Mostrando postagens com marcador Zeca Baleiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Zeca Baleiro. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de julho de 2017

Os trunfos de Zizi Possi

Zizi Possi: diva das divas
Trabalhando a música de forma mais acústica e valorizando grandes clássicos da nossa música popular brasileira com um jeito único de cantar e expressar o sentimento por meio de canções que entrelaçam perfeita e nitidamente com o timbre de sua voz, Zizi Possi é considerada hoje uma das cantoras do primeiro time do cenário nacional, com toda a sofisticação e riqueza cultural que conseguiu angariar desde os anos de 1980, quando de fato adentrou na cultura do povo brasileiro. Em 1978, período fértil para a MPB, na qual despontavam vários novos artistas, como Alceu Valença, Marina Lima, Zé Ramalho e Elba Ramalho, o lirismo cristalino da voz de Zizi dava o tom do recado em músicas imortalizadas em sua voz com requintes de pluralismo acentuado acerca do amor, do romantismo, da aproximação entre o real e o imaginário do poder de seduzir e ser seduzido por meio do ar teatral e das mãos ao vento que a cantora sentenciava categórica e perfeitamente.  Dona de uma privilegiada de soprano, Zizi conseguiu dar um marca própria às interpretações de Meu Amigo, Meu Herói (1980), primeira canção das muitas de Gilberto Gil que gravou ou, ainda, Eu Velejava em Você, grande sucesso de Eduardo Dusek e Luiz Carlos Góes, que gravou em 1981, entre outras. Mas antes do sucesso vir bater à sua porta, em 1978 a cantora lançou o emblemático e atemporal Flor do Mal, que foi recebido mornamente pelos críticos da época, mas não pelo público, que vinha sendo seduzido por cantoras como Gal Costa e Elis Regina, seguindo a mesma linha cultivada pela autonomia e perfeccionalismo profissional. Assim como Gal e Elis, Zizi é uma intérprete e utiliza a voz como instrumento e recurso de trabalho e, perante isso, era sempre comparada às duas cantoras, ficando até em vantagem musical quando Elis morreu, em 1982. Chico Buarque a concebera ao estrelato dos estrelatos com a imortal e arrepiante Pedaço de Mim, cujo fizera dueto com o cantor em 1979, levando o país ao choro conturbado e generalizado.  Em 1982 gravou Asa Morena, música que a representou definitivamente ao grande público devido à sua interpretação sensacional e a grande intercalação entre sua voz e a canção regional, que pedia grande apelo comercial, mas que, devido a isso, não perdeu o seu caráter oficial de ser popular. Outro salto de qualidade foi proporcionado, novamente, pelo padrinho Chico, que a convidou para participar do disco em parceria com Edu Lobo, O Grande Circo Místico (1983), onde interpretou a faixa principal, O Circo Místico.  Tão dilacerante quando Pedaço de Mim, essa canção, que aborda o sobrenatural e o universo mítico do circo é até hoje um dos momentos mais emocionantes na carreira de Zizi. O perfil de Zizi Possi sempre foi o de estar antenada à sua geração musical e, por esse motivo, gravou de Djavan à Marina Lima, passando por João Bosco, Tom Jobim e Lulu Santos. Que, graças à sua personalidade musical, ganharam novo formato e nova roupagem. No entanto, o cansaço de estética pop, o axé, o pagode, o sertanejo e outros estilos musicais que não se encaixavam com o estilo único da cantora com o rótulo de cantora de excelente recurso vocal e repertório refinado, fizeram com que a cantora arregaçasse as mangas e desse uma grande virada em sua carreira. A partir de uma nova mudança musical nos anos 1990, sendo totalmente diferente daquela de início de carreira, Zizi passa por uma grande transformação musical e reconhece que seu estilo é único e intransferível. O refinamento na concepção e na produção de seus novos trabalhos deram a tônica à obra de Zizi desde então. Mas sem o apoio da máquina das grandes gravadoras, a cantora tomou as rédeas de sua carreira tornando-se produtora independente. O caminho aberto por ela nessa nova trilha foi o disco Sobre todas as coisas (1991), mas a consagração mesmo veio com Valsa Brasileira (1993), elogiado em todos os segmentos e veículos de mídia por ser um disco que prima pelas pérolas da MPB. O refinado Mais Simples (1996) se interpõe ao figurado Bossa (2001) e que se consagra com Per Amore (2006), disco que remete ao seu passado de origem italiana. Seu último trabalho foi o espetacular E o mar me leva (2016), em que reúne composições de Zeca Baleiro com produção artística de Swami Júnior, que veio embalado com o DVD Na Sala com Zizi, registro bem sucedido em sua carreira. A carreira magistral de uma grande diva da MPB se faz presente em todos os âmbitos de sua carreira magistral, com ênfase maior em sua categoria profissional e sua límpida e cristalina voz. Viva Zizi Possi!
 

