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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sétimo pior cantor do Brasil: Belo


Belo, o 7° pior cantor
Que o cantor Belo não canta nada, disso todo o mundo sabe. Chega a ser ridículo sua música ser considerada uma das melhores (como andam dizendo alguns fanáticos por pagode) e sua presença ser constante nos programas de rádio e TV. Belo é o tipo de cantor que não acrescenta em absolutamente nada na cultura das pessoas e chega a ser engraçado ver seus passinhos de marionete perante uma multidão de fãs enlouquecidos por sua pessoa. Belo é o que há de pior tanto na música popular quanto no pagode. Embora haja uma resistência do cantor perante as exigências da música popular hoje em dia (principalmente no pagode, em que essa exigência é ainda maior), Belo segue seu caminho cantando músicas que falam de amor, sentimentos, carinhos e mulheres. Talvez seja por isso que ainda permanece na estrada resistindo ao tempo com altos e baixos. Mais baixos do que altos.

A exigência do mundo do pagode requer muito mais do que Belo anda cantando hoje em dia. Vejam casos como o de Thiaguinho, que acertou em cheio na qualidade musical e visual (mesmo que a alegria esteja imperando mais do que a ousadia a qual ele insiste em cantar), de Péricles, que anda cantando com verdade, com garra e determinação e de casos menos esfuziantes, como os de Alexandre Pires, que ora acerta, ora erra em seus caminhos. Cantores do mesmo estilo, como Vavá , Rodriguinho e Leandro Lehart, que erraram feio ao largarem seus respectivos grupos (Cara Metade, Os Travessos e Art Popular) ao seguirem carreira solo.

Chegando ao sétimo lugar na lista dos piores cantores do Brasil, Belo agora figura ao lado de estrelinhas como Paula Fernandes, Perla, Joelma, Mc Catra, Latino e Wanessa (que tirou o Camargo depois que se consolidou na música pop/teen). Integrar nesta lista requer uma qualificação exemplar: ter em seus atributos a alcunha de só fabricar lixos comerciais, não obter de faturamento cultural e, o mais agravante, ter algum requisito que não agrade a maioria da população exigente por boa musicalidade.

No caso de Belo, sua voz fanha e seus s com pronuncias presas me irritam de tal forma, que fica engraçado vê-lo cantar. Belo é a caricatura bestial do que sempre existiu na seara pagodeira e assim eu o vejo sempre: um misto de cantor fajuto com uma quantidade de cantor empobrecido musicalmente. Com roupas cafonas, sua música denota aquilo que já refletiu sua vida pessoal. Com tantos altos e baixos em sua carreira, Belo é o diminutivo que reflete a vida de milhares de pessoas que o acompanham: com mais baixos do que altos musicalmente falando.

 

Sétimo Pior Cantor: Belo

Marcelo Teixeira

 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O íncerto futuro de Thiaguinho


Thiaguinho, o pagodeiro mais bem vestido
Quando o grupo de pagode Exaltasamba já estava no sucesso absoluto, no patamar mais honrado do pagode de roda e no mirante mais adequado para ninguém retirar seu mérito, Thiaguinho entrou para o seleto grupo como um estranho no ninho. Estranho para poucos, porque o moço, com sua qualidade artística invejável, já estava trilhando o seu caminho há um certo tempo, desde quando participou do programa Fama, no início dos anos 2000, tendo ao lado a cantora Roberta Sá e sendo um dos eliminados do reality show. Hoje Roberta Sá brilha como uma das estrelas da nova MPB, enquanto Thiaguinho brilha absoluto como o cantor mais influenciado do pagado atual. Mas o destino estava apenas lhe mostrando que o caminho a seguir era justamente o da música e quando o vocalista central do Exalta saiu, todos foram unanimes em apontar Thiaguinho como o líder oficial do grupo.

O que era perfeito, ficou ainda melhor, porque Thiaguinho, com sua entrada triunfal, deixou o grupo ainda mais jovem e angariou ainda mais fãs (até deste colunista que até então detestava pagode – e continuo detestando, mas Exaltasamba é simplesmente Exaltasamba!). O grupo vendeu ainda mais discos, fez história na música popular brasileira, fez bonito na seara do samba e ainda por cima conseguiu prêmios merecedores de aplausos efusivos.

Vale lembrar que pagodes até então considerados os melhores como Raça Negra, Só Pra Contrariar e Negritude Junior, vieram à falência alguns anos mais tarde devido aos problemas enfrentados pelas gravadoras, pelo cansaço que o ritmo enfrentava e pelos novos ritmos que adentravam no cenário musical, como o forró universitário e a volta da MPB tradicional, com cantoras novas e com qualidade musical acima do esperado. Até hoje, o único grupo que tenta resistir ao tempo é o Raça Negra, mas sem nenhum pingo de originalidade artística nem musical.

Mas quando tudo estava perfeito, eis que vem a bomba: a saída de Thiaguinho do grupo mais antigo (25 anos de estrada) e com um enorme sucesso de público e crítica, pega a todos de surpresa. Muitos não queriam, mas o que Thiaguinho mais queria era seguir carreira solo. Muito se cogitou que tudo não passava de armação, que tudo era um atrativo de marketing, que tudo era ilusão da mídia, mas o fato é que Thiaguinho saiu do grupo e agora tentará a carreira solo.

Mas o motivo de eu escrever este artigo é justamente porque uma pergunta me ronda até agora: será que Thiaguinho, ex Exaltasamba, irá sobreviver sozinho em um palco? Muitos cantores, depois de abandonar um grupo de enorme sucesso, faliram musicalmente ou não tiveram respaldo de uma grande gravadora e ficaram a mercê de showzinhos baratos em casas noturnas fuleiras e sem qualidade. Rodriguinho, que fizera parte vocal do grupo Os Travessos, que o diga: enorme sucesso entre os pagodeiros, ele saiu do grupo no meio de uma avalanche de sucesso, no momento mais sublime de seu grupo e tentou uma carreira solo. O resultado: um verdadeiro ostracismo.


Gilberto Gil com Thiago: arriscando na MPB?
Alexandre Pires, pagodeiro líder do grupo Só Pra Contrariar, também foi outro pagodeiro que saiu de um grupo que estava fazendo sucesso para tentar a carreira solo. Resultado: um pequeno ostracismo e o que era pagode virou romantismo. Alexandre hoje virou um cantor romântico, tentando a todo custo uma carreira internacional e cantando ao lado de Xuxa, Ivete Sangalo, macacos dançarinos, louras extravagantes e uma qualidade musical muito aquém de seu estilo e talento. Totalmente diferente daquilo que esperava, tentaram fazer de Alexandre um novo Luíz Miguel ou Rick Martín, mas nada justifica sua medíocre qualificação como cantor solo.

O que será de Thiaguinho após a saída do Exalta e o que o aguarda nesta nova jornada de sua vida? Seu disco já é tão aguardado e ansiado por muitos fãs, que ficará difícil do cantor lançar um disco qualquer. A responsabilidade que Thiaguinho tem agora é muito maior agora de quando estava tentando o primeiro lugar no programa Fama ou quando estava à frente do grupo que já era um enorme sucesso. Seu disco solo terá que suprir a necessidade do público, da crítica e de todos aqueles que imploraram para que ele não saísse do grupo.

Desejamos toda a sorte para que Thiaguinho continue nesta pegada de sucesso e que não repita os passos dos amigos fracassados Rodriguinho e Alexandre Pires. O que sabemos por hora é que Gilberto Gil, ex-tropicalista e um dos melhores e mais antigos cantores da MPB, estará presente no primeiro DVD que o pagodeiro está para lançar. Será que essa participação de Gil seria uma pré-ideia de uma possível aventura pelas bandas da MPB por parte de Thiaguinho, caso o seu pagode não seja conquistado? A resposta só teremos daqui a um tempo, quando tivermos um resultado e um balanço da nova trajetória do pagodeiro e o Mais Cultura! estará ali avaliando seu novo trabalho.



Marcelo Teixeira