Mostrando postagens com marcador Ivete Sangalo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ivete Sangalo. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de julho de 2018

Os truques de Anitta

Os truques salientes de Anitta
Não podemos tirar o mérito da cantora Anitta de que ela é um sucesso estrondoso aqui no Brasil e angaria a passos tímidos sua incursão em países da América Latina, Europa e todo o Continente. Em alguns países, como México, por exemplo, ela praticamente domina as paradas de sucessos e já é muito requisitada para programas de TV e rádios locais. Mas em países como Colômbia (em que precisará brigar muito com a dona do pedaço, Shakira), Anitta ainda não reinou, mas conseguiu entrar bem timidamente. Portugal, Argentina, Paris, Londres e em alguns outros países ela ainda engatinha, mas o efeito maior mesmo está no país do Chaves, Chesperito e Chapolin Colorado, talvez como uma troca de favores.

Diferentemente do que muitos pensam, Anitta é muito mais esperta que todos no quesito fazer truques: ela tira onda em suas músicas, planeja muito bem como fazer de seus singles um verdadeiro fenômeno e tira de tudo isso um proveito absurdo, sem ao menos... abrir tanto a boca. Explico: em músicas como Bang, de 2015 (mesmo que ainda cante e bem), Paradinha (2017) Vai Malandra (2017), Machika (2018) e o agora sucesso Medicina (2018), Anitta mal abre a boca, mais dança do que canta e nos engana muito bem com seu portunhol esquisito. Não estou aqui querendo dizer que Anitta não é uma boa cantora ou que seu sucesso não é merecido. Estou dizendo justamente o contrário, até porque, no início de sua carreira eu mesmo fui totalmente contrário ao seu estilo de fazer música brasileira e a chamei de medíocre quando queria usar e abusar da comunidade carente para se autopromover.

Mas se você reparar bem nas músicas da cantora, verá que a mesma praticamente não canta muito, que mais dança e rebola do que pratica o ato de soltar a voz. Outra coisa que me deixa muito intrigado é o fato da cantora sempre ter um parceiro para dividir os vocais e isso está em praticamente noventa por cento de suas músicas. Em Vai Malandra ela canta tão pouco, que cheguei a acreditar que ela não estava no clipe. Agora em Medicina o efeito se repete: além de colocar várias crianças e jovens de outros países fazendo o refrão (La La La La La La), ela canta pouco, explora mais o cenário e os países pelos quais perpassa e pronto: clipe feito, música cantada, sucesso estrondoso e ‘bora’ fazer outro sucesso.

Formada em Administração, Anitta é o fenômeno que é devido ao seu caráter, seu estilo despojado e seu lado humano: o povo precisava de uma cantora que os representassem. Isso aconteceu com Carmen Miranda nos anos de 1930, Clara Nunes e Elis Regina nos anos de 1970, Rita Lee e Marina Lima nos anos 1980, Daniela Mercury nos anos 1990, Ivete Sangalo nos anos 2000, Anita nos anos 2010. Ainda risco em dizer que Anitta é a cópia de Ivete, mas em graus diferenciados, porque Ivete explorou muito seu lado baiano, enquanto que Anitta não tem uma identidade cultural, não ficando restrita apenas ao Rio de Janeiro, mas representando todo o Brasil, indo de encontro com a identidade ideológica da História.

Todas essas cantoras citadas tiveram e têm uma representatividade muito grande dentro da MPB e souberam utilizar seus espaços com uma organização temporal incríveis. Hoje Anitta é a maior cantora do Brasil, segundo especialistas de música mais antenados do que esse crítico que vos escreve aqui e agora e que você está lendo-o. Sua grandiosidade artística impera entre aqueles que se sentem representados por ela e que estão órfãos com tantos acontecimentos em prol da maior detentora do pódio musical brasileiro: Ivete teve duas filhas, se afastou da mídia por um tempo, se dedicou à família e o público não consegue ficar muito tempo sem uma representante oficial, mesmo que essa representante não tenha sutilezas ao fazer músicas que perdurem vinte ou trinta anos, como uma Carmen, uma Clara, uma Elis, uma Rita ou uma Daniela. Anitta é a Carmen Miranda do século XXI, mas seu espelho maior é a sombra da Ivete, só que em tamanho menor.


Os truques de Anitta
Por Marcelo Teixeira

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Marília Mendonça e a retratação infiel do sertanejo brasileiro


O estranho, o sertanejo e a Marília
Nem tudo aquilo que reluz é ouro e nem tudo aquilo que é meramente repentino é sensacional. Muitas vezes aquilo que é novo passa a ser algo supérfluo e aquilo que não é escutado com cautela com o tempo nos revela ser uma grande obra prima. Pode acontecer também de surgir do nada uma nova voz e acharmos que trata-se de uma voz poderosa e que marcará gerações, mas também pode ocorrer dessa mesma voz ir se desmanchando com o tempo, ficando irresistívelmente cansativo e atemporal. Poderia eu ficar aqui destilando mil e uma formatações de vozes e estilos, assim como eu poderia ir direto à chave central deste artigo: em 2016 o Brasil viu surgir uma nova voz sertaneja que eclodiu pelos quatro cantos do país como sendo uma revelação musical dita da melhor qualidade, do melhor estilo e do melhor momento. Evidentemente que Marília Mendonça não é uma voz carismática, Marília Mendonça não é um talento aprazível, Marília Mendonça não é uma grande revelação da música sertaneja, Marília Mendonça não é nada, a não ser uma cantora que acha que é cantora, que não tem postura alguma de cantora, que não canta absolutamente nada de novo e que não vai ser nada de nada. Com uma voz que nos remete à Ana Carolina (apenas uma comparação de vozes, não querendo rebaixar em hipótese alguma a cantora Ana Carolina), Marília Mendonça surgiu em um momento em que o estilo sertanejo pedia. Enquanto Anitta briga com Ludmilla um espaço vanglorioso dentro de seus estilos pop urbano, Sandy, Manu Gavassi e Wanessa duelaram um espaço entre o público jovem e pré adolescente, Ivete Sangalo e Claudia Leite foram assistidas de camarote por Daniela Mercury para ver quem é a mais legítima baiana e Luan Santana agora encontrou em Tiago Iorc um desafio irrecusável, Marília Mendonça foi fabricada às pressas para duelar diretamente com a desamparada Paula Fernandes. Óbvio que o brilho das duas sertanejas se sobrecaem repentinamente em um emaranhado de superficialidades musicais e estéticamente falando, mas o fato é que Marília não se comporta como cantora e nunca será dita de ser uma a altura das grandes divas sertanejas, como Inezita Barroso ou As Irmãs Galvão. Falta-lhe coro, falta-lhe estima, falta-se discernimento acentuado de mulher, falta-lhe estilo, falta-lhe carisma, falta-lhe tantos adjetivos que não me atrevo mais a continuar. Com uma brega música ridícula que gruda na mente, a neo-cantora parece que engoliu um balão de oxigênio e flutua nos palcos como se fosse balão inflamado. Caracteristicamente, sua voz não agrada, seu sorriso é forçado, suas vestes não se adequam e sua tez é de uma pessoa mundana, meramente comercial, nada cultural. Infelizmente o Brasil carece de cultura e, mesmo tendo que respeitar diversas delas, somos obrigados a aceitar Marília Mendonça dentro dessa parte globalizada. Sendo a nossa Adelle suburbana, Marília Mendonça consegue ser o fundo do poço que assolou o mundo sertanejo com vozes femininas depois de Paula Fernandes e nesse estilo quem se salva é Bruna Viola, que é a típica cantora regional com prestígio e determinação musical invejável.O que me dói como ser humano é ver diversas mulheres se passando por Marília Mendonça retratada em suas músicas. Uma pena que isso aconteça, pois enquanto mulheres se sentem traídas e infiéis, mais o mundo globalizado perde seus direitos éticos e morais.

