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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Ano Luiz Melodia no MCB: o clássico Pérola Negra (1973)

Pérola Negra: clássico dos clássicos
Luiz Melodia é o grande homenageado do Mais Cultura Brasileira neste ano de 2018 (título que no ano passado foi de Marisa Monte) e durante todo esse ano será lembrado aqui e ali por músicas, composições ou álbuns importantes de sua carreira. O artista foi considerado um dos 100 mais influentes do cancioneiro nacional pelo conjunto da obra e suas músicas são referência para muitos cantores que estão inserindo nessa caminhada de fazer música do bem.  Pérola Negra (1973 / Phillips / 19,99) foi o primeiro disco lançado por Melodia, que teve direção musical de Péricles Albuquerque e que foi recebida mornamente na época. A gravação do álbum veio após o sucesso estrondoso das gravações de Gal Costa e Maria Bethânia em 1971 e 1972, respectivamente, das canções Pérola Negra – que dá nome ao título e até hoje é cantada ou reverenciada pelo nome – e Estácio Holly Estácio. Apesar do sucesso de crítica, o álbum não teve o mesmo êxito comercialmente. O disco mescla elementos de diversos elementos ao universo sambista que caracteriza as origens do artista e reflete influências de blues, rock, soul e até samba-canção, de um universo habitado por jazzistas e artistas que Melodia fora influenciado.  Porém, o álbum é famoso por conter uma participação especial do musico dito marginal Daminhão Experiença, que foi convidado para contribuir com o backing vocal na faixa Forró de Janeiro.  Pérola Negra traz dez faixas arranjada pelo violonista Pedrinho Albuquerque. Um solo de flauta de Canhoto, acompanhado por seu regional, dá a largada à eternidade de Melodia, no samba Estácio, Eu e Você, inspirado em Cartola. A segunda faixa já é um blues (e dos bons) Vale Quanto Pesa, em instrumentação acústica. O disco ainda tem o clássico Magrelinha, que anos depois se transformou em outra marca registrada do cantor e compositor carioca. Pérola Negra é o ápice do ápice da música popular brasileira e pude dizer isso pessoalmente ao Melodia em um encontro que tivemos na Avenida Paulista no ano de 2016, quando ele já estava sentindo algumas dores lombares (coisa que a mídia ainda não sabia). Há estética, há beleza, há samba, há blues, há a voz de Melodia estrondando tudo e a todos. Todas as suas obras são e serão reforçadas pela tese de que o começo foi aqui, em 1973, com este emblemático disco que, anos e anos mais tarde, foi incluído na posição 32 na lista dos 100 maiores discos da música popular brasileira pela conceituada Revista Rolling Stone Brasil.


Pérola Negra (1973) / Luiz Melodia
Por Marcelo Teixeira

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Mais Cultura Brasileira - 2017


Ano novo, músicas antigas
Eis que estamos aqui mais uma vez iniciando os trabalhos de 2017 sem pausa para descanso. Neste ano que se inicia o Mais Cultura Brasileira celebrará o seu sexto ano com muitas novidades: e quem ganha é você. Para tanto, há de ser comentado aqui que os planos para este blog foram pensados em 2016, mais precisamente entre Julho e Agosto, para serem executados com exatidão este ano. A meta é manter o mesmo foco, a mesma determinação, o mesmo entusiamo em poder escrever a verdade sobre a música, a verdade sobre as informações, a verdade sobre os cantores e a verdade sobre a fonte recebida. As mudanças são sempre bem vindas e cabíveis de um entorno de reciprocidade compactuada com aqueles que lêem os artigos diariamente, sendo assim, a primeira grande novidade para este ano de 2017 é a celebração de dois cinquentões: a primeira grande homenageada do ano será a cantora e compositora Marisa Monte, que completará 50 anos de idade em Julho e por esse motivo, ela será ovacionada com artigos diversos, fotos de sua carreira e passagens aqui ou ali no mundo da música, enaltecendo sua importância, sua capacidade artística e sua vocação para com a música popular brasileira. Outro grande homenageado será o cantor e compositor Chico Buarque, que terá um longo artigo sobre o lançamento de Chico Buarque de Hollanda – Volume 2 em 1967, sendo o segundo disco de sua carreira e que o consagrou definitivamente como o maior intelectual de nosso tempo. Mas as novidades não param por aí: além da pesquisa diária sobre o novo, o que é novidade, o que vai ser novidade (assim como o que é descartável tamvém), vamos manter o foco em buscar novos entrevistados e reverenciar livros que tratam de música, na qual chamo carinhosamente de música para os olhos e a mente. Não será um ano fácil, tendo em vista que para escrever é preciso de muita pesquisa, uma determinação escomunal para levar o meu sentimento verdadeiro para que você tenha total segurança sobre determinado artista e disco resenhados. O meu papel como crítico de música é justamente este: o de entreter você à ouvir a boa música, pensar sobre a música duvidosa e a conhecer aquilo que está apenas no meu infinito particular musical. O Brasil é vasto de cantoras e cantores que precisam ser conhecidos mais profundamente e independentemente de ano e estilo, o blog nasceu para isso. E não é a toa que estamos entrando em seu sexto ano de escrita musical. Os planos estão aí, agora vamos pôr as mãos na massa. Feliz 2017!

