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sábado, 21 de fevereiro de 2015

As esmeraldas de Tiê




As esmeraldas de Tiê
O passarinho está de volta na capa do novo disco de Tiê, que volta mais pop e alegre do que nos dois discos anteriores, nas quais foram classificados por mim como depressivos, outra marca registrada da excelente cantora que tenta afogar suas mágoas em suas canções muito bem compostas. Desilusões à parte, Tiê volta com um dos melhores discos de sua carreira e com participações mais que especiais. Produzido por Adriano Cintra e Jesse Harris, Esmeraldas (2014 / Warner Music / 24,99) foi concebido em São Paulo e Nova York e entre os convidados ilustres estão Guilherme Arantes, cantor e compositor sumido da praça, mas fazendo shows pelo Brasil a fora e o camaleão David Byrne, celebrado entre dez e dez estrelas mundiais. Só pelos dois nomes de pesos, Esmeraldas já ganha pontos subsequentes à carreira de Tiê.  David compartilha com Tiê a saborosa All Around You, que encerra o disco e traduz todo o trabalho de Esmeraldas e pela busca incessante em se distanciar dos trabalhos anteriores, dando uma nova voz ao novo fôlego que a cantora tenta demonstrar, apontando aqui para diversas sonoridades e diversas direções acústicas. De Guilherme Arantes surge a plenitude de saber de toda a astúcia de um grande mestre dos arranjos e pela necessidade de se comunicar entre o som, o público e sua própria voz. Aqui, Tiê e Arantes dividem Máquina de Lavar, deliciosamente pura e inocentemente encantadora. O novo disco de Tiê é uma missiva de novas mensagens contemporâneas e que reforçam o seu amadurecimento e sua confiança na música que canta. Tudo isso evidencia o quanto foi bom (no bom sentido) sofrer no passado com suas desilusões amorosas e a chegada de seus filhos, que confirmaram, talvez, um novo e pleno caminho em busca de uma felicidade incessante. Aqui temos o tradicional regional, batidas que nos remetem aos Beatles, depressão monárquica, revolução musical, modificação vocal, atitudes adultas, fortes apelações ao infinito musical e uma nova e verdadeira Tiê, que conseguiu, definitivamente, sair do chamado nova cantora da MPB.

 
Esmeraldas / Tiê
Nota 10
Marcelo Teixeira

 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O lado asco de Naldo: a sua música!


Naldo: totalmente oco
Nós tínhamos um excelente repertório no início de carreira”. A frase poderia ter saído da boca de um Caetano, um Chico, um Milton, um Gil ou um Djavan ou, até mesmo de uma Ná Ozzeti, Tiê, Tulipa Ruiz, Rita Lee, Maria Rita, mas não. Saiu da boca de um cantor fajuto que saiu da pobreza cantando marombas sem pé nem cabeça e embalando cabeças ocas e sem futuro. A frase é de Naldo agora Benny, porque talvez ele ache melhor ter um sobrenome americanizado. A frase dita por Naldo foi proferida no programa do apresentador Roberto Justus e quando dita, soltei uma risada iâmbica, assustadoramente igual ao da usurpadora Paola Bracho. Se Naldo tinha um excelente repertório no início de carreira, então o que ele canta hoje são louvores dignos de uma plateia repleto de ignorantes marginalizados que estão ali para ouvir e ver um cantor com mais músculos que inteligência musical. Naldo é um desses cantores que merecem ir para a latrina e ao darmos várias descargas, temos que ter a certeza de que ele não voltará a nos perturbar. Perturbação é com ele mesmo, por sinal. Ultimamente, o cantor tem participado de programas de auditorio e fazendo ar de garoto propaganda de vários patrocinadores com sua musiquinha horrenda e sem intelectualidade alguma.

Desejo vida curta ao Naldo pelo simples fato de que sua própria vida musical é digna de panfletagem mórbida. Naldo é a personificação da pior espécie de músico, o que consegue atrair para si um número gritante de loucas e alucinadas e ainda por cima consegue ser o centro das atenções até mesmo quando o assunto não é música, uma área que ele, definitivamente, não conhece. Lançando seu mais recente disquinho, Na Veia, Naldo emplacou apenas um sucesso, mas está mais conhecido como o garoto da dúvida entre wisk ou água de coco. Pra ele tanto faz.

A frase faz parte de uma pergunta de Justus sobre o início da carreira musical do cantor, que fazia dupla com o irmão, assassinado à tiros e que Naldo evitou tocar no assunto. Formavam um grupo de rap carioca e o tal disco fora lançado no inicio dos anos 2000. Nesse mesmo ano, quem estourava de norte ao sul do país era a diva baiana Daniela Mercury, que estava ao seu lado no programa e que mal conversaram. Deboche de si mesmo, Naldo é o pior cantor surgido nos últimos anos. Até mesmo um cantor sertanejo recém chegado ao mundo fonográfico seria melhor que ele. Venhamos e convenhamos, mas Naldo já deu o que tinha que dar.

 

O lado asco de Naldo: a sua música!