 
Marília Mendonça e a retratação infiel do sertanejo brasileiro
Por Marcelo Teixeira

sábado, 8 de outubro de 2016

Daniela Mercury: do axé à MPB


Daniela: rainha da axé
Sempre digo que a música baiana é dividida em blocos importantes: a primeira retrata a música de Dorival Caymm e Assis Valente, o segundo bloco é representado pela onda de baianidade intelectualizada formada por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Baby do Brasil, Moraes Moreira e outros e o terceiro e mais importante bloco é representado apenas por uma única mulher, que revolucionou a música com três palavras determinantes: ginga, energia e determinação. A década de 1990 foi marcada pela geração de Daniela Mercury, que conseguiu uma legião de fãs por todo o Brasil com sua voz, sua dança, seu balé, sua sofisticação e seu axé. Estávamos saindo de uma onda roqueira, embalada por roqueiros e bandas com alguma simpatia cordial e estavámos enojados com o pagode brejeiro de grupos multifacetados que aspiravam a demagogia do riso forçado, que caminhava lado a lado com as duplas sertanejas que ascendiam lareiras fervilhantes, mas que nada se comparava aos mitos Chitãozinho e Xororó. As únicas cantoras que estavam no posto de donas da vez eram díspares em suas camadas musicais, sendo elas Marina Lima no rock e Daniela Mercury no chamado axé, pois Marisa Monte, que vinha de um disco maravilhoso de 1988 e Adriana Calcanhotto, que receberia as glórias em 1990, duelavam entre si pelo posto mais alto da música, mas o caminho de Daniela estava livre para mostrar o seu talento e, de quebra, aquilo que ninguém até então tinha ouvido cantar, falar e comentar. Ao longe e timidamente, cantoras do naipe de Cássia Eller, Zélia Duncan, Fernanda Abreu apareciam aqui ou ali em apresentações medianas. Mas 1991 foi um divisor de águas na carreira meteórica de Daniela Mercury, que nesta altura já tinha desistido de ser bailarina para se tornar a maior estrela da música nacional. Arrastou multidões com a música Swing da Cor (1991), que lhe rendeu centenas de shows e lhe valeu a fama de cantora das multidões. De fato, não havia uma cantora nacional com aquela popularidade enorme e Daniela tinha todos os atributos para ser a rainha do axé. Daniela Mercury era um fenômeno por onde passava e o axé tinha uma representante à altura. Com coreografias sensacionais, a cantora deixou seu nome registrado na música nacional como sendo a maior de todos os tempos. Depois de seu sucesso estrondante, artistas do naipe de Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque passaram a reverenciar sua voz, seu canto e seu estilo e a tornaram ainda mais em evidência: era o primeiro passo da cantora no mundo da MPB. A bem da verdade, Daniela já flertava com a música popular brasileira em algumas faixas de seus discos e esse sempre foi o desejo da baiana em ser um dia uma cantora distante do axé. Não que o estilo fosse negativo, mas Daniela sempre almejou ser uma nova Gal Costa, dando a chance de mostrar para outros públicos o quanto sua voz poderia ser privilegiada fora de um contexto elétrico. Com a chegada de Ivete Sangalo e, mais tarde, de Claudia Leite, Daniela deu vazão para o mundo da MPB e foi abandonando aos poucos a axé que um dia lhe consagrou. A mudança não surtiu tanto efeito assim para os fãs ardorosos da cantora, mas Daniela soube usar a inteligência e já havia sacado que se não mudasse de estilo o mais rápido possível, poderia cair no ostracismo. Não foi o que aconteceu: com ótimas releituras e com a voz ainda mais valorizada, Daniela conseguiu respeito e admiração de um público cada vez maior e que conseguia nutrir uma satisfação nada egocêntrica de sua parte. Daniela conseguiu mostrar sua voz para a cidade e realizou o sonho de ser uma menina baiana que um jeito que Deus dá.

 

Daniela Mercury: do axé à MPB
Por Marcelo Teixeira

terça-feira, 21 de abril de 2015

Por que Ester Freitas não ganhou?


