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quarta-feira, 5 de março de 2014

A fineza de Cris Pereira


Cris: a imperatriz do samba
Brasília, a capital federal do Brasil, esconde muitos talentos brasileiros, assim como os revela num piscar de olhos. Já faz um tempo que venho retratando algumas cantoras – boas e ótimas – de Brasília, como Márcia Tauil, Nathália Lima, Emília Monteiro, Ellen Oléria, Sandra Duailibe e sempre estive certo de que a música que vem dessa parte do país é rica em detalhes, sopros e respirações. Algumas nem ali nasceram, mas ajudam a prestigiar o talento do estado.  Quem pensa que Brasília é o fardo político e intelecto está muito enganado de si, porque ali concentra-se a maior parte musical de todos os tempos e o pólo cultural de uma esfinge preciosa, sentimental e rudimentar. O nome que ajuda a embelezar Brasília e a completar um time de bravas guerreiras da música nacional é Cris Pereira, que tem elegância e pluralidade na voz e no repertório. Cris tem samba na ponta dos pés e um requebrado que só ela tem direito a ter, além de uma voz doce e macia, que conquista a qualquer um já na primeira música. E quem disse que Brasília não tem samba? Cris Pereira prova que o samba ainda é um refugio bem garantido na música brasileira, desde que feito com qualidade, respeito e determinação, como é o caso dela. Música de pimeira grandeza e de uma fineza espetacular, Cris consegue atribuir a si uma qualidade superior, rara nos dias de hoje, para a chamada damas do samba, que já agraciou Clara Nunes, Alcione, Dona Ivone Lara. Recentemente, o cenário sambístico está por conta de Fabiana Cozza, que traz na bagagem ótimos discos sobre o gênero. Mas Cris Pereira é Cris Pereira: forte, bonita, autêntica, simples, guerreira num país em que precisa ser guerreira para alcançar metas e ultrapassar limites. E o limite de Cris foi ultrapassado. Talentosíssima, Cris Pereira só veio a confirmar que seu tempo é hoje, seu samba é eterno e sua voz e brilho nunca se apagarão. Viva Cris Pereira!!!

 
A fineza de Cris Pereira
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Canto Sagrado de Fabiana Cozza


 