Marcelo Teixeira

terça-feira, 23 de abril de 2013

Seu nome é Marion Stein


A cantora Marion Stein
Prestem atenção neste nome: Marion Stein. Ela é cantora, mas infelizmente não tem disco nenhum no concorrido mercado fonográfico, que insiste em lançar artistas desqualificados ao invés de investirem em qualidade. Marion já se apresentou em algumas casas com seu antigo Trio Bratcho, sempre fazendo burburinhos satisfatórios por onde passou, arrancando palmas esfuziantes de pessoas emocionadas com seu canto. Marion Stein é detentora de uma voz maravilhosa, uma grande presença de palco e consegue fazer todo o clima do local ser untado em harmonia e cantoria.

Moderninha ao seu jeito, a cantora Marion Stein por vezes se parece com a cantora mineira Ceumar, devido ao cabelo volumoso. Fã de carteirinha da cantora Tulipa Ruiz (foi em um desses shows que tive o prazer de conhece-la) e de Tiê, Marion se inspira nas cantoras de seu tempo, sem perder a chance de conhecer e desbravar um pouco do passado.

Antenadíssima com o circuito musical paulistano, Marion Stein segue os passos dos novos cantores como Pedro Viáfora, Márcia Castro, o grupo 5 a Seco e inspira-se em alguns cantores internacionais, como, por exemplo, Cole Porter, Amy Winehose, Laura Marling e Edith Piaf, sem esquecer dos mestres do passado, como Chico Buarque e Rita Lee.

Marion Stein canta de tudo um pouco: de baião ao rock, de MPB ao samba sempre com maestria e com a dominação de quem sabe o que faz. E Marion manda bem no vocal, seu instrumento maior: brinca com as cordas vocais com tamanha sutileza e impõe uma sofisticação extra ao seu timbre.

Marion Stein precisa ser descoberta. Precisa ser ouvida. Precisa que sua música chegue até ouvidos mais distantes e que carece de boa musicalidade. Moradora de São Paulo, por onde passa, chama a atenção por sua beleza e carisma e consegue atrair olhares atentos de todos os lados. Marion precisa de sua atenção para demonstrar o quanto sua música e sua voz são sensacionais.

Marion é uma cantora sensacional.

 

Seu nome é Marion Stein

Marcelo Teixeira

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A nossa cultura!


Tiê e eu; a cantora e o escritor
Para algumas pessoas opinar é um ato tão natural e inevitável quanto respirar. Opinar, pra mim, é uma maneira de desenvolver a nossa responsabilidade perante o assunto abordado, estarmos em sintonia com o que está sendo discutido e, mesmo que a opinião seja irrelevante para alguns, a pitada está lá, dada, colhida, absorvida. Gosto de criar polêmicas quando é para criar polêmicas, gosto de jogar um assunto qualquer e ver as pessoas se alfinetando, degladiando e criando polêmicas sobre assuntos que criei. Meus textos são pequenos troféus que jogo contra o ventilador e o mesmo se espalhar por todo o Brasil e alguns países afora. Meu objetivo como cronista da música popular brasileira é única: levar conhecimento a todos e, o mais importante, fazer voltar à ativa o antigo crítico de arte. Na minha infância, os jornais tinham críticos de todas as searas: de livros, de música, de TV, de futebol e com o tempo isso foi se perdendo. Cresci com a vontade de levar a minha escrita visceral as pessoas e para que elas tivessem a certeza de que o texto era meu, com meu jeito de escrever e de dizer que estou ali, presente, vivo.

Escrever não é uma das tarefas mais fáceis, como já disse aqui em um artigo. E crescer ouvindo que sou culto, que a minha vida é rodeada de cultura, é a mais pura balela que já ouvi em toda a minha vida. Cultura não significa que eu seja culto e culto não significa que a minha vida seja rodeada de livros, música, personalidades e tals. Transpiro cultura, respiro música, cheiro livros, absorvo palavras, mas ter cultura é diferente de ser a cultura. Em resumo geral, não sou culto. Apenas cultivo a cultura. Busco conhecer a musicalidade genuinamente brasileira dos nossos artistas brasileiros.

Mas o que é a cultura? Todos nós temos cultura, seja de maneira direta ou indireta, mas para mim, cultura é aquilo que cultivamos e aprendemos. Muitos conhecem os tons de cinzas americanizados, mas muitos desconhecem a cultura baiana de Jorge Amado. Muitos conhecem a cultura sartreana, mas poucos conhecem a cultura de Mello Neto, muitos conhecem a cultura de Virginia Woolf, mas poucos conhecem a cultura de Fagundes Telles ou Ferreira Gullar e isso sim, me envergonha culturalmente. Cultura é o que vi e vivi quando fui a João Pessoa e me instalei no belo apartamento de meu amigo Tom Costa e conheci a cultura privilegiada de Bruno Gil Santos. Cultura é o xaxado de Luiz Gonzaga, a baianidade de Jorge Amado, a mineirice de Clara Nunes e Adélia Prado, a musicalidade de Chico Buarque, Caetano, Gil, o rock, o sertanejo, o axé. Tudo se torna cultura quando executado com cautela, carinho, determinação e orgulho e não o que vemos por ai, jogado às traças.

