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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Leny Andrade - uma cantora brasileira


Leny : grande dama da MPB e sem rótulos
Embora muitos ou poucos a considerem como uma cantora de jazz, a própria Leny Andrade não se considera rotulada como tal. Leny gosta de ser chamada de cantora. Simplesmente cantora. Em alto e bom som e na sua mais plenitude definição. E por que e para quê limitá-la a um gênero quando se sabe que ela domina tantos outros? Se precisar for classificá-la de alguma maneira, a única palavra possível seria: brasileira. Então assim a chamemos: Leny Andrade, uma cantora brasileira. Assim como é uma cantora brasileira que fez mais sucesso (com merecimento) do que em solo americano, a própria Leny diz que é uma aspirante cantora americana. Nada nada e nada longe da verdade. Leny canta desde 1983, quase todo o ano, em Nova York. E tanto que, em 1993, dez anos depois, já com o Green card na bolsa, resolveu montar por lá um agradável espaço em formato de moradia onde pudesse pousar o corpo durante suas longas e lotadas temporadas no Ballroom, no Blue Note, no Town Hall e nas demais casas que disputavam o seu canto. Era também uma base confortável para onde retornar depois de se apresentar em Washington, em Los Angeles ou em cidades americanas. E até hoje é assim, com a diferença de que seu principal placo em Nova York passou a ser a casa de jazz mais respeitada do mundo: o Birdland, assim chamada para homeagear o saxofonista Charlie Bird Prker. Nenhuma cantora pode ser comparada à Leny, exceto Ella Fitzgerald. Excelente cantora que é, Leny é uma cantora que improvisa em vocais, lógica e assimétricas em explosivo dinamismo. Nascida no Rio de Janeiro em 1943, a cantora foi criada em conjuntos habitacionais e desde pequena sonhava em ser cantora. Ingressou na Bossa Nova tendo dois pontos centrais e cruciais: de um lado João Gilberto, que mantinha uma postura cool, equilibrada, simplista, justa e exata e de outro lado tinha a linha feminina que contrariava com a de Nara Leão, Dulce Nunes, Astrud Gilbert, Odette Lara, Wanda Sá, Joyce, Miúcha, Elza Soares, Elis Regina. Mas ao mesmo tempo que Leny tinha o exemplo e companheirismo de João Gilberto, ela se dividia entre outras inspirações e vertentes masculinas, como Wilson Simonal, Jorge Ben e Emílio Santiago. Mas ao adentrar na Bossa Nova, Leny provou que era Sambop, estilo totalmente diferente do estilo banquinho e violão. Um dos maiores desmentidos à história de que a bossa nova era cantar baixinho foi a entrada de Leny no movimento: cantar baixinho não era com ela. E mesmo assim, Leny foi a mais consagrada dentro desse time de cantoras extraordinárias. Miéle e Ronaldo Bôscoli foram os responsáveis pelo impacto da presença de Leny em solo brasileiro, quando produziram o histórico show Gemini V, que também contava com Pery Ribeiro e o Bossa Três. Depois disso, Leny percebeu que aqui não seria seu verdadeiro palco, embora saiba da sua responsabilidade em ser brasileira: o Brasil não a respeitaria como cantora, mulher e dona de uma das vozes mais autorais de seu tempo. Fez e faz sucesso nos Estados Unidos pelo conjunto da obra e lá o povo americano a reverencia como sendo a maior cantora de jazz do mundo.

Leny Andrade – uma cantora brasileira
Por Marcelo Teixeira

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

É melhor ser... Simone!


