Mostrando postagens com marcador Renato Braz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Renato Braz. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de abril de 2013

De Olho Neles: Adriana Godoy


Adriana Godoy: bela voz
Paulistana, filha do maestro e compositor Adylson Godoy e da cantora Silvia Maria, Adriana Godoy tem na família tradição musical seguindo gerações, passando pelos tios Amilton Godoy, pianista do Zimbo Trio e Amilson Godoy, maestro e produtor cultural. Sua vivência como musicista aconteceu dos sete aos quatorze anos na Escola de Piano Magdalena Tagliaferro (SP) até a descoberta de seu instrumento, A VOZ, aos dezenove anos, dedicando-se ao estudo de técnica e interpretação, com Maria Alvim e na Universidade Livre de Música Tom Jobim, de 1996 a 2000. A partir daí participou de projetos que lhe dariam vivência musical e profissionalismo. Dividiu arte e palco com importantes nomes da música brasileira. Entre eles Adylson Godoy, Alaíde Costa, Amilson Godoy e Grupo Sinfônico Arte Viva, Banda Sinfônica Jovem (SP), Carlos Lyra, Elton Medeiros, Eduardo Gudin, diretor Fernando Faro, Filó Machado, Jair Rodrigues, João Donato, Joyce, diretor José Possi Neto, Maestro Júlio Medaglia e Orquestra de Cordas Theatro Municipal de São Paulo, Luiz Roberto Oliveira, Marcos Valle, produtor Manuel Barenbein, Mieli, Miúcha, Maestro Roberto Sion e Orquestra Jovem Tom Jobim, Renato Braz, Roberto Menescal, Rosa Passos, Sérgio Cabral, Swami Jr., Theo de Barros, Zimbo Trio.

Ao lado de Zimbo Trio em setembro de 2009, recebeu do Governo Municipal de La Paz, Bolívia, um certificado de reconhecimento por sua participação no VIII La Paz FestJazz Internacional , Música de Libertad. Adriana é professora de canto popular no CLAM (escola de música do Zimbo Trio) e professora convidada da faculdade Santa Marcelina (SP) para avaliar os alunos de canto popular. Em julho de 2010, fez o lançamento de seu segundo Cd solo Marco, na casa Tom Jazz, em SP, dedicando-se a sua difusão. Em 2011 dedicou-se a comemoração dos seus 15 anos de carreira em diferentes casas de shows em São Paulo. Teve estreia com o disco Todos Os Sentidos (2003), que foi produzido por Adylson Godoy e Adriana Godoy, enquanto o CD Marco (2010), foi produzido por Adriana Godoy e Debora Gurgel. O Cd Marco, possuiu o apoio do Prêmio ProAc 2008, através da Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo.

 

De Olho Neles: Adriana Godoy

Marcelo Teixeira

terça-feira, 16 de abril de 2013

Luiz Marques: de Minas Gerais para o mundo


Luiz Marques: elegância e sutileza
Fazia tempo que eu não encontrava um grande cantor para cobrir a carência que existia na MPB. Existe uma grande lacuna entre cantores bons, medianos e ótimos e essa grande lacuna não era preenchida há tempos. Vez por outra surge um grande nome masculino, um cantor que faltava na seara musical e que nos faz ouvir uma canção com certa sensibilidade e emoção. Há grandes nomes de outrora, como Milton Nascimento, Caetano Veloso, Ivan Lins e João Bosco, assim como alguns novatos, como Filipe Catto e Marcelo Jeneci, mas nenhum dos dois tem a capacidade de emocionar tanto e com tanta maestria quanto Luiz Marques, que consegue, ao mesmo tempo nos encantar, emocionar, rir e sentir que a música popular brasileira está salva. Lançado em 2011, Mira Certa é um disco autoral (as dez canções são de autoria de Luiz) e teve participações de grandes músicos mineiros, como Célio Balona, André Campagnani, Sérgio Rabelo, Rogério Delayon, Frederico Heliodoro e Serginho Silva.

