quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A hora e a vez de Monique Kessous


Se você fechar os olhos e ouvir Monique Kessous, pode pensar que está ouvindo Marisa Monte tamanha a aparência nas vozes. Mas não precisamos ir muito longe para atestar ou comparar a pluralidade de Monique Kessous, uma cantora de MPB que está batalhando por um lugar ao sol nessa seara musical tão disputada e acirrada e que está com uma discografia pra lá de sensacional. Monique é dessas cantoras que sabem o que buscam, sabem o que querem e sabem qual o público certo e seleto para ouvi-la. Ela canta muito bem, enlaça nossos sentimentos e tem uma voz nítida, perfeita, cristalina e dócil. Aprovadíssima por mim e recomendada aos quatro cantos do Brasil, Monique precisa levar seu talento e sua musicalidade ao povo brasileiro que tanto é carente de uma boa voz, de um bom som e de um bom disco.
Aos 9 anos, Monique fez sua primeira apresentação, quando participou de um Festival de Música representando o seu colégio, à frente de um coral de 40 crianças. Na adolescência estudou canto lírico e popular, piano, aprendeu a tocar violão com seu irmão Denny Kessous, e começou a compor. Decidida a seguir carreira musical, fez seu primeiro show em 2001 no Teatro Ipanema aonde pela primeira vez mostrou suas composições. Em seguida, começou a cantar em algumas bandas e formou o grupo Entretantos, com Denny no violão, o guitarrista João Arruda e a percussionista Jadna Zimmerman, passando a se apresentar em bares e casas noturnas, cantando música brasileira.

Disco de 2010: ótimo
Elogiada pelo produtor musical Alberto Rosenblit, após um show seu, foi convidada por ele a gravar uma demo. Ao ouvir sua voz, Roberto Menescal fez uma música para ela cantar, chamada Comunique-se, que mais tarde ganhou letra de Monique. Em 2005, foi chamada por Menescal para gravar o projeto Liverpool Bossa (Albatroz), lançado em julho de 2007 no Brasil, Taiwan, Colômbia e Argentina. Após gravar algumas faixas para compilações da Albatroz com produção de Flávio Mendes, chamou o guitarrista do Bossa Cuca nova para produzir seu primeiro disco.
Com essa cor foi lançado em 2008 e consolidou a sua estreia também como compositora, sendo autora de 10 dentre as 12 faixas, contando com a participação de Roberto Menescal, na parceria dos dois. A faixa título fez parte da trilha sonora de Ciranda de Pedra em 2000, de Alcides Nogueira; e Pitangueira integrou a trilha de Paraíso no ano de 2009, de Benedito Ruy Barbosa.
Em 2010, lançou seu segundo disco Monique Kessous, produzido por Rodrigo Vidal, e que foi muito bem recebido pela crítica. A canção Frio, de sua autoria, faz parte da programação das principais rádios brasileiras. Recomendo Monique Kessous pelo conjunto da obra, por sua beleza, por sua graça e por sua musicalidade. Uma verdadeira artista brasileira, uma musicista nata, uma mulher que canta suas raízes e que nós, ouvintes, temos muito orgulho de a termos como nossa. Afinal, Monique Kessous é uma verdadeira cantora e que sabe realmente cantar, sem fazer malabarismos.

Marcelo Teixeira

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Wanessa Camargo - a segunda pior cantora do Brasil