Um disco atrativo de Simone
Simone voltou e mais bela e confiante do que nunca. Assim a cantora sentencia seu novo disco, aos 63 anos de idade e em plena forma, lançando um disco apenas com músicas de cantoras brasileiras, dando uma reviravolta em sua carreira. É Melhor Ser (2013 / 26,99) tem um desfile de ícones brasileiras, como Angela Ro Ro, Rita Lee, Adriana Calcanhoto, Joyce, Fátima Guedes, Dona Ivone Lara, Marina Lima, Teresa Cristina, Joanna, Sueli Costa, Alzíra Espíndola.  As curvas femininas dão toda a diferença neste disco, que está redondo, como definiu a cantora em entrevistas recentes. O amor parece ser o fio condutor das 13 faixas, com suas calmarias e seus ventos uivantes que reinaram praticamente toda a carreira de Simone. É Melhor Ser é ousado e criativo, feminino e sedutor, capaz de nos envolver já nas primeiras notas do primeiro áudio e este momento sublime da cantora reflete de um modo geral dentro da MPB, que está repleto de cantoras novas, mas sem o brilho de Simone. O disco vem em um momento de transição na carreira da cantora, que vinha de um certo ostracismo, lançando discos atemporais e sem graça e sem o apoio da crítica especializada. Quem acompanha a carreira de Simone não estranhará seu lado autoral neste novo disco que, a propósito, recheia o disco com os privilégios femininos e suas pérolas predominantes do amor. Entre as que ainda não havia gravado destaca-se Mulher o Suficiente, de Alzíra Espíndola em parceria com Vera Lúcia Motta, Os Medos, de Joyce com Rodolfo Stroeter e Haicai, de Fátima Guedes. De Zélia Duncan surge Só se for, belo bolero que Simone também assina a co-autoria, Adriana Calcanhotto surge em Aquele plano para me esquecer e de Teresa Cristina temos Trégua suspensa. É Melhor Ser é um disco diferente na carreira de Simone por ser mais a cara de Simone e voltar aos tempos de estrelato total. Simone ainda continua na ativa, dando um show de interpretação e sendo considerada, ainda, um ícone da música popular brasileira. E para as cantoras novas que surgem a cada esquina sem um pingo de criatividade, aconselho a ouvir esse disco sensacional, com uma voz agradabilíssima e sem estrelismos.

 
É Melhor Ser / Simone
Nota 10
Marcelo Teixeira

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Nos Horizontes de Leila Pinheiro


Um dos melhores de Leila
Leila Pinheiro é muito conhecida como uma bossa-novista que não esteve naquele tempo áureo de Tom Jobim ou Vinicius de Moraes, mas teve o aval e apadrinhamento do primeiro para poder cantar toda a discografia precisa do maior compositor brasileiro de todos os tempos. Mesmo com discos muito além da bossa nova, Leila Pinheiro conseguiu imprimir em sua discografia, discos quase autorais, como Na Ponta da Língua e Nos Horizontes da Vida, hoje retratado aqui no Mais Cultura. E Leila teve muito o que celebrar em 2005, ano do lançamento do disco, pela Universal. Contratada pela Biscoito Fino no ano seguinte, a cantora lançou um de seus melhores discos, Nos Horizontes do Mundo - o primeiro gravado com autonomia desde 1998, ano em que apresentou o delicioso CD Na Ponta da Língua (já resenhado aqui no blog).

Sem obstinação, Leila arriscou na disparidade e estimulou a nova onda de parcerias como Joyce com Luiz Tatit na saborosa Deu no que Deu, Marcos Valle com Jorge Vercilo, na dançante Pela Ciclovia e, sobretudo, Chico Buarque com Ivan Lins - na inquietante, Renata Maria). Leila gravou ainda soberbas inéditas de Fátima Guedes (A Vida que a Gente Leva) e Francis Hime, com participação de John Donne e Geraldo Carneiro (Gozos da Alma), além de ter recriado de forma sublime a triste canção Onde Deus Possa me Ouvir, do mineiro Vander Lee, em registro que superou (e muito) a gravação feita por Gal Costa em 2002, em Gal Tropical.

Tiranizar, de Caetano Veloso e César Mendes, foi um dos achados de Leila para compor o novo disco, porque a música ficou muito deliciosa de ouvir e dá aquela sensação de quero mais. Assim como O Amor e Eu, um sambinha genioso de Eduardo Gudin, outro grande amigo de Leila. Nuestro Juramento é um bolerão dos bons do porto-riquenho Benito de Jesus e ...E Muito Mais é uma boa embolada que somente os irmãos João Donato e Lysias Ênio sabem fazer.

Mas não são todos que conseguem gravar Minha Alma, do grupo O Rappa com tamanha maestria. Vânia Abreu o fez em seu disco Eu Sou a Multidão e o resultado ficou bacana. Aqui, Leila Pinheiro utiliza a música Juízo Final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares), com voz de Nelson, como incidental tanto no início como no fim da canção. Ficou boa, mas poderia ser melhor e nem por isso tira o mérito de todo o álbum.

