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sexta-feira, 10 de maio de 2013

É o Que Temos, mostra a versatilidade de Barbara Eugênia

Barbara: sutileza e beleza
O registro na identidade revela a carioquice, mas a falta de sotaque e a pele alva a camuflam entre as mulheres paulistanas. Discreta moradora do bairro da Pompéia, na zona oeste da capital paulista, a bela cantora Barbara Eugênia saiu do ensolarado Rio de Janeiro há quase uma década e aportou em São Paulo ainda sem saber que a música seria seu ofício. Tradutora, profissão que ainda exerce para custear parte das despesas que insistem em bater em sua porta, começou a cantar graças ao cinema, cujo foi convidada pelo produtor Apollo Nove e participou de duas músicas para a trilha sonora do filme O Cheiro do Ralo, dirigido pelo pernambucano Heitor Dhalia. Sua primeira vez nos palcos foi ao lado de Edgard Scandurra em um tributo ao francês Serge Gainsbourg.

Em 2010, lançou Journal de BAD, resenhado aqui no Mais Cultura Brasileira! com requintes de pompa e esse seu disco de estreia carregava o nome dos e-mails que mandava aos amigos contando sobre os pormenores da vida. Através do guitarrista Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, deu uma dica para que a cantora deixasse de lado a história de ser bad para ser good. Esse foi o salto sem paraquedas na música popular brasileira, lugar de onde Barbara Eugênia jamais deva sair. Com as participações de Tom Zé e Otto, o trabalho deu notoriedade e rendeu convites à cantora pelos quatro cantos do país. Fez contatos, shows, participou de projetos interessantes como o 3 na Massa (desenvolvido por Rica Amabis em parceria com os músicos Dengue e Pupillo, da Nação Zumbi) e ganhou experiência e cacha para o passo seguinte.

Aos 32 anos e com muita beleza de sobra, Barbara Eugênia se prepara para lançar seu disco número dois, que não carrega nenhum bad no nome. Mas as dificuldades e fantasmas do segundo CD passaram longe. O clima descontraído na produção de Edgar, sempre próximo, e Clayton Martin, baterista da banda Cidadão Instigado, fez com que o disco nascesse leve e descompromissado, daqueles de colar o rosto e brincar de amar.

Mais maduro e consistente, É o que temos tem as participações de Pélico, Tatá Aeroplano, Guizado e dos incontroláveis e talentosos Mustache & Os Apaches, grupo que toca com frequência nas portas de restaurantes de Pinheiros e Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo. O disco foi lançado virtualmente no site www.oimusica.com.br

Barbara Eugênia canta brilhantemente. E é muito melhor ouvir o disco do que eu resenhar uma ou outra faixa do CD. Barbara Eugênia cresceu musicalmente e achou na música o seu lugar e volta depois de um hiato de três anos para mostrar o que tem de melhor, o que não é, acreditem se quiser, seu belo rosto.

 

É o que temos – Barbara Eugênia

Nota 10

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 12 de julho de 2012

7º lugar: Thaís Gulin - As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos


Thaís Gulin: grande revelação
Se vocês acreditam, como Vinicius de Moraes, que São Paulo é o túmulo do samba, imagina então o que ele diria de Curitiba. Mausoléu do samba? Catacumba do samba? O cabelo cor de abobora e a voz melodiosa conquistaram a simpatia da crítica musical. A cantora Thais Gulin é revelação desde o lançamento do seu primeiro CD, em 2007. A relação da cantora com a música vem desde muito cedo. Desde bem pequenininha a cantora já fazia suas performances por aí. Organizava teatros com os vizinhos e cantava jingles na frente da televisão. E foi assim que ela cresceu: no meio da arte embalada ao som de Balão Mágico e João Gilberto.

A curitibana Thais Gulin canta e encanta. Embala histórias de felicidade e amor. No ano passado Thais lançou seu segundo CD, tendo os cenários cariocas como inspiração. Com parcerias de peso como Tom Zé, Ana Karolina e Adriana Calcanhotto, Thais segue no sucesso: no Brasil e mundo afora.

O Mais Cultura! de hoje aumenta o som da cantora e compositora simplesmente porque ela canta bem, compõe bem e, acima de tudo, aprimora o limbo da MPB como uma das grandes surpresas. Aos trinta anos de idade e cinco de carreira, contados desde o lançamento do primeiro trabalho, Thais é apontada por alguns críticos como a grande revelação da Música Popular Brasileira (MPB) de 2012, pelo lançamento do seu segundo trabalho: ôÔÔôôÔôÔ, já abordado em artigo no blog.

A cantora já fez parte da trilha sonora do horário nobre da tevê, com a música Paixão Passione na novela Passione, e tem selo de uma das maiores gravadoras do país, Som Livre. Apesar disso, ela ainda é pouco conhecida pelo grande público. Thaís faz parte de uma nova safra de cantoras MPB, com trabalho mais experimental, que mistura influências estrangeiras às raízes brasileiras. Ela canta composições de autores de gerações variadas, como Chico Buarque, Tom Zé, Adriana Calcanhotto, Moreno Veloso, Arnaldo Antunes, Otto, Roberto Carlos, Nelson Sargento, Zeca Baleiro, Rodrigo Bittencourt, além de músicas de sua autoria.

No ultimo CD de Chico Buarque (que, por ventura, é o namorado da cantora), Thaís faz participação em Se eu soubesse e inspira Essa Pequena, em que o compositor carioca canta que Meu tempo é curto, o tempo dela sobra. Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora. Temo que não dure muito a nossa novela, mas sou tão feliz com ela…

Com todo este prestígio e vigor, Thaís Gulin chega triunfal ao sétimo lugar na lista das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos. Merecidamente.



Sétimo lugar: Thaís Gulin

As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 28 de junho de 2012

17º lugar: Márcia Castro - As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos




Márcia Castro e a harmonia baiana
A cantora baiana Marcia Castro tem 33 anos, está radicada em São Paulo desde 2008 e já havia mostrado talento no seu primeiro, homônimo e independente álbum, em 2007. Mas, apesar dos acertos, tanto que rendeu uma indicação ao Prêmio TIM 2008 de melhor cantora de pop rock, Pecadinho era um irregular cartão de apresentação tanto na produção, quanto no repertório. A estrada, porém, quase sempre faz bem a quem tem talento, como é o caso da cantora – e ela cresceu, ganhou experiências em palcos do Brasil, Suíça, Alemanha, Itália e Israel. Teve o privilégio, por exemplo, de acompanhar a lenda argentina Mercedes Sosa (1935-2009) em sua última turnê, e realizou gravações e/ou colaborações com veteranos da MPB como Tom Zé, Moraes Moreira, Luiz Melodia e Jards Macalé.

Com patrocínio da Natura, o novo álbum De pés no chão (Deck) traduz o crescimento de Marcia Castro em todos os aspectos. Faltam compositores mais contemporâneos no disco, com exceção de Otto (a provocante História de fogo), Kleber Albuquerque (Logradouro) e Luciano Salvador Bahia (Vergonha), mas o conjunto das 11 canções é muito bom. E a produção dá unidade a tudo, com arranjos bem criativos e que valorizam a intérprete.

No repertório – a maioria, regravação de grandes nomes da MPB -, destaque para De pés no chão (Rita Lee, do álbum Atrás do porto tem uma cidade, de 1974), Você gosta (Tom Zé), Catedral do inferno (Cartola e Hermínio Bello de Carvalho), Crazy pop rock (Gilberto Gil e Jorge Mautner) e 29 Beijos (Moraes Moreira e Galvão), que Marcia canta na companhia de Hélio Flanders, vocalista do Vanguart.

De pés no chão é um álbum extrovertido, mais divertido do que o anterior, incluindo as ironias e dubiedades que tanto agradam à cantora, como na espirituosa letra de Rita Lee que dá título ao trabalho: É só questão de gosto/ Lacinhos cor-de-rosa ficam bem/ Num sapatão/ Eu nasci descalça/ Pra que tanta pergunta?.

Mesmo uma escolha aparentemente pouco original do repertório como Preta pretinha (Moraes Moreira e Galvão), por ser tão conhecida, vira outra canção na versão cheia de personalidade e vibração rítmica de Marcia, com arranjo que acrescenta toques de samba de roda e música latina. Letieres Leite, da Orkestra Rumpilezz, assina o arranjo de sopros da música.

Sim, Marcia Castro está pronta para brilhar e é por este motivo que ela está na nona posição na lista de As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos do Mais Cultura!.



Décimo sétimo lugar: Marcia Castro

As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos



Marcelo Teixeira

quarta-feira, 27 de junho de 2012

18º lugar: Barbara Eugênia - As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos


Merecidamente barbara!
Não, leitor e leitora do meu blog Mais Cultura!, para o bem ou para o mal, Bárbara Eugênia não é uma cantora/compositora fofa nem fez um disco idem. O mais fácil e confortável dos adjetivos da safra não lhe cabe, murmuro, digo, redundo, aposto, carimbo, cutuco: Journal de BAD vai além muito além, é disco grande. Guardemos a tentação ou ideia de fofura no bolso ou no paletó. Fichas na jukebox, moedas na radiola, prepare seu espírito flamejante para um trilha passional capaz de reacender, num curto-circuito, todos os corações de néon da cidade, esquinas, fachadas, motéis, lares, cabarés, tudo muito romântico.

Bleeding my heart, oh no, canta a moça, com a justa noção de que o amor cabe e estoura os gomos da pupila na levada psicodélica dos faróis. No acento do rock ou na chanson, principalmente nesta última, o amor cabe mais apertado ainda. Música cosmopolita contemporânea, maestro, devidamente matizada nas cores dos trópicos, com a Harley Davidson de Gainsbourg ao fundo, please, muito barulho nessa hora.

Não obrigatoriamente um(a) cantor(a) se parece mais verdadeiro(a) quando interpreta e masca os seus próprios vocábulos, caso da maioria das faixas deste disco. Bárbara Eugênia, carioca que vive em São Paulo cercada de gente do mundo todo, se parece sim, crença nas suas composições, como quem acorda, pega a trilha de sonhos e submete ao assobio do namoro novo ou afoga tudo na quentura da manteiga que derrete nos cafés das manhãs.

Na legítima fuga do amor que trava ou enferruja no calendário (Agradecimento) ou no medo do goleiro diante do pênalti (A chave), cuidado frágil – este lado para cima!-, aí vem a moça cronista do infortúnio e da ventura amorosa, cotidianos em desabridas letras.

Journal de BAD é também um disco novo com o melhor dos sintomas modernos da música que se faz hoje no Brasil e em São Paulo: o ajuntamento de artistas como Junior Boca (guitarra, violão, produção e direção musical), Dustan Gallas (baixo, piano, órgão, teclados, mixagem e produção) e Felipe Maia (bateria), só para citar um trio de frente.

Porque reparando ainda nos créditos, lá vem uma regravação de Fernando Catatau (O Tempo, Cidadão Instigado), uma composição de Junio Barreto, outra de Tatá Aeroplano, colaborações de Pupillo e Dengue (baixo e batera da Nação Zumbi), Otto na goela, Karina Buhr, Juliana R. Um mar de gente e de histórias.

Conheci o Journal de BAD, com este mesmo título, ainda como uma espécie de newsletter afetiva distribuída por Bárbara Eugênia aos amigos e conhecidos. Aí está a origem do batismo. É o que este CD reverbera com seus arrastões de epifanias e encantos. E é por todos esses adjetivos acima citados que tenho o enorme prazer de dizer aos quatro ventos, aos quatro cantos e com um grito despojado e despudorado, que berro ferozmente que Barbara Eugenia será uma das melhores cantoras de todos os tempos. E ocupando o décimo oitavo lugar do Mais Cultura!, Barbara alcança uma seta e tanto aprimorando nossa MPB.



Décimo oitavo lugar: Barbara Eugenia

As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos



Marcelo Teixeira