Um blog a favor da Música Brasileira, com entrevistas, artigos, críticas, lançamentos e muito mais. Artigos escritos por Marcelo Teixeira. www.maisculturabrasileira.blogspot.com.br
Achei de uma ignorância sem igual o
que fizeram com a cantora maranhense Rita Benneditto no Mato Grosso do Sul: uns
tremendos idiotas fervorosos da palavra do saber conseguiram proibir a cantora
de se apresentar na região porque suas músicas fazem apologia à macumba.
Obviamente que isso pegou a todos de surpresa, mas o fato é que a cantora vem
desenvolvendo um dos mais belos e respeitosos trabalhos de sua carreira,
conseguindo demonstrar sua musicalidade a quem quer ouvir e esse ato desumano,
incapaz e desonesto por parte de alguns rotos e tolos só faz crer que o
preconceito e a injúria ainda predominam a sociedade. Impedir que uma cantora
brasileira se apresente em território nacional por sua música é um dos atos
mais nefastos deste planeta, porque fazendo isso, está barrando também o livre
circulamento de qualidade, de austeridade, de brasilidade. Por que não proibem
músicas canhestras que rondam o mesmo lugar que proibiram Rita de cantar? Por
que não proíbem os pancadões, as músicas religiosas que são de uma chatice pura
e insana, com palavras que não pregam nada a não ser vergonha alheia? Por que a
censura da música não proíbe cantoras que rebolam até o chão fazendo
quadradinhos de números diversos? São tantos porques que provavelmente a
secretaria que proibiu o show da cantora em solo mato grossense não teria
respostas. É inadmissível que se faça isso com uma artista respeitosa e
batalhadora por uma cultura como Rita. É inconcebível que esse tipo de ato
pecaminoso seja tão real nos dias de hoje, em não poder mostrar um trabalho
bonito e coerente para a população. Isso demonstra, apenas, que a evangelicação
no país quer tomar partido em tudo, mas eles não observam o próprio nariz sujo
de pecados. Sendo assim, que respeitem a música de Rita Benneditto e de quem
quer que seja, pois a música é rica em inspiração, rica em detalhamentos, rica
em brasilidade. Estou me referindo, neste caso, à música de Rita Benneditto!
Grande revelação no Mais Cultura Brasileira de 2013, a
cantora amapaense Emília Monteiro acaba de lançar um clipe da música Veneno de Cobra, composta por Dona
Onete, figura tarimbada no Norte brasileiro, que remete alegria a quem a ouve e
faz de suas músicas um aliado para combater o mau humor. Entrevistada pelo
blog, Emília lançou o CD Cheia de Graça
em 2013, trazendo composições de Ellen Oléria, Zeca Baleiro, Márcia Tauil e
Simone Guimarães na bagagem recheada de marabaixo, lundu e danças típicas de
Macapá. A música Veneno de Cobra está
neste belo disco, assim como outras composições de Dona Onete. O clipe é maravilhoso, cheio de cores, com uma vivacidade incrível e radiante, mostrando toda a beleza que há pelo lado nortista e a capacidade de impressionar de uma cantora altamente brasileira, com categoria e elegância mútuas. Emília Monteiro consegue, mais uma vez, provar de seu próprio veneno e sobressair pelo lado mais fortuito: o eco de sua voz, o brilho de seu olhar, o sentimento mais puro de sua emoção. Dona de uma das melhores vozes brasileiras, a cantora é refêrencia hoje no Norte brasileiro e consegue fazer de seu carisma um dos motivos mais festivos para a realização de sua obra: nela estão concentradas todas as riquezas que há em Amapá! Vale a pena
conferir este grande lançamento e podendo conhecer um pouco mais do trabalho
artístico desta grande cantora, que consegue nos hipnotizar com seu olhar, nos
encantar com sua voz e nos enfeitiçar com seu veneno.
Se há uma palavra que defina o grupo
Skank, usaria a palavra inovação.
Depois de seis anos fora do mercado fonográfico, o grupo de pop/rock mais
consolidada do mercado brasileiro surge com um disco diferente e ao mesmo tempo
autoral e inédito, gravado totalmente em estúdio, com participações especiais e
muito bem produzido. O álbum estava sendo muito aguardado pelos fãs, que desde
2009 esperava por novidades e ansiavam algo realmente que os impactassem e a
banda veio com carga total em um disco com um capa bonita e com um título
sugestivo: Velocia. Passeando por
vários ritmos musicais, como o reggae e britpop, as influências do grupo estão
mais voltadas agora pro folk e o suingue com levada de batida eletrônica.
