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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Nara Leão - a musa da bossa nova?

Nara: musa da bossa nova?
Nove entre dez pessoas acreditam que a bossa nova começou no apartamento de Nara Leão, no Posto 4 de Copacabana, em alguma época dos anos de 1950. A ideia e a de que, naquele mítico endereço, todas as noites se reuniam rapazes e moças que, armados com seus violões, brincavam de cantar e tocar baixinho para não incomodar os vizinhos. Isso, óbvio, ia até altas horas e foi a partir desses encontros que surgiu o estilo suave e sofisticado que iria revolucionar a música popular brasileira que perpetua até hoje.  Esses rapazes e moças seriam, além da própria Nara, os violonistas Carlos Lyra, Roberto Menescal e Chico Feitosa, o violonista e pianista Oscar Castro Neves e os irmãos Mario, Leo e Iko, também músicos, o letrista e repórter Ronaldo Bôscoli, o pianistas Luiz Eça e Luiz Carlos Vinhas, o flautista Bebeto Catilho, entre outros. Porém, Nara nunca admitiu que o estilo bossanovista tivesse nascido em seu apartamento. Por um lado ela tinha razão, em partes, sobre o assunto, mas o fato é que se não fosse o encontro desses cantores em seu apartamento, nada teria acontecido. Podemos dizer que Nara Leão fora a responsável por esses encontros e por ser, digamos, a mãe nata da Bossa Nova. Em 1957, Roberto Menescal, outro grande responsável pelo feito, levou ninguém menos que João Gilberto, que acabara de conhecer, ao apartamento de Nara. João ficou encantado com aquelas reuniões, mas seu estilo era ainda mais contido e reservado no cantar, o que deixou os outros músicos ainda mais encantados não apenas por ele como pela música. Tudo era moderno, atrevido, inesperado e uma batida levemente ágil, sincopada e nova começava a nascer, diferentemente de tudo o que se ouvira até então. E Nara, a única mulher, era o centro das atenções. Nara era a grande inspiração, a musa da bossa nova e a responsável pela gravação de inúmeros sucessos desses cantores. Como muher, a cantora era também uma sedução, pois era morena, tinha lábios cheios e carnudos, dentes grandes, corpo bonito e era muito tímida. É impossível pensar em bossa nova e não falarmos em Nara Leão, cantora que conseguiu exprimir o verdadeiro sentimento deste estilo que ultrapassou barreiras, fronteiras, ganhou o mundo e é por esse motivo que devemos muito respeito a imagem e à obra desta grande cantora da música popular brasileira e de sua suma importância em nosso cenário cultural.

Nara Leão
Por Marcelo Teixeira

quarta-feira, 14 de maio de 2014

De Gilberto Gil a João Gilberto: deu samba no encontro de Gilbertos


 

Um disco e tanto
Gilberto Gil devia um disco a altura de João Gilberto. O pai da bossa nova acaba de ganhar um disco em sua homenagem pelo patrono do Tropicalismo e essa junção se deu por conta do lançamento de Gilbertos Samba (2014 / Sony Music / 26,99), um disco mais experimental do ponto de vista crítico do que um disco essencialmente não comercial. Experimental porque Gilberto Gil sempre teve essa vontade de fazer um disco de samba para exprimir seu sentimento para com seu conterrâneo e não comercial pelo fato de não ser um disco simples. A começar pela capa contrastando o vermelho em letras garrafais com o azul quase escuro ao fundo, o ouvinte pode se entediar com as músicas apresentadas já na primeira vista. Mas não se enganem: por mais que o disco traga canções já conhecidas do grande público, Gil dá uma aula de profissionalismo, determinação no ofício de cantar e sabedoria em sua essência.  Aqui a bossa é realmente nova e Gilberto Gil consegue transpassar toda a sua vibração positiva a cada faixa cantada. Ao todo são dez músicas do repertório de João mais duas homenagens, sendo a faixa-título Gilbertos, onde cita outros bambas de sua época, como Dorival Caymmi, Chico Buarque, o amigo Caetano Veloso e a instrumental Um Abraço no João. Gilbertos Samba é um disco em que o cantor e compositor reinterpreta os clássicos gravados por João Gilberto e isso ele o faz com maestria. Se na primeira audição ficamos meio chocados com a onda gritante de pesadas guitarras e calmos violões em algumas faixas, esse susto passa com a segunda chance de poder ouvir as melhores músicas gilbertianas, que tem como parceria Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Carlos Lyra e Caetano Veloso. Quase tudo o que João Gilberto cantou, até mesmo seus primeiros compassos na música universal brasileira, Gil fez questão em poder regravar, incluindo O Pato, Desde que o samba é samba, Você e eu (música de trabalho), Eu vim da Bahia. O disco tem assinatura musical de Moreno Veloso e Bem Gil e está recheado de músicas de sucesso que ficaram ainda mais tocantes, vivas e suaves na voz doce e angelical de Gil. Um presente e tanto de Gilberto para Gilberto e quem ganha com isso é o público, fiél e escudeiro público da boa música popular brasileira.