A faceta de compositora aparece em Delicadeza tocada apenas ao piano e a parceria com Renato Russo surge em Hoje, uma música calcada no sentimento puro e sincero sobre a vida. Simone Guimarães a presenteia com Vem, Amada, uma canção leve, que trata sobre o amor e suas singelezas perdidas. Encerrando (assim como Na Ponta da Língua) com Walter Franco, grande amiga da cantora, A 60 Minutos Por Hora revela que sessenta minutos por hora não precisa ter pressa para chegar a lugar nenhum.

Nos Horizontes do Mundo (letra de Paulinho da Viola) repousa Leila Pinheiro no primeiro time de cantoras nacionais, depois de muito caminhar com discos a sombra da bossa nova.

 
Nos Horizontes do Mundo / Leila Pinheiro

Nota 10

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 17 de abril de 2013

De Olho Neles: Adriana Godoy


Adriana Godoy: bela voz
Paulistana, filha do maestro e compositor Adylson Godoy e da cantora Silvia Maria, Adriana Godoy tem na família tradição musical seguindo gerações, passando pelos tios Amilton Godoy, pianista do Zimbo Trio e Amilson Godoy, maestro e produtor cultural. Sua vivência como musicista aconteceu dos sete aos quatorze anos na Escola de Piano Magdalena Tagliaferro (SP) até a descoberta de seu instrumento, A VOZ, aos dezenove anos, dedicando-se ao estudo de técnica e interpretação, com Maria Alvim e na Universidade Livre de Música Tom Jobim, de 1996 a 2000. A partir daí participou de projetos que lhe dariam vivência musical e profissionalismo. Dividiu arte e palco com importantes nomes da música brasileira. Entre eles Adylson Godoy, Alaíde Costa, Amilson Godoy e Grupo Sinfônico Arte Viva, Banda Sinfônica Jovem (SP), Carlos Lyra, Elton Medeiros, Eduardo Gudin, diretor Fernando Faro, Filó Machado, Jair Rodrigues, João Donato, Joyce, diretor José Possi Neto, Maestro Júlio Medaglia e Orquestra de Cordas Theatro Municipal de São Paulo, Luiz Roberto Oliveira, Marcos Valle, produtor Manuel Barenbein, Mieli, Miúcha, Maestro Roberto Sion e Orquestra Jovem Tom Jobim, Renato Braz, Roberto Menescal, Rosa Passos, Sérgio Cabral, Swami Jr., Theo de Barros, Zimbo Trio.

Ao lado de Zimbo Trio em setembro de 2009, recebeu do Governo Municipal de La Paz, Bolívia, um certificado de reconhecimento por sua participação no VIII La Paz FestJazz Internacional , Música de Libertad. Adriana é professora de canto popular no CLAM (escola de música do Zimbo Trio) e professora convidada da faculdade Santa Marcelina (SP) para avaliar os alunos de canto popular. Em julho de 2010, fez o lançamento de seu segundo Cd solo Marco, na casa Tom Jazz, em SP, dedicando-se a sua difusão. Em 2011 dedicou-se a comemoração dos seus 15 anos de carreira em diferentes casas de shows em São Paulo. Teve estreia com o disco Todos Os Sentidos (2003), que foi produzido por Adylson Godoy e Adriana Godoy, enquanto o CD Marco (2010), foi produzido por Adriana Godoy e Debora Gurgel. O Cd Marco, possuiu o apoio do Prêmio ProAc 2008, através da Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo.