Ester: surpresa na música e injustiça
No meio de tantas vozes boas e outras nem tanto, eis que uma grata surpresa apareceu: a voz poderosa da cantora Ester Freitas. Confesso que não suporto assistir a esses tipos de programas musicais, em que o público vota para eleger o melhor ou a melhor voz, assim como não suporto ter que ver esse mesmo cantor ou cantora sendo derrotado por quem nada entende de música, posso garantir que a reta final deste programa dominical mexeu comigo por dois motivos: 1 – a evolução dos cantores, ao longo das semanas foram melhorando gradativamente, de acordo com os conselhos e ajustes dos jurados, que pediam para que eles parassem de gritar (Paula Toller foi a cantora que mais sincera foi, ao dizer que as músicas ali cantadas eram de uma beleza encantadora, mas que não mereciam berros) e 2 – as mulheres eram cantoras guerreiras (sem desmerecer nenhuma). Ao final, ficaram cantores que nada acrescentarão em nossas vidas, mas com certeza, os jurados que tiraram Ester Freiras do quadro e, consequentemente, de ser a nova estrela da música popular brasileira, irão se arrepender pro resto de suas vidas ao tornarem Jefferson Moraes como sendo um dos melhores cantores daquele quadro seletivo. Para quem acompanhou o programa viu que Jefferson Moraes só ganhou o programa por dois motivos: 1 – ele é caipira igualmente ao Luan Santanna e até na aparência isso contou muito e 2 – as mulheres que estavam na platéia o elegeram com seus gritinhos e suas vaias aos demais. Com certeza, essa platéia não entende de música e, sim, de beleza. Assim como os últimos jurados, como Ivete Sangalo e Luan Santanna, que estavam ali por mérito de causa: elegerem Jefferson Moraes como sendo o vitorioso máster do programa. Mas e Ester Freitas? Por que não ganhou o programa Iluminados? Não por falta de iluminação (Ivete Sangalo reconheceu por diversas vezes que ela cantara muito bem, assim como Daniela Mercury), Ester Freitas agarrou com voz e presença de palco todas as músicas que lhe foram apresentadas. Mas onde está o erro nisso tudo? Simples: o programa já tinha seu ídolo e ele era Jefferson Mattos, o sócia de Luan Santanna. Deixando de lado meu lado antropólogo, Ester Freitas é uma cantora sensacional e que canta suas músicas com maestria, mas, perante aquela platéia insossa e perante os jurados comprados, Ester não é uma cantora vendável, ou seja, não é uma cantora que vende discos. Seu repertório seria voltado pura e exclusivamente para a verdadeira MPB, talvez recriando canções de outros cantores e seguindo seu caminho quieta e sem estardalhaço pelos quatro cantos do país. Jefferson Moraes ganhou porque representa o Brasil como sendo o Brasil regional, o Brasil que vive de música sertaneja, o Brasil de sertanejos universitários. Jefferson mostrou que não entende de música brasileira e que a platéia também não entende de música: ele berrou ao cantar Sangrando, de Gonzaguinha, faltou-lhe respiração, ficou ofegante e, mesmo assim, ganhou a competição com um cantor que talvez mereceria ganhar naquele quesito, mas que também seria um interprete de músicas americanas. Aposto que se o público ali presente deixasse Ester Freitas cantar Sangrando, os jurados iriam se ajoelhar para ela, assim como o apresentador, a platéia e todos os que estavam em suas casas. E Ester Freitas não ganhou porque ali presente teve um corpo de jurados que já sabiam as cartas marcadas, teve uma platéia que apenas balbuciava e jorravam seus gritinhos abafados e deixou de ver uma grande estrela surgir.

 

Por que Ester Freitas não ganhou?
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A maldição de Ed Motta


Ed: maldição passageira?
Quem me conhece sabe perfeitamente o quanto não suporto o cantor e compositor Ed Motta, mas não suas músicas e muito menos a sua pessoa, mas sim a sua ignorância, a sua maneira de soltar frases com sentido intelectual, mas detonando uma classe minotária particular ou simplória. E mais uma vez o cantor surgiu como uma bomba de efeito moral nas redes sociais com uma notícia bombástica. Obviamente que Ed Motta é um homem culto, de palavras e sons difícieis, sendo considerado por muitos criticos especializados como um dos maiores jazzistas brasileiros de todos os tempos, mas a capacidade de interpretar suas próprias opiniões acabam por dividir a sociedade em várias partes obsoletas, que faz com que essas mentes se fechem a ponto de ridicularizar o cantor. Aqui entra a hermenêutica, palavra pouco conhecida do grande público e que deveria ser mais utilizada por professores e críticos de um modo geral. Ed Motta soltou um texto em sua rede social e logo o público interpretou de uma maneira contrária, áspera e hostil às suas palavras. Portanto, hermenêutica significa a interpretação de textos. Porém, quem leu o texto jorrado por Ed, não conseguiu distinguir o que é moral, o que é certo, o que é errado, o que é nada. Primeiramente, parto de um pressuposto de que nossa música é, sim, um pólo cultural enraizado em mentes pequenas, sendo considerado fora do país como um país do axé, do pagode e do nefasto sertanejo universitário, com seus grupos de oito pagodeiros dançando ridiculamente em um palco em toques sincronizados que nada acrescentam na nossa rotina; seguindo com o sertanejo universitário, que Michel Teló, Luan Santanna e Gustavo Lima cismam em levar como demonstração de música de qualidade para países escandinavos, europeus e americanos, fazendo com que a nossa imagem se priorize dessa característica básica de roupagem musical; terminando com o axé de quinta categoria produzida por Ivete Sangalo, Claúdia Leite, Asa de Águia, Chiclete com Banana, Margareth Menezes, que usam a sensualidade para demonstrarem a banalidade cultural que existe por aqui. Neste quesito, concordo com Ed Motta de que sua música não se iguala a esses rotuladores de qualidade duvidosa. Em outro parâmetro, o que Ed disse em sua rede social nada mais é que o seu show nos Estados Unidos seria apenas um show internacional, portanto, fora de sua terra natal, o Brasil. E que nesse show, não teria nada que lembrasse o Brasil, nem músicas em português e tudo seria falado e cantado em inglês, que é uma língua universal. Todo mundo sabe que fora do Brasil existe um grupo de brasileiros que adoram badernas e se dizem cultos justamente por estarem ali, mas na verdade, esses brasileiros não sabem se comportar perante um show musical feito por brasileiros. Eles, os brasileiros, gritam músicas entre uma canção e outra e isso irrita profundamente o cantor no palco.  Por causa dessa iniciativa, o cantor Ed Motta tomou atitudes mais severas para punir os brasileiros que são formados em ouvir músicas de quilates inferiores. Joyce Moreno, Daúde, Bebel Gilberto, Rosa Passos, Barbara Mendes, Ceumar e outros tantos cantores que não são reconhecidos pelo seu talento em seu país de origem, deveriam fazer o mesmo, mesmo sabendo que cairão na maldição a qual Ed Motta passa atualmente. Podemos observar isso claramente em shows realizados aqui no Brasil (e aqui escrevo direcionado aos meus amigos brasileiros que moram no México, na Espanha e no Japão) de cantores como Adriana Calcanhotto, Chico Buarque, Gal Costa entre outros, que nem bem acaba a música, já gritam uma na qual o cantor fizera muito sucesso ou música muito antiga. Isso, por ventura, acaba tirando a atenção do cantor e este sabe que o público só está ali para ouvir músicas antigas, não prestando atenção, talvez, em seu novo trabalho. Ed Motta foi coerente em sua postura, foi sensato ao ponto ao pedir para que esses brasileiros não gastassem seu dinheiro para irem ao seu show, pura e simplesmente porque não estarão aptos para ouvirem as músicas novas de seu trabalho, AOR, e já evitando um estress maior ainda sabendo que o cantor não cantaria músicas como Manuel. Já pensando em um modo de não haver desgastamento em seu show, Ed Motta pisou em uma poça maior ainda: as palavras de baixo calão que enfrenta nas redes sociais. Se manter sua palavra até o final e não der a miníma bola para o que se fala a seu respeito por aí, Ed Motta poderá considerar sua maldição como bem menor. Mas por enquanto, o cantor vive uma maldição: a maldição de Ed Motta.

