Mostrando postagens com marcador Rita Ribeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rita Ribeiro. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de maio de 2016

Rita Ribeiro e o último disco tradicional de sua carreira


 

Rita Ribeiro: um bom disco
Rita Ribeiro lançou Comigo em 2001 e foi um disco muito bem recebido pela crítica popular, mas não pela crítica jornalística. O álbum é bom e de fato não chega a ser um divisor de águas na carreira de Rita, que agora assina como Beneditto, mas já deixava claro que a cantora precisava se afastar um pouco do cancioneiro de Zeca Baleiro e Chico César (tanto que ela gravou uma bela música de Vander Lee, Românticos, que virou referência em sua carreira e ofuscou músicas de compositores consagrados como Baleiro, César e Jorge Ben). Sendo o último disco antes da virada retórica e triunfal na vida da cantora para o misticismo e a religiosidade crescente em seu cárater pessoal, Comigo não deixou marcas profundas na carreira de Rita, mas alçou a musicalidade da cantora para um público que ainda não a conhecia, fazendo com que ela se tornasse uma referência ainda maior no Brasil. É bem verdade que Rita já vinha sendo conhecida pelas músicas compostas pelos amigos Zeca Baleiro e Chico César e isso estava fazendo com que a cada CD lançado fosse esperado ao menos três canções de cada, mas a grata surpresa foi ter a música Românticos como sendo o carro chefe deste trabalho. A música foi composta pelo mineiro Vander Lee, que estava iniciando na seara musical, mas que já vinha com uma música que muitas pessoas já tinham se identificado, Esperando Aviões. Comigo não é um disco em que temos que parar para ouvir com uma profundidade enorme, mas não podemos tirar todo o mérito deste álbum. Rita estava inspirada nos vocais, nas melodias, mas não estava inspirada por completa na arte visual, pois a capa e o encarte são horríveis. Tirando esse percalço, o disco tem um carisma profundo de brasilidade espontânea e a voz de Rita está impecável.

 

Comigo (2001) / Rita Ribeiro
Nota 7
Marcelo Teixeira

 

quarta-feira, 12 de março de 2014

O ótimo disco de estreia de Rita Ribeiro (1997)


O primeiro disco de Rita Ribeiro
Rita Ribeiro agora é Rita Beneditto, mas sua música continua sendo boa, seja como Ribeiro, seja como Beneditto e esse detalhe não atropela os segmentos de sua musicalidade. Lançado em 1997, o primeiro disco da cantora veio como um golpe no estômago de muita gente que acreditava ser apenas mais um disco mal produzido que vinha dos confins de Maranhão. Estavam todos enganados. O disco de Rita Ribeiro foi um dos melhores daquele ano e comprovou sua garantia de vida dentro da MPB, que estava voltada mais para o lado bossa nova de Daniela Mercury, os sertanejos tentando uma volta ao mercado fonográfico, os pagodeiros enfrentando o ostracismo e o início de uma boa safra de cantores e compositores, como Lenine, Zeca Baleiro, Chico César e a prórpia Rita. Este disco tem uma importância tanto para Rita quanto para a música porque trouxe à tona toda a sensualidade plena de Baleiro e comprovou a autenticidade do mestre paraibano Chico César. Graças ao disco – e principalmente – a música Lenha (Zeca Baleiro), a cantora pôde se apresentar em diversos lugares do Brasil e até fora dele e sendo regravada depois por sertanejos sem a menor vocação ou sensibilidade para com a canção. Rita Ribeiro (1997 / 19,99 / Velas) é um disco completo, que nos remete ao sertão do Maranhão, tão distante e tão belo, que somente a voz de Rita nos embala para tão distante. Hoje o disco encontra-se raro, mas se aventurando a procurar, talvez até encontre. Um disco perfeito para uma cantora iniciante, Rita Ribeiro comprova seu talento junto aos cantores que a descobriu. Já neste primeiro disco, Rita dá sinais de que a umbanda e o candomblé seriam seu ponto alto, a sua música e sua doutrina em discos futuros. Louvando os deuses que a protege, Rita é uma verdadeira defensora dos misticismos e das crenças e isso reflete em sua música por um todo. Senhora de seu saber, sempre foi domesticada a cantar aquilo que gosta ou sente, não fazendo jus ao mercado fonográfico que impõe regras ou interrogações. O sotoque nordestino aparece em todas as faixas do disco e isso é arrebatador. Vale ressaltar que as músicas de Baleiro e César Missiva e Olhozinho, respectivamente, são os pontos fortes de todo o disco, mas não tem como não se encantar pela sensual Cocada ou Pé do Lajeiro. Sem sombras de dúvidas, Rita veio para ficar e tinha esta certeza quando lançou este sensacional disco. Seja como Rita Ribeiro como Rita Beneditto.