Os trunfos de Zizi Possi
Por Marcelo Teixeira

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Os Pássaros Urbanos (2014) de Raimundo Fagner



Os pássaros de Fagner
Raimundo Fagner é um dos melhores cantores nordestinos, sem tirar os méritos de outros grandes artistas de sua geração. Mas a capacidade vocal e a extensa lista de sucessos refletem em sua carreira sólida o status de um dos melhores de todos os tempos. Depois de quase cinco anos sem lançar um disco, o cantor e compositor cearense volta com a prioridade de reconquistar o público perdido, angariar mais ouvintes à sua música e disposto a provar que sua criatividade não se esgotou. Em Pássaros Urbanos (2016 / Sony Music / 22,00), o cuidado com a escolha de um repertório bem selecionado com uma sonoridade perfeita e letras bem arquitetadas, o cantor revisita o cenário nordestino como um pássaro musical marcado pela cultura de sua geração. O disco contém 11 faixas, sendo três regravações, que resumem quatro décadas de estrada de um dos nomes mais bem-sucedidos da história da MPB.  Fagner tinha sede de se lançar de novo ao seu público e muita vontade de jorrar para fora toda a sua cantoria embutida pelo longo hiato na qual submeteu. Pássaros Urbanos versa sobre amores urbanos com sons contemporâneos, um tom predominantemente romântico, que é a marca registrada do cantor. O repertório traz parceria com Fausto Nilo (Balada Fingida), Zeca Baleiro (Samba Nordestino) e Belchior (Paralelas), sendo uma releitura de um dos clássicos do repertório deste. Pássaros Urbanos mostra toda a versatilidade de Raimundo Fagner perante a sua regionalidade e toda a sua superação musical ao voltar ao cenário da MPB com um álbum de inéditas. O disco é uma verdadeira obra prima. Os pássaros de Fagner resolveram voar sem uma parada obrigatória.

 

Pássaros Urbanos (2014) / Fagner
Nota 9
Marcelo Teixeira


 

sábado, 7 de maio de 2016

Rita Ribeiro e o último disco tradicional de sua carreira


 

Rita Ribeiro: um bom disco
Rita Ribeiro lançou Comigo em 2001 e foi um disco muito bem recebido pela crítica popular, mas não pela crítica jornalística. O álbum é bom e de fato não chega a ser um divisor de águas na carreira de Rita, que agora assina como Beneditto, mas já deixava claro que a cantora precisava se afastar um pouco do cancioneiro de Zeca Baleiro e Chico César (tanto que ela gravou uma bela música de Vander Lee, Românticos, que virou referência em sua carreira e ofuscou músicas de compositores consagrados como Baleiro, César e Jorge Ben). Sendo o último disco antes da virada retórica e triunfal na vida da cantora para o misticismo e a religiosidade crescente em seu cárater pessoal, Comigo não deixou marcas profundas na carreira de Rita, mas alçou a musicalidade da cantora para um público que ainda não a conhecia, fazendo com que ela se tornasse uma referência ainda maior no Brasil. É bem verdade que Rita já vinha sendo conhecida pelas músicas compostas pelos amigos Zeca Baleiro e Chico César e isso estava fazendo com que a cada CD lançado fosse esperado ao menos três canções de cada, mas a grata surpresa foi ter a música Românticos como sendo o carro chefe deste trabalho. A música foi composta pelo mineiro Vander Lee, que estava iniciando na seara musical, mas que já vinha com uma música que muitas pessoas já tinham se identificado, Esperando Aviões. Comigo não é um disco em que temos que parar para ouvir com uma profundidade enorme, mas não podemos tirar todo o mérito deste álbum. Rita estava inspirada nos vocais, nas melodias, mas não estava inspirada por completa na arte visual, pois a capa e o encarte são horríveis. Tirando esse percalço, o disco tem um carisma profundo de brasilidade espontânea e a voz de Rita está impecável.

 

Comigo (2001) / Rita Ribeiro
Nota 7
Marcelo Teixeira

 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Cinco cantores brasileiros!