 

A maldição de Ed Motta
Marcelo Teixeira

terça-feira, 24 de junho de 2014

A falsa baiana: Claudia Leite


 

Senta lá, Claudia!
Sinto pena da Claudia Leite, agora denominada Claudia Milk, talvez para ficar internacionalmente conhecida. Senti vergonha alheia de ver Claudia Leite, Milk ou o que seja, dançando, pulando, erguendo os braços num grito de gol. Foi uma fatalidade total ver a falsa baiana vestida de azul cravada de diamantes, enquanto a nossa bandeira é verde e amarela. Graças a um erro da Fifa, a cantora foi selecionada para abrir a Copa do Mundo aqui no Brasil e fazer de sua imagem uma seda rasgada, deteriorada e senil. Claudia Leite, ops, Milk, estava apagada, mal iluminada e com uma roupa cafona que custou metade daquele estádio. Sem estilo, a cantora não teve sintonia com as músicas, com o estádio, com a cantora Jennifer Lopez, com os torcedores: sua maquilagem estava carregada e seus olhos estavam mortos. Mas há vários motivos do porque Claudia não poderia ser eleita a cantora para a abertura da Copa: ela não tem estilo, não tem carisma, nem empatia, muito menos simpatia. Seu semblante é de uma pessoa depressiva, de poucos amigos. Falsa baiana que é, a cantora carioca até canta, tenta demonstrar carisma, mas não passa de uma ilusão à toa. Centrada em cantar pérolas brasileiras, a cantora demonstrou que precisa estudar o repertório que não conhece ou não teve tempo de conhecer e que precisa ser mais brasileira para ocupar o espaço de uma verdadeira estrela. Mesmo assim, Claudia subiu e cantou, mesmo que para risos esfuziantes da platéia ou do telespectador do mundo inteiro. Com tantos nomes muito mais relevantes e intelectualizados no país, por que a Fifa chamou logo Claudia Leite, uma cantora que não tem aquele charme e nem aquela pureza de cantora baiana? Ivete Sangalo e Daniela Mercury estavam livres para aceitar o convite, assim como Maria Rita, Gal Costa ou Zizi Possi. Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Gilberto Gil estavam totalmente desocupados para ocupar o lugar daquele cantor que só agitava os braços. E por que chamar uma cantora do porte de Jennifer Lopez, se temos muito mais capacidade de ter ali uma cantora nossa? Se a Fifa não tem respostas, eu tenho: a Fifa não é brasileira e isso todos nós sabemos. Escolheu cantores, artistas, figurinistas, pessoas e crianças estrangeiras e demonstrou, a torto e a direito, que não conhecem o nosso país. No final de tudo, acho que a razão até esteja com Claudia, quando canta no trecho em português de We Are One: Não importa o resultado, vamos extravasar! Rainha do pior axé music de todos os tempos, a única coisa que resta aos brasileiros e a própria cantora é extravar e rezar para que o Brasil ganhe a Copa. Não importa para os amantes da MPB, o resultado final: o importante aqui é que a música produzida por Claudia Leite é da pior qualidade, mesmo ela ganhando dinheiro e muito dinheiro. Perante o vexame de ver Claudia Leite cantando no centro do mundo, tive a certeza de que estamos falidos musicalmente, ao menos naquele momento em que ela se requebrava. Pensei na luta de cantores que tentam um espaço para sobreviver e pensei na paz do mundo se não tivessemos uma Claudia Leite.

 

A falsa baiana / Claudia Leite
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Morreu Jair Rodrigues!

Morreu um mestre da música
Pessoas especiais não morrem. Pessoas especiais são eternas. Jair Rodrigues morreu. Mas não morreu o artista, não morreu o cantor, não morreu o moleque que dançava, corria, pulava, instigava, cantava. Jair Rodrigues deixou um legado e tanto para a música popular brasileira: deixou sua marca ao lado da cantora Elis Regina, definitivamente nos festivais, marcou o início do rap no país, deixou sua pegada no samba brasileiro e, de quebra, entrou de cabeça erguida no sertanejo. Jair Rodrigues passeou por todos os ritmos brasileiros e em todos ele foi muito bem sucedido. Aos 75 anos, o cantor estava em alta, fazendo shows, feliz. No Brasil apenas dois cantores tem a capacidade de cantar com amor, emoção, carinho e devoção: Ivete Sangalo e Jair Rodrigues. Grande ícone da música, Jair partiu e deixará uma lacuna insubstituível. Ainda não dá para acreditar em sua morte, tão rápida e tão batida. Em momentos tão amargos neste mundo, tão delicados e tão comuns, o incomum aconteceu em um momento que não era para ser: sua morte não é uma morte nem uma passagem. Ele descansou. Descansou o nosso eterno moleque, nosso eterno garoto fanfarrão, nosso eterno Jair. Na música, ele misturava tudo e tudo dava certo. Sua voz ainda estava saudavel. Sua emoção ainda era passada para todos. Jair Rodrigues era o clima que o tornava brasileiro, moderno, atual, significativo.  Cantores como Jair, assim como Elis, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Roberto Carlos serão eternos e serão eternos porque na época deles fazer música era complicado. Se houve um Chico Buarque, uma Nara Leão, um Paulinho da Viola é porque houve público para eles. Assim como houve até hoje público e espaço para o Jair. Nunca mais teremos a chance de ver um astro da música popular brasileira surgir como surgiu um Jair Rodrigues, que mesmo tantos anos depois, continuava na ativa, fazendo shows com plateia lotada e cativando crianças e adolescentes e fazendo dos novos artistas uma colisão de aprendizagem e arte. Confesso que não sei o que escrever, pois as lágrimas me tomam neste exato momento. Mas não vamos fazer da morte de Jair uma tristeza sem fim. Não aceito sua morte. Mas o suspiro me faz acreditar que não o teremos mais por perto fisicamente. Suas músicas serão eternas. E Jair Rodrigues é eterno. Até logo, Jair.