 
Mais Cultura Brasileira – 2017
Por Marcelo Teixeira

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Cinco anos de Mais Cultura Brasileira!


Cinco anos de MCB
Chegar ao seu quinto ano, neste mês de Novembro, sem um patrocínio, sem verbas e divulgando música por puro prazer é poder dizer que cheguei ao quinto ano fazendo aquilo que mais gosto: divulgar a cultura musical diversificada no Brasil. Criticar música não é uma tarefa fácil, exige compenetração, compromisso, determinação, horas e horas de audição de apenas uma música, saber separar o pessoal do profissional (muitas vezes um cantor não me agrada, mas sua música sim) e exige, acima de qualquer coisa, uma responsabilidade enorme diante inúmeros leitores. Nesses cinco anos recebi diversos emails de vários lugares do mundo de pessoas dando sugestões, pedindo críticas resenhadas, me agradecendo, me ofendendo, mas o que acho mais legal nisso tudo é a diversificação cultural que cada pessoa carrega dentro de si. Uma das coisas que mais aprendi com o Mais Cultura Brasileira e com a arte de criticar foi  saber respeitar o outro e esse lado humanizado de minha parte se deve e muito à Pedagogia (curso na qual escolhi para aprimorar meus conceitos éticos, cujo ainda estou aprimorando conhecimentos) e às pessoas que circundam minha vida me trazendo um pouco de sobriedade intelectual sobre o que pode ser melhorado aqui e ali. Completo cinco anos de blog com a mesma alegria do primeiro ano, do segundo, do terceiro e do quarto, em que cada ano era uma festa diferente: agora a festa pode ser compactuada formalmente, pois graças à você é que cheguei aqui, mudando meus conceitos sobre a teoria da crítica resenhada, utilizando palavras mais rebuscadas, buscando pelo novo, buscando novas formas de conhecer novos cantores, novos becos, novos guetos, novos ares. Escrever sobre música é um privilégio que não se resume apenas à ouvir sobre música: é preciso entender um pouco sobre ambas as coisas, sobre o universo particular e perpendicular do cantor ou da cantora, é ser humilde em solicitar uma entrevista e ser dinâmico em dizer não também. Nesses cinco anos de Mais Cultura Brasileira conheci cantores maravilhosos, pessoas maravilhosas e que se tornaram amigas. Mas quem me conhece sabe que não sou de badalação, de ficar indo aos shows diretamente, de estar na primeira fila VIP de cantor tal. Vou quando estou disposto e quando quero. O crítico de música não precisa, necessariamente, estar ali para ser visto. O crítico de música precisa estar atrás dos holofotes, por detrás das suas próprias palavras escritas, afinal, o mais importante em nosso trabalho é a divulgação do trabalho do outro e não necessariamente o nosso. O que fazemos é divulgar a cultura concomitantemente alheio ao serviço de bel-prazer. É um orgulho poder chegar à cinco anos de Mais Cultura Brasileira e orgulho maior ainda é estar sempre no meu mesmo devido lugar sem humilhar outros profissionais, sem deteriorar o trabalho do outro e sim, aprender com eles.

