria consciência a importância e soberania de Gonzaguinha, o considerando meu pai musicalmente.

Ah, que falta faz um Gonzaguinha na música de hoje...

 

Gonzaguinha – o herói de um tempo sem tempo

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Aonde está a Real Fantasia de Ivete Sangalo?


O álbum: horrível
O sétimo álbum da cantora Ivete Sangalo vem com algumas novidades que somente os fãs mais ardorosos poderão adicionar ao poderio de sua longa estrada. O disco tem uma capa sensacional, uma cor vermelha de um vestido esfuziante (por vezes penso que estou vendo a capa do disco Sim, de Vanessa da Mata, de um outro ângulo) e uma longa trança que vai até perto de seus pés, deixando a vista o tamanho da grandeza da cantora baiana. Mas para por ai. O disco só tem a capa bonita. Mais nada. Nada mesmo. O disco é um dos piores produzidos pela cantora, que já teve músicas mais dançantes e mais românticas e já teve também uma roupagem mais moderna. O que me impressiona neste novo disco é a capacidade de fazer música esdruxula para um final de ano repleto de novidades que ainda virão por ai. O disco Real Fantasia, lançado em outubro de 2012, trás o pior de Ivete Sangalo, com musiquinhas reles e sem sentido, com uma mistura de sons e ritmos, que por vezes penso que estou numa escola de samba, num funk, em Cuba. Ivete aproveitou todos os estilos que poderiam ser dançantes e canta músicas horríveis.

Que Ivete é uma das maiores cantoras deste país, ninguém pode duvidar disso. Ainda mais quando cede entrevistas, a cantora fica ainda mais bem representada, pois ela demonstra toda a sua sensibilidade para com o próximo, o carinho aos seus fãs, a sua banda, ao entrevistador. Mas o que acontece com Real Fantasia mais parece uma fantasia: o disco me parece que foi prontamente pensando para ganhar dinheiro no final de ano e com isso, quem perde a credibilidade é a própria Ivete, que se manteve atenta a fazer um dos piores discos de sua carreira.

A cilada a qual Ivete caiu ao lançar Real Fantasia é tamanha, que meses depois de lançar o disco, o mesmo ainda não obteve resultados satisfatórios perante a gravadora. As músicas são fracas e acabo ficando envergonhado em ver Ivete dançando ao som de pérolas como Dançando, Balançando Diferente, Delira na Guajira. A única música detentora de bons elogios é a que fecha o disco, Eu Nunca Amei Alguém Como Eu Te Amei, cujo os versos são de uma poesia profunda e acalentadora.

Mas Real Fantasia, no mais, é um dos piores lixos produzidos pela musa baiana, Ivete Sangalo.

 

Faixas

01. "Veja o Sol e a Lua"

02. "No Brilho Desse Olhar"

03. "Balançando Diferente"

04. "Dançando"

05. "Só Nós Dois"

06. "Só Num Sonho"

07. "Delira Na Guajira"

08. "Real Fantasia"

09. "Puxa Puxa"

10. "No Meio do Povão" - com citação de "Depois Que o IIê Passar"

11. "Essa Distância"

12. "Isso Não Se Faz"

13. "Me Leve Embora"

14. "Eu Nunca Amei Alguém Como Te Amei"

 

Real Fantasia / Ivete Sangalo

Nota 3

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Salve, Jorge


O protetor dos escritores
São Jorge é um dos santos mais populares que o Brasil conhece e é por isso que é o mais cantado por todos os seus fieis seguidores, como cantada apenas como musicalidade instituída na canção. E a popularidade do soberanamente perfeito São Jorge vai aumentar, tendo em vista que a novela de Glória Perez vai abordar durante os próximos nove meses sobre o santo guerreiro. É o santo padroeiro em diversas partes do mundo: Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia, da cidade de Moscou e, extraoficialmente, da cidade do Rio de Janeiro (título oficialmente atribuído a São Sebastião), além de ser padroeiro dos escoteiros, e da Cavalaria do Exército Brasileiro. Há uma tradição que aponta o ano 303 como ano da sua morte. Apesar de sua história se basear em documentos lendários e apócrifos (decreto gelasiano do século VI), a devoção a São Jorge se espalhou por todo o mundo.

Mas São Jorge é cultura e muito venerado por muitos. Caetano Veloso talvez seja o cantor mais conhecido por ter feito a canção Lua de São Jorge, assim como Jorge de Capadócia é uma música de Jorge Ben, interpretada também por Caetano Veloso, Fernanda Abreu e pelos Racionais MC's. O dia 23 de abril, para algumas das religiões afro-brasileiras, é o dia em que se fazem homenagens ao santo.