Cinco cantores
Há muitos cantores brasileiros de gabarito personificado dentro da música popular brasileira de todos os tempos e esse mérito foi consagrado aqui mesmo no Mais Cultura Brasileira quando abordei os 10 maiores cantores dos últimos 10 anos dentro deste cenário. Não foi uma tarefa fácil, assim como não foi uma tarefa das mais difíceis, tendo em consideração o que esses cantores representavam (e ainda representam) dentro de um segmento linguístico, de forma representada e não de personalidade dentro de um conceito enquadrado, digno de uma singularidade plena de um estilo qualquer. Há muitos cantores bons, muitos esquecidos e muitos que precisam ser descobertos ainda, mas tive a audácia de selecionar, estudar e catalisar todos os maiores e melhores cantores das últimas décadas para uma seleta lista de dez, caindo para oito e fechando com cinco que, de fato, representam e aprimoram e enriquecem a nossa música nacional em um respeitado estilo musical qualificado por sonoridade, melodias e suas letras autorais. De cara e de olhos fechados, selecionei os cinco cantores, músicos e compositores que maior representatividade me orgulham pelo conjunto da obra e pelos vários discos lançados, cada qual com sua participação efusiva, cada qual com sua maneira de expressar sua arte e tendo uma sonoridade ímpar e autoral que distingue suas músicas dos cantores ditos populares. Nesse amplo caminho, Chico César é o cantor que, sem sombra de dúvidas, revela seu lado mais poético, mais singular e mais atemporal dentro de um sentimentalismo que tem por si só uma mistura de fina flor com arbustos dourados e metálicos em forma de glorificação e a prova disso é seu excelente disco atual, Estado de Poesia (2015). Ah, se todos fossem iguais ao Chico, quanta beleza a terra iria findar numa guloseima de sopa de letras e numa profusão de paródias letrais. Chico César, paraibano, poeta nato, cantor de sentimentos puros, olhar antenado e composição afinada. Alberto Salgado representa a ambiguidade masculina, retratando seu lado mais refinado dentro de um pantaleão de cores e objetos cortantes, que nos revelam notas dissonantes e versos sensacionais de calibre espinhal e arquitetônicos. Ah, Alberto, brasiliense, inquieto, sonhador, compositor dos mais inteligentes da atualidade e com um dos melhores discos de todos os tempos (Além do Quintal, 2014 ) Alberto é aquilo que a música brasileira de fato precisa: com um misto e legitimidade autoral incrível retratando a beleza da paisagem concreta e o dossal entre o singelo pluralismo abstrato em forma de desenho musicado, o cantor mostra o quão importante é a sua música para a atualidade numa forma coloquial, categorial e sincera. E o que dizer de Lenine, pernambucano, brejeiro, pensador sofisticado de palavras suaves, mas enorme salubridade sobre a vida, genioso e arteiro?  Lenine é o artista mais completo dentro de uma consistência musical harmoniosa, geniosa e lírica: sua música transcende aquilo que não possamos alcançar, o inatingível, o abstrato, o irreal que assola nossos poros, nossas artérias e o nosso ar vertical. É quase impossível não termos a sensação de que sua música é aquilo que ele mais nos representa: o homem na sua forma mais plena da sabedoria divina, do escárnio intelectual e da tenebrosa tempestade de versos histriônicos que repelem a uma dissecação de alegoria em forma de poesia. Zeca Baleiro é o cantor que representa a síntese do cantor popular que fala às multidões num gosto acelerado de riqueza nordestina, sendo ele mesmo um nordestino que consegue ater a atenção de todos por um simplório desejo musical. Se Zeca, maranhense, poeta inspirador, é um típico representante da comunidade e tem o poder de juntar gregos e troianos, isso requer dizer experimentar que ele é o fruto proibido entre a música regional e a música de seletivos críticos. De qualquer forma, seus discos nos fazem pensar na característica personalidade que o faz recitar poemas em letras tão melódicas e antissociais. São elementos essenciais para que Zeca componha de uma maneira difícil mas com o pensamento na realidade de todos os tempos. Enquanto todos seguem uma linha tênue entre o lirismo formal e fugindo da atmosfera platônica que envolve o homem e sua magnitude, Luiz Marques nos traz uma musicalidade em que o romantismo convencional ou reservado supere aquilo que falta em muitos (bons, medianos e ótimos) cantores: a do cantor popular sem ser caricato, buscando em suas letras e melodia a satisfação realista de sua beleza autoral, fazendo com que o seu intelectualismo nos permita transitar entre o belo e o cauto, entre Paris e Minas Gerais e entre a solidão masculina e a realização feminina num piscar de olhos. Esses arvoredos de sensações estão representados na maioria de suas belas canções, dentro daquilo que sugiro ser a mais pura forma de demonstrar o quão sensacional é a sua música. Ah, Luiz, mineiro, sonhador, pesquisador da boa música e merecedor de aplausos pelo espetacular CD Noite Azul (2015). Estar nesse patamar da música popular brasileira não é para qualquer cantor: é preciso muito mais que cantar e demonstrar sua arte! É preciso ter disciplina, ética e agarrar o ouvinte pelos ouvidos, pelos poros e pela alma. É ter a certeza de que sua música é fiel, verdadeira e que catalisa as pessoas pelo lado mais puro e doce, pelo lado mais concreto e real, pelo lado mais sereno e merecedor. Estar nessa criteriosa lista é estar entre os melhores da música contemporânea, é estar entre os melhores dos melhores e estar entre aqueles que sempre gosto de colocar: no topo mais alto da música. Alberto Salgado, Chico César, Lenine, Luiz Marques e Zeca Baleiro são os melhores cantores dos últimos anos, sem qualquer ponto de interrogação!

 

Cinco cantores brasileiros!
Por Marcelo Teixeira

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Zeca Baleiro revive Zé Ramalho em CD duvidoso


