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domingo, 7 de janeiro de 2018

Discos para esquecer: Ana Vilela e seu Trem-Bala (2017)

Vilela e um disco morto
Considerada por dez entre dez pessoas como sendo a cantora do ano de 2017 e por três entre dez pelos críticos de música como uma cantora nonsense no cenário popular brasileiro, a cantora e compositora Ana Vilela surgiu do mundo da mídia esporádica (aquela que te levanta a moral, mas logo te trás para o planeta Terra) e foi alçada ao mundo do showbizz da mesma forma como uma Elis Regina ou Gal Costa surgiram na década de 1960 com seus estilos competentes e dotes artísticos. Mas há uma diferença gritante e relevante nessa minha comparação pífia: Elis e Gal batalharam para serem reconhecidas como cantoras profissionais e utilizaram a voz para mostrar algum talento (coisa que até hoje, no século 21, ambas conseguem ter), enquanto que Ana precisou das mídias para se autopromover. Há algo de errado nisso? Obviamente que não, mas se levarmos em conta que Elis e Gal não eram compositoras e que ralaram muito para provar algum talento, disso ninguém pode duvidar. O mundo de hoje é formado por bestas digitais (Umberto Eco poderia nos explicar isso melhor) e com tantas coisas correndo contra o relógio, eis que as gravadoras não estão mais se importando com aquilo que é vindo da internet. Algumas poucas cantoras surgiram dali e dali estão voltando para o esquecimento, enquanto outras, verdadeiramente genuínos no seu perfil de cantoras e cantores, batalharam por uma gravadora que lhes dessem suporte artísticos para poder mostrar um pouco de suas músicas e qualidades. Ainda que algumas cantoras surgissem de gravadoras, como os casos de Ana Carolina, Maria Gadú ou Maria Rita, as mesmas se encontram sumidas da grande mídia, sem discos lançados ou, quando lançados, quase ninguém presta atenção. Ana Vilela está nesse nicho chamado famosidades instantâneas, que logo voltará de onde saiu: a internet. Se sua música Trem-Bala foi uma apoteose no ano passado, com participação até de Luan Santana, seu disco passou desapercebido pelo grande público, mesmo com a famosa música O Leãozinho, composta por Caetano Veloso para o disco Bicho (1977). Muitos sequer sabiam que ela tinha lançado um álbum com treze faixas. Outros nem sabiam que Ana Vilela era a detentora da canção Trem-Bala. O disco nasceu morto, ficou morto e morreu sem enterrar, porque assim é a mídia do caos, como diz na canção do cantor mineiro Luiz Marques (2009) e que acaba sendo um manifesto contra a mídia especializada em notícias ruins e nas pessoas que insistem em ficar atentas, antenadas, sublinhadas neste caos chamado internet, mídia digital e afins. A música de Luiz Marques se iguala com a música Senhas, de Adriana Calcanhotto (1992) em que diz eu não gosto do bom gosto. Ana fez muitas pessoas chorarem pelos cantos do país, mas e o resto do disco, por que ninguém comenta suas outras canções? Por que a mesma mídia que a elencou não mostra as outras faixas? A resposta é simples: não há o que escutar. Trem-Bala (2017 / 22,99) já é o suficiente para que Ana Vilela nos sufoque com suas músicas de uma única estação. Mas há uma boa notícia nisso tudo: Ana Vilela fala de amor e de igualdade em suas músicas e mesmo que Trem-Bala seja uma falácia contra o moralismo radicalizado nas pessoas, a canção passa um ar de mentira, de ilusão, de sonhos inexistentes ao mundo atual e, com isso, retornemos à Mídia do Caos de Luiz Marques e as Senhas, de Adriana Calcanhotto, que são mais verdadeiras que a música blasé de Ana Vilela.


Discos para esquecer: Ana Vilela e seu Trem-Bala
Por Marcelo Teixeira

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Marília Mendonça e a retratação infiel do sertanejo brasileiro


O estranho, o sertanejo e a Marília
Nem tudo aquilo que reluz é ouro e nem tudo aquilo que é meramente repentino é sensacional. Muitas vezes aquilo que é novo passa a ser algo supérfluo e aquilo que não é escutado com cautela com o tempo nos revela ser uma grande obra prima. Pode acontecer também de surgir do nada uma nova voz e acharmos que trata-se de uma voz poderosa e que marcará gerações, mas também pode ocorrer dessa mesma voz ir se desmanchando com o tempo, ficando irresistívelmente cansativo e atemporal. Poderia eu ficar aqui destilando mil e uma formatações de vozes e estilos, assim como eu poderia ir direto à chave central deste artigo: em 2016 o Brasil viu surgir uma nova voz sertaneja que eclodiu pelos quatro cantos do país como sendo uma revelação musical dita da melhor qualidade, do melhor estilo e do melhor momento. Evidentemente que Marília Mendonça não é uma voz carismática, Marília Mendonça não é um talento aprazível, Marília Mendonça não é uma grande revelação da música sertaneja, Marília Mendonça não é nada, a não ser uma cantora que acha que é cantora, que não tem postura alguma de cantora, que não canta absolutamente nada de novo e que não vai ser nada de nada. Com uma voz que nos remete à Ana Carolina (apenas uma comparação de vozes, não querendo rebaixar em hipótese alguma a cantora Ana Carolina), Marília Mendonça surgiu em um momento em que o estilo sertanejo pedia. Enquanto Anitta briga com Ludmilla um espaço vanglorioso dentro de seus estilos pop urbano, Sandy, Manu Gavassi e Wanessa duelaram um espaço entre o público jovem e pré adolescente, Ivete Sangalo e Claudia Leite foram assistidas de camarote por Daniela Mercury para ver quem é a mais legítima baiana e Luan Santana agora encontrou em Tiago Iorc um desafio irrecusável, Marília Mendonça foi fabricada às pressas para duelar diretamente com a desamparada Paula Fernandes. Óbvio que o brilho das duas sertanejas se sobrecaem repentinamente em um emaranhado de superficialidades musicais e estéticamente falando, mas o fato é que Marília não se comporta como cantora e nunca será dita de ser uma a altura das grandes divas sertanejas, como Inezita Barroso ou As Irmãs Galvão. Falta-lhe coro, falta-lhe estima, falta-se discernimento acentuado de mulher, falta-lhe estilo, falta-lhe carisma, falta-lhe tantos adjetivos que não me atrevo mais a continuar. Com uma brega música ridícula que gruda na mente, a neo-cantora parece que engoliu um balão de oxigênio e flutua nos palcos como se fosse balão inflamado. Caracteristicamente, sua voz não agrada, seu sorriso é forçado, suas vestes não se adequam e sua tez é de uma pessoa mundana, meramente comercial, nada cultural. Infelizmente o Brasil carece de cultura e, mesmo tendo que respeitar diversas delas, somos obrigados a aceitar Marília Mendonça dentro dessa parte globalizada. Sendo a nossa Adelle suburbana, Marília Mendonça consegue ser o fundo do poço que assolou o mundo sertanejo com vozes femininas depois de Paula Fernandes e nesse estilo quem se salva é Bruna Viola, que é a típica cantora regional com prestígio e determinação musical invejável.O que me dói como ser humano é ver diversas mulheres se passando por Marília Mendonça retratada em suas músicas. Uma pena que isso aconteça, pois enquanto mulheres se sentem traídas e infiéis, mais o mundo globalizado perde seus direitos éticos e morais.

 
Marília Mendonça e a retratação infiel do sertanejo brasileiro
Por Marcelo Teixeira

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A nova (e triunfal) Ana Carolina


Ana: volta por cima em novo disco
Fazia tempo que eu não escrevia sobre Ana Carolina. Aliás, desde quando comecei a escrever para este blog eu não fiz outra coisa senão criticar Ana Carolina. A cantora surgiu como uma das grandes revelações dentro da MPB, cantando de Chico Buarque a Djavan e até regravações de Gal Costa, dando a entender que a MPB estava salva, mas que logo após seu terceiro disco tudo isso mudara e Ana Carolina se renderia ao pop confuso e paralelo da periférica cidade sem dono que assola o Brasil com suas diretrizes mal intencionadas. Mas depois de tanto tempo, Ana volta radiante em um disco de ineditas desde 2009 e volta triunfal para o cenário da música popular brasileira como uma das grandes cantoras deste país. Com uma excelente capa (uma das mais criativas de sua carreira e uma das mais bonitas dentro da MPB), Ana Carolina voltou a ser uma cantora de verdade, de nome e sobrenome e voltou a ser... Ana Carolina. Saindo da rotina de quase uma década de sucessos precários e desnecessários, Ana Carolina mergulhou inteiramente no pop e na velha e boa MPB em seu novo disco #AC (2013 / 29,99 / Armazém). A cantora solta seu vozeirão característico em cima de uma programação eletrônica com percussão e manda bem em quase todas as faixas. Ainda assim, mesmo passando por sons diferentes dos habituais, Ana Carolina realmente se sente mais a vontade em seu novo disco, sendo ela mesma. Mesmo sendo uma das principais artistas da atualidade, Ana Carolina fez de seu sexto disco um dos melhores de 2013 em 14 anos de carreira e o trabalho tem parcerias com nomes de peso, como o mestre Guinga, criador da música Leveza de Valsa, Edu Krieger (que desta vez rouba o lugar de Antonio Villeroy e abocanha cinco faixas no álbum) e as participações de Moreno Veloso e Carlos Rennó. Produzido pelo competente Alê Siqueira e pela própria Ana, o disco temporiza temas contemporâneos, dividindo atenção com artistas renomados no mundo musical. Chico Buarque, o culpado pela formação musical de Ana Carolina, está presente e faz uma bela participação na música Resposta da Rita, cujo foi gravada na década de 1960 por Nara Leão e deixando uma vigorosa Ana Carolina restabelecida dentro da música popular brasileira com um disco a altura de seu talento.

 

#AC (2013) / Ana Carolina
Nota 8
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A decepção de Maria Gadú em Nós


O disco: sem novidades
Mais uma vez, Maria Gadú nos engana com seu disquinho mesquinho e sem grandes pretensões. Lançando Nós (2013 / Slap / 24,99), o CD é uma compilação de músicas gravadas em duetos com outros cantores em discos de terceiros e com qualidades superficiais (como anda ocorrendo vez por outra na carreira da jovem cantora). Maria Gadú foi lançada ao mercado fonográfico em 2009, trazendo um ótimo (mas cansativo) disco de estreia, cujo trazia releituras de Chico Buarque (mais tarde ela se renderia ao baiano Caetano Veloso) e uma canção capenga de Kelly Key. O disco de estreia era sensacional e hoje é apenas mais um disquinho qualquer guardado no fundo do baú e que só nos lembramos quando vamos limpar o ambiente. Mesmo assim, ouvir Maria Gadú está sendo uma das tarefas mais ordinárias no momento. Primeiro porque ela lança discos sensacionais, mas que cansam devido a sua voz ser estardalhada demais, cansativa demais, oriunda demais.  Segundo porque Maria Gadú se infiltrou no caminho de Ana Carolina, cantora mineira que arregaça qualquer tímpano sincero de boa musicalidade e terceiro porque Maria Gadú se sentiu estrela antes de ser estrela e com isso a sua estrela se apagou.

Não posso ser tão ignorante ao ponto de dizer que Maria Gadú é uma cantora em ascenção quando lança qualquer disco. O de estreia, como eu disse, é uma maravilhada quando ouvida duas ou três vezes no máximo. Em seguida vem o Multishow Ao Vivo, cujo reúne sucessos originários que não é preciso ser dito, para logo depois surgir o encontro de Maria Gadú com Caetano Veloso, a qual eu chamo de o encontro entre o velho e o novo, na qual o velho ainda predomina o que é novo. Mais Uma Palavra é um disco que, segundo a minha opinião, é melhor que o primeiro. Sai Chico Buarque, entra mais uma vez Caetano Veloso e aparece um Lenine meio escondido ao lado de músicas espanholas e americanas. Gadú ainda está perdida no próprio caminho.

E Gadú é sempre assim: lança um disco de inéditos, depois emenda com um disco de sucessos. Para tanto, lança agora (previsto para o lançamento oficial a partir do dia 15 de agosto) o CD Nós, em que canta músicas gravadas em discos de outros cantores em formato de duetos. O disco não trás muitas novidades e passará despercebido, mesmo sendo anunciado pela grande mídia como o lançamento do ano.

Maria Gadú precisa aprender a ser Maria Gadú e ainda precisa crescer, pois sua fase de garota infanto juvenil que sabe tocar violão,  sabe cantar em francês e que não é igual à Manu Gavassi está longe de ser apagada. Ainda é rodeada por verdadeiros profissionais que não sabem aproveitar o talento da cantora, que insiste em se mostrar culta perante os fãs cantando Caetano e Chico numa forma horrenda. Para que isso aconteça de verdade, Maria Gadú precisa fazer um disco de verdade, a altura de sua estatura!

 

Nós / Maria Gadú

Nota 3

Marcelo Teixeira

terça-feira, 11 de junho de 2013

A beleza de Vanessa da Mata em seu disco de estreia

O melhor disco de Vanessa
A primeira imagem que vem é de Marisa Monte. Para quem não está habituado com a sonoridade do primeiro disco de Vanessa da Mata, estranhará a sua voz logo no primeiro som. Vanessa da Mata não esconde em seu CD de estreia os vários pontos de semelhança com a colega mais velha. Parte dos mesmos princípios de Marisa, da compositora razoável/boa cantora/artista decidida. Para dar o salto próprio, chega em parte contaminada, como também acontecera com Marisa no final dos anos 80. Parece já haver gente à beça a seu redor. Levada pela multidão, ela já chegou ultrapassando as origens próprias, que poderiam colocá-la entre a aguda timidez mato-grossense de Tetê Espíndola e a audácia pop cosmopolita de Marisa Monte. Cercada de novas influências, viaja também ao suingue de Jorge Ben (em Não Me Deixe Só e Viagem), ao samba estilizado em pop (Alegria, de Assis Valente), às orquestrações caetânicas de Jaques Morelenbaum.

Interiorana cosmopolita, abriga esse furacão de referências nos caracóis dos enormes cabelos revoltos. Mirando talvez alvos populares, vem embalada em uma capa deliciosa de disco, que faz pensar em Clara Nunes, cantora que a própria Vanessa adora e se inspira. Mas o que ela é? Quem é Vanessa da Mata para uma época em que não havia cantoras com tanta determinação e ousadia e, por que não, diferenciada? Ainda não era possível saber, não no primeiro disco lançado em 2002,  pois a neblina era intensa. Mas em Vanessa da Mata (hoje disco raro) já vem a primeiro plano um esforço pautado pela palavra que a moça mais repete ao longo das canções: delicadeza. Sua voz, sempre afinada, é frágil, chegando a permitir que seu primeiro grito de guerra (Não Me Deixe Só) seja uma doce confissão de insegurança e ousadia.
O ano de 2002 era da Vanessa da Mata. Tem gente que, além de esforço pessoal, tem uma baita estrela que a acompanha. Mesmo assim, tem trajetória maior e melhor que muita gente que tem mais de um trabalho registrado em disco. Maria Bethânia já gravou música sua A força que nunca seca, dela e Chico César e para ganhar ainda mais prestígio, virou nome de CD da cantora baiana. Vanessa também cantou ao lado de Bethânia e de Caetano Veloso e Milton Nascimento a conheceu num jantar em São Paulo. Ouviu suas músicas e, na primeira oportunidade, quando apresentava o show Crooner na capital paulista, convidou-a para uma participação ao seu lado. Tem mais: Vanessa já se apresentou com Baden Powell e Daniela Mercury, que também gravou música sua. Tem parcerias com Lokua Kanza e Ana Carolina, além de Chico César.
Confessar-se frágil torna-se elemento constituinte de sua crença na delicadeza. E daí nasceria (será?), a força que nunca seca que revela e conduzira Vanessa para um todo além do horizonte. Na voz quente, não há insegurança. Por trás do pandemônio, há personalidade. Vanessa conseguiu, já ao fim do disco, após ouvir com exatidão, voar de vez para longe das comparações com Marisa Monte e se tornou uma das maiores cantoras do Brasil, alcançando, inclusive, o 2º lugar na categoria das 30 Maiores Cantoras do Brasil de todos os tempos.

Vanessa da Mata – Vanessa da Mata
Nota 10
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O mediano (e cansativo) disco de estreia de Maria Gadú


O CD: cansativo às vezes
A estreia da paulista radicada no Rio de Janeiro Maria Gadú não poderia ser mais luxuosa. Era preciso conhecermos uma grande cantora, que estivesse antenada com o seu tempo, mas também relembrando sucessos antigos. Maria Gadú foi uma promessa que deu certo no primeiro disco, pois sua cultura musical era imensa e repleta de suspense, pois até então, ninguém sabia seus gostos prediletos. Com o tempo, descobriu-se que Caetano Veloso era seu cantor preferido, Ana Carolina se tornou a melhor amiga e Maria Gadú continuou trilhando seu universo musical brilhantemente. Seu primeiro CD, autointitulado e lançado pela Som Livre em 2009, tem apresentação belíssima, com direito a capa dura, encarte colorido com letras, informações e inúmeras fotos.

A embalagem é diferenciada, em formato digipack que sai do padrão, digno das grandes estrelas. Além disso, amúsica, Shimbalaiê, estava em trilha de novela global e, curiosamente, praticamente todas as faixas tocavam nas rádios de todo o Brasil, inclusive o grande sucesso francês Ne Me Quitte Pas, imortalizada na voz de Edith Piaf, já cantada por Cássia Eller e Maysa.

Gadú, cujo nome de batismo é Mayra, tem um bonito timbre vocal, sem sombra de dúvidas. Existe uma semelhança com o som de Marisa Monte, sim, e isso se ressalta devido à sonoridade que a moça segue, que tem muito a ver com o estilo MPB pop da autora da estrela carioca. O clima fica ainda mais próximo devido ao uso de músicos de estúdio de ótimo gabarito, mas que acabaram por ajudar o disco a soar meio pasteurizado, semelhante demais ao que se tem feito no que se rotulou de nova MPB, e que frequentemente cai em um clima redundante e soporífero demais.

Oito das treze faixas incluídas em Maria Gadú, o CD, são de autoria da própria, e ela se mostra ainda em busca de uma assinatura própria, com repetição de frases melódicas e letras que investem mais em forma do que em conteúdo. Nas releituras, mostra-se mais à vontade, mas pouco acrescenta a clássicos como Ne Me Quitte Pas (de Jacques Brel) e A História de Lilly Braun (de Chico Buarque e Edu Lobo) em relação a gravações de outros artistas. O pior momento é a faixa que encerra o disco. Gadú tenta dar a Baba, aquela mesma de Kelly Key, um clima acústico descolado, e só consegue evidenciar o quanto essa música é fraca.

Muita gente deve ter ouvido Shimbalaiê (e depois se cansar com ela) e achado se tratar de uma nova de Marisa Monte, devido a sonoridade. Teve pessoas que juravam que a letra era de Marisa, assim como achavam que Altar Particular, um samba cadenciado, era uma parceria de Paulinho da Viola com Tereza Cristina. Creio que Maria Gadú tem futuro, apesar de tudo, apenas dos pormenores. Maria Gadú canta mais ou menos, mas o disco de estreia é legalzinho, não chega a ser ótimo, mas pode ser que ela sofra da mesma síndrome de outra cantora talentosa, Ana Cañas: faz bons shows, mas não consegue trazer esse clima para seus discos de estúdio. Vejamos o que o futuro irá proporcionar a elas. Tomara que algo melhore.

Escudos é a melhor faixa, assim como a delicada Linda Rosa. Tudo Diferente se torna cansativa e arrastada demais, chega a ser tão irritante, que prefiro nem ouvi-la, mas isso deve-se ao tempo que a canção leva com repetidas frases e a mesmice de sua mensagem. Laranja, cantada em parceria com Leandro Léo, é uma canção engraçada e Lounge parece ser feita por Ana Carolina, tamanha a semelhança. Seja como for, Maria Gadú canta bem, com sua voz meio rouca, meio masculinizada e isso por vezes soa satisfatório.

Maria Gadú tenta, através do CD de estreia, demonstrar tudo: boa música, boa voz, boas letras, arranjos sensacionais, mas esqueceu-se de que a música carece de muito mais do que tudo isso: o público fiel. Angariou diversas pessoas ao seu leque, cantou de Chico Buarque a Caetano em seus shows, mas a sua maior plateia é o público GLS, que lotam seus espetáculos. Maria Gadú é um disco gostoso de ouvir, mas apenas algumas vezes. Logo o mais, você o guarda na estante e só o descobre quando passa por ali despercebido. Pensa se ouve, pensa mais um pouco, e escuta uma faixa, pula a outra. Maria Gadú é assim: ainda encontrando sua identidade. Mas para um disco de estreia, patrocinada por uma grande empresa televisiva, tendo amigos diretores de telenovela como ajudantes centrais, fica muito mais fácil fazer um disco com pitadas de qualquer coisa. Só acho que Maria Gadú poderia ser melhor. Como? Cantando as suas verdades. Apenas as verdades.

 

Maria Gadú - Maria Gadú

Nota 7

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Rita Lee que a Ná Ozzetti recriou com perfeição


Ótimas releituras de Rita por Ná
Adesarqueou a Rita! Geralmente, as músicas compostas por Rita Lee ficam mais legais quando cantadas por outros cantores e isso não acontece somente com ela: com o Jorge Vercilo, com o Cazuza e com a Ana Carolina isso acontece com tamanha frequência, que fica impossível ouvir a canção original na voz de quem a criou.  A cantora Ná Ozzetti realçou o som da Rita com cores díspares, mais leves, com as cores de sua tradição vinda do extinto grupo Rumo e também de sua formação lírica. Demorei pra me convencer que o LOVELEERITA era legal, que podia sim, transformar o rock da Rita Lee em outra coisa e no fim, sair algo bonito. E também acho que toda tentativa de interpretação tem muito de coragem, ousadia e amor. E que deve ser massa cantar Rita Lee. Irresistível. Enfim, uma super homenagem com um repertório escolhido a dedo, com muito carinho, muita determinação e que ficou um disco gostoso, caprichado e precioso.

Atlântida (Saúde 1981) fica onde? Não sei se ela desapareceu do mapa ou sumiu mesmo foi do meu imaginário. E como a música diz Que o mundo é dos que sonham/ Que toda lenda é pura verdade. Ná Ozzetti canta bonito, lento, cada palavra fica nova com sua voz. O violão dá um som de roda, circular, que embala o ouvinte. O CD abre sonhando. Com a boca no mundo (Entradas e Bandeiras 1976) tem um suingue gostoso e logo já vai dando aquela vontade de dançar. E aos poucos vou sendo levada por esse novo tom que Ná Ozzetti imprime às canções. Essa música é a cara da Rita Lee! Ela ainda meio menina, encontrando seu passo entre seu corpo, sua voz e sua vontade de botar a boca no trombone. Com a boca no mundo é uma verdadeira descoberta. É interessante como a Rita Lee (sozinha ou com outros compositores que não o Roberto de Carvalho - pelo menos no LOVELEERITA) compunha músicas completamente viajantes, grandes. Aqui eu falo de amplitude mesmo. Ela viaja em milhares de temas, descobre cavernas, anda por outras estradas. Com o Roberto, as composições já são mais sexuais, apaixonadas, muitas quase corporais. Que também é o máximo.

Mania de você (Rita Lee 1979) na versão da Ná chega mais rápida, dançante. Acho que mais pop mesmo, menos carregada de estória. Mania de você foi composta pelo casal quando ainda estavam na cama. Na delícia da hora. Foi interessante essa mudança de estilo, já que com a Ná a estória é outra. No lugar da cama, entram os mil sopros que são de matar.

Bem, Mutante (Saúde 1981): a Ná simplesmente arrebenta na canção e dispensa comentários. Ela chega de mansinho, entrando e tomando conta de mim sem pedir licença. E eu deixo. Mutante é linda sempre e ainda mais nessa versão, que de quebra tem um trombone. É um escândalo simplesmente. É delicada, é exagerada, é a combinação perfeita das palavras. Tudo isso junto explode nessa música de amor temperada de todos os cheiros: dor, ressentimento, paixão, tesão e abandono.

 Fruto Proibido (Rita Lee & Tutti Frutti 1975): malandrada! Essa versão está cheia de percussão e guitarra. Ótima! A canção é aquela vontade de desanuviar, de trocar de fantasia e sair vivendo. Em Luz Del Fuego, que também está no disco Fruto Proibido, Ná Ozzetti não aguenta e se transforma em uma roqueira total!  Hoje eu represento o segredo/ Enrolado no papel. É incrível como Luz Del Fuego mexeu com o imaginário feminino. Muita cantora já cantou essa música e sempre muito bem. É que Luz Del Fuego não tinha medo. O título Raio X (Bombom 1983) é perfeito para a velocidade da música. O som se arrasta e se espalha por cada vão e aí a gente se dá conta de Quem nunca teve um sonho/ Quem é que não é sozinho. Essa música me faz pensar nessas cidades grandes, onde a janela da sala dá vista para enormes viadutos de concreto. O que a modernidade pode trazer de mais solitário.

A modinha mais poética que eu já vi é essa Modinha (Babilônia 1978) aqui. Linda. Todo remédio que me cura tem uma contraindicação. Perfeito. Ná Ozzetti se descabela em Mãe Natureza (Atrás do Porto tem uma Cidade 1974). Não segura a onda dessa música e pira. Pira ela, pira a guitarra. E bem que fazem! Mãe Natureza na minha opinião é a nossa erva de cada dia, aquela que embaça a mente na pitada certa e a gente já não sabe se estamos pirando ou as coisas é que estão melhorando!

Lembro-me da primeira vez que ouvi Doce Vampiro (Rita Lee 1979). Eu ainda era menino e tinha uma amiga mais velha que respirava Rita Lee. Um dia ela me chamou pra me mostrar essa música, e eu mesmo ainda menino, achei o máximo. Doce Vampiro com Rita é imbatível. Com a Ná é irresistível.

E o LOVELEERITA acabou. E eu que comecei esse texto ressabiado, enciumado da Ná roubando a uma Rita roqueira, dona do mundo, cruel com todos os que iam contra aos seus pensamentos, termino esse artigo numa sensação de curtição total. Que delícia isso!

Ponto para Ná Ozzetti e um milhão de pontos para Rita Lee.

 

LOVELEERITA / Ná Ozzetti

Nota 10

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O ótimo disco Pirata, de Maria Bethânia


A cantora Maria Bethânia
Entre os quatro baianos tropicalistas mais próximos (isto é, estou excluindo o Tom Zé), Maria Bethânia é sem dúvida a artista mais diferente. Talvez por isso até hoje ela seja menos popular que os outros três, e seja tão difícil encontrar um fã ardoroso seu. Tanto Caetano, quanto Gil e Gal já gravaram discos cafonas ou músicas bregas, mas o campeão ainda é o irmão da Bethânia, mas mesmo assim, nenhum dos três são pejorativos na sua arte. Com direção musical do violonista Jaime Alem, que se encarrega das cordas no disco, Pirata é um disco dedicado às águas, mais precisamente do mar e dos rios. Como de costume, Bethânia intercala poemas e/ou trechos de poemas com canções que evocam estes temas. História pra Sinhozinho de Dorival Caymmi é a primeira canção do disco, seguida por O Tempo e o Rio de Edu Lobo e Capinam. Nas duas a ênfase é na voz e interpretação de Bethânia, com o arranjo mínimo, acompanhada só ao violão. Todo cais é uma saudade de pedra, declama a cantora antes de cantar os Argonautas do irmão Caetano. Apesar de regravação, a canção é obrigatória devido à temática do disco: Navegar é preciso / Viver não é preciso. Se preciso aqui vem do verbo precisar indicando necessidade ou do substantivo precisão que denotada certeza, talvez já tenha sido até esclarecido pelo autor, mas a dúvida torna a canção ainda mais bela. O arranjo com violão, baixo acústico e bandolim dá um belíssimo ar de fado, música típica de Portugal.

Bethânia declama Perto de muita água tudo é feliz antes de Santo Amaro, samba em homenagem à terra natal. Aqui fica claro o cuidado na produção do disco, essas quatro músicas em sequência dão um crescente de ritmo, de pique no disco. Depois vem a minha favorita, De Papo pro Ar. Clássico da música caipira (caipira mesmo!) acompanhada na viola por Jaime Alem, conta a vida boa do caipira que vive do rio da caridade alheia e não se incomoda com nada. Ou melhor, quase nada: Quando no terreiro faz noite de luar / E vem a saudade me atormentar / Eu me vingo dela, tocando viola de papo pro ar.

Fui quase injusto acima, pois Sereia de Água Doce é outra das músicas lindíssimas deste disco. Samba de autoria de Vanessa da Mata, mostra a sintonia de Bethânia com a novíssima geração de compositores, fazendo uma sutil e muito bem dosada mescla com canções da velha guarda. Eu que Não Sei Quase Nada do Mar tem uma levada meio espanhola e também é da nova safra. Passando (bem) longe da minha lista de compositores favoritos, Ana Carolina e Jorge Vercilo assinam esta belíssima canção que parece sob medida para a sensual voz de Bethânia, como exige a letra carregada de erotismo. O arranjo traz um dos raros momentos orquestrais do disco. Segue A Saudade Mata a Gente, outro clássico de João de Barro e Antônio Almeida, desacelerando um pouco o bpm depois das duas anteriores, mais uma vez com arranjo bem suave centrado em violão em voz. De Antônio Almeida, Serenô segue na toada da canção anterior, mas um pouco mais bonita.

Segue o samba com batida de candomblé Memória das Águas e depois com Águas de Cachoeira de Jovelina Pérola Negra, samba de terreiro com cavaquinho e acompanhamento de palmas. Jaime Alem agrega várias Cantigas Populares, na faixa que leva o mesmo nome. Ainda que misture melodias distintas nos versos tirados de diferentes cantigas, a música apresenta uma unidade surpreendente. Bethânia declama Antônio Vieira e termina com A Coroa: voz solo, acompanhada no finalzinho por tambores e coral, tudo agregado com se fosse uma só canção. Onde Eu Nasci Passa Um Rio é outra da safra antiga de Caetano e essa aqui é a interpretação definitiva de uma canção pouco conhecida da obra do baiano. O arranjo, mais uma vez se destaca, só violão, voz e cello, conferindo a esta bela canção o tratamento que ela merece. O verso o rio da minha terra deságua em meu coração é de arrepiar. Francisco, Francisco é uma bela canção em homenagem ao velho Chico, e o disco termina de maneira bastante pessoal com Meu Divino São José.



Pirata / Maria Bethânia

Nota 10                  

Marcelo Teixeira


terça-feira, 24 de julho de 2012

As excluídas da lista das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos


Maria Rita canta bem, mas perdeu-se muito
Ser a maior ou a melhor cantora dos últimos 10 anos no cenário musical brasileiro é de uma responsabilidade enorme, gigantesca e que exige uma disciplina espetacular. Muitas poderiam figurar o topo da lista, muitas inclusive das que estão na seleta lista, mas alguns critérios me fizeram crer que algumas cantoras boas ou medianas não poderiam jamais entrar para o rol das 20 melhores cantoras dos últimos 10 anos. Ou por falta de critérios ou por falta de simbolismos ou simplesmente por faltar alguma característica importante em suas carreiras, limitei-as de pôr em contraste com grandes nomes que me foram surgindo à mente e pondo numericamente na lista. Como eu havia dito no artigo que antecedia a primeira colocada, alguns critérios foram pensados e os prós e contras foram arremessados contra o ventilador na esperança de que futuramente este artigo pudesse ser escrito.

Recebi uma quantidade suficiente de e-mails e mensagens de leitores ávidos e antenados com o Mais Cultura! e que sugeriram cantoras maravilhosas, como foi o caso de Mariene de Castro, Fernanda Takai, Mônica Salmaso e até mesmo de Paula Lima. No caso da Mariene de Castro, que tem uma carreira brilhante, uma voz e um gingado que só ela tem, não poderia figurar na lista puramente porque ainda não é o seu momento, não é a sua hora, embora seus discos tragam a tona a Bahia de todos os santos, a naturalidade nordestina e a beleza negra, mas ainda faltam argumentos para que ela entre definitivamente para a minha lista pessoal, embora seus dois discos já tenham sido elaborados em artigos que destacaram a sua presença de palco e a sua originalidade.


Paula Fernandes: a pior
Fernanda Takai e Mônica Salmaso são cantoras já carimbadas e estão na estrada há anos, o que infelizmente não condiz com o teor que a proposta do blog sugeria. Paula Lima, que tem carisma, bons discos, boa voz, bom gingado, não poderia figurar na lista puramente porque a cantora se perdeu nas regravações que vem fazendo e na miscelânea de estilos que vem abordando. Definitivamente, as cantoras citadas não poderiam figurar na lista. Mas dentre os e-mails que recebi, muitos leitores e amigos sugeriram nomes de quatro cantoras que praticamente fiquei surpreso ao ler e ainda mais surpreso porque duas poderiam entrar (tanto que fiquei semanas penosamente pensando na possibilidade delas estarem entre as 7 melhores) e as outras duas nem passaram pela minha cabeça. Trata-se de Maria Rita, Maria Gadú, Luiza Possi e Paula Fernandes.

Vou começar pelas mais fáceis.

Luiza Possi: meio infantil, meio adolescente
Luiza Possi é um doce de cantora (sua participação no disco de Martin’lia) é fantástica, mas a sua carreira ainda não deslanchou, ou seja, suas músicas ainda não estão na medida certa, sua postura musical ainda não está ajustada, sua presença de palco ainda não é o suficiente para agradar e sua voz às vezes soa cansativa. Iniciou a carreira abraçada à mãe e teve todo o amparo do pai, mas seus discos beiram a infantilidade e a transformação da mulher, porém, uma ou outra música de seus discos vale a pena ouvir. O resto é resto. E ponto. Paula Fernandes é, pra mim, a pior cantora do cenário musical brasileiro de todos os tempos, tanto que aqui no Mais Cultura!, ela foi eleita a pior cantora do Brasil. Sua voz é fanhosa, ela canta mal, se veste mal, não tem emoção, não tem presença de palco e ainda por cima não abre a boca ao cantar. Definitivamente, Paula Fernandes não figuraria a lista nunca.

As duas cantoras que poderiam adentrar na lista são Maria Rita, que pensei seriamente em deixa-la na terceira colocação e Maria Gadú, que estaria na quarta. Maria Rita é uma excelente cantora, dessas que brota a emoção ao cantar, mas temos a Maria Rita antes o disco de estreia e a Maria Rita pós a música A Festa e Encontros e Despedidas. Antes, Maria Rita tinha mais potencial, mais estilo de cantora determinada, mais firmeza na voz e na postura. Hoje, Maria Rita se mostra frágil, cansada às vezes e literalmente a retirei da lista das 20 melhores cantoras depois de sua incursão pelo mundo musical da mãe, a grande Elis Regina.

Maria Rita ainda não se encontrou e vive de regravações que não lhe servem de nada. Todos os seus discos tem músicas de terceiros ou manjadíssimas e isso é tão irrelevante em se tratando de Maria Rita, que fica difícil, agora, imaginar um novo disco sem uma regravação qualquer. Ainda não aconteceu o grande disco da cantora e espero que um dia isso aconteça, embora seja remoto desse acontecimento vir à prova final. Maria Rita tem capacidade, tem potencial e tem o triunfo nas mãos de ser filha de uma das grandes cantoras deste País. Mas perde-se no quesito musical, engolfada por grandes estardalhaços fora de órbita.

Maria Gadú: ela precisa amadurecer
Maria Gadú nasceu como um meteoro, mas perdeu-se no fio condutor ao juntar-se a Ana Carolina, cantora que já perdeu a credibilidade há anos. A cantora tinha até um certo potencial, seu disco de estreia foi elogiadíssimo por muitos, inclusive eu mesmo fui um dos que estavam no coro, mas Maria Gadú ainda precisa amadurecer, podar raízes, sentir mais a emoção da verdadeira musicalidade que existe dentro dela, mas que ainda não percebeu e mesmo seus discos sendo de uma variante maravilhosa, seu estilo ainda é considerado pop. Um pop dançante, um pop adolescente, um pop caricato às vezes. Maria Gadú tenta, por vezes, passar a imagem de mulher madura, uma garota que nasceu pra cantar (e ela tem essa potencialidade), mas sua singularidade é atemporal para os dias de hoje. Porém, Gadú ainda é uma cantora genuinamente brasileira e espero que seus próximos discos tenham mais o sabor da verdadeira síntese que a música popular brasileira exige.

Por todos esses argumentos, espero ter sanado as expectativas de todos os leitores que exigiram Maria Rita, Maria Gadú, Luiza Possi e Paula Fernandes como as campeãs na lista das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos.



Marcelo Teixeira.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

2º lugar: Vanessa da Mata - As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos



Vanessa da Mata reina absoluta na 2º colocação
Vanessa da Mata conquistou o país como uma das vozes mais arrebatadoras e composições riquíssimas. Mas ela apareceu primeiro como compositora e uma das melhores do fim do século passado. Mato-grossense da pequena cidade de Alto Garças, ela saiu do interior dizendo ao pai que iria estudar medicina, mas abraçou de forma definitiva a carreira artística para se transformar em mais um grande sucesso feminino da MPB. Vanessa da Mata ainda é e sempre será nome no cenário musical e em dez anos ela consegue emplacar sucessos dignos de uma boa musicalidade. Fã absoluta de Clara Nunes (daí o motivo dela ser cantora e se vestir e ter os cabelos e miçangas iguais aos da Guerreira), Vanessa desponta como símbolo da boa música, do bom gosto e da cultura inerente que temos no Brasil. Sinônimo de beleza, Vanessa da Mata é rica em palavras, forte e resoluta em seus shows e consegue angariar fãs por onde passa com sua simpatia e bom humor. Sabe aquela cantora que você acha que tem um trabalho legal, mas nunca parou para ouvir direito? Assim que ouvi Vanessa cantar, em 2002, me apaixonei e logo saí correndo contar a novidade aos meus amigos. Será uma grande cantora, uma verdadeira revelação, eu dizia aos quatro ventos.

Em 1997, conheceu Chico César: com ele, compôs A força que nunca seca. A música foi gravada por Maria Bethânia, que a colocou como título de seu disco, em 1999. A gravação concorreu ao Grammy Latino e também foi gravada no CD de Chico, Mama Mundi. O Brasil descobria uma grande compositora. Bethânia voltou a gravar Vanessa: O Canto de Dona Sinhá esteve no CD Maricotinha – com participação de Caetano Veloso - e em sua versão ao vivo. Já Viagem foi gravada por Daniela Mercury em Sol da Liberdade. Com Ana Carolina compôs Me Sento na Rua, do CD Ana Rita Joana Iracema e Carolina (2001). A voz e a presença de Vanessa começavam também a chamar atenção. Fez participações em shows de Milton Nascimento, Bethânia e nas últimas apresentações de Baden Pawell: estava pronta para estrear em carreira solo.

Em 2002, lançou seu primeiro CD, Vanessa da Mata (Sony) – que teve produção conjunta de Liminha, Jaques Morelenbaum, Luiz Brasil, Dadi e Kassin. Entre os sucessos deste disco estão Nossa Canção, Não me Deixe só - que estourou nas pistas com remix de Ramilson Maia - e Onde Ir, regravada por Mônica Salmaso. O segundo disco, Essa boneca tem manual (Sony), foi lançado em 2004 e teve produção de Liminha, como quem também dividiu as composições. Além de suas próprias canções – como Ai ai ai..., Ainda bem' e Não Chore, Homem, regravou Eu sou Neguinha (Caetano Veloso) e História de uma gata (Chico Buarque, de Saltimbancos). Como Ai ai ai..., música nacional mais executada nas rádios em 2006, o álbum chegou a Disco de Platina.

Vanessa: ótimos discos e excelente voz
Sim, o terceiro disco, lançado em 2007, foi produzido por Mario Caldato e Kassin. O álbum foi gravado entre a Jamaica e o Brasil. Das 13 faixas, cinco tem a participação de Sly & Robbie, dois ícones da música jamaicana. Sim é definido, pelo seu título, como uma resposta positiva à vida, uma resposta de luta. E conta com participações de Ben Harper, João Donato, Wilson das Neves, Don Chacal e um time da nova geração da música brasileira, como o baterista Pupillo (Nação Zumbi) e os guitarristas Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Pedro Sá e Davi Moraes, entre outros.

Em 2009 Vanessa lançou seu primeiro DVD e CD ao vivo, o Multishow Ao Vivo - Vanessa da Mata. Gravado em Paraty e dirigido por Joana Mazzucchelli, o projeto registrou músicas de seus três trabalhos: Sim, Essa Boneca tem manual e Vanessa da Mata.

Em 2010, Vanessa lança Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias, seu quinto disco. Produzido por Kassin e mixado por Mario Caldato, o CD tem 12 faixas inéditas, uma parceria com Lokua Kanza () e outra com Gilberto Gil (Quando Amanhecer). O disco é uma obra prima.

Por toda essa vivacidade, a cantora conquista cada vez mais espaço e chega resoluta, definitiva e oriunda no segundo lugar do Top 20 das Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos na MPB. Sem dúvida, ouvir Vanessa da Mata é mergulhar num mar de divertimento musical sem igual.



Troféu de Prata

Segundo Lugar: Vanessa da Mata

As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 12 de julho de 2012

7º lugar: Thaís Gulin - As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos


Thaís Gulin: grande revelação
Se vocês acreditam, como Vinicius de Moraes, que São Paulo é o túmulo do samba, imagina então o que ele diria de Curitiba. Mausoléu do samba? Catacumba do samba? O cabelo cor de abobora e a voz melodiosa conquistaram a simpatia da crítica musical. A cantora Thais Gulin é revelação desde o lançamento do seu primeiro CD, em 2007. A relação da cantora com a música vem desde muito cedo. Desde bem pequenininha a cantora já fazia suas performances por aí. Organizava teatros com os vizinhos e cantava jingles na frente da televisão. E foi assim que ela cresceu: no meio da arte embalada ao som de Balão Mágico e João Gilberto.

A curitibana Thais Gulin canta e encanta. Embala histórias de felicidade e amor. No ano passado Thais lançou seu segundo CD, tendo os cenários cariocas como inspiração. Com parcerias de peso como Tom Zé, Ana Karolina e Adriana Calcanhotto, Thais segue no sucesso: no Brasil e mundo afora.

O Mais Cultura! de hoje aumenta o som da cantora e compositora simplesmente porque ela canta bem, compõe bem e, acima de tudo, aprimora o limbo da MPB como uma das grandes surpresas. Aos trinta anos de idade e cinco de carreira, contados desde o lançamento do primeiro trabalho, Thais é apontada por alguns críticos como a grande revelação da Música Popular Brasileira (MPB) de 2012, pelo lançamento do seu segundo trabalho: ôÔÔôôÔôÔ, já abordado em artigo no blog.

A cantora já fez parte da trilha sonora do horário nobre da tevê, com a música Paixão Passione na novela Passione, e tem selo de uma das maiores gravadoras do país, Som Livre. Apesar disso, ela ainda é pouco conhecida pelo grande público. Thaís faz parte de uma nova safra de cantoras MPB, com trabalho mais experimental, que mistura influências estrangeiras às raízes brasileiras. Ela canta composições de autores de gerações variadas, como Chico Buarque, Tom Zé, Adriana Calcanhotto, Moreno Veloso, Arnaldo Antunes, Otto, Roberto Carlos, Nelson Sargento, Zeca Baleiro, Rodrigo Bittencourt, além de músicas de sua autoria.

No ultimo CD de Chico Buarque (que, por ventura, é o namorado da cantora), Thaís faz participação em Se eu soubesse e inspira Essa Pequena, em que o compositor carioca canta que Meu tempo é curto, o tempo dela sobra. Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora. Temo que não dure muito a nossa novela, mas sou tão feliz com ela…

Com todo este prestígio e vigor, Thaís Gulin chega triunfal ao sétimo lugar na lista das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos. Merecidamente.



Sétimo lugar: Thaís Gulin

As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 4 de julho de 2012

13º lugar: Isabela Taviani - As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos


Isabela Taviani na 13º colocação
Isabella Taviani é formada em canto lírico e influenciada por cantoras como Dalva de Oliveira, Elis Regina, Maria Bethânia e a soprano Maria Callas. Iniciou sua carreira em 1992, apresentando-se em vários projetos, entre eles a comemoração dos 100 anos do Leme, Som nas Ondas no Arpoador e Verão no Por do Sol. Após uma temporada de shows no Mistura Fina, no Rio de Janeiro, Isabella assinou contrato com a gravadora Greensongs, pela qual lançou, em 2003, seu álbum de estreia, com destaque para suas canções Foto Polaroid, Digitais e O Farol. O disco, produzido por Torcuato Mariano e a música Foto Polaroid lhe rendeu o título de Cantora Revelação da MPB.

Em 2005, assinou contrato com a gravadora Universal Music, para gravar no Canecão, Isabella Taviani Ao Vivo, lançado em CD e DVD. Este, quase uma transposição, para o palco, do primeiro disco, do qual tem oito faixas. Entre elas, os quatro principais sucessos da cantora.

Isabella é a Ana Carolina de ontem (num passado muito distante) e se compara a Zélia Duncan, embora ambas tenham posturas e gestos diferentes. Isabela Taviani fez nome e ganhou fama com as canções classificadas como sendo da Música Popular Brasileira.  No entanto, diferente de muitos artistas da MPB que fazem críticas severas contra o famoso brega, Isabela foge a regra. Elogia Reginaldo Rossi, aliás entoa músicas do cantor no seu show, e afirma, sem qualquer ressalva, que ouve na sua casa cantores como José Augusto.

Cantando a forma do amor na sua mais sublime perfeição, Isabela Taviani é uma das melhores cantoras surgidas nos últimos 10 anos no cenário da MPB. Homossexual assumida (ela namora a também cantora Myllena), Isabela segue seu caminho cantando o que há de melhor em sua musicalidade no feitio mais competente possível e por este motivo ela abrilhanta a décima terceira colocação no Top 20 com seu jeito único, maravilhoso e especial de ser.



Décimo terceiro lugar: Isabela Taviani

As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos



Marcelo Teixeira

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Oitavo Lugar: Seu Jorge - Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos


Seu Jorge (apelido dado pelo amigo e baterista Marcelo Yuka) alcançou sua primeira realização profissional como músico em 1998: integrante da banda Farofa Carioca, lançou o disco Moro no Brasil em Portugal, no Japão e no Brasil. Mas foi exatamente em 2001 que lançou o primeiro disco solo, Samba Esporte Fino, produzido por Mário Caldato e Seu Jorge, mixado e masterizado em Los Angeles por Mário Caldato. No ano seguinte compôs com Ed Motta a música Tem espaço na Van, e também realizou o projeto de samba de partido alto chamado Caatinga de Swing, com apresentações numa boate na zona sul do Rio e no Skol Rio. Em 2003 gravou o disco CRU em Itaipava, com o produtor musical francês Jerome Pigeon, e nesse mesmo ano compôs em parceria com a cantora Ana Carolina, as músicas Beat da Beata e Não Fale Desse Jeito para o disco dela de grande sucesso, Estampado.

Em 2004 gravou em Roma o videoclipe da música Tive Razão, com participação dos atores Willen Dafoe e Bill Murray, dirigido por Mariana Jorge. Em seguida lançou o DVD MTV Apresenta Seu Jorge e compôs com o músico BID a faixa E depois para o disco Bambas e biritas Vol. 1. Por dois anos consecutivos (2003 e 2004) ganhou o prêmio APCA [Associação Paulista de Críticos de Arte] de melhor cantor do ano. Em setembro de 2004 lançou o disco CRU na França (pelo selo Naïve), e na Inglaterra, resultando em 5 estrelas na crítica especializada francesa e inglesa, editoriais de ênfase nas revistas Rolling Stones, Elle France, Vogue France e participações em programas ao vivo de televisão. Foi aclamado pelo público e mídia europeus como um novo grande representante da música brasileira. Foi convidado pela rede BBC de televisão para cantar ao lado de Black Eye Peas e Foo Fighters no badalado programa de televisão de Jools Holand, onde voltou alguns anos depois. Ainda neste mesmo período fez o show de lançamento do DVD The Life Aquatic, tocou na Praça da Bastilha, em Paris, ao lado de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Lenine, Daniela Mercury e Jorge Benjor, fez um show no festival de Jazz de Montreux e saiu em tournê pela Europa.

Em meados de 2005 lançou CRU no Japão, onde já havia acumulado um vasto numero de fãs desde o Farofa Carioca. Ao voltar para o Brasil gravou o disco e o DVD do show Seu Jorge & Ana Carolina – ao vivo. Em setembro do mesmo ano levou para os EUA a turnê do disco CRU nas principais cidades do país com ingressos esgotados em todos. No início de 2006, realizou um projeto de samba no Na Mata Café, em São Paulo, onde aos domingos apresentava, junto a uma roda de samba carioca e convidados, um repertório apenas sambas de partido alto.

Durante o carnaval de 2006 gravou um documentário para a BBC de Londres, cujo tema foi a sua vida, veiculado no programa South Bank Show, e depois exibido no Brasil, Estados Unidos e Europa (clique aqui para assistir no youtube). Em abril, abriu os shows da cantora cabo-verdense, Cesária Évora, em Nova York, Boston e Washington, e em maio Seu Jorge recebeu Gilles Petterson e a CNN em sua casa para a gravação de um programa veiculado no mundo todo. Entre os meses de junho e julho, realizou uma turnê nos EUA e Canadá, realizando 21 shows em 29 dias, incluindo o encerramento do Festival de Cinema de Miami; Bonnaroo Festivalem Manchester; Stern Grove Festival em San Francisco; Coastal Jazz Festival em Vancouver; Summerstage Festival no Central Park, em Nova Iorque; Montreal Jazz Festival; Quebec City Summer Festival, entre outros, com aclamação do público e mídia americana, o que lhe deu energia extra para esticar a turnê pelo Reino Unido e Portugal.

Ao final de 2006 se concentrou na gravação e produção de América Brasil O Disco, sob o qual ficou em turnê por 2 anos consecutivos em solo nacional e internacional. Em Janeiro de 2009, gravou América Brasil O DVD.

Em Julho de 2010 lançou o disco Seu Jorge & Almaz pela gravadora americana Now Again. O projeto nasceu em 2008, quando foi convidado para cantar em uma música parte da trilha sonora do filme Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. Do encontro com os músicos Lúcio Maia, Pupillo e Antônio Pinto, surgiu uma forte amizade e o desejo de gravar um disco. Doze versões de músicas escolhidas por eles foram tão logo gravadas, mas o lançamento do disco só aconteceu dois anos depois, em função das agendas dos envolvidos.

Fez músicas para Paula Lima brilhar em seu disco de estreia, É Isso Aí e ainda por cima é um dos artistas mais elogiados por bambas do escalão de João Bosco, Chico Buarque e Caetano Veloso. Por todos esses adjetivos e pela sua bela historia, Seu Jorge merece destaque no oitavo lugar da lista dos 10 Melhores Cantores dos últimos 10 Anos.



Oitavo Lugar: Seu Jorge

Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos



Marcelo Teixeira