 

De Olho Neles: Adriana Godoy

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

18º Maior Cantora do Brasil: Wanderléa


A musa dos anos 1960
Sendo uma das principais cantoras dos anos 1960, Wanderléa foi uma sensação à parte para homens de todas as idades e influenciou as mulheres de sua geração por ousar, abusar e inserir na cultura brasileira as famosas minissaias, que viraram febre e sensação de desrespeito pelo clã vanguardista. A cantora saiu de Minas Gerais para se tornar a mais importante cantora da Jovem Guarda. Já aos 10 anos ganhava concursos em rádios e lançou em 1962 o primeiro compacto. No ano seguinte sai o primeiro LP, Wanderléa, pela CBS. Na gravadora conhece Roberto e Erasmo Carlos, com quem passa a apresentar em 1965 o programa Jovem Guarda pela TV Record de São Paulo. Transmitido nas tarde de domingo, o programa teve uma das maiores audiências da época e lançou diversos artistas. Wanderléa e Celly Campelo foram as primeiras estrelas do rock brasileiro. Participou de filmes ao lado de Roberto Carlos e, depois de terminada a Jovem Guarda, continuou a carreira como cantora pop.

Pouca gente sabe, mas Wanderléa já gravou Gonzaguinha, Sueli Costa, Luiz Melodia, Joyce e não apenas a turma do iê-iê-iê. E isto se torna uma preconceito tão gigantesco contra a cantora marcada por uma geração, que chega a ser ridículo. Wanderléa é muito mais que o movimento que a consagrou. Grandes compositores e grandes músicas fizeram parte de sua vida e isso a torna uma das grandes cantoras do Brasil, chegando ao posto de 18º lugar. Ser marcada e reconhecida como uma cantora de um determinado tempo ou período é natural, mas ficar estacionada no tempo, jamais. E Wanderléa não parou no tempo, tanto que até hoje grava discos, DVDs e reúne em seu acervo musical a mais concreta e justa cultura brasileira. Atualmente se apresenta cantando seus maiores sucessos, como Pare o Casamento (versão de Luís Keller), Ternura (Rossini Pinto) e Prova de Fogo (Erasmo Carlos).

 

18º Lugar: Wanderléa

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

21º Maior Cantora do Brasil: Joyce


A cantora Joyce
Com discos sensacionais e com a mistura entre jazz, bossa nova e música popular, Joyce (que agora assina Moreno), começou sua carreira de cantora, violonista e compositora em 1968, com o lançamento de seu primeiro disco, Joyce. Nos anos 70 fez algumas gravações e participou de festivais, mas o sucesso veio verdadeiramente em 1980, com a música Clareana (com Maurício Maestro) no festival de MPB. O LP Feminina teve êxito numa época em que não havia na música brasileira muitas mulheres compositoras que cantassem e se acompanhassem ao violão. No início da década de 80 lançou seus discos de maior sucesso, como Água e Luz e Tardes Cariocas. Nos anos 90 sua música estourou nas pistas de dança da Europa, principalmente Inglaterra, desencadeando um ressurgimento da música brasileira no exterior, agora voltada para um novo público, algo vagamente batizado de new bossa ou drum'n'bossa.

Com isso, seus discos dos anos 70 e 80 foram reeditados em CD, mas alguns deles não são distribuídos no Brasil. Atualmente faz turnês mundiais bem-sucedidas, e tem lançado discos com músicas inéditas e coletâneas. Algumas de suas músicas mais famosas são Feminina, Monsieur Binot e Mistérios (com Maurício Maestro). Com tantos atributos, Joyce Moreno chega ao 21º lugar na lista das 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos com pompa e a maestria de uma grande dama da música popular brasileira.

 

21º Lugar: Joyce Moreno

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

29º Maior Cantora do Brasil: Simone


Simone e seu romantismo
Na história da MPB a tradição romântica de Simone foi intensificada nos anos 1980 e os temas de amor romântico e paixão, foram amplamente explorados por diversos cantores e compositores. Simone, que desde o início da carreira interpretou predominantemente canções românticas, figura dentre elas e é por isso que ela entra na categoria de cantora romântica. O repertório abrange mais de 380 interpretações, um dos mais vastos e diversificados dentre as vozes femininas, compondo um verdadeiro mosaico de estilos. O amor romântico ou idealizado, a paixão, (Começar de Novo, Jura Secreta, Corpo, Medo de Amar nº 2, Raios de luz, Lenha), o samba (O Amanhã, Disputa de Poder, Ex-amor) e a religiosidade (Cantos de Maculelê, Reis e rainhas do Maracatu, Então é Natal, Ave Maria, Jesus Cristo) são os mais recorrentes na obra. Ao longo da infância e juventude as principais referências deste repertório romântico foram Roberto Carlos, Milton Nascimento e Maysa Matarazzo, de quem é grande fã e que grande influência exerceu na carreira, Dolores Duran, Ângela Maria, Nora Ney e Elizeth Cardoso -- as maiores expoentes do gênero samba-canção ou fossa. O gênero, comparado ao bolero, pela exploração e exaltação do tema amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor não realizado, foi chamado também de dor-de-cotovelo.

O samba canção (surgido na década de 1930) antecedeu o movimento da bossa nova (surgido ao final da década de 1950, em 1957), com o qual Maysa já foi identificada. Mas este último, herdeiro do jazz norte-americano, representou um refinamento e uma maior leveza nas melodias e interpretações em detrimento do drama e das melodias ressentidas, da dor-de-cotovelo e da melancolia. O legado de Maysa, ainda que aponte para dívidas com a bossa, é o de uma cantora mais dramática e a voz é mais arrastada do que as intérpretes da bossa e por isso aproxima-se antes do samba-canção e do bolero. O declarado gosto pessoal da cantora por boleros advém desta herança musical. Ao lançar o CD Fica Comigo Esta Noite, comentou que bolero é bolero, o que é fácil é fácil.

Já como intérprete, Ivan Lins, Vitor Martins, Milton Nascimento, Fernando Brant, Paulo César Pinheiro, Gonzaguinha, Chico Buarque, Martinho da Vila, Fátima Guedes, João Bosco, Aldir Blanc, Isolda, Roberto Carlos, Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho da Viola, Sueli Costa e Abel Silva são os compositores com maior número de interpretações na sua voz. O repertório atual inclui ainda Zélia Duncan, Cássia Eller, Adriana Calcanhotto, Aldir Blanc, Joyce, Martinho da Vila, Ivan Lins, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho e Lenine.

Simone é uma das grandes cantoras deste país, sem sombra de dúvidas e precisamos manter viva esta categoria a qual ela pertence.

 

29º Lugar: Simone

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Belas e Feras, de Vânia Bastos, destoa o melhor da MPB


Ótima voz, ótimo disco
Uma das mais belas vozes da MPB, Vânia Bastos ainda não é uma cantora reconhecida pelo grande público e isso se deve a falta de informação que muitos carregam dentro de si e pela alta dosagem de música sem fundamento que assola o cenário musical, esmagando, quase que por completo, artistas de excelente gabarito. Mas quem está antenado com o melhor da música brasileira, sabe que Vânia Bastos é uma cantora completa, digna de uma refinada voz e com discos que exprimem o quanto a MPB é valorizada. E é com esta valorização que hoje resenho o disco Belas e Feras, lançado em 1999. O álbum, somente com músicas de compositoras de altíssimo nível, demonstra o quanto o país hoje é tomado pelo sexo feminino num todo. Ganhando o título de Belas e Feras, Vânia dá o recado numa forma generosa de homenagear suas colegas, sem deixar cair a peteca e fazendo de sua voz um grande e maravilhoso álbum.

O oitavo disco de Vânia vêm com pitadas saborosas de Marina Lima, Ângela Ro Ro, Joyce, Lucina, Dona Ivone Lara, Adriana Calcanhotto e até Daniela Mercury como letrista formidável que acabou se consolidando. O álbum, acima de tudo, é romântico, aonde o amor é incondicional e as mulheres são fortes e o cantar de Vânia deixa o disco tão belo, tão harmonioso e simples, que chega a ser lindo de ouvir. Sublinhamente aconchegante, Belas e Feras adentra meu universo e carrego na emoção ao ouvir tamanho clamor de uma excelente cantora e que todos deveriam conhecer e carregar no coração a beleza pura de uma voz única.

Do começo ao fim, o disco se mostra capaz de nos agarrar pelo sentimento aflorado de canções marcantes com tonificação exclusiva de Vânia. Impossível ficarmos sem repetir uma faixa sequer, pois quando o disco se encerra, queremos ouvir mais e mais. E é assim que Vânia Bastos entrou em minha vida: com um disco a altura de uma grande cantora, com músicas significativas e com uma voz de arrepiar.