A filha do caipira Zezé de Camargo, chamada, até onde sabemos, de Wanessa (quem sabe ela não tenha um nome tão esdruxulo quanto o do pai?), se perdeu no fio condutor de sua vidinha de cantora e ficou a mercê de uma vidinha longe dos holofotes depois que virou mãe. Isso é, de fato, uma notícia pra lá de maravilhosa, afinal, não ter que ouvir Wanessa Camargo é a oitava maravilha do mundo. Não suporto essa cantora. Ela canta mal, se veste mal e agora deu pra dançar igual a essas cantoras americanas que fazem a cabeça dos adolescentes pelo mundo afora. Wanessa é o que há de pior na música popular e sua singularidade é tão horripilante, tão anormal, tão atemporal que chega a nos dar urticarias. Ela canta mal. Ela é péssima. Ela é vulgarmente um insetinho que precisa de seu veneno para poder se mostrar hábil, poderosa e decente.
Wanessa Camargo veio ao mundo por dois motivos: para ser rival direta de Sandy, cantora que já teve seu artigo aqui no Mais Cultura! e para irritar ouvidos solenes iguais ao meu com sua voz, sua dança, seus trejeitos e sua chatice. Wanessa fez muito sucesso no passado, cantou e deixou adolescentes felizes com suas performances e dancinhas de palhacinha animada de festa. Sua caipirice herdou do pai. Para tanto, Wanessa Camargo precisava de novos horizontes quando percebeu que a menina estava se tornando mulher e que suas musiquinhas de escola não estavam mais fazendo efeito. A partir de um determinado momento, Wanessa Camargo partiu para uma nova linha de conduta musical, deixando de vez a porção criança mimada para se transformar na mulher madura, mas artificial, oca, sem superfície.
Depois de Paula Fernandes, a pior cantora
Recentemente vi uma apresentação dantesca de Wanessa Camargo na televisão e fiquei horrorizado: ela dançava igualmente a Britney Spears. Virava o rosto igualmente Jenifer Lopez. Gesticulava com as mãos igualmente Adele. Fechava os olhos igualmente Mariah Carey. Uma mistura de cantoras estrangeiras, cantoras essas que são consideradas mundo afora as maiores divas do mercado fonográfico e o que não deixa de ser uma verdade. Mas deixar Wanessa ter em sua imaginação ser uma dessas divas é muito banal, inútil, de uma falta de incapacidade cabal e intrépida que só uma mocinha do interior é capaz de copiar.
Eu confesso que não sei qual é a pior espécie de cantora: a Paula Fernandes ou a Wanessa Camargo. As duas, de fato, são um lixo já comercializado pela indústria da música brasileira, as duas são justamente aquilo que fazemos e descartamos na latrina, as duas são meramente fantoches da pior qualidade musical já produzida pelo país. Portanto, existir cantoras desse nível, desse crível e dessa portabilidade é desumano demais, incapaz de sermos louvados ou agraciados por vozes bonitas e com repertórios dignos de sensatez.
Assim como sugeri a Paula Fernandes em um artigo inflamado ir ao Xingu para demonstrar a sua cultura neo caipirence, sugiro que Wanessa Camargo vá para o Alasca mostrar que a cultura brasileira da sua verve é muito significativa e próspera para ouvidos não preparados e sem um pingo de cultura. Que lá no Alasca ela possa ter um sucesso retumbante, desses que jamais ela poderia esperar. E ela nem precisa se preocupar com a volta. O Alasca é logo ali, virando a esquina.

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Do Coccix Até o Pescoço de Elza Soares

Elza Soares passou um bom tempo de sua vida no ostracismo generalizado pela falta de oportunidade das grandes gravadoras em não lhe darem créditos para lançar discos. Elza tem potencial, tem uma voz privilegiada e um dom que poucas cantoras brasileiras têm: o poder de brincar com a própria voz. Os malabarismos que Elza consegue fazer com a voz é fantástico e a ajudou a subir na vida musical, sendo considerada por uma emissora americana nos anos 2000 como a melhor cantora do mundo. Mas aqui no Brasil sua popularidade só é reconhecida por poucas pessoas capazes de diferenciar o certo do errado, o samba do pagode, Paula Fernandes de Inezita Barroso. Elza Soares precisa ter seu lugar de volta no cenário musical, precisa com urgência mostrar sua voz para a nova moçada que está curtindo a música popular brasileira e para deixar claro que seu lugar na MPB será sempre o de destaque.
Do Coccix Até o Pescoço, de 2002: ótimo
Elza voltou aos holofotes em 2002 com o sensacional disco Do Coccix Até o Pescoço, frase retirada da canção Dor de Cotovelo, muito elogiado pela critica e muito bem recebido pelo público. Com ares pop e uma levada mais festeira, Elza deixa claro que sua marca registrada ainda continuava em alta com sua voz de negra louvada pelos deuses e que sua popularidade continuava entre as melhores do mundo. Reuniu os melhores compositores e chamou os melhores músicos para darem a ela toda a receptividade possível. O resultado é espetacular. A faixa título veio de Caetano Veloso, a quem Elza disse em entrevistas na época que seria grata eternamente, mas a música que realmente estourou foi Dura na Queda, de Chico Buarque, que logo mais tarde o mesmo regravaria em seu belo disco Carioca (2006).
O lançamento do álbum Do Cóccix Até O Pescoço garantiu-lhe uma indicação ao Grammy. O disco recebeu críticas estupendas da imprensa da música e o lance impulsionou numerosas e bem-sucedidas turnês pelo mundo.
Chico Buarque também participou afetivamente do disco, gravando com Elza uma música de Cole Porter e que se transformou em sucesso absoluto, desde o clipe da canção até em telenovela: Façamos é uma deliciosa música adaptada por Carlos Rennó e que mereceu destaque no fechamento do disco. Mas Elza soube aproveitar o momento e chamou todos àqueles que estavam fazendo sucesso no momento para angariar seu destino. De Arnaldo Antunes veio Eu Vou Ficar Aqui, uma canção pop, rica em detalhes e notas musicais e de uma levada maravilhosa, que é impossível ficar parado ao ouvi-la. De Carlinhos Brown veio Etnocopop, música que soa estranha, com uma sonoridade nova e com palavras estranhas, mas vindo de Carlinhos tudo é válido. Fadas, um grande sucesso de Luiz Melodia, ganha uma regravação a altura e Bambino, de José Miguel Wisnik é tão perfeita que fica difícil escolher qual a melhor gravação: a de Elza ou a de Ná Ozzetti no disco Estopim (1999).
Músicas de protestos também estão no disco, como o racismo em A Carne, de Seu Jorge e Marcelo Yuka e Haiti, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, que ficou densa e longa no disco. Letícia Sabatella, grande atriz, também deu o ar de sua graça cantando a faixa A Cigarra numa perfeição e delicadeza profundamente emocionantes. Elza soube aproveitar o momento do lançamento deste disco e soube, acima de tudo, ser humilde em reconhecer que os dois grandes responsáveis por sua volta ao mercado fonográfico se deram por conta de dois grandes medalhões da MPB: Caetano Veloso e Chico Buarque.
Em 2004, Elza lançou o álbum Vivo Feliz. Não tão bem-sucedido em vendas quanto suas obras anteriores, o álbum continuou a executar o tema de fazer um mix de samba e bossa com música eletrônica e efeitos modernos. O álbum apresentou colaborações de artistas inovadores como Fred Zero Quatro e Zé Keti.
Em 2007, nos Jogos Pan-americanos do Brasil, Elza interpretou o Hino Nacional Brasileiro, no início da cerimônia de abertura do evento, no Maracanã. E lançou o álbum Beba-me e neste disco Elza gravou as músicas que marcaram sua carreira.
Esse é um dos motivos pelos quais o artigo de hoje do Mais Cultura! homenageia Elza Soares e este disco tão grandioso tanto na carreira dela quanto para amantes da boa música popular brasileira. Um disco que não pode ser esquecido nem comentado como qualquer lançamento anual. É um disco a altura de uma grande cantora, de uma grande mulher, de uma grande dama, de uma grande Elza Soares.

********Oito Estrelas
Marcelo Teixeira.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Bruna Caram: surpresa e emoção na MPB

