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domingo, 29 de julho de 2018

O submundo musical de Silva

Silva e seus mundos
Silva é um daqueles cantores que você só consegue ouvir se estiver apaixonado ou muito apaixonado ou, na melhor das hipóteses, se estiver pensando em se apaixonar. Avesso ao mercado fonográfico de grande repercussão imediata, o cantor iniciou sua carreira se aproximando da musicalidade de Marisa Monte para, enfim, mostrar a que veio. Antes desse álbum em homenagem à Marisa, Silva já tinha feito outro trabalho, mais modesto, mas ainda assim, pouco visível. Óbvio que todo cantor ou artista sonha com uma grande oportunidade de estar à frente de uma grande plateia ou de estar no centro de uma profusão de mentes dançantes motivados pela sua letra. E foi justamente isso o que Silva fez: saiu do conforto de Marisa Monte e se aproximou da furação Anitta.

Confesso que não queria mais falar de Anitta pelo menos até o final do ano, mas foi impossível não fazê-lo quando pensei em resenhar sobre o novo trabalho de Silva, afinal, a cantora está envolvida musicalmente com ele. Há poucos meses ele gravou Fica Tudo Bem (2018), em parceria com a cantora carioca, mas vale dizer que no currículo do cantor, há parcerias também com Lulu Santos. O clipe da música dos dois cantores ultrapassou a marca de 10 milhões de visualizações em poucos dias e chegou a ser o assunto mais comentado nas redes sociais. Pode parecer incrível, mas muitos ainda não conhecem o cantor Silva.

Com diversos discos de MPB romantizada na galeria de sua enciclopédia, Silva é um desses raros cantores que fazem sucesso entre o público jovem e os amantes da boa e velha música popular brasileira. A discografia do rapaz é boa: Claridão (2012), o excelente Vista pro Mar (2014), Júpiter (2015), Silva Canta Marisa (2016), Silva Canta Marisa Ao Vivo (2017). O trabalho em que canta Marisa Monte, sem dúvidas, lhe trouxe uma visibilidade maior, a mídia acatou seu trabalho, mas o grande público ainda não sabe exatamente como é sua feição.

Isso é uma coisa muito estranha e desengonçada ao se fazer música nos dias de hoje: o cantor se lança, vai para a mídia, mas o público não sabe quem ele é. Ouve suas músicas nas estações de rádio, nas novelas, nas propagandas, mas não sabem como é seu cabelo, sua barba, sua tez. E Silva parece não se importar muito com isso: de parcerias de Marisa Monte a Lulu Santos até a explosão de sua música com Anitta e chegando a mais de 10 milhões de visitas, o que ele mais quer é fazer música e ficar escondido mesmo.

Foto: Jorge Bispo

O submundo musical de Silva
Por Marcelo Teixeira




sábado, 28 de julho de 2018

Os truques de Anitta

Os truques salientes de Anitta
Não podemos tirar o mérito da cantora Anitta de que ela é um sucesso estrondoso aqui no Brasil e angaria a passos tímidos sua incursão em países da América Latina, Europa e todo o Continente. Em alguns países, como México, por exemplo, ela praticamente domina as paradas de sucessos e já é muito requisitada para programas de TV e rádios locais. Mas em países como Colômbia (em que precisará brigar muito com a dona do pedaço, Shakira), Anitta ainda não reinou, mas conseguiu entrar bem timidamente. Portugal, Argentina, Paris, Londres e em alguns outros países ela ainda engatinha, mas o efeito maior mesmo está no país do Chaves, Chesperito e Chapolin Colorado, talvez como uma troca de favores.

Diferentemente do que muitos pensam, Anitta é muito mais esperta que todos no quesito fazer truques: ela tira onda em suas músicas, planeja muito bem como fazer de seus singles um verdadeiro fenômeno e tira de tudo isso um proveito absurdo, sem ao menos... abrir tanto a boca. Explico: em músicas como Bang, de 2015 (mesmo que ainda cante e bem), Paradinha (2017) Vai Malandra (2017), Machika (2018) e o agora sucesso Medicina (2018), Anitta mal abre a boca, mais dança do que canta e nos engana muito bem com seu portunhol esquisito. Não estou aqui querendo dizer que Anitta não é uma boa cantora ou que seu sucesso não é merecido. Estou dizendo justamente o contrário, até porque, no início de sua carreira eu mesmo fui totalmente contrário ao seu estilo de fazer música brasileira e a chamei de medíocre quando queria usar e abusar da comunidade carente para se autopromover.

Mas se você reparar bem nas músicas da cantora, verá que a mesma praticamente não canta muito, que mais dança e rebola do que pratica o ato de soltar a voz. Outra coisa que me deixa muito intrigado é o fato da cantora sempre ter um parceiro para dividir os vocais e isso está em praticamente noventa por cento de suas músicas. Em Vai Malandra ela canta tão pouco, que cheguei a acreditar que ela não estava no clipe. Agora em Medicina o efeito se repete: além de colocar várias crianças e jovens de outros países fazendo o refrão (La La La La La La), ela canta pouco, explora mais o cenário e os países pelos quais perpassa e pronto: clipe feito, música cantada, sucesso estrondoso e ‘bora’ fazer outro sucesso.

Formada em Administração, Anitta é o fenômeno que é devido ao seu caráter, seu estilo despojado e seu lado humano: o povo precisava de uma cantora que os representassem. Isso aconteceu com Carmen Miranda nos anos de 1930, Clara Nunes e Elis Regina nos anos de 1970, Rita Lee e Marina Lima nos anos 1980, Daniela Mercury nos anos 1990, Ivete Sangalo nos anos 2000, Anita nos anos 2010. Ainda risco em dizer que Anitta é a cópia de Ivete, mas em graus diferenciados, porque Ivete explorou muito seu lado baiano, enquanto que Anitta não tem uma identidade cultural, não ficando restrita apenas ao Rio de Janeiro, mas representando todo o Brasil, indo de encontro com a identidade ideológica da História.