Quando me falam que sou culto, respondo a altura: a minha cultura quem faz sou eu. Quem busca sou eu. Eu busco informação, busco conhecimento sobre o que é novo e nunca me esqueço o que é antigo. Sou fã incondicional de Carmen Miranda. Sou fã incondicional de Patrícia Mello, sou fã ardoroso de Chico Buarque. Adoro Clarice Lispector. Idolatro Ferreira Gullar. Sou fã de Elis Regina. Portanto, ter cultura não significa ser culto e quando me dizem que não me imaginam curtindo alguns pagodinhos e sertanejos, logo corro para dizer que aquilo é cultura brasileira. Não podemos, em hipótese alguma, menosprezar o que o Brasil tem de melhor e eu aprendi isso indo ao Nordeste.

Os artigos são meus troféus. A cultura é a minha riqueza.

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Entrevista com Márcia Tauil


Márcia Tauil: humana e guerreira
Alcançando o quinto lugar na lista das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos dentro da MPB, Márcia Tauil é uma dessas cantoras que nos transmite uma energia positiva e duradoura, capaz de nos hipnotizar por longas horas com seu canto, com sua voz e com sua musicalidade. Dona de uma voz arrebatadora, cristalina e sutil, Márcia tem três belos discos no mercado fonográfico, Águas da Cidade (1999), Sementes no Vento (2003) e o mais recente, Elas Cantam Menescal (2012).  Cantou Chico Buarque, Simone Guimarães, Roberto Menescal, Eduardo Gudin, JC Costa Netto e faz de sua voz um arsenal a favor da música genuinamente brasileira. E é com grande emoção que o Mais Cultura! tem a honra de fazer uma entrevista com esta grande cantora, natural de Guaxupé, Minas Gerais, para o mundo, tendo em vista que seu CD Sementes no Vento foi lançado no Japão.

Com vocês, Márcia Tauil.

 

Entrevista com Márcia Tauil

 

Marcelo Teixeira - Qual foi a sua sensação ao gravar um disco como Sementes no Vento, toda dedicada ao cancioneiro de Eduardo Gudin e JC Costa Netto?

Márcia Tauil - Fiquei gratíssima aos dois por escolherem a mim como porta-voz de um trabalho tão significativo na Música Brasileira. A sensação foi de extremo reconhecimento e de carregar uma espécie de Bandeira da Qualidade da nossa Música.

Marcelo Teixeira - Você praticamente era uma cantora que não tinha acesso direto do público quando o disco foi lançado, em 2003, fazendo shows mais locais ou fora do grande circuito cultural. Sentiu essa tarefa de representar as músicas de Gudin e Costa Netto como uma responsabilidade?

Márcia Tauil - Demais. Responsabilidade, porém, muito agradável. É claro que cheguei a me assustar diante do presente tão grande que os dois me deram. O Cd foi extremamente bem recebido pela Crítica. Algumas delas me fizeram chorar de alegria. Esse trabalho me levou a um público maior, inclusive internacional, já que o mesmo foi também lançado no Japão.

Marcelo Teixeira - Seu primeiro disco, Águas da Cidade, foi lançado em 1999 e hoje encontra-se esgotado nas lojas. Tem pretensão de relançar o início de sua carreira musical?

Márcia Tauil - Claro!! Adoro o Águas, tem muita história de vida ali. Os vales cds, antes do Cd ficar pronto, as pessoas comprando, praticamente toda a primeira edição antes mesmo dele ser lançado, as canções que pude regravar (que eu armazenava em fitas cassete, quando era locutora em Rádio: Mambembe - Chico Buarque, Veneno - Pollacci e Nelson Motta, as apresentadas a mim por Costa Netto (parceria dele com Menescal: Magia e Estrada Delhi-Rio), que me aproximaram desse meu grande mestre Roberto Menescal. E também as inéditas como a que dá nome ao disco, e Feitiço (ambas de Kico Zamarian, sendo a segunda com letra de Veca Avellar) Feitiço, por exemplo tem bastante views no Youtube. (Em segundo lugar, porque em primeiro está o vídeo no qual canto "Você" com Menescal (dele e de Bôscoli).

Marcelo Teixeira - Seu mais recente trabalho, Elas Cantam Menescal, reúne quatro grandes vozes para homenagear um dos pais da bossa nova e para isso, você e o próprio Menescal compuseram a faixa Clube da Bossa. Como foi pra você cantar e compor ao lado deste ícone da música popular?

Márcia Tauil - Eu sempre digo que aprendi praticamente tudo com ele. Seu exemplo de dedicação, de vivacidade, de frescor, de humildade e carinho pela profissão e pelas pessoas é impressionante. Menescal já vinha me agraciando com sua companhia em shows e abriu mais este caminho em composição. Imagina!! Ser parceira dele! Agora, saber que estamos eternizados numa gravação, cantando juntos e ter, além disso, uma parceria com ele no Cd, torna legítimo o grande apoio dele para comigo (e para tantos outras artistas), e ainda é como se fosse uma assinatura dele, uma carta de apresentação,: "Olha aí, gente, a Márcia Tauil".

Marcelo Teixeira - Quais são suas inspirações musicais?

Márcia Tauil - O amor, a melancolia, o ritmo do mar, o caminhar do rio. Um sorriso, uma lágrima e tudo que se relaciona ao ensinamento musical que recebi em casa ouvindo Chorinho, Bossa nova, MPB, Sambas, Boleros, Anos 70.

Marcelo Teixeira - Uma cantora e um cantor.

Márcia Tauil (Aí é covardia, hem? Pode ser mais? risos) Elza Soares, Silvana Stiévano, Simone Guimarães, Gal Costa, Elis Regina, Tony Bennet, Zé Luiz Mazziotti, Frank Sinatra, Emílio Santiago, Caetano Velloso (olha: eu o assisti há pouco e ele deu aula, viu? Arrasou ao vivo), Renato Braz.

Marcelo Teixeira - Você conseguiu chegar ao quinto lugar na lista das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos aqui no Mais Cultura!, ultrapassando até mesmo Tulipa Ruiz, Bebel Gilberto, Bruna Caran e Tiê. O que você sentiu ao saber desta colocação?

Márcia Tauil - Enlouqueci!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (risos). Foi muito gostoso. E essas manifestações nos levam em frente, sabe? Reitera que a Música vale a pena, que o caminho não é tão tortuoso, e que sempre haverá ouvidos para ouvir.

Marcelo Teixeira - Qual o seu próximo projeto musical?

Márcia Tauil - Estou gravando disco solo novo. Em shows, fui convidada por um grande violonista de Brasília para um projeto em 2013.

Marcelo Teixeira - Tem alguma cantora que gostaria de lançar um disco futuramente?

Márcia Tauil - Simone Guimarães, e achei sua ideia, num artigo que fez sobre Ceumar, em relação à junção de nossas vozes. Curti muito. Quem sabe?

Marcelo Teixeira – Espero mesmo que este disco com a Ceumar saia, vocês duas tem muito talento e este pensamento de juntar suas vozes saiu depois que vi sua foto num show dela e esses dias você resenhou uma letra pra ela, que é lindo de viver. Mas em seus projetos e planos, temos a chance de ver um show seu aqui em São Paulo?

Márcia Tauil - Sim!!!!!!!!!! Te conto ano que vem.

Marcelo Teixeira – Vou esperar com o coração nas mãos, Márcia. Muito obrigado por abrir um espaço na sua agenda para me conceder esta maravilhosa entrevista e confabular mais um pouco sobre seus planos e sua carreira. Um super beijo.

Márcia Tauil - Super grata, Marcelo. Beijos.

 

Aproveitando a deixa, ontem, dia 2 de dezembro, foi aniversário da cantora. O Mais Cultura!, os leitores, os fãs e eu, Marcelo Teixeira, lhe desejamos Feliz Aniversário, Márcia Tauil e que tudo de bom e do melhor venha acontecer em sua vida, que é sublime.

 

Entrevista com Márcia Tauil concedida ao Mais Cultura! por Marcelo Teixeira

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Um ano de Mais Cultura!


 







Um ano de cultura!
Este é o mês de aniversário do Mais Cultura!. Em um ano de divulgação de cantores, cantoras, artistas, poetas, memória e alfinetadas, pude constatar o quanto um blog ainda é visto e lido por muitas pessoas dentro e fora do Brasil (Holanda, Estados Unidos e Portugal são os países mais visitados). Recomendar um disco novo, divulgar uma cantora nova, resenhar um artigo malcriado a alguns cantores, esse foi o lema do blog, que conseguiu, aos poucos, ganhar a confiança de algumas pessoas e pude, enfim, ter um objetivo em minha vida alcançado. Agora eu sou um crítico de música, como eu sempre quisera ser. Não sou jornalista, como muitos pensam, mas tenho consciência de que escrevo e escrevo para o bem ou para o mal de alguns seres cantantes. Portanto, neste primeiro ano de escrita, posso enfim dar os meus parabéns à pessoas que vieram até a mim, seja por e-mail, seja por carta, seja por rede social, para demonstrar o seu afeto, a sua gratidão, o seu desmantelo, a sua raiva e o seu orgulho perante o meu trabalho.

Conheci, através do blog, pessoas importantes que me fizeram crescer profissionalmente. Alguns amigos como Diogo Santos e Ricardo Silva (o início de tudo), Edson Guedes, Sandro Cândido, a minha querida amiga Jamile Vaz (e seus medos sobre quem escrevo), ao meu amigo/irmão Adriano Resende do Nascimento, Augusto Alves (talvez o terceiro pai do blog), David Rodrigues Merlim, Tom Costa (quantas saudades da sacada de seu apartamento de onde saíram tantas conversas e que saudades da sua João Pessoa), minha irmã Marta Teixeira, que sempre foi a primeira a ler meus artigos e a ser a primeira pessoa a me criticar, Aninha Vieira Bomi, que mantêm um dos blogs mais criativos e originais sobre uma das maiores cantoras do Brasil, Clara Nunes, Tatiana Brasil, que sempre me chama de louco pelos artigos que escrevo, devo a vocês todo o incentivo, o carinho e a confiança que depositaram em mim.

Agradeço (e não sei como começar) profundamente pelo apoio das maravilhosas cantoras Márcia Tauil (a partir de você eu pude ser levado a Minas Gerais, tendo meu nome veiculado como um dos críticos mais lidos dentro da MPB), Sandra Duailibe, que lá de Brasília, capital do Brasil, conheceu meu trabalho e, numa carta linda com o cheiro de sua terra natal, Pará, pediu humildemente que eu continuasse este meu trabalho em prol da nossa música. Agradeço a Roberto Menescal, que disse que meu trabalho é consistente, agradeço também a cantora Simone Guimarães, que me elogiou pelo artigo Quatro Vozes para Menescal, agradeço a cantora Cely Curado que curtiu meus escritos, agradeço a Graziela Ruiz, que entrou em contato comigo pelo artigo que escrevi sobre Tulipa e agradeço a própria Tulipa Ruiz, que, em um show, disse que tinha conhecimento do meu blog.