 
Cinco anos de Mais Cultura Brasileira
Por Marcelo Teixeira

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Bruno e Marrone: o melhor do sertanejo atual


Bruno e Marrone: os melhores da atualidade
Não gosto de música sertaneja. Não gosto de duplas sertanejas. Não gosto de cantores sertanejos. Mas são poucos os cantores e as duplas sertanejas que conseguem ganhar meu respeito e minha credibilidade quando os ouço cantar. Aliás, respeito e muito quem gosta desse estilo musical, mas confesso que não é a minha praia. Eu como pessoa, garanto que não compraria nenhum CD de algum cantor sertanejo para ficar ouvindo em casa e mesmo se fosse adepto ao mundo musical via internet, garanto que não baixaria suas canções pagando ou as tendo gratuitamente. Eu como crítico de música, garanto que com o passar do tempo e depois de quatro anos de Mais Cultura Brasileira e com o auxílio da Pedagogia, pude parar para observar e compreender e distinguir o que é bom e ruim daquilo que é bom e ruim. Bruno e Marrone, cantores típicos sertanejos e populares que conquistaram o Brasil com seu cantar, são dos pouquíssimos cantores sertanejos na qual posso dizer que gosto. Mas não compraria um disco seu ou de qualquer outro cantor desse estilo. Aliás, alguns anos atrás, bradei ao lado de Chico César e Rita Lee quando lançaram o EP Odeio Rodeio (2005), disco este que criticava durante o estilo sertanejo. Mas vamos aos acertos de contas: vejo muitos blogs e sites e até mesmo algumas pessoas dizerem sertanistas quando se referem aos sertanejos. Isso é uma lógica que não se enquadra aqui e em qualquer lugar, porque sertanista é aquele explorador que se aventuram no interior do sertão. Já os sertanejos são aqueles que vivem no sertão nordestino, do agreste ou área rural. No entanto, os sertanejos aqui citados são sertanejos natos, pois em suas biografias, viveram no sertão. Lançando Isso cê não conta (2015), a dupla conseguiu um feito ainda maior do que os alcançados em discos anteriores: conseguiram fazer com que sua música fique impregnada em nossa memória e que a mencionemos em algum momento de ironia. Essa brincadeira acaba sendo gostosa e até admirável, mas não podemos dizer que é um bom disco ou uma canção que traga conceitos culturais. Raramente eu critico positivamente uma dupla sertaneja e hoje eu percebo que demorei um pouco para poder criticar uma dupla que me faz bem tanto fora como dentro da nossa cultura brasileira.

 
 
Bruno e Marrone
Por Marcelo Teixeira
 
 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Emília Monteiro em São Paulo

Emília: do Norte pra São Paulo
No dia 30 de abril de 2013 escrevi um artigo em que pedia para que o som da cantora amapaense Emília Monteiro saísse do reduto nortista para invadir os quatro cantos do país, pois sua voz merecia ser ouvida. No dia 26 de maio do mesmo ano, saiu no Jornal do Amapá, na coluna da Tica (jornalista de grande repercussão no Amapá) partes desse meu artigo. Portanto, minhas preces foram ouvidas. Emília Monteiro desembarca em São Paulo para duas únicas apresentações: uma no Sesc Sorocaba, no dia 15/11, e o mais aguardado será realizado na Vila Madalena, reduto dos mais morderninhos em questão de sonoridade, com seus barzinhos charmosos e pessoas descoladas. Emília cantará no Espaço Cultural Puxadinho da Praça (Rua Belmiro Braga, 216, Vila Madalena / São Paulo) na segunda feira dia 17 agora, às 20 horas, ao lado das cantoras Nátalia Matos e Luciana Oliveira, que farão uma participação especial. Valor: apenas R$ 15 reais!!! Única apresentação, vale a pena conferir o talento desta grande cantora, um verdadeiro talento brasileiro e que está conseguindo, aos poucos, mostrar sua brasilidade aos quatro cantos deste país. Entrevistada pelo Mais Cultura Brasileira!, a cantora considera Clara Nunes e Elis Regina como as maiores vozes do Brasil e já foi até mesmo elogiada pelo ex-titã Charles Gavin, hoje referência musical no país. Emília é uma dessas raras cantoras que nos encantam apenas com seu olhar: encantador e suave.  Dona de uma voz magistral e de um carisma incrível, a cantora apresentará seu CD Cheia de Graça (divulgado no Mais Cultura! em Abril de 2013), considerado um dos melhores dos últimos tempos e que contém composições de Ellen Oléria, Márcia Tauil, Simone Guimarães, Zeca Baleiro, Célso Viáfora, Val Milhomem e a diva Dona Onete, criadora dos sucessos Veneno de Cobra e Este Quero Este Moreno Pra Mim. Emília merece ser ouvida, assistida, admirada e aplaudida de pé por todos os brasileiros, pois seu canto é de uma beleza profunda e única. Uma das cantoras que merecem a sua atenção graças ao seu canto, sua graça, sua beleza e sua espontaneidade. Emília Monteiro é uma dessas cantoras que faltavam no mercado fonográfico para falar do povo do Norte, cantar suas referências e seus estilos e nos mostrar seus mantras. Cheia de Graça, Emília desembarca em São Paulo trazendo na bagagem um grande disco e uma grande voz!  