Todas essas cantoras citadas tiveram e têm uma representatividade muito grande dentro da MPB e souberam utilizar seus espaços com uma organização temporal incríveis. Hoje Anitta é a maior cantora do Brasil, segundo especialistas de música mais antenados do que esse crítico que vos escreve aqui e agora e que você está lendo-o. Sua grandiosidade artística impera entre aqueles que se sentem representados por ela e que estão órfãos com tantos acontecimentos em prol da maior detentora do pódio musical brasileiro: Ivete teve duas filhas, se afastou da mídia por um tempo, se dedicou à família e o público não consegue ficar muito tempo sem uma representante oficial, mesmo que essa representante não tenha sutilezas ao fazer músicas que perdurem vinte ou trinta anos, como uma Carmen, uma Clara, uma Elis, uma Rita ou uma Daniela. Anitta é a Carmen Miranda do século XXI, mas seu espelho maior é a sombra da Ivete, só que em tamanho menor.


Os truques de Anitta
Por Marcelo Teixeira

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Jojo Todynho: modinha em forma de tiro

Jojo: aberração musical
Anitta fez dois desserviços ao mesmo tempo e, como isso, poluiu o cenário da música brasileira com dois quilos de lixos que o público está digerindo de uma forma inescrupulosa: além do cantor Pabllo Vittar, a cantora Jojo Todynho está infestando as pessoas com a modinha de Que tiro foi esse?, uma espécie de moda passageira que nasce instantânea e morre à míngua assim que um outro hit do momento aparecer. Com um tremendo mau gosto, a música bombardeia as pessoas de uma tal maneira, que fica impossível não deixar a música penetrar nossos ouvidos e mentes por alguns milésimos de segundos. Alçou Jojo ao estrelato, ao mundo da fama e ao mundo subservo das contrariedades. Tudo aqui soa como um tremendo destrato para com aqueles que ainda idolatram uma música de qualidade com requintes de pensamentos verdadeiros. Mas a culpa disso tudo parte, em grande parte, de dois meios diretivos que conseguem manter esse e outros tipos estranhos na música popular por muito tempo: os veículos de comunicação e o público, que seguem cantando suas paródias num ritmo alucinante e enganador. Afinal, músicas desse nível não servem para nada a não ser para provar que essas pessoas são tão baixas quanto seus idealizadores. O mesmo tiro que Jojo dispara hoje será o mesmo tiro que acertará em cheio sua carreira amanhã, fuzilando-a e a retirando do estrelato momentâneo. 

Jojo Todynho: modinha em forma de tiro
Por Marcelo Teixeira 


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Os bichos de Caetano Veloso (1977)

Os bichos de Cae
Havia vida inteligente na década de 1970 e Caetano Veloso se destaca ainda mais nessa seara musical que tanto fazia seus concorrentes a produzirem mais músicas de qualidade.  A vasta criatividade intelectual de Caetano estava tão aflorada em 1977, que seria impossível não produzir um disco sensacional como Bicho (1977 / Phillips / 21,99) e vale dizer que esse disco trouxe uma das sequências musicais mais emblemáticas da MPB, pois Odara possui um ritmo dançante e frenético em seus quase sete minutos de duração e ainda hoje e já no século vinte e um, a música é referência na discografia do cantor. Sendo um dos discos menos lembrados da carreira, mas curiosamente, o disco que tem um festival de canções cantadas por muitos até hoje, Bicho trouxe na bagagem canções com Um Índio, Tigresa, Gente, Leãozinho.  Tigresa é uma bela homenagem à Sônia Braga e Zezé Motta, duas das inspirações de Caetano naquela época e que tem belas poesias embaladas por um violão elegante.  Para registrar Bicho, Caetano se cercou de um time de excelentes músicos que contribuíram para com a estética do disco, que traz altos arranjos e elaborados artistas. Se hoje vemos Anitta reverenciar as comunidades cariocas, Caetano já o fazia isso e com muita intelectualidade, representando uma pegada forte, dançante e atemporal, que era a proposta de Bicho, como a nova favela brasileira, pois Caetano queria lançar um disco especialmente para as pessoas mais carentes dos subúrbios. O resultado é um disco extremamente culto, refinado, dançante, popular e com a cara tanto do rico quanto do pobre.  Além das músicas e letras, Caetano também assina a capa do disco, com a borboleta, o sol, a lua em fundo branco e a palavra bicho, uma gíria muito comum usada entre os músicos na época. Reitero: esse é um dos melhores e mais completos discos de Caetano Veloso.


Bicho (1977) / Caetano Veloso
Nota 10
Por Marcelo Teixeira

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Pabllo Vittar: a pior voz do Brasil

Pabllo: sem voz 
Ouvi dizer por aí que Pabllo Vittar foi considerado o artista do ano de 2017. Ouvir dizer é uma coisa tão balela quanto superficial. Difícil mesmo é ter a comprovação de que Pabllo de fato é o artista do ano de 2017, com tantos outros artistas consideravelmente melhores que ele. Sendo o tal artista do ano, presumivelmente você esquece de que Chico Buarque e Olívia Gênesi lançaram CDs tão ou mais bonitos de 2017, que Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown voltaram com os Tribalistas em um dos melhores momentos do trio, que Joyce Moreno lançou aqui no Brasil, na Europa, na América e no Japão um CD sofisticado com a cara da Nação e que Caetano Veloso relançou Verdade Tropical com um capítulo extra sobre Carmen Miranda. Mas Pabllo Vittar foi considerado o Artista do Ano de 2017 e o que isso quer dizer? Que somos otários ou que as pessoas que o ouve são estranhas? Não vou discutir aqui a questão da diversidade cultural, da pluralidade e dos gêneros (deixo isso para a minha graduação em Pedagogia e pelo meu lado educador), mas ter que aceitar que Pabllo (a repetição desse nome me causa alvoroço nos dias de hoje) é uma aberração capaz de nos ausentar das culturas musicais do país. A começar, Pabllo não canta absolutamente nada, tem uma voz anasalada, esdrúxula, tapada e é desengonçado no palco, sem ter uma potência qualquer. Virou artista para ter uma visibilidade perante as questões de luta contra o preconceito ou o movimento LGBT. Sendo meio contraditório, ainda não entendi muito bem quem esteve por trás dessas votações que o elegeram como a melhor voz do ano e muito menos quem incentivou e bancou a carreira desse pseudoartista.  Até onde se sabe, a cantora Anitta é a madrinha oficial e intangível de Pabllo, ou seja, o escroto revelando a sarjeta. De Preta Gil a Toni Garrido e passando por vários estilos musicais, Pabllo esteve notoriamente bem veiculado na mídia, bem assessorado por quem se diz entender de música e bem mal intencionado perante o público mais civilizado e/ou eclético. Não podemos discordar de que Pabllo foi a voz mais cantada e ouvida e comentada do ano, mas ser considerado o artista do ano é um pouco demais para ouvidos sensíveis e sensatos. Dá-se a impressão de que todos pararam para ouvir sua voz de pato purific ou de fazer a família brasileira entender perfeitamente que ele é um homem, mas se veste de mulher e está montado o espetáculo dos horrores das perucas coloridas. Dá-se a impressão de que em 2017 existiram apenas Anitta, Pabllo, Marília Mendonça, Luan Santana e não mais chicos, caetanos, miltons, anas, tiagos. Tiago Iorc foi tão mais aclamado e idolatrado do que Pabllo e nem por isso precisou provar que era esdrúxulo. Outros artistas dessa categoria, como Liniker e Jonny Hoocker, que mesmo eu criticando perante o excesso de vestimentas e estilos estereotipados, são muito mais artistas que Pabllo e muito menos visíveis no mercado fonográfico. Pabllo é um neocantor que foi criado para ser exemplo de vexatória para todos nós, amantes da música popular brasileira. O espaço assentido dentro de cada estilo é benéfico para todos os artistas que possam demonstrar seus atributos culturais, mas ser tão estranho e espalhafatoso como Pabllo não há igual. Se há um prêmio para receber e merecer, esse prêmio é os piores do ano de 2017 pelo conjunto da obra: Pabllo assusta vocalmente, assusta musicalmente, assusta pelo simples fato de não falar nada. Suas músicas em nada acrescentam em nossas vidas e sua postura de cantor que defende uma causa não pode ser considerada uma prova cabal de que ele lutou por esses direitos. Definitivamente, são várias causas perdidas e os fãs de Pabllo se viram protagonistas de suas caminhadas, como uma salvação de libertação das amarras do povo que queria ver a massificação de um gênero. No dia em que esse cantor receber um prêmio de qualidade cultural pelo conjunto de sua obra, poderemos nos ajoelhar e pedir sua benção. Por hora, o que podemos fazer são duas coisas: tapar os ouvidos e virarmos as costas.



Pabllo Vittar: a pior voz do Brasil
Por Marcelo Teixeira

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Anitta: vedete, cantora, medíocre

Anitta: voz do funk?
A bestialidade é a condição de quem ou daquilo que é bestial, temendo um comportamento que assemelha o homem e  mulher à besta com uma brutalidade ou imoralidade perceptível. Não podemos negar que Anitta seja um furacão estrondoso com uma potência relevância dentro da MPB, mas dizer que ela é a maior cantora com nível de voz acentuado e um pouco de sensatez dentro da música popular é incoerente aos padrões estéticos musicais vigentes. Não podemos, reitero também, menosprezar o tamanho de sua importância e valor perante seus milhões de fãs pelo agora mundo afora, mas é preciso respeitar os limites éticos e políticos que a pluralidade e a transversalidade exigem. Anitta voltou ao topo da parada de sucesso com um meteoro estilístico que marcou sua entrada no mundo das vedetes e cantoras e outras medíocres artistas que polarizam nossas mentes e reações. Anitta encabeça todas essas qualidades: é vedete, é cantora, mas também é medíocre. Seu mais recente sucesso, Vai Malandra, nada mais é que um tiro no peito do cidadão brasileiro que adere às políticas da boa vizinhança quando diz respeito aos valores morais da constituição musical. Não que a música tenha que ter um certo limite ou uma compreensão da filosofia dentro do contexto social e antropológico, mas a música e, principalmente, o clipe, são uma afrontosa negligência aos apelos civilizados de pessoas que lutaram anos e anos a fio por uma contra censura monopolizada e que hoje recebem bem na sua cara uma chuvarada de bundas e peitos e homens e mulheres pelados. Com ou sem silicone, o que mais se vê nesse clipe é a apologia ao sexo gratuito, à vulgaridade explícita, ao papel cafajeste do homem do morro e da mulher que usa cabelos estilo rastafári para poder se impor como mulher de respeito ou, em outras palavras, mulher de malandro. Está nitidamente claro e evidente que Anitta não voltou ao mundo do funk apenas por voltar: tem um contexto social e político da própria cantora acerca desse movimento. Anitta não criou o funk brasileiro e nem é detentora do estilo. Anitta não resgatou o funk e muito menos será coroada a rainha funkeira do morro e da comunidade, mas a música deixa em destaque que a mulher precisa de um empoderamento perante a sociedade para exigir respeito.O respeito por meio da bunda, dos glúteos siliconados ou não e do peitão à mostra. Enquanto Elza Soares (A Mulher do Fim do Mundo, 2016) veio com um disco sensacional em prol da luta pelas mulheres, pelos negros e pelos esfarrapados, Anitta surge com uma música que extrapola os limites da selvageria imoral ao abordar o mesmo tema. Gosto da Anitta e a respeito como cantora, como mulher e artista que és, mas não posso me curvar diante tanta insensatez imoral para poder se autorretratar perante uma canção que mostra glúteos deformados, partes pélvicas suadas e cabelos oxigenados mostrando que a periferia tem voz e vez. Lembremos que a comunidade precisa ter voz e vez, mas não com um festival de imbecilidade assistida como esse clipe de Vai Malandra. Enquanto a comunidade e o funk lutarem por uma democracia de igualdade e equidade sem mostrar seus dotes corpóreos, estaremos falando a mesma língua para uma emancipação da sociedade. Mas enquanto estiverem lutando em prol de glúteos, o movimento e a comunidade retratada perdem seus direitos pela tal igualdade e por uma tal de equidade.


Anitta: vedete, cantora, medíocre
Por Marcelo Teixeira

domingo, 18 de junho de 2017

Cala a boca, Anitta!


O melhor de Anitta é cantando
Gosto da Anitta, mas quando ela está de boca fechada, porque quando dá suas entrevistas, sinto um nojo de suas proferidas frases de efeito nada moral! Em recente entrevista para Pedro Bial (Conversa com Bial, Globo, 2017), a cantora disse que Carmen Miranda não era um produto brasileiro e que ela não fora um motivo de musicalização no Brasil. Bial, meio constrangido, tentou consertar seu erro e disse que Carmen era portuguesa, mas que revolucionou a música brasileira com seu cantar. Vamos retomar esse episódio: com o sucesso de Carmen pelo mundo afora, muitas cantoras queriam ser iguais a ela. Bibi Ferreira é sua afilhada. Ângela Maria era sua empregada doméstica e que cuidava de Carmen à revelia. Clara Nunes era a sucessora de Carmen quando esta faleceu, em 1955. E Anitta, uma cantora popular que insiste em dizer que veio da favela em meio à dinheirama que tem hoje em dia, vêm dizer que Carmen Miranda não é um produto brasileiro? O que falta para certos (ou muitos) cantores é justamente uma aula de cultura musical, coisa que talvez não o tenham. Não posso aqui tentar defenestrar Anitta como se ela fosse uma cantora qualquer, pois ela não o é. Gosto de suas músicas, de sua dança, de sua valorização acerca de sua competência musical, mas não posso me curvar diante sua imbecilidade em dizer coisas desconexas e sem conhecimento. O que mais gosto em Anitta é sua garra para ser reconhecida como ela é e não se transformar em um fantoche dos outros. Ao dizer que ela valoriza a posição da mulher com suas músicas, ela blefou feio. Onde que suas músicas são qualidades e atributos para a valorização da mulher nos dias de hoje? O melhor de Anitta é sua boca fechada e apenas cantando. Anitta é o tipo de produto comercial que é para ser executada ali e pronto. Mas insisto que ela canta bem, dança maravilhosamente bem e é só. Se em todas as entrevistas ela pudesse apenas cantar, seria de bom tamanho. Não há controversas nesse artigo, pois o que quero dizer é exatamente aquilo que Anitta me representa: ela é uma excelente artista (têm seus erros, mas todos os artistas o têm), canta bem, dança maravilhosamente bem, mas quando abre a boca para conversar, acaba sendo uma negação incrível. Ainda assim a respeito como mulher que soube chegar aonde queria – o estrelato. Aproveitando a deixa, quero dizer que seu novo single, Paradinha, é legal e instigante: composta em espanhol, a música foi feita para atrair o público latino, assim como fizera a cantora colombiana Shakira ao lançar disco em inglês. Filmado nos Estados Unidos, o vídeo mostra a ascendência de uma estrela nacional se infiltrando em solo americano com categoria de grande diva da música brasileira. Sim, Anitta é uma estrela, uma diva e o novo clipe / single não deixa dúvidas. Mas ainda prefiro Anitta de boca fechada quando dá entrevistas.

Cala a boca, Anitta
Por Marcelo Teixeira

terça-feira, 19 de abril de 2016

O Bang de Anitta



 



Sucessos descartados

Não existe comparação de Anitta com nenhuma outra cantora brasileira em atividade hoje em dia. E nem poderia existir porque Anitta é única e exclusiva: apenas ela consegue ser ela. E ela consegue ser melhor cantando do que falando, cantando do que dando entrevistas, cantando do que fazendo qualquer coisa. Mesmo que sua especialidade não seja a voz e nem a mente, Anitta se sobressai apenas com seus glúteos avantajados (Freud poderia explicar isso!). E só. Mas não posso deixar de dizer que Bang (2016 / Warner Music / 28,99), sua nova produção, é legalzinha dentro dos padrões do pop nacional. Mas as únicas músicas que se superam nesse disco é a faixa título e a número dois, Deixa ele sofrer, porque as outras faixas são de uma tristeza que só: músicas que não nos leva a lugar nenhum em questão de intelectualidade e/ou musicalidade. Óbvio que Anitta não é uma cantora que foi produzida para ser a musa da MPB e nem pensaram na possibilidade de fazer dela uma nova Elis Regina ou Gal Costa e, por esse mesmo motivo, a cantora consegue ser autoral naquilo que faz, consegue ser ingênua em suas entrevistas e muito sincera em suas opinões e, talvez por isso e nesse quesito, seja melhor ouvir suas músicas. Anitta é o tipo de cantora que precisa se conhecer mais e estar mais antenada com o mundo que gira ao seu redor e mesmo sabendo que isso poderá demorar muito para acontecer, ela parece que prefere ficar nesse mundinho pop fashion que não enriquece a ninguém culturalmente. Porém, preciso ressaltar aqui que a cantora consegue dar a volta por cima e lançar discos cada vez mais audaciosos, dispostos a estarem em primeiro lugar nas paradas de sucesso e a angariar status de diva da música popular brasileira. Anitta é a favorita de dez entre dez jovens e passou a ser a nova queridinha do momento glamour. Mesmo não cantando nada, a cantora mais esboça seu corpo do que canta suas músicas e isso não é um defeito maior, até porque Anitta passou a ter corpo para poder exibir nacionalmente. Mas o que peca aqui é a qualidade musical de seu novo álbum: apenas Bang consegue ser atraente, nada mais do disco é atrativo e isso se prova nas estações de rádio e programas de TV. Com várias participações especiais, Bang passa a ser o melhor da carreira da cantora por ser o mais bem produzido, o melhor adaptado, o mais hermético e o que traz uma sonoridade mais explícita de Anitta. Mas quem ouve Bang por inteiro logo pára para poder pincelar músicas antigas de sua carreira. De fato e tediosamente, a cantora consegue ser uma diva daquilo que produz, mas o que Anitta precisa entender é que as divas tropeçam, caem, se machucam, erram e umas nem levantam com o tempo.

 

Bang / Anitta
Nota 7
Marcelo Teixeira

 

sábado, 21 de março de 2015

O tempo de Ludmilla é hoje. E amanhã?


Ludmilla hoje, amanhã e...
Reduto especializado principalmente por homens, o funk está sendo tomado pelas mulheres que querem (ou tentam) revolucionar o mercado fonográfico com suas expressões marcantes, seus cabelos volumosos e seus batons florescentes. O tal funk ostentação nunca esteve tão em voga como nos dias atuais e isso se deve a crescente massa adolescente, que encontraram nesta batida (im)perfeita, uma maneira de protestar contra algo, a desculpa esfarrapada de encontrarem os amigos para uma noitada, para beijos furtivos e para a dança, muita dança. Ludmilla entrou neste terreno hostil e está aproveitando todas as mazelas que a música descartável e sem prioridade alguma de crescimento cultural poderia lhe retornar. Lançou um CD que teve uma grande aceitação imediata do público, ofuscou a cantora Anitta, roubou a cena em todos os espetáculos televisivos, ganhou notoriedade do dia para a noite, ficou mais bonita, menos caricata, deixou de ser dublê de uma cantora americana e ganhou madeixas louras, volumosas e junto com tudo isso surgiu a timidez. Ludmilla é hoje o que a Anitta representou no início de sua carreira: uma grande ostentação musical, uma cantora que surgia dos guetos, branca, bonitinha, mas sem conteúdo algum. Ludmilla é o oposto de tudo isso: mesmo sua música sendo distante do verdadeiro funk, a cantora consegue driblar os grupos sensacionalistas e tira de letra sua nova forma de se fazer música: canta como as cantoras negras do passado, não é vulgar em seus passos de dança e suas músicas são agraciadas pelo melhor do funk pop da atualidade. Hoje é o tempo de Ludmilla e esse tempo lhe trouxe responsabilidades futuras, que requer superar o estrondoso sucesso que faz hoje. Se isso não vir a acontecer, a cantora estará fadada a ser marionete do egocentrismo musical, que lhe colocaram na grande roubada de patrocinarem seu sucesso imediato. Mas pelo andar da carruagem, aposto que Ludmilla virá em breve com um novo CD e mais uma vez um novo sucesso. Talvez não arrebatador como o charmosinho Hoje, mas compensdor para sua voz. O tempo, por hora, está favorável à ela. Mas até quando?

 

O tempo de Ludmilla é hoje. E amanhã?
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Valesca é a grande aberração do século 21



Valesca: inteligência em outro lugar do corpo
Se a música popular brasileira for salva por Valesca (prefiro não colocar o seu sobrenome de guerra), prefiro a morte. Prefiro renunciar qualquer cultivo a música brasileira e em caráter de amor maior a minha vida e a minha cultura, prefiro esconder-me no mais fundo do fundo e do fundo do abismo para que ninguém possa me encontrar. A grande pensadora do século vinte e um é uma mulher loura, de curvas salientes, rosto feio que mais parece um E.T e que não pensa com a cabeça de cima e, sim, com o gosto popular. Valesca foi considerada a pensadora do século e eu me pergunto: o que escrever aqui agora? Resta-me fechar os olhos e rir da ignorância alheia, dos falsos pensadores, dos idiotas meretrizes da agonia, da falsa carapuça usada por quem está por trás desta grande pensadora de opiniões adversos. Valesca é a grande pensadora. E ponto. Mas há controvérsias. Quem é Valesca? Driblando todas as forças do mundo, essa persona saiu dos horizontes das trevas para poder estragar a música popular com sua voz fanhosa, fazendo com que todos entortacem as cabeças para um beijinho no ombro. Uma imbecilidade pueril, um ato retardado, uma ação desconjugada de rebeldia mútua de quem não tem o que fazer e apela qualquer coisa para estar no mais alto do topo. Valesca ultrapassou Anitta, agora plastificada, e ganhou status de a nova queridinha do funk. Ganhou fãs pelo mundo afora e seu cachê triplicou. Rebola seu gosto popular a torto e a direito e intimida as pessoas com seu olhar canibal. Valesca é o oposto da cultura: ela não canta, não sibila, não ensina, não tem moral, não tem musicalidade na veia, não sabe a que veio. Alguém poderia lhe mostrar o caminho da rua? Mais do que tentar cantar, Valesca chegou ao topo se mostrando uma cantora competente, com um clipe musical a altura de uma Lady Gaga e com vestimentas horrendas, fuleiras, capengas. Com um palavreado chucro, Valesca entrou para o mundo da fama pela porta que estava aberta, sabendo que não fora convidada para estar ali.  Logo o mais será despejada assim como fizeram com Anitta, a plastificada. Valesca é uma cantora fútil, que não agrega em nada na nossa cultura e que está se valendo de uma única música para se tornar a nova estrela nacional. Mas vale lembrar que o topo mais alto da fama é substituível e que toda estrela um dia se apaga.

 

Valesca, a grande pensadora!
Por Marcelo Teixeira

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O tempo de Anitta está se acabando


Show de horrores
Anitta é uma cantora popular que canta músicas que o povão gosta de ouvir: mulher poderosa, popozuda, sensual, que trai o marido, que sempre está por cima da carne alheia, mas o que Anitta não sabe é que ela é um fantoche da música popular brasileira e sua música é tão pobre e fraca que dá pena vê-la cantar e dançar e retorcer toda para parecer sensual. Anitta surgiu cavalgando no meteóro de Luan Santanna, caiu no palco da música popular, diz que é tímida, que foi pobre, que ama Sandy, idolatra Naldo, mas é fraca ao ponto de ser uma mulher infâme ao ponto de ser infâme. Anitta (2013 / Warner / 24,99) não acrescenta em nada na nossa rica cultura e a prova maior disso é seu disco de estreia, intitulado Anitta, com dois T para que ninguém possa esquecer ou confundir com as futuras anittas no mercado. O fato é que Anitta tem percentual para a burrice: ouvi seu disquinho e pude constatar que o disco é todo parecido, com uma música se igualando a outra. Resultado: Anitta consegue não apenas ser infâme, mas capacitada de pouca inteligência para conseguir não cantar músicas diferentes da tal Show das Poderosas, que consegue ser um estrondoso sucesso Brasil a fora. Pudera, a música gruda feito chiclete em nossos ouvidos e a toda hora temos que dizer prepara.

Não estou aqui destilando venenos na coitada da Anitta e me perdoeem os leitores que estão acostumados a lerem artigos mais piedosos, mas Anitta consegue carregar todos os adjetivos possíveis à sua pessoa. Mas o que me chama a atenção nela é a sua capacidade de ser uma pessoa diferente dentro da MPB: ela consegue usar suas artimanhas para conseguir se privar de ser o que ela é. Além de infâme, o disco é fraco, fraco, fraco. Fraco, aliás, igual seu grupo seleto de amigos cantores, que conseguem fazer do povo brasileiro um seleiro de cabeças ocas.

Anitta é a aberração cantante que surgiu nos últimos anos. Sua voz, assim como seu disco inteiro, é cansativo, deprimente, sofrido. Mas depois de tanto apreciar, estudar, tentar dialogar com amigos sobre sua pessoa (e música), cheguei a conclusão de que Anitta é a junção de tudo de ruim que assola a música popular brasileira alguns anos. Dentro da Anitta existe um pouco de Sandy, Wanessa Camargo, Joelma, Paula Fernandes, Perlla, Kelly Key e isso apenas para ficar nas porcarias musicais.

Anitta talvez não esteja preparada para encarar o ostracismo em sua carreira. Se a cantora voltar com um disco novo com as mesmas propostas que este primeiro, certamente será encaminhada para o limbo das cantoras sem futuro incerto que existem por ai. Seu disco de estreia é chato e serve apenas para embalar funks melódicos e festas amaldiçoadas. Embora seja dançante, a maioria das músicas e danças de Anitta nos levam a sensação de que Show das Poderosas não tem um fim especifico. Oremos para que isso aconteça logo e que deixemos de ouvir e ver a presença tão onipresente de uma pessoa caricata e pueril. Seja como for, o tempo de Anitta está se acabando. Será que ela está preparada?

 

O tempo de Anitta está se acabando / Anitta

Nota 1

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A preciosidade de Embalar (2013), de Ná Ozzetti


Um dos melhores de 2013
Sempre há uma expectativa da minha parte para os lançamentos futuros da cantora e compositora Ná Ozzetti. Assim que lança um disco novo na praça, não dando tempo nem desse respirar, já anseio pelo próximo trabalho e fico aguardando frenetica e ansiosamente pelo outro. Ná é uma das poucas cantoras que conseguem fazer isso comigo. Mal lançou Meu Quintal no final de 2011, a cantora vêm com carga total com Embalar, disco que faz uma reviravolta em sua carreira, com participações especiais e dividindo letras com cantoras mais novas. Embalar, antes de mais nada, é um disco de profusões de palavras, característica mais que assídua da cantora e que demonstra uma clareza vocal exuberante. A impressão que passa é que Embalar é uma sequencia magistral de Estopim, lançado em  1999, a começar pela capa, aonde mostra em ambas, Ná dançando balé clássico. As letras de Embalar também nos remetem à Estopim, tanto pela maneira de galgar as palavras quanto pelo estilo musical, que se difere de Meu Quintal. Ná é uma das principais vozes femininas do Brasil e disso não há o que discutir e Embalar comprova, nitidamente, o quanto sua presença é marcante dentro da Música Popular Brasileira. Mantendo um estilo cativo de manter-se inerte em seu mundo, a cantora lança discos sensacionais, não repetitivos, com qualidade, supremacia e, sobretudo, musicalidade. O que Ná talvez não saiba é que a sua música, para poucos, como bem disse na canção Pérolas aos Poucos (José Miguel Wisnik) no CD Voz e Piano (2005) é rica para alguns e misteriosa para outros.

Poucos conhecem Ná Ozzetti. Mas todos deveriam ter a obrigação de conhecer o seu trabalho. Lançando seu décimo álbum, Ná Ozzetti é respeitada por críticos e músicos pela sua voz, pelo seu canto, pela sua música. Ná Ozzetti é a voz principal da Vanguarda Paulista, que teve como padrinho o inesquecível Itamar Assumpção e foi através deste excepcional cantor que tive o prazer de conhecer o trabalho de Ná (e, por consequencia, de Virginia Rosa, Susana Salles, Vânia Bastos). Embalar (2013 / Circus / 24,99) foi produzido pela própria cantora em parceria com o irmão Dante Ozzetti e os amigos Mário Manga, Sérgio Reze e Zé Alexandre Carvalho e já está à disposição nas melhores redes para vendas.

Com 11 faixas, o CD está recheado de participações especiais, como a amiga Mônica Salmaso na faixa Minha Voz e Juçara Marçal em Musa da Música, num trava-língua irresistível. Marcelo Preto divide os vocais com a cantora em Olhos de Camões. A polêmica sobre o lesbianismo surge em Lizete, numa engraçada forma de rimar e Nem Oi é uma parceria entrosada entre Dante Ozzetti e o mineiro Makely Ka.

Surpresa agradável foi a composição entre Ná e Tulipa Ruiz, que fecha o disco com a mambembe Pra Começo de Conversa. Surpresa mais que agradável, tendo em vista que as parcerias, letras, melodias, ritmos e tudo o que completa neste sensacional disco, faz parte agora do cancioneiro da MPB por um todo. Ná é sempre Ná e seu novo disco é um dos favoritos a entrar para a categoria de melhor do ano. Sem papas, choros e velas, o disco é um presente aos fãs da cantora e chega em um bom momento, enquanto só se falam de Rock in Rio, divas americanas, conversas de Anittas e papagaiadas de Ivetes.

Salve, salve dona Ná!


Embalar / Ná Ozzetti
Nota 10
Marcelo Teixeira

 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O senso (in)comum de Rodrigo Pitta em disco elitizado


Rodrigo: pouca voz em CD elitizado
Mesmo sendo um dos cantores e compositores da nova geração com um certo respeito no mundo da produção cinematografica e teatral, Rodrigo Pitta não me agrada como cantor. Suas letras são ótimas, com excelentes tiradas sobre o mundo moderno e sobre a cidade cinza que é São Paulo, mas sua voz não me agrada em nada. Ao menos suas canções estão no patamar de serem as melhores dos últimos tempos e as mesmas canções poderiam ser cantadas por cantores de qualquer estirpe dentro do melhor da MPB. Menos por Rodrigo Pitta, seu idealizador.  Disco de estreia do artista, Rodrigo lança Estados Alterados em um clima de mistério e sofisticação de elite. Sim, a música de Pitta não é para qualquer classe social e não é qualquer um que pode chegar e dizer que gosta de seu trabalho, até mesmo porque Rodrigo Pitta transpassa o ar de intelectual demais num país em que os jovens são mais ligados em estilos mais popularescos, como Anitta, Naldo ou qualquer outra aquisição menos comportamental. Mas o disco de estreia de Pitta é mediano, para ficarmos apenas no mediano. Estados Alterados foi gravado no Rio de Janeiro e masterizado no outro lado do mundo, no Japão e tem toda a cara de São Paulo por um único motivo: ser cinza demais. Produzido por Arto Lindsay, o disco exibe como tema capital a melodia Sambas Alterados, incluída na novela atual global, Amor à Vida e não por acaso, a faixa ganhou um eficiente clipe gravado na Ponte Estaiada, na zona sul de São Paulo, e traz intervenção de Racionais MCs, recitando a letra de Sampa, de Caetano Veloso.

O trabalho é definido por Rodrigo Pitta como diversas químicas que o levam a estados alterados e o amor é uma delas, assim como a dor. No disco há também músicas para dançar, temas do candomblé, drogas e suas alterações de consciência e senso de realidade. E a própria vida urbana com seus variados estados de ser, estar, permanecer e ficar. Assim como a melancolia urbana às vezes é árida, às vezes suave e melódica no seu interior, Pitta traduz uma felicidade ímpar num trabalho que teve dois anos de gestação, entre março de 2011 e março de 2013. O disco, repito, não é ruim, mas a voz de Rodrigo Pitta, por vezes, cansa, enjoa e nos faz forçar os dedos para desligar o som para que não possamos ouvir sua música devido a sua voz ser chata. Tirando isso, o disco tem um senso comum equilibrado, gostoso de ver, de pegar, de comentar. Apenas.

Da tristeza romântica de Blue Tuesday, a única música em inglês, ao mix de house e rock de Caos, o disco tem uma pitada brasileira nordestina em Água Tudo e Eletroquímico, assim como a saborosa Estados Alterados. Bad Trip e Minha Cabeça, Meu Avião são como sintomas de saudades sobre as viagens de Pitta e sobre desiluções amorosas do mesmo.

Estados Alterados é para a classe média e para o ouvinte mais ligado na música chique e bem elaborada. Não para qualquer um.



Rodrigo Pitta / Estados Alterados
Nota 4
Marcelo Teixeira

terça-feira, 2 de julho de 2013

Naldo, Anitta e os piores da música atual


Naldo: a pior revelação musical
Naldo engoliu Latino, que engoliu o desejo de conhecer o ostracismo da TV e de grandes mídias. Naldo recentemente veio embalado por um grande sucesso que o povo de massa encefálica oca aderiram ao cardápio musical, fazendo que o cantor estourasse de ponta a ponta do país. Se Latino era o queridinho da música de quinta categoria no Brasil, hoje o posto é reconhecidamente do canastrão Naldo.  MC Leozinho, Tati Quebra-Barraco, Bonde do Tigrão, MC Marcinho, Claudinho Nervoso, Bonde do Lambe Lambe, MC Cris, Os Magrinhos, Latino, Deize Tigrona, MC Buiú e MC Alex deveriam ser presos, torturados, encaixotados e jogados ao mar, de preferência próximo a tubarões brancos. Se esse tipo música reflete a vida e cultura das favelas, eles que fiquem por lá cantando suas letras imbecis, machistas e marginais. O Brasil já é tão violento, e ainda por cima temos que aguentar um tipo de música que torna os jovens ainda mais burros, desinteressados e intolerantes. O funk carioca, hoje comandado por homens e mulheres de baixo nível, não é cultura, é a marginalização da música brasileira, o podre, o esgoto que subiu. As mulheres aprendem a serem biscates logo cedo, a serem as cachorras do negócio. Já os homens crescem machistas, malandrões e achando que mulher é igual banana – come e joga a casca fora.

Anitta é o pior elemento musical que surgiu nos últimos tempos e eu não sei quanto tempo ela ficará no comando de um microfone. Bonita, sim, mas muito vulgar e muito chata. Adepta do funk melody, que mistura o romantismo à batida de tamborzão --o famoso e onipresente tchu, tcha--, Anitta já é chamada por muitos no meio de o Naldo de saias, em referência ao cantor de Amor de Chocolate, o hit do uísque ou água de coco.

Um país que já teve roqueiros como Renato Russo e Raul Seixas, Cazuza e Lobão, hoje tem que aguentar esse bando de cantores enrustidos como Fresno, Hori, Strike, Cine, Restart, NX Zero e CPM 22. Os caras cantam chorando, o instrumental é um hardcore sem a mínima pegada e a postura é muito mauricinho querendo ser proletariado. Isso quando eles não inventam fazer balada, pois daí você não sabe se está ouvindo a uma dessas bandas citadas ou a uma das duplas sertanejas universitárias que andam empesteando o ambiente.

É tudo a mesma porcaria! Não importa a música, e sim se os caras são bonitinhos, se tem o cabelinho assim, se usam as roupinhas assado, e por aí vai. É aquele tipo de rebeldia frágil para os adolescentes – época em que ficamos idiotas, espinhudos, feios e nos apaixonamos pelo primeiro poste da esquina. Deveriam mudar logo o rótulo desse tipo de rock para Bunda Mole Music.

Outros dois que entram na onda do pop/ rock são o Jota Quest e o Charlie Brown Jr. Os dois tem respeito, acumulam sucesso e bla bla bla, mas são o mais puro lixo do pop brasileiro. Eu não entendo uma palavra que o Chorão canta e acho a postura de sou fodão, sou perigoso a coisa mais estúpida do mundo. Ao menos o tal chorão se foi! Já os caras do Jota Quest são capazes de vender até a mãe para alcançarem o sucesso. Seu repertório é cheio de canções manipuladoras, altamente descartáveis e fritinhas para o sucesso. Não há sinceridade em nada!

Ao assistir o clipe da caipirinha do Piaíu chamada Stefhany, no YouTube, eu tive a plena certeza de morar em um país atrasado. Como uma música tão ruim pode fazer sucesso? Mas ela é só a ponta do iceberg: o forró é um pé no saco e ainda temos Banda Calypso e Calcinha Preta para aturar. Em 2009 o Melhor Prêmio da Música Brasileira foi entregue ao Calcinha Preta: música chata, reta, idiota. Só fez sucesso por causa da novela “Caminho das Índias”, senão ninguém – mas ninguém mesmo – teria prestado atenção. Porém o sertanejo é um gênero que definitivamente não me faz mal. Eu até acho bastante divertido aquelas músicas ao estilo de cerveja e cornice. É milhões de vezes melhor do que o pagode, o forró sem sal (não aquele que conheci em João Pessoa ou os tradicionais feito por Luiz Gonzaga, Fagner ou Dominguinhos), a axé e principalmente o funk carioca. Mesmo assim, não entra na minha cabeça tanta babação de ovo em cima do pirralho Luan Santana. Eu havia dado 1 ano para que ele sumisse do mapa. Ainda não aconteceu, mas sua música está desaparecendo aos poucos. As adolescentes que hoje choram por ele amanhã estarão sofrendo de amor por outro galãzinho qualquer.

O samba de raiz é o que há de melhor na MPB, mas o pagode chegou para estragar tudo. Mesmo longe dos áureos tempos (diga-se segunda metade dos anos 90), a ruindade do pagode ainda existe. Netinho de Paula, Exaltasamba, Sorriso Maroto, Belo, Pixote, Alexandre Pires e Samprazer são insuportáveis. Não estou nem aí se eles são famosos, ganharam prêmios, lotam estádios e o caramba a quatro. Todo mundo toca mal, canta mal e compõe pior ainda, com aquelas letrinhas chulé de rimas infantis e romantismo de duplo sentido. Não entendo por quê pagam tão alto para ver Alexandre Pires. Ele é menos que nada. O Netinho de Paula pode se gabar por ter a voz mais chata do universo; seus chorinhos me dão enxaqueca. O Belo não tem o menor talento pra nada, e os outros três aí – os grupos Pixote, Sorriso Maroto, Exaltasamba e Samprazer – são mais insignificantes do que bactérias.

 

Naldo, Anitta e os piores da músical atual

Marcelo Teixeira