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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Sandra Duailibe canta Nonato Buzar: uma bela homenagem


Bela homenagem
Nonato Buzar morreu em fevereiro do ano passado e deixou uma legião de canções imortalizadas nas vozes de Elis Regina, Maysa, Jair Rodrigues, Nana Caymmi, João Nogueira, Alcione e tantas outras personalidades importantes da nossa música nacional. Pouco se fala no cantor e compositor maranhense hoje em dia e muito de sua obra acabou sendo esquecida. Nenhum cantor ou cantora se debruçou para dedicar um disco inteiramente ao cancioneiro de Nonato e a cantora Sandra Duailibe, conterrânea de Nonato, teve a brilhante ideia em fazer jus às músicas desse grande artista brasileiro. Sandra Duailibe canta Nonato Buzar (2015 / 24,99) é um disco sensacional, com uma qualidade incrível na seleção de músicas e com a voz cristalina da cantora, que canta mais e melhor neste belo disco. Quinto disco da carreira de Sandra, esse tem um diferencial: além de ser um disco em forma de homenagem, a cantora transpassa uma energia positiva tão animadora, que fica difícil não dizer que Nonato está tendo essa felicidade também no plano de cima. As músicas selecionadas aqui rechaçam a ideia da capacidade poética e magnifica de Nonato, que conseguia transmitir beleza e garra, sensualidade e sofisticação, harmonia e fina flor. Sandra é uma das damas da música popular brasileira e sua voz cristalina é uma rica e poderosa arma a favor de sua musicalidade. Precisamos ouvir Sandra Duailibe, precisamos conhecer seu talento, seu trabalho, sua forma de expressar a qualidade de sua música. Seu mais novo CD é a articulação viva e real de que a música popular tem qualidade, tem um propósito, uma significação e uma reza.

 

Sandra Duailibe canta Nonato Buzar / Sandra Duailibe
Nota 10
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O encontro de Márcia Tauil, Roberto Menescal e Jaques Morelenbaum no show Conexão Rio-Brasília


Márcia Tauil e Roberto Menescal: duas gerações
Nas palavras de Roberto Menescal, há dois tipos de música: a popular brasileira e a pra pular brasileira. E neste segmento, um dos pais da Bossa Nova em maior atividade no momento faz da nossa música popular brasileira um dos melhores caminhos para duas atividades únicas: divulgar um belo trabalho encabeçado por ele, a cantora mineira Márcia Tauil e o violoncelista Jaques Morelenbaum e automaticamente arrecadar verba para a operação do garoto Pedrinho (www.amigosdopedrinho.com.br). Intitulado Conexão Rio-Brasília, o show mistura o melhor da Bossa Nova na voz suave e cristalina da cantora Márcia Tauil e faz das duas cidades um elo de amizade, musicalidade e muita emoção. Considerada a quinta melhor cantora dos últimos anos da MPB pelo Mais Cultura Brasileira!, a cantora de Guaxupé vem se consolidando como uma das vertentes mais significativas dentro do universo da música brasileira, com discos de altíssima qualidade e com uma afinação vocal espetacular. Sendo assim, a cantora, que tem no curriculo o excelente Sementes no Vento (1998), em que canta as músicas de Eduardo Gudin e J.C. Costa Netto, teve participação efetiva no CD Elas Cantam Menescal (2012) em homenagem ao patrono bossa novista, ao lado de outras três grandes vozes femininas, como Sandra Duailibe, Cely Curado e Nathália Lima. A cantora estará ao lado de Menescal e de Morelenbaum intepretando sucessos como Você (Menescal e Bôscoli), Ah, se eu pudesse (Menescal e Bôscoli) e O Barquinho (Menescal e Bôscoli), como também a atualíssima Clube da Bossa (uma parceria de Menescal com Márcia Tauil), em homenagem ao próprio Clube da Bossa de Brasília, e que está presente no Cd Elas cantam Menescal. A inspiração para o show veio a partir da ideia da localidade de cada músico: Menescal e Jaques residem no Rio de Janeiro e estão se unindo aos artistas brasilienses com atuação do Clube da Bossa de Brasília, que mantêm viva a história e a cultura da Bossa Nova, gênero musical de maior aceitação e mundialmente conhecida. O show contará com a participação dos musicos Salomão di Pádua (voz), Leander Motta (bateria), Jaime Ernest Dias (violão) e Cleudson Assis (piano). A temática do show é trazer ao público jovem e aos que não abandonaram o banquinho e o violão, a música de Roberto Menescal interpretada por artistas de diferentes gerações e do próprio anfitrião. E o convite aos músicos Leander Motta, Cleudson Assis e ao cantor Salomão di Pádua reforça a ideia do encontro de gerações, solidifcando o nome do show. Você não pode perder este grande espetáculo!

 

 

Show: Conexão Rio-Brasília

Local: Clube da Bossa

Data: 19/07/2014

Horário: 11:30

Preço: 20,00 (inteira) / 10,00 (meia)

Como comprar os ingressos: venda na bilheteria do teatro a partir das 10:30 do dia 19/07/2014.