Existe um romance sobre São Jorge criado pelo escritor italiano Tito Casini chamado Perseguidores e Mártires (no Brasil, editado pelas Edições Paulinas, por volta de 1960). No livro, São Jorge é retratado como o verdadeiro paladino da Capadócia que, apesar de ser perseguido pelo tirano imperador Diocleciano, manteve-se fiel ao Império Romano, mas também a Cristo e se recusou a contrair alianças com o genro do imperador, Galério, que pretendia ter o apoio do conde da Capadócia para deliberar um golpe contra Diocleciano, o que terminantemente, o santo militar recusou. São Jorge é o Santo Padroeiro da Cavalaria do Exército Brasileiro.

Zeca Pagodinho gravou recentemente em seu álbum Uma Prova de Amor a música Ogum com uma letra com um forte apelo ao sincretismo, a oração de São Jorge é feita no trecho final da música pelo cantor e compositor Jorge Ben. Moacyr Luz e Aldir Blanc fizeram em homenagem ao santo a música Medalha de São Jorge, que foi gravada pela Cantora Maria Bethânia em 1992.

De Zeca Baleiro a Vinicius de Moraes, passando por Wilson Simonal, Seu Jorge e Leila Pinheiro, São Jorge é um dos santos mais cantados e aclamados por uma legião fiel de seguidores ávidos por suas lutas e conquistas. E é por este motivo que o Mais Cultura! de hoje revência este santo guerreiro.

Salve, Jorge!

Salve, Jorge!

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Roberto Carlos ainda é o cara?


O compacto com 4 músicas
Para suprir à audiência fenomenal da antecessora novela Avenida Brasil, a nova novela global, assinada pela competente Glória Perez, teve que rebolar para tentar suprir as necessidades que o novo público noveleiro não estava acostumado a ver na telinha e, para isso, escalou um elenco sensacional, novos rostos, texto mais ágil (geralmente as novelas da escritora são morosas) e escolheu a linda e bela Turquia para servir de cenário para um elenco sedente de interpretação. A novela já caiu nas graças do público, que anda se debulhando em lágrimas (artificiais ou não!) sobre o vai e vem no namoro entre Morena e Theo e, consequentemente, caiu nas minhas graças também, tendo em vista que sou um apaixonado pela Turquia. Aliás, sou fã confesso do escritor turco Orhan Pamuk e ver as cenas da novela Salve, Jorge passadas em Istambul, Bósforo, Mar Mediterrâneo, é como se eu estivesse vendo ali atrás a maldita judia Esther ou o cachorro canastrão do romance Meu Nome é Vermelho, ou o pai biológico do escritor e suas maletas e jornais e cadeiras vazias em A Maleta de Meu Pai, ou o moleque Necipe, a bela Ypek ou o poeta Ka perambulando pelas ruas no surpreendente Neve, que estou maravilhado com a trama só por este fato. Mas algo me tira do sério nesta novela. 

 

O cara que pensa em você toda hora

Que conta os segundos se você demora

 Que está todo o tempo querendo te ver

 Porque já não sabe ficar sem você

 

E no meio da noite te chama

 Pra dizer que te ama

 Esse cara sou eu

 

O cara que pega você pelo braço

 Esbarra em quem for que interrompa seus passos

 Está do seu lado pro que der e vier

 O herói esperado por toda mulher

 

Por você ele encara o perigo

 Seu melhor amigo

 Esse cara sou eu

 

Trecho de Esse Cara Sou Eu, de Roberto Carlos

 

 

Precisava de uma música que grudasse feito chiclete em nossa memória, para que quando tocasse nas rádios ou em qualquer lugar, lembrarmos da novela para que a mesma tenha audiência. Esse Cara Sou Eu é o nome da nova canção de Roberto Carlos. Que a carreira do Rei está abalada, disso todo mundo já sabe. Que Roberto Carlos não consegue mais emplacar um disco inteiro com sucessos dignos de um verdadeiro rei, disso todo mundo já sabe há tempos. Foi-se o tempo em Roberto Carlos vendia discos devido às belas canções românticas que ali continham. Esse Cara Sou Eu é uma canção chata. Estúpida. Irritante. Cafona.

Para tanto, Roberto Carlos logo correu para se aproveitar do grande sucesso que viria pela frente e lançou um compacto com apenas quatro musiquinhas fulas, reles e sem graça. Um Roberto dançante, um Roberto amoroso, um Roberto piegas e sem noção de seu tempo e espaço. Obviamente que o disco será um sucesso, pois o cantor não estava preparado para trabalhar em um disco em pleno final de ano. Pudera, com o Natal chegando, muitos esquecerão das músicas de Simone, para lembrarem da chatice do ano com a música Esse Cara Sou Eu.