 

Adeus, Jair Rodrigues
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A polêmica do cantor Daniel


Daniel: ainda o melhor sertanejo
A polêmica em volta do cantor Daniel sobre a regravação da música Maravida em seu 14° disco de estúdio ainda persiste e muitos torcem o nariz para não ouvi-lo. A música foi composta por Gonzaguinha e cantada por Maria Bethânia em seu disco Alteza, de 1981 e é uma das músicas mais esquecidas do cancioneiro de Luiz Gonzaga Junior, já que os menos chegados na obra do grande cantor, insistem em lembrar apenas de E o que é, o que é? ou Explode Coração. Seja como for, Daniel está sofrendo as penalidades por causa da gravação de uma música consagrada na voz de Gonzaguinha, seu criador e de Bethânia, sua criatura, tendo em vista que o sertanejo nunca tenha gravado sequer uma música do cantor falecido em abril de 1991. Que a música foi encomendada para que Daniel cantasse, disso ninguém tem dúvidas, mas confesso que a primeira audição, levei um susto ao ouvir Daniel cantando uma das minhas melhores canções num jeito tosco, grosseiro e berrante. Mas isso foi somente a primeira audição, pois Daniel, com seu carisma e sofisticação, soube interpretar deliciosamente a música, não deixando constranger a nada e a ninguém. Daniel recebeu e ainda recebe críticas por esta regravação e essa nova fase do cantor sertanejo será marcada para o sempre em sua carreira. Maravida é uma música que fala de amor, desilusões e vida e Daniel soube interpretar deliciosamente a canção. Não agradando ao público que assiste a telenovela, Daniel segue sua vida (e carreira) tranquilamente, tentando não dar vazão às críticas negativas que vem recebendo. Houve até um abaixado-assinado na emissora global para que a canção fosse trocada pela interpretação de Maria Bethânia, mas, como se vê até hoje, nada disso foi feito. Vale ressaltar que a novela América, de Glória Perez, exibida em 2005, teve caso semelhante. A novela, que ia de mal a pior, teve como chamariz principal a interpretação (maravilhosa) de Milton Nascimento na música Órfãos do Paraíso como a pior parte da trama (ou seja, a abertura), e a substituição foi feita por Ivete Sangalo com a música Soy Loca Por Ti América.  Seja como for, a interpretação do cantor sertanejo Daniel, cujo eu gosto, está muito boa! E que ele continue assim: humilde e sensacional com sua voz que emociona a muitos.


A polêmica do cantor Daniel
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A preciosidade de Embalar (2013), de Ná Ozzetti


Um dos melhores de 2013
Sempre há uma expectativa da minha parte para os lançamentos futuros da cantora e compositora Ná Ozzetti. Assim que lança um disco novo na praça, não dando tempo nem desse respirar, já anseio pelo próximo trabalho e fico aguardando frenetica e ansiosamente pelo outro. Ná é uma das poucas cantoras que conseguem fazer isso comigo. Mal lançou Meu Quintal no final de 2011, a cantora vêm com carga total com Embalar, disco que faz uma reviravolta em sua carreira, com participações especiais e dividindo letras com cantoras mais novas. Embalar, antes de mais nada, é um disco de profusões de palavras, característica mais que assídua da cantora e que demonstra uma clareza vocal exuberante. A impressão que passa é que Embalar é uma sequencia magistral de Estopim, lançado em  1999, a começar pela capa, aonde mostra em ambas, Ná dançando balé clássico. As letras de Embalar também nos remetem à Estopim, tanto pela maneira de galgar as palavras quanto pelo estilo musical, que se difere de Meu Quintal. Ná é uma das principais vozes femininas do Brasil e disso não há o que discutir e Embalar comprova, nitidamente, o quanto sua presença é marcante dentro da Música Popular Brasileira. Mantendo um estilo cativo de manter-se inerte em seu mundo, a cantora lança discos sensacionais, não repetitivos, com qualidade, supremacia e, sobretudo, musicalidade. O que Ná talvez não saiba é que a sua música, para poucos, como bem disse na canção Pérolas aos Poucos (José Miguel Wisnik) no CD Voz e Piano (2005) é rica para alguns e misteriosa para outros.

Poucos conhecem Ná Ozzetti. Mas todos deveriam ter a obrigação de conhecer o seu trabalho. Lançando seu décimo álbum, Ná Ozzetti é respeitada por críticos e músicos pela sua voz, pelo seu canto, pela sua música. Ná Ozzetti é a voz principal da Vanguarda Paulista, que teve como padrinho o inesquecível Itamar Assumpção e foi através deste excepcional cantor que tive o prazer de conhecer o trabalho de Ná (e, por consequencia, de Virginia Rosa, Susana Salles, Vânia Bastos). Embalar (2013 / Circus / 24,99) foi produzido pela própria cantora em parceria com o irmão Dante Ozzetti e os amigos Mário Manga, Sérgio Reze e Zé Alexandre Carvalho e já está à disposição nas melhores redes para vendas.