 

Show Conexão Rio-Brasília com Márcia Tauil, Roberto Menescal e Jaques Morelenbaum
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 5 de março de 2014

A fineza de Cris Pereira


Cris: a imperatriz do samba
Brasília, a capital federal do Brasil, esconde muitos talentos brasileiros, assim como os revela num piscar de olhos. Já faz um tempo que venho retratando algumas cantoras – boas e ótimas – de Brasília, como Márcia Tauil, Nathália Lima, Emília Monteiro, Ellen Oléria, Sandra Duailibe e sempre estive certo de que a música que vem dessa parte do país é rica em detalhes, sopros e respirações. Algumas nem ali nasceram, mas ajudam a prestigiar o talento do estado.  Quem pensa que Brasília é o fardo político e intelecto está muito enganado de si, porque ali concentra-se a maior parte musical de todos os tempos e o pólo cultural de uma esfinge preciosa, sentimental e rudimentar. O nome que ajuda a embelezar Brasília e a completar um time de bravas guerreiras da música nacional é Cris Pereira, que tem elegância e pluralidade na voz e no repertório. Cris tem samba na ponta dos pés e um requebrado que só ela tem direito a ter, além de uma voz doce e macia, que conquista a qualquer um já na primeira música. E quem disse que Brasília não tem samba? Cris Pereira prova que o samba ainda é um refugio bem garantido na música brasileira, desde que feito com qualidade, respeito e determinação, como é o caso dela. Música de pimeira grandeza e de uma fineza espetacular, Cris consegue atribuir a si uma qualidade superior, rara nos dias de hoje, para a chamada damas do samba, que já agraciou Clara Nunes, Alcione, Dona Ivone Lara. Recentemente, o cenário sambístico está por conta de Fabiana Cozza, que traz na bagagem ótimos discos sobre o gênero. Mas Cris Pereira é Cris Pereira: forte, bonita, autêntica, simples, guerreira num país em que precisa ser guerreira para alcançar metas e ultrapassar limites. E o limite de Cris foi ultrapassado. Talentosíssima, Cris Pereira só veio a confirmar que seu tempo é hoje, seu samba é eterno e sua voz e brilho nunca se apagarão. Viva Cris Pereira!!!

 
A fineza de Cris Pereira
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Agenda Mais Cultura! Brasília recebe Sandra Duailibe, Lúcia de Maria e Jô Alencar juntas


Três vozes
O Clube da Bossa apresenta neste sábado, dia 24 de agosto, três grandes vozes que conquistaram um lugar especial no coração dos brasilienses, mostrando toda a sua força, capacidade e elegância vocal. As cantoras Sandra Dualibe (conhecida há muito tempo do Mais Cultura!), Lúcia de Maria e Jô Alencar sobem juntas ao palco do Teatro Sílvio Barbato para cantarem pérolas da boa música brasileira. Para acompanhá-las, mais uma vez o compositor, pianista e arranjador musical José Cabrera, o baixista Paulo Dantas e o baterista Amaro Vaz estarão presentes para mais um espetáculo. Brasília é o pólo efervescente e musical dos últimos anos, com grandes cantoras e excelentes musicos que conseguem extrair a magnitude maravilhada de uma ampla musicalidade. O Agenda Mais Cultura! divulga hoje três grandes vozes, três grandes cantoras que conseguem agregar música com beleza e três grandes mulheres brasileiras: Sandra Duailibe, Jô Alencar e Lúcia de Maria.

 

Clube da Bossa

Com Sandra Duailibe, Jô Alencar e Lúcia de Maria

Local: Sesc Brasília (Teatro Sílvio Barbato)

Horário: 11:30 às 13 horas

Data: 24/08/2013

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O vexame do Som Brasil Bossa Nova



Os especiais de 1980 eram melhores
O que era bom acabou mudando de estilo. O Som Brasil apresentado nos anos 1980 pelo competente Rolando Boldrin troucou de formato, trocou de apresentadores – saí o homem, entra a mulher – trocou de horário, dia e não tem um mês específico para ir ao ar. Indo às madrugadas de uma sexta feira por mês (quando consegue entrar na grade), o Som Brasil resolveu inovar e dessa inovação houve um grande embaraço musical, convidados nem sempre alinhados ao estilo e muitas vezes incompetentes. O público de hoje, com as novas tendências musicais, acabam não reconhecendo as canções ali apresentadas por novas caras e novas vozes e o programa passa desapercebido. Já para os que gostam do programa e das músicas ali cantadas, acabam se irritando com as mudanças de harmonias e o que era para ser inovação, acaba sendo uma irritação profunda e nostálgica. O Som Brasil mudou de cara e de comportamento, mas não exprime qualidade nem sofisticação alinhada aos novos tempos. A apresentação musical ficou careta e estranha e o que mais irrita na atração são cantores e cantoras inexperientes que dublam as músicas sem o minímo cuidado de tropeçar e com músicos que tocam seus instrumentos ao vento, sem tocá-los.

O Som Brasil apresentado recentemente pela Rede Globo de Televisão dedicou a recordar as melhores canções da bossa nova. Sai Rolando Boldrin, entra Patrícia Pillar que recebeu um dos anfitriões ainda na ativa, Roberto Menescal, um dos precursores do gênero que inovou ao misturar influências do jazz à cultura nacional. Canções que viraram referências da música brasileira – como Garota de Ipanema, O Barquinho e Ela É Carioca – compõem o repertório do programa em homenagem ao estilo. Menescal dividiu o palco com Andrea Amorim, Daíra Saboia, BeBossa e Cris Delanno.

Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Jhonny Alf e Baden Powell se foram, mas ainda permanecem na ativa três grandes monstros sagrados da Bossa Nova: João Gilberto, Carlos Lyra e Roberto Menescal. João Gilberto se isolou nos Estados Unidos e não há santo cristo que o faça dar uma entrevista ou uma aparição pública qualquer.  Carlos Lyra mal compõe músicas hoje em e dia e seu último lançado no ano passado, intitulado Só Danço Samba (Ao Vivo), mas também virou um adepto do esconderijo, pois quase não é possível ver Carlos Lyra.

Roberto Menescal é o contrário de tudo isso e de todos. Ainda na ativa e morando em Brasília, o cantor, compositor, violonista e artista completo lança a cada ano ótimos discos lapidando as melhores vozes femininas de todos os tempos. Seu disco de maior destaque é o Elas Cantam Menescal, lançado no ano passado ao lado de belas vozes, como Márcia Tauil, Sandra Duailibe, Cely Curado e Nathália Lima. Recentemente, Menescal está em companhia da cantora mediana Adriana Amorim – que não é nem maravilhosa, nem boa, nem nada. Apenas fraca cantora.

Há mais de uma década na estrada, Andrea se divide entre a paixão pelo rock e pela bossa nova desde que gravou um CD com Menescal. O compositor também foi fundamental na carreira de Daíra, que começou a trabalhar nos palcos de espetáculos musicais ainda criança e está produzindo seu primeiro disco com o ídolo. O sexteto BeBossa, cujos arranjos são predominantemente vocais, lança um álbum com regravações das letras de Menescal. O cantor protagoniza ainda mais um dueto ao lado de Cris Delanno, que traz experiência como solista em corais. Também são convidados Celso Fonseca, cantor e produtor que participou de diversos festivais internacionais; Alaíde Costa, vocalista que começou em programas de calouro de rádios e hoje tem mais de 50 anos de estrada; Georgeana Bonow, compositora e professora infantil de iniciação musical; e Tibless, representante da afrobeat.

Exceto um dos pais da bossa nova, Roberto Menescal e de Celso Fonseca, Cris Delanno e da excelente Alaíde Costa (que fora aplaudidíssima), os outros músicos não representaram nada ao estilo bossa nova. Às vezes encontramos um Roberto Menescal perdido nas próprias melodias ou perdido de frente das câmeras, mas mesmo assim, o músico se saiu muito bem, pois representou ali como sendo o representante do movimento e criador de várias músicas cantadas.

Adriana Amorim decepcionou! Fanha, a cantora tentou ser maior que tudo ali: maior que o programa, maior que Menescal, maior que as outras cantoras. Abrindo o programa, Adriana sambou mais que cantou e isso prejudicou sua participação. Mesmo sendo um playback, a cantora se esforçou demais para cantar, estorvando seu show e caindo na caretice de ser apenas mais uma entre tantas. Aquele beijinho no Menescal (forçado demais) ao final da música foi o erro fatal e cheio de piegas.

Daíra Sabóia tentou ser uma nova Elis: dançou, requebrou, sorriu, ergueu os braços igual uma Elis Regina. Sua voz até que é agradável, mas de olhos fechados. Péssima escolha do programa em tê-la ali cantando  O Pato, com aquela voizinha irritante por vezes e macia por poucos minutos.  Mesmo com um suingue descontraído, Georgeanna Bonow não convenceu. Sua maquiagem estava muito carregada e sua vestimenta não correspondia ao estilo mais intelectual do movimento. Mais parecia uma cantora de rock punk do que propriamente de bossa!

Decepção geral foi o grupo mineiro Tibless, representante do afrobeat. O cantor até tem uma voz suave, macia, mas ele estava visivelmente fora do tom bossa novista e não convenceu em nada, mesmo sendo um grupo realmente bem afinado. E por falar em afinação, foi a partir da apresentação deste grupo que percebi que tudo ali era cantado em playbak e isso, definitivamente, acabou de enterrar o programa Som Brasil.

Lamentável!

O vexame do Som Brasil Bossa Nova

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A grande dama dos palcos: Sandra Duailibe