 

Belas e Feras / Vânia Bastos

Nota 10

Marcelo Teixeira

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Essa Mulher - o grande disco de Elis, de 1979



Essa Mulher: o melhor de Elis está aqui

Em 1979, Elis Regina entraria para a história da música popular brasileira com mais um disco arrebatador: Essa Mulher. Com direito a uma pintura a óleo da cantora na contracapa e com flores espalhadas pelo encarte do disco, Elis apresentou uma seleção de dez músicas ditas das melhores de sua carreira, com muita técnica vocal, postura, brilho e sofisticação. Claro que o álbum viria a se tornar um marco na carreira da brilhante cantora e hoje esse mesmo álbum está fadado a ser classificado como Best Sellers em muitas estantes por onde passo. Recentemente, tenho ouvido muito este disco, graças às dicas e palpitações e citações de meu amigo carioca, Jaime Santana, que é apaixonado pela diva e, como ele frisa, a melhor cantora do Mundo.

De João Nogueira a João Bosco, passando por Cartola e Sérgio Natureza, Elis soube pincelar as melhores músicas dos melhores compositores da época. Mas o disco é inteiramente feminino, a começar pelo título, Essa Mulher, pontada, principalmente, por aquele brilho de sofrimento que as mulheres carregavam nos anos 1970 e hoje em dia algumas ainda carregam. Um misto de feminilidade com politicagem, Essa Mulher nos envolve pela desenvoltura da escolha de um repertorio fantástico e esmagatório com relação à obra da artista e até mesmo sobre seu disco anterior, Transversal do Tempo, em que a política e a carga pesada de Elis, as revoltas, o governo, o ódio e o rancor afloravam a cada canção. E talvez seja esta a fascinante magia que Elis nos deixa de lição: a de não ser a mesma sempre. Transversal do Tempo é um disco ao vivo, político, pesado, grandioso. Essa Mulher é um disco feminino e com uma pincelada política (O Bêbado e a Equilibrista).

Com participação especialíssima de Cauby Peixoto na belíssima música Bolero de Satã, temos dois grandes ícones da música em um disco repleto de emoção. A curiosidade talvez ficasse por conta de um disco ser feminino, contar apenas com a participação de duas compositoras, Ana Terra, que deu o título ao disco e Sueli Costa, que nos apresenta Altos e Baixos em uma interpretação perfeita e nítida.

Do engraçado Cai dentro, a política O Bêbado e a Equilibrista, da feminina Essa Mulher, da dor de cotovelo de Cartola (e seu grande clássico) Basta de Clamares Inocência, da sensualíssima Beguine Dodói, da malandragem de Eu Hein Rosa, do sentimental Altos e Baixos, da explosiva Bolero de Satã, da volta por cima da mulher abatida e humilhada em Pé Sem Cabeça e fechando com a emocionante As Aparências Enganam, Elis nos transporta para o melhor de seu repertório, com a certeza total e absoluta de saber que é a maior cantora do Brasil.

 

Faixas

01. Cai dentro (Baden Powell - Paulo César Pinheiro) (2:41)

02. O bêbado e a equilibrista (Aldir Blanc - João Bosco) (3:49)

03. Essa mulher (Ana Terra - Joyce) (3:50)

04. Basta de clamares inocência (Cartola) (3:42)

05. Beguine dodói (Cláudio Tolomei - Aldir Blanc - João Bosco) (2:15)

06. Eu hein Rosa! (Paulo César Pinheiro - João Nogueira) (3:36)

07. Altos e baixos (Aldir Blanc - Sueli Costa) (3:28)

08. Bolero de Satã (Guinga - Paulo César Pinheiro) (3:31)

09. Pé sem cabeça (Ana Terra - Danilo Caymmi) (2:57)

10. As aparências enganam (Sergio Natureza - Tunai) (4:08)

 

Essa Mulher / Elis Regina

Nota 10

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 30 de março de 2012

Meio-Dia, Meia-Noite, de Chico Pinheiro: grandes nomes da MPB e um excelente disco