 

Emília Monteiro em São Paulo
Marcelo Teixeira

sábado, 8 de novembro de 2014

Três anos de Mais Cultura Brasileira

Três anos de Mais Cultura
E o Mais Cultura Brasileira! chegou ao seu terceiro ano. Para chegar até aqui não foi uma tarefa fácil, mas sim uma tarefa de muito trabalho, muita dedicação, pesquisas, conversa com cantores, horas e mais horas ouvindo músicas, recebendo convites para shows, enfim, um ano marcado pela amplitude de um trabalho que gosto muito: o de ser crítico de música. Este ano de 2014 foi melhor que o ano passado, porque o blog teve mais reconhecimentos por cantoras e cantores carimbados da nossa música e teve mais respeito por entre os leitores. Falar de música de qualidade em um país em que se preza a música descartada não é tarefa fácil, mas com um pouco de esforço e dedicação podemos chegar um pouco mais longe. Este ano o Mais Cultura Brasileira! alcançou vôos mais longos e chegou com mais força ao Nordeste e ao Norte do Brasil e aterrizou com mais afinco na capital federal, Brasília. As entrevistas foram determinantes para que a credibilidade e a assiduidade com a cultura permanecessem com a qualidade superior de quando iniciei os trabalhos. E confesso: nunca pensei que um dia pudesse entrevistar a cantora Ná Ozzetti, minha paixão musical. Entrevistas com cantores da categoria de Alberto Salgado e a descoberta de Tito Marcelo foram cruciais para que o Mais Cultura! voltasse as suas origens de revelações musicais para o grande público. Tive o prazer de conhecer e conversar com Fabiana Cozza (e surpresas virão para 2015) e com a cantora Ceumar, que mesmo da Holanda, podemos trocar algumas firulas e tive prazer igual em poder conhecer a cantora Ná Ozzetti e seu irmão Dante Ozzetti e este me presentear com a novidade de Macapá, Patrícia Bastos. Agradeço as inúmeras conversas que tive nos bastidores com a cantora Márcia Tauil, sempre grato por suas aulas e inspirações e sempre serei grato pelos inúmeros emails que recebo para poder divulgar no blog com sugestões de cantoras espelhadas por este mundaréu chamado Brasil. Posso garantir que 2015 será ainda mais dedicado ao mundo da música e que batalharei por entrevistas e artigos especiais. O Mais Cultura Brasileira! completa três anos, mas quem ganha é você, leitor!
 