Com 11 faixas, o CD está recheado de participações especiais, como a amiga Mônica Salmaso na faixa Minha Voz e Juçara Marçal em Musa da Música, num trava-língua irresistível. Marcelo Preto divide os vocais com a cantora em Olhos de Camões. A polêmica sobre o lesbianismo surge em Lizete, numa engraçada forma de rimar e Nem Oi é uma parceria entrosada entre Dante Ozzetti e o mineiro Makely Ka.

Surpresa agradável foi a composição entre Ná e Tulipa Ruiz, que fecha o disco com a mambembe Pra Começo de Conversa. Surpresa mais que agradável, tendo em vista que as parcerias, letras, melodias, ritmos e tudo o que completa neste sensacional disco, faz parte agora do cancioneiro da MPB por um todo. Ná é sempre Ná e seu novo disco é um dos favoritos a entrar para a categoria de melhor do ano. Sem papas, choros e velas, o disco é um presente aos fãs da cantora e chega em um bom momento, enquanto só se falam de Rock in Rio, divas americanas, conversas de Anittas e papagaiadas de Ivetes.

Salve, salve dona Ná!


Embalar / Ná Ozzetti
Nota 10
Marcelo Teixeira

 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

9º Maior Cantora do Brasil: Marisa Monte



Grande voz, grande cantora
Embora tenha caído nas graças de um público maior e menos exigente no requisito música inteligente, Marisa Monte consegue atrair também o público que a acompanha desde os tempos de Bem Que se           Quis, de seu primeiro álbum, datado de 1988, quando encantou milhares de pessoas com uma voz encantadora e sublime. Seus discos após a eclosão desse surgimento na música brasileira também foram de uma importância significativa para os que sempre gostaram de uma música verdadeira, culta e inteligente, unindo beleza, técnica e uma das melhores cantoras surgidas dos últimos anos da época. Vieram discos sensacionais, maravilhosos, humanos e o público ainda sentia que Marisa Monte era uma cantora da elite de todas as regiões do país. Mas a própria Marisa Monte quebrou tabus quando lançou o medonho Memórias, em 2000. Disco atemporal de sua carreira, o público que até então não entendiam suas músicas passaram a acompanha-la e a carreira de Marisa ficou ainda mais imbatível.

Marisa já vendeu mais de 10 milhões de álbuns e ganhou inúmeros prêmios nacionais e internacionais, incluindo três Grammy Latino, sete Video Music Brasil, nove Prêmio Multishow de Música Brasileira, cinco APCA e seis Prêmio TIM de Música. Marisa é considerada pela revista Rolling Stone Brasil como a maior cantora do Brasil Ela também tem dois álbuns (MM e Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão) na lista dos 100 melhores discos da música brasileira.

Marisa Monte tem algumas particularidades que a fazem ser uma das maiores cantoras do Brasil. Seu cachê é de R$290 mil, por apresentação, sendo o sexto mais caro do Brasil, perdendo apenas para Roberto Carlos, Ivete Sangalo, Luan Santana e Michel Teló: 1 milhão, 750 mil, 700 mil e 500 mil, respectivamente. É dona de toda a obra e dos fonogramas originais. É a sétima cantora que mais vendeu discos no Brasil, estando na lista Anexo: Lista de recordistas de vendas de discos no Brasil. Conquistou sete Discos de Ouro, sete Discos de Platina, sete Discos de Platina Duplo, dois Discos de Platina Triplo, dois Discos de Diamante. É a cantora que mais vendeu na década de 90 e 2000, sendo nos anos de 1989 (500 mil), 1991 (500 mil), 1994 (1 milhão), 2000 (1 milhão), 2002 (1 milhão) e 2006 (600 mil). Umas das poucas cantoras a ter os 8 primeiros álbuns estreando no Top 5 da parada brasileira, é a única cantora na história do Brasil a ter sete álbuns debutando em primeiro lugar de forma consecutiva, o único álbum a não alcançar o topo das paradas, foi Universo ao Meu Redor que chegou ao segundo lugar na lista dos álbuns mais vendidos no Brasil, atrás apenas de Infinito Particular, também de Marisa, que estava no primeiro lugar. Foi a primeira vez na história da lista dos álbuns mais vendidos no Brasil em que a mesma cantora ocupava os dois primeiros lugares.

É a única cantora brasileira a ganhar 5 prêmios no Vídeo Music Brasil, em único ano, e também foi a segunda mulher que mais ganhou na premiação, com 8 prêmios no total, atrás apenas de Pitty com 15 prêmios, sendo as duas únicas mulheres na lista que mais ganharam prêmios na história da premiação. Tem 23 músicas em trilhas sonoras, sendo 22 em novelas da Rede Globo e 1 da novela do SBT. É a cantora/compositora mais indicada ao Grammy Latino na categoria Melhor Canção Brasileira, no total de 4 indicações nesta categoria, até hoje nunca ganhou nesta categoria. Cantora brasileira que mais lucrou com turnês. Todas as turnês obtiveram um lucro bruto de 90 milhões de reais. É a quarta cantora com maior números um, divide o recorde de maior números de um nas paradas brasileira, atrás apenas de Ivete Sangalo com 13, Daniela Mercury com 10, Pitty com 5. Se tornou a primeira artista a ter 6 singles número um nas décadas 80s, 90s e 00s, quando seu hit Não é Proibido alcançou o número um, tornando-se seu sexto número um. Dois álbuns que atingiram marca de mais de 1 milhão de cópias vendidas no Brasil na década de 2000, sendo eles Memórias, Crônicas e Declarações de Amor e Tribalistas, que vendeu 1.2 milhões e 1.5 milhões de cópias, respectivamente. Fora do Brasil, as turnês já lucram em torno de 50 milhões de dolares.

Por todo este rendimento musical e pela sua técnica vocal, que Marisa Monte chega ao nono lugar na categoria das 30 maiores cantoras do Brasil de todos os tempos pelo Mais Cultura!

 

9º Lugar: Marisa Monte

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Aonde está a Real Fantasia de Ivete Sangalo?


