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domingo, 30 de setembro de 2018

A morte da maior cantora do Brasil: Ângela Maria

Luto pela dama 
Hoje estamos órfãos! Órfãos de uma grande voz, de uma grande cantora que estava no auge de seus 89 anos e na ativa, nos palcos, ao lado do seu público, da sua gente, da mocidade, das pessoas, de todos. Órfãos! Quando uma grande cantora morre, a responsabilidade daqueles que ficaram é preservar sua imagem, sua voz, reverenciar dia após dias o seu legado e não deixar que sua obra também morra. Morreu Ângela Maria, a cantora que influenciou Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia, Fafá de Belém, Simone e uma infinidade de cantoras. Morreu Ângela Maria, a última cantora do rádio, a amiga de Carmen Miranda, de Cauby Peixoto, de Agnaldo Timóteo. Perdemos uma cantora de qualidade, de respeito, de carisma, que tinha um respeito imenso pela música e pelo seu instrumento principal: a voz! Morreu querendo estar nos palcos, morreu querendo cantar, morreu se preocupando com seus fãs.

Ângela era a maior cantora viva desse país chamado Brasil, com uma trajetória invejável. Aos 89, com mais de 115 discos gravados, mais de 60 milhões vendidos, caminhava entre as melodias e letras que por si compõem a história de ao menos 70 anos de MPB. De Hervilton Martins e Roberto Carlos a Cazuza, cantou as dores, os amores, as alegrias e as tristezas para muitas gerações e sempre com uma entonação de emoção.

A artista Ângela Maria era um motor humano que não parava um segundo. Mesmo com as dificuldades de visão e outras que acumulam com o passar dos anos, não parava com seus shows e os planos para o ano em que completaria 90 anos. Gostava de cantar, gostava de estar rodeada de amigos e gostava de ouvir atentamente cada faixa antes de gravar. Gente Humilde, de Chico Buarque, foi uma dessas conquistas selecionadas a dedo (ou ao ouvido). Chega a ser um mantra aos nossos sentimentos mais humanos ouvir essa obra-prima e não pensar na delicadeza e na doçura de Ângela Maria em sua plena vocação.

Depois de 34 dias agonizando em um hospital particular em São Paulo, a ilustre cantora descansou. Mas sua voz marcante, doce, pura, cristalina e sutil e sua simpatia e cordialidade estarão sempre presentes em nossas vidas!
Descanse, DAMA ÂNGELA MARIA!

A morte de Ângela Maria
Por Marcelo Teixeira

domingo, 19 de novembro de 2017

Lulu Santos tenta homenagear Rita Lee sem homenagens


Lulu: disco sem homenagem
Ainda tento entender o que acontece com a carreira de Lulu Santos: além de ser fantoche em um programa musical da maior emissora do país, o pop star vêm na onda das regravações que, como ele mesmo sugere, são homenagens aos artistas ainda vivo. Há quem goste e há os que discordam desse estilo de se fazer música e eu fico com a segunda opção quando tudo não passa de produto mercadológico e fonográfico para camuflar as ideias inexistentes. Aconteceu com Roberto Carlos em uma homenagem pífia, sem deslumbramentos e sem achados convenientes e agora volta a acontecer com a eterna rainha do rock nacional, Rita Lee, que reuniu a família para ouvir o tão esperado disco em sua finita homenagem. Não, definitivamente, não valeram os choros compulsivos de Rita para Lulu, pois o disco não passou de um disquinho que logo mais será esquecido em uma gaveta dos fundos, um baú qualquer despedaçado ou em mentes pouco equilibradas. Seria o fim de carreira de Lulu Santos ou apenas uma passagem fantasmagórica de insana desmemoria? Não vou aqui dizer que Lulu não fora importante para a música popular brasileira porque eu estaria veementemente mentindo, afinal, o cantor é considerado um ícone dos anos 1980 e brilhou diversas vezes nos anos 1990 e 2000, mas sua demanda popular não anda tão boa assim, dito pelas passagens televisivas atuais e por sua retórica blindagem se achando o tal. Com tantos erros atribuídos à sua imagem musical, Lulu não soube aproveitar o momento sublime de mais uma homenagem a uma grande artista da nossa música. Perdeu-se a chance de mostrar o quão valioso e potente é sua voz, o quanto é importante o momento da homenagem e como é suntuosa a parceria de harmonização entre a homenagem a homenageada. Lulu, o eterno jovenzinho do rock, com seus cabelos ora vermelhos ora brancos e com chapéus e terninhos modernos, não convenceu em nada nessa chinfrim homenagem retorcida em disco. Não há garantias de que o disco venha a ser o melhor de suas homenagens, pois nem para Roberto Carlos ele o fez. Homenagem à altura de Rita foi a que a cantora Ná Ozzetti fizera em 1995, com o LoveLeeRitta, com harmonias diferentes, delicadeza na voz, repertório bem caprichado e a beleza que Rita deixou em suas melodias. Lulu parece que esqueceu de alguns detalhes pormenores, correu para gravar, não estudou as letras e jorrou um disquinho com uma capa retro e com pedaços de décadas retorcidas.


Lulu Santos canta Rita Lee (2017)
Nota 4
Por Marcelo Teixeira 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Verdade Tropical - 20 anos depois