Três anos de Mais Cultura Brasileira
Marcelo Teixeira

sábado, 11 de outubro de 2014

A morte prematura de Alexandre Silpert


Morre Alexandre Silpert
O Mais Cultura Brasileira está de luto. Luto eterno! Luto que não foi premeditado, nem tinha a pretensão de acontecer. Mas a morte veio e deu uma rasteira em todos nós. Hoje abro uma grande exceção para poder expressar aqui o meu sentimento de tristeza, de angustia, de lamentos e de sofrimento pela morte do jornalista Alexandre Silpert, carioca da gema e grande adorador da música popular brasileira por um todo, e que nos deixou no último dia 05. Se a morte é algo tremendamente chata, saber quem morreu é o pior dos sentimentos: Alexandre Silpert não era apenas um jornalista. Ele era mais que isso: um homem de cultura, um homem da música, dos bastidores (ele adorava usar essa palavra em nossas conversas), um homem do entretenimento, das amizades, das viagens, do mundo. Eu não conheci Alexandre Silpert; fora ele quem veio até mim. Dizia-me para continuar a escrever sempre e sempre e sempre, pois o que eu escrevia era algo notório para o futuro, para a posteridade, para a cultura brasileira, pois era a coisa mais rara encontrar algum blog que abordasse apenas a música brasileira. Quando decidi escrever três vezes na semana, Alexandre logo rebateu: “escreva duas vezes, quiçá uma”. E isso foi um desejo dele, pois o leitor ficava mais ansioso para saber sobre o novo artigo. Graças ao seu lado cultural, conheci trabalhos maravilhosos de artistas sensacionais: Gerlane Lops, Tio Samba, Dani Calazans, Leo Russo e a nossa mais recente conversa estava voltada para o cancioneiro de André Rio, cantor recifense. Todas as minhas viagens (e as dele também) era um motivo de comentário. Todos os espetáculos eram motivos de conversas afoitas e sinceras. Conversamos muitos sobre os prêmios musicais, sobre novas vozes, sobre teatro, sobre música e me sinto honrado em poder ser escolhido por ele (dentre muitos) para poder divulgar o seu trabalho através do meu papel de blogueiro e divulgador de música boa, como ele mesmo dizia. Alexandre Silpert morreu novo. Alexandre Silpert morreu jovem. Pessoas com a genialidade de Alexandre Silpert não mereciam morrer. Um infarto o levou. Mas Alexandre Silpert foi cedo demais. Até um dia, amigo!

 

A morte prematura de Alexandre Silpert
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 28 de março de 2014

De onde vem a crítica?


