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sábado, 11 de outubro de 2014

A morte prematura de Alexandre Silpert


Morre Alexandre Silpert
O Mais Cultura Brasileira está de luto. Luto eterno! Luto que não foi premeditado, nem tinha a pretensão de acontecer. Mas a morte veio e deu uma rasteira em todos nós. Hoje abro uma grande exceção para poder expressar aqui o meu sentimento de tristeza, de angustia, de lamentos e de sofrimento pela morte do jornalista Alexandre Silpert, carioca da gema e grande adorador da música popular brasileira por um todo, e que nos deixou no último dia 05. Se a morte é algo tremendamente chata, saber quem morreu é o pior dos sentimentos: Alexandre Silpert não era apenas um jornalista. Ele era mais que isso: um homem de cultura, um homem da música, dos bastidores (ele adorava usar essa palavra em nossas conversas), um homem do entretenimento, das amizades, das viagens, do mundo. Eu não conheci Alexandre Silpert; fora ele quem veio até mim. Dizia-me para continuar a escrever sempre e sempre e sempre, pois o que eu escrevia era algo notório para o futuro, para a posteridade, para a cultura brasileira, pois era a coisa mais rara encontrar algum blog que abordasse apenas a música brasileira. Quando decidi escrever três vezes na semana, Alexandre logo rebateu: “escreva duas vezes, quiçá uma”. E isso foi um desejo dele, pois o leitor ficava mais ansioso para saber sobre o novo artigo. Graças ao seu lado cultural, conheci trabalhos maravilhosos de artistas sensacionais: Gerlane Lops, Tio Samba, Dani Calazans, Leo Russo e a nossa mais recente conversa estava voltada para o cancioneiro de André Rio, cantor recifense. Todas as minhas viagens (e as dele também) era um motivo de comentário. Todos os espetáculos eram motivos de conversas afoitas e sinceras. Conversamos muitos sobre os prêmios musicais, sobre novas vozes, sobre teatro, sobre música e me sinto honrado em poder ser escolhido por ele (dentre muitos) para poder divulgar o seu trabalho através do meu papel de blogueiro e divulgador de música boa, como ele mesmo dizia. Alexandre Silpert morreu novo. Alexandre Silpert morreu jovem. Pessoas com a genialidade de Alexandre Silpert não mereciam morrer. Um infarto o levou. Mas Alexandre Silpert foi cedo demais. Até um dia, amigo!

 

A morte prematura de Alexandre Silpert
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O pagode de Leo Russo


Voz de preto, jeito moleque
A semelhança entre Leo Russo e Diogo Nogueira é enorme. Os dois tem olhos azuis, pele clara, são sambistas e, de quebra, quase a mesma voz. Mas isso não interfere em ambos os talentosos artistas, até mesmo porque ambos são excelentes cantores. Leo Russo está lançando um CD na praça em que convidou bambas cariocas para um divertimento e dessa festa nasceu parcerias musicais incríveis, como a participação de Dudu Nobre, o próprio Diogo Nogueira e a Velha Guarda da Portela, fazendo uníssono em algumas das belas canções. A única coisa chata na carreira de Leo é a sua semelhança com o filho ilustre de João Nogueira, porque o resto ele comanda a festa na melhor maneira possível. Leo Russo lança Leo Russo (2013 / Independente / 24,99) com pompa dos grandes sambistas do Rio e faz deste momento um único caminho para trilhar o sucesso. Tirando as aparências de lado, Leo canta e encanta nas catorze faixas que compõe o disco e nos presenteia com um pagode pé de serra feito pelos grandes bambas de outros carnavais, como Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Roberto Ribeiro. De uma coisa é fato: Leo Russo é um expoente desta geração a qual não viveu musicalmente, mas que cresceu ouvindo o melhor do pagode e do samba de sua cidade. O Rio de Janeiro produziu os melhores e maiores letristas, sambistas e puxadores de samba  de todos os tempos e Leo Russo veio para brilhar e dar continuidade a este segmento.

Voz de preto e jeito moleque, Leo Russo é um loiro que caiu no samba sendo influenciado por Zeca Pagodinho. Com um pandeiro nas mãos, o cantor reconhece que é preciso batalhar bastante para se ter um lugar ao sol. Dono de uma voz malemolente e contagiante, Leo faz de seu samba um tom maior para se firmar na música como sendo ele próprio mais um integrante das rodas cariocas. Suas letras são convidativas e sua alegria é presente nas faixas que encantam o ouvinte. Primeiro disco do cantor e compositor, Leo é um sambista romântico que consegue transformar as dores de amor por um bom partido alto.

Como vertente musical, Leo nasceria exatamente desta manifestação popular completamente ao seu estilo e registrando os acontecimentos musicais ao seu redor e sua música veio batizar esponteneamente o novo estilo de se fazer música, inovando o pagode derivado do samba carioca. A malandragem dos morros cariocas fez de Leo Russo ser um dos mais autênticos sambistas da atualidade e seu disco comprova esta autenticidade. Seu pagode, como manifestação cultural brasileira, aparece justamente no momento em que o estilo pede uma inovação no estilo.

Sua voz agrada, seu estilo agrada. Leo Russo é um cantor brasileiro, que canta samba ou pagode da melhor qualidade possível e isto reflete como sendo o melhor momento tanto para ele quanto para a nossa música popular brasileira.

Salve, salve, Leo Russo.

 
O pagode de Leo Russo / Leo Russo
Nota 8
Marcelo Teixeira