Um disco comum
2015 foi o ano das homenagens feitas de cantores da nova safra por cantores de outras gerações. Depois de Adriana Calcanhotto lançar álbum homenageando Lupicínio Rodrigues, agora é a vez de Zeca Baleiro dedicar uma justa adequação em forma de música para o cantor Zé Ramalho, que nunca recebera homenagens em discos completos. Não chega a ser o grande lançamento do ano, muito menos fará deste disco ser o melhor da carreira emblemática de Zeca, mas vale a pena ouvir as já manjadas canções do cantor paraibano cantadas aqui pelo cantor e compositor maranhense. Algumas regravações ficaram boas, casos de Chão de Giz e Eternas Ondas, mas outras, como o mega sucesso Avohai e Táxi Boy, ficaram suspensas no ar, com aquele clima de consternação musical. A capa do álbum é simples, negra e com a imagem de Zeca ao lado, mas a atmosfera do disco não atrai muito e, quando se trata em homenagens (ainda mais quando o homenageado está vivo!), o resultado deveria sair melhor que o esperado. Neste caso, esperamos muito de Zeca para pouco resultado, porque as canções cantadas por ele não soam com a mesma empatia e elegância que o dono das canções nos transpassam. Zeca uniu um repertório já manjado em que todas as letras são muito conhecidas do grande público, mas infelizmente não teve o preparo de fazer um grande disco. Mesmo assim, fica registrado um trabalho que merece respeito pelo fato de que todos os cantores reverenciam a obra e a pessoa de Zé Ramalho, mas ninguém ousou em dedicar um trabalho inteiro sobre ele. Em seu décimo quinto álbum, Zeca parece se equilibrar entre aquilo que quer lançar e aquilo que acha que vai dar certo, tanto que o cantor deixou de ser ponto forte nas composições que cria para dar ênfase total a composições de outros cantores (isso já vem ocorrendo com certa frequência na carreira do cantor). Meio rock pesado com som leve, misturado a guitarras, violão, banjo e acordeom, Chão de Giz (2015 / Som Livre / 24,99) é um disco que merece atenção mais pela ousadia que pela voz de quem o canta. Calma! Não estou aqui denegrindo a imagem de Zeca Baleiro, mas acontece que o disco é mediano, pouco convincente e muito comercial. O fã de Zeca poderá se assustar com o resultado, mas o fã de primeira viagem poderá adorar o resultado. No meu caso, que estou acostumado com o Zeca dos tempos de vacas secas de início de carreira, prefiro me contentar em acreditar que ele voltará a ser um dia tão musical quanto popularesco.
 

 
Chão de Giz (2015) / Zeca Baleiro
Nota 8
Marcelo Teixeira

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Emília Monteiro em São Paulo

Emília: do Norte pra São Paulo
No dia 30 de abril de 2013 escrevi um artigo em que pedia para que o som da cantora amapaense Emília Monteiro saísse do reduto nortista para invadir os quatro cantos do país, pois sua voz merecia ser ouvida. No dia 26 de maio do mesmo ano, saiu no Jornal do Amapá, na coluna da Tica (jornalista de grande repercussão no Amapá) partes desse meu artigo. Portanto, minhas preces foram ouvidas. Emília Monteiro desembarca em São Paulo para duas únicas apresentações: uma no Sesc Sorocaba, no dia 15/11, e o mais aguardado será realizado na Vila Madalena, reduto dos mais morderninhos em questão de sonoridade, com seus barzinhos charmosos e pessoas descoladas. Emília cantará no Espaço Cultural Puxadinho da Praça (Rua Belmiro Braga, 216, Vila Madalena / São Paulo) na segunda feira dia 17 agora, às 20 horas, ao lado das cantoras Nátalia Matos e Luciana Oliveira, que farão uma participação especial. Valor: apenas R$ 15 reais!!! Única apresentação, vale a pena conferir o talento desta grande cantora, um verdadeiro talento brasileiro e que está conseguindo, aos poucos, mostrar sua brasilidade aos quatro cantos deste país. Entrevistada pelo Mais Cultura Brasileira!, a cantora considera Clara Nunes e Elis Regina como as maiores vozes do Brasil e já foi até mesmo elogiada pelo ex-titã Charles Gavin, hoje referência musical no país. Emília é uma dessas raras cantoras que nos encantam apenas com seu olhar: encantador e suave.  Dona de uma voz magistral e de um carisma incrível, a cantora apresentará seu CD Cheia de Graça (divulgado no Mais Cultura! em Abril de 2013), considerado um dos melhores dos últimos tempos e que contém composições de Ellen Oléria, Márcia Tauil, Simone Guimarães, Zeca Baleiro, Célso Viáfora, Val Milhomem e a diva Dona Onete, criadora dos sucessos Veneno de Cobra e Este Quero Este Moreno Pra Mim. Emília merece ser ouvida, assistida, admirada e aplaudida de pé por todos os brasileiros, pois seu canto é de uma beleza profunda e única. Uma das cantoras que merecem a sua atenção graças ao seu canto, sua graça, sua beleza e sua espontaneidade. Emília Monteiro é uma dessas cantoras que faltavam no mercado fonográfico para falar do povo do Norte, cantar suas referências e seus estilos e nos mostrar seus mantras. Cheia de Graça, Emília desembarca em São Paulo trazendo na bagagem um grande disco e uma grande voz!  

 

Emília Monteiro em São Paulo
Marcelo Teixeira

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Veneno de Cobra - O belo clipe de Emília Monteiro


Grande revelação no Mais Cultura Brasileira de 2013, a cantora amapaense Emília Monteiro acaba de lançar um clipe da música Veneno de Cobra, composta por Dona Onete, figura tarimbada no Norte brasileiro, que remete alegria a quem a ouve e faz de suas músicas um aliado para combater o mau humor. Entrevistada pelo blog, Emília lançou o CD Cheia de Graça em 2013, trazendo composições de Ellen Oléria, Zeca Baleiro, Márcia Tauil e Simone Guimarães na bagagem recheada de marabaixo, lundu e danças típicas de Macapá. A música Veneno de Cobra está neste belo disco, assim como outras composições de Dona Onete. O clipe é maravilhoso, cheio de cores, com uma vivacidade incrível e radiante, mostrando toda a beleza que há pelo lado nortista e a capacidade de impressionar de uma cantora altamente brasileira, com categoria e elegância mútuas. Emília Monteiro consegue, mais uma vez, provar de seu próprio veneno e sobressair pelo lado mais fortuito: o eco de sua voz, o brilho de seu olhar, o sentimento mais puro de sua emoção. Dona de uma das melhores vozes brasileiras, a cantora é refêrencia hoje no Norte brasileiro e consegue fazer de seu carisma um dos motivos mais festivos para a realização de sua obra: nela estão concentradas todas as riquezas que há em Amapá! Vale a pena conferir este grande lançamento e podendo conhecer um pouco mais do trabalho artístico desta grande cantora, que consegue nos hipnotizar com seu olhar, nos encantar com sua voz e nos enfeitiçar com seu veneno.
 

Veneno de Cobra (Clipe) / Emília Monteiro
Por Marcelo Teixeira

quarta-feira, 12 de março de 2014

O ótimo disco de estreia de Rita Ribeiro (1997)


O primeiro disco de Rita Ribeiro
Rita Ribeiro agora é Rita Beneditto, mas sua música continua sendo boa, seja como Ribeiro, seja como Beneditto e esse detalhe não atropela os segmentos de sua musicalidade. Lançado em 1997, o primeiro disco da cantora veio como um golpe no estômago de muita gente que acreditava ser apenas mais um disco mal produzido que vinha dos confins de Maranhão. Estavam todos enganados. O disco de Rita Ribeiro foi um dos melhores daquele ano e comprovou sua garantia de vida dentro da MPB, que estava voltada mais para o lado bossa nova de Daniela Mercury, os sertanejos tentando uma volta ao mercado fonográfico, os pagodeiros enfrentando o ostracismo e o início de uma boa safra de cantores e compositores, como Lenine, Zeca Baleiro, Chico César e a prórpia Rita. Este disco tem uma importância tanto para Rita quanto para a música porque trouxe à tona toda a sensualidade plena de Baleiro e comprovou a autenticidade do mestre paraibano Chico César. Graças ao disco – e principalmente – a música Lenha (Zeca Baleiro), a cantora pôde se apresentar em diversos lugares do Brasil e até fora dele e sendo regravada depois por sertanejos sem a menor vocação ou sensibilidade para com a canção. Rita Ribeiro (1997 / 19,99 / Velas) é um disco completo, que nos remete ao sertão do Maranhão, tão distante e tão belo, que somente a voz de Rita nos embala para tão distante. Hoje o disco encontra-se raro, mas se aventurando a procurar, talvez até encontre. Um disco perfeito para uma cantora iniciante, Rita Ribeiro comprova seu talento junto aos cantores que a descobriu. Já neste primeiro disco, Rita dá sinais de que a umbanda e o candomblé seriam seu ponto alto, a sua música e sua doutrina em discos futuros. Louvando os deuses que a protege, Rita é uma verdadeira defensora dos misticismos e das crenças e isso reflete em sua música por um todo. Senhora de seu saber, sempre foi domesticada a cantar aquilo que gosta ou sente, não fazendo jus ao mercado fonográfico que impõe regras ou interrogações. O sotoque nordestino aparece em todas as faixas do disco e isso é arrebatador. Vale ressaltar que as músicas de Baleiro e César Missiva e Olhozinho, respectivamente, são os pontos fortes de todo o disco, mas não tem como não se encantar pela sensual Cocada ou Pé do Lajeiro. Sem sombras de dúvidas, Rita veio para ficar e tinha esta certeza quando lançou este sensacional disco. Seja como Rita Ribeiro como Rita Beneditto.

 
Rita Ribeiro (1997) / Rita Ribeiro
Nota 10
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Trio Bonito: a nova sensação de Brasília


Trio: uma mulher, dois homens
Já disse em outros artigos o quanto a voz de Nathália Lima é doce e cristalina. Brasiliense e grande pesquisadora da música popular brasileira, Nathália é uma das maiores cantoras do Brasil, sendo reconhecida até mesmo por Roberto Menescal, um dos pais da Bossa Nova, ao qual fez uma bela participação no disco Elas Cantam Menescal. O ano nem começou direito e Nathália já entrou de cabeça em planos que vão além de sua rica e saudável voz: a cantora se juntou a dois amigos e juntos criaram o Trio Bonito, que já vem fazendo um certo barulho na capital do Brasil, local onde o grupo foi formado.  Nascido em Janeiro deste ano, o Trio Bonito é composto pela competência e jovialidade de Nathália Lima (voz), pelas guitarras de João Baptista e pelo percussionista Mariano Toniatti e o grupo surgiu para trazer alegria por meio das músicas mais bonitas e amadas no mundo, vulgo a nossa música popular brasileira. Com influências de grandes compositores populares da antiga e da nova geração, como Gonzaguinha, Roque Ferreira, Chico Buarque, Edu Krieger, Zeca Baleiro, Criolo e de grandes mestres do brega, como Reginaldo Rossi e Nelson Ned, o Trio apresenta os mais variados ritmos brasileiros e suas referências, tudo com muita modernidade e com novas roupagens, em clima de festa.  Portanto, quem gosta de músicas boas, interpretadas por uma voz bonita e talentosa, tem que conhecer o trabalho de Nathália Lima. Basta acessar o site www.soundcloud.com/triobonito e conferir a voracidade e capacidade vocal da cantora. Simplesmente belo, o Trio Bonito tem tudo para emplacar como um dos trios mais sensacionais dos últimos tempos, tanto pela qualidade vocal, quanto pela técnica de todos envolvidos. A porta-voz do trio é uma jovem muito bonita e já mostrou maturidade artística ao lado do monstro sagrado Menescal e ajuda a conservar a área musical brasiliense com sua rica formação musical. A voz firme e diáfana de Nathália viaja dos graves ao agudo com extrema facilidade e leveza e esse brilho em sua carreira de interprete faz toda a diferença. O estilo do Trio Bonito é fortemente ligado às raízes brasileiras de forte qualidade e grande relevância musical, sendo marcado principalmente pela cultura e pelo reverenciamento brasileiro e é essa a diferença e sofisticação do trio, que consegue captar toda a alegria, dramaticidade, sensibilidade e carência nas músicas, dando-lhes novos acordes. Gostei e muito do que ouvi ao som do Trio Bonito e a vontade é de estar sentado de frente à eles, os vendo cantar, tocar e nos alegrar. E apostem: o Trio Bonito será uma grande referência musical para todos nós.

