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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Todo Domingos (2010) traz Flávia Bittencourt homenageando Dominguinhos


Flávia: bela voz nordestina
Flávia Bittencourt é uma de nossas melhores cantoras surgidas na nova geração de belas vozes e com excelente repertório e hoje o Mais Cultura! traz toda a magia e sedução do CD Todo Domingos (2010 / Independente / 23,99 ) em que faz uma justa homenagem à Dominguinhos, morto recentemente. O disco tem participações especiais de nomes importantes da nossa música, como Gilberto Gil e Djavan, além do próprio homenageado. No repertório, alguns dos maiores sucessos do músico, como Sete Meninas, Tenho Sede, Abri a Porta, Lamento Sertanejo e o clássico dos clássicos, Eu Só Quero um Xodó. Entre as faixas, uma composição inédita completa o setlist do disco, Seu Domingos, uma homenagem querida e simpática à Dominguinhos. Flávia merece destaque na cena musical por ser uma das novas e promissoras cantoras e compositoras das mais elogiadas pelos críticos e por artistas e escritores do porte de Luiz Melodia, Zeca Baleiro, Ferreira Gullar e Dominguinhos, que antes de falecer, disse que ela seria o futuro musical do Brasil. As raízes culturais da maranhense estão presentes na escolha de seu rico repertório, que sempre traz manifestações da cultura popular de seu estado natal, dialogando naturalmente com composições próprias e de outros compositores. Vale a pena ouvir os clássicos de um grande músico na voz saborosa de uma grande cantora.

 

Todo Domingos / Flávia Bittencourt

Nota 10

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A cultura é a nossa riqueza maior


 


Você faz a sua Cultura!
Para algumas pessoas opinar é um ato tão natural e inevitável quanto respirar. Opinar, pra mim, é uma maneira de desenvolver a nossa responsabilidade perante o assunto abordado, estarmos em sintonia com o que está sendo discutido e, mesmo que a opinião seja irrelevante para alguns, a pitada está lá, dada, colhida, absorvida. Gosto de criar polêmicas quando é para criar polêmicas, gosto de jogar um assunto qualquer e ver as pessoas se alfinetando, degladiando e criando polêmicas sobre assuntos que criei. Meus textos são pequenos troféus que jogo contra o ventilador e o mesmo se espalhar por todo o Brasil e alguns países afora. Meu objetivo como cronista da música popular brasileira é única: levar conhecimento a todos e, o mais importante, fazer voltar à ativa o antigo crítico de arte. Na minha infância, os jornais tinham críticos de todas as searas: de livros, de música, de TV, de futebol e com o tempo isso foi se perdendo. Cresci com a vontade de levar a minha escrita visceral as pessoas e para que elas tivessem a certeza de que o texto era meu, com meu jeito de escrever e de dizer que estou ali, presente, vivo.

Escrever não é uma das tarefas mais fáceis, como já disse aqui em um artigo. E crescer ouvindo que sou culto, que a minha vida é rodeada de cultura, é a mais pura balela que já ouvi em toda a minha vida. Cultura não significa que eu seja culto e culto não significa que a minha vida seja rodeada de livros, música, personalidades e tals. Transpiro cultura, respiro música, cheiro livros, absorvo palavras, mas ter cultura é diferente de ser a cultura. Em resumo geral, não sou culto. Apenas cultivo a cultura. Busco conhecer a musicalidade genuinamente brasileira dos nossos artistas brasileiros.

Mas o que é a cultura? Todos nós temos cultura, seja de maneira direta ou indireta, mas para mim, cultura é aquilo que cultivamos e aprendemos. Muitos conhecem os tons de cinzas americanizados, mas muitos desconhecem a cultura baiana de Jorge Amado. Muitos conhecem a cultura sartreana, mas poucos conhecem a cultura de Mello Neto, muitos conhecem a cultura de Virginia Woolf, mas poucos conhecem a cultura de Fagundes Telles ou Ferreira Gullar e isso sim, me envergonha culturalmente. Cultura é o que vi e vivi quando fui a João Pessoa e me instalei no belo apartamento de meu amigo Tom Costa e conheci a cultura privilegiada de Bruno Gil Santos. Cultura é o xaxado de Luiz Gonzaga, a baianidade de Jorge Amado, a mineirice de Clara Nunes e Adélia Prado, a musicalidade de Chico Buarque, Caetano, Gil, o rock, o sertanejo, o axé. Tudo se torna cultura quando executado com cautela, carinho, determinação e orgulho e não o que vemos por ai, jogado às traças.

Quando me falam que sou culto, respondo a altura: a minha cultura quem faz sou eu. Quem busca sou eu. Eu busco informação, busco conhecimento sobre o que é novo e nunca me esqueço o que é antigo. Sou fã incondicional de Carmen Miranda. Sou fã incondicional de Patrícia Mello, sou fã ardoroso de Chico Buarque. Adoro Clarice Lispector. Idolatro Ferreira Gullar. Sou fã de Elis Regina. Portanto, ter cultura não significa ser culto e quando me dizem que não me imaginam curtindo alguns pagodinhos e sertanejos, logo corro para dizer que aquilo é cultura brasileira. Não podemos, em hipótese alguma, menosprezar o que o Brasil tem de melhor e eu aprendi isso indo ao Nordeste.

Os artigos são meus troféus. A cultura é a minha riqueza.

Marcelo Teixeira