 
Rita Ribeiro (1997) / Rita Ribeiro
Nota 10
Marcelo Teixeira

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A riqueza maior de Jussara Silveira


Ame Jussara Silveira
Jussara Silveira traz a sua energia artística no desenho musical que sucede do canto valioso e límpido, caprichada pronúncia, timbre suave e feminino, repertório impecável, sutilezas cênicas de quem finge que não sabe que é uma rainha. Uma simplicidade que comove porque atesta ainda mais a sua grandeza. Cuidados estéticos com o figurino e a beleza natural que carrega em si na sua condição de mulher. Faz tempo que planejava escrever sobre Jussara, mas faltavam-me argumentos e o medo de errar ao contempla-la seria trágico. Mas ao ouvir o novo disco da cantora, pude sentar diante o note e escrever algo. Ou melhor, tentar. Escandalosamente: pura emoção. Como está cantando Jussara Silveira! Como se anuncia e se orquestra o talento e a dignidade da dama dos teatros e das eletrolas mais exigentes deste país! Jussara Silveira é uma cantora de teatro, uma anfitriã digna dos melhores shows e sua pele clara como nuvem nos emociona apenas pelo olhar.

É de fazer chorar o novo disco, intitulado Ame ou Se Mande. Costuras exatas na fala e no canto exprimindo poesia e realces da cultura amorosa entre os humanos. Querer envelhecer, fazer contato imediato, amar uma filha de Oxum, morar em Marte, não sair da Bahia, dançar um Semba, tocar piano misturado à percussão. O vestido de sereia no prata da deusa Iemanjá, no chumbo de Oxalá, para a voz da filha de Odé.

Jussara nasceu em Minas Gerais, mas foi criada na Bahia e dai nasceu o encanto pelos santos e orixás e por Dorival Caymmi. Ame ou Se Mande é o sexto disco de Jussara Silveira que o selo Joia Moderna, de Zé Pedro, lançou no início de outubro de 2011. Feito em parceria com Sacha Amback e Marcelo Costa, o CD traz composições de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos (A Voz do Coração), Cezar Mendes e Capinam (Ifá), André Carvalho e Quinho (Bom), Toni Costa e Luiz Ariston (O Dia que Passou), Roberto Mendes e J. Velloso (Doce Esperança) e até mesmo um poema de Fernando Pessoa musicado por Zé Miguel Wisnik (Tenho Dó das Estrelas).

Destaque também para as regravações de Babylon (Zeca Baleiro), Contato Imediato (Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte), Dê um Rolê (Moraes Moreira/Luiz Galvão), Marcianita (José Imperatore Marcone/Galvarino Villota Alderete) e Madre Deus (Caetano Veloso).

Foram quatro anos desde os lançamentos de Nobreza (em parceria com Luiz Brasil) e Entre o Amor e o Mar, que Jussara ocupou desenvolvendo projetos paralelos como o DVD Três Meninas do Brasil, gravado ao lado de Rita Ribeiro e Teresa Cristina, o show Viagem de Verão com André Mehmari e Arthur Nestrovski incluindo canções de Schubert a Caymmi, além de colaborar na trilha sonora do espetáculo Sem Mim do Grupo Corpo, junto com Zé Miguel Wisnik e Carlos Nuñes.

Ame ou Se Mande foi gravado em maio de 2011 nos estúdios Zega Music e Yahoo/BR Plus, no Rio de Janeiro. A direção é de Sacha Amback e Marcelo Costa. A distribuição nacional é feita pela Tratore.

O CD é espetacular. Há dois anos não parei mais de ouvi-lo. Voz, música, letras, arranjos: casamento perfeito. Se existe tudo isso junto, podem acreditar que está tudo aqui, no disco de Jussara. Para muito mais além da alma: ouvir Jussara Silveira é se permitir à raridade de uma cantora imprescindível para os ouvidos de quem não vive sem Música Popular Brasileira.

 

Ame ou se Mande – Jussara Silveira

Nota 10

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A briga das cantoras Maria Rita e Rita Maria perdura desde 2003


A afinadíssima Rita Maria
A briga começou em 2003 e até hoje rende uma fofoca ali ou acolá sobre o assunto: a cantora Maria Rita (não a filha de Elis) foi obrigada a trocar de nome para não ter complicações na carreira e, assim, passou a ser chamada de Rita Maria. Na estrada há quinze anos, a cantora agora chamada de Rita Maria descobriu ao longo de 2003 que ia ter de mudar de nome. Virou Rita Maria, para escapar da confusão com a outra Maria Rita, a filha de Elis Regina, a que agora todo mundo conhece e que lançou seu primeiro disco em 2003, fazendo enorme sucesso de público e crítica. Definindo-se cantora genérica num divertido texto em seu site (www.mariarita.mus.br), Rita Maria conta o auge a que chegou a confusão, quando um show seu coincidiu com o de Chico Pinheiro, no qual estreava Maria Rita Mariano: “As pessoas iam ao camarim chorando e me dizendo: 'Você é a cara da sua mãe, sua voz é igual à dela'. Caíram muitas fichas para mim.

Rita Maria é cantora e compositora paulistana, que desde o início de sua carreira desenvolve trabalho autoral e inédito. O primeiro registro dessa trajetória é o CD FORA DE ÓRBITA – gravação independente com distribuição da Tratore. Sua formação musical inclui aulas de canto lírico (com Elenis Guimarães na Escola Municipal de Música de São Paulo), canto popular com Beth Amin e Regina Machado, percussão corporal (com Fernando Barbosa – barbatuques), piano, improvisação vocal, arranjo vocal e regência coral.

Rita Maria também é professora de canto popular em escolas renomadas da capital paulista (Espaço Musical, Canto do Brasil e Intermezzo) e aluna do curso de licenciatura em música da Universidade de São Paulo. Atualmente prepara a gravação de seu segundo CD, com produção de Gilberto Assis.

Assim como Rita Ribeiro, que hoje assina Rita Benedditto ou a cantora Anna Luiza, que agora assina Anna Ratto, Rita Maria trocou o nome para não haver confusão futuramente. Já chegou ao ponto de Rita Maria estar sendo entrevistada e tocar ao fundo uma música de Maria Rita.

Zélia Duncan já fora Zélia Cristina, Gal Costa era Maria da Graça, Gonzaguinha já fora Luiz Gonzaga Junior, Jorge Ben Jor agora é Jorge Ben, Sandra Sá agora é Sandra de Sá, Joyce virou Joyce Moreno, Marisa Gata Mansa virou apenas Marisa, Baby Consuelo agora é Brasil. No caso de Rita Benedditto e Anna Luiza, as cantoras também eram confundidas aqui no Brasil e no exterior com outras cantoras com mesmo nome. Anna Luiza é uma outra cantora que canta ao lado de Luiz Felipe Gama e que tem uma voz cristalina e de difícil alcance e que não se parece com a Anna Luiza que agora virou Ratto. Já Rita Ribeiro é muito confundida em Portugal. Confuso? Um pouco, ainda mais quando não se conhece profundamente as cantoras.

Como toda grande estrela, Rita Maria deixou de ser Maria Rita, mas não perdeu sua verdadeira identidade.


Maria Rita vira Rita Maria porque Maria Rita é a filha de Elis Regina

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A macumba de Rita Ribeiro


A boa música de Rita Ribeiro
A música de Rita Ribeiro incomoda, pois reafirma a posição de manter viva a liberdade de culto e de expressão musical, trazendo uma novidade bem mais agradável e valiosa. Ao romper o mês de São Jorge, ouvi um disco bastante interessante! Acredito que a maioria das pessoas não ouvem um repertório, um CD direito. Talvez as pessoas fiquem restritas pela música de trabalho, mas, com toda a certeza, o projeto fonográfico de Rita Ribeiro em Tecnomacumba lhe convida a ouvir o resto. A maranhense que antes já havia gravado preciosidades como Pérola aos povos de 1999, em que lança a música de Zeca Baleiro Muzak, trouxe um arcabouço rico e bastante condizente com o nome: tecnomacumba. Ela acaba de criar, atrevidamente, um gênero, talvez um estilo. Sabendo que muitos já macumbaram, entre eles, Caetano, Gil, Bethânia e tantos outros, Rita relê algumas raridades e recria novas roupagens, fora as novidades que são um show a parte. A concepção de criação remete-se ao jeito mais faceiro e mais gostoso, que é o lado mais dançante.

Impossível pensar diferente, já que a palavra macumba significa festa e que algumas músicas são chamamentos litúrgicos da umbanda e do candomblé. Ao pensar em festa, num ritmo mais tocante e que se aproxima dos toques de percussão, as músicas ganham uma roupagem mais moderna, arrojada e inesperada: o tecno. Ao começar a ouvir, a impressão é que se pôr alto, aquele vizinho acostumado em colocar bem alto louvores cristãos de pura apelação de cantores como Regis Danese, grupos como Toque no Altar e da linda (mas insuportável) Aline Barros irá se assustar já na primeira música. Hoje, parece que se você colocar bem alto as músicas de Rita Ribeiro você pode ser condenado a uma censura de seu vizinho, achando-o incomodado.

E Todavia é! A música de Rita Ribeiro incomoda, pois reafirma a posição de manter viva a liberdade de culto e de expressão musical, trazendo uma novidade bem mais agradável e valiosa. No repertório, ainda temos uma música que era desconhecida e que ao inovar, carimba um formato único e imprescindível. Domingo 23 é de Jorge Ben Jor, e faz parte do disco Ben de 1972 que inclui, também, o grande sucesso Taj Mahal. Sendo assim, o que era velho, foi possível se transformar em novo, uma verdadeira alquimia que trouxe outras músicas para uma batida diferente, entre elas Iansã de Caetano Veloso e Gilberto Gil, Oração ao Tempo de Caetano Veloso, Coisa da Antiga de Wilson Moreira e Ney Lopes, Rainha do Mar de Dorival Caymmi, Tambor de Crioula de Junior e Oberdan Oliveira.

Além de criações próprias, como Saudação (colagens de pontos e cantos para orixás e guias espirituais) como abertura do CD, Jurema e Canto de Oxalá. E, também, temos outras novidades como a música lindíssima E d’Oxum de Gerônimo e Vevé Calazans, já interpretada por Davi Moraes e Maria Bethânia. Sem dúvida, uma surpresa e, bem se bobear, capaz de virar uma verdadeiro clássico… ah, não, já é!

 

Technomacumba / Rita Ribeiro

Nota 10

Marcelo Teixeira