 

Trio Bonito
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Entrevista com Emília Monteiro


Emília: cantora do Amapá foi revelação de 2013
Entre um contratempo e outro, uma viagem à Macapá e shows ao lado de Dona Onete, Emília Monteiro reservou um tempinho para dar uma entrevista para fechar o Mais Cultura! com chave de ouro. A cantora amapaense, que foi considerada pelo blog como sendo a maior (e melhor) revelação do ano de 2013, é digna de uma elegância sofisticada, de uma cultura sem igual, de um carisma arrebatador, de uma meiguice profunda e de uma delicadeza incomum, que faz deste critico musical ficar ainda mais apaixonado por sua música. Dona de uma voz poderosa e detentora dos cantos amazônicos, Emília Monteiro nos revela sua musicalidade, desvendando segredos, revelações, novidades e mais suingues para o próximo ano e revela que ‘Cheia de Graça vale como benção de Nossa Senhora quanto à analogia com o bom humor e a irreverência’ e diz que ‘as maiores vozes do Brasil são Elis Regina e Clara Nunes’.


Marcelo Teixeira: Por que seu disco recebeu o saboroso título Cheia de Graça?

Emília Monteiro: Marcelo, esta é uma pergunta interessante, porque foi simplesmente o acaso... Ângela Brandão, uma excelente compositora mineira, radicada em Brasília, me mostrou a letra que levava o nome Cheia de Graça e eu além de amar a poesia e todo o significado daquela letra, identifiquei que Cheia de Graça tanto vale como bênção de Nossa Senhora, quanto também à analogia com o bom humor e a irreverência e nos dois casos achei pertinente colocar o nome no CD, assim ele já estaria abençoado e bem humorado ao mesmo tempo...

M.T: Hoje você é uma cantora reconhecida em todo o território nortista e aos poucos está desbravando o Brasil inteiro. Se sente realizada com este sucesso já no disco de estreia?
E.M: Me sinto feliz, percebendo que, por ter feito um disco que não se enquadra numa MPB dita tradicional, consegui ter os bons olhos de blogs especializados em música, assim como de críticos de música e principalmente do público... É claro que era algo que eu gostaria mesmo que acontecesse, mas me surpreendi por estar sendo dessa maneira... Ainda não me considero realizada porque o trabalho acabou de começar, mas estou muito satisfeita, principalmente por ser o primeiro Cd.
 
M.T: Dona Onete é uma figura tarimbada no Norte do País, uma cantora e compositora valorizada no Amapá  e de onde você extraiu algumas de suas canções para gravar Cheia de Graça, inclusive com participação dela. Conte-nos um pouco sobre a amizade de vocês.
E.M: Dona Onete é uma pessoa iluminada, uma força da natureza, uma entidade... A conheci pelo youtube e logo me apaixonei e entrei em contato com ela para gravar uma música, dizendo que estava apaixonada pelo Moreno Morenado dela e que queria gravar eu disse: ‘Dona Onete, eu quero este moreno pra mim!’ Ela riu e falou que esse moreno já tinha dona, que era ela, mas que faria um pra mim... E fez !!! Eu Quero Este Moreno Pra Mim foi uma música feita pra mim por ela... Ela nem me conhecia pessoalmente quando a fez, então a nossa empatia foi instantânea, desde o primeiro momento, quando nos conhecemos pessoalmente, na oportunidade da gravação da participação dela, era como se já a conhecesse de longa data, ela hoje é parte da família, todos nós a amamos. Quando fiz o lançamento do Cd no Clube do Choro dia 30 de julho ela estava lá comigo, me abençoando... É difícil descrever, eu sou super fã dela como artista e como ser humano, um verdadeiro presente da vida !