A dama Sandra Duailibe

O cenário musical da MPB está cheio de ótimas cantoras com influências das mais diversas possíveis, que vão do chorinho a bossa nova, passando pelo rock e até o folk. De nomes como Emília Monteiro e Olívia Gênesi surgem vozes que tem ganhado cada vez mais espaço e importância na música nacional. Outras, como Karina Buhr e Bárbara Eugênia, se destacam já no álbum de estreia sendo grandes promessas. Mas, como as novidades nesse meio não param, surgem surpresas muito boas e que merecem toda a nossa atenção, como é o caso da cantora Sandra Duailibe, que já está na estrada há um tempo e que me surpreende toda a vez em que a ouço cantar. Sandra é uma dessas cantoras que nos agarram logo no primeiro minuto e mesmo sem ter que cantar, sua fisionomia é impactante, nos hipnotiza e nos acalma de uma tamanha forma, que fica impossível não se apaixonar por ela. E Brasília, a capital do país, tem me deixado muito realizado e feliz com as cantoras lá residentes, como já venho retratando aqui no Mais Cultura Brasileira! com nomes como Cely Curado, Nathália Lima e Márcia Tauil.
A música de Sandra Duailibe foi feita para cantar o amor e todos os seus adjetivos — que de certo não existia ainda quando os primeiros homens cantaram. A envolvente voz dessa cantora nos remete a lembrarmos do quanto a vida é única e bela e do quanto a música popular brasileira é viva, real e sublime. Sandra canta com a necessidade de celebrar magnificamente os deuses e a natureza, e de conservarmos na memória, pela sedução de seu cantar, as leis da felicidade. A poesia estende-se sempre por um fio condutor, e tenderá constantemente a aproximarmos, nos conceitos mais puros, mais belos e mais concisos, as ideias que estão nos interessando e nos conduzindo ao ouvir sua voz.  Acessando o site da cantora (www.sandraduailibe.com.br), você terá todas as informações sobre shows, lançamentos de discos e outras coisas boas.
A dimensão de Sandra Duailibe não se traduz apenas pela doçura da sua voz, mas também pela intensidade com que vive cada uma das músicas que interpreta e que representam não só a sua forma de ser e de estar, mas que mostram a realidade do povo brasileiro, amantes da boa música popular brasileira. Mulher de grandes viagens, Sandra já cantou de Chico Buarque a Lenine com a maestria digna das grandes damas dos palcos e deixando as melodias ainda mais deliciosas.
A receita do sucesso não tem mistério nenhum: uma produção bem caprichada, no estilo banquinho, voz e violão fazem parte de quase todos os seus discos. Sandra apresenta algumas canções da forma como elas foram criadas, mas na maioria das vezes, a desconstrução das melodias fazem toda a diferença, como o caso de Tatuagem, de Chico Buarque e Ruy Guerra, gravada no disco Voz e Piano (2011), cantada com sutileza de detalhes acompanhada do piano de Leandro Braga ou no caso de Morro de Saudade, de Gonzaguinha, canção quase esquecida do filho do Gonzagão, gravada no disco Do Princípio ao Sem-Fim (2006).
É com essa liberdade que Sandra Duailibe transita por diversos estilos musicais. Nascida em São Luís, no Maranhão, a cantora hoje reside em Brasília e é uma das cantoras que conseguem administrar bem sua carreira, traçando sua própria musicalidade com um trato íntimo com a harmonia. Sandra canta bem e é sempre um convite para ouvi-la mais e mais. Quatro discos lançados, sendo o último em homenagem à Roberto Menescal, chamado Elas Cantam Menescal (2012), um dos patronos da Bossa Nova, Sandra tem um repertório variado que vale a pena escolher, permitir, sem faltar espaço para esquecê-la, tampouco desanimar. O importante é deixar a música penetrar em seus poros e ouvidos e descobrir cada nova sensação a cada música ouvida. Seja qual for o jeito escolhido, ouvir Sandra Duailibe se conjuga com todas as formas variantes de se ouvir uma boa música.
Pautada na leveza de sua melodia, a cantora já flutua alto e faz shows em Paris, Brasília e aonde sua música a levar. Sandra Duailibe fala com um mundo inteiro como quem traça mesmo um plano para ser ouvida. Mas não faz de sua carreira como esses matemáticos e calculados, com pressa ou com medos. Sem restrição nenhuma, a cantora optou pelo amor para contar, em cada uma das músicas, as histórias que gosta de pensar.

A grande dama dos palcos: Sandra Duailibe
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A beleza no canto de Márcia Tauil




Márcia Tauil, entre as melhores cantoras
Há cantoras e há cantoras neste Brasil carregado de vozes e sambas e que veneramos e confiamos. Mas para ter confiança e lealdade para com a artista é o que se pode esperar da pessoa cuja a carreira é marcada por uma boa voz e uma trilha repleta de discos maravilhosos e cultivados por belezas conjuntas. Márcia Tauil canta com a alma verdadeira, com sentimentos, com vontade e com verdade e expõe suas graças divinas em discos merecidamente brasileiros com muita categoria e exatidão. Muito produtiva e eficiente, Márcia faz de sua bandeira a prudência e a disciplina para com o canto. Pontual e responsável com seus compromissos, demonstra sempre uma grande estabilidade, fator que a faz respeitável por aqueles que a conhecem. Não deixa nada por acabar e respeita todos os regulamentos, por isso muitas vezes é considerada uma mulher de fibra. Márcia Tauil canta o que gosta e isso faz todo o diferencial em sua carreira.

A música brasileira, talvez, nunca tenha vivido um momento com tantas boas cantoras surgindo como o atual. Uma das cantoras que chama a minha atenção é a mineira Márcia Tauil, ou simplesmente Márcia. Com sonoridade moderna, voz afável, letras interessantes e músicas de alta qualidade para qualquer horario do dia, Márcia cercou-se de muita gente boa e se apresenta como uma das maiores cantoras de todos os tempos. Com uma voz sensível e agradável, sem precisar apelar para truques vocais desnecessários, Márcia Tauil acerta o tom como cantora e ainda mostra ser uma compositora de mão cheia. O jeito de cantar e o estilo econômico na dimensão necessária de compor, coloca desde já Márcia como uma das melhores novidades artistícas.

De Minas para Brasília, a mudança só veio a beneficiar ainda mais sua bem sucedida carreira de cantora e compositora. Lá pôde conviver melhor com cantoras como a amiga Simone Guimarães e Miúcha, irmã de Chico Buarque e com Roberto Menescal, que a adora e a convidou a participar do disco em sua homenagem, o excelente Elas Cantam Menescal, lançado no ano passado, ao lado de Sandra Duailibe, Cely Curado e Nathália Lima (todas de Brasília).

