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sábado, 6 de agosto de 2016

Adeus, Vander Lee!


Vander Lee: morte precoce
Vander Lee não era um cantor muito conhecido do público em geral, mas tinha a o seu público especial, aquele público que acompanhava de perto a carreira do artista, que sabia de cor suas letras e não perdia seus shows. O cantor não tinha uma grande voz, não era popular, não era famoso, mas conseguiu fazer de sua música um instrumento de trabalho poderoso, cuidadoso, corajoso e audacioso. Mesmo não tendo uma voz característica de grandes artistas de seu tempo, ele sabia como hipnotizar seus ouvintes da melhor forma possível: através de sua composição certeira, arisca, rica. Foram poucas canções em uma carreira marcada pela amorosidade à música brasileira, mas destas, podemos dizer que foram suficientemente francas no ponto de vista solitário de um artista neutro, imparcial, não popularesco. Vander Lee teve pouco tempo de vida, morreu jovem, começou tarde na música, mas angariou letras sensacionais que em pouco tempo arrebatou nas vozes de Alcione, Leila Pinheiro, Gal Costa, Maria Bethânia, Rita Benneditto. Foram músicas fortes que falavam de Deus, romantismo, sinceridade e uma profusão de ideias e pensmentos e frases e amores que apenas Vander Lee conseguiu extrair de sua mente em ebulição. Saí de cena um musico exemplar, de uma categoria ímpar, de uma finesse perfeita para ficar em nossas lembranças um artista único, completo, sensível, amável. Mais conhecido por seus versos que falavam do amor cotidiano, Vander cantava sua singeleza como elemento de sua música autoral. Ele tinha 19 anos de carreira, nove discos gravados e sua madrinha era ninguém menos que Elza Soares!

 

Adeus, Vander Lee
Por Marcelo Teixeira

 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A música e a religião de Rita Beneditto em Encanto (2014)



Rita: música e religião
Depois de lançar o emblemático Tecnomacumba e se ver rodeada de problemas religiosos por causa de sua música, a cantora maranhense Rita Beneditto volta após oito anos deste lançamento para enfim colocar voz no delicioso Encanto, que é uma sequencia do primeiro. Lançado pela Manaxica Produções em parceira com a Biscoito Fino, o novo disco comemora os vinte e cinco anos de carreira de Rita. Encanto (2014 / 24,99 / Manaxica – Biscoito Fino) é o primeiro disco de Rita após a mudança de nome de Ribeiro para Beneditto. A regravação em tom roqueiro de sucesso de Roberto Carlos impulsiona o disco, onde Rita apresenta músicas inéditas entre ousadas releituras de canções de compositores como Djavan, Gilberto Gil e Jorge Ben Jor. Em uma viagem às fronteiras do Brasil, Rita canta Babalu, um dos grandes sucessos da compositora cubana Margarita Lecuona, imortalizada na voz de Ângela Maria. Na matriz africana descende De Mina, música de Josias Sobrinho gravada com a guitarra de Roberto Frejat. E, como a fé a música nunca tiveram fronteiras, Encanto aporta ao fim do terreiro do samba com O que e dela é meu, samba bamba carioca de Arlindo Cruz feito especialmente para Rita. É o fecho simbólico de Encanto, disco que não deixa dúvidas de que, em qualquer terreiro ou lugar, a religião de Rita Beneditto é a música.

 

Encanto / Rita Beneditto
Nota 10
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 12 de março de 2014

O ótimo disco de estreia de Rita Ribeiro (1997)


O primeiro disco de Rita Ribeiro
Rita Ribeiro agora é Rita Beneditto, mas sua música continua sendo boa, seja como Ribeiro, seja como Beneditto e esse detalhe não atropela os segmentos de sua musicalidade. Lançado em 1997, o primeiro disco da cantora veio como um golpe no estômago de muita gente que acreditava ser apenas mais um disco mal produzido que vinha dos confins de Maranhão. Estavam todos enganados. O disco de Rita Ribeiro foi um dos melhores daquele ano e comprovou sua garantia de vida dentro da MPB, que estava voltada mais para o lado bossa nova de Daniela Mercury, os sertanejos tentando uma volta ao mercado fonográfico, os pagodeiros enfrentando o ostracismo e o início de uma boa safra de cantores e compositores, como Lenine, Zeca Baleiro, Chico César e a prórpia Rita. Este disco tem uma importância tanto para Rita quanto para a música porque trouxe à tona toda a sensualidade plena de Baleiro e comprovou a autenticidade do mestre paraibano Chico César. Graças ao disco – e principalmente – a música Lenha (Zeca Baleiro), a cantora pôde se apresentar em diversos lugares do Brasil e até fora dele e sendo regravada depois por sertanejos sem a menor vocação ou sensibilidade para com a canção. Rita Ribeiro (1997 / 19,99 / Velas) é um disco completo, que nos remete ao sertão do Maranhão, tão distante e tão belo, que somente a voz de Rita nos embala para tão distante. Hoje o disco encontra-se raro, mas se aventurando a procurar, talvez até encontre. Um disco perfeito para uma cantora iniciante, Rita Ribeiro comprova seu talento junto aos cantores que a descobriu. Já neste primeiro disco, Rita dá sinais de que a umbanda e o candomblé seriam seu ponto alto, a sua música e sua doutrina em discos futuros. Louvando os deuses que a protege, Rita é uma verdadeira defensora dos misticismos e das crenças e isso reflete em sua música por um todo. Senhora de seu saber, sempre foi domesticada a cantar aquilo que gosta ou sente, não fazendo jus ao mercado fonográfico que impõe regras ou interrogações. O sotoque nordestino aparece em todas as faixas do disco e isso é arrebatador. Vale ressaltar que as músicas de Baleiro e César Missiva e Olhozinho, respectivamente, são os pontos fortes de todo o disco, mas não tem como não se encantar pela sensual Cocada ou Pé do Lajeiro. Sem sombras de dúvidas, Rita veio para ficar e tinha esta certeza quando lançou este sensacional disco. Seja como Rita Ribeiro como Rita Beneditto.

 
Rita Ribeiro (1997) / Rita Ribeiro
Nota 10
Marcelo Teixeira