quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

11º Maior Cantora do Brasil: Ângela Maria


Ângela Maria, a Diva
Abelim Maria da Cunha, verdadeiro nome de Ângela Maria, nasceu em Macaé, RJ, em 13 de maio de 1928. Filha de pastor protestante, passou a infância nas cidades fluminenses de Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti, e desde menina cantava em coro de igrejas. Foi operária tecelã, mas sonhava com o radio, embora a família – por princípios religiosos – fosse contra a carreira artística. Por volta de 1947, começou a frequentar programas de calouros. Apresentou-se no Pescando Estrelas, de Arnaldo Amaral, na Radio Clube do Brasil (hoje Mundial), na Hora do Pato, de Jorge Curi, na Radio Nacional, e no programa de calouros de Ari Barroso, na Rádio Tupi. Usando o nome de Ângela Maria, para não ser descoberta pela família, participou também do Trem da Alegria, dirigido pelo Trio de Osso (os magérrimos Lamartine Babo, Iara Sales e Heber de Bôscoli), na Radio Nacional. Logo sua voz foi se tornando conhecida dos ouvintes, o que dificultou sua participação nesses programas, pois ela estava deixando de ser caloura. Nessa época, era inspetora de lâmpadas numa fabrica da General Eletric e, decidindo tentar realmente a carreira de cantora, abandonou a família e foi morar com uma irmã no subúrbio de Bonsucesso. Em 1948 conseguiu lançar-se como crooner no Dancing Avenida. Em sua noite de estreia, cantou Olhos verdes (Herivelto Martins e Benedito Lacerda). No dancing, foi ouvida pelos compositores Erasmo Silva e Jaime Moreira Filho, que a apresentaram a Gilberto Martins, diretor da Radio Mayrink Veiga. Feito o teste, começou carreira na emissora, interpretando musicas de Othon Russo e Ciro Monteiro, compositores que a ajudaram a criar um repertório pessoal, abandonando a influência de Dalva de Oliveira.

Firmando-se a partir de 1950 como intérprete, em 1951 estreou em disco com Sou feliz (Augusto Mesquita e Ari Monteiro) e Quando alguém vai embora (Ciro Monteiro e Dias Cruz), na Victor. No ano seguinte, sua gravação do samba Não tenho você (Paulo Marques e Ari Monteiro) bateu recordes de venda, marcando o primeiro grande sucesso de sua carreira. Durante a década de 1950, atuou intensamente no rádio, apresentando-se na Radio Nacional, nos programas de César de Alencar e Manuel Barcelos, e na Rádio Mayrink Veiga, como a estrela de A Princesa Canta, nome derivado de seu titulo de Princesa do Radio, um dos muitos que recebeu em sua carreira. Em 1954, em concurso popular, tornou-se a Rainha do Radio, e no mesmo ano estreou no cinema, participando do filme Rua sem sol, de Alex Viany. Apelidada Sapoti pelo presidente Getúlio Vargas, tornou-se a cantora mais popular do Brasil durante a década de 1950, alcançando os maiores êxitos com os sambas-canções Fósforo queimado (Paulo Marques, Milton Legey e Roberto Lamego), Vida de bailarina (Américo Seixas e Chocolate), Orgulho (Valdir Rocha e Nelson Wederkind), Ave Maria no morro (Herivelto Martins) e Lábios de mel (João Vilaça Júnior e Nage), além da canção afro-cubana Babalu (Margarita Lecuona). Voltando a gravar na RCA Victor em fins da década de 1950, em 1963 viajou para Portugal e África, cantando para soldados portugueses que então lutavam nas colônias. Um de seus grandes êxitos na segunda metade da década de 1960 foi a canção Gente humilde (Garoto, Chico Buarque e Vinícius de Moraes). Em 1975, com 25 anos de uma carreira de muitos sucessos, preferia apresentar-se em clubes do interior ou em churrascarias das grandes cidades, ambientes onde, ao contrario da televisão e das boates sofisticadas, sentia mais de perto a reação do povo. Em 1979, com João da Baiana, participou do documentário Maxixe, a dança perdida, de Alex Viany. Em 1982 foi lançado o LP Odeon com Ângela Maria e Cauby Peixoto, primeiro encontro em disco dos dois intérpretes. Em 1992 apresentou-se com Cauby no show Canta Brasil, com grande sucesso de publico, sendo lançado em disco Ângela e Cauby ao vivo (RCA/BMG, 1992).

Considerada, ao lado de Elis Regina, uma das mais puras vozes da musica popular brasileira, continua a apresentar-se em espetáculos e em televisão. E é por este motivo, que Ângela Maria, a nossa eterna Sapoti, chega ao 11º lugar na lista das 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos.

 

11º Lugar: Ângela Maria

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

 

 

 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

12º Maior Cantora do Brasil: Elizeth Cardoso


A Divina Elizeth
Não houve e nem haverá uma cantora igual ou do nível de Elizeth Cardoso. Conhecida como A Divina, Elizeth é considerada uma das maiores intérpretes da música brasileira e um das mais talentosas cantoras de todos os tempos, reverenciada pelo público e pela crítica. Além do choro, Elizeth consagrou-se como uma das grandes intérpretes do gênero samba-canção (surgido na década de 1930), ao lado de Maysa, Nora Ney, Dalva de Oliveira, Ângela Maria e Dolores Duran. O gênero, comparado ao bolero, pela exaltação do tema amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor não realizado, foi chamado também de dor-de-cotovelo ou fossa. O samba canção antecedeu o movimento da bossa nova (surgido ao final da década de 1950, 1957). Mas este último representou um refinamento e uma maior leveza nas melodias e interpretações em detrimento do drama e das melodias ressentidas, da dor-de-cotovelo e da melancolia.

Elizeth migrou do choro para o samba-canção e deste para a bossa nova gravando em 1958 o LP Canção do Amor Demais, considerado primordial para a inauguração deste movimento, surgido em 1957. O antológico LP trazia ainda, também da autoria de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, Chega de Saudade, Luciana, As Praias Desertas e Outra Vez. A melodia ao fundo foi composta com a participação de um jovem baiano que tocava o violão de maneira original, inédita: o jovem João Gilberto.