Grandes nomes da música neste disco
Quando lançou Meia-Noite, Meio-Dia (2003 / Art Music / 26,99 com relançamento em 2010), Chico Pinheiro talvez não tivesse tanta certeza de sua responsabilidade em chamar para dividir as canções cantores de alto escalão como Maria Rita Mariano (na época ela ainda usava o sobrenome do pai, Cesar Camargo Mariano), Ed Motta, Lenine, Chico César e a novata Luciana Alves. O resultado é tão perfeito e original, que Chico Pinheiro foi alçado ao patamar de um dos melhores violonistas do Brasil e um dos compositores mais prodígios que o país conheceu. Chegando de mansinho no cenário musical e tendo uma boa parcela de amigos na área, Chico Pinheiro usou e abusou do bom tom para conseguir angariar um excelente resultado: seu disco ganhou prêmios e arrebatou inúmeros fãs tanto aqui no Brasil quanto fora dele.

E para que este sucesso fosse maior, nada melhor do que ouvir maravilhas compostas por Chico sendo interpretadas por bambas da MPB. O time escalado deu conta do recado e o resultado é tão gostoso de ouvir, tão saboroso e tão interessante, que denota o quanto estava carente o cenário musical no início dos anos 2000. Para tanto, Chico Pinheiro foi destacado o melhor violonista e o melhor compositor jovem e o lançamento de Meia-Noite, Meio-Dia só reforçou aquilo que todos já sabiam: seu disco era ótimo.

Chico Cesar: boa parceria
De Chico Cesar podemos desfrutar de Aquela, música bonita e que deixa Cesar muito a vontade nos bastidores. A música se torna um dos melhores do disco e os refrãos se tornam ainda mais sensíveis à medida que o cantor a canta. A outra canção, Passagem, também demonstra uma sensibilidade à flor da pele com um toque de amor reprimido. Ambas as músicas, composta em parceria pelos músicos, são tão harmoniosas, que parece que foram feitas sobre encomendas. Sua carreira artística tem repercussão internacional. A maioria de suas canções são poesias de alto poder de encanto linguístico.

Ed Motta dá um tom jazzístico
Ed Motta surge com Essa Canção, dando um tom jazzístico ao disco. Sua música tem raízes nos estilos funk/soul e disco, mas também tem influências de jazz, bossa nova, reggae, rock. Com grande diversidade de estilos e vários álbuns lançados no exterior, Ed Motta possui uma longa carreira nacional e internacional, tendo tocado e gravado com inúmeros nomes do cenário mundial, como Incognito, Bernardie Purdie (baterista do Steely Dan), o grupo português Jazzinho, entre outros. Sobrinho do cantor carioca Tim Maia, Ed Motta ficou conhecido no fim da década de 1980, com as composições Manuel e Vamos Dançar, que gravou com a sua então banda Conexão Japeri. Na década de 1990 retornou às paradas de sucesso com os hits Fora da Lei, Vendaval e Colombina (esta, lançada em 2000).

Lenine: apenas sons vocais
Lenine aparece com Buritizais e ele faz o que mais gosta: sustenidos e gritinhos e arroubos marcam a canção, sem nenhuma frase. Um achado e tanto para um destacamento perfeito. Lenine já teve seu som gravado por Elba Ramalho, sendo ela a primeira cantora de sucesso nacional a gravar uma música sua. Depois vieram Fernanda Abreu, O Rappa, Milton Nascimento, Maria Rita, Maria Bethânia e muitos outros. Produziu Segundo, de Maria Rita e De uns tempos pra cá, de Chico César. Participou também da direção do musical de Cambaio, musical de João Falcão e Adriana Falcão, baseado em canções de Chico Buarque e Edu Lobo.

Lenine ganhou dois prêmios Grammy Latino: um pelo Melhor Álbum Pop Contemporâneo com seu álbum Falange Canibal; e outro em 2009 na categoria melhor canção brasileira com a música Martelo Bigorna.

Luciana Alves: as melhores faixas do disco são dela
Luciana Alves, esposa de Chico Pinheiro, herda as pérolas do disco, com as belas canções Jardim de Arroz, Meia-Noite, Meio-Dia, Na Beira do Rio, Ao Vento e Onde Estiver. Luciana Alves é paulistana, tem 27 anos de idade e nove de carreira. Filha de músico, ela tem contato com o meio artístico desde a infância e começou cantando em eventos esporádicos. Aos 18 anos, abraçou a música como profissão, apresentando-se em bares e participando da gravação de jingles. Como integrante do grupo Notícias dum Brasil, idealizado pelo compositor Eduardo Gudin, participou como principal solista do CD Pra Tirar o Chapéu e apresentou-se ao lado de renomados músicos, como Guinga, Hermeto Pascoal, Paulinho da Viola e Elton Medeiros

Participou do CD Madeira que Cupim Não Rói do multiartista Antônio Nóbrega, e esteve presente na turnê do show Pernambuco Falando para o Mundo.