Leitura obrigatória
Leitura mais que obrigatória para todos os amantes e não amantes da boa música brasileira, o livro Verdade Tropical acaba de ser relançada por Caetano Veloso com uma capa nova (não menos bonita que a edição de bolso, mas com certeza mais bonita que a primeira versão) e com um capítulo bônus intitulado Carmen Miranda não sabia sambar. Trata-se de uma conversa sobre esses 20 anos que nos separam da primeira edição, construída a partir do próprio livro e das suas repercussões. Eis aqui um novo retrato de Caetano acerca do mundo da música e para dizer também que o mundo mudou. As questões cruciais de sua vida e de suas angústias diante das dores do mundo também se fazem presente. Caetano é um grande leitor de livros e grande homem de erudição. O novo texto pode até surpreender os que só o têm como um artista da canção popular, jamais os que acompanham de perto a sua trajetória. A singularidade que enxerga no Brasil e em seu destino como nação permanece de pé, a despeito de tudo o que estamos testemunhando nos últimos tempos. Embora eu particularmente ache o livro Verdade Tropical extenso, cansativo por vezes e arrastado em uma profusão de palavras difíceis, deixo aqui registrado que o livro é, na verdade, uma síntese da biografia do próprio Caetano perante sua carreira tropical, musical e intelectual. Porém, foi aqui neste livro que pude ter a honra de conhecer um dos intelectuais que mais influenciaram minha carreira pedagógica e intelectual, como o escritor Edgar Morin ou o artista multifacetado e original Hélio Oiticica. Assim como há passagens engraçadas, como o caso da cantora Gal Costa cantar por intermédio de uma panela ou a rixa entre o próprio Caetano e Roberto Carlos, a quem Maria Bethânia já era fã. Mas não comprem o livro apenas porque há um capítulo maravilhosamente extraordinário como bônus ou pela nova capa tropical do cantor. O livro é para ser lido por inteiro. Parafraseando Adriana Calcanhotto, é preciso devorá-lo (como canta na música Vamos Comer Caetano). Muito bem escrito, há aqui uma formação humanística impressionante, capaz de nos impressionar do primeiro ao último capítulo. O relançamento de Verdade Tropical coincide com os 50 anos do Tropicalismo, cujo é um dos temas centrais do livro.


Verdade Tropical – 20 anos depois
Nota 10
Por Marcelo Teixeira

domingo, 9 de julho de 2017

Kátia - a voz da música brega dos anos 1980


Kátia: sucesso até hoje
Sendo uma das grandes representantes da música popular nas décadas de 1970 e 1980, Kátia hoje figura entre as cantoras mais nostálgicas de seu tempo, devido às letras carregadas de sentimentos amorosos e com frases de impactos que beiram entre o sofrimento brega e o amor ressentido. Tendo como padrinho artístico ninguém menos que Roberto Carlos, a estreante promessa da música nacional lhe apresentou canções próprias que caíram no gosto do mentor da Jovem Guarda. Roberto a indicou junto à gravadora CBS para que a cantora fizesse testes musicais e depois de tudo certo, Kátia estreou na música aos 14 anos, no ano de 1978, ao lançar o compacto com as músicas Tão só e Sensações, ambas composições suas, demonstrando o calibre autoral que já tinha. Mas seu sucesso mesmo veio em 1979 ao gravar para a mesma gravadora a música Lembranças, de Roberto e Erasmo Carlos, que foi feita especialmente para ela. Lembranças é uma das letras românticas mais lindas de todos os tempos e a voz da cantora ajudou a reforçar esse mérito, sendo um dos maiores sucessos de sua carreira. Depois disso, foi um sucesso atrás do outro, como o disco de 1980 que trazia outra canção especial da dupla Carlos, Cedo pra mim, que fez estonteante acontecimento musical. Já em 1982 saiu o disco Calor, que teve pequena representatividade no mercado musical, mas não diminuiu o talento da cantora. Depois de um hiato silencioso, Kátia lançou a música que a consagraria definitivamente como uma das cantoras mais queridas e lembradas da música dos anos 1980 pelo conjunto da obra: Não tem jeito, na versão da dupla Carlos para It Should Have Been Easy, sendo mais conhecida como Não está sendo fácil. Os discos seguintes não chegaram a marcar tanta presença no mercado, mas conseguiram manter um nível elevado de musicalidade com forte influência da personalidade da cantora, como Kátia (1989), Conversa Comigo (1990), Kátia (1992), Kátia (1994). No início da década de 1990 a onda sertaneja comandada por Leandro e Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano e Chitãozinho e Xororó disputavam espaço acirrado com os pagodeiros do Só pra Contrariar, Katinguelê, Negritude Jr e Exaltasamba. Não mais que isso, o espaço era disputado também por ícones da música baiana, como Daniela Mercury, que vinha sozinha com um coro arrepiador, destoando seu suingue e rebolado e se firmando como a mãe do axé. Do outro lado vinha o romântico Latino, que conseguiu atrair milhares de olhares com seu jeito esdrúxulo de cantar e dançar. Por tudo isso, o esquecimento pela cantora Kátia se fez acontecer e a cantora se afastou por um tempo da música para se dedicar a trabalhar com distribuição de um programa sintetizador de voz para computadores, destinado exclusivamente a pessoas cegas, o DOSVOZ, desenvolvido por uma faculdade carioca.  Considerada por muitos como ícone da música brega romântica, Kátia deixou sua marca na cultura musical dos anos 1980 com grandes sucessos na bagagem e sendo uma grande vendedora de discos, tendo permanecido por 17 semanas na parada de sucessos da Billboard Latina com a música Tan sola. Nos anos 2000 voltou a ser prestigiada pelo público de festas que consagravam artistas dos anos 1980 e sua voz voltou a ser carimbada nos microfones. Kátia é referência musical ontem, hoje e amanhã.

 

Kátia – a voz da música brega dos anos 1980
Por Marcelo Teixeira

domingo, 18 de junho de 2017

Maria Bethânia - 71 anos


Parabéns, Maria Bethânia
Marcada pela dramaticidade e pela paixão, Maria Bethânia nunca se ateve a rótulos, ritmos ou movimentos musicais e, como poucos, conquistou a liberdade de cantar o que gosta e ao seu jeito. Com sua voz, representa um Brasil ao mesmo tempo agreste e sofisticado, onde convivem em harmonia a toada nordestina e a canção urbana e romântica. Como bem definiu Vinícius de Moraes na década de 1970, Bethânia cantando é como uma árvore queimando.  Comparada a Roberto Carlos na arte de dar vida a canções românticas, a cantora funde em sua voz a aspereza do Nordeste, sua origem, à sensualidade e doçura com que embala amores. Menina magricela – igual ao irmão, Caetano Veloso, de Santo Amaro da Purificação, no interior baiano, Maria Bethânia imitava cantoras famosas como Dalva de Oliveira e Ângela Maria. Sonhava em ser bailarina, trapezista e sonhava, principalmente, com o palco. E assim foi. Considerada uma das nossas melhores intérpretes, Bethânia é a nossa estrela maior e como toda estrela, ela completa mais um ano de vida. Não é qualquer cantora que chega aos 71 anos de idade com uma carreira turbinada e sendo adorava e requisitada por muitos. O Mais Cultura Brasileira e seus leitores orgulhosamente parabeniza a Abelha Rainha por mais um ano de vida! Viva Bethânia!