Vocalmente comparado à Lô Borges, Luiz Marques ecoa uma sonoridade a qual precisamos (re)descobrir, pois a sua musicalidade realça o som de Minas com tamanha característica que por vezes parece que estamos diante O Clube da Esquina. Algumas vezes, ao fechar os olhos, senti uma certa comparação à Renato Braz, tamanha a coincidência de vozes, mas isso são meros detalhes. A música de Luiz Marques é excelente. E ponto.

Comparações à parte (isso é notório dentro da música popular brasileira, quiçá mundial), Luiz Marques encanta pelo canal mais humano: ele emociona. Suas letras são de forte tino sentimental e transbordam brilho e profunda riqueza, que fica fácil nos identificarmos com algumas canções.

Quarto disco do cantor e compositor mineiro, o disco Mira Certa se transformou em DVD (sendo o primeiro de sua carreira) e que ganha ares sofisticados e ambiente intimista, passando uma impressão maravilhosa da atmosfera musical do cantor. Todas as faixas do DVD são de autoria de Luiz Marques, que conta com as coreografias sensacionais de Sandra Magalhães, na bela faixa Campo de Girassóis, cujo sua dramaticidade elucida o texto da canção e Luiza Marques, na música Nosso Velho e Novo Amor.

Devoto de Santa Terezinha assim como eu, a música Céu de Santa Terezinha é uma das melhores faixas do DVD, mas têm também outras pérolas, como Mira Certa, Itacoaticara, Sino e Maracatu Derradeiro.

Sino é um lirismo ingênuo e aflorado. A saga de João, José e Jessé é bem retratada na faixa A Saga de João Retirante, uma emocionada e triste letra, que só por esta canção já vale todo o DVD e demonstra as inúmeras facetas de compor do mineiro de Patos de Minas, revela o quão satisfatório é ouvir e ver Luiz Marques. Mistério e Paixão é dançante e mostra a felicidade e a sincronia dos músicos ao tocarem a música. Romântico e sensível, Luiz Marques conquista a plateia com suas canções de prumo intelectual, seu romantismo doce e suas letras lúcidas, cujo é visível em algumas faixas com a compenetração dos músicos.  Todas as faixas do CD estão no DVD recém lançado, cujo contém mais faixas autorais.

Intimista, tímido, desafiador e completo, Luiz Marques não deixa a desejar no show acústico que fez no Teatro Sesiminas, em Minas Gerais e conseguiu arrancar palmas esfuziantes da plateia que estava visivelmente emocionada. Luiz Marques é um dos cantores da nova geração e sua voz é tão tenra, tão acalentadora, que temos que ouvir e repetir para nos certificarmos de que o músico é brasileiro e a música é de excelente qualidade.

Em meio a tantos arrombos musicais destituídos de nenhuma elegância que se vê esfuziando por aí, Luiz Marques é uma salvação e uma exceção. Sua música ilumina a qualquer um. Suas letras são caprichadas, bem elaboradas e cabem perfeitamente em sua bela voz. Escrever estas linhas após assistir ao DVD foi um grande desafio, pois não há palavras no mundo que possa descrever o tamanho da minha emoção.

Luiz Marques encanta. Luiz Marques é um dos melhores cantores que o Brasil tem na atualidade e o país inteiro tem que descobri-lo a tempo. A sua musicalidade é única e exclusivamente brasileira e isso faz toda a diferença em sua brilhante carreira. O Mais Cultura têm o prazer de revelar a vocês, o sensacional e espetacular cantor Luiz Marques.

 

Mira Certa / Luiz Marques

Nota 10

Marcelo Teixeira

 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Entrevista com Simone Guimarães - Primeira Parte


Sensacional artista
É sempre uma grande satisfação conversar ou trocar algumas palavras com a espetacular Simone Guimarães: além de grande cantora e compositora, com discos bem caprichados, duetos com ícones da MPB, como Maria Bethânia e Milton Nascimento, Simone é, também, uma intelectual que pensa e muito nos segmentos do Brasil e na luta a favor da nossa cultura. Nascida em Santa Rosa de Viterbo, interior de São Paulo, hoje a cantora faz parte da efervescência que Brasília produz, estando ao lado de cantoras como Márcia Tauil, Sandra Duailibe, Roberto Menescal, Miúcha e outros, levando muita música de qualidade para os quatro cantos do país. Nesta primeira parte da entrevista, Simone Guimarães nos brinda com sua inteligência e sapiência em ver as coisas mais simples se transformarem em algo valioso. O Mais Cultura! (ou o Espaço Azul, como ela mesma apadrinhou o blog), tem o enorme prazer estar sendo condecorado com suas ricas frases de efeito moral.

