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sábado, 10 de fevereiro de 2018

Jojo Todynho: modinha em forma de tiro

Jojo: aberração musical
Anitta fez dois desserviços ao mesmo tempo e, como isso, poluiu o cenário da música brasileira com dois quilos de lixos que o público está digerindo de uma forma inescrupulosa: além do cantor Pabllo Vittar, a cantora Jojo Todynho está infestando as pessoas com a modinha de Que tiro foi esse?, uma espécie de moda passageira que nasce instantânea e morre à míngua assim que um outro hit do momento aparecer. Com um tremendo mau gosto, a música bombardeia as pessoas de uma tal maneira, que fica impossível não deixar a música penetrar nossos ouvidos e mentes por alguns milésimos de segundos. Alçou Jojo ao estrelato, ao mundo da fama e ao mundo subservo das contrariedades. Tudo aqui soa como um tremendo destrato para com aqueles que ainda idolatram uma música de qualidade com requintes de pensamentos verdadeiros. Mas a culpa disso tudo parte, em grande parte, de dois meios diretivos que conseguem manter esse e outros tipos estranhos na música popular por muito tempo: os veículos de comunicação e o público, que seguem cantando suas paródias num ritmo alucinante e enganador. Afinal, músicas desse nível não servem para nada a não ser para provar que essas pessoas são tão baixas quanto seus idealizadores. O mesmo tiro que Jojo dispara hoje será o mesmo tiro que acertará em cheio sua carreira amanhã, fuzilando-a e a retirando do estrelato momentâneo. 

Jojo Todynho: modinha em forma de tiro
Por Marcelo Teixeira 


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O amor e a liberdade de Olívia Gênesi em disco esplêndido

Olívia: o floral da música brasileira
Entre tantos arroubos curvados e acertos escondidos, a cantora, compositora, arranjadora, instrumentista e produtora musical Olívia Gênesi lançou seu décimo trabalho autoral em meio a chuvas de tempestades, de ciclones musicais adversos amarelados e momentos políticos arranhados. Se de um lado tivemos o ano inteiro de 2017 ao som de cantoras com vozes arrastadas como Ana Vilela e descobertas insossas como Pabllo Vittar, por outro os amantes da boa música popular brasileira puderam ter a oportunidade de desvendar certos acertos escondidos como o CD Amor e Liberdade (2017), que vêm recheadas de músicas com as características de Olívia: o amor, o folk, o jazz e o pop. Todos esses ingredientes refinados e com excelente bom gosto. E o disco veio em boa hora, pois a cantora está comemorando 17 anos de carreira com 10 discos lançados. Impossível não ouvir esse disco e não se encantar com a poesia moderna e fulminante recheadas com um lirismo pleno ao som de canções marcantes como a sensacional Amores Líquidos, que tem muito do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925 – 2017), pois esse também era o título de um de seus famosos livros – e de quem sou fã. A sintonia musical recria a sensação de que estamos a salvo das amarras venenosas musicais existentes por aí e que Olívia faz questão de se afastar totalmente com este belo CD, simples, harmonioso, sensato e amoroso. É um tiro de sensações libertas sobre a liberdade de expressão, a livre espontaneidade de circulação e a plena vontade de estar vivo. Suas músicas estão mais atuais do que nunca e a prova disso está na sensacional música O amor vai brotar, que traduz uma absorvente transposição de diferentes experimentos com a intencionalidade química do tempo. A versatilidade da cantora é impressionantemente surreal e nos capacita ao seu mundo imediatamente após as primeiras notas da abertura desse novo álbum, o que fica claro e evidente que o disco te pega de supetão já no início, sem tempo para respirar e piscar. Com uma grandiosidade enorme, a cantora surge em um momento atípico para com o Brasil e Amor e Liberdade é um balde de sensações térmicas amorosas e libertárias em pleno final de ano. Vale a pena ouvir detalhadamente essa obra prima e repetir incansavelmente faixa a faixa. Assim você terá a certeza absoluta de que está no país certo e ouvindo uma das melhores cantoras deste século. Viva a música popular brasileira!