Faço crítica com arte!
Todos nós erramos na vida: ao nascermos já estamos errados se não choramos ou se estamos chorando demais. Na vida há muitas cobranças, pertinentes ou não, que norteiam nosso caminho a torto e a direito. Quando resolvi escrever sobre música brasileira, sabia que estava pisando em ovos. Ovos estes, quebráveis. Mas não intocáveis. Quando iniciei o Mais Cultura Brasileira!, em novembro de 2011, não sabia exatamente o que eu queria: se era criticar a música pobre, de esquina, dos marginalizados, dos arrogantes, dos iletrados ou se eu estava querendo destilar meu suave veneno em apostas vigorosas, discos esquecidos, cantoras e cantores que foram sucesso no passado, lançamentos indispensáveis. Não sabia ao certo. Pois bem: criei o blog sem ter um artigo pronto, apenas acordei de um sobressalto e estava lá o Mais Cultura Brasileira! Logo na primeira semana não obtive o resultado que queria: ninguém lia o que eu escrevia. Hoje, tudo o que escrevo vira repercussão de um jeito ou de outro e tudo começou quando criei o quadro As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos da MPB. A visibilidade foi enorme, o blog subiu ao topo de liderança que eu jamais pensei que fosse chegar e o meu nome foi capa de um jornal de Cultura de Mococa e, alguns meses depois, estava eu lá novamente em um tablóide do Amapá.  Alguns outros meses, meu nome e meu blog estavam na mesma coluna de resenhas com críticos do quilates de Charles Gavin (ex-Titãs) e Zé Vaz, do blog Som do Norte, sobre o lançamento do disco de Emília Monteiro. Isso pra mim foi o ápice maior de minha escrita: nunca pensei em imaginar que eu pudesse escrever em primeiro plano sobre uma cantora do Norte e, de quebra, ter o privilégio de alça-la a voôs longos. Está registrado: o primeiro a escrever sobre Emília foi o Mais Cultura, em seguida Charles Gavin e, por último, Som do Norte. Mas de onde vem a crítica? Esses dias fui criticado por um peso pesado da dita linha jornalística musical e isso tocou muito forte dentro de mim, pois o que escrevo, hoje, é natural de minha pessoa, de meus anseios sobre o disco, de minha persona sobre o que ouço, de minha característica de crítico e de presença sobre algo novo e que está a minha mão. Quando escrevo, despejo todos os adjetivos possíveis para que eu possa me satisfazer. Através desses artigos, consigo conversar com as palavras num tom peculiar, sentimental e rudimentar que apenas eu entendo e tento transpassar para as pessoas num tom mais elaborado. Mas todos nós erramos: erramos ao nascer, erramos ao crescer, erramos ao escrever um artigo. Antes eu pegava um disco qualquer e escutava apenas uma vez e dava a minha impressão sobre aquilo: não pegava os detalhes minímos. Com o tempo aprendi que para ser crítico, não preciso usar terno e gravata: posso ser normal como o vendedor de jornal. Ou seja: hoje quando escrevo, penso! Mas escrever é difícil e cansativo e por este motivo, só escrevo quando estou realmente desperto. Perguntaram-me uma vez como escrevia meus textos: simples. Eu preciso estar agitado. E para eu estar agitado, preciso de música, de poesia, de matéria, de café. Uso adjetivos, uso frases coloquiais, uso menos o barroco. E tento (ainda tento) escrever um artigo como se estivesse escrevendo um capítulo de um livro não acabado: escrevo conforme eu quero. Não preciso ser formado em jornalismo para escrever bem, pois a crítica dentro da crítica já está valendo. E mesmo escrevendo frases que soam como poesia, aqui para mim soam como suavidades extremas. Não preciso que me entendam, me interpretem. Não sou mais importante que o disco resenhado. O disco é mais importante que as minhas palavras. Se eu pudesse e eu ainda tenho tempo para fazer, excluíria todos os artigos que escrevi no início de carreira. Afinal, já entro no terceiro ano de Mais Cultura Brasileira! Hoje ninguém mais leria os artigos antigos, mesmo sendo um canal de aproveitamento ímpar futuramente. Mas aqui não faz importância alguma os artigos que me mandaram via email para que eu pudesse publicar em meu nome ou simplesmente os artigos na qual me debrucei quando deram mais credibilidade para mim. Tive parcerias maravilhosas em alguns artigos, fui pago em outros, tive a autorização em uns 4 ou 5 artigos para que esses mesmos artigos estivessem dentro do meu blog, com as mesmas palavras e significados e não me envergonho disso. Hoje, passados mais de 2 anos de blog e vida cultural voltada para a cultura brasileira exclusivamente, tenho a plena certeza de que fiz coisas certas e erradas, publiquei artigos errados em algumas vezes, acertei em vários artigos, critiquei e logo em seguida elogiei. Hoje tenho uma seleta lista de entrevistadas, como Márcia Tauil, Simone Guimarães, Emília Monteiro e Ná Ozzetti e para este ano de 2014 já tenho mais dois nomes de peso: um cantor de Minas Gerais que estimo pacas e o escritor Daniel Manzoni, amigo de longas datas, que lançará um livro sobre educação, ciência e cultura e é adorador de música brasileira. Nas palavras da cantora Emília Monteiro: sou um crítico. Mas críticos também erram. E meu defeito é tentar acertar. A minha crítica vem de dentro: em mim batem as sonoras batidas da música, certas ou erradas e é através disso que escrevo, critico e publico. E fazer crítica, para mim, é uma arte.

 

De onde vem a crítica?
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Mais Cultura 2014!