 

Marcelo Teixeira - Seus discos são considerados, em alguns departamentos e lojas de CDs, como sendo uma cantora regional. Você tem medo de ser rotulada como tal?

Simone Guimarães - Não tenho medo de nada na arte, Marcelo. A arte é dinâmica, mutável, migrante, (eu migrei) a arte é memória, momento, tempo, movimento... Não devemos ter posturas rígidas e frias com ela, ela se apresenta numa ruptura e é de onde vem sua seiva e sangues, do conflito, dos contrastes, dos sentimentos em ebulição, da compreensão inconsciente, do vácuo sendo animado pela anti-matéria na consciência do vazio.

A música é invisível aos olhos, mas não ao coração. Coloquem os nomes que quiser nos meus trabalhos. Os codinomes são sempre o que se compreende do outro. Numa estante de disco, é alguma espécie de organização. Não posso ter medo, apenas discordar.

Sou de uma região interiorana de São Paulo e, portanto trago o canto da minha aldeia.

Se alguém tiver que vender um Chocolate especial, terá que lhe dar um nome especial. Acredito ser sim esse chocolate regional, porém já me misturei um pouco com o sabor das grandes cidades. Não que isso seja imperativo pra mim, aliás, eu gostaria de ter tido uma vida pacata e mais simples, mas meu caminho na arte me fez migrar.

Acredito que mundo e as pessoas deveriam ser apresentadas numa abordagem rica: dialética, semiótica, linguística, literária, poética, filosófica, histórica, humanista, e não de forma a se prender em notas de perfume quando o mais importante é a essência.

Eu comecei minha carreira fonográfica na Televisão fazendo trilhas para documentários, juntamente com Paulo Jobim, filho do Tom e uma orquestra inteira tocava um de meus temas, sendo regida pelo maestro Benito Juarez, com arranjos de Paulinho. Era regional?, Não.

Meu primeiro CD, o Piracema é um disco temático, assim como o segundo Cirandeiro: tem uma ocupação com temas voltados para a natureza, cenários bucólicos, mas a música apresenta gêneros diversos, como sambas, Shots, temas instrumentais, modas, etc. Por último, para responder a sua pergunta diria que as pessoas que me rotulam dessa forma ainda não tiveram a oportunidade de conhecer meu trabalho por inteiro. Não tenho preconceito com gêneros brasileiros. Toco-os todos indistintamente.

MT - Você cantou com grandes nomes da MPB, como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Renato Braz, Leila Pinheiro, Ivan Lins. Tem algum cantor ou cantora que desejaria dividir um dueto?

SG - Gostaria de cantar com Sting . Sou fã desde que ouvi Russians no inicio da minha profissão de ouvinte. Ele é o máximo!

 

MT - Seu último CD, Chão de Aquarela, foi lançado agora em 2012 tendo apenas canções de sua autoria com Cristina Saraiva. Foi proposital fazer um disco somente pelas duas?

SG - Apenas reunimos as músicas que Cristina compôs comigo por um desejo de marcar essa parceria . A Cris é dona do Selo Tie music ,que me lançou no mercado fonográfico em 1997 e uma parceira das melhores que tenho. Somos amigas há trinta anos e isso ,creio, foi o fator decisivo para juntarmos nossas modas e cantigas regionais, que tanto amamos. Adoramos o pé de uma fogueira e um violåo!

MT - Sua música, por mais rica e de uma brasilidade completa, não chega a uma classe social mais popular. Por que isso acontece?

SG - No Brasil a indústria fonográfica não trabalha a favor da arte, mas sim do lucro, com exceções como Biscoito Fino, Lua Music, CID , Dubas, Tie music, Dabliu, Rob digital e outros tantos selos legais que fazem a nossa musica sobreviver e crescer lá fora.

O povo é massificado pelas avalanches tecno-pops do descartável da época.