Justa homenagem a Clara Nunes
Se viva estivesse, Clara Nunes já estaria com 70 anos, cabelos menos volumosos, talvez mais escuros, pele mais enrugada e nos brindando com seu sorriso encantador. Clara Nunes partiu cedo e deixou um rastro de saudade que não foi preenchido até hoje, mais de trinta anos de sua morte. A lacuna que a cantora deixou jamais será completada e suas músicas jamais terão o mesmo brilho de sua primeira interprete. Clara Nunes não morreu: partiu desta para uma melhor e está viva, eternamente viva, nos nossos corações, mentes e poros. Muitas cantoras se espelharam na beleza no canto da grande Guerreira, assim como muitos cantores também o fizeram, mas negam este destino. Já se foi o tempo em que Roberto Ribeiro, Gonzaguinha, Martinho da Vila ou João Nogueira falavam abertamente que eram apaixonados pela amiga Clara Nunes e que fizeram um samba especialmente à ela. Hoje os cantores mais moderninhos que cantam samba, insistem em dizer ou citar nomes como Dona Yvone Lara, Beth Carvalho, Alcione, mas esquecem da grande dama do samba, a rainha do império, a mestiça cabocla que evoluiu o segmento e que culminou definitivamente o nosso samba aos países aonde jamais imaginiriam que um dia chegaria. Exceto o cantor e compositor Diogo Nogueira, que acaba de lançar um disco inteiramente dedicado às mulheres e que na contracapa fez uma homenagem as mulheres que lhe tornaram um homem completo. Lá tem o nome da Clara, vindo acompanhado das citadas acima e de Clementina de Jesus. Algumas boas cantoras – e outras nem tanto assim – também fizeram neste ano de 2013 homenagens póstumas a cantora, umas com maestria, outras por pura pretensão. Casos como o da cantora Mariene de Castro, que lançou um disco maravilhosamente competente e contemporâneo e que fez desta homenagem uma forma de agradecer ao seu próprio público por esta abertura, tendo em vista que Mariene é uma discípula de Clara. Carla Visi, a cantora baiana que vem do axé fresco e atemporal, resolveu entrar na onda da maré cheia de Clara Nunes para lançar um disco horrendo e feito às pressas, bem característico desta cantora. Com uma capa horripilante e insensível, Carla Visi acabou por completo com as músicas que Clara eternizou, convidando cantores (?) que nada tinham a ver com a obra da homenageada, fazendo disso um dos piores lançamentos do ano. Mas ainda a competência e sensiblidade de uma grande cantora como Fabiana Cozza, vem nos enriquecer com sua potente voz lantente, que adentra em nossos tímpanos sensíveis e oriundos e nos brinda com uma capa deslumbrante, com um festival de músicas maravilhosas e com categoria digna de uma grande estrela da música brasileira. Fabiana Cozza consegue, já na primeira faixa, nos emocionar, nos dirigindo ao cancioneira da cantora mineira, a ponto de nos apaixonar, de nos arrepiar, de nos enaltecer. Fabiana Cozza surge como quem nada quer, nos trazendo um disco magnifico, sentimental e alegre, festivo, bem ao estilo Clara Nunes de ser. Este momento é mágico, porque Fabiana Cozza também é uma adepta do estilo de viver que Clara adotou, fazendo de sua voz e de seu estar, um motivo maior para brindar os fãs e sua própria carreira. Canto Sagrado (2013 / 29,99) é um disco que vem acompado de um DVD e as melhores músicas de Clara estão aqui. Peço atenção para a versão de Fabiana para Portela na Avenida, que ficou sublime, encantadora, arrebatadora. Um fiel trabalho de uma grande artista representando uma diva da música popular brasileira para fechar o ano com chave de ouro. Fabiana soube, milimetricamente, utilizar seus artificios para nos brindar com um disco a altura de seu talento. Voz primorosa, harmonia ginasial, músicas de embelezamento mútuo faz deste disco um presente de luz, um presente divino, um presente saboroso. Que este belo trabalho não seja menosprezado e que muitos possam ouvir, apreciar, comentar, admirar, respirar o ambiente deixado por Clara, sendo agora transpassado por Fabiana Cozza. Um digno e fiel respaldo de Canto Sagrado faz deste trabalho a maior dentre as honrarias feitas para Clara, sem diminuir aqui o trabalho (fiel, sedutor, carimbado, festivo) de Mariene de Castro. Clara Nunes, no meio deste mundaréu de céu e brancas nuvens, está sentindo o povo aqui embaixo celebrando seus 70 anos de vida e ela nos agradece sorrindo, respirando o nosso ar. Viva ela está. No nosso coração e no coração de quem a homenageia diariamente. Viva Fabiana Cozza! Viva o Canto Sagrado de Clara Nunes!

 
Canto Sagrado / Fabiana Cozza
Nota 10
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Álibi (1978), de Maria Bethânia