Pense em uma cantora, uma cantora boa, de nome, renome e qualidade. Pense agora em Bruna Caran, uma cantora com personalidade, originalidade e uma excelente voz. A influência musical de Bruna vem do berço. Sua avó materna, Maria Piedade, era cantora de rádio nos anos 50. Seu avô paterno, Jamil Caram foi guitarrista. Bruna cresceu rodeada de cantores, compositores e instrumentistas de todos os tipos. Ela estudou piano desde os sete anos de idade. Aos nove anos passou a fazer dos Trovadores Mirins e em seguida do Trovadores Urbanos.
O primeiro álbum, lançado em dezembro de 2006 foi chamado Essa Menina. O disco é uma mistura de baladas, blues, pop e bossa nova. As músicas foram compostas por Otávio Toledo e seus parceiros musicais, José Carlos Costa Netto e Juca Novaes e produzidas por Alexandre Fontanetti. O álbum Essa Menina foi lançado recentemente no Japão pela gravadora JVC, com grande sucesso. No Brasil, a faixa-título vem tendo excelente índice de execução nas rádios especializadas em MPB. Nas emissoras japonesas, figura entre as cinquenta canções mais pedidas pelos ouvintes. Fica a dica para os cariocas: a voz de Bruna Caram é deliciosa, vale a pena conhecer. É som de primeira linha!
Feriado Pessoal, lançado em 2009
Seu segundo álbum, Feriado Pessoal também produzido por Alexandre Fontanetti foi lançado em 2009 e a faixa título foi escrita por Bruna. Outras canções foram escritas por Lô Borges Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor, música que Milton Nascimento gravou em seu maravilhoso disco Pietá, Guilherme Arantes, na releitura muito bem caprichada de Cuide-se Bem e Caetano Veloso, Gatas Extraordinárias, cujo a única gravação original vale ser lembrada por Cassia Eller, a quem o compositor e cantor baiano deu de presente a canção. O novo trabalho tem basicamente canções de amor. O cantar é preciso, com as doses exatas de emoção, graça e leveza e os arranjos de cordas de Gatas Extraordinárias e Alquimia, assinados por Anderson Toledo, realçam respectivamente o frescor e a dramaticidade das canções. Produção segura, repertório bem selecionado, interpretações diretas e inteligentes.
Com escolhas acertadas e moldadas com simpático sotaque paulistano, Bruna tem energia no ponto para esse terreno limítrofe. Não chega a ser ousada, mas também não se contenta em servir mais do mesmo. Feriado pessoal é apenas o segundo CD, mas já mostra uma jovem cantora pronta e decidida. Essa menina sabe o que quer e como chegar.

Feriado Pessoal
**********Dez Estrelas
Marcelo Teixeira

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O Beijo Bandido de Ney Matogrosso