Participando do CD, Nando Reis e a cantora Lia Paris se sentiram muito a
vontade ao dividirem os vocais com Samuel Rosa e trupe e o resultado final é a
mais perfeita sonoplastia do grupo. Com vários prêmios, o Skank ainda mostra
que sua música está longe de acabar e que a banda está mais firme do que nunca,
com vários projetos em mente e a pretensão de novo disco. Logo na abertura do
disco, Samuel e Nando Reis atacam de futebol na faixa Alexia, que homenageia a jogadora do Barcelona, Alexia Putellas e
mostra o ex-titã no final da música. Vale lembrar que o grupo Skank adora
musicar sobre futebol e isso é uma marca já característica deles e a sensação
que passa é que a cada homenagem ao esporte, as músicas se aprimoram de tal maneira,
que o assunto não cansa. Para entender Velocia(2014 /
Sony Music / 26,99), você precisa ouvi-lo com muita atenção, porque
esse disco do grupo não é para qualquer ouvido comum: o tempo que a banda
contemporizou para voltar ao estúdio, as músicas selecionadas e a experiência
necessária e precisa de cada um foram determinantes para que o álbum saísse com
a cara deles. Os fãs podem suspirar aliviados porque Velocia
é um grande disco.
Por trás daquela aparência de menina
má que a cantora Pitty carrega em seu semblante, há um menina muito boazinha,
capaz de nos hipnotizar e nos encantar. A prova disso é que seus discos são
sempre muito bem aceitos pelo público e crítica especializada e sempre há um
gostinho de quero mais. Pitty é uma baiana roqueira e que sente muito orgulho
de ser o que é e sem demagogias e isso é tudo muito mágico em sua carreira
(brilhante, diga-se de passagem). Lançando seu mais novo CD, 7 Vidas (2014 / Deck Discos / 24,99), a
cantora mostra o bom e velho rock ao seu jeito, sem se preocupar com rotulagens
ou manifestos contra a sua música. Sendo seu quarto disco de estúdio, a cantora
mostra aqui toda a sua versatilidade como grande cantora de rock e que ainda
tem muito chão pela frente, diferentemente de outras que cismam em querer ser o
que não é. A personalidade forte e marcante da cantora está retratada em todo o
disco, inclusive na capa, que tem o tom branco e preto denominante. Pitty está
mais interessada em estender o olhar de sua música, que estava mais focada no
frescor dos anos 1990 para um rebuscamento de horizontes mais adulto, colocando
em alvo o público mais centrado em realmente querer ouvir suas canções. Suas
músicas flertam com o rock tradicional dos anos 1960, que gruda facilmente em
nossas mentes e que se transformam em pérolas do mundo pop, com arranjos,
formas e cabeçalhos para um conteúdo maravilhoso sobre o seu mundo. Com um
olhar mais atento, Pitty acaba trazendo à tona todo o seu esforço conceitual que
envolve um trabalho generoso e preciso, rebuscados de tons e que acabam por se
isolar em possibilidades que só sua música consegue fazer: um punhado de 7 Vidas é a carta de registro da
cantora, que se mostra atenta ao mundo de hoje, sem tirar os pés do chão. E é
por esse motivo que a cantora brilha por onde passa, com sua timidez
redondamente caetanizada e humana e que faz de seu trabalho um achado e tanto.
Mas engana-se quem acha que Pitty é totalmente tímida: seu trabalho mostra o
contrário e essa inversão faz toda a diferença. Que a cantora tenha muitas
vidas!
Uma das vozes mais poderosas do
Brasil, a cantora Vírginia Rosa juntou-se ao pianista Geraldo Flach (1945 /
2011) para juntos fazerem um dos discos mais belos da MPB. Voz
& Piano (2010 / Lua Music / 22,99) é uma compilação de sucessos
antigos já gravados pela cantora, como outras releituras fundamentais dentro da
música popular brasileira, casos de Kalu
(Humberto Teixeira), Cacilda (José
Miguel Wisnik) e Maria Maria (Milton
Nascimento / Fernando Brant). Inicialmente seria um projeto feito para a
cantora e atriz Lucinha Lins, que faz uma bela participação no disco na música Prenda Minha, um folclore gaúcho e que
fecha o disco. A moldura na voz cristalina e poderosa de Vírginia combinou
perfeitamente com os dedos delicados de Geraldo sobre os pianos: várias vezes a
voz de Vírginia brilha num monólogo abrindo espaço para que o músico adentre
suas notas num lirismo puro e que nos emociona. Baseados musicalmente a partir
da ideia de um encontro inesperado, surgiu a possibilidade de fazer um disco
com essa colisão perfeita e o resultado final ficou impressionante. As músicas
foram muito bem selecionadas e o casamento de amizade entre os dois artistas
soou nitidamente sensacional. Gravado ao vivo na versão voz/piano, a cantora
canta sucessos de Elis Regina e Luiz Gonzaga com tamanha perfeição, que chega a
emocionar. Destaque também para a feroz canção Mercedita (Ramón Sixto Rios), que faz de Vírginia Rosa um monstro
sagrado da música atual, tamanha a sua voracidade ao cantar e se expressar
através de sua potência vocal. Relembrando sucessos de seus discos anteriores,
como A Voz do Coração (Celso Fonseca
/ Ronaldo Bastos) e A Flor (Fernando
Figueiredo), que foi feita sob medida para o disco de estreia da cantora, o
disco tem um corportamento sereno e corresponde de imediato com o que é exigido
pelo público de MPB: Voz & Piano
é um disco surpreendente, capaz de nos envolver a tal ponto que até o mais
sensível dos homens se rende aos encantos da cantora.
Em tempos de guerra, política,
pedofilia, mortes encomendadas, tráficos, policiais sendo massacrados, o grupo
Titãs resolve fazer um CD totalmente voltado para essas políticas, envolvendo,
entre outros assuntos, a religião e o preconceito. Confesso que não entendi o
recado dado pela banda, que depois de cinco anos resolveram lançar o canhestro Nheengatu (2014 / Som Livre / 26,99).
Com a saída de Charles Gavin, o grupo parece estar meio perdido em suas
posições sobre música e perderam muito o conceito sobre a poesia com a qual
abordavam os assuntos. Rock pesado ao estilo Cabeça
Dinossauro lançado em 1986, o grupo não é mais o mesmo e está
passando do tempo de se aposentar: as músicas aqui cantadas são horríveis, com
apelos comerciais degenerativos para o público de hoje e com uma onda de
violência auditiva absurda e explícita. O disco foi lançado em maio deste ano e
a palavra usada como título significa Língua
Geral, compilação que os jesuítas fizeram no século XVII dos diferentes
dialetos indígenas brasileiros para que índios e portugueses se entendessesm,
conforme explicam em um post na página oficial da banda na rede social. Já a
pintura da capa de Pieter Brugel retrata a Torre de Babel e a produção do disco
é de Rafael Ramos. Com tanta informação e som pesado em meio a protestos, o
disco saiu pela culatra e se torna o pior lançamento fonográfico da banda dos
últimos tempos. Se for para continuar assim, aposto que mais um integrante logo
o mais sairá do grupo. Polêmico ao seu jeito, o disco tem letras bem explícitas
do ponto de vista em que cada faixa é apresentada e a música é digerida: Fardado, Mensageiro da Desgraça, República
dos Bananas, Fala, Renata e Chegada ao Brasil (Terra à Vista) são músicas
violentas e que expressam o ódio e o preconceito. Falta muita coisa na nova
fase do Titãs (fase esta que falta há tempos) e o que mais pesa neste contexto
é a falta da poesia de Arnaldo Antunes e Nando Reis, que tinham uma
característica ímpar em retratar no rock as belezas sutis e melódicas em tempos
de paz. Não há nada de interessante a se ouvir em Nheengatu,
porque a impressão que a banda passa é a de que tenta retornar ao início de
carreira, mas sem a malícia juvenil que os consagraram. Falta aqui maturidade
poética, moral e pessoal do grupo para com os fãs: ao que parece, o grupo
despeja em nossa face todo o mal que o Brasil e o mundo se consagrou depois de
seus discos serem lançados. E é aí que não entendo o porque um grupo tão
conceituado se deixa rebaixar tanto, a ponto de serem ridicularizados com
músicas pesadas em tempos que não há espaço para músicas pesadas. Sinceramente,
não tenho o que dizer deste lançamento do grupo de senhores, mas confesso que
não vale a pena gastar um centavo para tê-lo em mãos. Nem em mentes! A pergunta
que fica no ar: quem será o próximo a sair da banda?
Uma das melhores vozes masculinas dos últimos tempos,
Alberto Salgado é um cantor inspirado e transpassa essa inspiração a quem o
ouve. Tudo o que vêm de Alberto soa como poesia, lirismo ou pura música, pois
como o próprio cantor diz, a música é a
expressão da vida em forma de som. Seu CD, Além
do Quintal, foi lançado recentemente e conta com uma brasilidade
impressionante, misturando ritmos e tendências musicais e demonstrando todo o
seu equilíbrio contagiante ao compôr sobre a pluralidade da vida, colocando
sobre isso toda a sua magnitude ao se impor como um dos cantores mais
espetaculares da atualidade. Aproveitando o lançamento de seu primeiro disco, o
Mais Cultura Brasileira teve o
privilégio e a honra de poder bater um papo com este grande músico. Elogiado
por dez entre dez estrelas da música, Alberto Salgado faz com que Brasília
acorde mais animada ao som de suas músicas, sempre procurando levar sua voz ao
ouvinte que não o conhece.Nesta
entrevista surpreendente, que vai do samba ao baião, Alberto Salgado revela
detalhes de seu minucioso trabalho, diz o que há além de seu quintal e que os
melhores cantores são Emílio Santiago, Elis Regina, Kiko Klaus e Juçara Marçal.
Marcelo Teixeira: Alberto, o que
é música pra você?
Alberto Salgado: Música pra mim é a expressão da vida em forma de
som.
M.T: De onde surgiram as inspirações para o disco Além do Quintal (2014)?
A.S: O disco Além do Quintal
foi construído a partir de composições antigas e de parceiros naturais daqui de
Brasília (meu quintal) e de parceiros de outros estados (além daqui), o que deu
a primeira ideia de se colocar o nome desse disco homônimo à música Além do Quintal, feita em parceria com
Atan Pinho, e que trata esta de tema ecológico. O disco Além
do Quintal é na verdade uma espécie de catálogo dos meus posteriores
discos. Por isso preocupei-me bastante em colocar ritmos diversos, dos quais
cada ritmo presente no disco, representa um segmento diferente de música. Por
exemplo, a própria faixa intitulada Além
do Quintal, tem uma pegada bem africana e com influências da música árabe e
indiana, porém sem perder a brasilidade também presente. E pretendo fazer o
próximo disco todo naquela pegada mais tribal. A fim de dar um caráter mais
homogêneo ao disco.E assim será com
todas as demais composições. São 12 faixas, mais uma remix no álbum Além do Quintal. Então terei muito
trabalho nessa vida, graças a Deus!
M.T: Suas músicas são de altíssima qualidade, com
começo, meio e fim e com letras que fogem do determinado comum das coisas, não
fala apenas de amor e sim da nossa realidade cotidiana. Você acha que a sua
música ajuda a difundir a qualidade musical de hoje em dia?
A.S: Modéstia parte acredito sim. Não só pelas
composições, como também pelos amigos que gravaram comigo. Tendo em vista que
nos anos 90 por exemplo, pouco vi e ouvi de trabalhos autorais como vem
ocorrendo agora. E acredito que atualmente (graças a internet) podemos acessar
trabalhos maravilhosos que ajudam muito a enriquecer a música brasileira de
qualidade, que parecia estar tirando férias em outros países. Citarei aqui
alguns que admiro demais e tenho muito respeito aos seus trabalhos. São eles
(as): Nathália Lima, Kiko Klaus, Paulinho Beissá, Wilson Bebel, Juçara Marçal,
Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Douglas Germano, André Abujamra, Raquel Coutinho,
Fernanda Cabral, Vavá Afiouni, Andréa dos Santos, Alessandra Leão, Curumim,
Túlio Borges, Litieh Pacelle, Eduardo Rangel, Silvério Pessoa, Arthur Maia entre
outros que considero grandes artistas, que representam bem o lado bom da música
brasileira. Sem contar os músicos e compositores que trabalham com música
instrumental. Altíssimo nível!!!
M.T: Brasília sempre foi um pólo cultural muito rico e
muito detalhado para todos nós. Do rock para a MPB, sempre esteve presente na
vida cultural brasileira. Hoje Brasília recebe de braços abertos diversos
ritmos musicais e a sua música tem apreço estimado por aí. Como se explica isso?
A.S: Brasília é um palco onde se reúne e apresenta a
grande diversidade da cultura brasileira. Aqui temos acesso a todas as culturas
presentes não só no Brasil, como também de diversos cantos do mundo. Sendo
assim, percebi o quanto meu trabalho é aceito e recebido com muito carinho do
público daqui. E por essa diversidade toda, acredito que não é difícil qualquer
compositor com trabalho de qualidade passar batido, sem o devido e merecido
reconhecimento do público. Temos público para tudo no Brasil. Porém o público
daqui é bem exigente e com razão. Se a maioria gosta de boas coisas em minha
cidade e estou no papel para servi-los com minha arte, terei que fazer o melhor
possível para merecer esse precioso reconhecimento. O público é quem nos faz
crescer e melhorar cada vez mais.
M.T: Pensa em fazer shows pelo Sudeste ou levar Além do Quintal para outras regiões do
Brasil?
A.S: É o que mais quero! Percebi também que mesmo com a
internet, ainda existe uma pressão sobre nós artistas em termos que sair de nossa
cidade e buscar o eixo RJ-SP, para ampliar nossas portas e palcos. Infelizmente
ou não, ainda é comum artistas fora desse eixo terem que abandonar suas cidades
para fazer mais shows.
M.T: Em um país com tantas vozes femininas, a sua chega
em um momento em que música pede passagem ou mais respeito?
A.S: Não diria mais respeito, pois temos belíssimas
cantoras no Brasil. Mas não posso negar que minha voz pede passagem também. Ou
melhor, espaço para mostrar meu canto.
M.T: Um cantor?
A.S: Emílio Santiago. Mas contemporâneo ao momento
atual: Kiko Klaus.
M.T: Uma cantora?
A.S: Elis Regina. Mas contemporânea ao momento atual:
Juçara Marçal.
M.T: Se você não fosse o excelente cantor que és, seria
um excelente...?
A.S: Professor de música... (risos)
M.T: Numa de nossas conversas, você disse que não
gostava de cantar nem de compor somente sobre o amor, sendo que a maioria das
pessoas gosta de ouvir sobre isso e a maioria dos cantores canta sobre isso,
mas você prefere ir para o lado contrário. Por quê?
A.S: Porque acredito demais no poder que nós
compositores temos em auxiliar a sociedade e alertar para temas sociais de
urgência. Como Saúde Pública, famílias que sofrem por ter alcoólatras ou
usuários de crack, por exemplo, como citado na música Tem Uma Pedra, feita também em parceria com Atan Pinto. Aí com
tantos problemas urgentes, não consigo ter um coração egoísta em exaltar apenas
um amor que é menos abrangente (amor de namorados) que a necessidade do amor
universal em ajudar muito mais pessoas com mensagem que reforcem uma ideia
positiva de uma mudança a quem precisa. E muitas pessoas precisam,
infelizmente. Porém nada tenho contra a quem canta só músicas românticas. Só
sei do que gosto, do que não gosto e do que posso fazer. Mas também rolam duas
canções neste álbum que soam como românticas, que são Cores da Vida e Lombra.
Ambas de minha autoria.
M.T: Além do Quintal
tem uma mistura de samba, baião, pitadas de romantismo, delicadeza. Qual foi o
critério para fazer nascer o álbum?
A.S: Como é meu primeiro disco, o Além
do Quintal, fiz escolha de algumas canções antigas, que eu precisava
gravá-las para enfim, começar de fato outros discos com ritmos mais homogêneos.
Sem desprezar a qualidade indiscutível do disco, claro. Porém, ele nasceu da necessidade
de eu ter que montar um catálogo que represente através de cada música um
segmento para cada próximo álbum.
M.T: Além do Quintal,
para mim, é um dos melhores discos do ano de 2014, com ótimas letras, ótimas
melodias e ótimas vibrações. Mas qual é o seu plano para depois deste mega
sucesso?
A.S: Obrigado pelo elogio! Bem, meu plano é de
circular ao máximo apresentando este trabalho a maioria das pessoas que eu puder.
Quero cruzar o país com o passaporte que a música nos dá. Não sei se será possível,
mas sonho é sonho e ainda bem que é de graça sonhar. Espero positivamente que
eu possa alcançar e construir bons públicos através deste trabalho primoroso
feito com muito amor e muito sonho.
M.T: O que há além do quintal, Alberto?
A.S: Além do quintal há muitos mundos a serem
descobertos. Muitos sorrisos para serem admirados, muitos brilhos nos olhos.
Mas também há muita gente precisando de ajuda e se conseguimos sair além do
quintal, é porque de alguma forma merecemos ou precisamos.
M.T: Para encerrar, Alberto, como seria a vida sem
música?
A.S:
A vida não teria voz!
Muito
obrigado por ceder um precioso tempo para esta entrevista, Alberto.
E
pra você que quer conhecer um pouco mais da obra deste sensacional cantor e
compositor, basta acessar os links abaixo para ter o melhor de sua música com
apenas um clique.
Tio Samba Orquestra é um grupo exclusivamente de samba e lança seu primeiro
DVD na Sala Baden agora dia 2 de agosto, mostrando boa música e versatilidade
entre os integrantes. Tente juntar instrumentos de sopro (com direito até a uma
tuba) a outros instrumentos de cordas e percussão. Imaginou uma orquestra? OK.
Uma sinfônica? Não, exatamente... Que tal uma orquestra de samba? É como
podemos definir o Tio Samba e seus 12 componentes. O grupo, que tem no currículo
três CDs, lança no Rio de Janeiro, na Sala Baden Powell seu primeiro DVD, Tio Samba Show, que contou com as
participações especiais de Diogo Nogueira, do cantor pernambucano André Rio e
do grupo Mulheres de Máscaras (formado por Flávia Dantas, Julieta Brandão e
Nina Wirtti). Um show é uma coisa muito
maior do que a apresentação de um repertório a uma plateia. Após 15 anos de
existência, sentimos que era fundamental registrarmos nossa performance ao
vivo. Com o lançamento deste DVD, podemos oferecer às pessoas este algo a mais,
que vai além da nossa execução musical. Isso permite que nosso público tenha a
integralidade de nossa arte à mão para aproveitar-se dela a qualquer momento e
em qualquer lugar, explica Carlos Mauro, compositor e vocalista do grupo. O
repertório do show de lançamento é praticamente idêntico ao do espetáculo
registrado no DVD, com a inclusão da marchinha Gás de pimenta (Carlos Mauro e Sergio Barros), feita para o
carnaval de 2014 e cuja gravação, de estúdio, integra os extras do DVD. O
roteiro musical reúne canções dos CDs lançados pelo grupo, além da releitura
com arranjos inéditos para três clássicos do samba: Chiclete com banana (Gordurinha e Almira Castilho), Bela cigana (Ivor Lancellotti e João
Nogueira) e É preciso discutir (Noel
Rosa). Com arranjos que unem cordas e sopros a percussão dos grupos regionais
de samba e choro, o grupo tem no currículo os CDs Quero
Ver (2003), É Batata!,
dedicado a obra de Carmen Miranda (2010 quando foi finalista do 22º Prêmio da
Música Brasileira na categoria Melhor Grupo de Samba) e Mais
pra cá do que pra lá (2012). Este proporcionou, em 2013, a indicação
do Tio Samba como finalista no troféu Samba
é tudo de bom na categoria Melhor Grupo. O Tio Samba é formado por Carlos
Mauro e Luciana Lazulli (vocais), Marcio Arese (sax tenor), Fabiano Segalote
(trombone e bombardino), Carlos Vega (tuba), Beatriz Stutz (clarineta e sax
alto), Matheus Moraes (trompete), Bernardo Dantas (violão 7 cordas), Thiago
Cunha (cavaquinho), Diogo Barreto, Alfredo Alves e Marconi Bruno (percussão).
Serviço: Show de lançamento do DVD Tio Samba Show.
Vale a pena porque trata-se de única apresentação!
Serviço:
Tio Samba
Show
Dia 02 de
agosto (sábado), às 20h Sala Baden Powell
Local: Av.
N. S. de Copacabana, 360, Copacabana.
Informações:
2255-1067/ 2548-0421
Ingressos:
R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada para os casos previstos na lei)
Assessoria de imprensa: Silpert & Chevalier Comunicação
Se cantar as músicas de Chico
Buarque e Caetano Veloso já é um sopro de alívio aos nossos ouvidos, imagem
algumas dessas pérolas na voz cristalina e suave de Gal Costa? Pois bem, a
cantora baiana resolveu coletar algumas das melhores músicas do conterrâneo Caetano
e do carioca Chico para fazer-lhes uma justa homenagem no CD Mina D’água do meu canto (1995 / BMG Ariola /
26,99), que teve a direção primorosa de Jaques Morelenbaum e é um dos mais respeitosos discos de toda a carreira da
cantora. Lançado após o provocativo show e disco O
Sorriso do Gato de Alice, em que mostrava os seios na música Brasil,
de Cazuza, a cantora tinha motivos de sobra para lançar um disco mais expoente
de sua carreira, mostrando sua irreverência afetiva para com os amigos
homenageados e atenuando-se das polêmicas do ano anterior. A prova disso está
marcada neste disco, marcado pelo virtuosismo de sua voz e pelas belas palavras
de cada faixa, como Odara (Caetano), Futuros Amantes (Chico), Língua (Caetano) ou A Rita (Chico). Gal Costa, com sua voz de panela como atestou em
entrevistas em início de carreira,se
viu obrigada a lançar um disco mais denso, porém não de todo melancólico, para
alfinetar os críticos da época, que apostavam na decadência da cantora. Mero
engano. Para alguns críticos da época, de fato, o disco não passou de mais um na
carreira da cantora, mas para muitos (como para mim, que não vivenciou
corretamente esta época do Sorriso),
o disco, que encerra de vez em formato de vinil na carreira da cantora, se
transformou em um dos mais experimentais discos em homenagem em vida de dois
dos maiores gênios da música popular brasileira. Há beleza no canto de Gal em
todas as faixas do disco e a atmosfera atemporal é a mais respeitosa possível,
transmitindo uma certa inquietude em sua voz e, ao mesmo tempo, um certo ar de
nostalgia. Todas as faixas deste magnífico álbum tem a sua devida importância
para a própria Gal Costa, pois era a sua necessidade de se reinventar, mostrar
a sua cara e se firmar como uma das cantoras mais experientes do país. Há
lirismo poético aqui, assim como há o romantismo. Não há política, mesmo em se
tratando de dois compositores politicamente incorretos. Mas o amor imperando
neste, que é um dos mais brilhantes discos de Gal para firmar o elo de amizade
entre ela e seus dois gênios amigos.
A música que dança nos sonhos de
Tito Marcelo é a mesma música que ronda os homens que fazem a boa música:
inspiradora, criativa, capacitada de emoção, sensível. De tão frágil, ela
penetra em nossos poros e causa rebuliço por entre tímpanos, coração, garganta,
pele e sangue. Sua música vicia e é um vício bom: não conseguimos parar de
ouvir, de dançar, de cantarolar. Tito Marcelo é um dos poucos e raros cantores
da nova safra de músicos que conseguem hipnotizar com sua música em um mercado
próprio para mulheres. Lançado em 2007, Frágil Verde,
Força de Quebrar (2007 / Independente / 19,99) é um disco pop,
dançante, com ritmo, cadência, fina estampa e que preserva a natureza como ela
deveria ser preservada. O título não foi aleatório: aqui há uma responsabilidade
social do cantor em resguardar as matas que são deterioradas pelo homem
selvagem e a música de Tito surge em um momento propício para esse
resguardamento. Todas as dez faixas são de composição de Tito, que mostra
versatilidade ao abordar temas florais como o amor, a relação entre homem e
mulher, a natureza, a felicidade, o entorno dos meses subsequentes, o carinho,
o afeto. Meio jazzístico, Frágil Verde,
Força de Quebrar é um disco que nasceu para ser muito bem
representado dentro da música popular brasileira, com suas nuances perfeitas,
sons híbridos e cores neutras. O cantor recifense ganhou o Brasil com sua voz
peculiar, sem ruídos, sem estribilhos e carimbou sua permanência na música
atual como sendo um dos melhores cantores e compositores de sua seara. Basta
ouvir Perdido na Lua, um baião
produzido como nos moldes do passado, com começo, meio e fim sobre um amor
perdido e abandonado. Nesta bela canção, o cantor divide a faixa com a cantora
Barbara Mendes, cantora esta que já foi agraciada e apadrinhada por ninguém
menos que Djavan e traz na bagagem discos sensacionais para o deleite da
cultura brasileira. O acerto de Tito em cantar ao lado de Barbara foi notória:
um casamento perfeito de vozes e o hino de uma música rica em detalhamentos
específicos sobre a lembrança do Nordeste. E é essa a diferença entre Tito
Marcelo e a nova música de hoje em dia: ele sente a canção, sente a atmosfera,
o momento certo para cantar, as músicas encaracoladas com o sentimento de fazer
com que sua música chegue até o próximo numa sintonia de respiração e olhares
atentos. Tito Marcelo é muito além de um cantor, porque ele emociona, transmite
o anseio que vem dele para nós, nos reaviva através de sua voz, nos conduz ao
caminho certo quando estamos indo ao lado contrário da dor. Sua música é puro
alívio para as dores de amor que sentimos; sua verve musical nos acaricia por
dentro, reiterando com as mãos todo o sentimento que existe na canção. Cantor
raro, destinado a cantar, único, Tito Marcelo faz de Frágil
Verde, Força de Quebrar um dos mais belos discos de todos os tempos
da MPB com toda a categoria, toda a astúcia, toda a malemolência e persipcaz de
um grande artista brasileiro prestes a ser alçado ao seu posto maior: a
essência de sua música.
Clara Nunes foi, sem sombras de
dúvidas, a maior entre as maiores cantoras do Brasil. Basta ver seus clipes,
suas músicas e sua defesa para com uma religião (e um povo – o negro), para
saber que a cantora era uma verdadeira Guerreira, apelido que lhe coube muito
bem naqueles dias em que ela enfrentava a todos ao se apresentar e a cantar da
forma como queria. Clara é insubstituível e suas músicas provam que ninguém as
cantará da melhor forma possível, porque sempre haverá uma nota ou uma palavra
distorcida. Se há uma cantora que chegou bem próximo deste feito após mais de
trinta anos de sua morte, essa cantora foi Fabiana Cozza, que consegue driblar
as danças, os giros, os atabaques e fez de O Canto Sagrado(2013 / Agô Produções / 39,99) em uma
verdadeira aula de musicalidade e religiosidade em homenagem à grande dama do
samba. Mas vale lembrar que Fabiana Cozza chegou bem próximo desta realidade:
há um misto de arrepios com uma sensação de que Clara surgisse no palco há
qualquer momento durante os espetáculos e era justamente esta a sensação que
causa ao falarmos que Clara é insubistituível. Graças à religião, ao candomblé,
à umbanda (religiões estas que crescem demasiadamente no país), que a cantora
ganhou notoriedade ao ser uma das protagonistas mais sutis de rodas de samba e
de controvérsias para os seus desafetos. No disco Alvorecer
(1974 / Odeon / 19,99), Clara gravou Conto de Areia, canção que até hoje é cantada e lembrada e que fala
dos mistérios e segredos preservados nas densas bebedeiras da Bahia. A letra é
uma reza: restaura inquietas efígies de lendas e santos, contos e lendas,
misticismo e religião ao tecer o que há de mais belo neste canto. Desvendando
os mistérios dos santos, o disco ponteia o melhor do candomblé na voz doce e
meiga de uma das cantoras que se tornaria dama em questão de anos. Em Alvorecer tudo era inédito: desde a capa
do disco, que mostra uma Clara com vestes de baiana e com penduricalhos que
mais soavam como miçangas de deuses até sua devoção ao candomblé, religião que
não foi muito aceita por muitos na época. Mas para mostrar que Clara era Guerreira,
bateu o pé e fincou seu nome entre as cantoras mais populares do Brasil,
demonstrando que a força de seu canto e o brilho de sua face eram mais
significativos que qualquer outra coisa. Clara sempre dizia que seu canto era a
sua verdadeira vida, a sua história, a sua luz e que cantava porque gostava e a
cada disco lançado, a cantora trazia um pouco da história dos negros, da África
perdida no tempo, dos homens que matavam por gânancia, do amor repudiado por
desenganos. Obviamente que Alvorecer
surgiu para ser um dos discos mais célebres da carreira da cantora, sendo o
ponta pé inicial para a sua incursão na religião africana. Talvez o que o povo
brasileiro não saiba é que todos nós viemos da África, mesmo torcendo os
narizes brancos e o que Clara Nunes fez foi apenas reforçar e estimular as
mentes dessas pessoas preconceituosas a pensarem sobre tal assunto.
Vange Leonel não era uma campeã de vendas de
discos, nem seus livros eram tidos como best sellers, mas a cantora, escritora
e ativista do movimento em prol das causas LGBT ganhou notoriedade mais pelas
escritas em jornais, revistas e blogs do que por sua voz. Mas ainda sim, Vange
Leonel arriscou fazer um disco qualquer um dia da sua vida e acertou quando a
novela Vamp foi ao ar, em 1991, se
tornando um grande sucesso de público e crítica. Assim sendo, a abertura da
novela também foi um sucesso e lá estava Vange Leonel. A música Noite Preta esteve no auge e permanece
hoje como sendo uma música de vampiros. Vange Leonel muitas vezes foi
confundida com Cássia Eller e a mesma não se constrangia com isso: ela ria.
Aliás, rir era o melhor remédio da cantora: ela ria de si mesma, ria das
mazelas, criticava rindo sobre o futebol e sobre a cerveja, seu assunto
principal em uma revista econômica. Numa noite preta como esta, venho até aqui
para dizer que Vange Leonel morreu. Parafraseando o que não é irônico nem
sutil, morreu não apenas uma cantora qualquer, mas sim uma escritora, uma
jornalista, uma ativista, uma mulher intelectual e que poucos conheciam.
Afinal, o Brasil de Vange Leonel era o Brasil desconhecido por muitos, mas que
muitos insistiam em tentar conhecer. De Vange nasceu a música Esse Mundo, que retrata um certo sonho
de congregação da comunidade gay, em que diz bem vindos, bem vindos aqui / o trem já vai partir / desarmem suas
tendas / temos muito a descobrir / não há um lugar no mundo onde não podemos
ir... esse mundo vai nos ver brincar / esse mundo vai nos ver sorrir / esse
mundo vai nos ver cantar. A utopia do ulterior é saber que o mundo não
cantou devidamente como devia as músicas de Vange Leonel, mas Vange Leonel se despede do Brasil sendo homenageada
por quem a conheceu em vida!
Não é tarefa para qualquer um cantar
as músicas de Roberto Carlos com tamanha emoção e dedicação, ainda mais um
disco inteiro. Escolher a dedo apenas onze faixas de um acervo de mais de
quinhentas músicas é padecer em qualquer lugar quente deste planeta, mas Maria
Bethânia conseguiu este feito ao lançar o audacioso projeto As canções que você fez pra mim (1993 / Polygram /
19,99), disco praticamente raro de encontrar hoje em dia. Trata-se
de uma grande homenagem da cantora ao cantor e compositor Roberto Carlos, de
quem Bethânia se considera fã. Maria Bethânia sempre foi dotada pelo respeitoso
repertório daquilo que canta e ela sabe que canta com maestria, sofisticação,
austeridade e potência sem deixar que o romantismo piegas dos tempos áureos se
percam. A impressão que transpassa do disco para nós e, obviamente, de Bethânia
para o disco, é que tudo foi feito com a sua forma e jeito, sem pressa e sem o
apego das opiniões futuras: Maria Bethânia cantou aquilo que queria e pronto.
Jogou no disco todo o seu respeito e amabilidade para com a obra de Roberto e
fez tudo com muito amor e carinho, sem pensar no destino final. E, claro, o
resultado soou como sendo um dos melhores discos da cantora, batendo recordes
de vendas e fazendo com que a Abelha Rainha saísse ainda mais vitoriosa no
circuito nacional. Do título às canções posteriores, tudo se enquadra perfeita
e milimetricamente na voz da cantora, sem deixar que a conjectura do amor ou do
falso amor falasse mais alto. Das dores de cotovelo ao amor surreal, as canções
escolhidas casam-se diretamente com aquilo que foi sublinhado por Roberto e
Erasmo Carlos no passado: Bethânia apenas colocou sua voz naquilo que já estava
batido, mas não velho, dosando lirismo e poetismo, amor febril e amor puritano.
A forma habitual das músicas cantadas por Maria Bethânia na sua pluralidade
maior e na oração à mensagem fazem das rimas um par perfeito entre a emoção da
canção e a fineza da alma lírica musicada por dois gênios românticos
brasileiros. Maria Bethânia, no ar de sua graça e na leveza de seu espírito,
transforma As canções que você fez pra mim
em uma aula de etiqueta musical, tendo todo o reverberamento, a fenda e a
quebra de sua personificação como grandeza maior.
As canções que
você fez pra mim (1993) / Maria Bethânia