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sexta-feira, 7 de abril de 2017

O fantástico mundo de Luisa Maita


O fantástico mundo de Luisa
Não é todo dia que podemos ter a honra de ouvir uma cantora como Luisa Maita nas plataformas digitais, mas posso garantir que quem compra seus CDs ou assiste aos seus shows, reconhece sua importância dentro da música popular brasileira. Simplesmente, Luiza é uma cantora diferenciada, culta, refinada, intelectualmente cult e popularmente do povão. Se a massa encefálica ainda não descobriu Luisa Maita, então tem alguma coisa estranha nesse nicho: ela está aqui, bem no meio do povo, cercada por equipamentos refinados, mas com letras que simbolizam a tenra estrutura que pertencem à população. Se você não a ouviu, se você não a viu, se você não a conheceu ainda, peço para que corra e ouça Lero-Lero (2010) e seu mais novo lançamento, Fio da Memória (2016), que são obras-primas dignas dos melhores prêmios. Ela está ali bem diante de seus olhos, bem perto de seus ouvidos e ao alcance de suas mãos e se você perde essa oportunidade, infelizmente não há o que fazer. Seis exatos anos distanciam Lero-Lero de Fio da Memória e esse tempo foi primordial para que um fosse a extensão de complemento do outro, sem que ambos tivessem ligações diretas. Quando lançou o primeiro disco, a cantora era um dos nomes mais fortes do cenário musical, onde um pouco antes a cantora Céu despontava com sendo uma das melhores. Não há semelhança alguma entre ambas as cantoras e enquanto Céu seguiu uma linha mais vanguardista, Luisa optou por seguir uma linha mais atemporal, mas sofisticada, mais popular com requintes de intelectualidade. Não que Céu não tenha esses requisitos, mas enquanto uma seguiu uma linha mais popularesca dentro de um padrão não blindado, a outra seguiu por uma linha tênue entre a sofisticação e a beleza de uma pluralidade, que para entrar é preciso de senha. Se lá no início desse artigo eu disse que você precisava conhecer Luisa Maita e aqui digo que você precisa pegar uma senha, é porque não é qualquer um que vai escutar a rigor as músicas de Luisa com o mesmo afinco que escutam a música de Céu. Aqui entra a senha. Céu não é mais blindada, assim como não é mais Roberta Sá nem Mariana Aydar, enquanto que Luisa continua com uma blindagem que requer senha para entrar. Isso é bom porque a blindagem a cerca dos cunhões das paranerfálias musicais existentes. Mas é ruim porque Luisa pode viver em uma blindagem existencial por muito tempo. Lero-Lero é brasileiro, orgânico e com cheiro da zona sul de São Paulo: um cheiro cinzento, com mistura de barro e árvores secas. Fio da Memória é um disco que, a princípio, causa um estranhamento mórbido, secular, personificada e homeopática. É preciso ouvir de novo e de novo e de novo e quando você menos perceber, estará cansado de tanto que não ouviu ainda. Contraditório? Nenhum pouco. Faço referências à Lero-Lero porque para entrar no mundo maitense, você precisa ouvi-lo antes de entrar de cabeça em Fio da Memória. É como ler Platão sem entender Sócrates. Precisamos manter um pouco a blindagem de Luisa para que tenhamos certeza de que seu próximo disco será ainda mais categorial que Lero e Fio. Por enquanto, pegue uma senha enquanto não há filas exorbitantes de uma população insana e embarque no fantástico mundo de Luisa Maita.

 

Fio da Memória (2016) / Luisa Maita
Nota 10
Por Marcelo Teixeira

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Cadê o samba de Roberta Sá?


