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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pedro Mariano: sucesso e decadência


Pedro: sem rumo certo
Sempre me perguntei o porque Pedro Mariano nunca tinha gravado uma música com a irmã, Maria Rita. Isso não aconteceu nem no CD em homenagem à mãe, uma tal Elis, que Maria Rita gravou ao vivo e em disco duplo no ano passado. Critiquei a atitude de Maria Rita no artigo Redescobrir revela Maria Rita como Elis Regina por um dia, em não convidar o irmão meia boca para cantar os sucessos da mãe. Em vão. Pedro Mariano veio com um disco de estreia digno dos melhores para um iniciante e tentou se desvencilhar da imagem da mãe, que conseguiu com tamanha maestria. O disco foi muito bem aceito pela crítica, pelo público e por pessoas ávidos por uma boa música. Estou me referindo ao disco Voz no Ouvido, já retratado aqui no Mais Cultura Brasileira! e não o seu canhestro disco, lançado em 1997, chamado Pedro Camargo Mariano, lançado pela Sony Music, hoje quase uma relíquia ao ser encontrado nas lojas e departamentos e que infelizmente eu tenho para meu desgosto.

Pedro Mariano já passou por tantos infernos astrais, que apenas o sobrenome e a mãe que teve não podem fazer nada por ele. Depois de Voz no Ouvido, sua carreira acabou definitivamente. Tentando se valer de mocinho direito que faz a lição de casa corretamente, lançou em 2002 Intuição, que contou com composições de Jorge Vercilo, Tom Jobim, Lulu Santos e voz de Zélia Duncan e um grupinho da Trama. O disco não fez tanta repercussão como o anterior e em 2003 lançou com o pai, César Camargo Mariano, o delicioso disco Piano e Voz, com músicas de Noel Rosa, Gilberto Gil e Rita Lee. O disco passou despercebido pelo público, mas ainda assim, retoma a carreira de cantor de MPB que muitos esperavam de Pedro Mariano.

O que falta na carreira de Pedro Mariano deslanchar é sair da barra da saia da mãe e assumir uma posição maioral de cantor e que pode mandar em seu próprio nariz, assim como faz a irmã, Maria Rita. A briga que teve com o meio irmão, João Marcelo Bôscoli, em 2004, fez com que a carreira dele despencasse para o nicho. Pedro engordou e muito, ficou feio, sua voz já não estava mais agradando e seus discos estão caindo na cafonice. Esperemos que a volta por cima do cantor seja rápida, pois o grupo da Trama veio para se firmar como os filhos ilustres dos pais que fizeram muito pela nossa música.

 

Pedro Mariano: sucesso e decadência

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A falta de Marisa Gata Mansa


Marisa em capa de disco: obra-prima
Chega a ser irrisório em pleno século 21, as pessoas não conhecerem ou não tomarem mais conhecimento de uma grande cantora chamada Marisa Gata Mansa. Em meio a tantas inutilidades que ouvimos por ai em esquinas, bares e bocas sujas e nulas, Marisa Gata Mansa é a cantora que faz falta no cenário musical e que poderíamos ouvir mais e mais e mais, sem cansar e sempre repetindo suas belas músicas com sua bela voz.  Marisa Gata Mansa é de origem de uma família que gostava muito de música e desde a infância se interessou em cantar. Devido ao seu jeito calmo de falar, recebeu de Djalma Sampaio o apelido de Gata Mansa, que adotou como nome artístico ainda na década de 1950. Em 1953, recebeu de João Gilberto a música Você esteve com meu bem?, de João Gilberto e Russo do Pandeiro, que gravou em seu primeiro disco, lançado pela RCA Victor.

No ano seguinte, iniciou sua carreira como intérprete de jazz. No mesmo ano, gravou os sambas Só eu não, de Monsueto, Raul Marques e M. Fernandes e Quem me fez chorar, de Caboclo, Carino e Gustavo. Atuou como crooner do Golden Room do Copacabana Palace (RJ) durante quatro anos. Em 1956, conheceu Dolores Duran, substituindo-a como cantora no Bacará. Seu contato com Dolores, a quem foi muito ligada, facilitou seu acesso ao movimento da bossa nova. Já integrada ao movimento, passou a cantar no Beco das Garrafas (RJ). Nessa mesma época, conheceu Antônio Maria, de cujas canções se tornou intérprete muito constante. Flávio Cavalcanti a levou para a TV Tupi, onde dividiu com Moacir Silva a apresentação do programa Convite à música.

Nessa época conheceu Bororó, Dick Farney, Johnny Alf e Sérgio Ricardo. A partir de 1958, gravou na Copacabana o fox You do something to me, de Cole Porter e o choro Que é?Que é?, de Bororó e Evagrio. No mesmo ano, gravou o clássico da música popular, Chega de saudade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes e o samba canção Castigo, de Dolores Duran, seu maior sucesso. No ano seguinte, gravou seu primeiro LP, A suave Marisa, que incluiu a faixa "A noite do meu bem", de Dolores Duran, que foi para as paradas de sucesso. Registrou em disco quase toda a obra de Dolores Duran, que a homenageou com a canção Não me culpe. Foi casada com o compositor e pianista César Camargo Mariano, que compôs para ela a música Marisa, tema da cerimônia religiosa de seu casamento com o compositor. Teve um filho com ele, o músico Marcelo Mariano.

Em 1961, gravou o samba canção Um novo céu, de Fernando César e Ted Moreno e o samba Operação amor, de Jaime Florence e Augusto Mesquita. Morou em São Paulo durante sete anos, época em que tentou fazer teatro, chegando a participar de um musical com Lennie Dale e de um espetáculo com Caetano Veloso e Taiguara, no Teatro de Arena. Voltou para o Rio de Janeiro, e passou a atuar nas boates Fossa e Taba. Gravou músicas inéditas de Johnny Alf, Carlos Lyra, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, entre outros. Em 1972, gravou um compacto simples com Viagem, de João de Aquino e Paulo César Pinheiro, marco em sua carreira. Homenageou Dolores Duran em três espetáculos: Dolores, 20 anos depois (1979), A noite de meu bem e Tributo a Dolores Duran.

Na década de 1980, gravou os LPs Marisa Gata Mansa e Leopardo. Em 1997, lançou um CD em homenagem ao cronista e compositor Antônio Maria, com destaque para Samba de Orfeu e Manhã de Carnaval, ambas de Antônio Maria e Luís Bonfá. Também o homenageou com o disco e espetáculo musical Encontro com Antonio Maria, escrito e dirigido por Ruy Faria do grupo vocal MPB-4. Teve ativa participação em projetos musicais, como Seis e meia, dirigido por Hermínio Belo de Carvalho e Albino Pinheiro, e Pixinguinha. Apresentou-se em todas as capitais e diversas cidades do interior do País. Faleceu aos 69 anos, devido a uma insuficiência respiratória aguda, consequência de uma isquemia cardíaca.

A falta que Marisa provoca em mim é tão absurda, que eu preferiria escutar sua bela voz ao invés de proferir estas palavras neste artigo. Peço apenas uma única coisa: ouçam Marisa Gata Mansa ao menos uma vez em sua vida!

 

A falta de Marisa Gata Mansa

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

23º Maior Cantora do Brasil: Nana Caymmi


 

Nana Caymmi, a filha ilustre
Filha ilustre de Dorival Caymmi e Stella Maris, irmã de Danilo e Dori Caymmi, cresceu numa das famílias mais musicais do Brasil. Começou a cantar ainda muito jovem, adotando desde cedo uma técnica particular para valorizar seu timbre grave. Chegando com categoria ao trigésimo lugar na lista das 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos, Nana ainda mantém uma técnica vocal das mais vibrantes que o Brasil ainda considera uma das maiores vozes. Viveu em uma época em que mulheres não gravavam discos, não cantavam durante a noite e não podiam ficar na rua até tarde e é justamente indo contra a todos estes impropérios, que Nana Caymmi se tornou cantora e das mais valentes, ganhando, em 1976, o Troféu Villa-Lobos de melhor cantora do ano. Cantando o amor, as decepções, o romantismo, Nana tem em seu currículo discos sensacionais, sendo ovacionada dentro e fora do país.

Em 1960, registrou sua primeira atuação em estúdio, participando da faixa Acalanto (Dorival Caymmi), no LP de seu pai, que compôs a canção em sua homenagem, quando a cantora era ainda criança. Lançou, também, seu primeiro disco solo, um 78 rpm, contendo as músicas Adeus (Dorival Caymmi) e Nossos beijos (Hianto de Almeida e Macedo Norte). No dia 26 de abril desse mesmo ano, assinou contrato com a TV Tupi, apresentando-se no programa Sucessos Musicais, produzido por Fernando Confalonieri. Em seguida, passou a apresentar, acompanhada pelo irmão Dori, o programa A Canção de Nana, produzido por Eduardo Sidney.

Após um jejum de oito anos no mercado fonográfico brasileiro, lançou, em 18 de junho de 1975, na Sala Corpo e Som, do Museu de Arte Moderna (RJ), o LP Nana Caymmi (CID). O disco alcançou o 77º lugar no Hit Parade Carioca, uma semana após o lançamento. Fez, ainda, uma temporada, no mês de julho, na boate Igrejinha (SP), sendo citada por Tárik de Souza, no Jornal do Brasil, como a Nina Simone brasileira e provocando a admiração de Caetano Veloso, que considerou sua interpretação de Medo de amar (Vinícius de Moraes) uma das mais expressivas da música brasileira.

Em 1980, comandou Nana Caymmi e seus amigos muito especiais, série de shows apresentados às segundas-feiras, no Teatro Villa-Lobos, com a participação de Isaurinha Garcia, Rosinha de Valença, Cláudio Nucci, Zezé Mota, Zé Luiz, Fátima Guedes, Sueli Costa, Jards Macalé e Claudio Cartier, entre outros. Fez temporada no Chico’s Bar, anexo do Castelo da Lagoa (RJ) e realizou espetáculo de lançamento do disco Mudança dos ventos (Odeon), viajando em turnê de shows pelo país. Participou, ao lado do Boca Livre, do Projeto Pixinguinha.

Em 1981, Canção da manhã feliz (Haroldo Barbosa e Luiz Reis), na voz da cantora, foi incluída na trilha sonora da novela Brilhante (TV Globo). Seu espetáculo, na Sala Funarte, foi apontado pelo Jornal do Brasil como um dos dez melhores do ano.

Em 1982, apresentou-se em Algarve (Portugal). Realizou uma participação na novela Champagne (TV Globo), representando a si mesma e cantando Doce presença (Ivan Lins e Victor Martins), ao lado do pianista Edson Frederico. A canção foi incluída na trilha sonora da novela. No ano seguinte, gravou, com César Camargo Mariano, o LP Voz e suor (Odeon). Apresentou-se, ao lado do pianista, no 150 Night Club (SP), para lançamento do disco.

Em 2004, em comemoração ao 90º aniversário do pai, lançou, com os irmãos Dori e Danilo, o CD Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo, contendo exclusivamente canções de Dorival Caymmi: Acontece que eu sou baiano, Severo do pão/O samba da minha terra, Vatapá, Você já foi à Bahia?, Requebre que eu dou um doce/Um vestido de bolero, Lá vem a baiana, A vizinha do lado/Eu cheguei lá, O que é que a baiana tem?, Dois de fevereiro/Trezentos e sessenta e cinco igrejas, Saudade da Bahia, O dengo que a nega tem, São Salvador, Eu não tenho onde morar/Maracangalha e Milagre. Os arranjos do disco foram assinados por Dori Caymmi. Em 2005, lançou, ao lado de Nana Caymmi, Danilo Caymmi, Paulo Jobim e Daniel Jobim, o CD Falando de amor, sobre a obra de Tom Jobim. Os músicos Jorge Hélder (baixo) e Paulinho Braga (bateria) participaram das gravações.

Com tantos prêmios e reconhecimentos, Nana Caymmi merecia o vigésimo terceiro lugar na lista das 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos.

                                     

23º Lugar: Nana Caymmi

As 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

 

 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

24º Maior Cantora do Brasil: Leny Andrade


Espetacular, sublime e única
Considerada uma das melhores cantoras de todos os tempos da MPB por admiradores do mundo todo (principalmente os americanos), Leny Andrade é considerada por muitos como uma cantora brasileira de jazz. Nascida no Rio de Janeiro, Leny começou a estudar piano aos seis anos de idade. Em seguida apresentou-se em programas de calouros em rádios e ganhou uma bolsa de estudos para o Conservatório Brasileiro de Música. Aos 15 anos estreou profissionalmente como crooner da orquestra de Permínio Gonçalves. Mais tarde cantou nas boates Bacará (com o trio de Sergio Mendes) e Bottle's Bar. Em 1965 alcançou grande sucesso no show Gemini V atuando com Pery Ribeiro e o Bossa Três na boate Porão 73, lançado em disco gravado ao vivo. Depois de uma temporada de sucesso na Argentina, foi para o México, onde viveu por cinco anos. Gravou discos mais chegados ao samba e à música de vanguarda, nos anos 70, como Alvoroço (73) e Leny Andrade (75).

Em 79, na Columbia, gravou o LP Registro, voltando ao samba-jazz, seara muito particular que Leny sempre dominou com maestria. Cantando ao lado de artistas como Dick Farney, Luiz Eça, Wagner Tiso, Eumir Deodato, Francis Hime, Gilson Peranzzetta e João Donato, Leny Andrade firmou-se como a maior cantora brasileira de jazz, conhecida por sua notável capacidade de improvisação. Nas décadas de 80 e 90 dividiu-se entre o Brasil e os Estados Unidos, onde gravou vários discos de samba-jazz, dentre os quais o clássico Luz Neon, pela Eldorado. Dedicou ainda discos a compositores de samba, como Cartola e Nelson Cavaquinho. Lançou também CDs em parceria com instrumentistas de prestígio, como Cesar Camargo Mariano (Nós), Cristóvão Bastos (Letra & Música/Tom Jobim) e Romero Lubambo (Coisa Fina). Gravou ainda um CD apenas com standards norte americanos, em ritmo de bossa nova (Embraceable You).

Por toda a sua maestria e capacidade de encantar o mundo, Leny chega ao 24ª lugar na lista das 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos.

 

24º Lugar: Leny Andrade

As 30 Maiores Cantoras de Todos os Tempos

Marcelo Teixeira

terça-feira, 5 de junho de 2012

Leny Andrade: simplesmente Leny Andrade


Leny Andrade de Lima, conhecida pelo nome artístico de LENY ANDRADE considerada por muitos a maior cantora de samba jazz brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro, em 25 de janeiro de 1943, e é uma cantora de música brasileira. Aos seis anos de idade, Leny Andrade começou a tocar piano. Aos nove, entrou para o Conservatório Brasileiro de Música e aos quinze já se apresentava como crooner de orquestras. Ainda menina, cantou com o trio de Sergio Mendes na época do Beco das Garrafas. Nascida no Rio de Janeiro, aos 15 anos estreou profissionalmente, sendo a única crooner a cantar na orquestra de Dick Farney. Gravou seu primeiro LP em 1961 chamado A Sensação. No ano seguinte, lançou o LP A Arte Maior de Leny Andrade.

Na década de 60, com  Pery Ribeiro e o grupo Bossa Três, com quem gravou o primeiro disco ao vivo, estreou na boate Porão 73 o antológico show Gemini 5 de Ronaldo Bôscoli e Miele, show este que provocou sua mudança para o México onde morou 5 anos. Em 1965 estourou nas pardas com o disco Estamos aí com destaque para a faixa título de Mauricio Einhorn, Durval Ferreira e Regina Werneck. Enveredou pelo samba de vanguarda nos anos 70, com o disco Alvoroço e fechou a década com o disco Registro uma obra marcante de samba-jazz.

Cantando ao lado de artistas como Luiz Eça, Wagner Tiso, Eumir Deodato, Francis Hime, Gilson Peranzzetta e João Donato, Leny Andrade tornou-se conhecida por sua notável capacidade de improvisação. Nas décadas de 80 e 90 dividiu-se entre o Brasil e os Estados Unidos. Em 1984 gravou dois importantes discos na sua carreira Leny Andrade ao Vivo com capa do artista plástico Juarez Machado, pela Gravadora Pointer.

Prestigiada, o CD Luz Neon, foi aclamado pela crítica e pelo público, onde destacou-se a interpretação da música A Night in Tunisia de Toots Thielemans e Saigon de Claudio Cartier / Paulo Cesar Feital e Carlão. Este CD abriu as portas para a Europa, sendo lançado pela gravadora holandesa Timeless Records na Europa e Japão. Essa gravadora ainda lançou ainda o CD Embraceable You que foi posteriormente relançado no Brasil pela gravadora Som Livre, apenas com standards norte-americanos, em ritmo de bossa nova.

De 1990 em diante tem participado de inúmeros Festivais de Jazz na Europa, Japão e Estados Unidos, cantando também em prestigiados templos de Jazz, como Blue Note em Nova York e Japão, Birdland e Lincon Center em Nova York, New Morning em Paris, Ronnie Scott's Club em Londres, Subway em Colonia na Alemanha, entre outras. Lançou também CDs em parceria com instrumentistas de prestígio, como César Camargo Mariano chamado Nós, Cristóvão Bastos para a série Letra e Música do produtor Almir Chediak, com Antônio Carlos Jobim e com o violonista radicado nos Estados Unidos Romero Lubambo gravou Coisa Fina e Luar do Arpoador. 

Em 2007 dividiu um Grammy Latino com César Camargo Mariano para Melhor Álbum MPB ao Vivo. Leny Andrade tem 29 discos gravados e 2 DVDs, sendo o mais recente o CD Alma Mia (2010) só de boleros com arranjos de Fernando Merlino.

Leny Andrade é a preferida dos músicos e se apresentou com Paquito D'Rivera, Toots Thielemans, Fred Hersch, Roberto Menescal, Cesar Camargo Mariano, Léo Gandelman, Trio Corrente, Sambop Quinteto, Mauricio Einhorn, Romero Lubambo, João Carlos Coutinho, e vários outros músicos de renome. O estilo eclético de Leny Andrade é uma síntese do samba, do jazz, da MPB, de boleros, canções,baladas, enfim, da boa música.



Artigo extraído do site da cantora Leny Andrade, do qual sou fã.



Marcelo Teixeira

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Caixa Elis 70 Anos


Caixa Elis 70 anos
A caixa Elis Anos 70 - postou nas lojas pela Universal Music neste ano no mês de fevereiro, simultaneamente com a caixa Elis Anos 60, em projeto fonográfico coordenado por Alice Soares - apresentando o suprassumo da discografia de Elis Regina Carvalho Costa (1945 - 1982). Nessa década escurecida pela censura e pelos horrores da ditadura que imperava no Brasil, o canto de Elis foi o farol que iluminou a obra de compositores então iniciantes - como Ivan Lins (em 1970), Belchior (em 1972) e a dupla João Bosco & Aldir Blanc (em 1972) - e parte substancial da melhor música brasileira produzida na década. Embora tenha gravado poucas músicas de Caetano Veloso e Chico Buarque, compositores mais associados às vozes de Gal Costa e de Maria Bethânia (as duas únicas cantoras da MPB que fizeram frente à Elis na época, porque Clara Nunes, considerada por muitos críticos como a melhor cantora daquela época, era amiga de Elis), quase tudo de relevante produzido na MPB dos anos 70 foi filtrado pelo canto referencial de Elis.

Nessa década, Elis acompanhou as transformações da música e do Brasil. Já nos seus dois primeiros álbuns de estúdio da década, ...Em Pleno Verão (1970) e Ela (1971), ambos com conceitos idealizados por Nelson Motta, a cantora se aproximou do soul que dava o tom negro da música do mundo. Na sequência, já guiada na música e na vida por César Camargo Mariano, a cantora se tornou uma das melhores traduções da MPB a partir do álbum Elis (1972), uma das obras-primas embaladas na caixa. Padrão roçado pelo Elis de 1973 - álbum denso de clima excessivamente cool e interiorizado - e bisado pelo Elis de 1974, álbum enfim reeditado em CD com sua arte gráfica original (com direito ao recorte da capa branca - tal como no LP original). De 1974, um dos anos mais produtivos de Elis, vem também Elis & Tom, outra obra-prima, dividida com ninguém menos do que Antônio Carlos Jobim, já naquela altura e para sempre o maestro soberano da música brasileira, com reconhecimento internacional.

Na sequência, Falso Brilhante (1976) representou outro pico de criatividade e perfeição na carreira de Elis - com destaque para as referenciais gravações de Como Nossos Pais (Belchior) e Fascinação (Maurice de Feraudy e Dante Pilade Fermo Marchetti) - enquanto Elis (1977) manteve a cantora nas paradas com Romaria (Renato Teixeira), gravação definitiva que projetou o álbum de repertório nem sempre à altura de sua intérprete. Na sequência, o parcial registro ao vivo do controverso show Transversal do Tempo (1978) encerrou a luminosa passagem da cantora pela Philips, já que o último título da caixa, Elis Especial (1979), é a rigor coletânea produzida à revelia da artista com sobras de gravações.

Com som límpido, efeito da primorosa remasterização comandada por Luigi Hoffer e Carlos Savalla, a caixa Elis Anos 70 oferece ganho relevante no quesito técnico em relação à caixa Transversal do Tempo (1998), que embalou os 21 álbuns de Elis lançados pela Philips. Da mesma forma, houve real evolução no padrão gráfico, já que as atuais reedições reproduzem capas, contracapas e encartes dos álbuns com fidelidade às artes dos LPs originais. É luxo só!!!



Marcelo Teixeira

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Café com Leite, de Simone: excelência na homenagem à Martinho da Vila


O belo disco de Simone
Mesmo que você não goste de café, leite ou café com leite, não será possível você não gostar deste lançamento de Simone. Café com Leite (1996 / Columbia / 29,99) é mais que um tributo a Martinho da Vila, cantor carioca e compositor que já nos deu grandes sambas tais como Meu Laiá-raiá, Se Eu Soubesse que Tu Vinhas e Canta, Canta, Minha Gente entre outros, todos incluídos aqui neste CD grandioso, valioso e respeitado.

Uma idéia original de Simone, Café com Leite une os grandes sambas de Martinho da Vila com os impecáveis arranjos de Dori Caymmi, Cesar Camargo Mariano, Julio Teixeira, Heitor T.P. e Rildo Hora e um time de músicos que também inclui percussão de Paulinho da Costa e Luís Conte, teclados de Cesar Camargo Mariano e violão de Dori Caymmi. Com esta mistura de talentos, não é surpresa que este cafezinho seja tão gostoso.

O homenageado e sua pupila
A faixa de abertura, Café com Leite, é uma versão curta a cappella que serve de definição para o álbum todo, um encontro de dois gigantes: Simone e Martinho da Vila. Logo entra a introdução meio samba-funk para Beija, Me Beija, Me Beija. Este arranjo foi um dos melhores do CD. Em toda esta coleção, Simone interpreta as canções de Martinho com perfeição, às vezes de maneira brincalhona como em Madalena do Jucu, outras vezes numa tranquilidade magnética, como em Disritmia, com o arranjo de Cesar Camargo Mariano com sabor de Chopin. A faixa final, Ex-Amor, traz o próprio Martinho da Vila para cantar com Simone e fechar este círculo de demonstração da carreira do compositor.

Uma grande viagem na carreira sambística de Martinho e claramente Simone subestimou o resultado em Café com Leite, pois talvez seja de fato o melhor disco de sua carreira e o que mais divulgação teve, depois, claro, do CD de Natal que sempre embala os finais de ano. É um lançamento marcante para Simone e um dos melhores de sua carreira.



Faixas

·       Café com Leite (Martinho da Vila - Zé Catimba)

·       Beija, Me Beija, Me Beija (Zé Catimba - Martinho da Vila)

·       Meu Laiá-raiá (Martinho da Vila)

·       Madalena do Jucu (Martinho da Vila - Associação dos Congadeiros do Espírito Santo)

·       Disritmia (Martinho da Vila)

·       Se Eu Soubesse que Tu Vinhas (Martinho da Vila - Elton Medeiros)

·       Samba da Cabrocha Bamba (Martinho da Vila)

·       Canta, Canta, Minha Gente (Martinho da Vila)

·       Quem É do Mar não Enjoa (Martinho da Vila)

·       Iaiá do Cais Dourado (Martinho da Vila - Rodolfo)

·       Maré Mansa (Mar Calmado) (Martinho da Vila - Paulinho da Viola)

·       Ex-Amor (Martinho da Vila)

ü  Part. Especial de Martinho da Vila



Idealizado por Simone, Marcos Maynard e Max Pierre

Dirigida por Max Pierre e Moogie Canázio



Nota 10

Café com Leite / Simone



Marcelo Teixeira