Ao lado de Joyce Moreno e Roberto Menescal, cantou Nara Leão dentro do projeto Boteco do Cabral, idealizado e apresentado pelo jornalista e escritor Sérgio Cabral. Em novembro de 2001, dentro do mesmo projeto, cantou Dolores Duran ao lado de Johny Alf e Alaíde Costa.

 No 2º Prêmio Visa de MPB -Edição Vocal, classificou-se entre os doze semifinalistas. No ano seguinte, no 3º Prêmio Visa - Edição Compositores, defendeu as músicas de Chico Pinheiro, compositor que conquistou o segundo lugar. Durante o Festival da Música Brasileira, realizado pela Rede Globo, participou ao lado de José Miguel Wisnik, sendo considerada pela crítica uma das grandes revelações do festival. Luciana integra também o grupo do compositor paulista André Hosoi, com quem lançou o CD Junina, e prepara-se para gravar seu primeiro CD solo.

Maria Rita ainda Mariano: perfeita
Maria Rita surge com a engraçada Popó, a inquietante De Frente e a amargurada Desde o Primeiro Dia. Maria Rita iniciou sua carreira com cerca de 24 anos, apesar de querer cantar desde os quatorze. O peso da carreira da mãe, bastante famosa no Brasil, influenciou o adiamento de sua obra. Segundo a própria: sempre tive a consciência de ser a única filha mulher de uma grande cantora. Antes de se tornar cantora profissional, ela fez um estágio em uma revista para adolescentes, tendo estudado Comunicação social e estudos latino-americanos na Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Apesar do sucesso recente, consagrou-se como novo ícone da MPB.

Ganhadora de seis prêmios Grammy Latino incluindo Grammy Latino de Melhor Artista Revelação, também já ganhou dois Prêmio Multishow de Música Brasileira, entre outros prêmios nacionais. Maria já vendeu 1,985 milhão de CDs e DVDs, somente no Brasil.

Chico Pinheiro: o anfitrião
E Chico abre o disco com Contemplação e encerra com a linda Choro Calado, ambos apenas ao violão. Com um belo disco e uma equipe de peso, Chico Pinheiro se consolida no cenário musical como um dos melhores artistas, únicos e detentores dos melhores encantamentos e entusiasmos que possamos destilar.



Faixas


·       1.Contemplação (Chico Pinheiro) Chico Pinheiro

·       2.Ao Vento (Chico Pinheiro - Guile Wisnik - Paulo Neves)  Luciana Alves

·       3.Meia-Noite, Meio-Dia (Chico Pinheiro) Luciana Alves

·       4.Aquela (Chico Pinheiro - Chico César) Chico César

·       5.Desde o 1º Dia (Chico Pinheiro - Guile Wisnik) Maria Rita Mariano

·       6.Essa Canção (Chico Pinheiro - Guile Wisnik - Paulo Neves) Ed Motta

·       7.Buritizais (Chico Pinheiro) Lenine

·       8.Jardim de Arroz (Chico Pinheiro - Guile Wisnik) Luciana Alves

·       9.Passagem (Chico Pinheiro - Chico César) Chico César

·       10.Na Beira do Rio (Chico Pinheiro - Paulo Neves) Luciana Alves

·       11.Popó (Chico Pinheiro - Aldir Blanc) Maria Rita Mariano

·       12.De Frente (Chico Pinheiro - Guile Wisnik) Maria Rita Mariano

·       13.Onde Estiver (Chico Pinheiro - Paulo Neves) Luciana Alves

·       14.Choro Calado (Chico Pinheiro) Chico Pinheiro



Produzido por Chico Pinheiro e Swami Jr.



Nota 10

Meia-Noite, Meio-Dia / Chico Pinheiro



Marcelo Teixeira