Em 1960, gravou jingle para a campanha vice-presidencial de João Goulart. Nos anos 1960 apresentou o programa de televisão Bossaudade (TV Record, Canal 7, São Paulo). Em 1968 apresentou-se num espetáculo que foi considerado o ápice da carreira, com Jacob do Bandolim, Época de Ouro e Zimbo Trio, no Teatro João Caetano, em benefício do Museu da Imagem e do Som (MIS) (Rio de Janeiro). Considerado um encontro histórico da música popular brasileira, no qual foram ovacionados pela platéia; long-plays (Lps) foram lançados em edição limitada pelo MIS. Em abril de 1965 conquistou o segundo lugar na estréia do I Festival de Música Popular Brasileira (TV Record) interpretando Valsa do amor que não vem (Baden Powell e Vinícius de Moraes); o primeiro lugar foi da novata Elis Regina, com Arrastão. Serviu também de influência para vários cantores que viriam depois, sendo uma das principais a cantora Maysa.

Elizeth Cardoso lançou mais de 40 LPs no Brasil e gravou vários outros em Portugal, Venezuela, Uruguai, Argentina e México.

Em 1987, quando estava em uma excursão no Japão, os médicos japoneses diagnosticaram um carcinoma gástrico, o que obrigou a cantora a uma cirurgia. Apesar disso, a doença ainda a acompanharia durante os três últimos anos de vida. A cantora faleceu às 12h28 do dia 7 de maio de 1990, na Clínica Bambina, no bairro carioca de Botafogo. Foi velada no Teatro João Caetano, onde compareceram milhares de fãs. Foi sepultada, ao som de um surdo portelense, no Cemitério do Caju.

Com tantos méritos e prestígios e alegrias, Elizeth deixou um vazio enorme na música popular brasileira, mas ainda hoje é reverenciada por muitas cantoras de verdade, que sabem fazer música com o coração e com a alma de uma artista brasileira. Chegando ao décimo segundo lugar, Elizeth é e sempre será a nossa eterna divina cantora.

 

12º Lugar: Elizeth Cardoso

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

13º Maior Cantora do Brasil: Zizi Possi




Zizi na lista das melhores
Zizi Possi é o exemplo de uma cantora que toma as rédeas de sua carreira e se dá bem. Apareceu no cenário musical no final dos anos 70 através da música Pedaço de Mim, de Chico Buarque, mostrando uma bela voz e uma sensibilidade interessante. Na década de 80 teve sua fase pop onde até emplacou algumas músicas nas paradas de sucesso. Mas Zizi sabia que poderia fazer mais e melhor. E fez. Deu uma guinada radical e resolveu assumir os riscos de bancar um projeto que fugia do padrão mercadológico vigente. O resultado desta virada foi o disco Sobre Todas as Coisas, um trabalho de repertório belíssimo, com arranjos enxutos e músicos extremamente competentes. Uma banda mínima com um som enorme! A partir desse momento, Zizi começou a delimitar um espaço musical valioso. Voltou a ser ouvida e respeitada por um público seleto e crítico. Virou referência, tanto pela ousadia, como pela capacidade. Lançou um CD após o outro com esta preocupação de cantar o melhor da música brasileira. Fez regravações e ainda cantou músicas inéditas de compositores ainda pouco conhecidos. Sucesso absoluto de crítica.

Mais uma vez Zizi resolve girar a roda de sua vida e muda radicalmente o estilo, cantando em italiano. Assume a sua origem mediterrânea e seu CD Per Amore, aonde vende mais de 600 mil cópias. Caiu no gosto popular. É cantada por jovens e velhos, tornando-se também um sucesso de público. O disco Passione, lançado em 1998, também com músicas italianas, segue a mesma tendência. Olhando para trás e vendo tudo que Zizi Possi fez e aconteceu é difícil imaginar qual será seu próximo passo. Que mudança, que novo rumo ela dará em sua carreira. O que sobra para quem gosta de música é esperar e pagar para ver. Com certeza, Zizi Possi é uma das 30 maiores cantoras deste país das mulheres.

 

13º Lugar: Zizi Possi

As 30 Melhores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

 

 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

14º Maior Cantora do Brasil: Ná Ozzetti



Ná, merecidamente, entre as melhores
Maria Cristina Ozzetti, conhecida como Ná Ozzetti, nasceu em São Paulo no dia 12 de dezembro de 1958 e é uma cantora e compositora brasileira. Estudou piano na infância e, já adulta, formou-se em artes plásticas. No final da década de 70 iniciou sua carreira musical com o grupo Rumo, com o qual fez muitos espetáculos e gravou 5 LPs. Lançou o primeiro álbum solo em 1988, intitulado simplesmente Ná Ozzetti, com o qual levou o prêmio Sharp de revelação feminina na categoria MPB. No segundo CD, Ná, lançado em 1994, passou também a compor. Com este disco conquistou o prêmio Sharp do ano nas categorias de melhor disco e melhor arranjo (Dante Ozzetti) no segmento pop-rock. Em 1996 lançou o CD Love Lee Rita, em homenagem à conterrânea Rita Lee. Seguiram-se os CDs Estopim e Show, este com clássicos das décadas de 1940/50.

Em 2000 recebeu o prêmio de melhor intérprete no Festival da Música Brasileira promovido pela Rede Globo de Televisão, interpretando a canção Show, de Luiz Tatit e Fábio Tagliaferri. O CD Piano e Voz é lançado em 2005 em parceria com André Mehmari, reunindo canções nacionais de várias épocas e também internacionais. Em 2009 lança o álbum Balangandãs, que traz canções de Assis Valente, Synval Silva, Ary Barroso, Dorival Caymmi e Braguinha, eternizadas na voz de Carmem Miranda. Por este trabalho, Ná e sua banda (Dante Ozzetti, Mário Manga, Sérgio Reze e Zé Alexandre Carvalho) conquistaram o primeiro lugar da categoria de melhor CD popular no 5º Prêmio Bravo! Prime de Cultura.

Em abril de 2011, quando completou 30 anos de carreira, Ná convidou amigos, parceiros e músicos para lançar o álbum autoral Meu Quintal, onde 11 das 12 composições são suas, em parceria com outros músicos e autores, alguns deles já parceiros tais como Luiz Tatit, Dante Ozzetti, Arthur Nestrovski e Alice Ruiz, além de gente nova como Makely Ka, compositor mineiro, e uma surpresa, a parceria com Zélia Duncan. Os músicos de Meu Quintal, Dante Ozzetti, Mário Manga, Sérgio Reze e Zé Alexandre Carvalho, vêm do CD Balangandãs.

Com tantos prêmios, reconhecimentos, excelente voz e com uma técnica vocal impressionante, Ná Ozzetti chega ao décimo quarto lugar com categoria digna das grandes estrelas da MPB.

 

14º Lugar: Ná Ozzetti

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

15º Maior Cantora do Brasil: Nara Leão


A musa da Bossa Nova: Nara
A musa da bossa nova era Nara Leão. A musa do verão era Nara Leão. Copacabana era Nara Leão. Rio de Janeiro era Nara Leão. Falar de Roberto Menescal é falar de Nara Leão. Nas décadas em que mais se fervia a bossa nova, mais se falava de Nara Leão. A Bossa Nova nasceu em reuniões no apartamento dos pais da cantora, em Copacabana, das quais participavam nomes que seriam consagrados no gênero, como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e seu então namorado, Ronaldo Bôscoli. No fim dos anos 1950, Nara foi repórter do jornal Última Hora, onde Bôscoli também trabalhava, e que pertencia a Samuel Wainer, casado com a irmã de Nara, Danuza Leão. O namoro com Bôscoli terminou quando ele a traiu e iniciou um caso com a cantora Maysa, durante uma turnê em Buenos Aires, em 1961. Daí em diante, Nara se reaproxima de Carlos Lyra, que rompeu a parceria musical com Bôscoli em 1960, e de ideias mais à esquerda. Inicia um namoro com o cineasta Ruy Guerra e se casa com ele um tempo depois. Nessa época passa a se interessar pelo samba de morro.

A estreia profissional se deu quando da participação, ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na comédia Pobre Menina Rica (1963). O título de musa da Bossa Nova foi a ela creditado pelo cronista Sérgio Porto. Mas a consagração efetiva ocorre após o movimento militar de 1964, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social à dura repressão imposta pelo regime militar. Maria Bethânia, por sua vez, a substituiria no ano seguinte, interpretando Carcará, pois Nara precisara se afastar por estar afônica. Nota-se que Nara Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos 1960. De musa da Bossa Nova, passa a ser cantora de protesto e simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Embora os CPCs já tivessem sido extintos pela ditadura, em 1964, o espetáculo Opinião tem forte influência do espírito cepecista. Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico Buarque no Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), que ganhou o festival e público brasileiro.

Dentre as suas interpretações mais conhecidas, destacam-se O barquinho, A Banda e Com Açúcar e com Afeto - feita a seu pedido por Chico Buarque, cantor e compositor a quem homenagearia nesse disco homônimo, lançado em 1980. Nara também aderiu ao movimento tropicalista, tendo participado do disco-manifesto do movimento - Tropicália ou Panis et Circensis, lançado pela Philips em 1968 e disponível hoje em CD.

Nara. Simples assim... Nara.

Nara Leão morreu na manhã de 7 de junho de 1989, vítima de um tumor cerebral inoperável, aos 47 anos de idade. Nara já sabia do tumor, e sofria com o problema havia 10 anos. O tumor estava numa área delicada do cérebro, por isso não podia ser operado. A cantora sentia fortes dores e tonturas, sendo isso também um contribuinte para Nara tentar largar a carreira musical. Seu último disco foi My foolish heart, lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.

Nara se foi, mas ficará eternizada em nossos corações, nossas canções e em nossa lembrança mais tenra.

 

15º Lugar: Nara Leão

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

16º Maior Cantora do Brasil: Fafá de Belém


Fafá: cantora sem rótulos
Maria de Fátima Palha de Figueiredo, mais conhecida como Fafá de Belém, sempre gostou de cantar. Dona de uma das mais expressivas vendagens de discos no mercado nacional, presença constante nas paradas de sucesso e à frente de atribulada agenda de shows, nos últimos anos Fafá de Belém conquistou duramente o posto de estrela da nossa canção popular. Das feiras de agropecuária no interior do país e shows em praça pública até temporadas no eixo Rio - São Paulo, incluindo o Cassino Estoril, em Portugal, ela é sempre vitoriosa. Em 1976, Fafá lançou o primeiro LP, Tamba Tajá. Seu canto seduziu até o demolidor crítico de música brasileira do Jornal do Brasil, o temido José Ramos Tinhorão, que se derramou em elogios à jovem artista, apontando-a como “uma cantora destinada a figurar no primeiro time da atual geração de grandes intérpretes brasileiras.” O álbum seguinte, “Água” (1977) confirmava todas as previsões: atingiu cerca de 95 mil cópias vendidas.

Embora jamais tenha pensado em ser cantora profissional, desde os 9 anos de idade, Fafá de Belém, era uma atração nas festas promovidas pela família ou nas casas de amigos. Apesar de menina, interpretava como gente grande “Ouça”, sucesso de Maysa, ou “Eu e a Brisa”, de Johnny Alf. Era uma garota que, como os da sua geração, amava os Beatles, era fã de Roberto Carlos e da turma da Jovem Guarda, mas também fascinada por jazz, música clássica, e que se emocionava ouvindo os grandes cantores de rádio, como Cauby Peixoto, Ângela Maria, Núbia Lafayette e Orlando Silva, “Gente de punhal no peito”, que ela gosta de tomar como modelos para interpretar.

O amplo leque de sua formação musical está refletido na seleção de seu repertório. Ela gravou de tudo, sem preconceito. Música regional, pérolas do cancioneiro popular, como “Que Queres Tu De Mim”, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, ou “Você Vai Gostar” (Casinha Branca) de Elpídio dos Santos. Rock, boleros, ritmos caribenhos, guarânias, afoxé, lambadas, sambas-canções, composições dos grandes nomes da MPB, Marcha-rancho, sertanejo, e muitos outros ritmos. Sem falar da polêmica apresentação que a musa das diretas deu ao Hino Nacional, contestada pela justiça e ovacionada pela plateia, cada vez mais numerosa de seus shows.

Foi a partir da decisão de virar a mesa e deixar o coração falar mais alto que Fafá tocou fundo a alma brasileira. Com a determinação que a caracteriza, os anos de estrada, uma forte intuição e o sucesso absoluto de canções escolhidas a dedo pela própria cantora em determinados momentos de sua vida, como “Bilhete”, de Ivan Lins e Victor Martins, que a fez romper o silêncio de um ano em 1982. Ou “Memórias”, de Leonardo, popular compositor pernambucano, responsável pela venda de meio milhão de cópias (Disco de Platina) do álbum “Atrevida”, Fafá atingia, então, o auge de sua carreira, sobretudo como cantora romântica.

Uma trajetória assombrosa, mas nada que surpreenda quem bem a conhece e às suas aparentes contradições. Não foi à toa que interpretava com tamanha emoção e propriedade os versos de um dos maiores sucessos de sua carreira, “Dentro De Mim Mora Um Anjo”, de Suely Costa e Cacaso: “Quem me vê assim cantando, não sabe nada de mim...”. Está aí uma das maiores verdades sobre Fafá de Belém, que sabe exatamente o que quer e do que é capaz.
 