Digno de um verdadeiro mau gosto musical, a música contradiz o maravilhoso Mesmo Que Seja Eu, cantada magistralmente por Ney Matogrosso ao vivo em 1998 para um disco contendo os seus maiores sucessos, composta pelo amigo/irmão-afastado Erasmo Carlos. Os versos da música se repete inúmeras vezes, dando uma canseira significativa para nossos neurônios que pescam aqui ou ali alguma insensível reação adversa do que a canção quer transpassar. Já entendemos que o cara que faz tudo pela moça é um completo romântico à moda antiga, desses raros encontrados hoje em dia, mas não é preciso estragar a canção com a interpretação horrenda e copiosa de Roberto, assim como não era preciso apelar por audiência com uma música que passa ostensivamente a cada troca de cena.

 

O cara que sempre te espera sorrindo

 Que abre a porta do carro quando você vem vindo

 Te beija na boca, te abraça feliz

 Apaixonado te olha e te diz

 Que sentiu sua falta e reclama

 Ele te ama

 

Esse cara sou eu

 Esse cara sou eu

 Esse cara sou eu

 Esse cara sou eu

 

Trecho final de Esse Cara Sou Eu, de Roberto Carlos

 

 

Daqui a pouco, os grupos de forrós universitários, sertanejos, pagodeiros, axezeiros, Calypseiros e até a neo-sertaneja Paula Fernandes, gravarão este imbatível sucesso, segundo alguns fãs ardorosos do Rei estão falando. Não demorará a tardar para que Roberto Carlos passe de rei a abóbora, porque, definitivamente, ele não é mais o cara há muito tempo.

 

Roberto Carlos ainda é o cara?

Marcelo Teixeira

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Na Ponta da Língua, de Leila Pinheiro (1998): ótimo paladar


Ótimo disco de Leila Pinheiro
Em 1998, Leila Pinheiro nos presenteou com um disco a sua altura, com canções que marcaram um tempo e com novidades extraordinárias que perpetuam até hoje em meus ouvidos. O disco em questão é Na Ponta da Língua e trás uma capa tão singela e ulterior e sagaz e impiedosa e original e maliciosa, que este álbum talvez seja o melhor de toda a sua carreira. Com aberturas e fechaduras de vinhetas que somente Walter Franco consegue compor, o disco é todo marcado por facetas múltiplas de uma Leila Pinheiro que conseguiu se desvencilhar de ser rotulada, até então, de bossanovista e enveredar pelo campo da música popular. Regravando grandes sucessos de Roberto e Erasmo Carlos (Sentado à Beira do Caminho) e Legião Urbana (Vento no Litoral), o disco é pautado pela sensibilidade de uma grande artista, que é reverenciada por grandes nomes da MPB, como Ivan Lins e Chico Buarque e que foi a queridinha de Tom Jobim em seus últimos anos de vida.

Abril, composição mais que charmosa de Adriana Calcanhotto, é a melhor música do álbum e transmite uma emoção plena de escolhas sem arrependimentos e recomeços de um novo ciclo. Assim como o samba encorpado de Sérgio Santos e Alvin L., Pra Dizer a Verdade, que tem uma letra deliciosamente linda, Na Ponta da Língua tem de tudo um pouco: além de sambas, tem a esmagadora Mais Uma Boca, composta com requinte pela fabulosa Fátima Guedes, que consegue exprimir, através da interpretação forte de Leila, uma letra inquietante e bela ao mesmo tempo. Destaque ímpar para a excelente música Por Favor, de Ivan Lins e Aldir Blanc, em que a língua bebe a estranheza (frase que mais gosto de todo o disco) e que ao mesmo tempo nos leva ao gosto de maçã, flor da nova Eva, com seus antecipamentos e suas incertezas.

 

Sinto o abraço do tempo apertar

E redesenhar minhas escolhas

Logo eu, que queria mudar tudo

Me vejo cumprindo ciclos

Gostar mais de hoje e gostar disso

 

Trecho da música Abril, de Adriana Calcanhotto

 

 

Seguindo sua influência regional de seu estado natal, Pará, Leila canta brilhantemente o forró quase universitário Influência de Jackson, composta pelos mestres Guinga e Aldir Blanc e Leila canta numa desenvoltura que somente ela consegue fazer e emocionar. Vale lembrar que a música é difícil de interpretar, mas Leila dá um banho de sensualidade e musicalidade. Indo para o lado sentimental do disco, Sorriso de Luz trás a leveza e a pureza do amor, com seus primeiros olhares e suas primeiras imaginações, fazendo da canção de Gilson Peranzzetta e Nelson Wellington um dos achados para a transmutação de Leila.