Vivemos num país muito novo e sem igualdade social. O capitalismo é selvagem e poderia não ser: Se mirar , por exemplo nos capitalismos da Austrália, da Suíssa, da Noruega, talvez, mas a mentalidade dos empresários, em sua maioria, é colonialista e assim acontece na musica. Exportamos commodities e matérias primas. Acredito que se tivéssemos mais peito nessa questão do enfrentamento com as multinacionais que vem brincar com suas porcarias aqui dentro a musica se resolveria.

A presidenta Dilma está resolvendo o problema da miséria extrema. Musica também deveria ser um alimento pra todos.

Quanto mais variado o prato, mais saudável a nação!

Dá–se um produto de má qualidade ao seu povo quando não se tem interesse que esse povo consuma o substancial, o necessário para o seu crescimento, o melhor para o seu raciocínio,o mais caro para o seu coração de homem, no sentido de ser mais elaborado, morar melhor dentro de si mesmo.

Trabalho sem me preocupar com isso, querido Marcelo, mas gostaria de ser consumida pelas populações mais pobres: acho que eles iriam gostar da minha musica e de mim. Eu sou pobre- pobre- pobre- de –marré –marre-de- si. Tenho a certeza de que saberia me comunicar com meu povo.

MT - Em que você se inspira para compor?

SG - No amor , na beleza, na natureza. Também me inspiro indo ao cinema e vendo um documentário como A caverna dos sonhos esquecidos de Herzog. Assistir ao respeito com que nossa ancestralidade é tratada nesse filme me fez mais forte, como ler Nietzsche, Freud, Márcio Paschoal, ouvir Milton cantar ou Maria Rita.

MT - O que você acha da música produzida no Brasil hoje em dia?

SG - Eu tenho acesso a todo tipo de musica e o Brasil continua sendo o Melhor produtor nessa área! Amo a nossa musica. Quero que o brasileiro conheça a fundo seus artistas e um dia chegaremos lá.

Tanta coisa já mudou e ainda podemos mudar pra melhor, muito. Esse é o meu sonho. Ver o Brasil colher o que planta com seu trabalho e expulsar a corja de políticos corruptos do poder e deixar para quem sabe administrar, para quem tem idéias humanistas, a favor do coletivo. Na França, por exemplo tem um deputado Brasileiro no parlamento. Foi escolhido por seu mérito e por sua formação na área administrativa. Acredito que a democracia deveria ser mais explanadora nessa área, alertando os eleitores a votar em pessoas qualificadas para os cargos, de outra maneira continuaremos a eleger homo fóbicos e racistas.

 
A entrevista com a cantora e compositora Simone Guimarães continua na próxima semana, com mais revelações sobre a sua música e seus projetos.
 
Entrevista com Simone Guimarães - Primeira Parte
Marcelo Teixeira

 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Entrevista com Márcia Tauil


Márcia Tauil: humana e guerreira
Alcançando o quinto lugar na lista das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos dentro da MPB, Márcia Tauil é uma dessas cantoras que nos transmite uma energia positiva e duradoura, capaz de nos hipnotizar por longas horas com seu canto, com sua voz e com sua musicalidade. Dona de uma voz arrebatadora, cristalina e sutil, Márcia tem três belos discos no mercado fonográfico, Águas da Cidade (1999), Sementes no Vento (2003) e o mais recente, Elas Cantam Menescal (2012).  Cantou Chico Buarque, Simone Guimarães, Roberto Menescal, Eduardo Gudin, JC Costa Netto e faz de sua voz um arsenal a favor da música genuinamente brasileira. E é com grande emoção que o Mais Cultura! tem a honra de fazer uma entrevista com esta grande cantora, natural de Guaxupé, Minas Gerais, para o mundo, tendo em vista que seu CD Sementes no Vento foi lançado no Japão.

Com vocês, Márcia Tauil.

 

Entrevista com Márcia Tauil

 

Marcelo Teixeira - Qual foi a sua sensação ao gravar um disco como Sementes no Vento, toda dedicada ao cancioneiro de Eduardo Gudin e JC Costa Netto?