 
Gilbertos Samba (2014) / Gilberto Gil
Nota 10
Marcelo Teixeira

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

15º Maior Cantora do Brasil: Nara Leão


A musa da Bossa Nova: Nara
A musa da bossa nova era Nara Leão. A musa do verão era Nara Leão. Copacabana era Nara Leão. Rio de Janeiro era Nara Leão. Falar de Roberto Menescal é falar de Nara Leão. Nas décadas em que mais se fervia a bossa nova, mais se falava de Nara Leão. A Bossa Nova nasceu em reuniões no apartamento dos pais da cantora, em Copacabana, das quais participavam nomes que seriam consagrados no gênero, como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e seu então namorado, Ronaldo Bôscoli. No fim dos anos 1950, Nara foi repórter do jornal Última Hora, onde Bôscoli também trabalhava, e que pertencia a Samuel Wainer, casado com a irmã de Nara, Danuza Leão. O namoro com Bôscoli terminou quando ele a traiu e iniciou um caso com a cantora Maysa, durante uma turnê em Buenos Aires, em 1961. Daí em diante, Nara se reaproxima de Carlos Lyra, que rompeu a parceria musical com Bôscoli em 1960, e de ideias mais à esquerda. Inicia um namoro com o cineasta Ruy Guerra e se casa com ele um tempo depois. Nessa época passa a se interessar pelo samba de morro.

A estreia profissional se deu quando da participação, ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na comédia Pobre Menina Rica (1963). O título de musa da Bossa Nova foi a ela creditado pelo cronista Sérgio Porto. Mas a consagração efetiva ocorre após o movimento militar de 1964, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social à dura repressão imposta pelo regime militar. Maria Bethânia, por sua vez, a substituiria no ano seguinte, interpretando Carcará, pois Nara precisara se afastar por estar afônica. Nota-se que Nara Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos 1960. De musa da Bossa Nova, passa a ser cantora de protesto e simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Embora os CPCs já tivessem sido extintos pela ditadura, em 1964, o espetáculo Opinião tem forte influência do espírito cepecista. Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico Buarque no Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), que ganhou o festival e público brasileiro.

Dentre as suas interpretações mais conhecidas, destacam-se O barquinho, A Banda e Com Açúcar e com Afeto - feita a seu pedido por Chico Buarque, cantor e compositor a quem homenagearia nesse disco homônimo, lançado em 1980. Nara também aderiu ao movimento tropicalista, tendo participado do disco-manifesto do movimento - Tropicália ou Panis et Circensis, lançado pela Philips em 1968 e disponível hoje em CD.

Nara. Simples assim... Nara.

Nara Leão morreu na manhã de 7 de junho de 1989, vítima de um tumor cerebral inoperável, aos 47 anos de idade. Nara já sabia do tumor, e sofria com o problema havia 10 anos. O tumor estava numa área delicada do cérebro, por isso não podia ser operado. A cantora sentia fortes dores e tonturas, sendo isso também um contribuinte para Nara tentar largar a carreira musical. Seu último disco foi My foolish heart, lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.

Nara se foi, mas ficará eternizada em nossos corações, nossas canções e em nossa lembrança mais tenra.

 

15º Lugar: Nara Leão

As 30 Maiores Cantoras do Brasil de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira