Mostrando postagens com marcador Baby do Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Baby do Brasil. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de julho de 2017

Marisa Monte - 50 anos


Marisa - 50 anos de vida!
Marisa Monte chega aos 50 anos de idade com a mesma garra e vitalidade com que começou sua carreira, em 1987, ano que iniciou de fato na música popular brasileira com muito jazz, MPB e um estilo que a diferenciava de outras cantoras, mas que se esbarrava com o jeito sereno e arrebatador de Adriana Calcanhotto, cantora que veio um ou dois anos depois. Mas Marisa, no auge de seu estrelato, sabia o que queria fazer: administrar sua própria carreira, sem os mecanismos do sistema que ela sabia muito bem existir. Com uma maestria digna de grandes divas do showbizz, Marisa conduziu sua carreira fazendo aquilo que gostava de cantar, aquilo que gostava de compor e se cercou de artistas e pessoas que praticamente estavam indo no contrafluxo de uma carreira promissora, casos de Arnaldo Antunes que, mesmo estando no estrondoso Titãs, acabava compondo com Marisa pérolas incríveis. Nando Reis vinha dessa seara também, mas um pouco mais contido, com menos canções iniciais que o Arnaldo. Carlinhos Brown, seu melhor amigo e inspirador de todos os tempos, era desses compositores que fizeram com que a artista vendesse mais discos que água em farol engarrafado: o enorme sucesso de MM (1988) era motivado pela releitura da italiana Bem que se quis, que até hoje é referência em sua carreira, mas Verde Amarelo Anil Cor de Rosa e Carvão (1994), em que a música Segue o Seco estrondou em todos os canais de TV e estações de rádios e elevou o nome de Marisa às alturas. De lá para cá foram sucessos garantidos na voz dessa estrela, que teve divisão de vocal com bambas da MPB, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Baby do Brasil, Tim Maia, Paulinho da Viola. Não é sempre que fazemos 50 anos e o Mais Cultura Brasileira se prontificou a homenagear Marisa desde o primeiro dia deste ano e irá fazê-lo até o último segundo de 2017. Reverenciar sua grandeza é sentir que a música brasileira pode ser alicerce para qualquer estado em nossas vidas. Parabéns, Marisa Monte pelos seus 50 anos de vida!

Marisa Monte – 50 anos
Por Marcelo Teixeira

sábado, 8 de outubro de 2016

Daniela Mercury: do axé à MPB


Daniela: rainha da axé
Sempre digo que a música baiana é dividida em blocos importantes: a primeira retrata a música de Dorival Caymm e Assis Valente, o segundo bloco é representado pela onda de baianidade intelectualizada formada por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Baby do Brasil, Moraes Moreira e outros e o terceiro e mais importante bloco é representado apenas por uma única mulher, que revolucionou a música com três palavras determinantes: ginga, energia e determinação. A década de 1990 foi marcada pela geração de Daniela Mercury, que conseguiu uma legião de fãs por todo o Brasil com sua voz, sua dança, seu balé, sua sofisticação e seu axé. Estávamos saindo de uma onda roqueira, embalada por roqueiros e bandas com alguma simpatia cordial e estavámos enojados com o pagode brejeiro de grupos multifacetados que aspiravam a demagogia do riso forçado, que caminhava lado a lado com as duplas sertanejas que ascendiam lareiras fervilhantes, mas que nada se comparava aos mitos Chitãozinho e Xororó. As únicas cantoras que estavam no posto de donas da vez eram díspares em suas camadas musicais, sendo elas Marina Lima no rock e Daniela Mercury no chamado axé, pois Marisa Monte, que vinha de um disco maravilhoso de 1988 e Adriana Calcanhotto, que receberia as glórias em 1990, duelavam entre si pelo posto mais alto da música, mas o caminho de Daniela estava livre para mostrar o seu talento e, de quebra, aquilo que ninguém até então tinha ouvido cantar, falar e comentar. Ao longe e timidamente, cantoras do naipe de Cássia Eller, Zélia Duncan, Fernanda Abreu apareciam aqui ou ali em apresentações medianas. Mas 1991 foi um divisor de águas na carreira meteórica de Daniela Mercury, que nesta altura já tinha desistido de ser bailarina para se tornar a maior estrela da música nacional. Arrastou multidões com a música Swing da Cor (1991), que lhe rendeu centenas de shows e lhe valeu a fama de cantora das multidões. De fato, não havia uma cantora nacional com aquela popularidade enorme e Daniela tinha todos os atributos para ser a rainha do axé. Daniela Mercury era um fenômeno por onde passava e o axé tinha uma representante à altura. Com coreografias sensacionais, a cantora deixou seu nome registrado na música nacional como sendo a maior de todos os tempos. Depois de seu sucesso estrondante, artistas do naipe de Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque passaram a reverenciar sua voz, seu canto e seu estilo e a tornaram ainda mais em evidência: era o primeiro passo da cantora no mundo da MPB. A bem da verdade, Daniela já flertava com a música popular brasileira em algumas faixas de seus discos e esse sempre foi o desejo da baiana em ser um dia uma cantora distante do axé. Não que o estilo fosse negativo, mas Daniela sempre almejou ser uma nova Gal Costa, dando a chance de mostrar para outros públicos o quanto sua voz poderia ser privilegiada fora de um contexto elétrico. Com a chegada de Ivete Sangalo e, mais tarde, de Claudia Leite, Daniela deu vazão para o mundo da MPB e foi abandonando aos poucos a axé que um dia lhe consagrou. A mudança não surtiu tanto efeito assim para os fãs ardorosos da cantora, mas Daniela soube usar a inteligência e já havia sacado que se não mudasse de estilo o mais rápido possível, poderia cair no ostracismo. Não foi o que aconteceu: com ótimas releituras e com a voz ainda mais valorizada, Daniela conseguiu respeito e admiração de um público cada vez maior e que conseguia nutrir uma satisfação nada egocêntrica de sua parte. Daniela conseguiu mostrar sua voz para a cidade e realizou o sonho de ser uma menina baiana que um jeito que Deus dá.

 

Daniela Mercury: do axé à MPB
Por Marcelo Teixeira

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Zii e Zie (2009) e o transambas de Caetano Veloso


Zii e Zie: sambas e reflexões de Caê
Que Caetano Veloso é embalado por orixás e deuses da Bahia de todos os santos, disso todo mundo sabe, mas na música que fecha Zii e Zie,  Diferentemente, ele deixa claro que não crê em Deus, diferentemente de Osama e Condoleeza. A música fecha o disco com chave de ouro, tendo em vista que Zii e Zie (2009 / 28,99 / Universal Music) não trata de religião e sim, de sambas e mistérios que somente um certo Caetano consegue fazer. São sambas e bambas gingados com categoria de um grande disco, embora por vezes o inquieto e belo Rio de Janeiro deixe a impressão de que tudo é samba, paz e amor. Transambas é um subtítulo adquirido e muito bem aplicado no disco, mas Caetano ousou um pouco mais ao trazer músicas como Incompatibilidade de Gênios, de autoria de João Bosco e Aldir Blanc, destoando toda a sutileza irreal da atmosfera de todo o disco. Zii e Zie é um disco de samba sincopado, desses de se ouvir sentado, alimentando e digerindo cada palavra, cada som, cada melodia. Ao todo são treze faixas em que Caetano desfila sua eterna e alegre musicalidade, sendo na sua maioria a autoria e passeando por um Rio de Janeiro colorido das praias, das favelas, da Lapa e do Leblon, além de apontar para Guantánamo e outros distantes lugares do mundo. A denúncia em A Base de Guantánamo, sobre a base militar americana em solo cubano é retratada com afinco e sabedoria, assim como Lobão tem razão que, antes de ser gravada aqui, Caetano já havia apresentado em shows anteriores, tentando arrancar emoções do público por onde passava. Menina da Ria é um oposto e uma homenagem a Menino do Rio, eternizada na voz de Baby do Brasil e aqui ganha cores de uma negra, que tanto o compositor gosta. Contemplando o disco, ainda há pérolas como Perdeu, Cais, Por quem?, Falso Leblon, a engraçada Tarado ni você, Ingenuidade, Lapa e a atemporal Diferentemente. Caetano sabe que não é mais aquele jovenzinho que queria mudar o mundo e sabia que estava ficando velho ao lançar Zii e Zie, por isso talvez tenha se cercado de pessoas mais jovens para a realização deste trabalho. A ascensão brasileira, a política, o mar, as notas híbricas e a tristeza íntima mastigada por Caetano estão todos aqui retratadas de forma sublime em um disco de alto nível. É certo que o tempo passa para todos nós, porém Caetano sempre procura se manter atual, dentro do universo que o consagrou na juventude.

 

Zii e Zie (2009) / Caetano Veloso
Nota 10
Marcelo Teixeira

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Joelma aposenta a banda Calypso


Joelma: infâme
Se for por vontade de alguma divindade ou por São Brás, protetor dos cantores, Joelma, a cantora que mais grita na música popular brasileira, anuncia que vai aposentar a banda que um dia a revelou, para se tornar cantora evangélica. Após as polêmicas de suas frases de efeito constrangedor, a cantora estaria disposta a enveredar por caminhos cristãos e vai deixar de lado o Calypso para formar o Calypso de Deus. Mas será que Deus aceitaria? Aceitando ou não, o fato é que a cantora está fadada a ser mais uma marionete das próprias palavras e, para tentar se esconder das quedas de vendagens de seus discos, resolveu camuflar seus dons artísticos sobre os domínios de Deus. Vale lembrar que muitos cantores foram para o mesmo caminho após sentirem o ostracismo por perto, casos como os das cantoras Baby do Brasil, Rosanah Fienngo, Sula Miranda, Mara Maravilha (ex apresentora de programas infantis), Nelson Ned, Lindomar Castilho, entre muitos outros.
Se a música evangélica é tão forte assim, por que não foram antes mesmo de lançarem tanta porcaria no mercado fonográfico? Que Joelma é um lixo sem tamanhos proporcionais, disso não há dúvidas.  Espero apenas que o seu deus a aceite com seus trejeitos e que tape seus ouvidos ao ouvir seus cantos e louvores. E que São Brás, tão pouco comentado e lembrado, tenha paciência por todos os seus pecados.
Joelma se apresentou com a banda Calypso em São João da Capitá, em Recife, na noite sábado (8). A cantora surpreendeu os fãs ao anunciar durante o show que vai se dedicar à carreira gospel em breve. O assunto ganhou destaque nas redes sociais com comentários dos admiradores da banda, pedindo à cantora que seja feita a sua vontade. E a vontade de Joelma é ser a maior cantora gospel do Brasil, superando a maior estrela deste estilo, a queridinha (sem nenhum trocadilho) Aline Barros. Impossível, né, São Brás?
Joelma realmente fez este anúncio, mas nada vai acabar agora, para a nossa tristeza, embora a banda tenha saído da mídia após a polêmica entre gays e religião no primeiro semestre deste ano. A previsão é que só termine em 2014. Depois disso, Joelma realmente quer algo focado na música gospel e pensa em iniciar a Calypso de Deus. E se isso acontecer, Joelma poderá ficar fadada a ter um público menor, pois a sua grande maioria ela perdeu há um certo tempo.

Joelma aposenta a banda Calypso para formar o Calypso de Deus
Marcelo Teixeira

terça-feira, 7 de maio de 2013

O ar retrô de Blubell em ótimo disco


Blubell e o ar retrô do telefone
Sempre tive uma adoração às cantoras desconhecidas ou que o grande público não tem tanto apreço ou conhecimento ou segmento ou qualquer coisa que o valha. Sempre tive preconceito com relação a onomatopeias na música, que são aquelas sílabas repetidas, sem sentido algum, que só fazem a música ruim grudar na cabeça e fazer a gente cantarolar por aí mesmo sem gostar. E há inúmeros exemplos, de lele, tchetche e tchucha, lek lek lek. Porém, as coisas mudam. Os artigos mudam dependendo da cantora ou do cantor resenhado. Essa minha concepção engessada mudou completamente quando ouvi a música Chalala. O que significa chalala? Nada. Não tem significado algum. Nada vezes nada, mas posso garantir que é muito melhor que lelé, tchetche e tchucha e lek lek lek.

Mais uma rima sem sentido, mas que fez com que eu me desse conta das múltiplas formas de expressão da música. E de como este cenário independente brasileiro e por demais de bom como cantoras que pensam e pensam no melhor da música, não importando se ficaremos na deliciosa chalala ou nas delícias provocadas por sua voz.

