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terça-feira, 2 de julho de 2013

Naldo, Anitta e os piores da música atual


Naldo: a pior revelação musical
Naldo engoliu Latino, que engoliu o desejo de conhecer o ostracismo da TV e de grandes mídias. Naldo recentemente veio embalado por um grande sucesso que o povo de massa encefálica oca aderiram ao cardápio musical, fazendo que o cantor estourasse de ponta a ponta do país. Se Latino era o queridinho da música de quinta categoria no Brasil, hoje o posto é reconhecidamente do canastrão Naldo.  MC Leozinho, Tati Quebra-Barraco, Bonde do Tigrão, MC Marcinho, Claudinho Nervoso, Bonde do Lambe Lambe, MC Cris, Os Magrinhos, Latino, Deize Tigrona, MC Buiú e MC Alex deveriam ser presos, torturados, encaixotados e jogados ao mar, de preferência próximo a tubarões brancos. Se esse tipo música reflete a vida e cultura das favelas, eles que fiquem por lá cantando suas letras imbecis, machistas e marginais. O Brasil já é tão violento, e ainda por cima temos que aguentar um tipo de música que torna os jovens ainda mais burros, desinteressados e intolerantes. O funk carioca, hoje comandado por homens e mulheres de baixo nível, não é cultura, é a marginalização da música brasileira, o podre, o esgoto que subiu. As mulheres aprendem a serem biscates logo cedo, a serem as cachorras do negócio. Já os homens crescem machistas, malandrões e achando que mulher é igual banana – come e joga a casca fora.

Anitta é o pior elemento musical que surgiu nos últimos tempos e eu não sei quanto tempo ela ficará no comando de um microfone. Bonita, sim, mas muito vulgar e muito chata. Adepta do funk melody, que mistura o romantismo à batida de tamborzão --o famoso e onipresente tchu, tcha--, Anitta já é chamada por muitos no meio de o Naldo de saias, em referência ao cantor de Amor de Chocolate, o hit do uísque ou água de coco.

Um país que já teve roqueiros como Renato Russo e Raul Seixas, Cazuza e Lobão, hoje tem que aguentar esse bando de cantores enrustidos como Fresno, Hori, Strike, Cine, Restart, NX Zero e CPM 22. Os caras cantam chorando, o instrumental é um hardcore sem a mínima pegada e a postura é muito mauricinho querendo ser proletariado. Isso quando eles não inventam fazer balada, pois daí você não sabe se está ouvindo a uma dessas bandas citadas ou a uma das duplas sertanejas universitárias que andam empesteando o ambiente.

É tudo a mesma porcaria! Não importa a música, e sim se os caras são bonitinhos, se tem o cabelinho assim, se usam as roupinhas assado, e por aí vai. É aquele tipo de rebeldia frágil para os adolescentes – época em que ficamos idiotas, espinhudos, feios e nos apaixonamos pelo primeiro poste da esquina. Deveriam mudar logo o rótulo desse tipo de rock para Bunda Mole Music.

Outros dois que entram na onda do pop/ rock são o Jota Quest e o Charlie Brown Jr. Os dois tem respeito, acumulam sucesso e bla bla bla, mas são o mais puro lixo do pop brasileiro. Eu não entendo uma palavra que o Chorão canta e acho a postura de sou fodão, sou perigoso a coisa mais estúpida do mundo. Ao menos o tal chorão se foi! Já os caras do Jota Quest são capazes de vender até a mãe para alcançarem o sucesso. Seu repertório é cheio de canções manipuladoras, altamente descartáveis e fritinhas para o sucesso. Não há sinceridade em nada!

Ao assistir o clipe da caipirinha do Piaíu chamada Stefhany, no YouTube, eu tive a plena certeza de morar em um país atrasado. Como uma música tão ruim pode fazer sucesso? Mas ela é só a ponta do iceberg: o forró é um pé no saco e ainda temos Banda Calypso e Calcinha Preta para aturar. Em 2009 o Melhor Prêmio da Música Brasileira foi entregue ao Calcinha Preta: música chata, reta, idiota. Só fez sucesso por causa da novela “Caminho das Índias”, senão ninguém – mas ninguém mesmo – teria prestado atenção. Porém o sertanejo é um gênero que definitivamente não me faz mal. Eu até acho bastante divertido aquelas músicas ao estilo de cerveja e cornice. É milhões de vezes melhor do que o pagode, o forró sem sal (não aquele que conheci em João Pessoa ou os tradicionais feito por Luiz Gonzaga, Fagner ou Dominguinhos), a axé e principalmente o funk carioca. Mesmo assim, não entra na minha cabeça tanta babação de ovo em cima do pirralho Luan Santana. Eu havia dado 1 ano para que ele sumisse do mapa. Ainda não aconteceu, mas sua música está desaparecendo aos poucos. As adolescentes que hoje choram por ele amanhã estarão sofrendo de amor por outro galãzinho qualquer.

O samba de raiz é o que há de melhor na MPB, mas o pagode chegou para estragar tudo. Mesmo longe dos áureos tempos (diga-se segunda metade dos anos 90), a ruindade do pagode ainda existe. Netinho de Paula, Exaltasamba, Sorriso Maroto, Belo, Pixote, Alexandre Pires e Samprazer são insuportáveis. Não estou nem aí se eles são famosos, ganharam prêmios, lotam estádios e o caramba a quatro. Todo mundo toca mal, canta mal e compõe pior ainda, com aquelas letrinhas chulé de rimas infantis e romantismo de duplo sentido. Não entendo por quê pagam tão alto para ver Alexandre Pires. Ele é menos que nada. O Netinho de Paula pode se gabar por ter a voz mais chata do universo; seus chorinhos me dão enxaqueca. O Belo não tem o menor talento pra nada, e os outros três aí – os grupos Pixote, Sorriso Maroto, Exaltasamba e Samprazer – são mais insignificantes do que bactérias.

 

Naldo, Anitta e os piores da músical atual

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A volta de Alexandre Pires ao Só Pra Contrariar


Será que ele aguentará a pressão?
Que a carreira de Alexandre Pires não decola mais, disso todo mundo já está sabendo. Saiu do grupo Só Pra Contrariar, que era líder absoluto na década de 1990 e início dos anos 2000 para tentar carreira solo e desandou de vez, assim como a maioria dos líderes de grupos pagodeiros da época, como Netinho, do Negritude Júnior, Leandro Lheart, do Art Popular e Chrigor, do Exaltasamba, entre muitos outros que aderiram a carreira solo. Muitos pararam no decorrer da carruagem, outros foram sendo esquecidos merecidamente, pois não desenvolveram nada artisticamente, mas alguns esforçados tentaram a risca manter-se firme a musicalidade que lhes foi permitida por jabazeiros irresponsáveis.

Alexandre Pires tentou carreira de diversas maneiras: de cantor romântico, brega e neo-sertanejo, todas as tentativas foram irrisórias e cansativas, sem sucesso nenhum. Tentando carreira internacional, o fiasco foi ainda maior, embora tenha cantado para o então presidente americano George W. Bush o Hino Nacional e algumas músicas bossa novistas. Enquanto Alexandre Pires tentava a carreira solo, o grupo que ele deixara no passado, Só Pra Contrariar, vinha com carga nova, tendo a frente o irmão de Alexandre, Fernando, que não tinha carisma algum, não trouxe inovações e, para complicar, o grupo cantava as mesmas canções de quando tinha como líder o cantor que revelara o grupo, Alexandre Pires.

Depois de polêmicas com macacos, louras, canções brasileiras para políticos norte-americanos e tentativas em vão em terras desconhecidas, Alexandre Pires volta ao grupo que o revelou, Só Pra Contrariar, com ternos muito bem alinhados, instrumentos muito bem alinhados, mas com nenhuma novidade, nenhuma música nova e cantando os sucessos de outrora.

Voltar às origens não é nenhuma vergonha, afinal, com tantos altos e baixos, nada melhor que tentar alavancar o nome do grupo, mas são resquícios de que algo de errado aconteceu. Afinal, a ganância de Alexandre em tentar carreira solo, deixando um grupo sólido, fez com que o mesmo entrasse em vários conflitos e enrugando o som, a qualidade e a imagem de todos. Alexandre Pires está mais velho e não está com cara de quem está feliz retornando ao grupo, cantando as mesmas músicas. O pagode tenta resistir ao tempo e tenta voltar às suas origens, que é trazendo seus líderes de volta.

Mas a volta de Alexandre Pires talvez tenha um propósito: demolir a hegemonia de Thiaguinho, que vem brilhando maravilhosamente bem sua trajetória depois da bem sucedida carreira no Exaltasamba e de Péricles, que também teve uma história marcante no mesmo grupo e que hoje trilha um caminho inverso, com muitos aplausos e carinhos do público.

Trazer Alexandre Pires de volta ao Só Pra Contrariar foi um dos pesos mais complexos que a indústria da música pode carregar. Veremos se o grupo resistirá ao tempo, se irá trazer alguma novidade futura ou se será alguma fase passageira (a qual eu acho) e eu estarei aqui, sentado e de camarote, tentando visualizar o que realmente aconteceu para tamanho desastre musical.

 

A volta do Só Pra Contrariar

Marcelo Teixeira

 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A grande voz de Péricles


 

Péricles, uma das melhores vozes
O pagode tem um líder à frente de seu estilo que se chama Péricles e cheguei a esta conclusão pelo simples fato de Péricles ser como ele mesmo: Péricles. Grande voz, grande cantor, grande personalidade, fui rendido à musicalidade deste grande cantor desde o início do grupo Exaltasamba, nos anos 1990. Péricles resistiu a todos os nomes que vieram depois no pagode, aceitou as transmutações, se divertiu com a troca de vocais do grupo, assistiu decadências e oscilações pagodeiras, viu a bancada sertaneja crescer, desbancou grupos de rock, destruiu tarjas que colocavam o pagode nas estribeiras de um caminho sem volta e hoje reina absoluto como um dos líderes mais bem iluminados do pagode.

Gosto de Péricles e isso não é nenhuma novidade para quem me conhece. Sua voz me agrada tanto, que gosto como ele conduz as músicas e o palco. Seu jeito tímido alcança notas dificílimas e seu olhar conduz atentamente o que ele planeja cantar para uma multidão ávida de esperanças. Para tanto, o grupo Exaltasamba, que recentemente se desfez,  ainda permanece intocável graças ao seu líder maior.

Mas o Exaltasamba não acabou. Péricles é quem ainda está no comando do grupo, mesmo não tendo o nome de peso que o consagrou. Mas estão todos ali, com seus instrumentos, cantando como vocais, mas as espreitas, praticamente longe dos olhos da multidão. Péricles assumiu o comando e agora segue carreira solo. Mas o que acontece é o oposto. Péricles é um grande nome da música popular brasileira e seu estilo de cantar é ainda mais agradável do que nomes consagrados do estilo, como Dudu Nobre, Alexandre Pires e Jorge Aragão. Por ser um grande nome da música universal hoje, a ideia de seguir carreira solo talvez surgiu após a ida de Thiaguinho, em grande estilo, para a mesma seara que muitos já tomaram.

Porém, Péricles agora vive um dilema, pois sua missão é derrotar o grande imperador do pagode, seu arqui-inimigo amigo Thiaguinho. Ambos continuam não conseguindo fazer shows solos, ou seja, sem a companhia do grupo por trás (Péricles tem os antigos músicos do grupo, enquanto Thiaguinho mantém uma trupe impecável de músicos ao seu redor) e o que mais parece agora, é que ambos estão travando uma briga por fã. Se Thiaguinho seguiu carreira solo, abandonando o barco do sucesso que o consagrou um dia, agora chegou a vez de Péricles derrubar este império.

Péricles é um cantor de excelente gabarito e, mesmo tendo o Exaltasamba ao seu redor, o cantor se sai muito bem sozinho, que, por muitas vezes, temos a sensação de que ele está sozinho ali no palco, conversando com a gente (o que não acontece com Thiaguinho). E, mesmo se um dia Péricles vir a abandonar o cenário musical, seu nome estará gravado para sempre, pois ele é a alma do verdadeiro pagode.

 

Péricles

Marcelo Teixeira

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sétimo pior cantor do Brasil: Belo


Belo, o 7° pior cantor
Que o cantor Belo não canta nada, disso todo o mundo sabe. Chega a ser ridículo sua música ser considerada uma das melhores (como andam dizendo alguns fanáticos por pagode) e sua presença ser constante nos programas de rádio e TV. Belo é o tipo de cantor que não acrescenta em absolutamente nada na cultura das pessoas e chega a ser engraçado ver seus passinhos de marionete perante uma multidão de fãs enlouquecidos por sua pessoa. Belo é o que há de pior tanto na música popular quanto no pagode. Embora haja uma resistência do cantor perante as exigências da música popular hoje em dia (principalmente no pagode, em que essa exigência é ainda maior), Belo segue seu caminho cantando músicas que falam de amor, sentimentos, carinhos e mulheres. Talvez seja por isso que ainda permanece na estrada resistindo ao tempo com altos e baixos. Mais baixos do que altos.

A exigência do mundo do pagode requer muito mais do que Belo anda cantando hoje em dia. Vejam casos como o de Thiaguinho, que acertou em cheio na qualidade musical e visual (mesmo que a alegria esteja imperando mais do que a ousadia a qual ele insiste em cantar), de Péricles, que anda cantando com verdade, com garra e determinação e de casos menos esfuziantes, como os de Alexandre Pires, que ora acerta, ora erra em seus caminhos. Cantores do mesmo estilo, como Vavá , Rodriguinho e Leandro Lehart, que erraram feio ao largarem seus respectivos grupos (Cara Metade, Os Travessos e Art Popular) ao seguirem carreira solo.

Chegando ao sétimo lugar na lista dos piores cantores do Brasil, Belo agora figura ao lado de estrelinhas como Paula Fernandes, Perla, Joelma, Mc Catra, Latino e Wanessa (que tirou o Camargo depois que se consolidou na música pop/teen). Integrar nesta lista requer uma qualificação exemplar: ter em seus atributos a alcunha de só fabricar lixos comerciais, não obter de faturamento cultural e, o mais agravante, ter algum requisito que não agrade a maioria da população exigente por boa musicalidade.

No caso de Belo, sua voz fanha e seus s com pronuncias presas me irritam de tal forma, que fica engraçado vê-lo cantar. Belo é a caricatura bestial do que sempre existiu na seara pagodeira e assim eu o vejo sempre: um misto de cantor fajuto com uma quantidade de cantor empobrecido musicalmente. Com roupas cafonas, sua música denota aquilo que já refletiu sua vida pessoal. Com tantos altos e baixos em sua carreira, Belo é o diminutivo que reflete a vida de milhares de pessoas que o acompanham: com mais baixos do que altos musicalmente falando.

 

Sétimo Pior Cantor: Belo

Marcelo Teixeira

 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Aonde está a ousadia de Thiaguinho?


 

Existe hoje um grande artefato em volta do pagodeiro Thiaguinho, que recentemente se desligou do grupo de pagode Exaltasamba, desfazendo um dos mais importantes grupos do movimento desde o início da era pogodista e o último dos moicanos sobreviventes da chacina musical que persistiu em durar, por mais de vinte anos de estrada. Se bem que na última arquitetura do grupo, as músicas e até mesmo o carisma dos pagodeiros estavam em alta e eu mesmo cantarolava algumas de suas canções, mas esses entusiasmos eram motivados por Péricles e o novato Thiaguinho, que viria abrilhantar o grupo. Evidentemente que a visão de Thiguinho seria futuramente abandonar o barco e seguir em carreira solo, como fizeram inúmeros cantores da área (não só de pagode, como do rock, do axé e até de grupos importantes, como a Paula Lima, que saiu do maravilhoso Funk Como Le Gusta e hoje quase não se ouve falar sobre a banda).

Mas me chama a atenção alguns aspectos da volta por cima de Thiaguinho (sim, volta por cima porque muitos acharam que ele não iria se dar bem na carreira solo) e em sua musicalidade também. Que Thiago é uma revelação musical, disso não se pode discordar, mas o que quero ressaltar neste artigo não é a brilhante carreira que ele fizera quando estava preso e algemado ao grupo, mas sim agora, com o disco Ousadia & Alegria, lançado agora em 2012.

O título do disco não poderia ser a melhor resposta para aqueles que lhe torceram o nariz, torceram contra e ainda estão falando mal do artista, mas não vejo por este lado esta tal ousadia que o cantor insiste em mostrar. Aliás, não consigo enxergar aonde está a ousadia de Thiaguinho ao lançar este disco e nas linhas abaixo eu tentarei explicar que pode ter muita alegria, puro entusiasmo, muita adrenalina, mas pouca ou nada ousadia. Alegria, sim. Ousadia, não!

 

O nosso lema é ousadia e alegria

 A nossa cara é pagode todo dia

 Cheio de estilo na pressão eu vou com tudo

 Só espalhando ousadia pelo mundo

Lê lêlê lêlê lêlê

Ousadia para vencer

 Lê lêlê lêlê lêlê

 Alegria para viver

Trecho de Ousadia e Alegria, de Thiaguinho

 

A primeira ousadia (e talvez a única retratada no disco) de Thiaguinho, tenha sido a sua saída do grupo Exaltasamba. Mais nada. Nenhuma outra ousadia mais ousada (num trocadilho perfeito para este momento), foi mais eloquente e mais soberano para um artista que ainda pode crescer com seu talento e sua espontaneidade. Ousadia esta que pode também lhe custar muito caro, pois o primeiro álbum é um verdadeiro sinônimo de festa pelas vendagens e pela receptividade do publico, mas isso poderá não acontecer com o próximo disco.

Talvez a segunda ousadia de Thiaguinho seja mostrar logo de cara um disco totalmente ao vivo, geralmente destinado à grandes cantores que depois de um certo tempo de estrada lançam discos com plateias gigantes e com aberturas novas. Thiago já ousou ao lançar no mercado fonográfico um disco ao vivo e com músicas inéditas, feito raro a um artista que inicia sua carreira solo.

Mas o disco em si é um grude! Algumas faixas deveriam ser extintas e outras merecem até mesmo um pequeno troféu pela letra e pelo passaporte do artista. Thiaguinho tenta se esforçar para cantar bem em algumas faixas, mas o que acontece é um festival de horror ao ver seu lábio superior fazendo malabarismos igualmente quando Caetano Veloso canta. Chamar o jogador Neymar para cantar talvez seja a pior parte do disco.

Thiaguinho foi esperto ao lançar seu disco solo. Para obter um ótimo resultado e altas vendagens e não ver seu publico indo pousar noutro lugar, a estratégia foi abusar (ou ousar). Chamou os maiores artistas, como Gilberto Gil e Ivete Sangalo, convidou Luísa Possi, cantora que consegue exprimir um certo carisma entre os adolescentes e amantes da nova MPB, convidou Alexandre Pires, que tem um certo nome e respeito no mercado internacional e se veste ora como um moleque travesso, ora como um novo expoente da música negra, ora como um emergente do capitalismo que conseguiu ingressar, ora como um suburbano, de poucas palavras e muitos gestos.

 
O disco ainda conta com uma gigantesca trupe de músicos e com um coral de dar inveja a qualquer concerto: são eles, por muitas vezes, os responsáveis pelo apoio que Thiaguinho precisa e acho que será muito improvável que um dia eles venham a se desvencilhar. Tudo isso prova que Thiaguinho ainda não está preparado para seguir uma carreira solo, tendo de enfrentar as dificuldades que todo grande artista sofre ao se desligar de um grupo de puro sucesso. Thiago não sobreviveria acaso lançasse um disco de estúdio, sem convidados extraordinários e sem orquestra e jogador de futebol. Thiago não teria suporte emocional para entrar em um palco sozinho. E tudo foi pensado para que ele se sentisse como um integrante de qualquer grupo de pagode às suas costas e ele ainda fosse o líder.

Observando o disco atentamente e assistindo ao DVD do mesmo, pude constatar que Thiaguinho ainda precisa calejar muito para conseguir almejar o verdadeiro estrelato e conseguir uma nota digna de seu próprio sucesso. Ainda o sinto como um integrante do mesmo grupo de pagode que o adotou e não o sinto preparado, pronto, ágil, esperto, capaz de seguir carreira solo sem um corpo de coral, sem um convidado especial, sem uma grande estrela para estar ao seu lado. Thiaguinho ainda precisa ousar mais, porque alegria ele tem de sobra.

Por enquanto, a ousadia de Thiaguinho não vingou. A alegria, sim.

 

Faixas

1- Leite Condensado

2- Buquê De Flores

3- Ousadia & Alegria Part. Esp.: Neymar

4- Lero Lero - Part. Espec. Alexandre Pires

5- Desencana

6 - Puxando

7- Sou O Cara Pra Você

8- Até Ver Você (Hahaha)

9- Muleke Conquista

10- O Poder Do Pretinho - Part Espec. Ivete Sangalo

11- Antes De Dizer Adeus

12 - Simples Desejo - Part Espec. Gilberto Gil

13- Ainda Bem

14- Vai, Novinha

15- Deixa Eu Te Fazer Feliz

16- Eu Quero É Ser Feliz

17- Tomara

18- Motel

19- Robin Hood Da Paixão

20- Eternamente Feliz

21- Deixa Pra Mim

 

Ousadia & Alegria / Thiaguinho

Nota 5

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O íncerto futuro de Thiaguinho


Thiaguinho, o pagodeiro mais bem vestido
Quando o grupo de pagode Exaltasamba já estava no sucesso absoluto, no patamar mais honrado do pagode de roda e no mirante mais adequado para ninguém retirar seu mérito, Thiaguinho entrou para o seleto grupo como um estranho no ninho. Estranho para poucos, porque o moço, com sua qualidade artística invejável, já estava trilhando o seu caminho há um certo tempo, desde quando participou do programa Fama, no início dos anos 2000, tendo ao lado a cantora Roberta Sá e sendo um dos eliminados do reality show. Hoje Roberta Sá brilha como uma das estrelas da nova MPB, enquanto Thiaguinho brilha absoluto como o cantor mais influenciado do pagado atual. Mas o destino estava apenas lhe mostrando que o caminho a seguir era justamente o da música e quando o vocalista central do Exalta saiu, todos foram unanimes em apontar Thiaguinho como o líder oficial do grupo.

O que era perfeito, ficou ainda melhor, porque Thiaguinho, com sua entrada triunfal, deixou o grupo ainda mais jovem e angariou ainda mais fãs (até deste colunista que até então detestava pagode – e continuo detestando, mas Exaltasamba é simplesmente Exaltasamba!). O grupo vendeu ainda mais discos, fez história na música popular brasileira, fez bonito na seara do samba e ainda por cima conseguiu prêmios merecedores de aplausos efusivos.

Vale lembrar que pagodes até então considerados os melhores como Raça Negra, Só Pra Contrariar e Negritude Junior, vieram à falência alguns anos mais tarde devido aos problemas enfrentados pelas gravadoras, pelo cansaço que o ritmo enfrentava e pelos novos ritmos que adentravam no cenário musical, como o forró universitário e a volta da MPB tradicional, com cantoras novas e com qualidade musical acima do esperado. Até hoje, o único grupo que tenta resistir ao tempo é o Raça Negra, mas sem nenhum pingo de originalidade artística nem musical.

Mas quando tudo estava perfeito, eis que vem a bomba: a saída de Thiaguinho do grupo mais antigo (25 anos de estrada) e com um enorme sucesso de público e crítica, pega a todos de surpresa. Muitos não queriam, mas o que Thiaguinho mais queria era seguir carreira solo. Muito se cogitou que tudo não passava de armação, que tudo era um atrativo de marketing, que tudo era ilusão da mídia, mas o fato é que Thiaguinho saiu do grupo e agora tentará a carreira solo.

Mas o motivo de eu escrever este artigo é justamente porque uma pergunta me ronda até agora: será que Thiaguinho, ex Exaltasamba, irá sobreviver sozinho em um palco? Muitos cantores, depois de abandonar um grupo de enorme sucesso, faliram musicalmente ou não tiveram respaldo de uma grande gravadora e ficaram a mercê de showzinhos baratos em casas noturnas fuleiras e sem qualidade. Rodriguinho, que fizera parte vocal do grupo Os Travessos, que o diga: enorme sucesso entre os pagodeiros, ele saiu do grupo no meio de uma avalanche de sucesso, no momento mais sublime de seu grupo e tentou uma carreira solo. O resultado: um verdadeiro ostracismo.


Gilberto Gil com Thiago: arriscando na MPB?
Alexandre Pires, pagodeiro líder do grupo Só Pra Contrariar, também foi outro pagodeiro que saiu de um grupo que estava fazendo sucesso para tentar a carreira solo. Resultado: um pequeno ostracismo e o que era pagode virou romantismo. Alexandre hoje virou um cantor romântico, tentando a todo custo uma carreira internacional e cantando ao lado de Xuxa, Ivete Sangalo, macacos dançarinos, louras extravagantes e uma qualidade musical muito aquém de seu estilo e talento. Totalmente diferente daquilo que esperava, tentaram fazer de Alexandre um novo Luíz Miguel ou Rick Martín, mas nada justifica sua medíocre qualificação como cantor solo.

O que será de Thiaguinho após a saída do Exalta e o que o aguarda nesta nova jornada de sua vida? Seu disco já é tão aguardado e ansiado por muitos fãs, que ficará difícil do cantor lançar um disco qualquer. A responsabilidade que Thiaguinho tem agora é muito maior agora de quando estava tentando o primeiro lugar no programa Fama ou quando estava à frente do grupo que já era um enorme sucesso. Seu disco solo terá que suprir a necessidade do público, da crítica e de todos aqueles que imploraram para que ele não saísse do grupo.

Desejamos toda a sorte para que Thiaguinho continue nesta pegada de sucesso e que não repita os passos dos amigos fracassados Rodriguinho e Alexandre Pires. O que sabemos por hora é que Gilberto Gil, ex-tropicalista e um dos melhores e mais antigos cantores da MPB, estará presente no primeiro DVD que o pagodeiro está para lançar. Será que essa participação de Gil seria uma pré-ideia de uma possível aventura pelas bandas da MPB por parte de Thiaguinho, caso o seu pagode não seja conquistado? A resposta só teremos daqui a um tempo, quando tivermos um resultado e um balanço da nova trajetória do pagodeiro e o Mais Cultura! estará ali avaliando seu novo trabalho.



Marcelo Teixeira