Setembro, de Alvin L., é uma canção amargurada e doce sobre os desencontros e armadilhas do amor que um dia fora belo e romântico. Leila é capaz de se desfazer de desmantelos ruborizados pela crítica e recria com magnitude a impactante Amor, Perigoso Amor, de Frejat e Dulce Quental, já imortalizada na grande voz firme e forte de Ângela Ro Ro. É nesta canção que Leila se despe e se mostra valente e única para poder recriar ao seu gosto as canções que fizeram parte musicalmente de outra voz.

Na Ponta da Língua demonstra o quanto a musicalidade de Leila Pinheiro é importante para cenário musical brasileiro e ter a certeza de que sua voz é única e saber não ser rotulada, é a forma mais pura e inocente de dizer que ela é uma cantora genuinamente brasileira. Na Ponta da Língua é simplesmente ótimo. Recomendo.

 

Na Ponta da Língua / Leila Pinheiro

Nota 10

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A cultura é a nossa riqueza maior


 


Você faz a sua Cultura!
Para algumas pessoas opinar é um ato tão natural e inevitável quanto respirar. Opinar, pra mim, é uma maneira de desenvolver a nossa responsabilidade perante o assunto abordado, estarmos em sintonia com o que está sendo discutido e, mesmo que a opinião seja irrelevante para alguns, a pitada está lá, dada, colhida, absorvida. Gosto de criar polêmicas quando é para criar polêmicas, gosto de jogar um assunto qualquer e ver as pessoas se alfinetando, degladiando e criando polêmicas sobre assuntos que criei. Meus textos são pequenos troféus que jogo contra o ventilador e o mesmo se espalhar por todo o Brasil e alguns países afora. Meu objetivo como cronista da música popular brasileira é única: levar conhecimento a todos e, o mais importante, fazer voltar à ativa o antigo crítico de arte. Na minha infância, os jornais tinham críticos de todas as searas: de livros, de música, de TV, de futebol e com o tempo isso foi se perdendo. Cresci com a vontade de levar a minha escrita visceral as pessoas e para que elas tivessem a certeza de que o texto era meu, com meu jeito de escrever e de dizer que estou ali, presente, vivo.

Escrever não é uma das tarefas mais fáceis, como já disse aqui em um artigo. E crescer ouvindo que sou culto, que a minha vida é rodeada de cultura, é a mais pura balela que já ouvi em toda a minha vida. Cultura não significa que eu seja culto e culto não significa que a minha vida seja rodeada de livros, música, personalidades e tals. Transpiro cultura, respiro música, cheiro livros, absorvo palavras, mas ter cultura é diferente de ser a cultura. Em resumo geral, não sou culto. Apenas cultivo a cultura. Busco conhecer a musicalidade genuinamente brasileira dos nossos artistas brasileiros.

Mas o que é a cultura? Todos nós temos cultura, seja de maneira direta ou indireta, mas para mim, cultura é aquilo que cultivamos e aprendemos. Muitos conhecem os tons de cinzas americanizados, mas muitos desconhecem a cultura baiana de Jorge Amado. Muitos conhecem a cultura sartreana, mas poucos conhecem a cultura de Mello Neto, muitos conhecem a cultura de Virginia Woolf, mas poucos conhecem a cultura de Fagundes Telles ou Ferreira Gullar e isso sim, me envergonha culturalmente. Cultura é o que vi e vivi quando fui a João Pessoa e me instalei no belo apartamento de meu amigo Tom Costa e conheci a cultura privilegiada de Bruno Gil Santos. Cultura é o xaxado de Luiz Gonzaga, a baianidade de Jorge Amado, a mineirice de Clara Nunes e Adélia Prado, a musicalidade de Chico Buarque, Caetano, Gil, o rock, o sertanejo, o axé. Tudo se torna cultura quando executado com cautela, carinho, determinação e orgulho e não o que vemos por ai, jogado às traças.

Quando me falam que sou culto, respondo a altura: a minha cultura quem faz sou eu. Quem busca sou eu. Eu busco informação, busco conhecimento sobre o que é novo e nunca me esqueço o que é antigo. Sou fã incondicional de Carmen Miranda. Sou fã incondicional de Patrícia Mello, sou fã ardoroso de Chico Buarque. Adoro Clarice Lispector. Idolatro Ferreira Gullar. Sou fã de Elis Regina. Portanto, ter cultura não significa ser culto e quando me dizem que não me imaginam curtindo alguns pagodinhos e sertanejos, logo corro para dizer que aquilo é cultura brasileira. Não podemos, em hipótese alguma, menosprezar o que o Brasil tem de melhor e eu aprendi isso indo ao Nordeste.

Os artigos são meus troféus. A cultura é a minha riqueza.

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

De Olhos Neles: a ótima receita de Sandra Duailibe


A Receita, de Sandra: perfeito
Sempre me perguntei qual a receita para se fazer um bom disco e nunca encontrava respostas, embora eu tenha em meu cadastro discos maravilhosos, mas que uma ou outra canção conseguia derrubar o disco por inteiro. Não preciso mais correr atrás de uma resposta para encontrar a minha pergunta, pois quando recebi o disco Receita, de Sandra Duailibe, com participação de Leandro Braga ao piano, tive a nítida certeza de que eu estava recebendo um grande disco. E a minha confirmação foi concreta, exata, certeira. Sandra é uma dessas cantoras raras que temos que prestar bastante atenção, pois ela canta com amor, com garra, com determinação e este disco só veio a confirmar que ela é uma grande cantora. A receita de Sandra parece ser simples, mas não é: pinçou alguns grandes sucessos de longa estrada, juntou aos novos nomes da MPB, repintou as melodias, recriou as letras com uma sabedoria refinada e nos presenteou com um disco a altura da música popular brasileira.

Sandra Duailibe é um presente divino, raro e genuíno. Precisamos urgentemente conhecer e desbravar esta grande cantora que nasceu em São Luís do Maranhão, crescida no Pará e que hoje se divide entre Brasília e o mundo. Dona de uma voz de veludo, Receita é um dos mais belos discos de sua carreira e pode ser considerado também um dos mais importantes dentro da MPB, pois a leveza e a responsabilidade com a qual carrega a musicalidade dentro de si, a faz ser também uma cantora com potencial.

Cantando diversos sucessos consagrados, como Feitio de Oração (Noel Rosa), Cão Sem Dono (Sueli Costa e Paulo Cesar Pinheiro), A Medida da Paixão (Lenine e Dudu Falcão), Gota de Sangue (Ângela Ro Ro), Certas Canções (Tunai e Milton Nascimento), Tatuagem (Chico Buarque e Ruy Guerra), Clara Paixão (Nonato Buzar, Rosinha de Valença e Sarah Benchimol), Dama da Noite (João Nogueira e Mauricio Tapajós), Te Amo Sem Fim (Francis Hime e Simone Guimarães) e O Cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta), Receita, que ganhou faixa título composta por Socorro Lira é um disco delicioso, caprichado e harmonioso.

O De Olhos Neles de hoje, trás a cantora Sandra Duailibe, que tem em sua discografia os belos discos Do Princípio ao Sem Fim, A Bossa no Tempo (com Cely Curado), e o mais recente Elas Cantam Menescal, uma justa e bela homenagem a Roberto Menescal, com as cantoras Márcia Tauil, Nathália Lima e Cely Curado. Um disco que precisa ser escutado, lapidado, comentado pelos quatros cantos do país por dois agravantes: o disco é ótimo e a cantora é sensacional.

 

De Olhos Neles / Sandra Dualibe

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

De Olho Neles: a beleza de Simone Guimarães


A bela cantora Simone Guimarães
A música regional brasileira tem um grande nome de peso, além de Renato Braz e quem assume este lugar é uma das cantoras mais promissoras a meu ver, que tem uma excelente carreira, uma bela voz e, de quebra, é uma das compositoras mais contemporâneas da atualidade. Seu nome é Simone Guimarães. Detentora de dois grandes discos na música popular brasileira, Simone é uma das cantoras mais autenticas da indústria fonográfica, tendo participações importantes em discos sensacionais e com uma carreira maravilhosa. Violonista, a cantora mantem um estilo único no cantar e consegue transmitir em poucos versos sobre o que há de mais belo em suas canções.

Simone já participou do disco Pietá (2002), de Milton Nascimento, que contou também com a participação da bela cantora Marina Machado, e com a filha ilustre de Elis Regina, Maria Rita. Seu disco a que tive acesso primeiramente foi o sensacional Virada Pra Lua (2001), que é de uma brasilidade tamanha, que fica impossível não dizer que Simone Guimarães é uma cantora genuinamente brasileira. Com participações especiais de Milton Nascimento e Guinga, o disco traz treze belas canções muito bem distribuídas entre as ricas composições de Simone assinando sozinha ou na companhia de letristas como Sérgio Natureza, Cristina Saraiva e Kiko Continentino. Logo depois veio Casa de Oceano (2003) e aqui temos a maior das riquezas que uma cantora até então desconhecida do grande público pôde nos oferecer: com participação de Maria Bethânia, Jaime Alem, Francis Hime, Guinga, Nair Cândia, o disco sai pela Biscoito Fino em grande estilo.

No disco de Leila Pinheiro, Nos Horizontes do Mundo (2005), a música Vem, Amada brilha com tamanha doçura, que consegue nos satisfazer, através de pequenos trechos, sobre o amor. Já no disco Receita – Sandra Duailibe Voz e Piano (com Leandro Braga), Simone tem a tiracolo o grande compositor Francis Hime e a letra caprichosa da compositora em Te Amo Sem Fim, denota a capacidade excepcional que ela tem.

Com um refinamento ímpar, Simone Guimarães entrou em minha vida musical de uma maneira tamanha que não consigo parar de ouvi-la. Sua voz é única, sentimental. E é por isso que o De Olhos Neles de hoje trás a doçura, a beleza e toda a sensibilidade de uma das maiores cantoras regionais e brasileiras que este Brasil ainda precisa conhecer. E prestigiar!

 

De Olho Neles / Simone Guimarães

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A grande voz de Péricles


 

Péricles, uma das melhores vozes
O pagode tem um líder à frente de seu estilo que se chama Péricles e cheguei a esta conclusão pelo simples fato de Péricles ser como ele mesmo: Péricles. Grande voz, grande cantor, grande personalidade, fui rendido à musicalidade deste grande cantor desde o início do grupo Exaltasamba, nos anos 1990. Péricles resistiu a todos os nomes que vieram depois no pagode, aceitou as transmutações, se divertiu com a troca de vocais do grupo, assistiu decadências e oscilações pagodeiras, viu a bancada sertaneja crescer, desbancou grupos de rock, destruiu tarjas que colocavam o pagode nas estribeiras de um caminho sem volta e hoje reina absoluto como um dos líderes mais bem iluminados do pagode.

Gosto de Péricles e isso não é nenhuma novidade para quem me conhece. Sua voz me agrada tanto, que gosto como ele conduz as músicas e o palco. Seu jeito tímido alcança notas dificílimas e seu olhar conduz atentamente o que ele planeja cantar para uma multidão ávida de esperanças. Para tanto, o grupo Exaltasamba, que recentemente se desfez,  ainda permanece intocável graças ao seu líder maior.

Mas o Exaltasamba não acabou. Péricles é quem ainda está no comando do grupo, mesmo não tendo o nome de peso que o consagrou. Mas estão todos ali, com seus instrumentos, cantando como vocais, mas as espreitas, praticamente longe dos olhos da multidão. Péricles assumiu o comando e agora segue carreira solo. Mas o que acontece é o oposto. Péricles é um grande nome da música popular brasileira e seu estilo de cantar é ainda mais agradável do que nomes consagrados do estilo, como Dudu Nobre, Alexandre Pires e Jorge Aragão. Por ser um grande nome da música universal hoje, a ideia de seguir carreira solo talvez surgiu após a ida de Thiaguinho, em grande estilo, para a mesma seara que muitos já tomaram.

Porém, Péricles agora vive um dilema, pois sua missão é derrotar o grande imperador do pagode, seu arqui-inimigo amigo Thiaguinho. Ambos continuam não conseguindo fazer shows solos, ou seja, sem a companhia do grupo por trás (Péricles tem os antigos músicos do grupo, enquanto Thiaguinho mantém uma trupe impecável de músicos ao seu redor) e o que mais parece agora, é que ambos estão travando uma briga por fã. Se Thiaguinho seguiu carreira solo, abandonando o barco do sucesso que o consagrou um dia, agora chegou a vez de Péricles derrubar este império.

Péricles é um cantor de excelente gabarito e, mesmo tendo o Exaltasamba ao seu redor, o cantor se sai muito bem sozinho, que, por muitas vezes, temos a sensação de que ele está sozinho ali no palco, conversando com a gente (o que não acontece com Thiaguinho). E, mesmo se um dia Péricles vir a abandonar o cenário musical, seu nome estará gravado para sempre, pois ele é a alma do verdadeiro pagode.

 

Péricles

Marcelo Teixeira

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A nova atrocidade de Rita Lee


A setentona Rita
Após passar dos setenta anos e dizer aos quatro ventos que irá se aposentar da carreira artística, a cantora roqueira Rita Lee aprontou mais uma e desta vez, digna de do verdadeiro rock and roll: mostrou as nádegas durante um show em Brasília, para delírio geral de uma plateia ensandecida. Pensando, talvez, que agora ela pode tudo, Rita Lee quebrou tabus e ganha um novo motivo para estar nas redes sociais e em metade dos jornais com sua atitude baixa, ousada e caricata. Que Rita é abusada, disso todo mundo já sabe. Mas chegar ao ponto de abaixar as calças e mostrar sua bunda branca perante todos ali presente, é chegar ao cumulo do absurdo total de uma banalidade sem fundamentos. Rita, que já causou inúmeras polêmicas ao longo de sua carreira, seja na música, seja nas frases de efeito impactante, já se divertiu ao lado de Chico César quando lançaram uma música em defesa dos animais de rodeio e, de quebra, entraram numa briga contra os sertanejos que faziam este tipo de arruaça. Rita Lee também já polarizou uma briga sem igual contra os policiais militares quando estes faziam rondas ostensivas em seu show à procura de drogas. Já mostrou a língua em diversas ocasiões e se divertiu ao provocar com suas letras maliciosas e, por várias vezes, sensuais.

O Mais Cultura! gosta das atitudes atrozes de Rita Lee. Isso demonstra o quanto nossos artistas são livres, independentes e donas de seus próprios narizes. Com tanta indisciplina assim, Rita Lee me fez lembrar o dia em que Gal Costa e Cássia Eller, em seus shows solos, mostraram os seios murchos em um show público, demonstrando todo o livre arbítrio ao cantar e manifestar suas emoções. O público, obviamente, adora, mas este tipo de reação musical no calor da emoção, só destoa o quão pueril e insensato são os cantores que agem contra a nossa presença ali diante deles. Mostrar os seios ainda é um ato normal, mas chegar ao ponto de mostrar as genitálias ou uma bunda murcha é o fim da picada. Literalmente.

 

A nova atrocidade de Rita Lee

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

E Preta Gil insiste...


A instistência de Preta na música
A cantora Preta Gil já teve o seu momento de glória no cenário musical brasileiro e hoje suas canções não vingam mais como antigamente. A filha mais ilustre de Gilberto Gil até que tentou emplacar mais sucessos como as do primeiro disco, mas isso não está sendo mais possível. A bem da verdade, a voz de Preta não agrada muito e o repertorio que era pop se tornou pop-nojo, uma miscelânea de sons e ritmos que mais se aproxima das americanas do que das brasileiras. E Preta Gil insiste em cantar, emplacar ao menos uma canção, mas isso só será possível quando ela tirar as máscaras, retirar a burca e se ver despida dessa musicalidade que a acompanha nos dias de hoje. Infelizmente, a voz fanha e esganiçada da cantora não consegue angariar mais ouvidos prazerosos por um bom som.

Preta Gil só conseguiu ser uma cantora graças ao pai, o sensacional Gilberto Gil. Se não fosse esse pequeno grande detalhe, a cantora estaria a mingua procurando gravadoras e levando muitos nãos na cara. Tendo o primeiro efeito consagrado, Preta conseguiu um grande êxito ao lançar seu primeiro disco, ser tema de novela, ser alçada ao sucesso rápido e fantasmagórico e hoje ser um produto improdutivo da grande mídia. Suas músicas realçam aquilo que não nos importa mais.

Insistência. Gosto da cantora Preta Gil, até ouvi seu primeiro disco, suas primeiras canções. Gostei do resultado, embora as regravações fossem as melhores. Gostei do conjunto da obra de seu primeiro álbum: leve e descontraído, simples e corajoso, preta e gil. A cantora rapidamente passou de cantora a fantoche de programas de quinta categoria e seu domínio fácil perante as câmeras a levou a funcionar como atriz, cujo por vezes se saía melhor que cantando. Logo seus outros discos passaram a ser esquecidos ao serem lançados e ali começava um pequeno ostracismo, que só não se tornou maior porque o sobrenome pesa. Mesmo assim, Preta Gil insistiu e mesmo lançando discos que muitos não tem conhecimento, ela já carrega alguns trabalhos nas costas.

Seja como for, Preta Gil, a cantora que insiste, continua trilhando ora pela música, ora pelas artes cênicas, ora pelos programas de auditório, ora pelos palcos da vida, ora pelas frases de impacto, ora pela insistência de aparecer de qualquer via de fato.

 

E Preta Gil insiste

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Um ano de Mais Cultura!


 







Um ano de cultura!
Este é o mês de aniversário do Mais Cultura!. Em um ano de divulgação de cantores, cantoras, artistas, poetas, memória e alfinetadas, pude constatar o quanto um blog ainda é visto e lido por muitas pessoas dentro e fora do Brasil (Holanda, Estados Unidos e Portugal são os países mais visitados). Recomendar um disco novo, divulgar uma cantora nova, resenhar um artigo malcriado a alguns cantores, esse foi o lema do blog, que conseguiu, aos poucos, ganhar a confiança de algumas pessoas e pude, enfim, ter um objetivo em minha vida alcançado. Agora eu sou um crítico de música, como eu sempre quisera ser. Não sou jornalista, como muitos pensam, mas tenho consciência de que escrevo e escrevo para o bem ou para o mal de alguns seres cantantes. Portanto, neste primeiro ano de escrita, posso enfim dar os meus parabéns à pessoas que vieram até a mim, seja por e-mail, seja por carta, seja por rede social, para demonstrar o seu afeto, a sua gratidão, o seu desmantelo, a sua raiva e o seu orgulho perante o meu trabalho.

Conheci, através do blog, pessoas importantes que me fizeram crescer profissionalmente. Alguns amigos como Diogo Santos e Ricardo Silva (o início de tudo), Edson Guedes, Sandro Cândido, a minha querida amiga Jamile Vaz (e seus medos sobre quem escrevo), ao meu amigo/irmão Adriano Resende do Nascimento, Augusto Alves (talvez o terceiro pai do blog), David Rodrigues Merlim, Tom Costa (quantas saudades da sacada de seu apartamento de onde saíram tantas conversas e que saudades da sua João Pessoa), minha irmã Marta Teixeira, que sempre foi a primeira a ler meus artigos e a ser a primeira pessoa a me criticar, Aninha Vieira Bomi, que mantêm um dos blogs mais criativos e originais sobre uma das maiores cantoras do Brasil, Clara Nunes, Tatiana Brasil, que sempre me chama de louco pelos artigos que escrevo, devo a vocês todo o incentivo, o carinho e a confiança que depositaram em mim.

Agradeço (e não sei como começar) profundamente pelo apoio das maravilhosas cantoras Márcia Tauil (a partir de você eu pude ser levado a Minas Gerais, tendo meu nome veiculado como um dos críticos mais lidos dentro da MPB), Sandra Duailibe, que lá de Brasília, capital do Brasil, conheceu meu trabalho e, numa carta linda com o cheiro de sua terra natal, Pará, pediu humildemente que eu continuasse este meu trabalho em prol da nossa música. Agradeço a Roberto Menescal, que disse que meu trabalho é consistente, agradeço também a cantora Simone Guimarães, que me elogiou pelo artigo Quatro Vozes para Menescal, agradeço a cantora Cely Curado que curtiu meus escritos, agradeço a Graziela Ruiz, que entrou em contato comigo pelo artigo que escrevi sobre Tulipa e agradeço a própria Tulipa Ruiz, que, em um show, disse que tinha conhecimento do meu blog.

Agradeço a cantora Tiê, pela bela foto que tiramos juntos, agradeço a Marina Wisnik, que praticamente escrevemos um artigo juntos, agradeço ao meu grande amigo carioca, Jaime Santana, que foi o primeiro a me reconhecer como um crítico de artes (desde 2006, quando brigávamos e discutíamos quase todas as noites via rede social sobre Elis Regina e Clara Nunes e agora sobre Maria Rita), agradeço ao meu queridíssimo Bruno Gil Soares, que em minha visita a João Pessoa me apresentou a cantora Jaina Elne e agradeço aos meus leitores que sempre me deram altos índices de acessos.

Acredito que para melhor resenhar este artigo, nada melhor do que a música Vida, de Chico Buarque, composta em 1980 para o disco que ganha o mesmo título, para descrever o que eu mesmo representei aqui e um dos belos trechos da canção diz vida, ah minha vida, olha o que é que eu fiz / toquei na ferida, nos nervos, nos fios, nos olhos dos homens de vida sombria / mas vida, ali, eu sei que fui feliz. E digo isto com uma certeza gigantesca de que toquei na ferida alheia com os artigos sobre os piores cantores do país com minha linguagem ácida e por vezes maléfica.

Acho que o blog ganhou uma notoriedade ainda maior, quando criei As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos na MPB, aonde citei de Aline Calixto a Bebel Gilberto, chegando a Vanessa da Mata, Mariana Aydar e Roberta Sá, deixando de fora cantoras que me foram sugeridas ao longo de quase duas semanas, como Maria Rita, Maria Gadú, Paula Fernandes e Luíza Possi. Através deste quadro, alcancei o que mais queria, graças a Márcia Tauil.

Mas escrever artigos não é uma tarefa fácil como muitos pensam. Por vezes, imagino com muita antecedência sobre qual artista resenhar e se será positiva ou negativamente e este plano acontece do nada, sem princípios. Imagino um cantor e o estudo. Foi assim que cheguei a conclusões de que Paula Fernandes não transpassa emoções, Wanessa não canta nada e ultimamente virou refém da máfia americana e passei a escutar com mais afinco estilos que até então não me caíam bem gastricamente, como os pagodeiros (sim, eu gosto do estilo de Thiaguinho), do sertanejo (idolatro o estilo de Vitor e Léo e Michel Teló) e passei a adorar a música nordestina ao estilo de Karina Buhr, Lula Queiroga, entre outros.

No mês de aniversário do Mais Cultura!, quem ganha é você. Com novos quadros, novas divulgações, novos artigos e ainda mais polêmicos, terei o prazer de escrever especialmente para leitores exigentes por qualidade musical assim como eu.

Muito obrigado!

 

Marcelo Teixeira