Seu nome é Blubell, uma cantora fofa de nariz arrebitado e voz fina. O nome do seu segundo disco, lançado em 2011, é Eu sou do tempo em que a gente se telefonava. Meio vintage, não? E como amo tudo o que é vintage, comecei amando o disco já na capa. O ar retrô do álbum se confirma na primeira música, chamada (simplesmente) Música. O som parece vir de um vinil nos versos Então saia do sofá e se toca porque nós somos a música.

A segunda canção do disco é a minha preferida: Chalala, claro. Ela tem clipe, inspirado nos cartazes de clipes de Bob Dylan. Tudo bem. Não é vergonha nenhuma copiar o Dylan, não é? Já a terceira música, 1, 2, 3, 5, tem a participação de Baby do Brasil, a musa dos Novos Baianos, cantando maravilhosamente sem a presença do divino.

Não há como classificar o disco em um gênero, assim como toda boa música. Há um toque de tudo: jazz, pop, MPB, folk. Entre as influências da cantora estão Frank Sinatra, George Gershwin, Chet Baker, Abbey Lincoln e Anita O’Day: cantores internacionais, sim, mas com clima brasileiro e isso faz toda a diferença.

Das 11 músicas do disco, Blubell escreveu todos. Três são parcerias. A produção fica por conta de Maurício Tagliari, que também produziu o disco Azul e Vermelho, de Nina Becker, e Cristalina, de Lulina. Com produções magistrais, o resultado de Eu sou do tempo em que a gente se telefonava não poderia ser melhor.

É um disco espetacular.

 

Eu Sou do Tempo em que a Gente se Telefonava / Blubell

Nota 10

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Por onde anda a cantora Rosana?


A cantora Rosanah Fienngo
Repudiar o passado glamuroso pela palavra de Deus é um ato tão corriqueiro, que muitos preferem esquecer que um dia fizeram sucesso lá nos anos 70, 80 e 90 e partem da nova fase, tentando mostrar ao novo público que aquela sim é a sua verdadeira fase. Isso é uma grande ilusão. Vários cantores aderiram à fase de Deus depois de cometeram pecados absurdos e foram encontrar nas palavras divinas, escritas há mais de dois mil anos, um motivo para tentar se camuflar e não admitir que perderam espaços para os novos cantores, novos segmentos, estilos e canções. Baby do Brasil que o diga: um dia fora Baby Consuelo, a Baby que cantava de tudo, que pintava os cabelos de cores berrantes (para a época era uma afronta) e que falava aquilo que lhe vinha à mente. Hoje, convertida, Baby se recusou a cantar durante muitos anos, sucessos que falavam do sexo feminino, da libertinagem, da mulher e se entregou profundamente ao seu Deus inoperante. Recentemente, graças ao filho Pedro Sá (que tocou ao lado de grandes estrelas da música brasileira, inclusive com Bebel Gilberto), Baby se desvencilhou da imagem de Deus e encarnou brilhantemente a nossa eterna Baby do Brasil.

Todo cantor que faz uma versão de um sucesso americano, juntando frases e expressões sem algum sentido, precisa tomar cuidado com o futuro que os espera.  Os fãs do brega pegajoso devem estar desesperados agora que Rosana repudiou para sempre seu clássico Como uma Deusa ao se converter evangélica, transformando-o em Como meu Deus. Isso faz um tempinho que aconteceu, mas chegar ao ponto de transformar a letra para agradar a um novo público, chega a ser bizarrice e burrice.

Tudo bem que, digamos, não combina para uma evangélica cantar uma letra com magia negra, fora da lei, mas, cá entre nós, bastava se converter, já que a letra de Amor e Poder não faz sentido nenhum e o passado ao passado pertence. Além disso, sem Amor e Poder (que muitos chamavam – e chamam – de Como Uma Deusa) na trilha sonora, o clássico da antiga TV Pirata, Fogo no Rabo (com o inesquecível personagem Barbosa, interpretado por Nei Latorraca), não seria a mesma coisa. Agora, componha novas músicas, Rosana!

Eu era muito fã da cantora gótica Rosana, que parava tudo para vê-la cantar na TV. Lembro-me que os programas de auditório da época, a chamavam insistentemente. Rosana era uma cantora bonita, tinha traços delineares da maçã do rosto exposto e tinha os olhos meio puxados, o que dava a imagem de ser uma japonesa, uma chinesa ou uma equatoriana. Menos brasileira. Mas o sucesso de Como uma Deusa era muito maior que a cantora e isso a engoliu de tal forma, que Rosana não conseguiu emplacar sucessos futuros. E olha que os discos de Rosana eram muito bem caprichados e com músicas bacaninhas. Mudou o estilo, mudou as fotos, tentou ficar mais ousada, mas de nada adiantava. Aquela época, os fãs queriam ouvir somente como uma deusa, você me mantém e as coisas que você me diz, me levam além...

Quando Rosana, cansada disso tudo talvez, resolveu mudar de estilo de vida (e até de religião), tudo aconteceu. As plásticas no rosto foram ficando cada vez mais estranhas e acabavam com a beleza exótica da cantora, mas a voz de Rosana estava ficando muito melhor, mais encantadora, mais sedutora, mais Rosana. E a transformação não foi em vão: Rosana estava desiludida com a indústria fonográfica que insistia em coloca-la entre as maiores cantoras do Brasil, mas o público exigia que ela cantasse a (para ela cansativa) Como uma Deusa. Rosana era muito mais do que uma deusa. Sua maior desilusão foi a morte do filho e, depressiva como estava, resolveu mudar de vida, convertendo-se a palavra de Deus. Começava ali a reclusão de Rosana, a deusa.

Conhecida pelo único sucesso Amor e Poder - tema de novela da Rede Globo e gravado em vários idiomas - a cantora Rosana se converteu e foi ao mercado com uma versão gospel ao lado de Claudia Valente, que, a época, lançava seu primeiro álbum, Nascer de Novo. Rosana trocou de nome e sobrenome: de Rosana, passara a Rosanah e de Fiengo, passara a Fienngo. Portanto, agora a cantora assina Rosanah Fienngo. Em entrevistas concedidas ignora esse tipo de comentário e solta o famoso vozeirão, avisando que sua fé é inabalável. Foi graças a ela, aliás, que Rosanah aprendeu a lidar com perdas, como a morte de seu primeiro filho, que a aproximou ainda mais de Deus.   Com o apoio da amiga Claudia Valente, a cantora passou a frequentar os cultos na Igreja Batista, no Rio de Janeiro, onde teve um encontro com Jesus, que mudou seu destino.  

Incrível como o mundo da fama pode ser glamoroso e cruel ao mesmo tempo. Muitas celebridades tiram o melhor dos seus 15 minutos - ou anos - de sucesso, mas alguns aparecem meteoricamente, ganham espaço e somem. No site oficial da cantora Rosana consta que o último CD dela, lançado em 2003, ganhou o Disco de Ouro em Portugal. Ela tem 10 no total, ao longo da carreira. Rosana esteve na trilha de uma famosa novela da Record, obviamente. Em dueto com Rodrigo Faro, canta Reencontro, que fizera um sucesso considerável. Mas foi com o hit Amor e Poder, sucesso no final da década de 80, que Rosana fez história. A frase do refrão Como uma deusa hoje é praticamente sinônimo da cantora.

 

Por onde anda a cantora Rosana?

Marcelo Teixeira

 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Na onda dos Novos Baianos


O quarteto baiano e original
Os Novos Baianos é uma banda excepcional, que além de ter um talento imenso para rock de todos os jeitos, consegue unir este rock aos ritmos baianos como o samba e o chorinho, às vezes até o frevo, de forma fantástica. Em meio à guitarras elétricas, pandeiro, letras singelas ou muito loucas (mas ambas muito bacanas) e vocais maravilhosos da Baby, do Paulinho e do Pepeu, os Novos Baianos conseguem passar uma leveza, um despojamento e uma simplicidade quase infantil que não se vê em outras bandas, eles passam a essência baiana, e isso torna ainda mais fantástico o som deles. Os Novos Baianos são mais do que uma banda, são uma família, é muito bacana observar as capas e os encartes dos discos deles pois podemos ver inúmeras crianças e bebes, filhos deles, eles eram uma comunidade, moravam juntos, tocavam juntos, viviam em grupo, e talvez por isso façam um som tão acolhedor.

Só o fato de a banda ter uma pessoa que não toca e não canta, apenas faz as letras, o Galvão, já é um diferencial muito interessante, assim como outra pessoa que intriga e merece destaque que é a excêntrica Baby Consuelo. Com um jeito muito louco, uma voz maravilhosa e uma personalidade muito figura, a Baby tem ainda mais prestígio comigo do que a Rita, pois não faz qualquer esforço para ser uma pirada muito leve, muito legal. Foi muitos anos casada com o Pepeu e é legal comentar a forma como se conheceram, já que foi bem... diferente:

Diz Pepeu que andava pelas ruas de Salvador com a turma que veio a se tornar a banda quando viram um brilho na testa de uma garota que também andava pela rua. Ao se aproximarem viram que o que brilhava era um espelho que a garota amarrara na testa, essa garota era Baby, que diz que amarrou o espelho para que as pessoas se vissem dentro da cabeça dela.

Os Novos Baianos é uma fenomenal e graças a Deus lançou muitos discos bons e maravilhosos e vale a pena ouvir todos eles, sem cansar a memória e aprimorando seu gosto musical.

 

Os Novos Baianos

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O retorno de Baby do Brasil


 

Baby e o filho, Pedro: a volta
Baby* sempre foi do Brasil, mesmo quando assinava Consuelo. Apesar de ter trocado o nome artístico em meados dos anos 90, a vida inteira misturou toda sorte de ritmos em seu caldeirão, prevalecendo sempre o sabor tropical, bem brasileiro. Não é por acaso que ela é a nossa única cantora brasileira que fez sucesso cantando chorinho depois da fase áurea da rainha do gênero, Ademilde Fonseca e, também uma das raras a cantar samba de um jeito furioso e esfuziante como outra de suas referências, Elza Soares. E Baby também sempre fora polêmica. Ora com a barriga de fora, ora cantando praticamente como se estivesse recebendo um santo qualquer, Baby reproduziu no Brasil a espécie de uma das cantoras mais populares e descoladas dos anos 1970.

Quando Baby e Pepeu Gomes (seu então marido na época) alcançaram o topo das paradas de sucesso, foram participar imediatamente do Festival da Música em Montreux [1980, Suíça], onde cada um gravou seu primeiro disco ao vivo. Vale ressaltar que naquela época, somente os verdadeiros e bons cantores da MPB ou de movimentos ricos de imaginação e criação, eram convidados a participar do Festival da Suíça. Também participaram do Rock In Rio [1985, Rio de Janeiro], onde Baby estava grávida do seu filho caçula. Foi um choque para a população ver Baby cantando com a barriga de fora, já que isso, na época, era uma coisa fora do normal. Baby também aparece coberta de metais entortados por Thomaz Green Morton. 

Depois de um tempo afastada da mídia e dos palcos e sem lançar praticamente nenhum disco, Baby troca o Consuelo pelo do Brasil e se torna evangélica (o que, para mim, é a mais pura identidade desprovida de consolidação artística). Encontrou-se única e detentora de seus direitos através da igreja a qual pertencia e a partir deste momento, uma nova transformação acontece na vida da cantora. Retornou aos palcos na década de 90, já casada com o produtor Nando Chagas. O casamento durou 8 anos. Baby finalmente assume o nome artístico Baby do Brasil. Grava um especial com os Novos Baianos [Infinito Circular], em 1997. Também lança um livro chamado Peregrina ... Meu Caminho no Caminho, onde conta a sua passagem pelo caminho de Santiago de Compostela [Espanha].

A verdadeira responsável pela volta de Baby aos palcos foi da cantora Gal Costa, que, em conversa com Pedro, filho guitarrista de Baby, propôs a ele a ideia de dirigir a mãe em comemoração aos seus 60 anos de carreira, a qual ficou denominado Baby Sucessos. Talvez seja um choque para todos, mais uma vez vinda de uma das cantoras mais loucas da MPB: com uma carreira marcada por polêmicas e por altos e baixos, igrejas evangélicas, filhas pastoras, maridos calados, filhos numerosos, musicalidade boa, troca de nomes, cabelos coloridos, viagens, livros e a comemoração de seus 60 anos. É esperar para ver.

 

O retorno de Baby do Brasil

Marcelo Teixeira

*artigo idealizado por Diogo Silva, escrito por Marcelo Teixeira.