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terça-feira, 11 de junho de 2013

A beleza de Vanessa da Mata em seu disco de estreia

O melhor disco de Vanessa
A primeira imagem que vem é de Marisa Monte. Para quem não está habituado com a sonoridade do primeiro disco de Vanessa da Mata, estranhará a sua voz logo no primeiro som. Vanessa da Mata não esconde em seu CD de estreia os vários pontos de semelhança com a colega mais velha. Parte dos mesmos princípios de Marisa, da compositora razoável/boa cantora/artista decidida. Para dar o salto próprio, chega em parte contaminada, como também acontecera com Marisa no final dos anos 80. Parece já haver gente à beça a seu redor. Levada pela multidão, ela já chegou ultrapassando as origens próprias, que poderiam colocá-la entre a aguda timidez mato-grossense de Tetê Espíndola e a audácia pop cosmopolita de Marisa Monte. Cercada de novas influências, viaja também ao suingue de Jorge Ben (em Não Me Deixe Só e Viagem), ao samba estilizado em pop (Alegria, de Assis Valente), às orquestrações caetânicas de Jaques Morelenbaum.

Interiorana cosmopolita, abriga esse furacão de referências nos caracóis dos enormes cabelos revoltos. Mirando talvez alvos populares, vem embalada em uma capa deliciosa de disco, que faz pensar em Clara Nunes, cantora que a própria Vanessa adora e se inspira. Mas o que ela é? Quem é Vanessa da Mata para uma época em que não havia cantoras com tanta determinação e ousadia e, por que não, diferenciada? Ainda não era possível saber, não no primeiro disco lançado em 2002,  pois a neblina era intensa. Mas em Vanessa da Mata (hoje disco raro) já vem a primeiro plano um esforço pautado pela palavra que a moça mais repete ao longo das canções: delicadeza. Sua voz, sempre afinada, é frágil, chegando a permitir que seu primeiro grito de guerra (Não Me Deixe Só) seja uma doce confissão de insegurança e ousadia.
O ano de 2002 era da Vanessa da Mata. Tem gente que, além de esforço pessoal, tem uma baita estrela que a acompanha. Mesmo assim, tem trajetória maior e melhor que muita gente que tem mais de um trabalho registrado em disco. Maria Bethânia já gravou música sua A força que nunca seca, dela e Chico César e para ganhar ainda mais prestígio, virou nome de CD da cantora baiana. Vanessa também cantou ao lado de Bethânia e de Caetano Veloso e Milton Nascimento a conheceu num jantar em São Paulo. Ouviu suas músicas e, na primeira oportunidade, quando apresentava o show Crooner na capital paulista, convidou-a para uma participação ao seu lado. Tem mais: Vanessa já se apresentou com Baden Powell e Daniela Mercury, que também gravou música sua. Tem parcerias com Lokua Kanza e Ana Carolina, além de Chico César.
Confessar-se frágil torna-se elemento constituinte de sua crença na delicadeza. E daí nasceria (será?), a força que nunca seca que revela e conduzira Vanessa para um todo além do horizonte. Na voz quente, não há insegurança. Por trás do pandemônio, há personalidade. Vanessa conseguiu, já ao fim do disco, após ouvir com exatidão, voar de vez para longe das comparações com Marisa Monte e se tornou uma das maiores cantoras do Brasil, alcançando, inclusive, o 2º lugar na categoria das 30 Maiores Cantoras do Brasil de todos os tempos.

Vanessa da Mata – Vanessa da Mata
Nota 10
Marcelo Teixeira

quinta-feira, 19 de julho de 2012

2º lugar: Vanessa da Mata - As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos



Vanessa da Mata reina absoluta na 2º colocação
Vanessa da Mata conquistou o país como uma das vozes mais arrebatadoras e composições riquíssimas. Mas ela apareceu primeiro como compositora e uma das melhores do fim do século passado. Mato-grossense da pequena cidade de Alto Garças, ela saiu do interior dizendo ao pai que iria estudar medicina, mas abraçou de forma definitiva a carreira artística para se transformar em mais um grande sucesso feminino da MPB. Vanessa da Mata ainda é e sempre será nome no cenário musical e em dez anos ela consegue emplacar sucessos dignos de uma boa musicalidade. Fã absoluta de Clara Nunes (daí o motivo dela ser cantora e se vestir e ter os cabelos e miçangas iguais aos da Guerreira), Vanessa desponta como símbolo da boa música, do bom gosto e da cultura inerente que temos no Brasil. Sinônimo de beleza, Vanessa da Mata é rica em palavras, forte e resoluta em seus shows e consegue angariar fãs por onde passa com sua simpatia e bom humor. Sabe aquela cantora que você acha que tem um trabalho legal, mas nunca parou para ouvir direito? Assim que ouvi Vanessa cantar, em 2002, me apaixonei e logo saí correndo contar a novidade aos meus amigos. Será uma grande cantora, uma verdadeira revelação, eu dizia aos quatro ventos.

Em 1997, conheceu Chico César: com ele, compôs A força que nunca seca. A música foi gravada por Maria Bethânia, que a colocou como título de seu disco, em 1999. A gravação concorreu ao Grammy Latino e também foi gravada no CD de Chico, Mama Mundi. O Brasil descobria uma grande compositora. Bethânia voltou a gravar Vanessa: O Canto de Dona Sinhá esteve no CD Maricotinha – com participação de Caetano Veloso - e em sua versão ao vivo. Já Viagem foi gravada por Daniela Mercury em Sol da Liberdade. Com Ana Carolina compôs Me Sento na Rua, do CD Ana Rita Joana Iracema e Carolina (2001). A voz e a presença de Vanessa começavam também a chamar atenção. Fez participações em shows de Milton Nascimento, Bethânia e nas últimas apresentações de Baden Pawell: estava pronta para estrear em carreira solo.

Em 2002, lançou seu primeiro CD, Vanessa da Mata (Sony) – que teve produção conjunta de Liminha, Jaques Morelenbaum, Luiz Brasil, Dadi e Kassin. Entre os sucessos deste disco estão Nossa Canção, Não me Deixe só - que estourou nas pistas com remix de Ramilson Maia - e Onde Ir, regravada por Mônica Salmaso. O segundo disco, Essa boneca tem manual (Sony), foi lançado em 2004 e teve produção de Liminha, como quem também dividiu as composições. Além de suas próprias canções – como Ai ai ai..., Ainda bem' e Não Chore, Homem, regravou Eu sou Neguinha (Caetano Veloso) e História de uma gata (Chico Buarque, de Saltimbancos). Como Ai ai ai..., música nacional mais executada nas rádios em 2006, o álbum chegou a Disco de Platina.

Vanessa: ótimos discos e excelente voz
Sim, o terceiro disco, lançado em 2007, foi produzido por Mario Caldato e Kassin. O álbum foi gravado entre a Jamaica e o Brasil. Das 13 faixas, cinco tem a participação de Sly & Robbie, dois ícones da música jamaicana. Sim é definido, pelo seu título, como uma resposta positiva à vida, uma resposta de luta. E conta com participações de Ben Harper, João Donato, Wilson das Neves, Don Chacal e um time da nova geração da música brasileira, como o baterista Pupillo (Nação Zumbi) e os guitarristas Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Pedro Sá e Davi Moraes, entre outros.

Em 2009 Vanessa lançou seu primeiro DVD e CD ao vivo, o Multishow Ao Vivo - Vanessa da Mata. Gravado em Paraty e dirigido por Joana Mazzucchelli, o projeto registrou músicas de seus três trabalhos: Sim, Essa Boneca tem manual e Vanessa da Mata.

Em 2010, Vanessa lança Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias, seu quinto disco. Produzido por Kassin e mixado por Mario Caldato, o CD tem 12 faixas inéditas, uma parceria com Lokua Kanza () e outra com Gilberto Gil (Quando Amanhecer). O disco é uma obra prima.

Por toda essa vivacidade, a cantora conquista cada vez mais espaço e chega resoluta, definitiva e oriunda no segundo lugar do Top 20 das Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos na MPB. Sem dúvida, ouvir Vanessa da Mata é mergulhar num mar de divertimento musical sem igual.



Troféu de Prata

Segundo Lugar: Vanessa da Mata

As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos

Marcelo Teixeira