Maria Bethânia – 71 anos
Por Marcelo Teixeira

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O MM de Marisa Monte (1989)


MM: antológico e perfeitinho
Disco antológico de Marisa Monte lançado para ser um sucesso de crítica e público, MM (1989 / EMI / 31,90) é um dos melhores discos da carreira da cantora e compositora carioca pelo simples fato de ter tudo aquilo que Marisa gosta: MPB, rock, samba antigo, jazz e muita simplicidade.  A partir deste conjunto de sons e referências, a carreira da cantora deslanchou de uma forma que já era esperada, com casas noturnas lotadas, disco vendendo muito bem e uma sequência de obras que foram lançadas no decorrer dos anos de 1990. Marisa era um fenômeno de público, venda, crítica e dela mesma, que não aceitava erros em suas diagramações vocais. Nascia ali uma diva que seria insubstituível, uma cantora que nascera dos palcos e ganhava o mundo afora com sua voz, seu carismo e sua determinação em fazer uma música de alta qualidade para um público popular. De Candeia aos Mutantes passando pelo rock agressivo de Titãs e uma versão meticulosa de Negro Gato, imortalizada por Roberto Carlos em disco lançado em 1966, Marisa Monte fez a extensão de sua própria ideologia musical com a tênue sensatez que o ouvinte precisava ouvir e o resultado disso são alcances primorosos de agudos solares impressionantes para uma cantora que fizera sua carreira inicialmente nos palcos, feito raro para qualquer artista, pois o que muitas vezes acontece é o inverso: o artista inicia nos barzinhos, passa para o estúdio e complementa nos palcos. Óbvio que Marisa passou por alguns barzinhos, mas sua formação, como ela sempre dissera, está ligada ao mundo dos palcos. Depois de uma longa temporada estudando canto lírico (sua paixão) em Roma, Marisa resolveu voltar ao Brasil para fazer carreira aqui. Há quem diga (e talvez seja pura verdade) que o produtor musical Nelson Motta seja o grande influenciador de Marisa Monte nessa sua primeira incursão pelo mundo dos LPs, tanto que eles chegaram a namorar um tempo. Verdade ou mito, o fato é que MM é uma obra prima grandiosa e parte itinerante de qualquer discografia daqueles que idolatram a MPB.  MM prova todo o lado eclético de uma cantora que nasceu lírica e com um universo totalmente particular, que conseguiu driblar a própria censura ao ser identificada com as tendências que nunca seguiu.

 

MM (1989) / Marisa Monte
Nota 10
Por Marcelo Teixeira

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O lado B de Erasmo Carlos


Erasmo é rei no lugar do verdadeiro rei
Erasmo Carlos é um dos cantores mais populares do Brasil e o compositor que mais sucessos deu a Roberto Carlos nesses anos de musicalidade dividida entre os dois e para com o público. Se fossemos levar ao pé da letra, Erasmo é muito mais rei que o próprio rei Roberto, porque Erasmo é um cantor popular, de extrema timidez e de profunda simpatia com seu público cativo. Podemos levar em consideração também o fato de Erasmo atrair os jovens de hoje em dia em seus shows, cantando músicas antigas e novas e podendo demonstrar o quão argiloso e competente és em seu ofício. Sim, Erasmo é um cantor por excelência, um mestre em dominar os palcos, um sábio professor da magia musical e um conhecedor sistêmico da alma feminina. Dominação total sobre tudo e sobre todos, Erasmo deu um show à parte no Rock in Rio 30 Anos (2015) com seu brilhantismo roqueiro e sua altura galopante. Quem o assistiu ali no palco e pela televisão, pôde constatar a consagração de um monstro sagrado da música popular brasileira chamado Erasmo Carlos, que fez o público delirar, dançar, pular, chorar, se emocionar e cantar suas músicas com emoção e sentimentos profundos. Erasmo lançou este ano um disco que chamou a atenção do grande público em geral pela descrição que o mesmo fez sobre seu novo trabalho: o seu lado menos conhecido musicalmente. O cantor pincelou músicas que foram musicadas e que quase ninguém deu valor ou músicas que ele engavetou por diversos motivos. Eis agora que o fã mais que fã do cantor e o jovem admirador de Erasmo poderá desfrutar de Meus Lados B (2015 / Coqueiro Verde / 26,99), um disco autoral que mostra a versatilidade do Tremendão em todas as suas esferas. A aversão maior agora é abrir mão de uma vasta coleção de clássicos e mirar em seu repertorio em resgatar músicas menos conhecidas. O disco é completo e vale a pena ouvir cada faixa como se fosse a última, porque tudo soa como novo na voz de Erasmo. O formato é sensacional e bem caprichado e com um resultado perfeito, fazendo com que cada canção seja complemento da anterior. Sendo um dos melhores momentos do cantor, vale muito a pena ter um disco como este em casa, pelo simples fato do reconhecimento de Erasmo com suas músicas que tiveram pouco ou nenhum sucesso em alguma parte de sua carreira musical. Há várias surpresas, como Paralelas (Belchior), que fora lançada por Vanusa, De Noite na Cama (Caetano Veloso), grande sucesso na voz de Marisa Monte, Queremos Saber (Gilberto Gil), que ficu mais conhecida com Cássia Eller e até Gonzaguinha (Nunca Pare de Sonhar), entre outras. Erasmo mantém sua juventude de alma roqueira e coração de grande músico. Sem estrelismos e sabendo de sua importância dentro da música nacional, cismo em dizer que o verdadeiro rei da MPB é ninguém menos que o próprio Erasmo Carlos.

