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domingo, 12 de novembro de 2017

MC Livinho e a voz que ninguém deveria ouvir

Livinho e  voz que ninguém merece
Longe de ser um grande astro da música popular brasileira e de ser estrela da consolidação do pagode, MC Livinho tenta ser um cantor com popularidade exemplar em território nacional. Sem poder de vocalização e sussurrando suas melodiosas canções, o cantor agora tenta unir sua imagem ao pagode e indo de encontro com o rei dos magos pagodeiros, Péricles. Óbvio que essa união não sairia bem, ainda mais tendo uma desunião de vozes como as de Livinho, que é paupérrima e cansativa e arrastada. Péricles tem uma das melhores vozes do pagode e se consagrou no estilo há anos com sua marcante e impressionante presença de palco, mas o colocar em evidência com um cantor que não se iguala ao seu tipo vocal, chega a ser uma aberração aos nossos ouvidos. Mesmo a música Bandida tendo estrondosos 4 milhões de acesso, a música não vale ser ouvida e não garante sucesso para nenhum dos dois. O motivo é simples: a música é chata e, como já disse acima, MC Livinho não canta absolutamente nada, tendo uma voz arrastada e chata. Vale ressaltar que MC Livinho carrega umas broncas do público por outros motivos: uma por ser considerado homofóbico (o que ele desmente e outros dizem que foram os administradores de redes sociais que inventaram a desculpa) e outro puxão de orelha após o cantor lançar a estranha música, em agosto recente, Covardia. Lembrando que a música é acusada de ser apologia ao estupro, coisa que o cantor nega veementemente. Com teor de baixo calão, humilhando e rebaixando a mulher à pior espécie, Livinho tentou se retratar perante o caso, mas de nada adiantou. O cantor apenas carrega mais uma polêmica nas costas e, música de qualidade que é bom, nada. Por hora, MC Livinho é o lixinho musical que todos aplaudem, mas ninguém entende!


MC Livinho e a voz que ninguém deveria ouvir
Por Marcelo Teixeira

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Carla Visi estraga os clássicos de Clara Nunes em tributo


Carla: convidados sem graça
Vou direto ao ponto: Carla Visi estragou a obra deixada por Clara Nunes. Guerreira de Minas Gerais, Clara (1942 / 1983) deixou um legado e tanto para a posteridade, com grandes músicas e sambas cadenciados pelos melhores compositores de seu tempo e que se transformou em algo quase intocável e motivo de inspiração para muitas cantoras boas que surgiriam ao longo desses anos. Mariene de Castro, Fabiana Cozza e Virgínia Rosa são as cantoras que mais se inspiram na beleza no canto de Clara Nunes, assim como Mariana Aydar, Vanessa da Mata e Marisa Monte, que já deixaram claro e evidente em entrevistas que foram inspiradas pela Guerreira. Neste ano realiza os 30 anos de morte dessa grande cantora e homenagens foram pontuadas de canto a canto do país, deixando ainda mais um rastro de saudades e encantamento por Clara. Mas enquanto algumas homenagens são ditas boas, outras são capengas e mediocres a ponto de entrar para a história musical como o pior volume discogrÁfico dos últimos tempos.

Carla Visi é uma boa cantora, tem carisma, voz, mas seu canto não passa do insulto musical que embalou o Brasil com suas músicas baianas de baixo calão e duplo sentido oriundo.  Feito às pressas e com um acabamento horrendo, Carla homenageou Clara na pior das homenagens e fez do tributo algo comercial demais, horrível demais e sofrível demais. Talvez o que diferencie este trabalho de outros lançamentos, sejam as músicas praticamente esquecidas que Clara gravou no início de carreira e que hoje em dia quase ninguém reconhece. O fã mais ardoroso com certeza se sentirá privilegiado ao ouvir canções como Dia de Esperança, lançado em 1966 e que aqui é cantado em dueto com a neo-sertanejinha Paula Fernandes. Ou então sentir orgulho em ouvir Tributo aos Orixás, música competente e com lirismo puro, cujo quase não é tocado por outro músico e que foi gravado em 1972. De 1969 veio Foi Ele, composta por Carlos Imperial e que praticamente Visi a retirou do baú. Mas é só.

Sinto vergonha em poder ouvir Carla cantando sucessos de Clara ao lado de Paula Fernandes, Péricles ou Thiaguinho, músicos que talvez nem conheçam ou tenham intimidade com a obra maravilhosa de Clara. Ser diferente de outras grandes interpretes para fazer um disco em tributo é tudo o que uma cantora quer na vida, mas fazer estardalhaço com a obra da homenageada é outro patamar. Clara merecia tratamento melhor, assim como fizeram Virgínia Rosa no show que vem realizando desde o ano passado, o belissímo e emocionante Virgínia Rosa canta Clara ou da premiadissíma Fabiana Cozza, que vem emocionando corações com seu canto forte em Canto Sagrado, cujo foi realizado recentemente um DVD sobre o espetáculo.

Homenagem é homenagem, mas precisa ser muito bem feito, caprichado e ainda mais por se tratar de uma das maiores cantoras do Brasil. Cantores como Daniela Mercury, Péricles, Paula Fernandes e Thiaguinho dividem o microfone com a baiana em algumas das longas 17 faixas do álbum. Com Daniela, por exemplo, ela canta Morena de Angola e já em O Canto das Três Raças, a ex-vocalista da banda Cheiro de Amor faz dueto com Péricles.  Aí eu pergunto: qual a ligação dessas vozes com a obra de Clara? Paula Fernandes, rainha do sertanejo empobrecido cantando os sambas de Clara? Tem algo errado neste samba.

Carla Visi Pura Claridade (2013 / Sony Music / 29,99) é um dos piores momentos da música popular brasileira. Sem beleza, sem samba no pé, sem malemolência, Carla deixa a peteca cair a cada faixa embalada por seu canto, que não entusiasma em momento algum. O que poderia ser um verdadeiro caminho para o sucesso (como o caso de Mariene de Castro, Fabiana Cozza e Virgínia Rosa com seus shows abarrotados de pessoas ávidas por ouvirem as músicas de Clara), Carla deixou de mão o carinho, o afeto e a respeitabilidade oferecida para cair em um nicho cheio de pólvora incapaz de ser lembrado.

Carla Visi continua linda demais, cantando bem demais, mas errou e muito ao se apressar para fazer este disco como forma de tributo. Errou na capa, errou na escolha dos convidados e continuará errando quando não estudar o que se quer apresentar. Ser leiga no assunto requer estudos, requer profissionalismo, requer qualidade e Carla não soube aproveitar este momento tão importante que seria para a sua vida musical, tendo em vista que a cantora amargura vez por outra ostracismos longos.

 

Carla Visi estraga os clássicos de Clara Nunes em tributo

Nota 1

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A volta de Alexandre Pires ao Só Pra Contrariar


Será que ele aguentará a pressão?
Que a carreira de Alexandre Pires não decola mais, disso todo mundo já está sabendo. Saiu do grupo Só Pra Contrariar, que era líder absoluto na década de 1990 e início dos anos 2000 para tentar carreira solo e desandou de vez, assim como a maioria dos líderes de grupos pagodeiros da época, como Netinho, do Negritude Júnior, Leandro Lheart, do Art Popular e Chrigor, do Exaltasamba, entre muitos outros que aderiram a carreira solo. Muitos pararam no decorrer da carruagem, outros foram sendo esquecidos merecidamente, pois não desenvolveram nada artisticamente, mas alguns esforçados tentaram a risca manter-se firme a musicalidade que lhes foi permitida por jabazeiros irresponsáveis.

Alexandre Pires tentou carreira de diversas maneiras: de cantor romântico, brega e neo-sertanejo, todas as tentativas foram irrisórias e cansativas, sem sucesso nenhum. Tentando carreira internacional, o fiasco foi ainda maior, embora tenha cantado para o então presidente americano George W. Bush o Hino Nacional e algumas músicas bossa novistas. Enquanto Alexandre Pires tentava a carreira solo, o grupo que ele deixara no passado, Só Pra Contrariar, vinha com carga nova, tendo a frente o irmão de Alexandre, Fernando, que não tinha carisma algum, não trouxe inovações e, para complicar, o grupo cantava as mesmas canções de quando tinha como líder o cantor que revelara o grupo, Alexandre Pires.

Depois de polêmicas com macacos, louras, canções brasileiras para políticos norte-americanos e tentativas em vão em terras desconhecidas, Alexandre Pires volta ao grupo que o revelou, Só Pra Contrariar, com ternos muito bem alinhados, instrumentos muito bem alinhados, mas com nenhuma novidade, nenhuma música nova e cantando os sucessos de outrora.

Voltar às origens não é nenhuma vergonha, afinal, com tantos altos e baixos, nada melhor que tentar alavancar o nome do grupo, mas são resquícios de que algo de errado aconteceu. Afinal, a ganância de Alexandre em tentar carreira solo, deixando um grupo sólido, fez com que o mesmo entrasse em vários conflitos e enrugando o som, a qualidade e a imagem de todos. Alexandre Pires está mais velho e não está com cara de quem está feliz retornando ao grupo, cantando as mesmas músicas. O pagode tenta resistir ao tempo e tenta voltar às suas origens, que é trazendo seus líderes de volta.

Mas a volta de Alexandre Pires talvez tenha um propósito: demolir a hegemonia de Thiaguinho, que vem brilhando maravilhosamente bem sua trajetória depois da bem sucedida carreira no Exaltasamba e de Péricles, que também teve uma história marcante no mesmo grupo e que hoje trilha um caminho inverso, com muitos aplausos e carinhos do público.

Trazer Alexandre Pires de volta ao Só Pra Contrariar foi um dos pesos mais complexos que a indústria da música pode carregar. Veremos se o grupo resistirá ao tempo, se irá trazer alguma novidade futura ou se será alguma fase passageira (a qual eu acho) e eu estarei aqui, sentado e de camarote, tentando visualizar o que realmente aconteceu para tamanho desastre musical.

 

A volta do Só Pra Contrariar

Marcelo Teixeira

 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A grande voz de Péricles


 

Péricles, uma das melhores vozes
O pagode tem um líder à frente de seu estilo que se chama Péricles e cheguei a esta conclusão pelo simples fato de Péricles ser como ele mesmo: Péricles. Grande voz, grande cantor, grande personalidade, fui rendido à musicalidade deste grande cantor desde o início do grupo Exaltasamba, nos anos 1990. Péricles resistiu a todos os nomes que vieram depois no pagode, aceitou as transmutações, se divertiu com a troca de vocais do grupo, assistiu decadências e oscilações pagodeiras, viu a bancada sertaneja crescer, desbancou grupos de rock, destruiu tarjas que colocavam o pagode nas estribeiras de um caminho sem volta e hoje reina absoluto como um dos líderes mais bem iluminados do pagode.

Gosto de Péricles e isso não é nenhuma novidade para quem me conhece. Sua voz me agrada tanto, que gosto como ele conduz as músicas e o palco. Seu jeito tímido alcança notas dificílimas e seu olhar conduz atentamente o que ele planeja cantar para uma multidão ávida de esperanças. Para tanto, o grupo Exaltasamba, que recentemente se desfez,  ainda permanece intocável graças ao seu líder maior.

Mas o Exaltasamba não acabou. Péricles é quem ainda está no comando do grupo, mesmo não tendo o nome de peso que o consagrou. Mas estão todos ali, com seus instrumentos, cantando como vocais, mas as espreitas, praticamente longe dos olhos da multidão. Péricles assumiu o comando e agora segue carreira solo. Mas o que acontece é o oposto. Péricles é um grande nome da música popular brasileira e seu estilo de cantar é ainda mais agradável do que nomes consagrados do estilo, como Dudu Nobre, Alexandre Pires e Jorge Aragão. Por ser um grande nome da música universal hoje, a ideia de seguir carreira solo talvez surgiu após a ida de Thiaguinho, em grande estilo, para a mesma seara que muitos já tomaram.

Porém, Péricles agora vive um dilema, pois sua missão é derrotar o grande imperador do pagode, seu arqui-inimigo amigo Thiaguinho. Ambos continuam não conseguindo fazer shows solos, ou seja, sem a companhia do grupo por trás (Péricles tem os antigos músicos do grupo, enquanto Thiaguinho mantém uma trupe impecável de músicos ao seu redor) e o que mais parece agora, é que ambos estão travando uma briga por fã. Se Thiaguinho seguiu carreira solo, abandonando o barco do sucesso que o consagrou um dia, agora chegou a vez de Péricles derrubar este império.

Péricles é um cantor de excelente gabarito e, mesmo tendo o Exaltasamba ao seu redor, o cantor se sai muito bem sozinho, que, por muitas vezes, temos a sensação de que ele está sozinho ali no palco, conversando com a gente (o que não acontece com Thiaguinho). E, mesmo se um dia Péricles vir a abandonar o cenário musical, seu nome estará gravado para sempre, pois ele é a alma do verdadeiro pagode.

 

Péricles

Marcelo Teixeira

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sétimo pior cantor do Brasil: Belo


Belo, o 7° pior cantor
Que o cantor Belo não canta nada, disso todo o mundo sabe. Chega a ser ridículo sua música ser considerada uma das melhores (como andam dizendo alguns fanáticos por pagode) e sua presença ser constante nos programas de rádio e TV. Belo é o tipo de cantor que não acrescenta em absolutamente nada na cultura das pessoas e chega a ser engraçado ver seus passinhos de marionete perante uma multidão de fãs enlouquecidos por sua pessoa. Belo é o que há de pior tanto na música popular quanto no pagode. Embora haja uma resistência do cantor perante as exigências da música popular hoje em dia (principalmente no pagode, em que essa exigência é ainda maior), Belo segue seu caminho cantando músicas que falam de amor, sentimentos, carinhos e mulheres. Talvez seja por isso que ainda permanece na estrada resistindo ao tempo com altos e baixos. Mais baixos do que altos.

A exigência do mundo do pagode requer muito mais do que Belo anda cantando hoje em dia. Vejam casos como o de Thiaguinho, que acertou em cheio na qualidade musical e visual (mesmo que a alegria esteja imperando mais do que a ousadia a qual ele insiste em cantar), de Péricles, que anda cantando com verdade, com garra e determinação e de casos menos esfuziantes, como os de Alexandre Pires, que ora acerta, ora erra em seus caminhos. Cantores do mesmo estilo, como Vavá , Rodriguinho e Leandro Lehart, que erraram feio ao largarem seus respectivos grupos (Cara Metade, Os Travessos e Art Popular) ao seguirem carreira solo.

Chegando ao sétimo lugar na lista dos piores cantores do Brasil, Belo agora figura ao lado de estrelinhas como Paula Fernandes, Perla, Joelma, Mc Catra, Latino e Wanessa (que tirou o Camargo depois que se consolidou na música pop/teen). Integrar nesta lista requer uma qualificação exemplar: ter em seus atributos a alcunha de só fabricar lixos comerciais, não obter de faturamento cultural e, o mais agravante, ter algum requisito que não agrade a maioria da população exigente por boa musicalidade.

No caso de Belo, sua voz fanha e seus s com pronuncias presas me irritam de tal forma, que fica engraçado vê-lo cantar. Belo é a caricatura bestial do que sempre existiu na seara pagodeira e assim eu o vejo sempre: um misto de cantor fajuto com uma quantidade de cantor empobrecido musicalmente. Com roupas cafonas, sua música denota aquilo que já refletiu sua vida pessoal. Com tantos altos e baixos em sua carreira, Belo é o diminutivo que reflete a vida de milhares de pessoas que o acompanham: com mais baixos do que altos musicalmente falando.

 

Sétimo Pior Cantor: Belo

Marcelo Teixeira

 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Aonde está a ousadia de Thiaguinho?


 

Existe hoje um grande artefato em volta do pagodeiro Thiaguinho, que recentemente se desligou do grupo de pagode Exaltasamba, desfazendo um dos mais importantes grupos do movimento desde o início da era pogodista e o último dos moicanos sobreviventes da chacina musical que persistiu em durar, por mais de vinte anos de estrada. Se bem que na última arquitetura do grupo, as músicas e até mesmo o carisma dos pagodeiros estavam em alta e eu mesmo cantarolava algumas de suas canções, mas esses entusiasmos eram motivados por Péricles e o novato Thiaguinho, que viria abrilhantar o grupo. Evidentemente que a visão de Thiguinho seria futuramente abandonar o barco e seguir em carreira solo, como fizeram inúmeros cantores da área (não só de pagode, como do rock, do axé e até de grupos importantes, como a Paula Lima, que saiu do maravilhoso Funk Como Le Gusta e hoje quase não se ouve falar sobre a banda).

Mas me chama a atenção alguns aspectos da volta por cima de Thiaguinho (sim, volta por cima porque muitos acharam que ele não iria se dar bem na carreira solo) e em sua musicalidade também. Que Thiago é uma revelação musical, disso não se pode discordar, mas o que quero ressaltar neste artigo não é a brilhante carreira que ele fizera quando estava preso e algemado ao grupo, mas sim agora, com o disco Ousadia & Alegria, lançado agora em 2012.

O título do disco não poderia ser a melhor resposta para aqueles que lhe torceram o nariz, torceram contra e ainda estão falando mal do artista, mas não vejo por este lado esta tal ousadia que o cantor insiste em mostrar. Aliás, não consigo enxergar aonde está a ousadia de Thiaguinho ao lançar este disco e nas linhas abaixo eu tentarei explicar que pode ter muita alegria, puro entusiasmo, muita adrenalina, mas pouca ou nada ousadia. Alegria, sim. Ousadia, não!

 

O nosso lema é ousadia e alegria

 A nossa cara é pagode todo dia

 Cheio de estilo na pressão eu vou com tudo

 Só espalhando ousadia pelo mundo

Lê lêlê lêlê lêlê

Ousadia para vencer

 Lê lêlê lêlê lêlê

 Alegria para viver

Trecho de Ousadia e Alegria, de Thiaguinho

 

A primeira ousadia (e talvez a única retratada no disco) de Thiaguinho, tenha sido a sua saída do grupo Exaltasamba. Mais nada. Nenhuma outra ousadia mais ousada (num trocadilho perfeito para este momento), foi mais eloquente e mais soberano para um artista que ainda pode crescer com seu talento e sua espontaneidade. Ousadia esta que pode também lhe custar muito caro, pois o primeiro álbum é um verdadeiro sinônimo de festa pelas vendagens e pela receptividade do publico, mas isso poderá não acontecer com o próximo disco.

Talvez a segunda ousadia de Thiaguinho seja mostrar logo de cara um disco totalmente ao vivo, geralmente destinado à grandes cantores que depois de um certo tempo de estrada lançam discos com plateias gigantes e com aberturas novas. Thiago já ousou ao lançar no mercado fonográfico um disco ao vivo e com músicas inéditas, feito raro a um artista que inicia sua carreira solo.

Mas o disco em si é um grude! Algumas faixas deveriam ser extintas e outras merecem até mesmo um pequeno troféu pela letra e pelo passaporte do artista. Thiaguinho tenta se esforçar para cantar bem em algumas faixas, mas o que acontece é um festival de horror ao ver seu lábio superior fazendo malabarismos igualmente quando Caetano Veloso canta. Chamar o jogador Neymar para cantar talvez seja a pior parte do disco.

Thiaguinho foi esperto ao lançar seu disco solo. Para obter um ótimo resultado e altas vendagens e não ver seu publico indo pousar noutro lugar, a estratégia foi abusar (ou ousar). Chamou os maiores artistas, como Gilberto Gil e Ivete Sangalo, convidou Luísa Possi, cantora que consegue exprimir um certo carisma entre os adolescentes e amantes da nova MPB, convidou Alexandre Pires, que tem um certo nome e respeito no mercado internacional e se veste ora como um moleque travesso, ora como um novo expoente da música negra, ora como um emergente do capitalismo que conseguiu ingressar, ora como um suburbano, de poucas palavras e muitos gestos.

 
O disco ainda conta com uma gigantesca trupe de músicos e com um coral de dar inveja a qualquer concerto: são eles, por muitas vezes, os responsáveis pelo apoio que Thiaguinho precisa e acho que será muito improvável que um dia eles venham a se desvencilhar. Tudo isso prova que Thiaguinho ainda não está preparado para seguir uma carreira solo, tendo de enfrentar as dificuldades que todo grande artista sofre ao se desligar de um grupo de puro sucesso. Thiago não sobreviveria acaso lançasse um disco de estúdio, sem convidados extraordinários e sem orquestra e jogador de futebol. Thiago não teria suporte emocional para entrar em um palco sozinho. E tudo foi pensado para que ele se sentisse como um integrante de qualquer grupo de pagode às suas costas e ele ainda fosse o líder.

Observando o disco atentamente e assistindo ao DVD do mesmo, pude constatar que Thiaguinho ainda precisa calejar muito para conseguir almejar o verdadeiro estrelato e conseguir uma nota digna de seu próprio sucesso. Ainda o sinto como um integrante do mesmo grupo de pagode que o adotou e não o sinto preparado, pronto, ágil, esperto, capaz de seguir carreira solo sem um corpo de coral, sem um convidado especial, sem uma grande estrela para estar ao seu lado. Thiaguinho ainda precisa ousar mais, porque alegria ele tem de sobra.

Por enquanto, a ousadia de Thiaguinho não vingou. A alegria, sim.

 

Faixas

1- Leite Condensado

2- Buquê De Flores

3- Ousadia & Alegria Part. Esp.: Neymar

4- Lero Lero - Part. Espec. Alexandre Pires

5- Desencana

6 - Puxando

7- Sou O Cara Pra Você

8- Até Ver Você (Hahaha)

9- Muleke Conquista

10- O Poder Do Pretinho - Part Espec. Ivete Sangalo

11- Antes De Dizer Adeus

12 - Simples Desejo - Part Espec. Gilberto Gil

13- Ainda Bem

14- Vai, Novinha

15- Deixa Eu Te Fazer Feliz

16- Eu Quero É Ser Feliz

17- Tomara

18- Motel

19- Robin Hood Da Paixão

20- Eternamente Feliz

21- Deixa Pra Mim

 

Ousadia & Alegria / Thiaguinho

Nota 5

Marcelo Teixeira