Fafá virou marca nacional. Marca nacional de alegria, com aquela gargalhada sinceramente estrondosa que é capaz de levantar os ânimos de qualquer um. Marca nacional de saúde, a bela mulher brasileira que batizou até as lanternas do antigo Fusquinha, outra paixão popular. Marca nacional de liberdade, símbolo de um movimento político que fez milhões de brasileiros se emocionarem com sua interpretação do hino pátrio.

Esta é Fafá de Belém. Ou melhor: Fafá do Mundo.

Fafá de Belém é considerada uma das grandes cantoras da música popular brasileira. Já cantou fados, música sertaneja, sucessos nortistas meteóricos, cantou inclusive para o Papa (quando ele visitou o Brasil em 98), mas a base de sua trajetória musical é a música romântica. É uma cantora que tem como maior trunfo a sua capacidade de interpretação, é uma cantora emocional, intensa, voluptuosa, que sabe se fazer ouvir. E é por isso que Fafá chega ao décimo sexto lugar do Mais Cultura!, em uma seleta lista das maiores cantoras do Brasil.

 

16º Lugar: Fafá de Belém

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

17º Maior Cantora do Brasil: Paula Lima


Paula Lima no 17º lugar
Paula Lima é formada em piano clássico e em Direito pelo Mackenzie, marcou a sua entrada no mundo da música com o grupo Unidade Bop (ex-Unidade Móvel), que teve lançamento pelo selo Eldorado. Logo em seguida, em 94, fez backing vocal para Jorge Ben Jor no disco 23; cantou no sucesso da dupla de rap Thaíde e DJ Hum (Senhor Tempo Bom), integrou o grupo Zomba e por fim caiu no baile do Funk Como Le Gusta, com o qual se destacou com a releitura de Meu Guarda-Chuva (composição de Ben Jor quando ainda era só Ben). Em 2001 lançou seu primeiro cd solo pelo selo Regata Records, o É Isso Aí, recebendo elogios de crítica e público. Com o álbum foi indicada à categoria de revelação pelo Prêmio Multishow. Dois anos depois, foi a vez de gravar o álbum Paula Lima, com o instantâneo sucesso Gafieira S/A, lançado pela Universal Music. Nesses dois álbuns compôs canções com Seu Jorge, Bernardo Vilhena e Ed Motta.

Em 2003 teve esses dois primeiros álbuns lançados na Europa e Japão, recebendo o É isso aí o título de Diva Paulista. Gravou com a banda japonesa Mondo Grosso, a música Life, obtendo reconhecimento internacional. Em dezembro de 2005 foi convidada para representar o Brasil na África do Sul, no principal evento musical do continente – o Kora Awards - que reúne personalidades musicais e políticas. O cd Sinceramente, lançado em 2006, pela Indie Records, terceiro de sua carreira, teve a primeira tiragem esgotada em menos de um mês. Conceituado por ela, na produção, além da própria, contou com outros dois produtores de primeira, Luís Paulo Serafim e Walmir Borges, este também diretor musical de sua banda. O repertório pesquisado e conduzido por Paula foi feito sob medida e conta com composições inéditas de alguns admiradores confessos como Seu Jorge, Ana Carolina, Zélia Duncan, Mart’nália, Arlindo Cruz, Leci Brandão, entre outros consagrados nomes da MPB.

O álbum também foi lançado no Japão e diante do sucesso, Paula foi capa da revista Latina, com 05 páginas sobre seu trabalho. O cd segue rumo à América Latina, iniciando sua entrada pelo México, Estados Unidos e Europa, com turnê agendada para o final de 2008 e início de 2009. Com Sinceramente a cantora recebeu duas indicações ao Prêmio Tim de Música, de 2007 e também foi indicada ao Prêmio Toddy como melhor Álbum de MPB. Recebeu ainda o prestigiado Troféu Raça Negra na categoria de melhor cantora.

Ainda no mesmo ano, deixou sua marca no Carnaval de Salvador: fez tremer e levou ao delírio o público presente no Camarote Oceania com seus 05 shows de puro balanço. Como mestre de cerimônia, convidou para participações especiais, três inusitados parceiros: Marcelo D2, Nasi do IRA! e Toni Garrido, mostrando assim um de seus pontos fortes: o livre trajeto e o respeito entre seus parceiros.

No final de 2007, recebeu o convite para evento internacional em Angola, Belas Divas, em homenagem às personalidades femininas que tiveram grande atuação no país. Acompanhada de sua banda, com sua marcante presença envolveu a todos, chegando a fazer um dueto com o presidente, que entoou isso é problema dela. Foi a única brasileira e estrangeira presente e também homenageada.

No percorrer de sua trajetória musical cantou ainda ao lado de outros grandes nomes da música brasileira, entre eles: Jorge Benjor, D. Ivone Lara, Milton Nascimento, Nando Reis, Luiz Melodia, Arlindo Cruz, Zélia Duncan, Zeca Pagodinho, Leci Brandão, Rita Lee entre outros. Para Jorge Benjor, ela é a sua Menina dos Olhos e para D. Ivone Lara, que se encantou também resumiu, O Samba Precisa Dela.

Com certeza outras histórias estão por vir da diva de voz, presença e originalidade ímpares, com muita brasilidade, balanço e swing únicos e é por toda a sua musicalidade que Paula Lima chega ao décimo sétimo lugar na seleta lista das grandes cantoras do Brasil.

 

17º Lugar: Paula Lima

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

18º Maior Cantora do Brasil: Wanderléa


A musa dos anos 1960
Sendo uma das principais cantoras dos anos 1960, Wanderléa foi uma sensação à parte para homens de todas as idades e influenciou as mulheres de sua geração por ousar, abusar e inserir na cultura brasileira as famosas minissaias, que viraram febre e sensação de desrespeito pelo clã vanguardista. A cantora saiu de Minas Gerais para se tornar a mais importante cantora da Jovem Guarda. Já aos 10 anos ganhava concursos em rádios e lançou em 1962 o primeiro compacto. No ano seguinte sai o primeiro LP, Wanderléa, pela CBS. Na gravadora conhece Roberto e Erasmo Carlos, com quem passa a apresentar em 1965 o programa Jovem Guarda pela TV Record de São Paulo. Transmitido nas tarde de domingo, o programa teve uma das maiores audiências da época e lançou diversos artistas. Wanderléa e Celly Campelo foram as primeiras estrelas do rock brasileiro. Participou de filmes ao lado de Roberto Carlos e, depois de terminada a Jovem Guarda, continuou a carreira como cantora pop.

Pouca gente sabe, mas Wanderléa já gravou Gonzaguinha, Sueli Costa, Luiz Melodia, Joyce e não apenas a turma do iê-iê-iê. E isto se torna uma preconceito tão gigantesco contra a cantora marcada por uma geração, que chega a ser ridículo. Wanderléa é muito mais que o movimento que a consagrou. Grandes compositores e grandes músicas fizeram parte de sua vida e isso a torna uma das grandes cantoras do Brasil, chegando ao posto de 18º lugar. Ser marcada e reconhecida como uma cantora de um determinado tempo ou período é natural, mas ficar estacionada no tempo, jamais. E Wanderléa não parou no tempo, tanto que até hoje grava discos, DVDs e reúne em seu acervo musical a mais concreta e justa cultura brasileira. Atualmente se apresenta cantando seus maiores sucessos, como Pare o Casamento (versão de Luís Keller), Ternura (Rossini Pinto) e Prova de Fogo (Erasmo Carlos).

 

18º Lugar: Wanderléa

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

19º Maior Cantora do Brasil: Elba Ramalho


Elba entre as melhores
Dona de uma voz inconfundível e de uma musicalidade arrebatadora, Elba Ramalho é considerada a rainha do Nordeste, tamanho a sua popularidade mundo a fora e a sua luta em preservar a sua cultura e seu povo no topo de qualquer parada. Em 1996, recebeu o prêmio de Melhor show do Ano, pela Associação de Críticos de Arte de São Paulo. Em 2008, Elba comemorou trinta anos de carreira, contabilizando mais de seis milhões de cópias vendidas dos trabalhos. É bicampeã do prêmio Grammy Latino, pelos discos: Qual o Assunto Que mais Lhe Interessa?, lançado em 2007 e Balaio de Amor, lançado em maio de 2009, na categoria Melhor Álbum de Raízes Brasileiras - Regional e Tropical. Em 1996, lança o elogiado e bem-sucedido CD Leão do Norte, que marcou a estreia na gravadora BMG e vendeu mais de 300 mil cópias, exaltando a cultura nordestina e pernambucana (com a faixa-título de Lenine e Paulo César Pinheiro). O espetáculo homônimo foi dirigido por Jorge Fernando e obteve relevante sucesso no Brasil inteiro, arrematando o prêmio de Melhor show do ano, pela Associação de Críticos de Arte de São Paulo e também originou um VHS contendo os melhores momentos do espetáculo. Naquele mesmo ano, excursiona com o espetáculo O grande encontro, juntamente com Alceu Valença, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo. O primeiro disco da trilogia vende mais de um milhão de cópias, trazendo clássicos da MPB e da música nordestina.

 Em 1997 chegou às lojas o disco Baioque, composto basicamente de regravações de músicas urbanas de autores nordestinos, como Raul Seixas (S. O. S.), Belchior (Paralelas), Ednardo (Pavão misterioso), Zé Ramalho (Vila do sossego), Caetano Veloso (Os argonautas), Gilberto Gil (Vamos fugir), Lenine (Relampiano), Alceu Valença (Ciranda da rosa vermelha), dentre outros; assim como o trabalho anterior, este também foi produzido pelos músicos Robertinho do Recife que também foi responsável por alguns arranjos e regência. O espetáculo bisou a parceria com Jorge Fernando e o sucesso do espetáculo baseado no disco anterior e a reedição deste CD trouxe a faixa-bônus Paris, que não constava da versão original. Graças ao sucesso do projeto O grande encontro, foi lançado um segundo volume do álbum, mas desta vez só não contou com a participação de Alceu Valença, além de excursionar pelo Brasil inteiro; o repertório deste trouxe sucessos dos três artistas.

Em 1998 lança o CD Flor da Paraíba, o último da trilogia produzida por Robertinho de Recife, trazendo algumas regravações e canções inéditas de compositores nordestinos, priorizando canções no estilo do forró. O título do álbum é inspirado em uma dedicatória feita, há muitos anos, pelo cantor e compositor Caetano Veloso, quando a cantora acabara de chegar ao Rio de Janeiro para despontar no meio musical.

Ela Ramalho é uma cantora e atriz brasileira. Vencedora de um prêmio, ainda enquanto atriz, por sua interpretação de O meu amor com Marieta Severo em 1978, sendo esta música de Chico Buarque. Recebeu da Associação de Críticos de Arte de São Paulo prêmio de Melhor Show do Ano, em duas ocasiões: em 1989 pelo show Popular Brasileira e em 1996 pelo show Leão do Norte.

Sua primeira experiência musical veio em 1968, tocando bateria no conjunto feminino As Brasas. Posteriormente, o grupo se transformou de musical para teatral. Contudo, Elba continuou a cantar e a participar de festivais pelo Nordeste brasileiro. Em 1979, lançou seu primeiro álbum, Ave de Prata. Em 2009, Elba fez 30 anos de carreira e celebrou os mais de 6 milhões de discos vendidos.

Por toda a sua música e sua conquista, que Elba Ramalho chega ao décimo nono lugar no ranking das melhores cantoras brasileiras de todos os tempos.

 

19º Lugar: Elba Ramalho

As 30 Maiores Cantoras Brasileiras de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

20º Maior Cantora do Brasil: Rita Lee


A mãe do Rock: Rita Lee
Rita Lee Jones Carvalho, mais conhecida como Rita Lee, é uma cantora, compositora, atriz e instrumentista brasileira. Vendeu mais de 65 milhões de cópias de discos, a cantora brasileira que mais vendeu na história da música do país. Ao longo de sua carreira, foi premiada com mais de 30 discos de platina, 10 discos de ouro, 5 de diamante. Por vezes conhecida como Rainha do Rock Brasileiro, Rita Lee construiu uma carreira que começou com o rock, mas que ao longo dos anos flertou com diversos gêneros, como o tropicalismo, o pop rock e a música latina, criando um hibridismo pioneiro entre gêneros internacionais e nacionais. Rita Lee é uma das artistas que mais influenciou os músicos do Brasil que vieram a usar guitarra a partir de meados dos anos 70, sobretudo as mulheres. Ex-integrante de Os Mutantes (1968-1972) e do Tutti Frutti (1973-1978), participou de importantes revoluções no mundo da música e da sociedade em geral. Suas canções, em geral regadas com uma ironia ácida ou com uma reivindicação da independência feminina, têm emplacado nas paradas de sucesso, sendo Ovelha Negra, Mania de Você, Lança Perfume, Esse Tal de Roque Enrow, Agora Só Falta Você, Baila Comigo, Banho de Espuma, Desculpe o Auê, Erva Venenosa, Amor e Sexo, Reza, entre outras, as mais famosas, além de ter lançado um álbum comumente visto como fundamental na história do rock brasileiro, Fruto Proibido (1975), considerado por alguns como sua obra-prima.