Márcia Tauil - Fiquei gratíssima aos dois por escolherem a mim como porta-voz de um trabalho tão significativo na Música Brasileira. A sensação foi de extremo reconhecimento e de carregar uma espécie de Bandeira da Qualidade da nossa Música.

Marcelo Teixeira - Você praticamente era uma cantora que não tinha acesso direto do público quando o disco foi lançado, em 2003, fazendo shows mais locais ou fora do grande circuito cultural. Sentiu essa tarefa de representar as músicas de Gudin e Costa Netto como uma responsabilidade?

Márcia Tauil - Demais. Responsabilidade, porém, muito agradável. É claro que cheguei a me assustar diante do presente tão grande que os dois me deram. O Cd foi extremamente bem recebido pela Crítica. Algumas delas me fizeram chorar de alegria. Esse trabalho me levou a um público maior, inclusive internacional, já que o mesmo foi também lançado no Japão.

Marcelo Teixeira - Seu primeiro disco, Águas da Cidade, foi lançado em 1999 e hoje encontra-se esgotado nas lojas. Tem pretensão de relançar o início de sua carreira musical?

Márcia Tauil - Claro!! Adoro o Águas, tem muita história de vida ali. Os vales cds, antes do Cd ficar pronto, as pessoas comprando, praticamente toda a primeira edição antes mesmo dele ser lançado, as canções que pude regravar (que eu armazenava em fitas cassete, quando era locutora em Rádio: Mambembe - Chico Buarque, Veneno - Pollacci e Nelson Motta, as apresentadas a mim por Costa Netto (parceria dele com Menescal: Magia e Estrada Delhi-Rio), que me aproximaram desse meu grande mestre Roberto Menescal. E também as inéditas como a que dá nome ao disco, e Feitiço (ambas de Kico Zamarian, sendo a segunda com letra de Veca Avellar) Feitiço, por exemplo tem bastante views no Youtube. (Em segundo lugar, porque em primeiro está o vídeo no qual canto "Você" com Menescal (dele e de Bôscoli).

Marcelo Teixeira - Seu mais recente trabalho, Elas Cantam Menescal, reúne quatro grandes vozes para homenagear um dos pais da bossa nova e para isso, você e o próprio Menescal compuseram a faixa Clube da Bossa. Como foi pra você cantar e compor ao lado deste ícone da música popular?

Márcia Tauil - Eu sempre digo que aprendi praticamente tudo com ele. Seu exemplo de dedicação, de vivacidade, de frescor, de humildade e carinho pela profissão e pelas pessoas é impressionante. Menescal já vinha me agraciando com sua companhia em shows e abriu mais este caminho em composição. Imagina!! Ser parceira dele! Agora, saber que estamos eternizados numa gravação, cantando juntos e ter, além disso, uma parceria com ele no Cd, torna legítimo o grande apoio dele para comigo (e para tantos outras artistas), e ainda é como se fosse uma assinatura dele, uma carta de apresentação,: "Olha aí, gente, a Márcia Tauil".

Marcelo Teixeira - Quais são suas inspirações musicais?

Márcia Tauil - O amor, a melancolia, o ritmo do mar, o caminhar do rio. Um sorriso, uma lágrima e tudo que se relaciona ao ensinamento musical que recebi em casa ouvindo Chorinho, Bossa nova, MPB, Sambas, Boleros, Anos 70.

Marcelo Teixeira - Uma cantora e um cantor.

Márcia Tauil (Aí é covardia, hem? Pode ser mais? risos) Elza Soares, Silvana Stiévano, Simone Guimarães, Gal Costa, Elis Regina, Tony Bennet, Zé Luiz Mazziotti, Frank Sinatra, Emílio Santiago, Caetano Velloso (olha: eu o assisti há pouco e ele deu aula, viu? Arrasou ao vivo), Renato Braz.

Marcelo Teixeira - Você conseguiu chegar ao quinto lugar na lista das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos aqui no Mais Cultura!, ultrapassando até mesmo Tulipa Ruiz, Bebel Gilberto, Bruna Caran e Tiê. O que você sentiu ao saber desta colocação?

Márcia Tauil - Enlouqueci!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (risos). Foi muito gostoso. E essas manifestações nos levam em frente, sabe? Reitera que a Música vale a pena, que o caminho não é tão tortuoso, e que sempre haverá ouvidos para ouvir.