O álbum: horrível
O sétimo álbum da cantora Ivete Sangalo vem com algumas novidades que somente os fãs mais ardorosos poderão adicionar ao poderio de sua longa estrada. O disco tem uma capa sensacional, uma cor vermelha de um vestido esfuziante (por vezes penso que estou vendo a capa do disco Sim, de Vanessa da Mata, de um outro ângulo) e uma longa trança que vai até perto de seus pés, deixando a vista o tamanho da grandeza da cantora baiana. Mas para por ai. O disco só tem a capa bonita. Mais nada. Nada mesmo. O disco é um dos piores produzidos pela cantora, que já teve músicas mais dançantes e mais românticas e já teve também uma roupagem mais moderna. O que me impressiona neste novo disco é a capacidade de fazer música esdruxula para um final de ano repleto de novidades que ainda virão por ai. O disco Real Fantasia, lançado em outubro de 2012, trás o pior de Ivete Sangalo, com musiquinhas reles e sem sentido, com uma mistura de sons e ritmos, que por vezes penso que estou numa escola de samba, num funk, em Cuba. Ivete aproveitou todos os estilos que poderiam ser dançantes e canta músicas horríveis.

Que Ivete é uma das maiores cantoras deste país, ninguém pode duvidar disso. Ainda mais quando cede entrevistas, a cantora fica ainda mais bem representada, pois ela demonstra toda a sua sensibilidade para com o próximo, o carinho aos seus fãs, a sua banda, ao entrevistador. Mas o que acontece com Real Fantasia mais parece uma fantasia: o disco me parece que foi prontamente pensando para ganhar dinheiro no final de ano e com isso, quem perde a credibilidade é a própria Ivete, que se manteve atenta a fazer um dos piores discos de sua carreira.

A cilada a qual Ivete caiu ao lançar Real Fantasia é tamanha, que meses depois de lançar o disco, o mesmo ainda não obteve resultados satisfatórios perante a gravadora. As músicas são fracas e acabo ficando envergonhado em ver Ivete dançando ao som de pérolas como Dançando, Balançando Diferente, Delira na Guajira. A única música detentora de bons elogios é a que fecha o disco, Eu Nunca Amei Alguém Como Eu Te Amei, cujo os versos são de uma poesia profunda e acalentadora.

Mas Real Fantasia, no mais, é um dos piores lixos produzidos pela musa baiana, Ivete Sangalo.

 

Faixas

01. "Veja o Sol e a Lua"

02. "No Brilho Desse Olhar"

03. "Balançando Diferente"

04. "Dançando"

05. "Só Nós Dois"

06. "Só Num Sonho"

07. "Delira Na Guajira"

08. "Real Fantasia"

09. "Puxa Puxa"

10. "No Meio do Povão" - com citação de "Depois Que o IIê Passar"

11. "Essa Distância"

12. "Isso Não Se Faz"

13. "Me Leve Embora"

14. "Eu Nunca Amei Alguém Como Te Amei"

 

Real Fantasia / Ivete Sangalo

Nota 3

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O futuro de Wanessa


A cantora pop Wanessa
A cantora Wanessa (sem o sobrenome famoso) está começando a cair no meu conceito. Sou uma pessoa exigente musicalmente falando e, em todos os aspectos, não gosto de música teen, nem norte-americana, dando vazão e preferencia à música inteiramente brasileira, ora com pitadas europeias ou de língua castelhana (como faz Marina de La Riva) e quando há a junção das línguas estrangeiras, como fazem as cantoras Bebel Gilberto, Thaís Gullín e Mallu Magalhães. Alguns cantores de excelente gabarito, como Maria Gadú e Lenine, interagem em uma canção ou outra em seus discos com outros idiomas, o que não fica chato, nem muito menos caricato. Mas dedicar sua carreira inteiramente à um estilo que não é o tradicional para poder cair definitivamente nas graças de uma galera nada exigente, que quer apenas dançar, pular e se divertir, sem se interessar pela mensagem da canção, é fazer rir da desgraça alheia e estar no patamar mais elevado para enfim, poder dizer que se tornou uma cantora rica de fãs, rica de personalidade, rica de atitudes e rica de muita burrice.

Assim a cantora Wanessa, que já foi criticada aqui no Mais Cultura! como umas das piores cantoras do Brasil, conseguiu cair no meu conceito: estive verificando sua nova trajetória há quase três meses e confesso que me orgulho em ver que ela saiu da barra da aba da cantora perdida Sandy, para viver o seu mundo, imitando, agora, cantoras de um país que adora eleger as louras ao topo das melhores do mundo, como Adele, Lady Gaga, Madona, Britney Spears. Para tanto, Wanessa tingiu os cabelos de louro, imagino eu que para ser confundida com uma delas futuramente. Sair da aba de Sandy para ser praticamente igual às americanas, é sofrer para não padecer e isso está tirando o meu sono, literalmente. Wanessa não precisava ir tão longe para se igualar às cantoras de um país que por aqui fazem enorme sucesso. Bastava virar a esquina que logo encontrava o seu caminho.

Mas Wanessa foi mais longe: seu idioma agora passa do português ao inglês como num piscar de olhos e sua trupe aumentou (ouvi dizer que já passam de trezentos mil dançarinos no palco para fazerem a volta dela ao show bizz) e sua roupa, seus colares, seu cabelo também mudaram. Se igualar a cantora Sandy não dera muitos frutos, se igualar às americanas, dará? Retirar o famoso sobrenome e dançar ao estilo de Madona a fará mais famosa internacionalmente, com toda a certeza cabível de sustentação de artigos como este, mas dizer que Wanessa será uma das maiores cobiças de cantoras nacionais que deram certo lá fora, isso será impossível. Nem Ivete Sangalo conseguiu este feito.

Que saudades eu tenho de Carmen Miranda, que colocou os EUA, o Brasil e Cuba em suas mãos! Mas deixo um recado à Wanessa: não tente imitar as americanas. Tente imitar a si mesma, assim, a esquina que você poderia entrar, estará totalmente iluminada. Ou não.

 

O futuro de Wanessa

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Aonde está a ousadia de Thiaguinho?


