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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

É melhor ser... Simone!


Um disco atrativo de Simone
Simone voltou e mais bela e confiante do que nunca. Assim a cantora sentencia seu novo disco, aos 63 anos de idade e em plena forma, lançando um disco apenas com músicas de cantoras brasileiras, dando uma reviravolta em sua carreira. É Melhor Ser (2013 / 26,99) tem um desfile de ícones brasileiras, como Angela Ro Ro, Rita Lee, Adriana Calcanhoto, Joyce, Fátima Guedes, Dona Ivone Lara, Marina Lima, Teresa Cristina, Joanna, Sueli Costa, Alzíra Espíndola.  As curvas femininas dão toda a diferença neste disco, que está redondo, como definiu a cantora em entrevistas recentes. O amor parece ser o fio condutor das 13 faixas, com suas calmarias e seus ventos uivantes que reinaram praticamente toda a carreira de Simone. É Melhor Ser é ousado e criativo, feminino e sedutor, capaz de nos envolver já nas primeiras notas do primeiro áudio e este momento sublime da cantora reflete de um modo geral dentro da MPB, que está repleto de cantoras novas, mas sem o brilho de Simone. O disco vem em um momento de transição na carreira da cantora, que vinha de um certo ostracismo, lançando discos atemporais e sem graça e sem o apoio da crítica especializada. Quem acompanha a carreira de Simone não estranhará seu lado autoral neste novo disco que, a propósito, recheia o disco com os privilégios femininos e suas pérolas predominantes do amor. Entre as que ainda não havia gravado destaca-se Mulher o Suficiente, de Alzíra Espíndola em parceria com Vera Lúcia Motta, Os Medos, de Joyce com Rodolfo Stroeter e Haicai, de Fátima Guedes. De Zélia Duncan surge Só se for, belo bolero que Simone também assina a co-autoria, Adriana Calcanhotto surge em Aquele plano para me esquecer e de Teresa Cristina temos Trégua suspensa. É Melhor Ser é um disco diferente na carreira de Simone por ser mais a cara de Simone e voltar aos tempos de estrelato total. Simone ainda continua na ativa, dando um show de interpretação e sendo considerada, ainda, um ícone da música popular brasileira. E para as cantoras novas que surgem a cada esquina sem um pingo de criatividade, aconselho a ouvir esse disco sensacional, com uma voz agradabilíssima e sem estrelismos.

 
É Melhor Ser / Simone
Nota 10
Marcelo Teixeira

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Tudo (2013) o novo CD de Joyce!


Joyce: maravilhosa sempre
Todo disco da cantora Joyce desde o seu lançamento como interprete é bem vindo, assim como suas canções compostas solo ou em parceria com os grandes músicos brasileiros ou internacionais. Mesmo com a onda de cantoras pop ou algumas que surgem do nada dentro da MPB e desaparecem logo na primeira esquina, Joyce é o oposto disso tudo e continua firme fazendo discos cada vez mais autênticos, maravilhosos e audaciosos. Sucesso de primeira grandeza no Japão e esquecida por muitos aqui no Brasil, Joyce ressurge como quem nada quer no disco Tudo (2013 / Far Out / Biscoito Fino / 49,00). Um retorno muito bem vindo ao jazz brasileiro, a cantora se refere a sua música como sendo MCB (Música Criativa do Brasil) e consegue atrair ouvidos sensíveis por onde passa pelo conjunto da obra. Muitas vezes, Joyce encanta apenas pelo solo que faz entre sua voz, seu banquinho e seu violão. Sua voz é um conjunto variado íntimo que fornece um lembrete do alcance vocal e de sua habilidade instrumental, igualmente suave e sublime, nos trazendo um pouco do frescor, da habilidade, do carisma e da musicalidade vibrante que sua música nos transpassa. Há beleza em Tudo, jma beleza real que Joyce traz com franqueza e paixão para os que já se tornaram clássicos no disco.

Joyce Moreno lança Tudo, o primeiro CD de canções inéditas em dez anos . Como o nome já diz, Tudo remete à diversidade de gêneros musicais presentes no belo repertório, que tem desde samba até galope nordestino, jazz, choro, bossa nova. O álbum chega ao Brasil depois de ter sido escolhido pelo público da cantora (que exigiram a vinda do CD do Japão). O novo disco trás canções inéditas e que com certeza encantaram os que ainda não conhecem a obra e a musicalidade de Joyce. Das treze faixas, oito têm letra e música da cantora, mas o disco também tem canções com parceiros de longa data, como o poeta Paulo César Pinheiro (Quero Ouvir João e Dor de Amor e Água), Zé Renato (Pra Você Gostar de Mim) e duas novas parcerias, com Nelson Motta (Estado de Graça) e Teresa Cristina (Sem Poder Dançar).

Tudo dialoga com o uso de vozes, seja com um naipe de instrumentos, como em Claude ET Maurice e no galope Boiou, ambas com arranjos de Maurício Maestro ou até na emblemática Puro Ouro, com a participação do coro do coletivo Segunda Lapa, que tem como músicos os sensacionais João Cavalcanti, Pedrinho Miranda, Moyseis Marques e Alfredo Del Penho.  O samba marca presença também em Quero Ouvir João, que traça uma espécie de mapa dos sons atuais do Rio de Janeiro (que Joyce tanto ama), que mistura tanto o pancadão do funk quanto a levada do reggae. Em Dor de Amor É Água, um samba-blues, a participação de Zé Renato, com quem Joyce também divide a parceria em Pra Você Gostar de Mim, só faz reafirmar a existência de ambos dentro da MPB.

Vale à pena ouvir Tudo pela simplicidade com que o disco nos conduz a variantes de nossas vidas e pelo conjunto de ser uma obra puramente brasileira, de uma cantora brasileira, com um sotaque brasileiro, bem ao estilo de que tudo merece sua atenção. E Joyce Moreno merece.

 



Tudo / Joyce Moreno

Nota 10

Marcelo Teixeira