Agradeço a cantora Tiê, pela bela foto que tiramos juntos, agradeço a Marina Wisnik, que praticamente escrevemos um artigo juntos, agradeço ao meu grande amigo carioca, Jaime Santana, que foi o primeiro a me reconhecer como um crítico de artes (desde 2006, quando brigávamos e discutíamos quase todas as noites via rede social sobre Elis Regina e Clara Nunes e agora sobre Maria Rita), agradeço ao meu queridíssimo Bruno Gil Soares, que em minha visita a João Pessoa me apresentou a cantora Jaina Elne e agradeço aos meus leitores que sempre me deram altos índices de acessos.

Acredito que para melhor resenhar este artigo, nada melhor do que a música Vida, de Chico Buarque, composta em 1980 para o disco que ganha o mesmo título, para descrever o que eu mesmo representei aqui e um dos belos trechos da canção diz vida, ah minha vida, olha o que é que eu fiz / toquei na ferida, nos nervos, nos fios, nos olhos dos homens de vida sombria / mas vida, ali, eu sei que fui feliz. E digo isto com uma certeza gigantesca de que toquei na ferida alheia com os artigos sobre os piores cantores do país com minha linguagem ácida e por vezes maléfica.

Acho que o blog ganhou uma notoriedade ainda maior, quando criei As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos na MPB, aonde citei de Aline Calixto a Bebel Gilberto, chegando a Vanessa da Mata, Mariana Aydar e Roberta Sá, deixando de fora cantoras que me foram sugeridas ao longo de quase duas semanas, como Maria Rita, Maria Gadú, Paula Fernandes e Luíza Possi. Através deste quadro, alcancei o que mais queria, graças a Márcia Tauil.

Mas escrever artigos não é uma tarefa fácil como muitos pensam. Por vezes, imagino com muita antecedência sobre qual artista resenhar e se será positiva ou negativamente e este plano acontece do nada, sem princípios. Imagino um cantor e o estudo. Foi assim que cheguei a conclusões de que Paula Fernandes não transpassa emoções, Wanessa não canta nada e ultimamente virou refém da máfia americana e passei a escutar com mais afinco estilos que até então não me caíam bem gastricamente, como os pagodeiros (sim, eu gosto do estilo de Thiaguinho), do sertanejo (idolatro o estilo de Vitor e Léo e Michel Teló) e passei a adorar a música nordestina ao estilo de Karina Buhr, Lula Queiroga, entre outros.

No mês de aniversário do Mais Cultura!, quem ganha é você. Com novos quadros, novas divulgações, novos artigos e ainda mais polêmicos, terei o prazer de escrever especialmente para leitores exigentes por qualidade musical assim como eu.

Muito obrigado!

 

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Sou, de Marcelo Camelo: Genial


Sou (2008), um ótimo disco solo de Camelo
Fim de domingo depressivo. É quando eu escrevo os textos para os posts de segunda-feira, sabendo que esse metrô cheio de gente (sim, iniciei este artigo num vagão de metrô), mas vazio de sentimentos, me aguarda mecanicamente frio e esnobe, transformando qualquer esperança de transportar-me decentemente nessa cidade em uma realidade bruta, barulhenta e amarga. A trilha sonora para a viagem da segunda-feira sempre é mais especial. Preciso do equilíbrio entre algo novo que estou começando a escutar e algo que eu já ouvi muito, mas que não me canso de dar play de novo. E se tem um álbum que eu não canso de escutar é o Sou do Marcelo Camelo. Assim como o Sweet Jardim da Tiê, o Sou é o CD que naquele momento de não sei o que ouvir agora, preciso de algo que me distraia o suficiente e não me faça querer pular nenhuma música, ele sempre é uma das primeiras opções.

Estaria sendo presunçoso demais se eu falasse que Marcelo Camelo é um dos maiores gênios nacionais da atualidade. Mas é difícil algo me fazer mudar de ideia quanto a isso. Claro que existem outros artistas geniais por aí, mas nada que particularmente me faça ter a mesma sensação de quando ouço Los Hermanos/Marcelo Camelo. Um cara qualquer, sem apelo midiático, que dispensa o status de famoso pra ser reconhecido pela música que faz; um cara que, antes de qualquer outra coisa, transmite sentimento e emoção nas músicas. Interpretação da dor sem exageros, a saudade transformada em música. Genial.

Ouvir o Sou me faz esquecer quem está a minha volta, ao mesmo tempo em que fico tentando imaginar o que cada uma daquelas pessoas no metrô está sentindo no momento. Será que elas estão felizes porque o time delas ganhou no domingo? Será que estão tristes porque já é segunda-feira e as vidas delas continuam a mesma merda? Envolto nesses pensamentos está o som calmo de músicas como Téo e a Gaivota dizendo que Toda dor repousa na vontade, todo amor encontra sempre a solidão e Doce Solidão, que associa a solidão à liberdade nos primeiros versos Posso estar só, mas sou de todo mundo.