M.T: Quais foram suas influências musicais?
E.M: Foram várias, minha casa sempre foi uma casa musical, meu pai era cantor em Macapá e deixou de lado o sonho para fazer carreira no Banco do Brasil, ele sempre ouviu de tudo e fez questão de nos passar todas as suas influências musicais, então eu já nasci escutando música, jazz, MPB, Bossa, Jovem Guarda, Tropicalismo, Chorinho, mas principalmente as vozes femininas de cantoras que tocaram a minha alma como Elis Regina, Clara Nunes, Alcione, Zizi Possi, Elza Soares, Ângela Maria, Rita Lee, Fafá de Belém... todas fazem parte da minha formação musical. Nossos fins de semana sempre foram regados de boa comida e muita música, minha mãe sempre disse que casa sem música é uma casa triste, eu concordo com ela ! rsrsrs

M.T: Gostaria de dividir uma música com qual cantor ou cantora em um disco futuro?
E.M: Nossa, que difícil essa pergunta, mas adoraria cantar com todas essas que mencionei acima, algumas infelizmente já se foram, ter cantado com a Dona Onete já é uma realização de sonho, mas minha primeira ‘ídola’ foi a Rita Lee, porque aos 8 anos eu não escutava Balão Mágico, escutava Rita Lee, cantava sentindo Shangrilá como se fosse uma pessoa muito vivida...rsrsrs Quem sabe, né ? rsrsrs

M.T: Seu disco de estreia teve muitos sons do Norte, como carimbó, marabaixo e lundu. Aqui em São Paulo praticamente não se ouve esses sons, que é de uma riqueza profunda. Pensa em algum dia vir a fazer um show pelo Sudeste?
E.M: Claro!! Estamos com planos e projetos de em breve, provavelmente no próximo ano, levar esse som pra Rio, Sampa e Belo Horizonte, são os meus próximos planos, já que o lançamento do Cheia de Graça também já aconteceu em Macapá e já está agendada para o primeiro trimestre em Belém.

M.T: Você sonhava em ser cantora ou tinha outra profissão em mente?
E.M: Eu amava cantar, sozinha, pra amigos ou pra uma platéia grande... Mas não tinha maiores pretensões com a música, não havia pensado seriamente na música como fonte de sobrevivência, era um hobby que me realizava, mas eu acho que a arte não é opção na vida da gente, é missão mesmo. A minha consciência a respeito disso agora é diferente, o Cheia de Graça foi um divisor de águas na minha vida, não me vejo mais sem cantar, então, virou um sonho real.

M.T: Como foi o processo de criação do disco?
E.M: Foi uma delícia!! A idéia começou em 1998 quando gravei a canção Mal de Amor, que é um marabaixo lá em Macapá. A partir daí passei a incluí-la no meu repertório aqui em Brasília, com uma grande curiosidade e aceitação do público... Aí eu já sabia que se algum dia gravasse um CD, ele teria como missão trazer à tona ritmos amazônicos justamente porque as pessoas desconheciam e ainda desconhecem essa riqueza brasileira, fruto da nossa linda miscigenação de 3 raças, a branca, indígena e negra que nesse caso se traduz musicalmente, mas que vai muito além da cultura, passa pela religião, gastronomia, comportamento e sabedoria. Como filha amapaense, não posso deixar de me orgulhar disso tudo e de fazer a minha parte divulgando os compositores e esses ritmos maravilhosos.

M.T: De Ellen Oléria a Zeca Baleiro, passando por Dona Onete, Márcia Tauil, Simone Guimarães e Suely Mesquita, sem falar do experiente Celso Viáfora, completam um time de competentes compositores. Você deixou algum compositor  de fora deste disco?

E.M: Mas é claro!!! Vários!!! Compositores do Amapá, Pará, Brasília, Rondônia, Acre, Sampa e Rio estão na minha mira para o próximo trabalho. Me sinto muito privilegiada de ter podido contar com estes maravilhosos compositores no meu disco de estréia.

M.T: Emília, você foi eleita pelo Mais Cultura! como  cantora revelação este ano. Como se sente sabendo deste título?
E.M: Uau!!! Me sinto feliz e muito grata por estar recebendo esse título, mais feliz ainda porque esse título traz à reboque a certeza de que estou no caminho certo intuitivamente...

M.T: O ex-Titã Charles Gavin e  Zé Vaz, do blog Som do Norte, elogiaram assiduamente seu disco. Logo em seguida veio o blog Eu Ouvo com uma crítica apaixonante. O Mais Cultura! saiu na frente e, em abril deste ano (2012), fez um longo artigo sobre seu lançamento (o mais aguardado de todo o Norte / Nordeste), antes mesmo de estar no mercado fonográfico. Essas críticas em relação ao seu disco aumenta a responsabilidade para o próximo trabalho?
E.M: Com certeza! Tive também a alegria de ter o meu Cd resenhado poeticamente por Aquiles Reis (do MPB4), por Mauro Ferreira (do Blog Notas Musicais), o próprio Zeca Baleiro fez um comentário lindo sobre ele. Sei que a expectativa para um próximo trabalho é natural. O que eu posso dizer é que nesse primeiro trabalho, eu só gravei músicas que traduzem a minha verdade, tenho certeza de que é por isso que as pessoas que gostam é porque conseguiram identificar isso. Não será diferente num próximo trabalho, assim como diz Milton Nascimento em Certas Canções : Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim, que perguntar carece: Como não fui eu que fiz?! Certa emoção me alcança Corta-me a alma sem dor Certas canções me chegam, Como se fosse o amor.

M.T: Sei que ainda é cedo, mas já está pensando em um novo disco?
E.M: Já estou sim, essa pesquisa de repertório nunca pára pra uma intérprete...

M.T: Na sua opinião, qual o critério para se fazer música no Brasil?
E.M: Eu não sei se eu diria critério, mas a característica principal de quem faz música no Brasil com certeza é a perseverança e a fé, porque ainda vivemos num país que não prioriza a cultura, infelizmente. O artista independente, que não conta com a mídia a seu favor é um herói por definição.

