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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Um ano de Mais Cultura!


 







Um ano de cultura!
Este é o mês de aniversário do Mais Cultura!. Em um ano de divulgação de cantores, cantoras, artistas, poetas, memória e alfinetadas, pude constatar o quanto um blog ainda é visto e lido por muitas pessoas dentro e fora do Brasil (Holanda, Estados Unidos e Portugal são os países mais visitados). Recomendar um disco novo, divulgar uma cantora nova, resenhar um artigo malcriado a alguns cantores, esse foi o lema do blog, que conseguiu, aos poucos, ganhar a confiança de algumas pessoas e pude, enfim, ter um objetivo em minha vida alcançado. Agora eu sou um crítico de música, como eu sempre quisera ser. Não sou jornalista, como muitos pensam, mas tenho consciência de que escrevo e escrevo para o bem ou para o mal de alguns seres cantantes. Portanto, neste primeiro ano de escrita, posso enfim dar os meus parabéns à pessoas que vieram até a mim, seja por e-mail, seja por carta, seja por rede social, para demonstrar o seu afeto, a sua gratidão, o seu desmantelo, a sua raiva e o seu orgulho perante o meu trabalho.

Conheci, através do blog, pessoas importantes que me fizeram crescer profissionalmente. Alguns amigos como Diogo Santos e Ricardo Silva (o início de tudo), Edson Guedes, Sandro Cândido, a minha querida amiga Jamile Vaz (e seus medos sobre quem escrevo), ao meu amigo/irmão Adriano Resende do Nascimento, Augusto Alves (talvez o terceiro pai do blog), David Rodrigues Merlim, Tom Costa (quantas saudades da sacada de seu apartamento de onde saíram tantas conversas e que saudades da sua João Pessoa), minha irmã Marta Teixeira, que sempre foi a primeira a ler meus artigos e a ser a primeira pessoa a me criticar, Aninha Vieira Bomi, que mantêm um dos blogs mais criativos e originais sobre uma das maiores cantoras do Brasil, Clara Nunes, Tatiana Brasil, que sempre me chama de louco pelos artigos que escrevo, devo a vocês todo o incentivo, o carinho e a confiança que depositaram em mim.

Agradeço (e não sei como começar) profundamente pelo apoio das maravilhosas cantoras Márcia Tauil (a partir de você eu pude ser levado a Minas Gerais, tendo meu nome veiculado como um dos críticos mais lidos dentro da MPB), Sandra Duailibe, que lá de Brasília, capital do Brasil, conheceu meu trabalho e, numa carta linda com o cheiro de sua terra natal, Pará, pediu humildemente que eu continuasse este meu trabalho em prol da nossa música. Agradeço a Roberto Menescal, que disse que meu trabalho é consistente, agradeço também a cantora Simone Guimarães, que me elogiou pelo artigo Quatro Vozes para Menescal, agradeço a cantora Cely Curado que curtiu meus escritos, agradeço a Graziela Ruiz, que entrou em contato comigo pelo artigo que escrevi sobre Tulipa e agradeço a própria Tulipa Ruiz, que, em um show, disse que tinha conhecimento do meu blog.

Agradeço a cantora Tiê, pela bela foto que tiramos juntos, agradeço a Marina Wisnik, que praticamente escrevemos um artigo juntos, agradeço ao meu grande amigo carioca, Jaime Santana, que foi o primeiro a me reconhecer como um crítico de artes (desde 2006, quando brigávamos e discutíamos quase todas as noites via rede social sobre Elis Regina e Clara Nunes e agora sobre Maria Rita), agradeço ao meu queridíssimo Bruno Gil Soares, que em minha visita a João Pessoa me apresentou a cantora Jaina Elne e agradeço aos meus leitores que sempre me deram altos índices de acessos.

Acredito que para melhor resenhar este artigo, nada melhor do que a música Vida, de Chico Buarque, composta em 1980 para o disco que ganha o mesmo título, para descrever o que eu mesmo representei aqui e um dos belos trechos da canção diz vida, ah minha vida, olha o que é que eu fiz / toquei na ferida, nos nervos, nos fios, nos olhos dos homens de vida sombria / mas vida, ali, eu sei que fui feliz. E digo isto com uma certeza gigantesca de que toquei na ferida alheia com os artigos sobre os piores cantores do país com minha linguagem ácida e por vezes maléfica.

Acho que o blog ganhou uma notoriedade ainda maior, quando criei As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos na MPB, aonde citei de Aline Calixto a Bebel Gilberto, chegando a Vanessa da Mata, Mariana Aydar e Roberta Sá, deixando de fora cantoras que me foram sugeridas ao longo de quase duas semanas, como Maria Rita, Maria Gadú, Paula Fernandes e Luíza Possi. Através deste quadro, alcancei o que mais queria, graças a Márcia Tauil.

Mas escrever artigos não é uma tarefa fácil como muitos pensam. Por vezes, imagino com muita antecedência sobre qual artista resenhar e se será positiva ou negativamente e este plano acontece do nada, sem princípios. Imagino um cantor e o estudo. Foi assim que cheguei a conclusões de que Paula Fernandes não transpassa emoções, Wanessa não canta nada e ultimamente virou refém da máfia americana e passei a escutar com mais afinco estilos que até então não me caíam bem gastricamente, como os pagodeiros (sim, eu gosto do estilo de Thiaguinho), do sertanejo (idolatro o estilo de Vitor e Léo e Michel Teló) e passei a adorar a música nordestina ao estilo de Karina Buhr, Lula Queiroga, entre outros.

No mês de aniversário do Mais Cultura!, quem ganha é você. Com novos quadros, novas divulgações, novos artigos e ainda mais polêmicos, terei o prazer de escrever especialmente para leitores exigentes por qualidade musical assim como eu.

Muito obrigado!

 

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 5 de julho de 2012

12º lugar: Tulipa Ruiz - As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos




A efêmera Tulipa Ruiz
Sem trocadilhos com flores (como fiz no meu primeiro artigo sobre Tulipa Ruiz), vou direto ao assunto: dentro ou fora de qualquer estação, Tulipa Ruiz encanta. Não só pela voz doce e aguda, meio Gal Costa, navegada por baladinhas dançantes, mas pelo carisma, inquietude, gestos esquizofrênicos, jeito muito louco, e descabelado nos palcos - e fora dele. A intimidade com o público vai além das letras caprichosas, cheias de personalidade e pessoalidade. Filha de Luiz Chagas, guitarrista da histórica banda Isca de Polícia e da escritora Graziella Ruiz e irmã do violonista e guitarrista Gustavo Ruiz, Tulipa cresceu na cidade mineira de São Lourenço e atualmente vive em São Paulo. Com influências de Robert Crumb, Manoel de Barros, Joni Mitchell e Yoko Ono, a cantora apresenta um repertório autoral que lhe resultou no seu primeiro álbum Efêmera, considerado o melhor disco de 2010 pela revista Rolling Stone.

Tulipa é única. Seus shows são interativos, sua interpretação é excelente e a porção atriz que existe dentro dela é magnífico. A voz de Tulipa Ruiz é diferente. Diferente de um jeito especial. Tulipa. Tulipa. Com nome de flor e com um timbre tão delicado quanto, Tulipa Ruiz conquista seus ouvintes pela simplicidade. A simplicidade é reforçada não só pelas letras, mas também pelos arranjos minimalistas adotados em cada música. Aliás, parece até que à primeira vista simplicidade é a única coisa que pode definir o que Tulipa canta. As letras super sinceras e sem grandes firulas falam sobre sentimentos de uma maneira quase infantil. É impossível não se deixar levar quando ela promete que será pontual, pontual, pontual pra não perder o começo de um filme, ou quando ela repete como mantra que a ordem das árvores não altera o passarinho.

Com todos estes atributos, Tulipa Ruiz surge na décima segunda colocação na lista das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos na MPB com toda a riqueza musical que ela carrega em sua mente que cultua cultura.



12º lugar: Tulipa Ruiz

As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos

Marcelo Teixeira


terça-feira, 24 de abril de 2012

Efêmera, de Tulipa Ruiz: espetacular




A cantora Tulipa Ruiz
Tulipa é um gênero de plantas angiospermas (plantas com flores) da família das liláceas. Com cerca de cem espécies, as tulipas têm folhas que podem ser oblongas, ovais ou lanceoladas (em forma de lança). Do centro da folhagem surge uma haste ereta, com flor solitária formada por seis pétalas. Cores e formas são bem variadas. Existem muitas variedades cultivadas e milhares de híbridos em diversas cores, tons matizados, pontas picotadas, etc.

Efêmeras são aquelas transitórias, passageiras ou que duram pouco tempo. O antônimo de efêmera é duradouro, prolongado e distante e essa palavra, efêmera, também está relacionado com tempo delicado, feminino, afeminar.

Tulipa Ruiz é uma cantora e, diga-se de passagem, excelente compositora, uma das melhores que o Brasil já conheceu. Filha de Graziella Ruiz, escritora, Tulipa apareceu tardiamente no cenário musical, mas veio muito bem acompanhada por familiares e amigos muito próximos, cujo já estão na estrada há um tempo e com sucessos garantidos, caso de Tiê, Céu, Thalma de Freitas, Mariana Aydar e Anélis Assumpção, filha do maravilhoso compositor e cantor Itamar Assumpção, morto em 2003. Vale ressaltar que o pai de Anélis, Itamar, é responsável pelos maiores sucessos de Ná Ozzetti, Zélia Duncan e Virgínia Rosa. Seu pai, Luiz Chagas, é o responsável pela faixa mais longa do disco, porém, a mais bonita e dançante  e que nos leva a um som meio roqueiro, meio abusivo e muito estiloso, que recebeu o título de Às Vezes. Ao ouvirmos esta música, uma sensação de que a Jovem Guarda está presente é notório. Chagas também ganha vivacidade, além das composições, da sua potente guitarra, que dá uma sonoridade extra em algumas boas faixas.

Efêmera: singelo e maravilhoso
Efêmera (2010 / YB / 22,90) veio para comprovar a essência de Tulipa Ruiz, que anda fazendo um certo barulho com sua musicalidade simples e rica ao mesmo tempo, com um sabor de quero mais, um sentido maior de encantamento profundo e mistérios por parte desta cantora simplesmente maravilhosa. O disco é recheado por músicas belas, redondamente bem compostas, tendo um começo, meio e fim e por uma suavidade, um refinamento e uma pronúncia muito bem elaboradas por Tulipa. O disco não poderia receber outro nome senão Efêmera, que de passageiro não tem absolutamente nada.

Efêmera, que abre o disco, é a prova disso: deliciosamente harmoniosa, o timbre de Tulipa penetra em nossos poros, dando a dimensão de sua mensagem e deixando evidente que nada realmente é temporário. Pontual, que segue na segunda faixa, prontamente é uma crítica moralmente reconhecível, mas de uma forma contextuada, uma comédia romântica que trata da falta de pontualidade das pessoas até para ir ao cinema e perder a sessão das dez! Pedrinho é a mais divertida e sensual, desses tipos de Pedros que encontramos ao nosso lado sempre, que é amigo, companheiro, cúmplice e que pode ser nosso amante também.

Já na faixa Aqui tem uma particularidade: ao final da canção, tem uma citação a uma música de Caetano Veloso cantada no CD Livro (1997), chamada How Beautiful Could A Being Be, cujo não consta nos créditos. Só sei Dançar Com Você foi gravada primeiramente pela delicada Tiê no seu segundo disco de carreira, A Coruja e o Coração (2011), e a canção tem a participação vocal de Zé Pi. Exceto pela música Às Vezes, composta por Luiz Chagas, todas as outras faixas foram compostas por Tulipa Ruiz sozinha ou na companhia de Gustavo Ruiz, seu irmão. Tendo a tiracolo participações especiais, como Duani, marido de Mariana Aydar, Kassin, Tatá Aeroplano e Iara Rennó, o disco só poderia sair do forno com uma qualidade refinada, com um gosto de quero mais e com a nítida certeza de que Tulipa veio para ficar.

O disco de Tulipa é uma graciosidade: além de várias tulipas desenhadas por várias cantoras e amigas, como Ná Ozzetti, Tiê e pela própria Tulipa, ela foi considerada uma das 50 melhores cantoras da década e seu CD é classificado como Pop Florestal, um gênero criado como brincadeira pela cantora. Músicas de altíssima qualidade, com determinação e garra, com sentimentalismo aflorado à flor da pele e com muito chão pela frente de poder mostrar todo o seu carisma e seu talento, esperemos que Efêmera não seja temporário e que venha outros discos igualmente a este ou melhores que este.



 
Faixas

·       1 - Efêmera (Gustavo Ruiz / Tulipa Ruiz)

·       2 – Pontual (Tulipa Ruiz)

·       3 – Do Amor (Gustavo Ruiz / Tulipa Ruiz)

·       4 – Pedrinho (Tulipa Ruiz)

·       5 – A Ordem Das Árvores (Tulipa Ruiz)

·       6 – Sushi (Luiz Chagas / Tulipa Ruiz)

·       7 – Brocal Dourado (Gustavo Ruiz / Tulipa Ruiz)

·       8 – Aqui (Tulipa Ruiz)

·       9 – Às Vezes (Luiz Chagas)

·       10 – Da Menina (Tulipa Ruiz)

·       11 – Só Sei Dançar Com Você (Tulipa Ruiz)

ü  Part. Especial de Zé Pi



Nota 10

Efêmera / Tulipa Ruiz



Marcelo Teixeira