Ney Matogrosso é uma metamorfose ou um camaleão, como ele mesmo se auto define ultimamente. Passou por diversas fases, transvestiu-se de diversas maneiras, usou varias maquiagens, brincou com o imaginário das pessoas, cantou as mais diversas canções, interpretou a ele mesmo, cantou Cartola, Chico Buarque, rebolou ao lado de Elza Soares, lançou discos importantes na MPB, caiu no ostracismo por um tempo, voltou radiante e com discos ainda mais dinâmicos, maravilhosos, unilaterais, perfeitos, rítmicos, habilidosos e com muita garra, personalidade e originalidade. Ney Matogrosso voltou ao cenário musical com o belo disco Olhos de Farol (1996) e o que parecia incrível ainda estava por vir: o sensacional disco Ney Matogrosso Ao Vivo (1999), aonde o cantor exprime em 20 faixas todo o seu cancioneiro, dando lugar aos novatos compositores da MPB ao lado de músicas antigas, sucessos já consagrados. Em seguida, Ney nos prestigia com Vagabundo (2004) e eleva sua popularidade com o grupo Pedro Luís e A Parede. Ney volta à vertente musical ainda mais abrilhantado pelo sucesso e o que os críticos menos acreditavam era o poder de superação de Ney: o disco foi elogiado o melhor do ano de 2004, ganhando diversos prêmios e um Ney tímido, retraído e miúdo ganhando ainda mais destaque.
Logo em seguida, Ney brinca com as sonoridades e o pop moderno em Inclassificáveis (2007), um disco bom, divertido, com músicas de compositores novos e talentosos, que vai desde Arnaldo Antunes a Pedro Luís, Marcelo Camelo, Jorge Drexler e regravações de Cazuza, Chico Buarque e Caetano Veloso. Um disco morno, mas que não é de todo ruim, tendo em vista que as músicas são de um alto astral incomparável. Mesmo assim, a luminosidade de Ney Matogrosso estava em alta e ele voltou aos holofotes e aos palcos como um artista capaz de demonstrar seu talento através da dança e nas vestimentas dos tempos de Secos e Molhados.
Mas é com Beijo Bandido Ao Vivo (2010 / EMI / 34,99) que Ney nos surpreende mais uma vez. Mesmo com músicas já batidas, surradas e cantadas por outros cantores à exaustão, o timbre e a musicalidade de Ney não impedem que tais canções sejam regravadas e cantadas numa forma diferente. Ney envolve tanto com este disco, que fica impossível dizer qual faixa é a melhor. Bela interpretação, bela voz, excelente repertório e um figurino impecável, Ney nos deleita com 14 faixas trilhando o caminho do passado, do presente e já pensando num futuro próximo para seu outro trabalho.
Beijo Bandido Ao Vivo, de 2010
Beijo Bandido nos enfeitiça a tal ponto de não abandonarmos o disco. Músicas como Tango pra Tereza, De Cigarro em Cigarro e Segredo, que são do século passado e muito batidas para o dia de hoje, viraram peças fundamentais para o disco, porque Ney sabe interpretar as palavras no seu momento e na sua condição. Bicho de Sete Cabeças II é tão envolvente e cativante que mais parece que o cantor vai nos engolfar a qualquer momento, tamanha a sombriedade musical que nela existe, assim como Incinero, que é uma música rápida, nova na discografia do artista e muito prazerosa de ouvir.
Regravando duas faixas bônus para o disco e que foram temas de duas novelas ao mesmo tempo, Ney não se mostra cansativo quando canta a música Fala, dos tempos de Secos e Molhados nos shows e programas de TV. A Distância, de Roberto e Erasmo Carlos, ficou tão emocionante que mais parece uma prece, uma louvação, assim como Nada Por Mim, de Paula Toller e Herbert Vianna, que mais parece um mantra.
Seja como for, Ney Matogrosso, no auge de seus 70 anos, ainda canta, encanta, vibra, cativa, emociona e se expõe da melhor maneira possível sendo um líder de frente da MPB. E enquanto muitos cantores sessentões ou setentões estão pensando na sua aposentadoria, Ney Matogrosso pensa em apenas uma coisa: cantar.

********Oito Estrelas
Marcelo Teixeira

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Adeus, Wando!


Wanderley Alves dos Reis, mais conhecido por Wando (Cajuri, 2 de outubro de 1945 - Nova Lima, 8 de fevereiro de 2012) foi um cantor brega-romântico brasileiro dos mais populares que estavam em atividade ainda nos dias de hoje (restando agora, talvez, Reginaldo Rossi).
O apelido Wando foi dado por sua avó. Ainda pequeno mudou-se de Cajuri para Juiz de Fora, onde formou-se em violão erudito e começou a lidar com música por volta dos 20 anos. Nessa época já participava de conjuntos e se apresentava em bailes na região. Mais tarde muda-se para Volta Redonda (RJ), onde trabalhou como caminhoneiro e feirante.
Sua carreira de cantor iniciou-se em 1969 e o sucesso veio em 1973. Compôs para outros medalhões da MPB, como Jair Rodrigues, que no ano de 1974 gravou O Importante é Ser Fevereiro. Já a música A Menina e o Poeta foi gravada por Roberto Carlos em seu álbum de 1976. Moça (1975), Chora Coração (1985), que fez parte da trilha sonora da telenovela Roque Santeiro, e, principalmente, Fogo e Paixão, lançado no álbum O Mundo Romântico de Wando, de 1988, foram seu maiores sucessos.
Em 27 de janeiro de 2012, Wando foi internado na CTI de um hospital em Belo Horizonte com problemas cardíacos graves. Ele passou por uma angioplastia de emergência e passou a respirar por aparelhos. Sua morte, por parada cardiorrespiratória, foi anunciada às 8 horas da manhã de hoje, 8 de fevereiro de 2012 no Biocor Instituto em Nova Lima, Minas Gerais.
Hoje o Mais Cultura! presta uma homenagem ao cantor Wando, cantor este que esteve presente em toda a minha infância e adolescência, cantor este que soube respeitar o próximo com suas palavras e canções e cantor este que soube fazer da música brega nacional um hino a luta contra o preconceito musical.
Até logo, Wando!

Marcelo Teixeira

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Paulo Sérgio, uma voz na música romântica brega dos anos 1970

Não fosse sua morte prematura, aos trinta e seis anos, em decorrência de um derrame cerebral, Paulo Sérgio certamente seria lembrado como um dos maiores nomes da música romântica nacional. O cantor e compositor capixaba iniciou sua carreira em 1968, no Rio de Janeiro, lançando um compacto com o sucesso Última Canção. O disco obteve sucesso imediato e vendeu 60 mil cópias em apenas três semanas, transformando seu intérprete num fenômeno de vendas. A despeito da curta carreira, Paulo Sérgio lançou treze discos e algumas coletâneas, obtendo uma vendagem superior a oito milhões de cópias.
Primeiro filho do alfaiate Carlos Beath de Macedo e de Hilda Paula de Macedo, Paulo Sérgio, se não tivesse manifestado desde cedo o intento de tornar-se músico profissional, talvez teria se realizado como alfaiate, haja vista que aos dez anos frequentava a alfaiataria do pai, aprendendo os primeiros segredos da agulha e da tesoura. Porém, a veia artística já se desenhava cedo. Aos seis anos de idade, quando em sua cidade natal Alegre-ES, apareceram as caravanas de artistas de emissoras de rádio do Rio de Janeiro, Paulo Sérgio participou, ao fim do espetáculo, de um mini-concurso de calouros. Foi escolhido o melhor dentre vários concorrentes, passando a ser requisitado como atração especial em todas as festinhas da pequena Alegre.
Ao chegar ao Rio de Janeiro, para onde a família se mudara em meados dos anos 50, a trajetória do menino Paulo ganhou uma nova conotação. Estudou no Colégio Pedro II e morava em Brás de Pina, na zona norte carioca, quando terminou o ginásio. Aos 15 anos, foi trabalhar em uma loja no bairro de Bonsucesso. Coincidência ou não, era uma loja de discos e eletrodomésticos, chamada “Casas Rei da Voz”. Como tocava bem violão, logo os amigos o incentivaram e Paulo Sérgio começou a mostrar suas composições.
Os anos 60 sacudiam a juventude e Paulo Sérgio fez seu batismo no programa Hoje é Dia de Rock, comandado por Jair de Taumaturgo, o mais badalado entre os jovens do Rio. Posteriormente, passaria ainda por muitos outros programas de calouros, como o Clube do Rock, do saudoso Rossini Pinto, onde muitos outros ídolos que iriam formar o pessoal da Jovem Guarda se apresentaram. Em 1966, no filme Na Onda do Iê-iê-iê, Paulo Sérgio aparece como calouro do Chacrinha, cantando a canção Sentimental Demais de Altemar Dutra.
Paulo Sergio e Roberto Carlos, inimigos?
Em 1967, uma nova e grande oportunidade de Paulo Sérgio surgiu, quando um amigo seu foi convidado para realizar testes na gravadora Caravelle, do empresário Renato Gaetani. Paulo, então, prontificou-se a acompanhar o amigo ao violão, que infelizmente não teve sorte. Porém, durante o teste, descobriram que Paulo Sérgio também cantava e, já que estava ali, manifestaram interesse em ouvir algumas de suas composições.
Um contrato foi prontamente assinado e dentro de poucos dias Paulo Sérgio gravou um compacto simples, que continha as músicas Benzinho e Lagartinha. Entretanto, a sua afirmação definitiva deu-se com o lançamento, em 1968, do primeiro disco, denominado Paulo Sérgio - Volume 01, que, alavancado pelo grande sucesso Última Canção, vendeu mais de 300.000 cópias. Paralelo ao sucesso meteórico de Paulo Sérgio, surgiu a acusação de que o mesmo era um imitador do cantor Roberto Carlos, então ídolo inconteste da juventude, dada a semelhança do seu timbre vocal. Como contrapartida, naquele mesmo ano Roberto Carlos lançaria o álbum O Inimitável.