M.T: Qual a maior voz do Brasil na sua opinião?
E.M: Eu não conseguiria dizer uma única voz, mas Elis Regina e Clara Nunes são algumas das vozes que me fizeram querer cantar pra libertar a alma desde pequena.

M.T: Emília, se você se auto definir com uma música de seu disco, qual seria esta música e por que?
E.M: Esse é um disco essencialmente feminino, das 12 canções, 7 foram compostas por mulheres, então todas as músicas me traduzem com certeza, se é pra escolher uma, então eu escolho Cheia de Graça, porque foi por um momento pessoal de superação e mudança de paradigmas que eu decidi fazer o CD, e a canção fala do recomeço: ‘Limpei o pó das cortinas, pus alecrim na janela, vento que passar por ela vai mudar o horizonte... Varri o chão e a soleira, lavei com água de cheiro, passo que eu der aqui dentro vai ser de novo o primeiro... Se me fez chorar não tem de quê, é água que eu uso pra me benzer que eu sou Maria Cheia de Graça’!

Emília, gostaria de agradecer profundamente à você pela simpatia e pelo espaço dado ao Mais Cultura!, concebendo esta entrevista, fechando  com chave de ouro o ciclo de artigos para este ano de 2013.


Até 2014!!!


Entrevista com Emília Monteiro
Por Marcelo Teixeira

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Todo Domingos (2010) traz Flávia Bittencourt homenageando Dominguinhos


Flávia: bela voz nordestina
Flávia Bittencourt é uma de nossas melhores cantoras surgidas na nova geração de belas vozes e com excelente repertório e hoje o Mais Cultura! traz toda a magia e sedução do CD Todo Domingos (2010 / Independente / 23,99 ) em que faz uma justa homenagem à Dominguinhos, morto recentemente. O disco tem participações especiais de nomes importantes da nossa música, como Gilberto Gil e Djavan, além do próprio homenageado. No repertório, alguns dos maiores sucessos do músico, como Sete Meninas, Tenho Sede, Abri a Porta, Lamento Sertanejo e o clássico dos clássicos, Eu Só Quero um Xodó. Entre as faixas, uma composição inédita completa o setlist do disco, Seu Domingos, uma homenagem querida e simpática à Dominguinhos. Flávia merece destaque na cena musical por ser uma das novas e promissoras cantoras e compositoras das mais elogiadas pelos críticos e por artistas e escritores do porte de Luiz Melodia, Zeca Baleiro, Ferreira Gullar e Dominguinhos, que antes de falecer, disse que ela seria o futuro musical do Brasil. As raízes culturais da maranhense estão presentes na escolha de seu rico repertório, que sempre traz manifestações da cultura popular de seu estado natal, dialogando naturalmente com composições próprias e de outros compositores. Vale a pena ouvir os clássicos de um grande músico na voz saborosa de uma grande cantora.

 

Todo Domingos / Flávia Bittencourt

Nota 10

Marcelo Teixeira

domingo, 4 de agosto de 2013

Ceumar em edição especial


Ceumar: mineira internacional
Morando na Holanda há dois anos, a cantora e compositora mineira Ceumar lançou em 2010 seu disco Live in Amsterdam, gravado no Tropentheater. Após lançar o disco, a cantora vinha comentando que era uma estrangeira agora e isso tem vários caminhos, várias sutilezas. Este é o segundo disco que Ceumar grava com o marido, o produtor musical e técnico de som holandês Ben Mendes. No repertório de Live in Amsterdam, músicas de sua carreira, como a já conhecida Dindinha (Zeca Baleiro), Banzo (Itamar Assumpção) e Pecadinhos (Tatá Fernandes e Zeca Baleiro), as três de seu primeiro disco, de 1999. Do CD Meu nome (2009), o primeiro gravado fora do Brasil, Ceumar registrou as autorais Jabuticaba madura e Gira de meninos, além de Dança, composta com Yanel Matos. O trabalho é fruto de um encontro em 2006, quando Ceumar foi convidada pela Plataforma Brasil x Holanda para participar junto ao trio holandês, liderado pelo pianista Mike del Ferro, de um show em São Paulo, no Sesc Ipiranga. Desse evento, surgiu o desejo de prosseguir numa pequena turnê pela Holanda. Foram sete shows em diversas cidades, como Amsterdã, Roterdã, Groninga e também em Antuérpia, na Bélgica, em outubro de 2006. As canções do show foram escolhidas pelo grupo dentro do repertório de Ceumar.

Por ser um produto importado,
Live in Amsterdam custa em torno de 45,00.

 

Faixas


01 - Oração do Anjo - Ceumar e Mathilda Kóvak
02 - Banzo - Itamar Assumpção
03 - Dindinha - Zeca Baleiro
04 - Iá Iá - Zeca Baleiro
05 - Jabuticaba Madura - Ceumar
06 - Pecadinhos - Zeca Baleiro e Tata Fernandes
07 - Dança - Yaniel Matos e Ceumar
08 - Gírias do Norte - Onildo Jacinto Silva
09 - Gira de Meninos - Ceumar e Sérgio Pererê

 

 

Live in Amsterdam – Ceumar

 

Nota 10

 

Marcelo Teixeira