Com uma carreira que quase alcança os 50 anos, Rita Lee passou da inovação e do gueto musical do final dos anos 60 e anos 70 para as baladas românticas de muito sucesso nos anos 80 e já cantou com praticamente todos os músicos mais prestigiados do país, de Elis Regina a Cássia Eller. Em 1976, ela começou um relacionamento com o guitarrista Roberto de Carvalho e desde então ele tem sido o parceiro de suas mais canções e a acompanhou em todas suas apresentações ao vivo. O casal se casou no civil em 1996. Ambos tiveram o filho Beto Lee, também guitarrista, que tem tocado com os pais. Rita Lee também é vegetariana e defensora dos direitos dos animais.

Com tantas polêmicas envolvendo a sua pessoa (cujo o Mais Cultura! esteve presente para registrar as suas ultimas peripécias), Rita Lee é e sempre será a verdadeira rainha do rock brasileiro. E é por tudo o que esta grande cantora fez para a cultura brasileira, que Rita ocupa o vigésimo lugar na lista das maiores cantoras que este Brasil já produziu.

 

20º Lugar: Rita Lee

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

21º Maior Cantora do Brasil: Joyce


A cantora Joyce
Com discos sensacionais e com a mistura entre jazz, bossa nova e música popular, Joyce (que agora assina Moreno), começou sua carreira de cantora, violonista e compositora em 1968, com o lançamento de seu primeiro disco, Joyce. Nos anos 70 fez algumas gravações e participou de festivais, mas o sucesso veio verdadeiramente em 1980, com a música Clareana (com Maurício Maestro) no festival de MPB. O LP Feminina teve êxito numa época em que não havia na música brasileira muitas mulheres compositoras que cantassem e se acompanhassem ao violão. No início da década de 80 lançou seus discos de maior sucesso, como Água e Luz e Tardes Cariocas. Nos anos 90 sua música estourou nas pistas de dança da Europa, principalmente Inglaterra, desencadeando um ressurgimento da música brasileira no exterior, agora voltada para um novo público, algo vagamente batizado de new bossa ou drum'n'bossa.

Com isso, seus discos dos anos 70 e 80 foram reeditados em CD, mas alguns deles não são distribuídos no Brasil. Atualmente faz turnês mundiais bem-sucedidas, e tem lançado discos com músicas inéditas e coletâneas. Algumas de suas músicas mais famosas são Feminina, Monsieur Binot e Mistérios (com Maurício Maestro). Com tantos atributos, Joyce Moreno chega ao 21º lugar na lista das 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos com pompa e a maestria de uma grande dama da música popular brasileira.

 

21º Lugar: Joyce Moreno

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

22º Maior Cantora do Brasil: Dalva de Oliveira


Dalva, a Rainha da Voz
Sua vida poderia ser um desses folhetins baratos, daqueles que se folheiam e depois são atirados na lata de lixo mais próxima. Qual o quê! É um romanceiro, piegas às vezes, mas quase sempre denso, e nunca monótono. Nasceu Vicentina Paula de Oliveira, nome banal para quem iria fazer o Brasil inteiro atirar-se a seus pés, com sua voz filetada a ouro, estilhaçadora de cristais, predestinada a cantar sob uma eterna luz de um abajur lilás. Sua vidinha de menina pobre poderia se contada em vinte ou duzentas laudas, sem que ninguém confiasse numa vírgula que fosse relatado. A receita que lhe foi dada pelo destino, convenhamos, era amarga: foi ser faxineira, costureira - tudo bem, profissões dignas. Mas uma quase cegueira? logo naqueles olhos verdes da mulata, tão cismadores e fatais? Passagem por orfanato, infância com poucos brinquedos, mas, felizmente, com muita música. A vida lhe reservaria algumas tragédias. Mas podemos fotografá-la em muitos momentos: cantando, por exemplo, no alto de um banquinho, acompanhada pelo pai, e depois sob a lona de circos, já adulta. Nada fazia prever que aqueles olhos verdes iriam cegar multidões. Fez-se cantora por vocação, e quase nunca feliz por desíginio. Juntou-se a dupla Preto e Branco, para depois formar o célebre Trio de Ouro, logo sintonizado por Villa-Lobos que, pelos quatro cantos, espalhava que ali estava a maior cantora do Brasil. O branco da antiga dupla, é bom que se esclareça, era Herivelto Martins. Um dos maiores compositores brasileiros de todo os tempos. Com que, aliás, se casou e teve dois filhos, Pery e Ubiratan. Pery herdaria a voz e os olhos da mãe, e o imenso talento do pai. É bom não esquecer que o negro da dupla era Nilo Chagas, que, igual a Ismael Silva, era conhecido também como um negro de alma branca - sem atinar para a carga pejorativa desse aparente elogio.

A ruptura do casamento de Herivelto e Dalva foi manchete escandalosa de todos os jornais e provocou  a mais polêmica das polêmicas musicais já acontecidas no Brasil. Desfeito o Trio de Ouro em 1949, Dalva assume sua carreira solo. Se Francisco Alves era o Rei da Voz, faltava uma rainha para o trono. Dalva, claro. As prensas da Odeon eram insuficientes para atender aos sucessos que jorravam de sua voz, de agudos fulminantes. Enquanto isso, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim escrevia alguns arranjos para ela. A partir de 1951, praticamente não se ouvia outra voz nas paradas de sucesso - apesar das estrelíssimas Linda e Dircinha Baptista, do surgimento de Emilinha Borba e Marlene que, aliás, lhe entregaria o cetro e o trono de Rainha do Rádio, e que seria um dia entregue a uma outra mulata, igual a Dalva, modesta, chamada Ângela Maria.

Amores, desditas, tragédias, quem não as teve? Dalva sabia como desatinar sua vida, arebanhar inquietações, jogar seu barco na tempestade. A imprensa continuava monitorando sua vida e seu copo, e um fato novo novamente a coloca nas manchetes dos jornais: um desastre pavoroso em seu carro deixa, em agosto de 1965, um rastro de mortos no caminho, e aquela mulher de baixa estatura, cabelos agora alourados, vê-se atirada, agonizante, num hospital. Todo o país fica com a respiração suspensa, uma pergunta sufocando as gargantas: voltaria a cantar? Escapou e, com seu novo e jovem amor, voltou para seu Shangri-lá na rua Albano, que sofreria uma reforma inacabável. Do acidente sobrou uma cicatriz, rasgando-lhe o rosto. os tempos eram outros, uma nova geração surgia e sobrou pouco espaço para aquela voz embargada de lágrimas e soluços, com o sentimento transbordando à flor dos ossos.

Poucas cantoras atingiram uma escala de empatia com o público como Dalva. Com a bebida pontuando sua vida, ela fez-se refletir no espelho das canções que, de alguma forma, rasuravam suas desditas. Mas sempre reverenciando seu público, as mãos cruzadas sobre o peito, num discurso sincero, cujo se tornou celebre: É como sempre digo, eu não tenho fãs, tenho amigos. Obrigada. Rica às vezes, infeliz quase sempre, andando de ônibus no final da vida - ela se autobiografa modestamente em seu folhetim, ocultando ter sido quem realmente foi: não somente Rainha, mas Porta-Voz de todos aqueles que ficaram à margem da vida.

Vida que ela a deixou às 17:15 horas de um 31 de agosto de 1972, espalhando um rastro de luz e um fio de voz que, até hoje, se esparrama qual um prisma luminoso sobre todas as vozes que, de alguma forma, foram embebedar-se em seu coração.

Chegando sorrateiramente ao vigésimo segundo lugar na lista das 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos, Dalva de Oliveira representou os amores e decepções e felicidades que toda a mulher de seu tempo seria capaz de carregar dentro de um único corpo, fazendo destas desgraças sua maior felicidade ao cantar a sua verdade. Sua verdadeira verdade.

 

22ª Lugar: Dalva de Oliveira

As 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos.

Marcelo Teixeira

 

 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

23º Maior Cantora do Brasil: Nana Caymmi


 

Nana Caymmi, a filha ilustre
Filha ilustre de Dorival Caymmi e Stella Maris, irmã de Danilo e Dori Caymmi, cresceu numa das famílias mais musicais do Brasil. Começou a cantar ainda muito jovem, adotando desde cedo uma técnica particular para valorizar seu timbre grave. Chegando com categoria ao trigésimo lugar na lista das 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos, Nana ainda mantém uma técnica vocal das mais vibrantes que o Brasil ainda considera uma das maiores vozes. Viveu em uma época em que mulheres não gravavam discos, não cantavam durante a noite e não podiam ficar na rua até tarde e é justamente indo contra a todos estes impropérios, que Nana Caymmi se tornou cantora e das mais valentes, ganhando, em 1976, o Troféu Villa-Lobos de melhor cantora do ano. Cantando o amor, as decepções, o romantismo, Nana tem em seu currículo discos sensacionais, sendo ovacionada dentro e fora do país.

Em 1960, registrou sua primeira atuação em estúdio, participando da faixa Acalanto (Dorival Caymmi), no LP de seu pai, que compôs a canção em sua homenagem, quando a cantora era ainda criança. Lançou, também, seu primeiro disco solo, um 78 rpm, contendo as músicas Adeus (Dorival Caymmi) e Nossos beijos (Hianto de Almeida e Macedo Norte). No dia 26 de abril desse mesmo ano, assinou contrato com a TV Tupi, apresentando-se no programa Sucessos Musicais, produzido por Fernando Confalonieri. Em seguida, passou a apresentar, acompanhada pelo irmão Dori, o programa A Canção de Nana, produzido por Eduardo Sidney.

Após um jejum de oito anos no mercado fonográfico brasileiro, lançou, em 18 de junho de 1975, na Sala Corpo e Som, do Museu de Arte Moderna (RJ), o LP Nana Caymmi (CID). O disco alcançou o 77º lugar no Hit Parade Carioca, uma semana após o lançamento. Fez, ainda, uma temporada, no mês de julho, na boate Igrejinha (SP), sendo citada por Tárik de Souza, no Jornal do Brasil, como a Nina Simone brasileira e provocando a admiração de Caetano Veloso, que considerou sua interpretação de Medo de amar (Vinícius de Moraes) uma das mais expressivas da música brasileira.

Em 1980, comandou Nana Caymmi e seus amigos muito especiais, série de shows apresentados às segundas-feiras, no Teatro Villa-Lobos, com a participação de Isaurinha Garcia, Rosinha de Valença, Cláudio Nucci, Zezé Mota, Zé Luiz, Fátima Guedes, Sueli Costa, Jards Macalé e Claudio Cartier, entre outros. Fez temporada no Chico’s Bar, anexo do Castelo da Lagoa (RJ) e realizou espetáculo de lançamento do disco Mudança dos ventos (Odeon), viajando em turnê de shows pelo país. Participou, ao lado do Boca Livre, do Projeto Pixinguinha.

Em 1981, Canção da manhã feliz (Haroldo Barbosa e Luiz Reis), na voz da cantora, foi incluída na trilha sonora da novela Brilhante (TV Globo). Seu espetáculo, na Sala Funarte, foi apontado pelo Jornal do Brasil como um dos dez melhores do ano.

Em 1982, apresentou-se em Algarve (Portugal). Realizou uma participação na novela Champagne (TV Globo), representando a si mesma e cantando Doce presença (Ivan Lins e Victor Martins), ao lado do pianista Edson Frederico. A canção foi incluída na trilha sonora da novela. No ano seguinte, gravou, com César Camargo Mariano, o LP Voz e suor (Odeon). Apresentou-se, ao lado do pianista, no 150 Night Club (SP), para lançamento do disco.

Em 2004, em comemoração ao 90º aniversário do pai, lançou, com os irmãos Dori e Danilo, o CD Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo, contendo exclusivamente canções de Dorival Caymmi: Acontece que eu sou baiano, Severo do pão/O samba da minha terra, Vatapá, Você já foi à Bahia?, Requebre que eu dou um doce/Um vestido de bolero, Lá vem a baiana, A vizinha do lado/Eu cheguei lá, O que é que a baiana tem?, Dois de fevereiro/Trezentos e sessenta e cinco igrejas, Saudade da Bahia, O dengo que a nega tem, São Salvador, Eu não tenho onde morar/Maracangalha e Milagre. Os arranjos do disco foram assinados por Dori Caymmi. Em 2005, lançou, ao lado de Nana Caymmi, Danilo Caymmi, Paulo Jobim e Daniel Jobim, o CD Falando de amor, sobre a obra de Tom Jobim. Os músicos Jorge Hélder (baixo) e Paulinho Braga (bateria) participaram das gravações.

Com tantos prêmios e reconhecimentos, Nana Caymmi merecia o vigésimo terceiro lugar na lista das 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos.

                                     

23º Lugar: Nana Caymmi

As 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

 

 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

24º Maior Cantora do Brasil: Leny Andrade


Espetacular, sublime e única
Considerada uma das melhores cantoras de todos os tempos da MPB por admiradores do mundo todo (principalmente os americanos), Leny Andrade é considerada por muitos como uma cantora brasileira de jazz. Nascida no Rio de Janeiro, Leny começou a estudar piano aos seis anos de idade. Em seguida apresentou-se em programas de calouros em rádios e ganhou uma bolsa de estudos para o Conservatório Brasileiro de Música. Aos 15 anos estreou profissionalmente como crooner da orquestra de Permínio Gonçalves. Mais tarde cantou nas boates Bacará (com o trio de Sergio Mendes) e Bottle's Bar. Em 1965 alcançou grande sucesso no show Gemini V atuando com Pery Ribeiro e o Bossa Três na boate Porão 73, lançado em disco gravado ao vivo. Depois de uma temporada de sucesso na Argentina, foi para o México, onde viveu por cinco anos. Gravou discos mais chegados ao samba e à música de vanguarda, nos anos 70, como Alvoroço (73) e Leny Andrade (75).

Em 79, na Columbia, gravou o LP Registro, voltando ao samba-jazz, seara muito particular que Leny sempre dominou com maestria. Cantando ao lado de artistas como Dick Farney, Luiz Eça, Wagner Tiso, Eumir Deodato, Francis Hime, Gilson Peranzzetta e João Donato, Leny Andrade firmou-se como a maior cantora brasileira de jazz, conhecida por sua notável capacidade de improvisação. Nas décadas de 80 e 90 dividiu-se entre o Brasil e os Estados Unidos, onde gravou vários discos de samba-jazz, dentre os quais o clássico Luz Neon, pela Eldorado. Dedicou ainda discos a compositores de samba, como Cartola e Nelson Cavaquinho. Lançou também CDs em parceria com instrumentistas de prestígio, como Cesar Camargo Mariano (Nós), Cristóvão Bastos (Letra & Música/Tom Jobim) e Romero Lubambo (Coisa Fina). Gravou ainda um CD apenas com standards norte americanos, em ritmo de bossa nova (Embraceable You).

Por toda a sua maestria e capacidade de encantar o mundo, Leny chega ao 24ª lugar na lista das 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos.

 

24º Lugar: Leny Andrade

As 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

25º Maior Cantora do Brasil: Zélia Duncan


Zélia entre as melhores
Zélia entra, definitivamente, para o panteão das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos com este disco maravilhoso e meio retro transgressor, se bem me entendem. Ela se transforma em todas aquelas iguanas caleidoscópias já citadas, mas continuando ela mesma em essência, forma e risco. A palavras citadas nesta abertura, são de Hermínio Bello de Carvalho, um anfitrião das estrelas da música popular brasileira, como Clara Nunes, Elizeth Cardoso, entre outras. A cantora e compositora Zélia Duncan, nasceu na cidade de Niterói, que se localiza no estado do Rio de Janeiro, no ano de 1964, com o nome completo de Zélia Cristina Gonçalves Moreira. Começou sua carreira com 16 anos, no ano de 1981, em Brasília, onde ela morava e seus maiores incentivadores foram, sua mãe e sua avó. Nessa década (80), não fez muito sucesso, pois não lançou nenhum disco. Só em 1990, foi que lançou seu primeiro disco, que se chamava, Zélia Cristina – Outra Luz, lançado pela gravadora Eldorado, esse disco não mexeu muito com sua carreira, não fazendo muito sucesso. Mas ele possui faixas de muito boa qualidade, como as músicas Outra Luz e Prove.

Já em 1994, ela lançou seu segundo disco, que se chama Zélia Duncan, lançado pela gravadora WEA. Foi esse disco que lançou Zélia Duncan para o sucesso, principalmente por causa das músicas Catedral, Nos Lençóis desse Reggae e O Meu Lugar. A música Catedral, foi inspirada em uma viagem feita pela cantora a Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, em 1991. Ela se inspirou nos desertos que ali se localizam, fazendo então, aqui no Brasil, junto com seu amigo Christiaan Oyens, essa bela música. A música O Meu Lugar foi feita nessa viagem.

Dois anos após o sucesso em 1994 com Zélia Duncan, Zélia lança o álbum Intimidade, em 1996, também lançado pela WEA. Ele é seu segundo disco de sucesso. E o sucesso para esse disco, dedica-se há música Enquanto Durmo que, com o clipe dessa música, foi indicada para cinco (5) prêmios no Vídeo Music Brasil 97, realizado pelo emissora de televisão MTV. O principal prêmio a que foi indicada é o de Melhor videoclipe do ano de 1997. Mas ela não ganhou nenhum dos prêmios a que fora indicada.

Já começando a se acostumar com o sucesso, Zélia Duncan estreia em Outubro de 1998 outro álbum , este chamado de Acesso. É uma grande surpresa este disco, pois suas faixas mostram um ritmo diferente de uma cantora que é considerada da MPB. Mas isso é o de menos, o que importa é que este é mais um grande sucesso que tem como faixas principais as músicas, Toda Vez, Verbos Sujeitos, Depois do Perigo e Quase sem querer, que é uma regravação da bela música de Renato Russo. Acesso foi muito elogiado pelos críticos e, por poucos, ele acaba sendo rejeitado.

Em 2001, após 3 anos parada em gravações que levam seu nome, pois participou do álbum O Som do Sim, de Herbert Vianna, e do consagrado Acústico MTV Capital Inicial (2000), Zélia acaba a gravação de seu quinto trabalho Sortimento em Abril de 2001, e rapidamente é levada em destaque pelas rádios com a música Me Revelar, e por emissoras, como MTV Brasil, que separa um espaço exclusivo em seus programas para a cantora e compositora. Desta vez ZD resolveu utilizar, em maioria, letras de amigos/convidados, mas deixa sua marca em Eu Me Acerto, exclusiva dela, e a própria Me Revelar, junto a seu amigo e produtor Christiaan Oyens.

Em Abril de 2002, a cantora lançou Sortimento e show de mesmo nome, que teve excelente repercussão nacional. Além de lançar neste mesmo ano o videoclipe da música Me Revelar, sendo indicada para o Video Music Brasil 2002 (VMB 2002) na categoria Fotografia, mas não venceu. As músicas Me Revelar e Alma tocaram muitas vezes nas rádios e programas televisivos brasileiros.

Por todos estes adjetivos, sendo considerada por muitos como uma das grandes revelações da MPB, sendo considerada por inúmeras pessoas como uma das mais vertentes roqueiras e defensoras da música contemporânea e de resgatar pérolas de grandes cantores esquecidos pela mídia, que Zélia Duncan entra para o rol das grandes cantoras de todos os tempos, ocupando o 25º lugar.

 

25º Lugar: Zélia Dunca

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira