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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Vanessa da Mata erra o som outra vez




Não segue o som, Vanessa!
Sinto uma enorme saudade da Vanessa da Mata que conheci em 2002, quando ainda era uma novata cantora que queria ser a salvadora da música popular brasileira, que encantava com seu canto, com suas letras, que abocanhava grandes nomes da música (como fizeram Maria Bethânia, Caetano Veloso e Chico César) e que era mais timida, recatada e solitária. Sim, Vanessa da Mata compunhava com vontade, voracidade e verdade, adjetivos raros em sua carreira ultimamente. Não que ela estivesse enfraquecida com os discos após o lançamento deste que levava o seu nome, mas nem todas as músicas seguintes agradariam aos seus fãs posteriores. Vanessa deixou de ser uma cantora de nome forte para ser uma cantora de MPB qualquer, compondo aqui ou ali umas músicas bacanas e fazendo de sua voz um arsenal de tiros de misericórdia. Lançando Segue o Som (2014 / Sony Music / 24,90), Vanessa da Mata deixa a desejar.  E muito. As músicas aqui cantadas não ecoam como no primeiro grande disco, não batem forte em nossos sentidos, não trazem mensagens positivas ou agradáveis, mas deixa um ar de insatisfação. Segue o Som é um disco de misturas eletrônica, pop, reggae, dance music e a voz de Vanessa soa cansativa, irritante e derivada de ajustes eletrônicos para se sair bem. Depois de Vanessa da Mata (2002), a cantora teria um grande momento em sua vida ao lançar Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias (2010), em que cantava com uma jovialidade e uma serenidade inacreditáveis, tendo a participação até mesmo de Gilberto Gil encerrando uma das faixas mais encantadoras do álbum. Teria Vanessa da Mata entrado para o time das cantoras desgastadas da MPB ou estaria passando (por que não passeando?) pelo mundo fantástico do ostracismo imaginário? As canções de Segue o Som são contagiantes do ponto de vista comercial, alegres e auto-astral, porém, parece que todas as músicas foram feitas no mesmo dia, na mesma calibragem e no mesmo sentido horário: as batidas e as melodias são uniformes, parecendo que não há interrupção de uma canção para outra. A música Toda Humanidade Veio de uma Mulher não tem ritmos, assim como Rebola Nêga, a melhorzinha do disco, que soa como se a cantora estivesse errando as notas ao cantar (característica de Vanessa, que já fez isso várias vezes em shows ao vivo). Homem Preto é uma canção legal, tem uma pegada mais romântica, mas que não leva nada ao nada com sua voz estridente e custosa. E as canções em inglês dão o recado de que talvez Vanessa queira adentrar no mundo internacional, assim como já tentara com o álbum Sim (2007), mas sem grandes alardes. Do mesmo modo como acontecera com o disco de 2007, Vanessa trouxe para o álbum atual as questões que martelam dentro de sua cabeça com relação as causas sociais existentes ao redor do mundo, como forma de politizar esses assuntos. Como uma salvadora das causas impossíveis no mundo musical, a cantora peca ao adentrar em pautas como o amor passeando por lugares distantes e imprevisíveis, como canta na música capenga Por Onde Ando Tenho Você. Por vezes, sentimos que Vanessa não consegue mais compor ou a impressão maior que passa é que o disco foi feito às pressas, para que pudesse estar na próxima novela qualquer. Assim como aconteceu com Essa Boneca Tem Manual (2005), Segue o Som também foi feito para ser um disco meramente comercial, sem se importar com as letras aqui produzidas. O apelo é forte e Vanessa não soube aproveitar o momento para fazer um grande disco. Já tinha dito que a superficialidade da cantora ao lançar um disco em projeto com uma grande marca de cosméticos para homenagear Tom Jobim, disco este lançado em 2013 pela mesma gravadora em parceria com a Jabuticaba, era crescente e gritante e aqui a superficialidade continua em alta, deixando em baixa toda a pluralidade que Vanessa conseguiu atrair no início de carreira. Chega a ser caricato ouvir frases do tipo fique aqui, tome alguma coisa, converse pra se distrair, vai ver que sou uma menina, só quero me divertir, cantada na música Toda Humanidade Veio de Uma Mulher, que abre o disco. Confesso que não entendi o teor do álbum e qual a sua mensagem maior, mas confesso que os últimos trabalhos de Vanessa da Mata, a garota pobre de Mato Grosso que conseguiu driblar o pai rigoroso do sertão para se tornar em uma das maiores cantoras do país, estão deixando e muito a desejar, abandonando assim um estilo único e próprio de mostrar sua musicalidade, que era plausível e admirada. Por esse motivo e por todo o seu comercialismo desprovido de intelectualidade musical, por favor, não seguem o som de Vanessa agora.

 

Segue o Som (2014) / Vanessa da Mata
Nota 6
Marcelo Teixeira

 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Carla Visi estraga os clássicos de Clara Nunes em tributo


Carla: convidados sem graça
Vou direto ao ponto: Carla Visi estragou a obra deixada por Clara Nunes. Guerreira de Minas Gerais, Clara (1942 / 1983) deixou um legado e tanto para a posteridade, com grandes músicas e sambas cadenciados pelos melhores compositores de seu tempo e que se transformou em algo quase intocável e motivo de inspiração para muitas cantoras boas que surgiriam ao longo desses anos. Mariene de Castro, Fabiana Cozza e Virgínia Rosa são as cantoras que mais se inspiram na beleza no canto de Clara Nunes, assim como Mariana Aydar, Vanessa da Mata e Marisa Monte, que já deixaram claro e evidente em entrevistas que foram inspiradas pela Guerreira. Neste ano realiza os 30 anos de morte dessa grande cantora e homenagens foram pontuadas de canto a canto do país, deixando ainda mais um rastro de saudades e encantamento por Clara. Mas enquanto algumas homenagens são ditas boas, outras são capengas e mediocres a ponto de entrar para a história musical como o pior volume discogrÁfico dos últimos tempos.

Carla Visi é uma boa cantora, tem carisma, voz, mas seu canto não passa do insulto musical que embalou o Brasil com suas músicas baianas de baixo calão e duplo sentido oriundo.  Feito às pressas e com um acabamento horrendo, Carla homenageou Clara na pior das homenagens e fez do tributo algo comercial demais, horrível demais e sofrível demais. Talvez o que diferencie este trabalho de outros lançamentos, sejam as músicas praticamente esquecidas que Clara gravou no início de carreira e que hoje em dia quase ninguém reconhece. O fã mais ardoroso com certeza se sentirá privilegiado ao ouvir canções como Dia de Esperança, lançado em 1966 e que aqui é cantado em dueto com a neo-sertanejinha Paula Fernandes. Ou então sentir orgulho em ouvir Tributo aos Orixás, música competente e com lirismo puro, cujo quase não é tocado por outro músico e que foi gravado em 1972. De 1969 veio Foi Ele, composta por Carlos Imperial e que praticamente Visi a retirou do baú. Mas é só.

Sinto vergonha em poder ouvir Carla cantando sucessos de Clara ao lado de Paula Fernandes, Péricles ou Thiaguinho, músicos que talvez nem conheçam ou tenham intimidade com a obra maravilhosa de Clara. Ser diferente de outras grandes interpretes para fazer um disco em tributo é tudo o que uma cantora quer na vida, mas fazer estardalhaço com a obra da homenageada é outro patamar. Clara merecia tratamento melhor, assim como fizeram Virgínia Rosa no show que vem realizando desde o ano passado, o belissímo e emocionante Virgínia Rosa canta Clara ou da premiadissíma Fabiana Cozza, que vem emocionando corações com seu canto forte em Canto Sagrado, cujo foi realizado recentemente um DVD sobre o espetáculo.

Homenagem é homenagem, mas precisa ser muito bem feito, caprichado e ainda mais por se tratar de uma das maiores cantoras do Brasil. Cantores como Daniela Mercury, Péricles, Paula Fernandes e Thiaguinho dividem o microfone com a baiana em algumas das longas 17 faixas do álbum. Com Daniela, por exemplo, ela canta Morena de Angola e já em O Canto das Três Raças, a ex-vocalista da banda Cheiro de Amor faz dueto com Péricles.  Aí eu pergunto: qual a ligação dessas vozes com a obra de Clara? Paula Fernandes, rainha do sertanejo empobrecido cantando os sambas de Clara? Tem algo errado neste samba.

Carla Visi Pura Claridade (2013 / Sony Music / 29,99) é um dos piores momentos da música popular brasileira. Sem beleza, sem samba no pé, sem malemolência, Carla deixa a peteca cair a cada faixa embalada por seu canto, que não entusiasma em momento algum. O que poderia ser um verdadeiro caminho para o sucesso (como o caso de Mariene de Castro, Fabiana Cozza e Virgínia Rosa com seus shows abarrotados de pessoas ávidas por ouvirem as músicas de Clara), Carla deixou de mão o carinho, o afeto e a respeitabilidade oferecida para cair em um nicho cheio de pólvora incapaz de ser lembrado.

Carla Visi continua linda demais, cantando bem demais, mas errou e muito ao se apressar para fazer este disco como forma de tributo. Errou na capa, errou na escolha dos convidados e continuará errando quando não estudar o que se quer apresentar. Ser leiga no assunto requer estudos, requer profissionalismo, requer qualidade e Carla não soube aproveitar este momento tão importante que seria para a sua vida musical, tendo em vista que a cantora amargura vez por outra ostracismos longos.

 

Carla Visi estraga os clássicos de Clara Nunes em tributo

Nota 1

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A superficialidade e pouca intimidade de Vanessa da Mata cantando Tom Jobim


A bossa pop de Vanessa: bom e médio
 

Superar Elis Regina ou Gal Costa em um disco homenageando Tom Jobim, não é tarefa fácil. Não somente Tom, que foi um dos maiores maestros que o Brasil já teve, mas qualquer grande compositor brasileiro, o trabalho é árduo e o resultado tem que sair perfeito. Vanessa da Mata bem que tentou, mas derrapou feio ao homenagear Tom Jobim, tendo em vista que a cantora não é familiarizada com o repertório do compositor e nem gravou (ao menos que eu me lembre) alguma música do cancioneiro jobiniano. Vanessa é a estrela da vez do Projeto Nívea que homenageia artistas que foram importantes para a música brasileira. Anteriormente, Elis Regina vinha embalada pela voz da filha Maria Rita, que emocionou no começo, mas depois derrapou na mesmice de ser apenas a filha de Elis. Em 2012, Vanessa da Mata fez uma temporada de shows no Sesc Pompéia, em São Paulo, abordando a obra de Luiz Gonzaga com resultado surpreendente. Era patente a identificação da artista com aquela obra, ora exposta de forma leve e moderna em poucas apresentações que não tenho notícia se foram ou não gravadas. Deveriam ter sido.

Vanessa também já tem um cd autoral pronto para lançamento. Boa compositora lançada por Maria Bethânia em 1999, soa natural que este trabalho inédito seja até aguardado com mais interesse. Mas veio o projeto da Nívea Viva com a proposta de uma série de espetáculos com canções de Tom Jobim. Depois de Elis, o repertório do maestro mais conhecido do Brasil acabou se transformado em cd de estúdio intitulado Vanessa da Mata canta Tom Jobim (2013 / Sony Music / 25,99).

Mesmo antes do lançamento já se ouvia rumores pouco edificantes sobre o trabalho. Puro preconceito. Com arranjos de Eumir Deodato, produção de Kassin e uma boa seleção de músicos convidados, Vanessa da Mata Canta Tom Jobim, não é um tragédia. Está, porém, anos luz de ser digno de lembrança histórica. As músicas selecionadas são manjadas do grande público e nenhuma novidade foi presenteada aos fãs. Mas a voz de Vanessa agrada do começo ao fim e mesmo soando pop demais, o disco é bacaninha. Pop no sentido de atrair o público mais jovem e que não tem contatos com a obra de Tom, podem se render ainda mais à carreira de ambos os artistas.

O maior acerto do trabalho é mesmo a produção de Kassin. Aparentando uma busca de rejuvenescimento de canções tão famosas e pertencentes ao imaginário coletivo do brasileiro, as soluções do produtor em momento algum descaracterizam o cancioneiro de Jobim. Ao contrário, ajudam a dar uma cara jovem e atualizada a estes clássicos. Eumir também acerta em muito na atmosfera reverente dos arranjos, principalmente os de cordas. O problema é mesmo a Vanessa cantora.

Ainda que a matogrossense tenha bons momentos nas interpretações de Caminhos Cruzados (Jobim / Custódio Mesquita), música que abre o cd, Chovendo na Roseira (Tom Jobim), Só Danço Samba (Jobim / Vinícius de Moraes) e Este seu Olhar (Tom Jobim), o tom que domina o trabalho é estridente demais, alto demais. Muito pouco à vontade na ambientação de temas que exigem um pouco mais que apenas afinação (não, Vanessa não desafina no cd), o descompasso atinge seu auge em Dindi (Jobim / Aloysio de Oliveira), quase gritada a cada final de frase, e, principalmente, em Por Causa de Você, densa parceria de Jobim com Dolores Duran, que na voz de Vanessa soa rasteira, sem pingo de originalidade ou inspiração. Dindi, aliás, só consigo ouvir, atualmente, na voz de Virgínia Rosa no belo disco Voz & Piano (2010 / Lua Discos / 24,99) com o pianista Geraldo Flach.

A média de Vanessa da Mata Canta Tom Jobim fica num patamar bem aquém de outros tantos tributos outrora dedicados a Tom Jobim. Em que pese a boa produção de Kassin, o cd derrapa na superficialidade e na pouca intimidade da cantora com a obra do maior maestro brasileiro. Mas o disco é bonzinho.


Vanessa da Mata Canta Tom Jobim / Vanessa da Mata
Nota 7

Marcelo Teixeira

 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Iaiá - de Mônica Salmaso


Ótimo disco, ótima cantora
O nome do disco e a homenagem a Clementina de Jesus logo na faixa de abertura dão as primeiras pistas da brasilidade de iaiá, CD da cantora paulista Mônica Salmaso. Nele, o timbre docemente grave e cheio de personalidade da intérprete assinala musicalmente uma identidade brasileira sem deixar de ser universal. Essa busca se confirma no interesse de Mônica pelas pessoas de seu país, cantando a religiosidade e o humor, a poesia e a sobrevivência e isso acontece desde o CD Trampolim, que a persegue no seu jeito de falar do Brasil. Mônica Salmaso volta a ter como grande companhia de seu trabalho a liberdade musica em iaiá. E a canção em si já dimensiona o aspecto universal do CD, que marca a sua estréia na gravadora Biscoito Fino em grande estilo. As reflexões tornam ainda mais compreensíveis o encontro entre o simples e o complexo no conteúdo de iaiá, que dialoga com variadas vertentes da MPB, do samba de gafieira Cidade lagoa (Sebastião Fonseca/Cícero Nunes) às experimentações de Tom Zé em Menina amanhã de manhã (parceria com Perna). O resultado desta última, no olhar do crítico entusiasmado que vos escreve da intérprete, ficou cheio de alegrias, de saudades e de Brasis.

 

Do embalo puxado para o maxixe de Doce na feira (Jair do Cavaquinho/Altair Costa) ao samba choro Cabrochinha (Paulo César Pinheiro/Maurício Carrilho), iaiá (2004 / Biscoito Fino / 26,99) tem consistência, sofisticação e espontaneidade. Boa parte da sonoridade do CD é fruto dos quatro anos em que Mônica Salmaso ficou sem gravar, caindo na estrada e fazendo shows com músicos de linguagens e universos bem diferentes. As faixas têm estrutura melódica e harmônica simples - como Estrela de Oxum (Rodolfo Stroeter e Joyce) e Moro na Roça (Xangô da Mangueira e Zagaia, tema folclórico popularizado por Clementina de Jesus) - e, ao mesmo tempo, experimenta canções mais complexas em sua estrutura. Dentre elas, a delicada Assum Branco (José Miguel Wisnik) e uma pérola de Chico Buarque chamada Sinhazinha (da trilha sonora do filme Para Viver um Grande Amor).

A riqueza do versátil time de compositores também chama atenção em iaiá, conciliando obras de diversos estilos e épocas, sem que o resultado se perca numa colcha de retalhos. Esse, aliás, foi o maior desafio para Mônica Salmaso e Rodolfo Stroeter, produtor e co-diretor musical do disco. Um clima de final de tarde, de depois da chuva, ambienta sua interpretação para a faixa Onde Ir, composta por Vanessa da Mata. E após ter selado a paixão pela obra de Dorival Caymmi nos discos Trampolim (1998) e Voadeira (1999), Mônica canta, desta vez, É Doce Morrer no Mar, clássico do compositor baiano. Reafirma também a sua admiração por Tom Jobim e Vinicius de Moraes (Por Toda a Minha Vida). A saudação a Sílvio Caldas fecha o disco com chave de ouro no ótimo partido alto Na Aldeia (gravado por Sílvio na década de 30), com participação especial de Teresa Cristina.

Vale a pena conferir.

 

Iaiá / Mônica Salmaso

Nota 10

Marcelo Teixeira

terça-feira, 11 de junho de 2013

A beleza de Vanessa da Mata em seu disco de estreia

O melhor disco de Vanessa
A primeira imagem que vem é de Marisa Monte. Para quem não está habituado com a sonoridade do primeiro disco de Vanessa da Mata, estranhará a sua voz logo no primeiro som. Vanessa da Mata não esconde em seu CD de estreia os vários pontos de semelhança com a colega mais velha. Parte dos mesmos princípios de Marisa, da compositora razoável/boa cantora/artista decidida. Para dar o salto próprio, chega em parte contaminada, como também acontecera com Marisa no final dos anos 80. Parece já haver gente à beça a seu redor. Levada pela multidão, ela já chegou ultrapassando as origens próprias, que poderiam colocá-la entre a aguda timidez mato-grossense de Tetê Espíndola e a audácia pop cosmopolita de Marisa Monte. Cercada de novas influências, viaja também ao suingue de Jorge Ben (em Não Me Deixe Só e Viagem), ao samba estilizado em pop (Alegria, de Assis Valente), às orquestrações caetânicas de Jaques Morelenbaum.

Interiorana cosmopolita, abriga esse furacão de referências nos caracóis dos enormes cabelos revoltos. Mirando talvez alvos populares, vem embalada em uma capa deliciosa de disco, que faz pensar em Clara Nunes, cantora que a própria Vanessa adora e se inspira. Mas o que ela é? Quem é Vanessa da Mata para uma época em que não havia cantoras com tanta determinação e ousadia e, por que não, diferenciada? Ainda não era possível saber, não no primeiro disco lançado em 2002,  pois a neblina era intensa. Mas em Vanessa da Mata (hoje disco raro) já vem a primeiro plano um esforço pautado pela palavra que a moça mais repete ao longo das canções: delicadeza. Sua voz, sempre afinada, é frágil, chegando a permitir que seu primeiro grito de guerra (Não Me Deixe Só) seja uma doce confissão de insegurança e ousadia.
O ano de 2002 era da Vanessa da Mata. Tem gente que, além de esforço pessoal, tem uma baita estrela que a acompanha. Mesmo assim, tem trajetória maior e melhor que muita gente que tem mais de um trabalho registrado em disco. Maria Bethânia já gravou música sua A força que nunca seca, dela e Chico César e para ganhar ainda mais prestígio, virou nome de CD da cantora baiana. Vanessa também cantou ao lado de Bethânia e de Caetano Veloso e Milton Nascimento a conheceu num jantar em São Paulo. Ouviu suas músicas e, na primeira oportunidade, quando apresentava o show Crooner na capital paulista, convidou-a para uma participação ao seu lado. Tem mais: Vanessa já se apresentou com Baden Powell e Daniela Mercury, que também gravou música sua. Tem parcerias com Lokua Kanza e Ana Carolina, além de Chico César.
Confessar-se frágil torna-se elemento constituinte de sua crença na delicadeza. E daí nasceria (será?), a força que nunca seca que revela e conduzira Vanessa para um todo além do horizonte. Na voz quente, não há insegurança. Por trás do pandemônio, há personalidade. Vanessa conseguiu, já ao fim do disco, após ouvir com exatidão, voar de vez para longe das comparações com Marisa Monte e se tornou uma das maiores cantoras do Brasil, alcançando, inclusive, o 2º lugar na categoria das 30 Maiores Cantoras do Brasil de todos os tempos.

Vanessa da Mata – Vanessa da Mata
Nota 10
Marcelo Teixeira

terça-feira, 9 de abril de 2013

Agenda Mais Cultura: De Tom a Tim, show de Nathália Lima em Brasília


 

Bela voz, belo som
Nathália Lima é uma das cantoras brasilienses com grande qualificação artística, voz sedutora, categoria digna do status que merece receber e consegue nos hipnotizar do início ao fim de uma canção. Recentemente gravou Elas Cantam Menescal, ao lado de Márcia Tauil, Sandra Duailibe e Cely Curado, tendo a participação do anfitrião, Roberto Menescal em praticamente todas as faixas. Nathália canta brilhantemente e agora os brasilienses, que já a conhecem, podem reverenciar a cantora mais uma vez. O Agenda Mais Cultura tem a honra de divulgar o mais novo show da cantora, De Tom a Tim, que, assim como a cantora sugere, é uma viagem musical.

O Show De Tom a Tim será uma viagem pela MPB e Pop Nacional. São destaques do repertório canções de: Tom Jobim, Chico Buarque, Dorival Caymmi, Djavan, Vanessa da Mata, Adriana Calcanhotto, Marisa Monte, Zé Ramalho, Tim Maia e muito mais.

Se você está indo à Brasília ou está de passagem pela cidade, nada melhor do que assistir a um bom show, acompanhado de uma boa voz, com um show intimamente brasileiro.

É nesta quinta!

 

Voz: Nathália Lima

Violão: Hugo Coêlho

Percussão: Jorge Macarrão

 

Local: 11.04 no Nosso Mar (115 Norte) Brasília

Horário: 21:30

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Aonde está a Real Fantasia de Ivete Sangalo?


O álbum: horrível
O sétimo álbum da cantora Ivete Sangalo vem com algumas novidades que somente os fãs mais ardorosos poderão adicionar ao poderio de sua longa estrada. O disco tem uma capa sensacional, uma cor vermelha de um vestido esfuziante (por vezes penso que estou vendo a capa do disco Sim, de Vanessa da Mata, de um outro ângulo) e uma longa trança que vai até perto de seus pés, deixando a vista o tamanho da grandeza da cantora baiana. Mas para por ai. O disco só tem a capa bonita. Mais nada. Nada mesmo. O disco é um dos piores produzidos pela cantora, que já teve músicas mais dançantes e mais românticas e já teve também uma roupagem mais moderna. O que me impressiona neste novo disco é a capacidade de fazer música esdruxula para um final de ano repleto de novidades que ainda virão por ai. O disco Real Fantasia, lançado em outubro de 2012, trás o pior de Ivete Sangalo, com musiquinhas reles e sem sentido, com uma mistura de sons e ritmos, que por vezes penso que estou numa escola de samba, num funk, em Cuba. Ivete aproveitou todos os estilos que poderiam ser dançantes e canta músicas horríveis.

Que Ivete é uma das maiores cantoras deste país, ninguém pode duvidar disso. Ainda mais quando cede entrevistas, a cantora fica ainda mais bem representada, pois ela demonstra toda a sua sensibilidade para com o próximo, o carinho aos seus fãs, a sua banda, ao entrevistador. Mas o que acontece com Real Fantasia mais parece uma fantasia: o disco me parece que foi prontamente pensando para ganhar dinheiro no final de ano e com isso, quem perde a credibilidade é a própria Ivete, que se manteve atenta a fazer um dos piores discos de sua carreira.

A cilada a qual Ivete caiu ao lançar Real Fantasia é tamanha, que meses depois de lançar o disco, o mesmo ainda não obteve resultados satisfatórios perante a gravadora. As músicas são fracas e acabo ficando envergonhado em ver Ivete dançando ao som de pérolas como Dançando, Balançando Diferente, Delira na Guajira. A única música detentora de bons elogios é a que fecha o disco, Eu Nunca Amei Alguém Como Eu Te Amei, cujo os versos são de uma poesia profunda e acalentadora.

Mas Real Fantasia, no mais, é um dos piores lixos produzidos pela musa baiana, Ivete Sangalo.

 

Faixas

01. "Veja o Sol e a Lua"

02. "No Brilho Desse Olhar"

03. "Balançando Diferente"

04. "Dançando"

05. "Só Nós Dois"

06. "Só Num Sonho"

07. "Delira Na Guajira"

08. "Real Fantasia"

09. "Puxa Puxa"

10. "No Meio do Povão" - com citação de "Depois Que o IIê Passar"

11. "Essa Distância"

12. "Isso Não Se Faz"

13. "Me Leve Embora"

14. "Eu Nunca Amei Alguém Como Te Amei"

 

Real Fantasia / Ivete Sangalo

Nota 3

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Sim, o disco vermelho de Vanessa da Mata


Um dos melhores discos de Vanessa
Alcançando o segundo lugar na lista das vinte melhores cantoras dos últimos 10 anos na MPB, Vanessa da Mata conseguiu uma proeza e tanto em sua brilhante carreira ao lançar Sim, um disco maravilhoso e sensacional. Sim, o disco vermelho de Vanessa da Mata é um disco feminino. Começando pela capa, com aquela manta que parece uma mancha de esmalte sobre a areia, e que voa quando abrimos o encarte. Sua voz é bonita e cristalina, num balanço na medida entre a delicadeza e a braveza. Um pêndulo que só existe dentro de uma mulher. Vanessa da Mata constrói um disco de sensações e sentimentos, que poderiam ser contados e cantados em grandes clichês, mas não, ela captura a magia do simples e o transforma em leveza. Deixa escorrer o desejo. Seu disco tem um encaixe redondo, os fios se encontram numa poesia tranquila sem grandes surpresas no caminho. Talvez a surpresa esteja aí, nesse rio que corre manso. Seus sons são bons de ouvir, tem algo nisso tudo de misterioso, de atraente.

Vermelho abre num crescente, com uma voz que vem de longe e vai chegando pertinho. Lânguida face. Os sons se misturam com barulhos de bolhas explodindo. Vermelho é o sangue: o quente que arde, o quente que queima, o calor que pede o aconchego, mas que traz o vazio, que deixa a alma na solidão. E a voz vai como veio, desaparecendo, sumindo, enquanto o mundo roda em vão. Fugiu com a novela é um charme! Gostosa até de ouvir com esse som de triângulo, com essa percussão melindrosa. Gosto muito da inversão de papéis: Vanessa da Mata canta um homem que reclama a perda de sua mulher para a novela das oito e bem agora que o caso estava no tom! Perfeito! Esse homem que parece mais um gato, que gostava de ser alisado, que contava piada e ela gargalhava, foi abandonado. A letra é uma crônica conhecida e capta justamente um lapso: o vão entre os dois lados de um mesmo homem – o que acariciava e às vezes nem tanto. Com graça e sem alarde, Vanessa toma da voz masculina para dar o recado: A vida era boa ela não reclamava/ Agora vive longe, não sei mais nada/ Fugiu da nossa casa com a televisão.

Baú é o lado do pêndulo bravo da estória. Num ritmo mais rápido, com um órgão que traz uma sonoridade ácida à música, Vanessa numa imagem linda de morrer, quer jogar o moço no seu baú vivo e mágico, cheio de desenhos herméticos, livrinhos de receita e palavras de Dalai Lama. Está louca pra transformar seu sapo em príncipe. É bem aquela coisa de mulher, que vai dando nos nervos… Mas claro, a estória poderia ser cantada ao contrário. Essa música é meio como búzios quando jogados na mesa, é tudo uma questão de encaixe, de interpretação.

Boa Sorte/ Good Luck é um encontro de dois tecidos transparentes. Gosto muito. Acho super legal essa ideia de sobrepor a mesma ideia em duas línguas diferentes: como se a tradução não fosse possível quando estamos falando de sentimento, então temos a necessidade das duas vozes. Estamos aqui falando da riqueza das línguas, como se fosse um concentrado de cultura e um código que tenta colocar pra fora tudo isso. Cada língua com suas nuances, com suas palavras ora mais carregadas, ora menos, e, como se tivessem vidas próprias, elas conversam entre si, e a música é só um pretexto onde todas essas ideias deslizam. E o Ben Harper é um parceiro mais que perfeito! Ele, na sua bagagem musical, esbanja liberdade, encontros e poesia.

Os dedos percorrem os pretos e os brancos do piano que abre Amado e com a voz mais doce do mundo, Vanessa da Mata mata já de cara: Fico desejando nós gastando o mar/ Pôr-do-sol, postal, mais ninguém. Em Amado, onde até a sonoridade respira e transpira num movimento único, Vanessa da Mata canta um amor livre: no mesmo espaço onde lá fora passa o tempo sem você, é o espaço sim, onde tudo pode acontecer. Sem prisão.

Pirraça é uma música visual e a única coisa que me vem à cabeça nessa música é esse monte de doces brilhantes e deliciosos. Em Você vai me destruir, Vanessa da Mata canta o que a gente também sente: o nó no peito do fim do amor. O som é dançante, feito mesmo para disfarçar a raiva, todo o desdém. A fúria dessa música também é bem feminina: a fúria que se mistura com a vontade de perdoar, de esquecer e de continuar amando com a potência do amor envolvente, aquele mesmo, aquele que te come, aquele cheio de contradição.

 

 E se é gostoso, por que não?

Se é bem bom pro coração

A gente vai pra ser feliz

Viva, tenha

Trecho de Quando um homem tem uma mangueira no quintal, de Vanessa

 

Ilegais é a minha música favorita! É malandrinha, com balanço, com malícia. Os vocais são discretos como devem ser, o eletrônico no fundo dando o tom, o trombone que aparece de curioso, enche um espaço e faz bonito, Vanessa da Mata funde tudo isso muito bem com sua letra dengosa. Uma música gostosa, com um nome sensacional. Nada mais sugestivo. Me entrego total e acho uma verdadeira delícia a velocidade de Quando um homem tem uma mangueira no quintal. Uma música cheia de duplos sentidos, sem vergonha, cheia de siricotico e aventura. Essa música tem uma graça incrível, ela é toda livre, como numa trança solta, uma gostosura.

Fico viajando nesse quintal: com grama verde e com uns pedaços ainda com terra. Terra às vezes molhada pela água da mangueira. Um lugar pra poder brincar de amar, sem pensar no amanhã, aproveitar a tarde vazia.

É uma homenagem ao tempo livre, ao tempo vazio, ao deixar-se sair do sério.

 

Sim / Vanessa da Mata

Nota 10

Marcelo Teixeira

 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O ótimo disco Pirata, de Maria Bethânia


A cantora Maria Bethânia
Entre os quatro baianos tropicalistas mais próximos (isto é, estou excluindo o Tom Zé), Maria Bethânia é sem dúvida a artista mais diferente. Talvez por isso até hoje ela seja menos popular que os outros três, e seja tão difícil encontrar um fã ardoroso seu. Tanto Caetano, quanto Gil e Gal já gravaram discos cafonas ou músicas bregas, mas o campeão ainda é o irmão da Bethânia, mas mesmo assim, nenhum dos três são pejorativos na sua arte. Com direção musical do violonista Jaime Alem, que se encarrega das cordas no disco, Pirata é um disco dedicado às águas, mais precisamente do mar e dos rios. Como de costume, Bethânia intercala poemas e/ou trechos de poemas com canções que evocam estes temas. História pra Sinhozinho de Dorival Caymmi é a primeira canção do disco, seguida por O Tempo e o Rio de Edu Lobo e Capinam. Nas duas a ênfase é na voz e interpretação de Bethânia, com o arranjo mínimo, acompanhada só ao violão. Todo cais é uma saudade de pedra, declama a cantora antes de cantar os Argonautas do irmão Caetano. Apesar de regravação, a canção é obrigatória devido à temática do disco: Navegar é preciso / Viver não é preciso. Se preciso aqui vem do verbo precisar indicando necessidade ou do substantivo precisão que denotada certeza, talvez já tenha sido até esclarecido pelo autor, mas a dúvida torna a canção ainda mais bela. O arranjo com violão, baixo acústico e bandolim dá um belíssimo ar de fado, música típica de Portugal.

Bethânia declama Perto de muita água tudo é feliz antes de Santo Amaro, samba em homenagem à terra natal. Aqui fica claro o cuidado na produção do disco, essas quatro músicas em sequência dão um crescente de ritmo, de pique no disco. Depois vem a minha favorita, De Papo pro Ar. Clássico da música caipira (caipira mesmo!) acompanhada na viola por Jaime Alem, conta a vida boa do caipira que vive do rio da caridade alheia e não se incomoda com nada. Ou melhor, quase nada: Quando no terreiro faz noite de luar / E vem a saudade me atormentar / Eu me vingo dela, tocando viola de papo pro ar.

Fui quase injusto acima, pois Sereia de Água Doce é outra das músicas lindíssimas deste disco. Samba de autoria de Vanessa da Mata, mostra a sintonia de Bethânia com a novíssima geração de compositores, fazendo uma sutil e muito bem dosada mescla com canções da velha guarda. Eu que Não Sei Quase Nada do Mar tem uma levada meio espanhola e também é da nova safra. Passando (bem) longe da minha lista de compositores favoritos, Ana Carolina e Jorge Vercilo assinam esta belíssima canção que parece sob medida para a sensual voz de Bethânia, como exige a letra carregada de erotismo. O arranjo traz um dos raros momentos orquestrais do disco. Segue A Saudade Mata a Gente, outro clássico de João de Barro e Antônio Almeida, desacelerando um pouco o bpm depois das duas anteriores, mais uma vez com arranjo bem suave centrado em violão em voz. De Antônio Almeida, Serenô segue na toada da canção anterior, mas um pouco mais bonita.

Segue o samba com batida de candomblé Memória das Águas e depois com Águas de Cachoeira de Jovelina Pérola Negra, samba de terreiro com cavaquinho e acompanhamento de palmas. Jaime Alem agrega várias Cantigas Populares, na faixa que leva o mesmo nome. Ainda que misture melodias distintas nos versos tirados de diferentes cantigas, a música apresenta uma unidade surpreendente. Bethânia declama Antônio Vieira e termina com A Coroa: voz solo, acompanhada no finalzinho por tambores e coral, tudo agregado com se fosse uma só canção. Onde Eu Nasci Passa Um Rio é outra da safra antiga de Caetano e essa aqui é a interpretação definitiva de uma canção pouco conhecida da obra do baiano. O arranjo, mais uma vez se destaca, só violão, voz e cello, conferindo a esta bela canção o tratamento que ela merece. O verso o rio da minha terra deságua em meu coração é de arrepiar. Francisco, Francisco é uma bela canção em homenagem ao velho Chico, e o disco termina de maneira bastante pessoal com Meu Divino São José.



Pirata / Maria Bethânia

Nota 10                  

Marcelo Teixeira


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Segundo lugar: Marcelo Jeneci - Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos




Marcelo Jeneci: segundo lugar
Filho de pernambucanos, o paulista Marcelo Jeneci se criou rodeado por sanfonas no bairro de Guaianases, um dos redutos nordestinos de São Paulo. Seu pai, Manoel, ganhava a vida consertando acordeões e não perdia a oportunidade de exibir à clientela os dotes do menino, que desde cedo dedilhava o instrumento. Muitas das feras que passavam pela casa da família - em geral, ases do forró, como Dominguinhos - davam uma dica ou outra para o aspirante a músico profissional. Mas o sonho de Manoel não era ver o filho tocando gêneros regionais. Ele queria mesmo é que Jeneci virasse pianista de jazz - e daqueles bem virtuosos.

Hoje, Marcelo Jeneci se tornou uma das principais promessas da música brasileira, elogiado por colegas e jornalistas. Se não seguiu o caminho do jazz, tampouco abraçou os ritmos nordestinos ou o sertanejo. As baladas e os rocks que o cantor e compositor produz têm inspiração essencialmente urbana. No circuito alternativo paulistano, vários artistas de sua geração apostam que ele em breve conquistará as massas sem perder o aval da crítica. Vale dizer que, embora também seja pianista, Jeneci continua fiel à sanfona. Só que o instrumento se insere em seu trabalho da mesma maneira que no pop da mexicana Julieta Venegas, do francês Yann Tiersen e do grupo canadense Arcade Fire.

O primeiro disco: belo, simples e ótimo
A rotina do filho de Manoel começou a mudar quando o acordeonista Toninho Ferragutti lhe avisou que o cantor Chico César estava saindo em turnê e precisava de um sanfoneiro que tocasse piano. Após uma semana de treino intenso, o adolescente de 17 anos se apresentou, carregando uma sanfona presenteada por Dominguinhos, e ganhou a vaga. Em seguida, passou a acompanhar um mundaréu de gente: Elza Soares, Arnaldo Antunes, Vanessa da Mata. Foi com a ajuda de Vanessa, aliás, que concluiu sua primeira composição, Amado. A estreia não poderia ter sido mais feliz. Na voz da intérprete, a canção emplacou em A Favorita, novela da Globo, e ainda faturou o Prêmio Multishow de 2009 na categoria melhor música. Longe, outra criação dele, dessa vez com Arnaldo Antunes e Betão Aguiar, acabou entrando na novela Paraíso, também da emissora carioca, mas na voz de Leonardo.

O primeiro disco de Jeneci, Feito pra Acabar, chegou às lojas justamente pelo Slap, selo da Som Livre, o braço fonográfico das Organizações Globo. Produzido por Kassin, com arranjos de cordas de Arthur Verocai e participações de Curumin e Edgard Scandurra, Feito pra Acabar tem vários hits em potencial, como Pra Sonhar e Copo D'água. Guilherme Arantes, uma grande referência para Jeneci, ouviu o álbum e ficou encantado com o resultado. Amigo de Tulipa Ruiz e Marina Wisnik, Marcelo Jeneci é o destaque da segunda colocação na lista dos 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos do Mais Cultura!, posição de pleno respeito e credibilidade.



Segundo Lugar: Marcelo Jeneci

Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos



Marcelo Teixeira