 

Existe hoje um grande artefato em volta do pagodeiro Thiaguinho, que recentemente se desligou do grupo de pagode Exaltasamba, desfazendo um dos mais importantes grupos do movimento desde o início da era pogodista e o último dos moicanos sobreviventes da chacina musical que persistiu em durar, por mais de vinte anos de estrada. Se bem que na última arquitetura do grupo, as músicas e até mesmo o carisma dos pagodeiros estavam em alta e eu mesmo cantarolava algumas de suas canções, mas esses entusiasmos eram motivados por Péricles e o novato Thiaguinho, que viria abrilhantar o grupo. Evidentemente que a visão de Thiguinho seria futuramente abandonar o barco e seguir em carreira solo, como fizeram inúmeros cantores da área (não só de pagode, como do rock, do axé e até de grupos importantes, como a Paula Lima, que saiu do maravilhoso Funk Como Le Gusta e hoje quase não se ouve falar sobre a banda).

Mas me chama a atenção alguns aspectos da volta por cima de Thiaguinho (sim, volta por cima porque muitos acharam que ele não iria se dar bem na carreira solo) e em sua musicalidade também. Que Thiago é uma revelação musical, disso não se pode discordar, mas o que quero ressaltar neste artigo não é a brilhante carreira que ele fizera quando estava preso e algemado ao grupo, mas sim agora, com o disco Ousadia & Alegria, lançado agora em 2012.

O título do disco não poderia ser a melhor resposta para aqueles que lhe torceram o nariz, torceram contra e ainda estão falando mal do artista, mas não vejo por este lado esta tal ousadia que o cantor insiste em mostrar. Aliás, não consigo enxergar aonde está a ousadia de Thiaguinho ao lançar este disco e nas linhas abaixo eu tentarei explicar que pode ter muita alegria, puro entusiasmo, muita adrenalina, mas pouca ou nada ousadia. Alegria, sim. Ousadia, não!

 

O nosso lema é ousadia e alegria

 A nossa cara é pagode todo dia

 Cheio de estilo na pressão eu vou com tudo

 Só espalhando ousadia pelo mundo

Lê lêlê lêlê lêlê

Ousadia para vencer

 Lê lêlê lêlê lêlê

 Alegria para viver

Trecho de Ousadia e Alegria, de Thiaguinho

 

A primeira ousadia (e talvez a única retratada no disco) de Thiaguinho, tenha sido a sua saída do grupo Exaltasamba. Mais nada. Nenhuma outra ousadia mais ousada (num trocadilho perfeito para este momento), foi mais eloquente e mais soberano para um artista que ainda pode crescer com seu talento e sua espontaneidade. Ousadia esta que pode também lhe custar muito caro, pois o primeiro álbum é um verdadeiro sinônimo de festa pelas vendagens e pela receptividade do publico, mas isso poderá não acontecer com o próximo disco.

Talvez a segunda ousadia de Thiaguinho seja mostrar logo de cara um disco totalmente ao vivo, geralmente destinado à grandes cantores que depois de um certo tempo de estrada lançam discos com plateias gigantes e com aberturas novas. Thiago já ousou ao lançar no mercado fonográfico um disco ao vivo e com músicas inéditas, feito raro a um artista que inicia sua carreira solo.

Mas o disco em si é um grude! Algumas faixas deveriam ser extintas e outras merecem até mesmo um pequeno troféu pela letra e pelo passaporte do artista. Thiaguinho tenta se esforçar para cantar bem em algumas faixas, mas o que acontece é um festival de horror ao ver seu lábio superior fazendo malabarismos igualmente quando Caetano Veloso canta. Chamar o jogador Neymar para cantar talvez seja a pior parte do disco.

Thiaguinho foi esperto ao lançar seu disco solo. Para obter um ótimo resultado e altas vendagens e não ver seu publico indo pousar noutro lugar, a estratégia foi abusar (ou ousar). Chamou os maiores artistas, como Gilberto Gil e Ivete Sangalo, convidou Luísa Possi, cantora que consegue exprimir um certo carisma entre os adolescentes e amantes da nova MPB, convidou Alexandre Pires, que tem um certo nome e respeito no mercado internacional e se veste ora como um moleque travesso, ora como um novo expoente da música negra, ora como um emergente do capitalismo que conseguiu ingressar, ora como um suburbano, de poucas palavras e muitos gestos.

 
O disco ainda conta com uma gigantesca trupe de músicos e com um coral de dar inveja a qualquer concerto: são eles, por muitas vezes, os responsáveis pelo apoio que Thiaguinho precisa e acho que será muito improvável que um dia eles venham a se desvencilhar. Tudo isso prova que Thiaguinho ainda não está preparado para seguir uma carreira solo, tendo de enfrentar as dificuldades que todo grande artista sofre ao se desligar de um grupo de puro sucesso. Thiago não sobreviveria acaso lançasse um disco de estúdio, sem convidados extraordinários e sem orquestra e jogador de futebol. Thiago não teria suporte emocional para entrar em um palco sozinho. E tudo foi pensado para que ele se sentisse como um integrante de qualquer grupo de pagode às suas costas e ele ainda fosse o líder.

Observando o disco atentamente e assistindo ao DVD do mesmo, pude constatar que Thiaguinho ainda precisa calejar muito para conseguir almejar o verdadeiro estrelato e conseguir uma nota digna de seu próprio sucesso. Ainda o sinto como um integrante do mesmo grupo de pagode que o adotou e não o sinto preparado, pronto, ágil, esperto, capaz de seguir carreira solo sem um corpo de coral, sem um convidado especial, sem uma grande estrela para estar ao seu lado. Thiaguinho ainda precisa ousar mais, porque alegria ele tem de sobra.

Por enquanto, a ousadia de Thiaguinho não vingou. A alegria, sim.

 

Faixas

1- Leite Condensado

2- Buquê De Flores

3- Ousadia & Alegria Part. Esp.: Neymar

4- Lero Lero - Part. Espec. Alexandre Pires

5- Desencana

6 - Puxando

7- Sou O Cara Pra Você

8- Até Ver Você (Hahaha)

9- Muleke Conquista

10- O Poder Do Pretinho - Part Espec. Ivete Sangalo

11- Antes De Dizer Adeus

12 - Simples Desejo - Part Espec. Gilberto Gil

13- Ainda Bem

14- Vai, Novinha

15- Deixa Eu Te Fazer Feliz

16- Eu Quero É Ser Feliz

17- Tomara

18- Motel

19- Robin Hood Da Paixão

20- Eternamente Feliz

21- Deixa Pra Mim

 

Ousadia & Alegria / Thiaguinho

Nota 5

Marcelo Teixeira