 

Meus Lados B / Erasmo Carlos
Nota 10
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O rei não é rei no país do samba


Roberto Carlos é rei?
Entre brigas na justiça com as leis sobre biografias não autorizadas e músicas do passado que são proibidas de serem regravadas, Roberto Carlos vai passando sua coroa (que nunca teve e que nunca mereceu) para frente, deixando talvez guardada em um local de difícil acesso ou até mesmo escondida. No país do futebol,  do samba e das mulatas, não se pode ter um rei e Roberto Carlos fora apelidado assim devido ao grande sucesso na Jovem Guarda. Mentor da época, o cantor e compositor Roberto Carlos reinava absoluto nas paradas de sucesso, cantando aquilo que o público, feminino na sua maioria, queria ouvir. Roberto dividia os holofotes com outros reis que eram tão bons quanto ele na sua época, como Paulo Sérgio, Antônio Marcos e Taiguara. Mas fora Roberto quem sobreviveu a todos os obstáculos e vendavais que vieram após o fim da Jovem Guarda, o início da Bossa Nova, o surgimento da Tropicália, o Samba, o Rock... Roberto Carlos conseguiu uma proeza e tanto para a sua velhice musical: se manter entre os melhores e maiores cantores brasileiros de todos os tempos. Mas há muitas cinzas no mundo artístico de Roberto Carlos: como uma cólera, o cantor sempre teve obsessões pela imagem e por sua vida retratada em livros. Não deixa praticamente ninguém cantar suas músicas sem sua devida autorização e exige ouvir antes de todos para ver se ficou realmente boa. Ficando de fora os TOCs que o cercam, o chamado dito popular rei não é rei em um país regido por pajés: Roberto Carlos está muito abaixo da cultura intelectual de Chico Buarque, Caetano Veloso ou até mesmo Milton Nascimento, artistas estes capazes de levar coroas sem serem reis.  É notória que a música dos anos 1970 e 1980 que Roberto produzia fazia muito mais barulho que as músicas lançadas nos anos 2000 e mesmo com essa distância de tempo, é impossível dizer que Roberto é o maior cantor do Brasil: ele continua muito abaixo de qualquer cantor racional deste país. Roberto produziu muita coisa bacana para a cultura brasileira, músicas românticas de qualidade nada duvidosa, mas essas músicas não chegam a ser de qualidade superior, não trazem intelectualidade alguma para o nosso dia a dia e não transmitem nada senão serem apenas músicas românticas. As cinzas musicais de Roberto são apenas cinzas cristalizadas no breu mais distante produzida para que a massa o alimentasse de qualquer forma e jeito, traduzindo o que há de melhor de sua capacidade mental: o de fazer música romântica sem ser apelativa, mas meramente comercial. Não duvido da capacidade intelectual de Roberto em se fazer crer que é o maior cantor do Brasil, assim como não questiono suas músicas, que são, de todo modo, caricaturas de rostos normais aqui e ali, mas o que quero dizer é que o rei Roberto Carlos não merece esse título que lhe designaram, pura e simplesmente porque no país do futebol, do samba, das mulatas, das coroas e das ninfetas, quem reina absoluto são os pajés, que mesmo com seus cocares de pena, ainda assim perdem sua majestade.

O rei não é rei no país do samba
Marcelo Teixeira

segunda-feira, 14 de julho de 2014

As emoções de Maria Bethânia ao cantar Roberto Carlos

As canções de Roberto por Bethânia
Não é tarefa para qualquer um cantar as músicas de Roberto Carlos com tamanha emoção e dedicação, ainda mais um disco inteiro. Escolher a dedo apenas onze faixas de um acervo de mais de quinhentas músicas é padecer em qualquer lugar quente deste planeta, mas Maria Bethânia conseguiu este feito ao lançar o audacioso projeto As canções que você fez pra mim (1993 / Polygram / 19,99), disco praticamente raro de encontrar hoje em dia. Trata-se de uma grande homenagem da cantora ao cantor e compositor Roberto Carlos, de quem Bethânia se considera fã. Maria Bethânia sempre foi dotada pelo respeitoso repertório daquilo que canta e ela sabe que canta com maestria, sofisticação, austeridade e potência sem deixar que o romantismo piegas dos tempos áureos se percam. A impressão que transpassa do disco para nós e, obviamente, de Bethânia para o disco, é que tudo foi feito com a sua forma e jeito, sem pressa e sem o apego das opiniões futuras: Maria Bethânia cantou aquilo que queria e pronto. Jogou no disco todo o seu respeito e amabilidade para com a obra de Roberto e fez tudo com muito amor e carinho, sem pensar no destino final. E, claro, o resultado soou como sendo um dos melhores discos da cantora, batendo recordes de vendas e fazendo com que a Abelha Rainha saísse ainda mais vitoriosa no circuito nacional. Do título às canções posteriores, tudo se enquadra perfeita e milimetricamente na voz da cantora, sem deixar que a conjectura do amor ou do falso amor falasse mais alto. Das dores de cotovelo ao amor surreal, as canções escolhidas casam-se diretamente com aquilo que foi sublinhado por Roberto e Erasmo Carlos no passado: Bethânia apenas colocou sua voz naquilo que já estava batido, mas não velho, dosando lirismo e poetismo, amor febril e amor puritano. A forma habitual das músicas cantadas por Maria Bethânia na sua pluralidade maior e na oração à mensagem fazem das rimas um par perfeito entre a emoção da canção e a fineza da alma lírica musicada por dois gênios românticos brasileiros. Maria Bethânia, no ar de sua graça e na leveza de seu espírito, transforma As canções que você fez pra mim em uma aula de etiqueta musical, tendo todo o reverberamento, a fenda e a quebra de sua personificação como grandeza maior.

 

As canções que você fez pra mim (1993) / Maria Bethânia
Nota 10
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Por que Jair Rodrigues não poderia morrer?