Márcia Tauil é música para os olhos.  Bom senso e discrição são marcas de alguém que leva à sério seu canto.  Moradora de Brasília, Márcia nasceu em Guaxupé, cidade mineira a qual tem muito carinho. Dona de uma voz encantadora, Márcia é responsável por lançar discos memoráveis, como o Sementes no Vento, lançado em 2003, em que canta as músicas feitas pela dupla Eduardo Gudin e Costa Netto, com músicas caprichosas e honrosas.

Cantora, compositora, musicista, mãe, Márcia Tauil faz do seu cantar seu alicerce para a música popular brasileira ser ainda melhor. Eleita pelo Mais Cultura! como a 5º Melhor Cantora do Brasil dos Últimos 10 Anos dentro da MPB, Márcia é uma mulher palavras universais e tem dentro de seu universo o mundo da poesia musicada. Tem tudo para todos os gostos e seu traço, em minha opinião, é regido e batizado unicamente pela sua perspicaz sensibilidade. Impulsiona e alimenta nossa vontade e a nossa capacidade de concretização neste mundo. Além de ser uma das maiores compositoras contemporâneas da música brasileira, Márcia tem músicas compostas ao lado de Simone Guimarães e Roberto Menescal e atualmente prepara um novo CD. Sua obra é incrível. É de ouvir, mas também é de cheirar, de pulsar, de sossegar, de chorar. É tão intenso que quando me falta o ar nesse mundo, eu mergulho dentro de suas canções.

Como toda a vida que contém este ar que entra e sai de mim, incontáveis vezes a cada minuto, a música de Márcia Tauil me infesta de felicidade e acalma meu ser. Eu gosto, eu valorizo e eu me transformo enquanto as ouço. Márcia consegue nos transportar a mundos na qual não somos capazes de alcançar, pois sua voz é maravilhosa e é um mergulho certeiro na corrente das águas do coração.

Tudo isso aliado a texturas, pianos, violões, guitarras, coros e detalhes, mostrando uma música moderna, que remete ao que melhor e mais cuidadoso anda sendo feito na música popular atualmente. Nesse caminho, a cantora oferece um conjunto de canções que contam de forma lírica e lúdica um pouco de sua realidade e a visão feminina do mundo ao redor. Bom humor e poesia leve servem a doces melodias que apontam um trabalho afetuoso desde sua composição que deságua em arranjos caprichados, delicados e precisos e sem exageros.

A beleza no canto de Márcia Tauil
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Nathália Lima: de Brasília para o mundo



A melhor voz do Brasil
Brasília, a capital do Brasil, produz um seleiro de cantoras dignas de respeitabilidade mútua perante o mundo. É difícil não depararmos ao menos com uma cantora que não tenha estado em Brasília, passado um tempo em Brasília ou, melhor, ter nascido em Brasília. A efervescência da música aconteceu (e ainda acontece) em Brasília. No final dos anos 1970, predominavam os ritmos regionais como o forró e a música sertaneja e já nesta época, despontava no grupo Secos e Molhados o cantor Ney Matogrosso, que fora profissional da área de saúde na capital federal. No começo dos anos 1980, surgiram várias bandas de rock vindas de Brasília que despontaram no cenário nacional, como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, todas com influência punk. Na mesma época, um carioca criado em Minas Gerais, Oswaldo Montenegro, se tornava conhecido na cidade, montando espetáculos de cujo elenco fazia parte Cássia Eller, que seria, anos mais tarde, uma das maiores cantoras do Brasil.

Nesta mesma época surgiu, paralelamente ao cenário do rock, o reggae de Renato Matos e outros movimentos culturais que criaram o Projeto Cabeças, de onde surgiram vários artistas de Brasília. Na década seguinte, despontaram o hard core dos Raimundos e o reggae do Natiruts. Alguns músicos e cantores que moraram em Brasília durante esse período foram Ney Matogrosso, Zélia Duncan e membros da Legião Urbana e dos Paralamas do Sucesso.

Brasília produz muita música de qualidade, muitas cantoras respeitadas e admiradas. Mais recentemente, o choro vem ganhando adeptos em Brasília, resultando na criação de clubes de choro, como o Clube de Choro de Brasília. A capital do Brasil também é adepta da bossa nova e por lá vive o grande Roberto Menescal que, juntamente com cantoras do naipe de Márcia Tauil, Sandra Duailibe, Emília Monteiro, Cely Curado e Nathália Lima, fazem de Brasília uma das efervescências mais abundantes e sedutoras que já vi.

Conheci o trabalho e a voz doce de Nathália Lima ao ouvir o disco Ela Cantam Menescal, o que eu apelidei de As Quatro Vozes, por se tratarem de quatro grandes vozes para homenagear um grande compositor. E confesso que me apaixonei por essa cantora, doce, meiga e encantadoramente divina. Nathália Lima tem o dom de exprimir suas qualidades artísticas como quem sabe o que quer, mas também como quem não sabe o tamanho de sua grandeza.