Não faltam elogios nem palavras pra falar sobre esse CD. E ultimamente as músicas desse disco se tornaram tão especiais na minha vida, que me trazem boas e más lembranças. As músicas Liberdade e Santa Chuva (música gravada com grande emoção por Maria Rita em seu disco de estreia) carregam uma força emocional muito grande, meus olhos ficam marejados toda vez que as ouço. Choro todas as noites de saudade.



“É Deus, parece que vai ser nós dois até o final


 Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro”.




Marcelo Camelo lançou nesse ano o segundo álbum solo dele, Toque Dela. Tem ótimas músicas e futuramente quero escrever sobre ele também. Mas novamente associando ao Sweet Jardim da Tiê, o Sou (lançado originalmente em 2008) é outro álbum de estreia que eu gosto muito mais do que o segundo CD. Só de pensar que estão juntas as músicas Tudo Passa, Janta (com a mulher Mallu Magalhães), Menina Bordada, Copacabana, Vida Doce, além das que eu citei acima e outras, não tem como pular uma faixa sequer do CD, não tem como não gostar ou não se emocionar.

O álbum tem algumas participações, como a de Dominguinhos no acordeom, duas músicas no fim somente no piano, letras croniqueiras, de amor, de saudade, e claro, o violão contagiante do Camelo em todas as composições. Não perca tempo, não morra sem ouvir esse CD. O metrô se tornará um ínfimo problema enquanto você estiver ouvindo-o.



Sou / Marcelo Camelo

Nota 10

Marcelo Teixeira


sexta-feira, 20 de julho de 2012

A Melhor Cantora dos Últimos 10 Anos



A Melhor Cantora está nas entrelinhas deste artigo
Escrever sobre a melhor cantora dos últimos 10 anos não foi uma tarefa fácil. A bem da verdade, essa ideia surgiu quando estava em viagem por João Pessoa, quando entrei em uma loja de discos em um shopping e dei de cara com cantoras pouco conhecidas e divulgadas por aqui, como foi o caso de Márcia Castro, Luisa Maita e Barbara Eugenia. Cantoras essas que tem um prestígio enorme e um talento incomum, elas não poderiam deixar de figurar a minha lista pessoal e integrarem a seleta corporação das melhores cantoras dos últimos 10 anos. Como fã absoluto da MPB num contexto geral, corri para formar uma lista que tinha apenas 10 cantoras. No avião, deparei-me com um dilema: seria injusto fazer apenas uma lista com 10 cantoras, levando em conta que em minha casa, tenho um acervo gigantesco de novas cantoras e saio desbravando as mesmas para que eu mesmo possa apresentar às pessoas. Isso aconteceu com Vanessa da Mata que, em 2002 avisei a alguns amigos que ela seria uma das líderes da MPB. Dito e acertado, Vanessa é hoje uma das queridinhas da música popular e, de quebra, salvou parte da MPB.

Tendo em vista que minha tarefa de eleger as melhores cantoras estava só no início, tive, por ventura, de acrescentar mais 10 cantoras na lista. Nomes como Márcia Tauil, Tiê, Tulipa Ruiz, Thaís Gulin, Monique Kessous e Fabiana Cozza já estavam anotados, porém, faltava mais gente importante tanto para o meu enriquecimento musical quanto para divulgação em massa. E foi pensando neste quesito que acrescentei Marina de La Riva, Isabela Taviani, Bruna Caram, entre tantas outras maravilhosas.
Mas para fazer a lista tive que pensar inúmeras vezes do porque estava fazendo aquilo. E quais seriam os critérios? E quais seriam os contras? E quais seriam os reais motivos para apresentar ao público e aos leitores do Mais Cultura!, a melhor cantora dos últimos 10 anos. Para ser a melhor cantora, obtive um estudo rápido e claro sobre a cantora: estilo, musicalidade, capacidade, performance, histórico. Não adiantava simplesmente eu chegar e colocar tal cantora e pronto. Desde o início já sabia quem seria a minha melhor cantora do Brasil e, para que ninguém pudesse desvendar antes, tive que obter o silêncio total. Até mesmo quem me conhece a fundo está dividido sobre quem é a tal cantora misteriosa que estará recebendo o Troféu de Ouro.
Para tanto, para ser a minha melhor cantora tem que ter, além de tudo o que já citei, bons discos. Discos estes que me fazem pensar, me fazem cantarolar e me despertar, fazer comentar com assiduidade, comprar seus discos, seguir seus passos mesmo que a distância. Estar atento à tudo o que ela faz, desde sua vida pessoal até sua vida musical, com certos limites, claro. De quebra, quando estava em João Pessoa já sabia quem figuraria o topo da lista. Quando estava dentro do avião, já tinha metade de seu artigo pronto em minha cabeça. Quando cheguei em São Paulo, comecei a esmiuçar pequenos textos fragmentados aqui e ali sobre ela. E muitos de vocês a conhecem.
Ser a maior cantora ou uma das maiores do Brasil nos dias de hoje é uma responsabilidade tremenda. Mas para a cantora que está prestes a ser revelada aos meus leitores é um dos argumentos pequenos para que ela possa fazer um disco melhor que o outro. Amparada por grandes personalidades, questionada por muitos jornalistas, muito bem relacionada com a imprensa e com seus fãs, tendo uma carreira marcada por visionamentos e pensamentos distantes, ela marcou uma geração, marcou um contexto geral dos acontecimentos e hoje canta, encanta e encantará ainda mais a todos nós.
Com vocês, o primeiríssimo lugar no Mais Cultura!.

Ela é...

Segunda feira vocês saberão!

As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Terceiro lugar: Thiago Pethit - Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos


Thiago Pethit: terceiro lugar
Romântico ou melancólico? Triste ou emotivo? Sentimental ou um alegre disfarçado? É difícil diagnosticar o perfil de Thiago Pethit, um dos cantores mais conceituados surgidos nos últimos anos no cenário da MPB. Suas músicas são de uma atmosfera ambientada numa tristeza fria e singela e isso fica ainda mais evidente na voz da cantora Tiê, sua parceira e amiga de longa data. Thiago foi eleito em 2011 pelo jornal britânico The Guardian um dos mais promissores artistas pelo mundo e traz a simplicidade de suas letras. Com elogios frequentes da crítica brasileira, Pethit foi apontado por Caetano Veloso como destaque entre os nomes da atual música brasileira. No VMB (Vídeo Music Brasil), saiu vencedor na categoria aposta MTV 2010.

Com formação em artes cênicas, Pethit estudou canto e composição de tangos em Buenos Aires. Ele lançou seu primeiro álbum, Berlim, Texas, em março do ano passado, com 11 faixas totalmente autorais. Sua discografia inclui ainda a EP Em Outro Lugar (2008) e o single Fuga No 1 (2009).

Thiago Pethit foge de rimas elaboradas e termos rebuscados em suas letras, sempre com frases e palavras confessionais e diretas. A construção musical acompanha o clima de simplicidade das letras, que podem ser em português, inglês ou francês, com performances acústicas analógicas, sem interferências de bases eletrônicas. Por isso mesmo, em abril de 2010, Pethit foi uma das atrações do Fashion Rio, tocando ao vivo a trilha do desfile da grife Espaço Fashion, o que lhe rendeu o título de It Boy pela Revista Time Out, tornando-se queridinho dos fashionistas.

Thiago Petit é um artista que parou de esperar até que alguma gravadora fizesse uma proposta indecente de contrato e decidiu bancar do próprio bolso as despesas para produção e distribuição de seu álbum. A empreitada parece ter alcançado êxito, pois o cantor continua recebendo elogios da crítica e lota shows no Brasil e em festivais internacionais. E é com este mérito de cantor independente que Thiago Pethit chega ao terceiro lugar como um dos melhores cantores surgidos nos últimos 10 anos no cenário da música popular brasileira.



Terceiro Lugar: Thiago Pethit

Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 anos



Marcelo Teixeira

terça-feira, 22 de maio de 2012

A elegância de Juliana Kehl


O primeiro disco de Juliana
Fã de Gal Costa, Chico Buarque e Tom Jobim, Juliana Kehl é uma das cantoras e compositoras mais singelas, mais românticas e mais sensacionais que surgiram nos últimos tempos, estando sempre ao lado de novos talentos, como Tiê, Tulipa Ruiz e Céu.  Na voz, imagine uma mistura de Leila Pinheiro com Elis Regina. A música carrega os tons do samba e do eletrônico, a mistura de tintas, como ela mesma diz. E as letras levam a marca autoral que anuncia Juliana Kehl no hall das novas cantoras brasileiras em que vale a pena ficar de olho.

Por pouco, no entanto, a música perde esse talento. Quando adolescente, Juliana integrou o coral da Escola Rudolf Steiner, que a permitiu se apresentar em Nova York aos 17 anos. Contudo, a garota optou por direcionar a carreira para as artes plásticas, em que se graduou pela FAAP. Não tardou, enfim, para que a paulistana assumisse a veia musical. Anos depois musicou poemas da irmã, a psicanalista Maria Rita Kehl. O resultado é o álbum de estreia independente Juliana Kehl (2009 / Independente / 19,99), com 12 canções -- dez delas de sua autoria - recheadas de poesia e belas histórias.

Enigmas do meio artístico. Antes, um nome com pretensões de estrela teria de estourar até os 25 anos, a indústria não via com bons olhos os retardatários. Hoje, uma cantora como Juliana Kehl pode lançar seu primeiro disco aos 32 e ainda conseguir enxergar uma longa carreira pela frente. Para satisfazer a exigente aquariana, o novo álbum contou com 32 músicos diferentes. Desta maneira, Juliana deu o verniz necessário para que cada faixa fosse pintada com climas e texturas diferenciadas. O processo durou um ano. Das 12 canções, dez delas foram compostas por ela.

O disco chegou da fábrica no começo de 2009, mas quase um ano foi necessário para que fosse lançado. Convites de gravadoras como o da Som Livre brecaram o processo, mas Juliana decidiu lançá-lo de maneira independente. Até na arte do CD ela deu seu pitaco. A foto que estampa a capa é, propositalmente, uma forma de levar o imaginário aos anos 60. Elogiada pela imprensa e alçada a revelação da música nacional, seu disco teve a primeira tiragem de mil cópias rapidamente esgotada.

Juliana já nasceu musicada, envolta pela música, sua base disciplinar já estava estabelecida deste os tempos de coral, aonde chegou a se apresentar no Camegie Hall em Nova Iorque. Completa, a bela jovem formada em artes plásticas empresta às suas composições um pouco do universo artístico que a inspira… Além da música, também são notáveis as nuances da literatura e até da dança no caso da concepção do clipe de “Rede de Varanda” em seu primeiro trabalho autoral.