 


Jair: sempre eterno
Jair Rodrigues foi um músico espetacular, de uma fineza sem constestamentos e um cantor extremamente brasileiro. Sua morte foi um abalo geral para todos nós, que não esperavámos por ela: dentro de sua casa, no seu lugar preferido, Jair estava morto. O clichê é gritante, mas faz parte: morreu o homem, mas não a sua voz, a sua trajetória de vida, o cantor. A voz de Jair estará sempre ecoando por este Brasil que não conhece o Brasil, em cada esquina e em cada coração brasileiro. Mas Jair era um cantor que não poderia (nem merecia) morrer. Jair era a parte viva de uma MPB morta. E era justamente por sua memória que o cantor não poderia morrer tão cedo. De todos os cantores que mais bradavam sobre os festivais da TV Record dos anos de 1960, a amizade com a cantora Elis Regina, o início do rap no Brasil, os encantamentos de uma música sertaneja, o samba, os amigos que não comentavam mais nada sobre a música do passado, tudo isso Jair contava em rima e prosa e agora tudo se calou. Jair Rodrigues gostava de contar os bastidores daqueles tempos áureos e tinha muita coisa na bagagem para ser contada ainda, mas o destino o quis calado. Assim como no último show de sua vida, registrado em Minas Gerais e que conta particularidades de Elis como se fosse um sussurro, Jair tinha muitas histórias e notas para contar. Morreu sabendo que fora feliz e que era um dos cantores de maior grandeza da música popular brasileira. Morreu no melhor momento de sua vida: trabalhando e fazendo samba. Assim como Caetano Veloso gosta de comentar o início da Tropicália e o movimento dos festivais, Jair Rodrigues também gostava de falar abertamente sobre tudo aquilo com sabedoria e maestria. Calou-se a voz de Jair aos 75 anos e espero que Caetano não se cale, embora já tenha quase 71 anos! Diferentemente de Gilberto Gil, Gal Costa ou Maria Bethânia, Caetano gosta de relembrar fases daqueles tempos em que lutar pela sobrevivência de uma boa música era significado maior de uma cantoria melhor para futuramente poder se expressar com o passado numa forma direta e franca. E assim como Jair, Caetano também tem cartas na manga ainda. Chico Buarque não fala praticamente mais nada sobre o tempo dos festivais; Geraldo Vandré não se mostra mais em público e nem em entrevistas; Nara Leão morreu; Roberto Carlos não fala mais de Jovem Guarda, embora Erasmo Carlos tenha boas recordações e cartas na manga também. Morreu o patrono do fino da bossa, morreu o menino pobre que vencera na música e se tornara amigo de uma das maiores intérpretes do país, morreu Jair Rodrigues no momento errado. Com a morte de Jair, a música fica mais pobre, mais cinza e mais triste, obviamente. Mas a morte de Jair traz outro significado ainda maior: aquietou-se o moleque cantor mais feliz da MPB e calou-se os bastidores de um festival!



 

Por que Jair Rodrigues não poderia morrer?
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Morreu Jair Rodrigues!

Morreu um mestre da música
Pessoas especiais não morrem. Pessoas especiais são eternas. Jair Rodrigues morreu. Mas não morreu o artista, não morreu o cantor, não morreu o moleque que dançava, corria, pulava, instigava, cantava. Jair Rodrigues deixou um legado e tanto para a música popular brasileira: deixou sua marca ao lado da cantora Elis Regina, definitivamente nos festivais, marcou o início do rap no país, deixou sua pegada no samba brasileiro e, de quebra, entrou de cabeça erguida no sertanejo. Jair Rodrigues passeou por todos os ritmos brasileiros e em todos ele foi muito bem sucedido. Aos 75 anos, o cantor estava em alta, fazendo shows, feliz. No Brasil apenas dois cantores tem a capacidade de cantar com amor, emoção, carinho e devoção: Ivete Sangalo e Jair Rodrigues. Grande ícone da música, Jair partiu e deixará uma lacuna insubstituível. Ainda não dá para acreditar em sua morte, tão rápida e tão batida. Em momentos tão amargos neste mundo, tão delicados e tão comuns, o incomum aconteceu em um momento que não era para ser: sua morte não é uma morte nem uma passagem. Ele descansou. Descansou o nosso eterno moleque, nosso eterno garoto fanfarrão, nosso eterno Jair. Na música, ele misturava tudo e tudo dava certo. Sua voz ainda estava saudavel. Sua emoção ainda era passada para todos. Jair Rodrigues era o clima que o tornava brasileiro, moderno, atual, significativo.  Cantores como Jair, assim como Elis, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Roberto Carlos serão eternos e serão eternos porque na época deles fazer música era complicado. Se houve um Chico Buarque, uma Nara Leão, um Paulinho da Viola é porque houve público para eles. Assim como houve até hoje público e espaço para o Jair. Nunca mais teremos a chance de ver um astro da música popular brasileira surgir como surgiu um Jair Rodrigues, que mesmo tantos anos depois, continuava na ativa, fazendo shows com plateia lotada e cativando crianças e adolescentes e fazendo dos novos artistas uma colisão de aprendizagem e arte. Confesso que não sei o que escrever, pois as lágrimas me tomam neste exato momento. Mas não vamos fazer da morte de Jair uma tristeza sem fim. Não aceito sua morte. Mas o suspiro me faz acreditar que não o teremos mais por perto fisicamente. Suas músicas serão eternas. E Jair Rodrigues é eterno. Até logo, Jair.

 

Adeus, Jair Rodrigues
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A sensível faceta de Filipe Catto



Filipe: sensibilidade à flor da pele
 
Cantor aclamado pela crítica e pelo público e que faltava dentro da MPB, Filipe Catto sentia que sua música iria desaguar em mares profundos quando lançou o primeiro disco, Fôlego, que foi tão aguardado quanto qualquer outro disco. Hoje, lançando Entre Cabelos, Olhos e Furações (2013 / Universal Music / 23,99), Filipe se encontra mais autêntico e sem os trejeitos de uma Elis ou de um Ney e carrega no semblante a tristeza de suas letras e melodias, com uma performance marcada pela emoção e interação constante entre o público/artista, cujo mostra a própria trajetória. O CD foi registrado em DVD e gravado em fevereiro deste ano no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo e foi muito bem elaborado por sua equipe, que chega a dar arrepios esfuziantes.  Filipe é considerado um dos artistas mais talentosos de sua geração e seus discos são prova disso, pela técnica vocal e pelas comparações do início de carreira. A seleção de músicas escolhidas para o novo projeto resume a caminhada do cantor desde o seu começo nos bares até hoje, além de composições próprias e das selecionadas que marcaram sua vida, como as de Roberto Carlos e Fábio Junior.
Adorador de Milton Nascimento e tendo como influência maior o cantor e compositor mineiro, o gaúcho gosta de sua voz e gosta de se ver cantando, mas odeia ser comparado a Ney Matogrosso e Elis Regina. Pudera, o talento de Filipe está mais do que comprovado e não precisa de comparações para chegar a um denominador comum.
O interesse por cantores de sua geração, como Karina Buhr (Eu Menti pra Você), Pélico (Sem Medida) e Nescafé (Apanhador Só) revela o entusiasmo do cantor em experimentar sonoridades novas e que refletem em sua voz. Para o artista que tem no palco uma de suas maiores vertentes, a gravação deste novo disco agrega a uma estratégia para revelar o melhor de sua performance. Uma dessas impressões performáticas estão registradas no DVD e demonstra sua entrega total à sua música.
Os dois trabalhos anteriores (Fôlego e Saga), serviram de base para Entre Cabelos, Olhos e Furacões, título tirado da letra de Ave de Prata, composta por Zé Ramalho e interpretada magistralmente por Filipe em Fôlego num registro fenomenal. E sem sombra de dúvidas, Filipe Catto já entrou para a história da música popular brasileira como um todo: o melhor dos melhores.
 

Entre Cabelos, Olhos e Furacões / Filipe Catto
Nota 10
Marcelo Teixeira

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Lulu Santos emociona cantando Roberto e Erasmo

O novo disco de Lulu: ótimo

Já chamei Lulu Santos de vovô do rock e não gostava de suas aparições nas TVs ou programas de auditório. Achava suas músicas mais sincronizadas e românticas nas vozes de outras cantoras que conseguiam fazer com que sua música soasse mais intelectual e pessoal e criticava quando Nelson Motta o elogiava em esquetes rápidos em programas musicais. O fato é que ele voltou com força total em um disco homenageando os reis da música popular brasileira, Roberto e Erasmo e prova que regravar canções de ídolos pode ser algo realmente inovador.  Lulu Santos está com um novo disco na praça intitulado Lulu canta e toca Roberto e Erasmo e volta a uma era pré-Jovem Guarda, fazendo uma leitura retrô sobre composições do Rei Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Em seu primeiro trabalho exclusivo como intérprete, Lulu Santos busca um caldo especial para as canções de dois monstros sagrados da MPB.

Lulu Santos não é mais aquele jovem guitarreiro que subiu no palco do Rock in Rio de 1985 usando calça apertada e joelheiras. Hoje ele é um senhor de cabelos brancos (orgulhosamente assumidos desde a década de 1990 e que lhe fez muito bem, obrigado), barba volumosa e trajando colete e gravata. O velho roqueiro completou 60 anos. Mas para comemorar, o carioca se deu de presente um disco especial. Relembrar sucessos da dupla, que vão da Jovem Guarda, passam pelas incursões black e hippie, e chegam à atualidade romântica, foi uma de forma de Lulu resgatar a essência e a fonte da sua canção.

Egresso da geração roqueira dos Anos 80, Lulu Santos soube difundir bem por muitas praias. Rock, blues, pop, eletrônico, samba, funk são algumas coisas que sempre estiveram presentes na sua música. Mas, ele nunca deixou de se assumir um eterno romântico. E nesses assuntos de coração, ninguém fez melhor no Brasil do que Erasmo e Roberto. É verdade que, nem eles são os primeiros, nem Lulu é o último romântico. Mas em assunto de amor, os três sabem como poucos extrair melodias e histórias inesquecíveis.

O disco que vem com 13 músicas dos repertórios dos artistas e selecionadas por Lulu para o seu 24.º álbum gravado em fevereiro teve as gravações autorizadas pelos compositores que comandaram a Jovem Guarda. A direção musical e os arranjos ficaram a cargo do próprio Lulu Santos, que mesclou as canções um toque de blues bem perceptíveis como em Minha fama de mau (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965), Sou uma criança, não entendo nada (Erasmo Carlos e Ghiaroni, 1974) e Festa de arromba (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965), ainda foram gravadas canções como Quando (Roberto Carlos, 1967), As curvas da estrada de Santos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969), Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968), Sentado à beira do caminho (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) Eu te darei o céu (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1966), Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967), É preciso saber viver (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968) e Emoções (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981).

Vale a pena conferir!

Lulu Canta & Toca Roberto e Erasmo – Lulu Santos

Nota 10

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Viva Cauby!


 

Cauby Peixoto: o Rei
Com 81 anos de idade, Cauby Peixoto ainda está na ativa – para a nossa eterna felicidade! Voz caracterizada pelo timbre grave e aveludado, mas principalmente pelo estilo dândi, que inclui figurinos e penteados excêntricos, Cauby está em atividade desde a década de 1940, aonde é conhecido no meio artístico como Professor. A família tinha a música no sangue; o pai tocava violão e a mãe bandolim; os irmãos eram instrumentistas, e o tio grande pianista. Foi considerado pelas revistas Time and Life como: O Elvis Presley brasileiro. Convidado para uma excursão aos EUA, onde gravou, com nome artístico de Ron Coby, um LP com a orquestra de Paul Weston, cantando em inglês. De volta ao Brasil, comprou, em sociedade com os irmãos, a boate carioca Drink, passando a se dedicar mais a administração da casa e interrompendo, assim, suas apresentações.

Em 1980, em comemoração aos 25 anos de carreira, lançou pela Som Livre o disco Cauby, Cauby, cujo é o melhor de sua carreira, com composições escritas especialmente para ele por Caetano Veloso (Cauby, Cauby), Chico Buarque (Bastidores), Tom Jobim (Oficina), Roberto Carlos e Erasmo Carlos (Brigas de amor) e outros. Bastidores, particularmente, se converteria em um dos maiores sucessos do repertório do cantor. No mesmo ano, apresentou-se nos espetáculos Bastidores (Funarte, Rio de Janeiro) e Cauby, Cauby, os bons tempos voltaram, na boate Flag (SP).