Prestes a lançar um novo disco, Nathália Lima vêm ultimamente se apresentado em shows por Brasília cantando Gonzaguinha e para quem não está na capital brasiliense vale a pena conferir os ensaios que existem pelas redes sociais. Nathália Lima canta interiormente e tentamos descobrir como pensa, sente e age em suas interpretações. Singela, a cantora norteia um repertório com sensibilidade e astúcia e nocauteia-nos com uma voz cristalina. Revela-nos o íntimo da alma, o seu eu interior, suas esperanças, sonhos, ideais, suas motivações: a música. Às vezes é possível que percebamos essa manifestação em sua voz, esse brilho em seu cantar, esse magnetismo sensível que nos passa a emoção maior de sua música e assim não estamos reprimindo os nossos sentimentos e impulsos, pois a música que Nathália Lima canta passa a ser única.

Nathália Lima canta com a feminilidade brasileira que talvez a música exija e consegue com a compreensão e a descoberta de um novo som nos passar algo valioso, atuando como força positiva todo o ambiente em que está. É o prazer em cantar que está presente todas as suas manifestações, em todos os seus poros e em todos os seus trejeitos singulares e mansos. A serenidade de Nathália Lima faz a efervescência cultural de Brasília ser mais rica e dinâmica.


A voz doce de Nathália Lima

Marcelo Teixeira

terça-feira, 9 de abril de 2013

Agenda Mais Cultura: De Tom a Tim, show de Nathália Lima em Brasília


 

Bela voz, belo som
Nathália Lima é uma das cantoras brasilienses com grande qualificação artística, voz sedutora, categoria digna do status que merece receber e consegue nos hipnotizar do início ao fim de uma canção. Recentemente gravou Elas Cantam Menescal, ao lado de Márcia Tauil, Sandra Duailibe e Cely Curado, tendo a participação do anfitrião, Roberto Menescal em praticamente todas as faixas. Nathália canta brilhantemente e agora os brasilienses, que já a conhecem, podem reverenciar a cantora mais uma vez. O Agenda Mais Cultura tem a honra de divulgar o mais novo show da cantora, De Tom a Tim, que, assim como a cantora sugere, é uma viagem musical.

O Show De Tom a Tim será uma viagem pela MPB e Pop Nacional. São destaques do repertório canções de: Tom Jobim, Chico Buarque, Dorival Caymmi, Djavan, Vanessa da Mata, Adriana Calcanhotto, Marisa Monte, Zé Ramalho, Tim Maia e muito mais.

Se você está indo à Brasília ou está de passagem pela cidade, nada melhor do que assistir a um bom show, acompanhado de uma boa voz, com um show intimamente brasileiro.

É nesta quinta!

 

Voz: Nathália Lima

Violão: Hugo Coêlho

Percussão: Jorge Macarrão

 

Local: 11.04 no Nosso Mar (115 Norte) Brasília

Horário: 21:30

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Entrevista com Simone Guimarães - Segunda Parte


Simone Guimarães
É sempre uma grande satisfação conversar ou trocar algumas palavras com a espetacular Simone Guimarães: além de grande cantora e compositora, com discos bem caprichados, duetos com ícones da MPB, como Maria Bethânia e Milton Nascimento, Simone é, também, uma intelectual que pensa e muito nos segmentos do Brasil e na luta a favor da nossa cultura. Nascida em Santa Rosa de Viterbo, interior de São Paulo, hoje a cantora faz parte da efervescência que Brasília produz, estando ao lado de cantoras como Márcia Tauil, Sandra Duailibe, Roberto Menescal, Miúcha e outros, levando muita música de qualidade para os quatro cantos do país. Nesta primeira parte da entrevista, Simone Guimarães nos brinda com sua inteligência e sapiência em ver as coisas mais simples se transformarem em algo valioso. O Mais Cultura! (ou o Espaço Azul, como ela mesma apadrinhou o blog), tem o enorme prazer estar sendo condecorado com suas ricas frases de efeito moral. Hoje publico a segunda parte da entrevista que Simone Guimarães me concedeu com exclusividade.
 
 
MT - Existe a possibilidade de vermos um show seu em São Paulo para este ano de 2013?
SG - Sim. Vários convites já apontados. Minha nova produção caminha no sentido de divulgar o novo trabalho que lançarei ainda este ano em todas as capitais, num elogio rasgado a Bossa nova e aos anos 60. Será trabalhoso, mas valerá a pena. O disco está sendo confeccionado com direção musical de Ocelo Mendonça, grande artista cearense aqui de Brasília.
 
MT - Você participou do CD Pietá, de Milton Nascimento, considerado por muitos uma obra-prima do cantor. Milton é o seu padrinho musical. Já pensou em fazer um CD somente com músicas dele?
SG - Claro que sim, chegará o momento! Esse está na lista dos trabalhos mais eminentes por conta do aniversário do Bituca e do movimento Clube da esquina.
MT - Você dedicou um disco inteiramente ao cancioneiro do compositor Isaac Cândido, no disco Cândidos, pelo selo Independente. De onde nasceu a ideia de fazer esse disco, resgatando e o homenageando?
SG - Eu tenho uma admiração imensa pelo Ceará contemporâneo. Existe muitos artistas e poetas que criam coisas maravilhosas. Isaac é um aglutinador. Se você observar, esse disco traz muitos letristas diferentes e são poetas sublimes de lá. Além de ser o Isaac um ser humano admirável, já venho cantando sua obra há algum tempo. Me chama atenção pelo sentimento desprovido de vaidade na arte.
MT - É sempre difícil uma cantora dizer qual a sua melhor criação, mas pra você, no seu mais intimo pessoal, qual é o seu melhor CD?
SG - Flor de Pão é um disco para mim muito representativo como letrista . Tem nele uma música em parceria com Antonio Carlos Bigonha que eu acho que é minha melhor letra: Confissão gravada por Nana Caymmi em seu disco recente Sem poupar coração e Aguapé como cantora, mas o que eu mais gosto é o que estou fazendo agora. rssss!
MT - Simone Guimarães por Simone Guimarães é?
SG - Meu Bisavô paterno nasceu em Veneza, já o materno em Reminni, os dois na Itália. Tenho um avo português e uma avó afro-decendente da pela morena, sou carioca, paulista e cearense, moro em Brasília e sou brasileira da Gema e as claras, devota de Nossa Senhora de Nazaret. Adoro Belém do Pará e mais recentemente estou apaixonada pelo Sudoeste do plano Piloto de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.
MT – Obrigado, Simone, por conceder esta entrevista.
SG - Eu é que agradeço, Marcelo. Muito obrigada.
 
Entrevista com Simone Guimarães
Por Marcelo Teixeira

segunda-feira, 25 de março de 2013

Entrevista com Simone Guimarães - Primeira Parte


Sensacional artista
É sempre uma grande satisfação conversar ou trocar algumas palavras com a espetacular Simone Guimarães: além de grande cantora e compositora, com discos bem caprichados, duetos com ícones da MPB, como Maria Bethânia e Milton Nascimento, Simone é, também, uma intelectual que pensa e muito nos segmentos do Brasil e na luta a favor da nossa cultura. Nascida em Santa Rosa de Viterbo, interior de São Paulo, hoje a cantora faz parte da efervescência que Brasília produz, estando ao lado de cantoras como Márcia Tauil, Sandra Duailibe, Roberto Menescal, Miúcha e outros, levando muita música de qualidade para os quatro cantos do país. Nesta primeira parte da entrevista, Simone Guimarães nos brinda com sua inteligência e sapiência em ver as coisas mais simples se transformarem em algo valioso. O Mais Cultura! (ou o Espaço Azul, como ela mesma apadrinhou o blog), tem o enorme prazer estar sendo condecorado com suas ricas frases de efeito moral.

 

Marcelo Teixeira - Seus discos são considerados, em alguns departamentos e lojas de CDs, como sendo uma cantora regional. Você tem medo de ser rotulada como tal?

Simone Guimarães - Não tenho medo de nada na arte, Marcelo. A arte é dinâmica, mutável, migrante, (eu migrei) a arte é memória, momento, tempo, movimento... Não devemos ter posturas rígidas e frias com ela, ela se apresenta numa ruptura e é de onde vem sua seiva e sangues, do conflito, dos contrastes, dos sentimentos em ebulição, da compreensão inconsciente, do vácuo sendo animado pela anti-matéria na consciência do vazio.

A música é invisível aos olhos, mas não ao coração. Coloquem os nomes que quiser nos meus trabalhos. Os codinomes são sempre o que se compreende do outro. Numa estante de disco, é alguma espécie de organização. Não posso ter medo, apenas discordar.

Sou de uma região interiorana de São Paulo e, portanto trago o canto da minha aldeia.

Se alguém tiver que vender um Chocolate especial, terá que lhe dar um nome especial. Acredito ser sim esse chocolate regional, porém já me misturei um pouco com o sabor das grandes cidades. Não que isso seja imperativo pra mim, aliás, eu gostaria de ter tido uma vida pacata e mais simples, mas meu caminho na arte me fez migrar.

Acredito que mundo e as pessoas deveriam ser apresentadas numa abordagem rica: dialética, semiótica, linguística, literária, poética, filosófica, histórica, humanista, e não de forma a se prender em notas de perfume quando o mais importante é a essência.

Eu comecei minha carreira fonográfica na Televisão fazendo trilhas para documentários, juntamente com Paulo Jobim, filho do Tom e uma orquestra inteira tocava um de meus temas, sendo regida pelo maestro Benito Juarez, com arranjos de Paulinho. Era regional?, Não.

Meu primeiro CD, o Piracema é um disco temático, assim como o segundo Cirandeiro: tem uma ocupação com temas voltados para a natureza, cenários bucólicos, mas a música apresenta gêneros diversos, como sambas, Shots, temas instrumentais, modas, etc. Por último, para responder a sua pergunta diria que as pessoas que me rotulam dessa forma ainda não tiveram a oportunidade de conhecer meu trabalho por inteiro. Não tenho preconceito com gêneros brasileiros. Toco-os todos indistintamente.

MT - Você cantou com grandes nomes da MPB, como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Renato Braz, Leila Pinheiro, Ivan Lins. Tem algum cantor ou cantora que desejaria dividir um dueto?

SG - Gostaria de cantar com Sting . Sou fã desde que ouvi Russians no inicio da minha profissão de ouvinte. Ele é o máximo!

 

MT - Seu último CD, Chão de Aquarela, foi lançado agora em 2012 tendo apenas canções de sua autoria com Cristina Saraiva. Foi proposital fazer um disco somente pelas duas?

SG - Apenas reunimos as músicas que Cristina compôs comigo por um desejo de marcar essa parceria . A Cris é dona do Selo Tie music ,que me lançou no mercado fonográfico em 1997 e uma parceira das melhores que tenho. Somos amigas há trinta anos e isso ,creio, foi o fator decisivo para juntarmos nossas modas e cantigas regionais, que tanto amamos. Adoramos o pé de uma fogueira e um violåo!

MT - Sua música, por mais rica e de uma brasilidade completa, não chega a uma classe social mais popular. Por que isso acontece?

SG - No Brasil a indústria fonográfica não trabalha a favor da arte, mas sim do lucro, com exceções como Biscoito Fino, Lua Music, CID , Dubas, Tie music, Dabliu, Rob digital e outros tantos selos legais que fazem a nossa musica sobreviver e crescer lá fora.

O povo é massificado pelas avalanches tecno-pops do descartável da época.

Vivemos num país muito novo e sem igualdade social. O capitalismo é selvagem e poderia não ser: Se mirar , por exemplo nos capitalismos da Austrália, da Suíssa, da Noruega, talvez, mas a mentalidade dos empresários, em sua maioria, é colonialista e assim acontece na musica. Exportamos commodities e matérias primas. Acredito que se tivéssemos mais peito nessa questão do enfrentamento com as multinacionais que vem brincar com suas porcarias aqui dentro a musica se resolveria.

A presidenta Dilma está resolvendo o problema da miséria extrema. Musica também deveria ser um alimento pra todos.

Quanto mais variado o prato, mais saudável a nação!

Dá–se um produto de má qualidade ao seu povo quando não se tem interesse que esse povo consuma o substancial, o necessário para o seu crescimento, o melhor para o seu raciocínio,o mais caro para o seu coração de homem, no sentido de ser mais elaborado, morar melhor dentro de si mesmo.

Trabalho sem me preocupar com isso, querido Marcelo, mas gostaria de ser consumida pelas populações mais pobres: acho que eles iriam gostar da minha musica e de mim. Eu sou pobre- pobre- pobre- de –marré –marre-de- si. Tenho a certeza de que saberia me comunicar com meu povo.

MT - Em que você se inspira para compor?

SG - No amor , na beleza, na natureza. Também me inspiro indo ao cinema e vendo um documentário como A caverna dos sonhos esquecidos de Herzog. Assistir ao respeito com que nossa ancestralidade é tratada nesse filme me fez mais forte, como ler Nietzsche, Freud, Márcio Paschoal, ouvir Milton cantar ou Maria Rita.

MT - O que você acha da música produzida no Brasil hoje em dia?

SG - Eu tenho acesso a todo tipo de musica e o Brasil continua sendo o Melhor produtor nessa área! Amo a nossa musica. Quero que o brasileiro conheça a fundo seus artistas e um dia chegaremos lá.

Tanta coisa já mudou e ainda podemos mudar pra melhor, muito. Esse é o meu sonho. Ver o Brasil colher o que planta com seu trabalho e expulsar a corja de políticos corruptos do poder e deixar para quem sabe administrar, para quem tem idéias humanistas, a favor do coletivo. Na França, por exemplo tem um deputado Brasileiro no parlamento. Foi escolhido por seu mérito e por sua formação na área administrativa. Acredito que a democracia deveria ser mais explanadora nessa área, alertando os eleitores a votar em pessoas qualificadas para os cargos, de outra maneira continuaremos a eleger homo fóbicos e racistas.

 
A entrevista com a cantora e compositora Simone Guimarães continua na próxima semana, com mais revelações sobre a sua música e seus projetos.
 
Entrevista com Simone Guimarães - Primeira Parte
Marcelo Teixeira

 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sandra Duailibe em Paris com Antenor Bogéa


Sandra Duailibe
Quando uma grande voz invade os ouvidos do mundo, tudo é festa para nós, brasileiros. E quando se trata de uma voz marcante e sedutora, essa felicidade dobra e enriquece nossa alma e nosso brilho musical e batemos no peito e dizemos com todo o orgulho preso na garganta que somos brasileiros. Pois é com esta felicidade que venho trazer através do Mais Cultura! que a cantora que nasceu em São Luís, no Maranhão, mas cresceu no Belém do Pará, Sandra Duailibe está em circuito francês, de onde manda beijos acalentados ao crítico que aqui vos escreve. Sandra Duailibe é uma das cantoras que nos pegam pelo ouvido e adentra em nossos poros sem pedir licença, pois sua musicalidade inteligente e fascinante nos permite a isso. Em shows pela França com o cantor e compositor Antenor Bogéa, Sandra é uma das brasileiras convidadas de honra do excelente músico, que também foi Diplomata em Paris, assumindo, assim, as relações culturais brasileiras em terras francesas em 1989, para participar de seus shows. Muito conhecido em Paris, Antenor é um cantor de excelente gabarito, muito conceituado e delicado na arte de produzir um disco. Vale a pena conferir seu trabalho e descobrir uma grande voz. E vale ressaltar também que os dois músicos, Sandra Duailibe e Antenor Bogéa são de São Luís do Maranhão e hoje dividem seus tempos diretamente de Brasília para o Brasil inteiro (e agora para o mundo inteiro). É com imensa satisfação que, através de uma cantora da estirpe de Sandra, eu venha conhecer e desfrutar da cultura de um homem refinado como Antenor.

 

Sandra Duailibe em Paris com Antenor Bogéa

Marcelo Teixeira