O amor e a liberdade de Olívia Gênesi / Olívia Gênesi
Nota 10
Por Marcelo Teixeira

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Pabllo Vittar: a pior voz do Brasil

Pabllo: sem voz 
Ouvi dizer por aí que Pabllo Vittar foi considerado o artista do ano de 2017. Ouvir dizer é uma coisa tão balela quanto superficial. Difícil mesmo é ter a comprovação de que Pabllo de fato é o artista do ano de 2017, com tantos outros artistas consideravelmente melhores que ele. Sendo o tal artista do ano, presumivelmente você esquece de que Chico Buarque e Olívia Gênesi lançaram CDs tão ou mais bonitos de 2017, que Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown voltaram com os Tribalistas em um dos melhores momentos do trio, que Joyce Moreno lançou aqui no Brasil, na Europa, na América e no Japão um CD sofisticado com a cara da Nação e que Caetano Veloso relançou Verdade Tropical com um capítulo extra sobre Carmen Miranda. Mas Pabllo Vittar foi considerado o Artista do Ano de 2017 e o que isso quer dizer? Que somos otários ou que as pessoas que o ouve são estranhas? Não vou discutir aqui a questão da diversidade cultural, da pluralidade e dos gêneros (deixo isso para a minha graduação em Pedagogia e pelo meu lado educador), mas ter que aceitar que Pabllo (a repetição desse nome me causa alvoroço nos dias de hoje) é uma aberração capaz de nos ausentar das culturas musicais do país. A começar, Pabllo não canta absolutamente nada, tem uma voz anasalada, esdrúxula, tapada e é desengonçado no palco, sem ter uma potência qualquer. Virou artista para ter uma visibilidade perante as questões de luta contra o preconceito ou o movimento LGBT. Sendo meio contraditório, ainda não entendi muito bem quem esteve por trás dessas votações que o elegeram como a melhor voz do ano e muito menos quem incentivou e bancou a carreira desse pseudoartista.  Até onde se sabe, a cantora Anitta é a madrinha oficial e intangível de Pabllo, ou seja, o escroto revelando a sarjeta. De Preta Gil a Toni Garrido e passando por vários estilos musicais, Pabllo esteve notoriamente bem veiculado na mídia, bem assessorado por quem se diz entender de música e bem mal intencionado perante o público mais civilizado e/ou eclético. Não podemos discordar de que Pabllo foi a voz mais cantada e ouvida e comentada do ano, mas ser considerado o artista do ano é um pouco demais para ouvidos sensíveis e sensatos. Dá-se a impressão de que todos pararam para ouvir sua voz de pato purific ou de fazer a família brasileira entender perfeitamente que ele é um homem, mas se veste de mulher e está montado o espetáculo dos horrores das perucas coloridas. Dá-se a impressão de que em 2017 existiram apenas Anitta, Pabllo, Marília Mendonça, Luan Santana e não mais chicos, caetanos, miltons, anas, tiagos. Tiago Iorc foi tão mais aclamado e idolatrado do que Pabllo e nem por isso precisou provar que era esdrúxulo. Outros artistas dessa categoria, como Liniker e Jonny Hoocker, que mesmo eu criticando perante o excesso de vestimentas e estilos estereotipados, são muito mais artistas que Pabllo e muito menos visíveis no mercado fonográfico. Pabllo é um neocantor que foi criado para ser exemplo de vexatória para todos nós, amantes da música popular brasileira. O espaço assentido dentro de cada estilo é benéfico para todos os artistas que possam demonstrar seus atributos culturais, mas ser tão estranho e espalhafatoso como Pabllo não há igual. Se há um prêmio para receber e merecer, esse prêmio é os piores do ano de 2017 pelo conjunto da obra: Pabllo assusta vocalmente, assusta musicalmente, assusta pelo simples fato de não falar nada. Suas músicas em nada acrescentam em nossas vidas e sua postura de cantor que defende uma causa não pode ser considerada uma prova cabal de que ele lutou por esses direitos. Definitivamente, são várias causas perdidas e os fãs de Pabllo se viram protagonistas de suas caminhadas, como uma salvação de libertação das amarras do povo que queria ver a massificação de um gênero. No dia em que esse cantor receber um prêmio de qualidade cultural pelo conjunto de sua obra, poderemos nos ajoelhar e pedir sua benção. Por hora, o que podemos fazer são duas coisas: tapar os ouvidos e virarmos as costas.



Pabllo Vittar: a pior voz do Brasil
Por Marcelo Teixeira