Grande disco de Bethânia
Toda grande cantora merece um grande disco e com Maria Bethânia não poderia ser diferente. Primeiro disco de uma cantora brasileira a ultrapassar a marca de 1 milhão de exemplares vendidos, antes Clara Nunes chegou a atingir o número com dois discos, Álibi (1978 / RCA / 23,99) leva o nome de uma música composta por Djavan e incluída no repertório que fez menos sucesso que as outras interpretações da cantora, como O meu amor, de Chico Buarque, Ronda, de Paulo Vanzolini, Explode Coração, de Gonzaguinha, Negue, de Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos ou Sonho Meu, de dona Yvone Lara e Décio Carvalho, que tem parceria com a amiga Gal Costa. A selecção de músicas que garantiram o sucesso deste disco e a passagem definitiva de Bethânia como a maior estrela da música nacional veio com este álbum romântico, que tem a abertura de Diamante Verdadeiro, canção de Caetano Veloso, que mais tarde dara nome a outro disco da irmã e De todas as maneiras, do mestre Chico, e a canção que saúda o Rio de Janeiro, na bela A voz de uma pessoa vitoriosa (Caetano e Wally Salomão. O disco na verdade é uma pérola de achados musicais, contando ainda com a arrepiante Cálice, que tem veia política e crítica sobre a ditadura, composta por Gilberto Gil e Chico Buarque e Interior, da compositora Rosinha de Valença. Neste grande disco, o nome Maria Bethânia está impresso em branco, enquanto o vinil traz o encarte com o nome impresso em dourado vermelho. Vale a pena ter este disco em sua coletânea. Não por ser um disco que ultrapassou barreiras, nem por ser um disco repleto de compositores bons, mas por ser um disco histórico.

 

Álibi / Maria Bethânia
Nota 10
Marcelo Teixeira

 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O sabor de Dona Onete


Dona Onete: o Norte é dela



A semelhança fisionomica entre Dona Onete e a cubana Omara Portuondo é gigantesca. Para nossa sorte, Dona Onete é uma legitíma brasileira paraense e que tem um sorriso encantador e sedutor. Dona Onete me foi apresentado pela cantora amapaense Emília Monteiro, detentora atual do ritmo dançante que conseguiu me atrair e que está com o CD Cheia de Graça na praça, revelando os sons do Norte do país. Conheci o trabalho de Omara através de Maria Bethânia e mesmo eu gostando de MPB exclusivamente, me vi caído de joelhos pela cubana, assim como estou pela Dona Onete. Há quem confronte o prodígio nem tão moderno de redescoberta de Dona Onete com Emília Monteiro, pois ambas se juntam para mostrar o quanto nossa música é rica e maravilhosa. Nesse cenário, Dona Onete seria correspondente a Omara Portuondo, mas ela também pode ser comparada à grande dama do samba carioca Dona Ivone Lara - porque além de referência cultural do Pará, tendo exercido outra profissão ao longo de décadas, é mais compositora do que cantora. Com produção do compositor Marco André, lança agora o ótimo álbum de estreia, Feitiço Caboclo, pelo selo Na Music, com patrocínio da Conexão Vivo.

Aos 73 anos, Dona Onete é cheia de malícia e com apenas pouco mais de dez anos de carreira. A estrela de Belém faz tremer o chão e o público por onde passa. Recentemente, em show realizado em Brasília ao lado de Emília Monteiro para o lançamento oficial do CD desta, Dona Onete mostrou a que veio: dançou, cantou e encatou a todos. A expressão, usada tanto com conotação sensual, como pelo efeito anestésico provocado pela hortaliça jambu, típica da culinária local, que dá uma sensação de formigamento e "treme-treme", traduz bem o sentido da performance ao vivo da sacudida canção Jamburana.

Mas vamos falar de Dona Onete. Uma das canções do CD todo autoral, Jamburana  tem possível chance para alcançar outros cantos do País. A música é de uma inspiração única, rica em elementos do Norte e muito bem elaborada, composta e cantada. A veterana compositora é um dos destaques desse rico mapeamento da música paraense e reúne como convidados no CD artistas como Mestre Vieira, Pio Lobato, Manoel Cordeiro, Trio Manari, Gaby Amarantos, Lia Sophia, Luê Soares e Keila Gentil (da Gang do Eletro). Algumas de suas canções também figuram no repertório dos jovens expoentes.

Feitiço Caboclo tem influências eletrônicas que associam Dona Onete à nova geração do chamado tecobrega e o que ela canta é saboroso de ouvir, pois mistura um banquete recheado de gêneros diversos, como o afro, o caribenho, o carimbó, lumdu, guitarrada, lambada, merengue, brega, boi, samba e até uma levada de rap. Tudo isso acaba sendo inovador até mesmo para uma linda senhora de 73 anos de idade.