 
Mais Cultura 2014!
“Escrever requer usar disfarces”. A frase, proferida no excelente livro Outras Cores, do escritor turco Orhan Pamuk serve de exemplo para iniciar a maratona de artigos sobre cantoras e cantores para este ano de 2014. Obviamente que usar disfarces para escrever artigos musicais não é preciso estar usando máscaras para poder escrever o que se pensa ou que o leitor não quer ler. Mas usar disfarces, neste caso, requer ousadia, distração e cultura. Ousar é um dos pontos fortes de minha personalidade escrita e ousarei (ou tentarei) ousar ainda mais na  dicção de cada frase escrita. Distrair requer um momento em que eu mesmo falo comigo mesmo, afinal, quando sento na frente do noteboock, o que mais parece é que estou conversando com o cantor, orientando, tentando decifrar-te, tentando fazer com que ele me ouça e eu lhe digo seus erros e seus acertos. Distrair não precisa de disfarces, mas posso tentar usar minhas artimanhas para disfarçar meus arroubos distraídos. Cultura é o que mais quero escrever. Por mais que algumas pessoas insistem em dizer que eu não tenha que escrever sobre os lixos brasileiros assolados por aí, eu insisto que tenho que divulgar o que é de bom gosto e o que é péssimo gosto. Eu sempre digo que não sou formador de opinião, mas sim, um crítico que apenas comenta o que é para ser comentado. Assim como um escritor ouve críticas positivas ou negativas sobre seu trabalho, um determinado cantor ou cantora passa pelo mesmo crivo, um crítico musical passa pelo mesmo tormento ao qual os cantores passam. Se eu parar para ler as críticas severas à minha pessoa, eu já teria parado de escrever há muito tempo. O que aprendi nesse meio tempo foi que ser crítico tem lá suas vantagens: a vantagem de ser lido, adorado e odiado. Pra mim não importa. O ano de 2014 inicia-se como o ano das promessas musicais, tendo em vista que pelas minhas andanças, pesquisas e idas e vindas, descobri muita coisa boa, muita cantora escondida, alguns cantores presos em seus mundinhos e muita porcaria assolada nas favelas, barzinhos, inferninhos e casas de Madame Sophie. Que venha 2014. Sem disfarces.
 

Mais Cultura! 2014
Por Marcelo Teixeira

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Agenda Mais Cultura! Brasília recebe Sandra Duailibe, Lúcia de Maria e Jô Alencar juntas


Três vozes
O Clube da Bossa apresenta neste sábado, dia 24 de agosto, três grandes vozes que conquistaram um lugar especial no coração dos brasilienses, mostrando toda a sua força, capacidade e elegância vocal. As cantoras Sandra Dualibe (conhecida há muito tempo do Mais Cultura!), Lúcia de Maria e Jô Alencar sobem juntas ao palco do Teatro Sílvio Barbato para cantarem pérolas da boa música brasileira. Para acompanhá-las, mais uma vez o compositor, pianista e arranjador musical José Cabrera, o baixista Paulo Dantas e o baterista Amaro Vaz estarão presentes para mais um espetáculo. Brasília é o pólo efervescente e musical dos últimos anos, com grandes cantoras e excelentes musicos que conseguem extrair a magnitude maravilhada de uma ampla musicalidade. O Agenda Mais Cultura! divulga hoje três grandes vozes, três grandes cantoras que conseguem agregar música com beleza e três grandes mulheres brasileiras: Sandra Duailibe, Jô Alencar e Lúcia de Maria.

 

Clube da Bossa

Com Sandra Duailibe, Jô Alencar e Lúcia de Maria

Local: Sesc Brasília (Teatro Sílvio Barbato)

Horário: 11:30 às 13 horas

Data: 24/08/2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Chico Buarque agrega musicalidade em Na Carreira


O ótimo Chico
Intitulado Na Carreira, o novo DVD duplo ao vivo do mestre das poesias musicadas, Chico Buarque, tem tudo aquilo sobre a vida e obra do compositor carioca durante as gravações do último disco Chico. Nos bastidores, um site (www.chicobastidores.com.br) foi criado com relatos e curiosidades do novo trabalho do artista, retratando esse mega sucesso. Entre o material selecionado, há diversos vídeos de Chico falando sobre o ato de tocar violão, além de um bate papo sobre a seleção de repertório, recepção do público, a energia do ao vivo e sobre a evolução de seu show.O DVD agrega canções de seu álbum Chico, já resenhado aqui no Mais Cultura Brasileira! e que já vendeu mais de 80 mil cópias. Junto com as novas canções, o artista vasculhou os mais de 400 títulos de sua obra, tão vasta em gêneros quanto em assuntos, para chegar à lista final de 30 músicas.

Se no CD Chico temos um certo Chico Buarque meio murcho, muito apático, com frases sem sentido em algumas canções, como amar uma mulher sem orifícios, aqui no DVD tudo é diferente: mostra um Chico Buarque mais a vontade, cantando maravilhosamente pérolas de outras épocas, demonstrando ser o velho Chico, e com jogo de iluminação perfeita. Na Carreira só demonstra o quanto Chico Buarque é essencial para a música popular brasileira.

 

Faixas

1.O Velho Francisco/ 2. De volta ao samba/ 3. Desalento/ 4. Injuriado/ 5. Querido Diário/ 6. Rubato/ 7. Choro Bandido/ 8. Essa Pequena/ 9. Tipo um baião/ 10. Se eu soubesse/ 11. Sem você nº 2/ 12. Bastidores/ 13. Todo o sentimento/ 14. O meu amor/ 15. Teresinha/ 16. Ana de Amsterdam/ 17. Anos Dourados/ 18. Sob Medida/ 19. Nina/ 20. Valsa Brasileira/ 21. Geni e o Zepelim/ 22. Sou Eu/ 23. Tereza da Praia/ 24. A violeira/ 25. Baioque/ 26. Rap de Cálice/ 27. Sinhá/ 28. Barafunda/ 29. Futuros Amantes/ 30. Na carreira

 

Na Carreira DVD – Chico Buarque

Nota 10

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 10 de maio de 2013

É o Que Temos, mostra a versatilidade de Barbara Eugênia

Barbara: sutileza e beleza
O registro na identidade revela a carioquice, mas a falta de sotaque e a pele alva a camuflam entre as mulheres paulistanas. Discreta moradora do bairro da Pompéia, na zona oeste da capital paulista, a bela cantora Barbara Eugênia saiu do ensolarado Rio de Janeiro há quase uma década e aportou em São Paulo ainda sem saber que a música seria seu ofício. Tradutora, profissão que ainda exerce para custear parte das despesas que insistem em bater em sua porta, começou a cantar graças ao cinema, cujo foi convidada pelo produtor Apollo Nove e participou de duas músicas para a trilha sonora do filme O Cheiro do Ralo, dirigido pelo pernambucano Heitor Dhalia. Sua primeira vez nos palcos foi ao lado de Edgard Scandurra em um tributo ao francês Serge Gainsbourg.

Em 2010, lançou Journal de BAD, resenhado aqui no Mais Cultura Brasileira! com requintes de pompa e esse seu disco de estreia carregava o nome dos e-mails que mandava aos amigos contando sobre os pormenores da vida. Através do guitarrista Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, deu uma dica para que a cantora deixasse de lado a história de ser bad para ser good. Esse foi o salto sem paraquedas na música popular brasileira, lugar de onde Barbara Eugênia jamais deva sair. Com as participações de Tom Zé e Otto, o trabalho deu notoriedade e rendeu convites à cantora pelos quatro cantos do país. Fez contatos, shows, participou de projetos interessantes como o 3 na Massa (desenvolvido por Rica Amabis em parceria com os músicos Dengue e Pupillo, da Nação Zumbi) e ganhou experiência e cacha para o passo seguinte.

Aos 32 anos e com muita beleza de sobra, Barbara Eugênia se prepara para lançar seu disco número dois, que não carrega nenhum bad no nome. Mas as dificuldades e fantasmas do segundo CD passaram longe. O clima descontraído na produção de Edgar, sempre próximo, e Clayton Martin, baterista da banda Cidadão Instigado, fez com que o disco nascesse leve e descompromissado, daqueles de colar o rosto e brincar de amar.

Mais maduro e consistente, É o que temos tem as participações de Pélico, Tatá Aeroplano, Guizado e dos incontroláveis e talentosos Mustache & Os Apaches, grupo que toca com frequência nas portas de restaurantes de Pinheiros e Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo. O disco foi lançado virtualmente no site www.oimusica.com.br

Barbara Eugênia canta brilhantemente. E é muito melhor ouvir o disco do que eu resenhar uma ou outra faixa do CD. Barbara Eugênia cresceu musicalmente e achou na música o seu lugar e volta depois de um hiato de três anos para mostrar o que tem de melhor, o que não é, acreditem se quiser, seu belo rosto.

 

É o que temos – Barbara Eugênia

Nota 10

Marcelo Teixeira