Marcelo Teixeira - Qual o seu próximo projeto musical?

Márcia Tauil - Estou gravando disco solo novo. Em shows, fui convidada por um grande violonista de Brasília para um projeto em 2013.

Marcelo Teixeira - Tem alguma cantora que gostaria de lançar um disco futuramente?

Márcia Tauil - Simone Guimarães, e achei sua ideia, num artigo que fez sobre Ceumar, em relação à junção de nossas vozes. Curti muito. Quem sabe?

Marcelo Teixeira – Espero mesmo que este disco com a Ceumar saia, vocês duas tem muito talento e este pensamento de juntar suas vozes saiu depois que vi sua foto num show dela e esses dias você resenhou uma letra pra ela, que é lindo de viver. Mas em seus projetos e planos, temos a chance de ver um show seu aqui em São Paulo?

Márcia Tauil - Sim!!!!!!!!!! Te conto ano que vem.

Marcelo Teixeira – Vou esperar com o coração nas mãos, Márcia. Muito obrigado por abrir um espaço na sua agenda para me conceder esta maravilhosa entrevista e confabular mais um pouco sobre seus planos e sua carreira. Um super beijo.

Márcia Tauil - Super grata, Marcelo. Beijos.

 

Aproveitando a deixa, ontem, dia 2 de dezembro, foi aniversário da cantora. O Mais Cultura!, os leitores, os fãs e eu, Marcelo Teixeira, lhe desejamos Feliz Aniversário, Márcia Tauil e que tudo de bom e do melhor venha acontecer em sua vida, que é sublime.

 

Entrevista com Márcia Tauil concedida ao Mais Cultura! por Marcelo Teixeira

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Renato Braz e a essência de ser Renato Braz


 


O cantor Renato Braz: um dos melhores
Desde o lançamento deste blog, em Novembro de 2011, que eu venho rabiscando e desenhando e pensando sobre Renato Braz, um dos cantores mais envolventes na minha opinião. Alguns devem estar se perguntando o porque Renato não entrou na seleta lista dos melhores cantores dos últimos 10 anos na MPB e a resposta é simples: Renato Braz é muito melhor do que 10 ou 20 cantores juntos e eu não o inclui porque Renato Braz tem uma particularidade muito maior: além de tímido, canta muito bem e consegue fazer do palco em que canta, sua sala de estar, aonde recebe seus convidados com pompa e maestria. Não o ter incluído em minha lista dos melhores cantores não faz deste homem um ser inferior perante os outros colocados, mas sim, na melhor das posições, pois, como disse, Renato Braz não merece nem o primeiro, nem o último lugar, pois ele aparece em todos os lugares com requinte.

Renato Braz nasceu em São Paulo. A música sempre o acompanhou em casa, com a mãe cantando. Aos 15 anos começou a tocar bateria e depois percussão. Iniciou ainda cedo a tocar na noite. Em 1996 lançou o primeiro CD, homônimo. Dois anos depois veio o segundo, História Antiga. Em 2002 o número de CDs de sua carreira dobrou e lançou com magnitude Outro Quilombo. Mas, como venceu o V Prêmio Visa Edição Vocal, um dos prêmios era o direito de gravar um CD. No final do ano chegou às lojas, Quixote, pelo selo Eldorado, o seu CD mais conhecido, aplaudido por público e crítica e sendo um dos melhores discos regionais da seara brasileira.

Renato Braz é uma das referências obrigatórias no atual cenário da música brasileira. O violão inconfundível de Renato Braz traduz a música brasileira de qualidade. O pragmatismo das formas das canções contrasta em harmonia com a ousadia da maneira peculiar como Renato toca seu violão. O dedilhado sutil, o bom gosto dos arranjos, simples, relaxantes. Tudo emoldurado pela sonoridade caipira perfaz um dos mais belos trabalhos da música regional contemporânea.

Prometo, em breve, redesenhar ainda mais sobre este, que é um dos maiores e melhores cantoras da verdadeira música popular brasileira com orgulho.

 

Renato Braz e a essência de ser Renato Braz

Marcelo Teixeira