Cadê o samba, Roberta?
Roberta Sá já foi escolhida pelo Mais Cultura Brasileira como sendo uma das melhores intérpretes dos últimos anos dentro da MPB e já fora selecionada também como uma das grandes revelações musicais em um programa de TV que descobria novos talentos. Ela não chegou a ficar em primeiro lugar, mas foi apadrinhada por Ney Matogrosso e, mais tarde, caiu nas graças de Chico Buarque, com quem já dividiu faixas em duetos imperdíveis. Lançando seu sexto álbum, a cantora se deleita em um universo que conhece muito bem e que já foi muito bem recebida. Delírio (2015 / MP,B Discos / Som Livre / 29,99) é um disco atemporal, bom, estiloso, mas confuso. Primeiramente porque tem uma capa escura, remetendo ao disco de sambas de Maria Rita, Coração a Batucar (2014) e segundo que esse universo sambístico de Roberta está mais para o pop que o samba verdadeiramente dito. Mesmo tendo uma interpretação sensacional, a cantora deixa a desejar em canções que poderiam ser melhor executadas, como, por exemplo, na canção que leva o título do trabalho, Delírio: cadê a inspiração? Por onde anda a exuberância de Roberta Sá? Obviamente, esse novo álbum não lhe trouxe nenhuma grande oportunidade de poder continuar sendo uma das melhores cantoras de sua geração e com Delírio, a cantora mostra que o seu samba é mais popular que o popular. Se formos levar ao pé da letra, Roberta Sá poderia ter atribuído o samba em discos como o de estreia, Braseiro (2005), Que Belo e Estranho Dia Para se ter Alegria (2007) ou o último e morno Segunda Pele (2013). A bem da verdade, seu samba está mais para pagode de pé de mesa do que para o genuíno samba de morro, samba de pé ou samba de verdade. Mas a cantora não errou totalmente ao lançar um disco em homenagem ao samba e talvez o grande erro de Roberta tenha sido a inspiração que teve ao ouvir Micróbio do Samba (2011), da cantora Adriana Calcanhotto. Ao ouvir e se inspirar, Roberta decidiu que faria um disco em duas formas de homenagem: tanto para o samba como para Adriana. Errou duas vezes: quem conhece e acompanha a carreira de Roberta sabe que a cantora sempre cantou um ou outro samba em seus discos e sempre com a maestria e a sabedoria de uma grande estrela. O segundo erro foi se inspirar no disco de Adriana Calcanhotto, afinal, Micróbio do Samba não é um disco de samba, porque Adriana Calcanhotto não faz samba. Adriana Calcanhotto faz marchinhas de Carnaval, o que é totalmente diferente de samba. Delírio não influenciou em nada na carreira sólida de Roberta, mas ajuda a difundir aquilo que ela mais tem de melhor: a voz!

Cadê o samba de Roberta Sá?
Nota 7
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A asa de Mariana Aydar



Pedaços de Aydar
Há tempos venho dizendo que Mariana Aydar é uma das melhores cantoras surgidas nesses últimos anos (juntamente com Roberta Sá) e o lançamento de seu quarto CD é a mais prova de que seu talento transcende a imaginação de todos nós perante a sua vocação maior. Pedaço duma asa (2015 / Brisa/ 29,99) é um dos mais autênticos discos lançados no ano passado e não dei vazão para esse detalhe não por descuido, mas para que eu pudesse abrir o Mais Cultura Brasileira de 2016 com esse artigo. Mariana Aydar reinventa o samba de Nuno Ramos na sua melhor forma, na sua melhor metátese e no seu melhor ângulo, dando a impressão de que tudo aqui cantado já estava preparado para que ela as cantasse de sua maneira mais jovial, serena e ao mesmo tempo único.  Há muita música de boa qualidade, poesia de tamanha delicadeza e artes visuais igualmente vistas em Peixes, Pássaros, Pessoas (2009), que para mim, é o melhor disco de carreira da cantora e que já vinha um pouco do arrebatador Nuno Ramos. Pedaço duma asa é um disco inclassificável, digno de uma responsabilidade mutua entre voz e poesia, arte e samba, Mariana e Nuno. O primeiro encontro de Mariana e Nuno foi em 2007. Logo, ela passou a gravá-lo em seus discos e emprestou sua voz à sonorização de Bandeira Branca, instalação de Nuno exposta na 29ª Bienal de São Paulo de 2010. Em 2013, foi convidada para participar do projeto Palavras Cruzadas, de Marcio Debellian, cuja proposta era reunir, num espetáculo, artistas da palavra, da música e da imagem. Mariana não hesitou em escolher Nuno. A partir do espetáculo nasceu Pedaço duma asa, quarto disco de estúdio da cantora, que mergulhou no universo poético do compositor como se as canções tivessem sido feitas pra ela. No release do disco, Debellian apresenta Pedaço duma asa como um trabalho que amplia o que se entende por parceria e composição, indo além do tradicional caso de uma cantora que grava um disco homenageando um compositor. Trata-se de um trabalho de dois artistas que pactuaram alcançar toda a potência poética do repertório que criaram. Sim, criaram, no plural. Pois a intérprete se mostrou ativa durante toda a elaboração do repertório, desde a seleção das músicas até a identidade que cada uma delas viria a assumir. E nesse pedaço qualquer de asa, Nuno brilha, Mariana brilha e o ouvinte brilha triunfal.

 

Pedaço duma asa (2015) / Mariana Aydar
Nota 10
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Shirle de Moraes tenta ser Elis Regina em disco de estreia


Shirle não vingou como cantora
Shirle de Moraes saiu desses programas de realitys que procuram novas candidatas a posto de estrela da MPB e não conseguiu projetar sua carreira até hoje. Diferentemente do que aconteceu com a cantora Roberta Sá, que estivera no mesmo programa e que está com discos sensacionais na praça, Shirle de Moraes tentou, tentou e ainda continua tentando um lugar ao sol. Mas o fato é que ela canta até que razoavelmente bem, mas não ao ponto de estar entre as melhores. Na cola e nos rastros de Elis (gaúcha como Shirle), a cantora surgiu com um disco recalcado e pautado principalmente nas regravações, o que já foi um erro mortal, pois mexeu com o repertório de Elis Regina. Poucas cantoras conseguem fazê-lo com maestria e mesmo Shirle sendo uma novata, o resultado é mais ou menos. Não dá para ouvir todo o disco e mesmo inspirado, não consegui ir até o final. E olha que o disco foi lançado lá pelos anos de 2005.
Shirle poderia ser melhor. Mas não é. Tenta ter uma carreira igual ao de Elis e para isso, faz trejeitos, grita histriônicamente e faz malabarismos pueris para tentar se parecer com a maior cantora do Brasil. Não por acaso, seu disco de estreia carrega o nome da música de Milton Nascimento, Nada Será Como Antes, que Elis adorava.  O repertório da cantora é ousado e, aos vinte e sete anos, Shirle foi contratada pela Sony para lançar seu primeiro disco.
Nada menos do que oito das doze faixas do discos é calcado no cancioneiro da Pimentinha gravados nos anos de 1970 e 1980. O que chama a minha atenção é que Shirle de Moraes (que por vezes pensamos se tratar de uma família do poeta Vinicius de Moraes) não só persegue, como também copia todos os passos que Elis dera em vida, como cortes de cabelos, roupas e maquilagens.
No dia em que Shirle de Moraes assumir uma identidade própria e não se ofuscar na imagem de uma grande artista, sua carreira poderá deslanchar sem medo de encarar um público ansioso por novas vozes. Shirle tem capacidade e potencial para ser ela mesma, uma cantora jovem e que pode ter um repertório a sua altura. Por enquanto, Shirle é apenas uma imitação imperfeita de uma das maiores cantoras do Brasil.

Nada Será Como Antes - Shirle de Moraes
Nota 3
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Bloco do Eu Sozinho, sensacional álbum de Los Hermanos, de 2001


 

Ótimo disco pós anos 2000
O que esperar do segundo disco de um grupo que surge com um hit fácil que acaba em superexposição, com aparições em programas de domingo a tarde? Nada? Pois é, eu cai nessa e quando Los Hermanos, após o sucesso pop e fácil de Ana Júlia, lançou Bloco do Eu sozinho, seu segundo trabalho lançado em 2001, não dei muita atenção. Eu e a mídia toda, que ignorou por completo esse disco na época do seu lançamento. Não se ouviu nada nas rádios (as mesmas que cansaram literalmente de tocar Ana Júlia anos antes) e acabaram rompendo com a gravadora. Tempos depois, resolvi me libertar do preconceito (confesso), fui até alguma loja e comprei o disco sem nunca ter escutado nada (motivado pelo elogio que li em alguma revista confiável). E qual não foi minha surpresa a me deparar com uma das minhas melhores aquisições naquela época.

Tudo começa com Todo carnaval tem seu fim esbanjando uma bela nota 10 com um sensacional arranjo de metais de Rodrigo Amarante (a composição é do Marcelo Camelo). Na sequência, A Flor começa tímida até arrebentar com um ritmo surpreendente e muito bem trabalhado. Retrato pra Iaiá vem sonora numa balada mais tranquila. Depois de Assim Será (maravilhosamente destoante) e a poética Casa Pré-fabricada (Cobre a culpa vã... até amanhã eu vou ficar e fazer do seu sorriso um abrigo), que Roberta Sá gravou anos depois em sua estreia no disco Braseiro, até surgir outro ponto alto do disco, com a criativa e genial Cadê teu Suin-?, momento de pura inspiração de Marcelo Camelo.

Depois vem a lindíssima Sentimental, de Rodrigo Amarante, excelente trilha sonora para um romance, onde o sentimento de rejeição, acrescida de conselhos sentimentais no telefone quase imperceptível, resulta em outra música maravilhosamente harmoniosa. Segue-se com Chez Antoine, cujo toque francês não se restringe apenas à letra, mas ao ritmo semelhante ao um realejo. E seguida, Deixa estar e Mais uma canção, outra romântica onde os arranjos de metais dão um toque especial. Fingi na hora de rir merece destaque pelas guitarras distorcidas.

Depois mais um ponto alto do disco (talvez o maior), com Veja bem meu bem, canção de letra tão original e bem elaborada que outros grandes cantores como Maria Rita e Ney Matogrosso resolveram interpretá-la em seus trabalhos individuais. Posteriormente, demonstrando que um disco homogêneo pode apresentar diferentes ritmos, Los Hermanos surgem com um som puramente hardcore - ou seria punk?, com Tão sozinho. Para concluir essa verdadeira obra-prima, Adeus Você, sintetizado o tema recorrente que dá uniformidade ao trabalho: pra que minha vida siga adiante.

Esse disco mudou totalmente minha opinião com relação ao potencial dos barbudos que fizeram parte de Los Hermanos. O fim anunciado no ano passado só serviu para minha admiração pelo grupo fosse maior, pois novamente tiveram a coragem de remar contra a maré no auge do reconhecimento do trabalho. A questão agora é saber se realmente todo carnaval realmente tem seu fim? Se tiver, pelo menos deixaram grandes recordações.

 

Bloco do Eu Sozinho / Los Hermanos

Nota 10

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Quinto lugar: Edu Krieguer - Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos


Edu Krieguer: o quinto melhor cantor
Correnteza, segundo e aguardado CD de Edu Krieger mantém o quilate do disco anterior, dando um (largo) passo à frente. Não chega a ser surpresa para quem acompanha a carreira do compositor, festejado e gravado por artistas como Maria Rita e Roberta Sá. Três anos depois do disco de estreia o novo trabalho, no mercado pela Biscoito Fino, traz rica coleção de doze composições. Espécie de ícone de uma nova geração de grandes compositores e músicos, Krieger desponta como nome mais conhecido de uma turma que tem fôlego para revelar grandes talentos. Não será espanto se dessa geração surgirem os novos grandes nomes da música brasileira. Primando pela qualidade de seus trabalhos, são artistas com caldo suficiente para durar mais do que os quinze minutos de praxe do mercado. Esse novo trabalho traz parcerias de Edu com outros nomes dessa turma, como Marcelo Caldi em Serpentina e Raphael Gemal em Feira livre. Com o grande violonista Zé Paulo Becker, do excelente Trio Madeira Brasil, traz Sobre as mãos que soma a luxuosa participação do piano de João Donato.

Edu Krieger traz composições inspiradas como Feira livre, Galileu, Ela entrava, Desestigma e Quando ela ri. Retoma o namoro virtual com Graziela, sucesso da década de 90 do grupo de forró Paratodos, formado por ele. Dialoga com a gaita de Rildo Hora em A mais bonita de Copacabana, que conta a história de uma moça que promete o mundo quando pede a grana / Mas depois, sacana, não está nem aí.

Apesar de ter seu nome geralmente ligado ao samba, a música de Edu Krieger não se limita em rótulos. No novo CD o compositor navega por bolero e ritmos nordestinos. Na faixa-título, que abre o disco, a guitarra de Fabiano Krieger dialoga com o cavaquinho de Alessandro Cardozo. Já em Quando ela ri a programação de ritmos de Lucas Marcier casa com o violão de oito cordas do compositor. Krieger termina o disco brincando com o carnavalesco samba (anti-) exaltação em Serpentina: Adão e Eva, cansados de uma vida vã / Queimaram erva e comeram bolo de maçã.

Chegando a quinta colocação na lista dos 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos, Edu Krieger se firma como um dos maiores compositores em atividade no país compondo uma obra que é fonte rica para intérpretes antenados com a boa música produzida no país. Seu nome não é mais novidade, mas merece ser sempre mais ouvido e comentado. Correnteza leva esse recado. Cantado e idolatrado por Maria Rita e Roberta Sá, Edu Krieguer deixa sua assinatura como um dos melhores cantores de todos os tempos, lançando discos competentes e originais e dando a verdadeira identidade da Música Popular Brasileira, perdida há alguns anos pelo setor masculino.



Quinto Lugar: Edu Krieguer

Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sexto Lugar: Rodrigo Maranhão - Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos


Carioca de nascimento, Rodrigo Maranhão nunca escondeu a raiz nordestina tão presente em sua canção, que vai do xote ao baião, passando obrigatoriamente por samba, embolada e até pela valsa. Paralelamente à carreira solo, Rodrigo integra o grupo Bangalafumenga e, no momento, lança Passageiro, o segundo álbum solo. Assumido minimalista (no sentido da depuração), Rodrigo trabalha mais com a tesoura em suas belas canções. Rodrigo Maranhão não esconde o orgulho de ter obra marcada por canções nas vozes consagradas de Maria Rita (Caminho das águas), Roberta Sá (Olho de boi e a ótima Samba de um minuto), Fernanda Abreu (Dance, dance e Baile da pesada), Anna Luisa (Baião digital e O osso) e Zélia Duncan (Gringo guaraná).

De seu primeiro e surpreendente disco solo, Bordado(2007), Rodrigo Maranhão trouxe, além do já inconfundível estilo de compor e cantar brasileiro, a variedade de ritmos e gêneros. Variedade, claro, calcada nas duas grandes veredas da música brasileira, o samba (urbano) e o baião (rural). Mas se lá, em Bordado, ele apresentou quase um manifesto pelo direito de sua geração de continuar a fazer simplesmente uma música brasileira ampla e em Passageiro, mais maduro Rodrigo põe tudo em dúvida, questiona ritmos e gêneros, é ora metalinguístico, ora onírico. Sempre e ainda surpreendente.

Senão ouçam Samba quadrado, o samba irônico e metalinguístico que abre o CD (anunciando o espírito da coisa): se na letra ele diz que tentou fazer um samba importado/ um samba quadrado/um samba só, na música tudo suinga, tudo balança, do pandeiro de Pretinho da Serrinha e da guitarra de Thiago di Sabatto, ao quarteto de cordas arranjado por Leandro Braga.

No mesmo espírito de estranhamento com ritmos e gêneros estão a Valsa lisérgica, única parceria do disco, a letra de Pedro Luís cheia de imagens loucas também no espírito da coisa; o Quase um fado, gravado entre Rio e Lisboa, com direito à voz potente do português Antônio Zambujo, em quem, aliás, Rodrigo se inspirou para fazer a canção, depois de assistir um concerto dele no Rio; o sambão Um samba pra ela, popular e escorreito na melodia, com direito à suingueira do trombone de Zé da Velha e o trompete de Silvério Ponte, além do sax soprano do produtor Zé Nogueira reforçando o naipe e o suingue, mas em cuja letra também irônica e metalinguística revela-se que tentei fazer um samba pra ela/ mas a palavra se nega/ não me dá satisfação.

Conhecedor dos meandros da canção brasileira, como se vê, Rodrigo Maranhão se dá ao luxo de brincar com ela, de por vezes virá-la ao avesso. É o caso da faixa mais pop do disco, Camaleão, conduzida pela orquestra percussiva de Marçal e pela deslumbrante flauta baixo de Andrea Ernest Dias, tocada com o sopro evidente, à maneira de Hermeto Pascoal, e com a letra propondo um negaceio típico deste trabalho: No inverno posso ser verão/ Ser um só e ser camaleão. É também o caso do lindo xote Maria sem vergonha, a orquestra percussiva desta vez a cargo de Marcos Suzano, o arranjo minimalista conduzido pelo órgão Hammond vintage de Marcelo Caldi e pela guitarra de Ricardo Silveira, um misto de coisas velhas e formas novas para a letra que confessa: Volto ao velho e companheiro cais/ Para espiar no mar de tantas eras/ O que ainda é novo e o que ficou pra trás.

A produção de Zé Nogueira, aliás, privilegia o acústico e o minimalismo que as canções de Rodrigo pedem, ou melhor, exigem. As cordas e o piano são usados, por exemplo, de forma parcimoniosa (e deslumbrantes, com direito também a solo do sax de Zé Nogueira) por Leandro Braga em De mares e Marias, canção de amor de feição clássica, mas com letra cheia de dúvidas, tão no espírito do disco: Pode ser que a noite queira dizer tanta coisa, tanta coisa/ Mais de uma vez, eu sei/ Pode o amor passar/ Ninguém saber.

Espírito do disco, aliás, que pode ser resumido no baião onírico Sonho: Se é sonho ou verdade/ Eu não sei. Ou mais ainda na embolada-canção (com direito a rabeca de Siba) que não por acaso dá título ao disco, Passageiro, que encerra o trabalho com um conselho daqueles de cego cantador e que deve ser seguido à risca: Pra chegar no fim do verso/ É preciso ficar quieto.

Com todos esses ensinamentos e soberania sobre música popular brasileira e pelo novo talento surgido nos últimos anos, é que Rodrigo Maranhão encabeça a sexta colocação da lista dos 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos. Merecidamente.



Sexto Lugar: Rodrigo Maranhão

Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Peixes, Pássaros, Pessoas, de Mariana Aydar




A obra-prima de Mariana Aydar
Mariana Aydar é dessas raras cantoras que, ao abrigar uma canção em sua voz, consegue significá-la definitivamente, canonizando-a, estilista do canto que se revelou desde seu primeiro CD, lançado há mais de três anos. Hoje o Mais Cultura! traz o já consagrado Peixes Pássaros Pessoas (2009 / Universal Music / 29,99), corajosamente composto por 13 canções inéditas, encadeadas num roteiro conceitualmente elaborado – fato que confere aos temas escolhidos, uma significação específica e diferencial no conjunto do repertório. Aliás, o repertório, sua qualidade e as formas com que Mariana o molda implicam a essencial destoância do disco em relação às demais produções contemporâneas, costumeiramente centradas no excessivo cuidado com arranjos e com a voz do cantor.

Aqui, nesse maravilhoso Peixes Pássaros Pessoas, o resultado advém de uma proposta aparentemente descentrada dos padrões, voltando sim atenção a refinados arranjos e ao modo ímpar de interpretação da cantora, mas estabelecendo e obtendo, de todo o processo criativo, uma força vetorial conduzida pela segurança da intérprete que coloca destreza e inteligência a serviço de uma escuta global, inteiriça e estoica, conseguindo oferecer ao público um dos mais diferenciados CDs produzidos nos últimos anos.

Ao iniciar o disco com o belo samba Florindo, de Duani (compositor de mais seis imprescindíveis temas do roteiro, e produtor do CD junto com Kassin), camadas de pensamentos condizentes ao fio-condutor temático do roteiro são levemente prenunciadas, como num samba de Candeia, daqueles em que a esperança é modestamente perseguida pela remissão consciente do mundo material: Quem quer viver bem no presente encontra o seu lugar (…) E todo esse sofrimento não pertence à sua casa, sentencia Duani, autor capaz de chegar a extremos de densidade poética em demais versos e sambas.

Transbordando em signos, metáforas e imagens oníricas sobre o branco da página e sob nuvens rasas, Mariana e Duani desenham claramente o viés-motriz do projeto, conseguindo estabelecer um diálogo espontâneo entre as canções – trabalho árduo nos dias de hoje. E essas, individual e coletivamente, perfazem uma espécie de oráculo, decurso pelo qual a canção passa a servir de espaço para a expressão de uma fala recusada, elidida, bastante visível, por exemplo, no neo-baião Tá? (da trinca Carlos Rennó, Pedro Luis e Roberta Sá), no qual cada frase é mutilada antes do término da sílaba ta, pois por onde você passa o ar você empes..., e pra bom entendedor, meia palavra bas.... Aliás, esse fora o mote inicial da criação que acrescenta ao disco pitadas de uma cosmovisão acidamente crítica, que também se intercala, sutilmente, no bojo de outras canções.

Paralelamente, como exemplo, a recepção afetiva e amorosa do samba Aqui em Casa (de Duani e Kavita), leva o ouvinte a imageticamente criar o idílio que, com o seguimento dos versos, culmina na realidade de que todo esse amor (…) nunca passou de amizade, últimas estrofes que conferem a abrupta cisão na expectativa imaginária. Do macro ao micro, isto é, da consciência de um todo existencial ao pequeno mundo dos afetos, o roteiro transcende ainda ao buscar o lócus paradisíaco, tônica presente em obras de alguns poetas-letristas. Trata-se do sincopado Pras Bandas de Lá, de Duani, no qual o eu-lírico-enfastiado pretende deixar o mundo velho por aqui, pois é cada uma que eu tenho que escutar -, abandono e troca de um mundo saturado para a opção das bandas de lá, lugar-incomum idealizado onde se pode ver o sol morrendo no mar. Com um sensível radar, a completude alcançada pelo encadeamento de canções consegue enfatizar a contradição como uma essência comum e natural de nossa condição humana contemporânea.

Com Nuno Ramos, Duani cria o dilacerante samba Manhã Azul, no qual uma outra Mariana brinca com sua intenção interpretativa, narrando manhãs possíveis a uma vida aberta para folhas secas e vento, eclodindo em quem foi que botou a chuva dentro dos meus olhos? Qual foi a luz da luz do sol que cegou e me fez ver?. E esse olhar-gume afiado, veladamente apocalíptico, enxerga a cidade cair em pé, iluminando-se pela luz de uma alegria azul, prenúncio que se afigura mais concretamente em Poderoso Rei (Duani), no qual um dia as pessoas da terra vão perceber que não valeu de nada o que se defendeu, samba entoado em garra e dentes por uma Mariana que, inevitavelmente, faz emergir a lembrança da grande intérprete Clara Nunes, cuja temática dos dois sambas também integravam um segmento de sua obra (como As Forças da Natureza, de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, Juízo Final, de Nelson Cavaquinho, entre outras peças).

Não há comparações entre Mariana Aydar e Clara Nunes, separadas por uma lacuna abissal de tempo e de evoluções estéticas; mas se Clara estivesse viva, provavelmente abraçaria Mariana, e encontraria na jovem uma ponte de continuidade, devido à importante característica que as une: ambas abraçaram o samba como um segmento concernente e bem definido em suas produções, sem se rotularem sambistas (embora Clara ainda sofra esse efeito), o que as limitaria diante do vasto potencial de intérpretes e estilistas do canto que possuem.

Não à toa Clara Nunes, num mesmo disco, cantava sambas de Nei Lopes, Candeia, João Nogueira, Paulinho da Viola, que dividiam espaço com um bolero composto por Paulo César Pinheiro, assim como um fado de Chico Buarque – refiro-me ao LP As Forças da Natureza, de 1977. Lançando mão de outros modos de abordagem e criação, Mariana Aydar concentra-se na ressignificação de suas referências, bem como no processo de seu trabalho que, sem cair em equívocos, reforça sua atuação como intérprete da canção, embora o samba a persiga (como diz no dueto com Zeca Pagodinho, O Samba me Persegue, de Duani), mas mantendo-se fiel ao seu talento e ofício: a de intérprete, capaz de vestir estilos diversos, de acordo com aquilo com o que quer dizer.

E no esteio do querer dizer o essencial em poucas palavras, utilizando-se de um vasto campo semântico ao qual os compositores parecem obter livre acesso, Mariana nos apresenta a marcha Peixes (de Nenung) que, empunhada por guitarras, cellos, teclados, baixo e uma lancinante bateria e árvore de sinos, parece deflagrar e consolidar o eixo da ideia central do projeto, tornando-se uma chave de compreensão para a rica hibridez do disco -  o título Peixes Pássaros Pessoas é extraído de um dos versos da música. Ao abusar de metáforas na medida certa, Peixes alinhava as demais canções, permitindo-as confluir, respirar e coexistir natural e espontaneamente nesse inesgotável matulão de signos que o disco traz.



Por meio da canção de Nenung (atuante compositor da banda Os The Darma Lóvers, que ainda vai dar o que falar!), conseguimos inclusive viajar nos detalhes do projeto do encarte do disco, que apresenta fotos de Mariana Aydar coberta por restos de drapejados dourados, sobras de carnaval, brocados misturados à terra (mãe-terra?) sobre a qual Mariana aparece deitada, expondo bracelete dourado e pulso, ora rindo, ora sisuda, ora com rosto encoberto pelo braço, ora guerreira, ora menina, sob fios embolados e sustentados por postes.

É quando Mariana – Kavita, matizada em sânscrita poeta, deixa de ser um pseudônimo para se tornar seu próprio heterônimo mítico, pitonisa que se subverte ao enxergar e referenciar a corrosiva e real igualdade, translúcida sob seus olhos, entre objetos seres coisas homens vida e morte, peixes pássaros pessoas aprisionados à crueza da cegueira condicionada pela inversão de valores e de condutas, enfermidade generalizada pela qual passa a humanidade.

Num grito sufocante, Mariana encerra Peixes como que enfrentando os anzóis atravessados na garganta, na negação de se morrer como decoração de casas, tocando, outra vez, e conscientemente, na nevralgia da contradição. Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música, ratifica em sua bela Palavras Não falam, mas contraditoriamente diz se entender escrevendo e vendo tudo sem vaidade ao preencher o branco desta página linda. Situada (e sitiada) em um radical e interminável jogo de contrários, entre o desmanche do que fora o carnaval, caminhando sobre o luto posterior à festa, entre belezas acesas das práticas do amor e horrores de tanta social e amores falsos, a artista esfacela sua persona em espelhos, matizes e signos, acintosamente para dar conta do conteúdo de seu dizer, súmula da existência de um trabalho que consegue escapar de rótulos – índie, new-hippie etc. -, para conseguir chegar, do modo que for à tessitura da alma do ouvinte.

Daí a necessidade de um trabalho que é, indubitavelmente, resultado das reflexões, das experiências e da alma criativa dos artistas envolvidos, e de Mariana, que na contracapa do disco expõe o rosto à contraluz, tentando enxergar algo – a imanente e incessante busca pela aprendizagem. Ousadamente encerra o disco com Tudo o que Trago no Bolso (dela em parceria com Nuno Ramos), num quase sussurro exausto, sobre os acordes da guitarra de Lanny Gordin: Como assim? Onde estou? Já passei da foto no jornal da minha cara….

Por onde Mariana passa, deixa um rastro de poesia e luz, hai-kais entre flores de aço e vasos de barro, versos transversais atravessados em nossos olhos, peixes, pássaros e pessoas reluzentes num mesmo plano, sinalizando-nos a direção de um caminho – e a música é sua forma de expressão.



Nota 10

Peixes Pássaros Pessoas / Mariana Aydar



Marcelo Teixeira

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O íncerto futuro de Thiaguinho


Thiaguinho, o pagodeiro mais bem vestido
Quando o grupo de pagode Exaltasamba já estava no sucesso absoluto, no patamar mais honrado do pagode de roda e no mirante mais adequado para ninguém retirar seu mérito, Thiaguinho entrou para o seleto grupo como um estranho no ninho. Estranho para poucos, porque o moço, com sua qualidade artística invejável, já estava trilhando o seu caminho há um certo tempo, desde quando participou do programa Fama, no início dos anos 2000, tendo ao lado a cantora Roberta Sá e sendo um dos eliminados do reality show. Hoje Roberta Sá brilha como uma das estrelas da nova MPB, enquanto Thiaguinho brilha absoluto como o cantor mais influenciado do pagado atual. Mas o destino estava apenas lhe mostrando que o caminho a seguir era justamente o da música e quando o vocalista central do Exalta saiu, todos foram unanimes em apontar Thiaguinho como o líder oficial do grupo.

O que era perfeito, ficou ainda melhor, porque Thiaguinho, com sua entrada triunfal, deixou o grupo ainda mais jovem e angariou ainda mais fãs (até deste colunista que até então detestava pagode – e continuo detestando, mas Exaltasamba é simplesmente Exaltasamba!). O grupo vendeu ainda mais discos, fez história na música popular brasileira, fez bonito na seara do samba e ainda por cima conseguiu prêmios merecedores de aplausos efusivos.

Vale lembrar que pagodes até então considerados os melhores como Raça Negra, Só Pra Contrariar e Negritude Junior, vieram à falência alguns anos mais tarde devido aos problemas enfrentados pelas gravadoras, pelo cansaço que o ritmo enfrentava e pelos novos ritmos que adentravam no cenário musical, como o forró universitário e a volta da MPB tradicional, com cantoras novas e com qualidade musical acima do esperado. Até hoje, o único grupo que tenta resistir ao tempo é o Raça Negra, mas sem nenhum pingo de originalidade artística nem musical.

Mas quando tudo estava perfeito, eis que vem a bomba: a saída de Thiaguinho do grupo mais antigo (25 anos de estrada) e com um enorme sucesso de público e crítica, pega a todos de surpresa. Muitos não queriam, mas o que Thiaguinho mais queria era seguir carreira solo. Muito se cogitou que tudo não passava de armação, que tudo era um atrativo de marketing, que tudo era ilusão da mídia, mas o fato é que Thiaguinho saiu do grupo e agora tentará a carreira solo.

Mas o motivo de eu escrever este artigo é justamente porque uma pergunta me ronda até agora: será que Thiaguinho, ex Exaltasamba, irá sobreviver sozinho em um palco? Muitos cantores, depois de abandonar um grupo de enorme sucesso, faliram musicalmente ou não tiveram respaldo de uma grande gravadora e ficaram a mercê de showzinhos baratos em casas noturnas fuleiras e sem qualidade. Rodriguinho, que fizera parte vocal do grupo Os Travessos, que o diga: enorme sucesso entre os pagodeiros, ele saiu do grupo no meio de uma avalanche de sucesso, no momento mais sublime de seu grupo e tentou uma carreira solo. O resultado: um verdadeiro ostracismo.


Gilberto Gil com Thiago: arriscando na MPB?
Alexandre Pires, pagodeiro líder do grupo Só Pra Contrariar, também foi outro pagodeiro que saiu de um grupo que estava fazendo sucesso para tentar a carreira solo. Resultado: um pequeno ostracismo e o que era pagode virou romantismo. Alexandre hoje virou um cantor romântico, tentando a todo custo uma carreira internacional e cantando ao lado de Xuxa, Ivete Sangalo, macacos dançarinos, louras extravagantes e uma qualidade musical muito aquém de seu estilo e talento. Totalmente diferente daquilo que esperava, tentaram fazer de Alexandre um novo Luíz Miguel ou Rick Martín, mas nada justifica sua medíocre qualificação como cantor solo.

O que será de Thiaguinho após a saída do Exalta e o que o aguarda nesta nova jornada de sua vida? Seu disco já é tão aguardado e ansiado por muitos fãs, que ficará difícil do cantor lançar um disco qualquer. A responsabilidade que Thiaguinho tem agora é muito maior agora de quando estava tentando o primeiro lugar no programa Fama ou quando estava à frente do grupo que já era um enorme sucesso. Seu disco solo terá que suprir a necessidade do público, da crítica e de todos aqueles que imploraram para que ele não saísse do grupo.

Desejamos toda a sorte para que Thiaguinho continue nesta pegada de sucesso e que não repita os passos dos amigos fracassados Rodriguinho e Alexandre Pires. O que sabemos por hora é que Gilberto Gil, ex-tropicalista e um dos melhores e mais antigos cantores da MPB, estará presente no primeiro DVD que o pagodeiro está para lançar. Será que essa participação de Gil seria uma pré-ideia de uma possível aventura pelas bandas da MPB por parte de Thiaguinho, caso o seu pagode não seja conquistado? A resposta só teremos daqui a um tempo, quando tivermos um resultado e um balanço da nova trajetória do pagodeiro e o Mais Cultura! estará ali avaliando seu novo trabalho.



Marcelo Teixeira