 

Salve, Dona Onete.

 

O sabor de Dona Onete

 
Marcelo Teixeira

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Mariene de Castro se transforma em Clara Nunes


 

Homenagem à Guerreira
Homenagear Clara Nunes não é uma das tarefas mais fáceis para uma cantora que é pouco conhecida no cenário musical, ainda mais para a cantora guerreira Mariene de Castro. Considerada por muitos como a nova Clara (título que já foi utilizado por Vanessa da Mata em início de carreira), Mariene segue com total maestria no lançamento de seu DVD em homenagem à grande guerreira maior, a cantora que deu voz e vida ao samba e que abriu caminhos para Alcione, Dona Ivone Lara e Leci Brandão brilharem. Cantar foi uma das maneiras que Clara conseguiu mostras as pessoas toda a sua qualidade e profissionalismo e, de quebra, conseguiu angariar uma legião de fãs espalhados pelos quatro cantos do Brasil, transformando-se num ser de luz, com uma radiação pura e profunda, que talvez nenhuma outra cantora tenha. Sendo uma sabiá (apelido dado com carinho por Vinicius de Moraes), Clara foi uma das maiores cantoras do país e aqui no Mais Cultura, ela alcançou o segundo lugar na seleta lista das trinta maiores cantoras do Brasil.

A consternação vem do subversão entre a vontade e as dificuldades de vida e Clara teve algumas dificuldades na vida. A missão de Clara talvez tenha sido cumprida e ouvir Minha missão, de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, trata de uma criação e resignificação da vida pela canção, pelo canto, no cantar. O sujeito canta a própria dor que carrega o mundo e há falta de felicidade: Quando eu canto / É para aliviar meu pranto / E o pranto de quem já / Tanto sofreu, sibila Mariene de Castro (Ser de luz - uma homenagem a Clara Nunes, 2013). O cantar é oferecido, então, como uma garrafada de ervas consumidas –  pois cantar cura.

Canto para anunciar o dia / Canto para amenizar a noite / Canto pra denunciar o açoite / Canto também contra a tirania / Canto porque numa melodia / Acendo no coração do povo / A esperança de um mundo novo / E a luta para se viver em paz, canta Mariene de Castro com a deprimida vitalidade de quem vivencia as ansiedades do súdito da canção. Dor que rima com entrega lúcida à vida. Dor consciente dos prazeres e dos infortúnios de viver. Tudo isso gira na voz quente e épica de Mariene de Castro.

Determinações, nada deterministas, ao contrário, tomadas mesmo como signos do viver, engendram o fazer cancional, por movimentar, organizar e reapresentar sabedorias coletivas e comuns inerentes ao humano. Quando eu canto, a morte me percorre / E eu solto um canto da garganta / Que a cigarra quando canta morre / E a madeira quando morre, canta, diz Clara Nunes. Cantar é, portanto, interferir da dicotomia vida e morte.

Penso que acreditar que apenas a tradição, como se esta não dependesse da traição a si mesma – da inovação – para se reinventar e permanecer como tal (tradição), contém o núcleo luminoso da identidade nacional, é deixar de entender para que se canta: para anunciar o dia / para amenizar a noite / pra denunciar o açoite / também contra a tirania. E as mídias de reprodução têm servido de aliadas da preservação e da afirmação de identidades e culturas, ao revelar e disseminar continuamente o tupi e o alaúde, mitos e essências de brasilidades. Quando eu canto / Estou sentindo a luz de um santo / Estou ajoelhando / Aos pés de Deus, canta Mariene.

O cancionista – a neo-sereia, porque midiatizada – é o médium, a mediação orgânica, das sereias, musas, dos santos, orixás, mitos em complexo signo de rotação, no Brasil. Mariene de Castro apresenta uma voz de timbração forte, de mulher guerreira, sensual e nossa, brasileira, entre a sala e o terreiro, quente. A dicção está cheia de vigor e na própria entoação verificamos uma afirmativa certeza da beleza repleta de fulgor e encanto. A vida pulsa aqui, na voz de quem sabe para que canta: para remelexer a estrutura do nosso instinto caraíba.

Clara Nunes nos deixou em pessoa física. Mariene de Castro a interpretou, apenas. A semelhança entre as duas é existente e cabível de comparações verdadeiras e similares. A luz ainda não se encerrou no fim do túnel e nem a presença de Clara se escondeu no mais profundo breu. Mariene veio para comprovar que ainda temos muito o que saldar a nossa guerreira filha de Ogum com Yansã.

 

Um Ser de Luz (Homenagem a Clara Nunes) / Mariene de Castro

Nota 10

Marcelo Teixeira

terça-feira, 26 de março de 2013

Na cadência de Gerlane Lops


Gerlane Lops, ótima voz
Quinze anos de estrada e sendo comemorados com maestria ao lado de um publico fiel e escudeiro e com a pincelada magistral de Elba Ramalho, não é para muitos cantores que estão tentando um lugarzinho ao sol. Mas Gerlane Lops conseguiu tamanha façanha, ao lançar um DVD e um CD com clássicos da música popular brasileira, embalando sucessos de velhos cantores bons da antiga e com suingue, sabedoria e um bom rebolado. Além de proporcionar canções de sua autoria, a cantora Gerlane Lops comemora seus 15 anos de carreira com DVD e presta homenagem aos grandes mestres do samba clássico, como Paulinho da Viola, Chico Buarque, dona Ivone Lara e Clara Nunes, além de reunir músicas de compositores pernambucanos. A cantora e percussionista Gerlane Lops, com passagem musical no Conservatório Pernambucano de Música e Licenciatura pela Universidade Federal de Pernambuco, conta em seu currículo com expressivas experiências. No Festival Canta Nordeste de 1996, da Rede Globo, obteve 1º lugar na eliminatória pernambucana e 3º na classificação geral com a música Tempo de Varanda, revelando-se como grande intérprete. Ganhou também o Prêmio de Melhor Arranjo para a música Minha Cara, em 1998 e 2000 e Prêmio de Melhor Intérprete com a música Alma de Poeta, ambos no Festival UNICANTO de Música.

Pernambucana, Gerlane Lops está lançando seu primeiro DVD, Da Branca, com o qual celebra 15 anos de uma carreira consolidada no Nordeste e iniciada em 1996, quando defendeu Tempo de Varanda (gravada por ela) no festival Canta Nordeste, da TV Globo. Gravado no Teatro Guararapes, Recife, Da Branca traz participações especiais de Elba Ramalho em uma faixa bônus, do sanfoneiro Cezzinha e de Gustavo Travassos. Através das 19 faixas, Gerlane não somente apresenta canções autorais como, sobretudo, confirma sua devoção ao samba ao recriar clássicos de ícones como Cartola e Chico Buarque.

Alguns compositores pernambucanos não poderiam ficar de fora desta celebração, caso de Lula Queiroga e Erasto Vasconcelos, autores de Piaba de Ouro,; Isaías do Cavaco (Ingrastidão) e, é claro, o mestre do frevo Capiba, de quem Gerlane escolheu A Mesma Rosa Amarela, primeiro samba composto por ele. O espetáculo tem direção cênica de André Brasileiro, cenografista de Marcondes Lima, direção musical de Bráulio Araújo e direção geral da própria Gerlane Lops.

O espetáculo já passou pelo Rio de Janeiro, onde foi apresentado em duas casas de shows (uma delas a recém-inaugurada Miranda Brasil), e por importantes teatros do Recife, como os de Santa Isabel, Luis Mendonça (Parque Dona Lindu) e Guararapes, onde foi gravado e exibido para todo o Nordeste como especial de fim de ano da Globo, em 31 de dezembro de 2010. Em janeiro foi visto por mais de 100 países através da Globo Internacional.

Nascida em Olinda, Pernambuco, a cantora, compositora e percussionista foi revelada, em 1996, no Festival Canta Nordeste, apresentado e promovido pela TV Globo. Ao longo de sua trajetória, consolidou seu nome no carnaval pernambucano. Participou do Galo da Madrugada, onde, em 2012, comandou, por exemplo, o trio da Ambev, ao dividir o palco de shows na cidade com nomes como Martinho da Vila. Participou do DVD com o Quinteto Violado homenageando Luiz Gonzaga e de CDs como Ecos do São Francisco, que reuniu grandes nomes da nossa música.

Gerlane Lops é uma raridade no meio musical, porque seu timbre é maravilhosamente encantador. Seu estilo musical, mesclando sons e atabaques, fazem dela uma cantora diferenciada dentro do próprio Nordeste e deixam a aura de Gerlane ainda mais poderosa. A cadência de Gerlane Lops agrada, emociona e pulveriza o ambiente por onde ela passa.

 

Na Cadência de Gerlane Lops
Nota 10

Marcelo Teixeira

 

 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

17º Maior Cantora do Brasil: Paula Lima


Paula Lima no 17º lugar
Paula Lima é formada em piano clássico e em Direito pelo Mackenzie, marcou a sua entrada no mundo da música com o grupo Unidade Bop (ex-Unidade Móvel), que teve lançamento pelo selo Eldorado. Logo em seguida, em 94, fez backing vocal para Jorge Ben Jor no disco 23; cantou no sucesso da dupla de rap Thaíde e DJ Hum (Senhor Tempo Bom), integrou o grupo Zomba e por fim caiu no baile do Funk Como Le Gusta, com o qual se destacou com a releitura de Meu Guarda-Chuva (composição de Ben Jor quando ainda era só Ben). Em 2001 lançou seu primeiro cd solo pelo selo Regata Records, o É Isso Aí, recebendo elogios de crítica e público. Com o álbum foi indicada à categoria de revelação pelo Prêmio Multishow. Dois anos depois, foi a vez de gravar o álbum Paula Lima, com o instantâneo sucesso Gafieira S/A, lançado pela Universal Music. Nesses dois álbuns compôs canções com Seu Jorge, Bernardo Vilhena e Ed Motta.

Em 2003 teve esses dois primeiros álbuns lançados na Europa e Japão, recebendo o É isso aí o título de Diva Paulista. Gravou com a banda japonesa Mondo Grosso, a música Life, obtendo reconhecimento internacional. Em dezembro de 2005 foi convidada para representar o Brasil na África do Sul, no principal evento musical do continente – o Kora Awards - que reúne personalidades musicais e políticas. O cd Sinceramente, lançado em 2006, pela Indie Records, terceiro de sua carreira, teve a primeira tiragem esgotada em menos de um mês. Conceituado por ela, na produção, além da própria, contou com outros dois produtores de primeira, Luís Paulo Serafim e Walmir Borges, este também diretor musical de sua banda. O repertório pesquisado e conduzido por Paula foi feito sob medida e conta com composições inéditas de alguns admiradores confessos como Seu Jorge, Ana Carolina, Zélia Duncan, Mart’nália, Arlindo Cruz, Leci Brandão, entre outros consagrados nomes da MPB.

O álbum também foi lançado no Japão e diante do sucesso, Paula foi capa da revista Latina, com 05 páginas sobre seu trabalho. O cd segue rumo à América Latina, iniciando sua entrada pelo México, Estados Unidos e Europa, com turnê agendada para o final de 2008 e início de 2009. Com Sinceramente a cantora recebeu duas indicações ao Prêmio Tim de Música, de 2007 e também foi indicada ao Prêmio Toddy como melhor Álbum de MPB. Recebeu ainda o prestigiado Troféu Raça Negra na categoria de melhor cantora.

Ainda no mesmo ano, deixou sua marca no Carnaval de Salvador: fez tremer e levou ao delírio o público presente no Camarote Oceania com seus 05 shows de puro balanço. Como mestre de cerimônia, convidou para participações especiais, três inusitados parceiros: Marcelo D2, Nasi do IRA! e Toni Garrido, mostrando assim um de seus pontos fortes: o livre trajeto e o respeito entre seus parceiros.

No final de 2007, recebeu o convite para evento internacional em Angola, Belas Divas, em homenagem às personalidades femininas que tiveram grande atuação no país. Acompanhada de sua banda, com sua marcante presença envolveu a todos, chegando a fazer um dueto com o presidente, que entoou isso é problema dela. Foi a única brasileira e estrangeira presente e também homenageada.

No percorrer de sua trajetória musical cantou ainda ao lado de outros grandes nomes da música brasileira, entre eles: Jorge Benjor, D. Ivone Lara, Milton Nascimento, Nando Reis, Luiz Melodia, Arlindo Cruz, Zélia Duncan, Zeca Pagodinho, Leci Brandão, Rita Lee entre outros. Para Jorge Benjor, ela é a sua Menina dos Olhos e para D. Ivone Lara, que se encantou também resumiu, O Samba Precisa Dela.

Com certeza outras histórias estão por vir da diva de voz, presença e originalidade ímpares, com muita brasilidade, balanço e swing únicos e é por toda a sua musicalidade que Paula Lima chega ao décimo sétimo lugar na seleta lista das grandes cantoras do Brasil.

 

17º Lugar: Paula Lima

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Belas e Feras, de Vânia Bastos, destoa o melhor da MPB


Ótima voz, ótimo disco
Uma das mais belas vozes da MPB, Vânia Bastos ainda não é uma cantora reconhecida pelo grande público e isso se deve a falta de informação que muitos carregam dentro de si e pela alta dosagem de música sem fundamento que assola o cenário musical, esmagando, quase que por completo, artistas de excelente gabarito. Mas quem está antenado com o melhor da música brasileira, sabe que Vânia Bastos é uma cantora completa, digna de uma refinada voz e com discos que exprimem o quanto a MPB é valorizada. E é com esta valorização que hoje resenho o disco Belas e Feras, lançado em 1999. O álbum, somente com músicas de compositoras de altíssimo nível, demonstra o quanto o país hoje é tomado pelo sexo feminino num todo. Ganhando o título de Belas e Feras, Vânia dá o recado numa forma generosa de homenagear suas colegas, sem deixar cair a peteca e fazendo de sua voz um grande e maravilhoso álbum.

O oitavo disco de Vânia vêm com pitadas saborosas de Marina Lima, Ângela Ro Ro, Joyce, Lucina, Dona Ivone Lara, Adriana Calcanhotto e até Daniela Mercury como letrista formidável que acabou se consolidando. O álbum, acima de tudo, é romântico, aonde o amor é incondicional e as mulheres são fortes e o cantar de Vânia deixa o disco tão belo, tão harmonioso e simples, que chega a ser lindo de ouvir. Sublinhamente aconchegante, Belas e Feras adentra meu universo e carrego na emoção ao ouvir tamanho clamor de uma excelente cantora e que todos deveriam conhecer e carregar no coração a beleza pura de uma voz única.

Do começo ao fim, o disco se mostra capaz de nos agarrar pelo sentimento aflorado de canções marcantes com tonificação exclusiva de Vânia. Impossível ficarmos sem repetir uma faixa sequer, pois quando o disco se encerra, queremos ouvir mais e mais. E é assim que Vânia Bastos entrou em minha vida: com um disco a altura de uma grande cantora, com músicas significativas e com uma voz de arrepiar.

 

Belas e Feras / Vânia Bastos

Nota 10

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 23 de março de 2012

O novo disco de Fabiana Cozza: merecedor de aplausos



Novo disco de Fabiana Cozza: merecedor
O samba é seu dom e ela sabe dar o recado perfeitamente quando o tema é música de verdade, de responsabilidade, de qualidade. Fabiana Cozza é o que há de melhor na nossa música popular brasileira e sua representatividade significa que o samba feito por mulheres consagradas por Clara Nunes, Dona Ivone Lara e Alcione não está perdido. O samba tem nome, sobrenome e será muito difícil esquecermos uma interprete chamada Fabiana Cozza. Seu timbre de voz encanta e provoca sensações enérgicas tão equidistantes e sensíveis que é, de fato, uma presença marcante nos palcos e por onde passa. Fabiana veio para ficar em um reduto sambístico com pompas de honra, sendo vangloriada por muitos acadêmicos do segmento e louvada por fãs acalorados por seu gingado.

Com dois outros discos merecedores de aplausos efusivos, O Samba é Meu Dom (2004) e Quando o Céu Clarear (2007), Fabiana Cozza nos apresenta agora seu terceiro disco com a maestria da originalidade e mais um trabalho espetacular. Fica ainda mais difícil dizer que Fabiana é uma cantora passageira. Pudera: seus discos são obras-primas e de uma significância tão maravilhosa que nos deixa a sensação de que faltava algo para salvar o samba. Ou tentar.

Fabiana Cozza (2011 / Agô Produções / 25,90) é um disco delicioso por onde a cantora passeia entre o samba, o pagode, o partido alto, as crenças, os santos e a qualificação de um estilo único. Músicas caprichadas, compositores de primeira grandeza, harmonia e melodia e encantamento caminham de mãos dadas, como se mostrassem a Fabiana que o caminho a seguir era justamente aquele. E Fabiana está cantando melhor neste disco, deixando nítido que sua personalidade está equilibrada. Um disco tão perfeito que fica impossível ficarmos parados. O samba aparece na ponta do pé e a voz de Fabiana embala. E mais um disco destila todos os efeitos de que Fabiana Cozza é uma das melhores interpretes que este Brasil já conheceu.

A participação, assim como aconteceu em seu primeiro disco, de seu pai, Oswaldo dos Santos, emociona pela sensibilidade que a música exige. Pai e filha em um duelo marcante, voz magistral com voz potente num giro de palavras e sentimentos que nos deixam embasbacados e a certeza de que ainda teremos outros encontros como este. Mas o disco é muito mais. Fabiana regravou grandes bambas do samba, todos com a mesma intensidade e qualidade e respeito.

Ouçam com muita atenção as belas músicas deste disco, com destaque para Santa Bamba, a melhor faixa do disco. Mas ouçam, ouçam e cansam de ouvir Fabiana Cozza na sua melhor magnitude.

Fabiana Cozza é totalmente diferente do segundo álbum, Quando o Céu Clarear, mas muito próximo de O Samba é Meu Dom. Indiferente disso, as músicas que Fabiana canta neste seu terceiro disco são de uma competência única, espetacular e original.



Álbum Fabiana Cozza (2011)

·       Sandália Amarela (Wilson Moreira e Nei Lopes)

·       2. Lá fora (Elton Medeiros e Délcio Carvalho)

·       3. São Jorge (Kiko Dinucci)

·       4. Sabe Deus (Sombrinha, Marquinho PQD e Carlinhos Vergueiro)

·       5. Eternamente sempre (Sombrinha e Marquinho PQD)

·       6. Candeeiro de Deus (Roque Ferreira)

·       7. Festa do Zé (Sombrinha e Carlinhos Vergueiro)

·       8. Lupiciniana (Wilson das Neves e Nei Lopes)

·       9. Escudo (Wanderley Monteiro e Ivor Lancellotti)

·       10. Santa Bamba (Kiko Dinucci e Fabiano Ramos Torres)

·       11. Serenata de São Lázaro (Gilson Peranzzetta e Paulo César Pinheiro)

·       12. Solo Sagrado (Julio Marcos e Xuxu)

·       Narainã (Alvorada dos Pássaros) – (Ideval Anselmo, Jordão e Zecão)



Direção e Produção Musical: Paulão 7 cordas

 Produção Artística: Fabiana Cozza e Marcelino Freire



Nota 10

Fabiana Cozza / Fabiana Cozza


Marcelo Teixeira