Em 1982 uma temporada no 150 Night Club (SP), com os irmãos Moacir (piano) e Araquem (piston) e lançou o LP Ângela e Cauby, o primeiro encontro dos dois cantores em disco, com sucessos como Começaria tudo outra vez (Gonzaguinha), Contigo aprendi (Armando Manzanero), Recuerdos de Ipacaray (Z. de Mirkin e Demetrio Ortiz) e a valsa Boa-noite, amor (José Maria de Abreu e Francisco Matoso).

Em 1989, os 35 anos de carreira foram comemorados no bar e restaurante A Baiuca (São Paulo), ao lado dos irmãos Moacir, Araquem, Iracema e Andiara (vozes). No mesmo ano, a RGE relançou o LP Quando os Peixotos se encontram, de 1957. Em 1993 foi o grande homenageado, ao lado de Ângela Maria, no Prêmio Sharp. Foi lançada pela Columbia caixa com 2 CDs abrangendo as gravações de 1953 a 1959, com sucessos como Conceição entre outros.

Atualmente, apresenta-se nas noites de segunda-feira no Bar Brahma, tradicional templo da boemia paulistana, localizado na mais famosa esquina brasileira (av. Ipiranga com São João, em São Paulo, Brasil), em temporada que já dura há mais de oito anos, com ingressos concorridos.

Não é a toa que Cauby é Cauby. Teatros lotados, bares repletos de pessoas ansiados por vê-lo e a mesma desenvoltura de um garoto de quinze anos, mas com a sabedoria de um senhor que nos ensinou tudo dos bastidores da vida através de um único gesto: respeito!

 

Viva Cauby!

Por Marcelo Teixeira

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

3º Maior Cantora do Brasil: Maria Bethânia


Simplesmente Bethânia
Segunda cantora feminina em vendagem de discos do Brasil e a de maior vendagem da MPB com mais de 26 milhões de cópias, segundo dados em seu site, Maria Bethânia é um fenômeno de público e de crítica. O apelido de Abelha-rainha tornou-se popular e deve-se ao primeiro verso da canção-título do LP Mel (1979). Participou na juventude de espetáculos semiamadores em parceria com Tom Zé, Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil; em 1960 mudou-se para Salvador com a intenção de terminar os estudos; frequentou o meio artístico, ao lado do irmão Caetano. Em 1963, estreou como cantora na peça Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues. No ano seguinte, apresentou espetáculos como Nós por Exemplo, Mora na Filosofia e Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova, ao lado do irmão Caetano Veloso e o colega Gilberto Gil, então iniciantes, a quem lançou como compositores e cantores nacionais e a cantora Gal Costa, dentre outros.

A data oficial da estreia profissional é 13 de fevereiro de 1965, quando substituiu a cantora e violonista Nara Leão no espetáculo Opinião pois a mesma precisou se afastar por problemas de saúde. Nesse mesmo ano, foi contratada pela gravadora RCA, que posteriormente transformou-se em BMG (atualmente Sony BMG), onde gravou o primeiro disco, lançado em junho daquele mesmo ano. O primeiro sucesso foi a canção de protesto Carcará, que fez muito sucesso na sua voz na época, no repertório deste, que também incluía, dentre outras, as músicas Mora na filosofia, Andaluzia, Feitio de oração e Sol negro, esta última em dueto com Gal Costa (que à época ainda usava o nome artístico de Maria da Graça). Depois lançou um compacto triplo, Maria Bethânia canta Noel Rosa, que trouxe as músicas Três apitos, Pra que mentir, Pierrot apaixonado, Meu barracão, Último desejo e Silêncio de um minuto, acompanhada apenas por um violão, de Carlos Castilho. Ainda em 1966, depois de voltar à Bahia por um breve período, participou dos espetáculos Arena canta Bahia e Tempo de guerra, ambos dirigidos por Augusto Boal, também competindo em festivais. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, apresentou-se em teatros e casas noturnas de espetáculos, tornando-se assim nacionalmente conhecida.

Bethânia foi a idealizadora do grupo Doces Bárbaros, onde era um dos vocais da banda, que lançou um disco ao vivo homônimo juntamente com os colegas Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil. O disco é considerado uma obra-prima; apesar disto, curiosamente na época do lançamento (1976) foi duramente criticado. Doces Bárbaros era uma típica banda hippie dos anos 1970, e ao longo dos anos, este lema foi tema de filme com direção de Jom Tob Azulay, DVD, enredo da escola de samba Estação Primeira de Mangueira em 1994 com a canção Atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu, já comandaram trio elétrico no carnaval de Salvador, espetáculos na praia de Copacabana e uma apresentação para a Rainha da Inglaterra.

Inicialmente o disco seria registrado em estúdio, mas por sugestão de Gal e Bethânia, foi o espetáculo que ficou registrado em disco, sendo quatro daquelas canções gravadas pouco tempo antes no compacto duplo em estúdio, com as canções Esotérico, Chuckberry fields forever, São João Xangô Menino e O seu amor, todas gravações raras.

O sucesso de vendagem foi preciso em 1993, depois de completar mais de 25 anos de carreira, quando do lançamento do CD As canções que você fez pra mim, que gerou mais de um milhão de cópias e foi convertido para uma versão hispânica (no caso, Las canciones que hiciste para mi) com parte do repertório (sete das onze músicas foram convertidas - a faixa-título, Fiera herida (Fera ferida, um dos hits do disco, tema de abertura da novela homônima global), Palabras (Palavras), Tú no sabes (Você não sabe), Necesito de tu amor (Eu preciso de você), Tú (Você, esta incluída na trilha sonora da novela global Pátria Minha de Gilberto Braga cujo título remete ao famoso poema homônimo de Vinícius de Morais - justamente a sucessora de Fera Ferida) e Emociones (Emoções, um dos grandes sucessos de Roberto) - das que ficaram de fora Olha, Costumes, Detalhes e Seu corpo), que consistiu em um tributo à dupla de cantores e compositores Roberto e Erasmo Carlos, evocando onze parcerias entre ambos.

Em 2006 foi a grande vencedora do Prêmio Tim de música onde arrebatou três títulos: melhor cantora, melhor disco (Que falta você me faz, um tributo a Vinícius de Morais) e melhor DVD (Tempo tempo tempo tempo, comemorativo dos quarenta anos de carreira). Bethânia, que sempre teve fama de antissocial, surpreendeu e compareceu à cerimônia de premiação. No mesmo ano, os CDs antigos - LPs originais que haviam sido relançados anteriormente em CD - voltaram às prateleiras, com encarte completo (na edição anterior ele havia sido suprimido/reduzido), letras de todas as músicas e textos - mesmo que a versão original não as tivesse - e texto interno com a história do álbum redigido pelo jornalista e crítico musical Rodrigo Faour, pois há muito tempo estavam fora de catálogo.

Ainda em 2006, lançou dois álbuns simultaneamente: Pirata, onde canta os rios do interior do Brasil e foi considerado pela crítica uma espécie de retomada de Brasileirinho, lançado três anos antes, e Mar de Sophia, onde canta o mar a partir de versos da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner. A turnê de promoção dos dois discos foi batizada de Dentro do mar tem rio, com direção de Bia Lessa e roteiro do fiel colaborador Fauzi Arap, originando o álbum duplo homônimo, lançado em 2007.

Com tantos atributos e tanta musicalidade boa e de qualidade, Maria Bethânia é detentora também de uma teatralidade única que consegue juntar música, rima e poesia de poetas e poetisas e escritores e dramaturgos famosos com seus versos pouco publicados. Todos os discos que lança são bem vendidos e isso a torna única e batalhadora e é por este motivo que a cantora chega ao terceiro lugar da lista das maiores cantoras do Brasil.

 

3º Lugar: Maria Bethânia

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

9º Maior Cantora do Brasil: Marisa Monte



Grande voz, grande cantora
Embora tenha caído nas graças de um público maior e menos exigente no requisito música inteligente, Marisa Monte consegue atrair também o público que a acompanha desde os tempos de Bem Que se           Quis, de seu primeiro álbum, datado de 1988, quando encantou milhares de pessoas com uma voz encantadora e sublime. Seus discos após a eclosão desse surgimento na música brasileira também foram de uma importância significativa para os que sempre gostaram de uma música verdadeira, culta e inteligente, unindo beleza, técnica e uma das melhores cantoras surgidas dos últimos anos da época. Vieram discos sensacionais, maravilhosos, humanos e o público ainda sentia que Marisa Monte era uma cantora da elite de todas as regiões do país. Mas a própria Marisa Monte quebrou tabus quando lançou o medonho Memórias, em 2000. Disco atemporal de sua carreira, o público que até então não entendiam suas músicas passaram a acompanha-la e a carreira de Marisa ficou ainda mais imbatível.

Marisa já vendeu mais de 10 milhões de álbuns e ganhou inúmeros prêmios nacionais e internacionais, incluindo três Grammy Latino, sete Video Music Brasil, nove Prêmio Multishow de Música Brasileira, cinco APCA e seis Prêmio TIM de Música. Marisa é considerada pela revista Rolling Stone Brasil como a maior cantora do Brasil Ela também tem dois álbuns (MM e Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão) na lista dos 100 melhores discos da música brasileira.

Marisa Monte tem algumas particularidades que a fazem ser uma das maiores cantoras do Brasil. Seu cachê é de R$290 mil, por apresentação, sendo o sexto mais caro do Brasil, perdendo apenas para Roberto Carlos, Ivete Sangalo, Luan Santana e Michel Teló: 1 milhão, 750 mil, 700 mil e 500 mil, respectivamente. É dona de toda a obra e dos fonogramas originais. É a sétima cantora que mais vendeu discos no Brasil, estando na lista Anexo: Lista de recordistas de vendas de discos no Brasil. Conquistou sete Discos de Ouro, sete Discos de Platina, sete Discos de Platina Duplo, dois Discos de Platina Triplo, dois Discos de Diamante. É a cantora que mais vendeu na década de 90 e 2000, sendo nos anos de 1989 (500 mil), 1991 (500 mil), 1994 (1 milhão), 2000 (1 milhão), 2002 (1 milhão) e 2006 (600 mil). Umas das poucas cantoras a ter os 8 primeiros álbuns estreando no Top 5 da parada brasileira, é a única cantora na história do Brasil a ter sete álbuns debutando em primeiro lugar de forma consecutiva, o único álbum a não alcançar o topo das paradas, foi Universo ao Meu Redor que chegou ao segundo lugar na lista dos álbuns mais vendidos no Brasil, atrás apenas de Infinito Particular, também de Marisa, que estava no primeiro lugar. Foi a primeira vez na história da lista dos álbuns mais vendidos no Brasil em que a mesma cantora ocupava os dois primeiros lugares.

É a única cantora brasileira a ganhar 5 prêmios no Vídeo Music Brasil, em único ano, e também foi a segunda mulher que mais ganhou na premiação, com 8 prêmios no total, atrás apenas de Pitty com 15 prêmios, sendo as duas únicas mulheres na lista que mais ganharam prêmios na história da premiação. Tem 23 músicas em trilhas sonoras, sendo 22 em novelas da Rede Globo e 1 da novela do SBT. É a cantora/compositora mais indicada ao Grammy Latino na categoria Melhor Canção Brasileira, no total de 4 indicações nesta categoria, até hoje nunca ganhou nesta categoria. Cantora brasileira que mais lucrou com turnês. Todas as turnês obtiveram um lucro bruto de 90 milhões de reais. É a quarta cantora com maior números um, divide o recorde de maior números de um nas paradas brasileira, atrás apenas de Ivete Sangalo com 13, Daniela Mercury com 10, Pitty com 5. Se tornou a primeira artista a ter 6 singles número um nas décadas 80s, 90s e 00s, quando seu hit Não é Proibido alcançou o número um, tornando-se seu sexto número um. Dois álbuns que atingiram marca de mais de 1 milhão de cópias vendidas no Brasil na década de 2000, sendo eles Memórias, Crônicas e Declarações de Amor e Tribalistas, que vendeu 1.2 milhões e 1.5 milhões de cópias, respectivamente. Fora do Brasil, as turnês já lucram em torno de 50 milhões de dolares.

Por todo este rendimento musical e pela sua técnica vocal, que Marisa Monte chega ao nono lugar na categoria das 30 maiores cantoras do Brasil de todos os tempos pelo Mais Cultura!

 

9º Lugar: Marisa Monte

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira