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sábado, 30 de maio de 2015

A orquestra de Max de Castro (2002)


Max e sua boa música
Assim como a grande mídia não dá o devido valor aos seus grandes compositores ou cantores dentro de seu próprio país de origem, alguns desses cantores tentam burlar essa autonomia flagelada para tentarem mostrar seus trabalhos com digno respeito de estrelas da música nacional. Muitas vezes, esses cantores acabam sendo esquecidos pelo público, que acabam descobrindo outros interpretes ou outras sonoridades e, com isso, muitos cantores ditos bons acabam sendo desvalorizados. Esse é o caso do cantor, compositor, guitarrista, instrumentista, inquieto e filho de Wilson Simonal, o super talentoso Max de Castro, irmão de Wilson Simoninha. Em 2002, o Brasil pôde conhecer melhor seu lado cantor, quando o mesmo lançou o sensacional Orchestra Klaxon (2002 / Trama / 28,99), em que mistura jazz, MPB, samba e até romantismo. Com participação de Paula Lima e letras de Marcelo Yuka, Erasmo Carlos e Nelson Motta, o CD é um dos mais belos de toda a história da música do século XXI, por ser emblemático, audacioso e inteligente. Max não poupou críticas ao mundo racial (O Nego do Cabelo Bom), ao mundo do carnaval (A História da Morena Nua que Abalou as Estruturas do Esplendor do Carnaval) e nem ao mundo da música vanguarda (O Futuro Pertence à Jovem Vanguarda) e tudo isso tem um apreço muito significativo tanto na carreira musical do cantor, como na vida pública e pessoal das pessoas. Antes de mais nada, Orchestra Klaxon é um CD de jazz, indiscutivelmente abrasileirado, bem aos moldes americanos e com uma privilegiada sonoridade, rica em detalhes, instrumentos e homenagens. O CD foi incorporado para prestar uma justa rebuscada busca na própria carreira pessoal do cantor, que conviveu com os maiores mentores da música popular brasileira, como Nara Leão, Tom Jobim, Milton Santos, João Donato, Dick Farney e artistas do naipe de Tarsila do Amaral, Mário de Andrade e Eumir Deodato, sem falar do pai, um dos mais prestigiados cantores de todos os tempos. Podemos classificar o CD de Max de Castro como uma experiência musical que deu certo dentro um segmento que ele talvez nem tenha imaginado que daria certo. O disco quando foi lançado causou um certo furor, pois era um disco caro de ser produzido, difícil de ser interpretado, difícil de ser degustado e que se tornou alvo fácil dos amantes da música. Max de Castro arrebatou milhares de pessoas com Orchestra Klaxon. E entrou para a história da música popular brasileira de uma vez por todas sendo ele mesmo. Sendo Max de Castro.

 

Orchestra Klaxon (2002) / Max de Castro
Nota 10
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

17º Maior Cantora do Brasil: Paula Lima


Paula Lima no 17º lugar
Paula Lima é formada em piano clássico e em Direito pelo Mackenzie, marcou a sua entrada no mundo da música com o grupo Unidade Bop (ex-Unidade Móvel), que teve lançamento pelo selo Eldorado. Logo em seguida, em 94, fez backing vocal para Jorge Ben Jor no disco 23; cantou no sucesso da dupla de rap Thaíde e DJ Hum (Senhor Tempo Bom), integrou o grupo Zomba e por fim caiu no baile do Funk Como Le Gusta, com o qual se destacou com a releitura de Meu Guarda-Chuva (composição de Ben Jor quando ainda era só Ben). Em 2001 lançou seu primeiro cd solo pelo selo Regata Records, o É Isso Aí, recebendo elogios de crítica e público. Com o álbum foi indicada à categoria de revelação pelo Prêmio Multishow. Dois anos depois, foi a vez de gravar o álbum Paula Lima, com o instantâneo sucesso Gafieira S/A, lançado pela Universal Music. Nesses dois álbuns compôs canções com Seu Jorge, Bernardo Vilhena e Ed Motta.

Em 2003 teve esses dois primeiros álbuns lançados na Europa e Japão, recebendo o É isso aí o título de Diva Paulista. Gravou com a banda japonesa Mondo Grosso, a música Life, obtendo reconhecimento internacional. Em dezembro de 2005 foi convidada para representar o Brasil na África do Sul, no principal evento musical do continente – o Kora Awards - que reúne personalidades musicais e políticas. O cd Sinceramente, lançado em 2006, pela Indie Records, terceiro de sua carreira, teve a primeira tiragem esgotada em menos de um mês. Conceituado por ela, na produção, além da própria, contou com outros dois produtores de primeira, Luís Paulo Serafim e Walmir Borges, este também diretor musical de sua banda. O repertório pesquisado e conduzido por Paula foi feito sob medida e conta com composições inéditas de alguns admiradores confessos como Seu Jorge, Ana Carolina, Zélia Duncan, Mart’nália, Arlindo Cruz, Leci Brandão, entre outros consagrados nomes da MPB.

O álbum também foi lançado no Japão e diante do sucesso, Paula foi capa da revista Latina, com 05 páginas sobre seu trabalho. O cd segue rumo à América Latina, iniciando sua entrada pelo México, Estados Unidos e Europa, com turnê agendada para o final de 2008 e início de 2009. Com Sinceramente a cantora recebeu duas indicações ao Prêmio Tim de Música, de 2007 e também foi indicada ao Prêmio Toddy como melhor Álbum de MPB. Recebeu ainda o prestigiado Troféu Raça Negra na categoria de melhor cantora.

Ainda no mesmo ano, deixou sua marca no Carnaval de Salvador: fez tremer e levou ao delírio o público presente no Camarote Oceania com seus 05 shows de puro balanço. Como mestre de cerimônia, convidou para participações especiais, três inusitados parceiros: Marcelo D2, Nasi do IRA! e Toni Garrido, mostrando assim um de seus pontos fortes: o livre trajeto e o respeito entre seus parceiros.

No final de 2007, recebeu o convite para evento internacional em Angola, Belas Divas, em homenagem às personalidades femininas que tiveram grande atuação no país. Acompanhada de sua banda, com sua marcante presença envolveu a todos, chegando a fazer um dueto com o presidente, que entoou isso é problema dela. Foi a única brasileira e estrangeira presente e também homenageada.

No percorrer de sua trajetória musical cantou ainda ao lado de outros grandes nomes da música brasileira, entre eles: Jorge Benjor, D. Ivone Lara, Milton Nascimento, Nando Reis, Luiz Melodia, Arlindo Cruz, Zélia Duncan, Zeca Pagodinho, Leci Brandão, Rita Lee entre outros. Para Jorge Benjor, ela é a sua Menina dos Olhos e para D. Ivone Lara, que se encantou também resumiu, O Samba Precisa Dela.

Com certeza outras histórias estão por vir da diva de voz, presença e originalidade ímpares, com muita brasilidade, balanço e swing únicos e é por toda a sua musicalidade que Paula Lima chega ao décimo sétimo lugar na seleta lista das grandes cantoras do Brasil.

 

17º Lugar: Paula Lima

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Aonde está a ousadia de Thiaguinho?


 

Existe hoje um grande artefato em volta do pagodeiro Thiaguinho, que recentemente se desligou do grupo de pagode Exaltasamba, desfazendo um dos mais importantes grupos do movimento desde o início da era pogodista e o último dos moicanos sobreviventes da chacina musical que persistiu em durar, por mais de vinte anos de estrada. Se bem que na última arquitetura do grupo, as músicas e até mesmo o carisma dos pagodeiros estavam em alta e eu mesmo cantarolava algumas de suas canções, mas esses entusiasmos eram motivados por Péricles e o novato Thiaguinho, que viria abrilhantar o grupo. Evidentemente que a visão de Thiguinho seria futuramente abandonar o barco e seguir em carreira solo, como fizeram inúmeros cantores da área (não só de pagode, como do rock, do axé e até de grupos importantes, como a Paula Lima, que saiu do maravilhoso Funk Como Le Gusta e hoje quase não se ouve falar sobre a banda).

Mas me chama a atenção alguns aspectos da volta por cima de Thiaguinho (sim, volta por cima porque muitos acharam que ele não iria se dar bem na carreira solo) e em sua musicalidade também. Que Thiago é uma revelação musical, disso não se pode discordar, mas o que quero ressaltar neste artigo não é a brilhante carreira que ele fizera quando estava preso e algemado ao grupo, mas sim agora, com o disco Ousadia & Alegria, lançado agora em 2012.

O título do disco não poderia ser a melhor resposta para aqueles que lhe torceram o nariz, torceram contra e ainda estão falando mal do artista, mas não vejo por este lado esta tal ousadia que o cantor insiste em mostrar. Aliás, não consigo enxergar aonde está a ousadia de Thiaguinho ao lançar este disco e nas linhas abaixo eu tentarei explicar que pode ter muita alegria, puro entusiasmo, muita adrenalina, mas pouca ou nada ousadia. Alegria, sim. Ousadia, não!

 

O nosso lema é ousadia e alegria

 A nossa cara é pagode todo dia

 Cheio de estilo na pressão eu vou com tudo

 Só espalhando ousadia pelo mundo

Lê lêlê lêlê lêlê

Ousadia para vencer

 Lê lêlê lêlê lêlê

 Alegria para viver

Trecho de Ousadia e Alegria, de Thiaguinho

 

A primeira ousadia (e talvez a única retratada no disco) de Thiaguinho, tenha sido a sua saída do grupo Exaltasamba. Mais nada. Nenhuma outra ousadia mais ousada (num trocadilho perfeito para este momento), foi mais eloquente e mais soberano para um artista que ainda pode crescer com seu talento e sua espontaneidade. Ousadia esta que pode também lhe custar muito caro, pois o primeiro álbum é um verdadeiro sinônimo de festa pelas vendagens e pela receptividade do publico, mas isso poderá não acontecer com o próximo disco.

Talvez a segunda ousadia de Thiaguinho seja mostrar logo de cara um disco totalmente ao vivo, geralmente destinado à grandes cantores que depois de um certo tempo de estrada lançam discos com plateias gigantes e com aberturas novas. Thiago já ousou ao lançar no mercado fonográfico um disco ao vivo e com músicas inéditas, feito raro a um artista que inicia sua carreira solo.

Mas o disco em si é um grude! Algumas faixas deveriam ser extintas e outras merecem até mesmo um pequeno troféu pela letra e pelo passaporte do artista. Thiaguinho tenta se esforçar para cantar bem em algumas faixas, mas o que acontece é um festival de horror ao ver seu lábio superior fazendo malabarismos igualmente quando Caetano Veloso canta. Chamar o jogador Neymar para cantar talvez seja a pior parte do disco.

Thiaguinho foi esperto ao lançar seu disco solo. Para obter um ótimo resultado e altas vendagens e não ver seu publico indo pousar noutro lugar, a estratégia foi abusar (ou ousar). Chamou os maiores artistas, como Gilberto Gil e Ivete Sangalo, convidou Luísa Possi, cantora que consegue exprimir um certo carisma entre os adolescentes e amantes da nova MPB, convidou Alexandre Pires, que tem um certo nome e respeito no mercado internacional e se veste ora como um moleque travesso, ora como um novo expoente da música negra, ora como um emergente do capitalismo que conseguiu ingressar, ora como um suburbano, de poucas palavras e muitos gestos.

 
O disco ainda conta com uma gigantesca trupe de músicos e com um coral de dar inveja a qualquer concerto: são eles, por muitas vezes, os responsáveis pelo apoio que Thiaguinho precisa e acho que será muito improvável que um dia eles venham a se desvencilhar. Tudo isso prova que Thiaguinho ainda não está preparado para seguir uma carreira solo, tendo de enfrentar as dificuldades que todo grande artista sofre ao se desligar de um grupo de puro sucesso. Thiago não sobreviveria acaso lançasse um disco de estúdio, sem convidados extraordinários e sem orquestra e jogador de futebol. Thiago não teria suporte emocional para entrar em um palco sozinho. E tudo foi pensado para que ele se sentisse como um integrante de qualquer grupo de pagode às suas costas e ele ainda fosse o líder.

Observando o disco atentamente e assistindo ao DVD do mesmo, pude constatar que Thiaguinho ainda precisa calejar muito para conseguir almejar o verdadeiro estrelato e conseguir uma nota digna de seu próprio sucesso. Ainda o sinto como um integrante do mesmo grupo de pagode que o adotou e não o sinto preparado, pronto, ágil, esperto, capaz de seguir carreira solo sem um corpo de coral, sem um convidado especial, sem uma grande estrela para estar ao seu lado. Thiaguinho ainda precisa ousar mais, porque alegria ele tem de sobra.

Por enquanto, a ousadia de Thiaguinho não vingou. A alegria, sim.

 

Faixas

1- Leite Condensado

2- Buquê De Flores

3- Ousadia & Alegria Part. Esp.: Neymar

4- Lero Lero - Part. Espec. Alexandre Pires

5- Desencana

6 - Puxando

7- Sou O Cara Pra Você

8- Até Ver Você (Hahaha)

9- Muleke Conquista

10- O Poder Do Pretinho - Part Espec. Ivete Sangalo

11- Antes De Dizer Adeus

12 - Simples Desejo - Part Espec. Gilberto Gil

13- Ainda Bem

14- Vai, Novinha

15- Deixa Eu Te Fazer Feliz

16- Eu Quero É Ser Feliz

17- Tomara

18- Motel

19- Robin Hood Da Paixão

20- Eternamente Feliz

21- Deixa Pra Mim

 

Ousadia & Alegria / Thiaguinho

Nota 5

Marcelo Teixeira

terça-feira, 24 de julho de 2012

As excluídas da lista das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos


Maria Rita canta bem, mas perdeu-se muito
Ser a maior ou a melhor cantora dos últimos 10 anos no cenário musical brasileiro é de uma responsabilidade enorme, gigantesca e que exige uma disciplina espetacular. Muitas poderiam figurar o topo da lista, muitas inclusive das que estão na seleta lista, mas alguns critérios me fizeram crer que algumas cantoras boas ou medianas não poderiam jamais entrar para o rol das 20 melhores cantoras dos últimos 10 anos. Ou por falta de critérios ou por falta de simbolismos ou simplesmente por faltar alguma característica importante em suas carreiras, limitei-as de pôr em contraste com grandes nomes que me foram surgindo à mente e pondo numericamente na lista. Como eu havia dito no artigo que antecedia a primeira colocada, alguns critérios foram pensados e os prós e contras foram arremessados contra o ventilador na esperança de que futuramente este artigo pudesse ser escrito.

Recebi uma quantidade suficiente de e-mails e mensagens de leitores ávidos e antenados com o Mais Cultura! e que sugeriram cantoras maravilhosas, como foi o caso de Mariene de Castro, Fernanda Takai, Mônica Salmaso e até mesmo de Paula Lima. No caso da Mariene de Castro, que tem uma carreira brilhante, uma voz e um gingado que só ela tem, não poderia figurar na lista puramente porque ainda não é o seu momento, não é a sua hora, embora seus discos tragam a tona a Bahia de todos os santos, a naturalidade nordestina e a beleza negra, mas ainda faltam argumentos para que ela entre definitivamente para a minha lista pessoal, embora seus dois discos já tenham sido elaborados em artigos que destacaram a sua presença de palco e a sua originalidade.


Paula Fernandes: a pior
Fernanda Takai e Mônica Salmaso são cantoras já carimbadas e estão na estrada há anos, o que infelizmente não condiz com o teor que a proposta do blog sugeria. Paula Lima, que tem carisma, bons discos, boa voz, bom gingado, não poderia figurar na lista puramente porque a cantora se perdeu nas regravações que vem fazendo e na miscelânea de estilos que vem abordando. Definitivamente, as cantoras citadas não poderiam figurar na lista. Mas dentre os e-mails que recebi, muitos leitores e amigos sugeriram nomes de quatro cantoras que praticamente fiquei surpreso ao ler e ainda mais surpreso porque duas poderiam entrar (tanto que fiquei semanas penosamente pensando na possibilidade delas estarem entre as 7 melhores) e as outras duas nem passaram pela minha cabeça. Trata-se de Maria Rita, Maria Gadú, Luiza Possi e Paula Fernandes.

Vou começar pelas mais fáceis.

Luiza Possi: meio infantil, meio adolescente
Luiza Possi é um doce de cantora (sua participação no disco de Martin’lia) é fantástica, mas a sua carreira ainda não deslanchou, ou seja, suas músicas ainda não estão na medida certa, sua postura musical ainda não está ajustada, sua presença de palco ainda não é o suficiente para agradar e sua voz às vezes soa cansativa. Iniciou a carreira abraçada à mãe e teve todo o amparo do pai, mas seus discos beiram a infantilidade e a transformação da mulher, porém, uma ou outra música de seus discos vale a pena ouvir. O resto é resto. E ponto. Paula Fernandes é, pra mim, a pior cantora do cenário musical brasileiro de todos os tempos, tanto que aqui no Mais Cultura!, ela foi eleita a pior cantora do Brasil. Sua voz é fanhosa, ela canta mal, se veste mal, não tem emoção, não tem presença de palco e ainda por cima não abre a boca ao cantar. Definitivamente, Paula Fernandes não figuraria a lista nunca.

As duas cantoras que poderiam adentrar na lista são Maria Rita, que pensei seriamente em deixa-la na terceira colocação e Maria Gadú, que estaria na quarta. Maria Rita é uma excelente cantora, dessas que brota a emoção ao cantar, mas temos a Maria Rita antes o disco de estreia e a Maria Rita pós a música A Festa e Encontros e Despedidas. Antes, Maria Rita tinha mais potencial, mais estilo de cantora determinada, mais firmeza na voz e na postura. Hoje, Maria Rita se mostra frágil, cansada às vezes e literalmente a retirei da lista das 20 melhores cantoras depois de sua incursão pelo mundo musical da mãe, a grande Elis Regina.

Maria Rita ainda não se encontrou e vive de regravações que não lhe servem de nada. Todos os seus discos tem músicas de terceiros ou manjadíssimas e isso é tão irrelevante em se tratando de Maria Rita, que fica difícil, agora, imaginar um novo disco sem uma regravação qualquer. Ainda não aconteceu o grande disco da cantora e espero que um dia isso aconteça, embora seja remoto desse acontecimento vir à prova final. Maria Rita tem capacidade, tem potencial e tem o triunfo nas mãos de ser filha de uma das grandes cantoras deste País. Mas perde-se no quesito musical, engolfada por grandes estardalhaços fora de órbita.

Maria Gadú: ela precisa amadurecer
Maria Gadú nasceu como um meteoro, mas perdeu-se no fio condutor ao juntar-se a Ana Carolina, cantora que já perdeu a credibilidade há anos. A cantora tinha até um certo potencial, seu disco de estreia foi elogiadíssimo por muitos, inclusive eu mesmo fui um dos que estavam no coro, mas Maria Gadú ainda precisa amadurecer, podar raízes, sentir mais a emoção da verdadeira musicalidade que existe dentro dela, mas que ainda não percebeu e mesmo seus discos sendo de uma variante maravilhosa, seu estilo ainda é considerado pop. Um pop dançante, um pop adolescente, um pop caricato às vezes. Maria Gadú tenta, por vezes, passar a imagem de mulher madura, uma garota que nasceu pra cantar (e ela tem essa potencialidade), mas sua singularidade é atemporal para os dias de hoje. Porém, Gadú ainda é uma cantora genuinamente brasileira e espero que seus próximos discos tenham mais o sabor da verdadeira síntese que a música popular brasileira exige.

Por todos esses argumentos, espero ter sanado as expectativas de todos os leitores que exigiram Maria Rita, Maria Gadú, Luiza Possi e Paula Fernandes como as campeãs na lista das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos.



Marcelo Teixeira.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Oitavo Lugar: Seu Jorge - Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos


Seu Jorge (apelido dado pelo amigo e baterista Marcelo Yuka) alcançou sua primeira realização profissional como músico em 1998: integrante da banda Farofa Carioca, lançou o disco Moro no Brasil em Portugal, no Japão e no Brasil. Mas foi exatamente em 2001 que lançou o primeiro disco solo, Samba Esporte Fino, produzido por Mário Caldato e Seu Jorge, mixado e masterizado em Los Angeles por Mário Caldato. No ano seguinte compôs com Ed Motta a música Tem espaço na Van, e também realizou o projeto de samba de partido alto chamado Caatinga de Swing, com apresentações numa boate na zona sul do Rio e no Skol Rio. Em 2003 gravou o disco CRU em Itaipava, com o produtor musical francês Jerome Pigeon, e nesse mesmo ano compôs em parceria com a cantora Ana Carolina, as músicas Beat da Beata e Não Fale Desse Jeito para o disco dela de grande sucesso, Estampado.

Em 2004 gravou em Roma o videoclipe da música Tive Razão, com participação dos atores Willen Dafoe e Bill Murray, dirigido por Mariana Jorge. Em seguida lançou o DVD MTV Apresenta Seu Jorge e compôs com o músico BID a faixa E depois para o disco Bambas e biritas Vol. 1. Por dois anos consecutivos (2003 e 2004) ganhou o prêmio APCA [Associação Paulista de Críticos de Arte] de melhor cantor do ano. Em setembro de 2004 lançou o disco CRU na França (pelo selo Naïve), e na Inglaterra, resultando em 5 estrelas na crítica especializada francesa e inglesa, editoriais de ênfase nas revistas Rolling Stones, Elle France, Vogue France e participações em programas ao vivo de televisão. Foi aclamado pelo público e mídia europeus como um novo grande representante da música brasileira. Foi convidado pela rede BBC de televisão para cantar ao lado de Black Eye Peas e Foo Fighters no badalado programa de televisão de Jools Holand, onde voltou alguns anos depois. Ainda neste mesmo período fez o show de lançamento do DVD The Life Aquatic, tocou na Praça da Bastilha, em Paris, ao lado de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Lenine, Daniela Mercury e Jorge Benjor, fez um show no festival de Jazz de Montreux e saiu em tournê pela Europa.

Em meados de 2005 lançou CRU no Japão, onde já havia acumulado um vasto numero de fãs desde o Farofa Carioca. Ao voltar para o Brasil gravou o disco e o DVD do show Seu Jorge & Ana Carolina – ao vivo. Em setembro do mesmo ano levou para os EUA a turnê do disco CRU nas principais cidades do país com ingressos esgotados em todos. No início de 2006, realizou um projeto de samba no Na Mata Café, em São Paulo, onde aos domingos apresentava, junto a uma roda de samba carioca e convidados, um repertório apenas sambas de partido alto.

Durante o carnaval de 2006 gravou um documentário para a BBC de Londres, cujo tema foi a sua vida, veiculado no programa South Bank Show, e depois exibido no Brasil, Estados Unidos e Europa (clique aqui para assistir no youtube). Em abril, abriu os shows da cantora cabo-verdense, Cesária Évora, em Nova York, Boston e Washington, e em maio Seu Jorge recebeu Gilles Petterson e a CNN em sua casa para a gravação de um programa veiculado no mundo todo. Entre os meses de junho e julho, realizou uma turnê nos EUA e Canadá, realizando 21 shows em 29 dias, incluindo o encerramento do Festival de Cinema de Miami; Bonnaroo Festivalem Manchester; Stern Grove Festival em San Francisco; Coastal Jazz Festival em Vancouver; Summerstage Festival no Central Park, em Nova Iorque; Montreal Jazz Festival; Quebec City Summer Festival, entre outros, com aclamação do público e mídia americana, o que lhe deu energia extra para esticar a turnê pelo Reino Unido e Portugal.

Ao final de 2006 se concentrou na gravação e produção de América Brasil O Disco, sob o qual ficou em turnê por 2 anos consecutivos em solo nacional e internacional. Em Janeiro de 2009, gravou América Brasil O DVD.

Em Julho de 2010 lançou o disco Seu Jorge & Almaz pela gravadora americana Now Again. O projeto nasceu em 2008, quando foi convidado para cantar em uma música parte da trilha sonora do filme Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. Do encontro com os músicos Lúcio Maia, Pupillo e Antônio Pinto, surgiu uma forte amizade e o desejo de gravar um disco. Doze versões de músicas escolhidas por eles foram tão logo gravadas, mas o lançamento do disco só aconteceu dois anos depois, em função das agendas dos envolvidos.

Fez músicas para Paula Lima brilhar em seu disco de estreia, É Isso Aí e ainda por cima é um dos artistas mais elogiados por bambas do escalão de João Bosco, Chico Buarque e Caetano Veloso. Por todos esses adjetivos e pela sua bela historia, Seu Jorge merece destaque no oitavo lugar da lista dos 10 Melhores Cantores dos últimos 10 Anos.



Oitavo Lugar: Seu Jorge

Os 10 Melhores Cantores dos Últimos 10 Anos



Marcelo Teixeira

terça-feira, 27 de março de 2012

Valéria Sattamini: grata surpresa carioca

Samba Blim, de 2003: ótimas regravações
Valéria Sattamini é uma cantora carioca e que lançou apenas um único e belo disco. Sua voz é suave, doce e cristalina. Seu disco é recheado com o velho e bom samba rock ao estilo de Jorge Benjor e se iguala ao estilo de Paula Lima (embora Paula seja mais sofisticada neste segmento). Valéria utiliza o pop moderninho e o samba menos cadenciado para levar ao público um disco com regravações à altura de uma grande interprete e que consegue captar com extrema convicção o brilho de um tempo em que fazer música era sinal de respeito e responsabilidade.

Valéria Sattamini, dizem as boas línguas, é sobrinha do multi artista Nelson Motta e ainda é muito pouco conhecida no cenário musical. O primeiro CD da cantora Valeria Sattamini relembra balanços já conhecidos de Benjor como O homem da gravata florida e Agora ninguém chora mais, Novos Baianos com a música Swing de Campo Grande, Moacir Santos na sua mais alta formosura com Nanã e até resgatando o esquecido Orlan Divo comTamanco no samba, de onde foi tirado o título do CD.

Samba Blim (2003 / Fibra Records / 21,99) é um belíssimo trabalho da cantora carioca que mostra um repertório com um toque contemporâneo, resultando num álbum com o melhor do sambalanço, ritmo muito divulgado por Jorge Benjor. No disco também há um quê de Wilson Simonal, misturados ao samba-pop e a algumas composições próprias cheias de suingue. As releituras de Benjor – O Homem da Gravata Florida e Agora Ninguém Chora Mais – são os pontos altos de um disco bom do início ao fim (algo tão raro hoje...). Esta última, então, é daquelas de não sair da cabeça, de cantarolar o dia inteiro “Chorava todo mundo, mas agora ninguém chora mais, chora mais, chora mais...” Não porque seja uma música-chiclete, daquelas que infestam as rádios. Muito pelo contrário. Valeria desenterra a canção dos anos 60 e dá a ela um vigor e uma modernidade incríveis, fazendo ainda o favor de retirá-la do obscurantismo a que foi confinada por seu criador, que não consegue, ou não quer, fugir da obviedade de seu repertório atual.

Outro achado de Samba Blim é Swing de Campo Grande, dos Novos Baianos. A música foi gravada originalmente por Moraes, Pepeu e cia. no histórico LP Acabou Chorare, de 1972, sem dúvida um dos melhores discos da música brasileira. Valeria também apresenta uma nova leitura para a clássica Nanã. Famosa com Wilson Simonal, a música já foi gravada por meia MPB, mas ainda assim a cantora fez questão de incluí-la em seu disco de estreia. O nome do disco, aliás, foi retirado de um dos versos da música Tamanco do Samba, que abre o CD e é a primeira faixa de trabalho. Aqui, mais um resgate de Valeria, que traz de volta à cena o grande Orlan Divo (compositor da música ao lado de Helton Menezes), esquecido mestre do sambalanço.

O repertório de 12 músicas é completado com seis composições de Valeria, sem parceiros. O destaque é Quero Ver Você, com um delicioso clima de gafieira. Mas vale destacar também Tua Cicatriz e Soul Black, esta última com o reforço de Cecília Spyer nos vocais. Eu Não Sei e Bem Cedo destoam do restante do disco, trazendo um clima jazzístico.



Faixas



·       1 – Tamanco no Samba (Orlan Divo e Helton Menezes)

·       2 – O Homem da Gravata Florida (Jorge Benjor)

·       3 – Quero Ver Você (Valeria Sattamini)

·       4 – O Que Me Falta (Valeria Sattamini)

·       5 – Agora Ninguém Chora Mais (Jorge Benjor)

·       6 – Eu Não Sei (Valeria Sattamini)

·       7 – Nanã (Moacir Santos e Mário Telles)

·       8 – Swing de Campo Grande (Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira e Galvão)

·       9 – Tua Cicatriz (Valeria Sattamini)

·       10 – Soul Black – Participação especial: Cecília Spyer (Valeria Sattamini)

·       11 – Bem Cedo (Valeria Sattamini)

·       12 – Tamanco no Samba (Bossacucanova Remix) (Orlan Divo e Helton Menezes)



Produção: Valeria Sattamini, André Protasio e Flávio Mendes

Direção musical: André Protasio e Flávio Mendes



Nota 10

Samba Blim / Valéria Sattamini



Artigo de Marcelo Teixeira