Delicada e forte, sua música parece romper os estigmas da crítica acostumada com a pastinha das cantoras brasileiras. Um trabalho rico em detalhes rítmicos confundindo a metrópole com o interior e o sul com o norte. Se perder, talvez seja essa a direção da música dessa jovem.

Para nos perder, ou para nos encontrar entre ritmos, sons e poesia.



Faixas

·       01. Rede de Varanda

·       02. Ele Não Sabe Sambar (Pedrarias, Prata e Pó)

·       03. Oiê

·       04. Viação Cometa

·       05. A Música Mais Bonita

·       06. Sinhô do Tempo

·       07. Outras Mulheres

·       08. A Ciranda e a Moça

·       09. Tá Perdido, Nego

·       10. Diadorim, o Sertão é do Lado de Dentro

·       11. Vinheta Carnação

·       12. Carruagem





Nota 10



Juliana Kehl / Juliana Kehl



Marcelo Teixeira

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A persistência de Maurício Mattar na música


O neo-cantor Maurício Mattar: persistência
Quando uma carreira de um ator que fica famoso pelo seu talento meramente reconhecido pelo público, pela crítica e pelos colegas de profissão, tudo se resume em uma única e bela palavra: talento. A arte de representar um papel, a arte de dominar os palcos ou a cena de uma novela é para ser vivida pelos grandes nomes que a TV e o teatro já proporcionaram à muitos. Representar não é uma tarefa fácil e fazer isso requer muito estudo, muito aprendizado e muita dedicação. Mas quando um ator enfrenta os obstáculos que a vida lhe impõe e ele passa a usar destes dotes artísticos para se auto promover a outros dons, como cantar ou escrever uma telenovela, as coisas mudam de figura e requer um novo estudo sobre a personalidade, o dom e principalmente o talento.

Existe uma variedade de ator e atriz que viram cantores e vice versa. Para enumerar, temos Miguel Falabella, que é um excelente ator, dançarino, mas perde credibilidade ao escrever uma telenovela, aonde se perde totalmente do meio da trama para o final. Assim acontece com Daniel Boaventura, que tem um dom excepcional para a teledramaturgia, mas se perde totalmente no disco que lançou recentemente. O último desta seita satânica foi o humorista Rafael Côrtes, que é um excelente repórter, mas se perde na sua musicalidade e seu disco, também lançado recentemente, é um show de horror de bestialidades infames.

Disco de 2007: horripilante, mas ele insiste
Outras personalidades importantes da TV brasileira já se arriscaram a trocar de papel e arriscar sua voz (ou seria riscar a voz?) e garimpar pelo mercado fonográfico sem o maior êxito. Marília Gabriela e Hebe Camargo já lançaram discos tão cabisbaixos (embora Marília cante muito bem e atua estupendamente), tão insonsos, que fica a pergunta no ar: vale a pena arriscar uma carreira bem sucedida? Roberto Justus que o diga: grande empresário e apresentador, ele diz que gravou o disco por hobby, o que não deixa de ser uma verdade, tendo em vista que muitas lojas do segmento não vendem seus discos. Susana Vieira, a maravilhosa atriz, se envolveu recentemente numa batalha feroz com todos, desde mídia até público, para se defender de seu disco de estreia que, de tão ruim, virou artigo de piada pública.

Por enquanto, Roberto Justus, Susana Vieira, Marília Gabriela e Hebe Camargo lançaram discos para deleite próprios, talvez não pensando em lançar discos futuros, voltando toda as suas atenções para seus respectivos trabalhos, mas isso talvez não podemos esperar de Daniel Boaventura e Rafael Côrtes, tendo em vista que eles até cantam bem, mas lamentavelmente, seu estilos e vozes não agradam a ninguém.

Parafraseando e contrariando a todos estes artistas citados acima, talvez a única atriz que consiga desmistificar esse processo seja Thalma de Freitas: além de excelente atriz, ela também é cantora e o Mais Cultura! já se deleitou com seu belíssimo disco de estreia e, mesmo contendo apenas seis faixas, o disco é uma obra-prima consagrada, porém Thalma hoje em dia tenha dado preferências para vocalização em discos primordiais das cantoras Tiê, Mariana Aydar, Céu e Andrea Dias.

Persistir no erro talvez seja uma emenda que muitos não conseguem entender e por este motivo, Mauricio Mattar, grande ator do passado, mas esquecido pela própria emissora, é o campeão de futilidades. Gravou discos que não ganham prêmios algum, não tem relevância no mercado fonográfico e ninguém fica sabendo o que ele grava, mesmo um ou outro programa dar vazão ao seu novo trabalho.

Ouvi, através de sites, as músicas de Mauricio Mattar e pude constatar: além de ser um festival de horror, aquilo que ele canta são musiquinhas aquém de um grande ator. Ele poderia investir em qualquer outra carreira, menos a de cantor, que é um oficio para grandes interpretes da música popular. Mauricio Mattar não acrescenta em mais nada na cultura brasileira e suas músicas são horríveis, chatas, deprimentes e sua voz não agrada, não estimula e nem embevece nossa autoestima.

Ouvir Mauricio Mattar, literalmente, é de matar.



Marcelo Teixeira