Do sucesso inicial advieram propostas para que Paulo Sérgio ingressasse numa grande gravadora. Em 1972, este assinaria um vultoso contrato com a Copacabana, o qual, em razão das cifras envolvidas, foi considerado o maior acontecimento artístico daquele ano. Pelo selo Beverly, Paulo Sérgio lançaria ao todo oito álbuns.
No dia 4 de março de 1972, Paulo Sérgio contraiu matrimônio com Raquel Teles Eugênio de Macedo, a qual conhecera casual e sugestivamente num pequeno acidente de trânsito. O casamento aconteceu secretamente, numa cerimônia simples, em Castilho, pequena cidade do interior de São Paulo. Em 23 de maio de 1974, nascia Rodrigo, que mais tarde usaria artisticamente o cognome de Paulo Sérgio Jr. Além de Rodrigo, Paulo Sérgio tivera ainda duas filhas, Paula Mara e Jaqueline Lira, fruto de relacionamentos anteriores.
No dia 27 de julho de 1980, um domingo, Paulo Sérgio fez sua última apresentação na TV. Esta ocorreu no programa do apresentador Édson Cury (o Bolinha), da Rede Bandeirantes de Televisão, onde cantou duas músicas do seu último trabalho fonográfico: O Que Mais Você Quer de Mim e Coroação. Logo após apresentar-se no Programa do Bolinha, nos arredores do teatro onde aquele programa era veiculado, na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio (São Paulo-SP), Paulo Sérgio envolveu-se num incidente que talvez tenha provocado sua morte.
Ele saiu do auditório para pegar seu carro, estacionado próximo à Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Várias fãs o cercaram. Queriam beijos, autógrafos, carinhos, fotografias. Uma delas, agressivamente, começou a comentar fatos relacionados à vida íntima do cantor e sua mulher, Raquel Telles Eugênio de Macedo.
Para evitar encrencas os amigos trataram de afastar Paulo dela, enquanto a moça garantia que ainda tinha muito a dizer. Já nervoso, Paulo Sérgio deu a partida em seu carro, mas, quando manobrou o veículo, foi atingido por uma pedrada no para-brisa. Fora de si, ele desceu do automóvel e partiu em perseguição à moça. Esta se refugiou no interior de um edifício, para onde o zelador não permitiu que Paulo a seguisse. Furioso, Paulo avaliou os danos causados a seu veículo e aguardou vários minutos, na calçada, que a garota voltasse à rua.
Seus acompanhantes procuraram acalmá-lo. Ele ainda teria de cumprir três apresentações, antes que o domingo terminasse. Finalmente, o convenceram a esquecer o incidente e sair dali. Rumaram para uma pizzaria em Moema. Paulo tentou fazer um lanche, mas não conseguiu comer direito. Tinha muita dor de cabeça e nenhum apetite.
A primeira apresentação foi no Grajaú. Quando terminou de cantar, Paulo chamou seu secretário, pedindo a ele que encontrasse uma farmácia e providenciasse comprimidos para sua dor de cabeça, que estava cada vez mais violenta. Ingeriu dois de uma só vez e partiu para Itapecerica da Serra. Mas lá só conseguiu cantar quatro músicas. A sua cabeça latejava dolorosa e implacavelmente e a sua visão estava começando a ficar turva. Ele cambaleou até o camarim. Logo depois, os amigos o encontraram alternando-se entre gemidos e gritos de dor e tendo tremores por todo o corpo. Foi levado até o carro e transportado para o Hospital Piratininga. De lá, o enviaram para o Hospital São Paulo. Quando chegou ao mesmo, já estava em coma. O diagnóstico foi rápido e assustador: Paulo Sérgio tivera um derrame cerebral.
Após as primeiras providências clínicas, Paulo Sérgio foi internado na Unidade de Terapia Intensiva. Teve início assim uma desesperada batalha pela sua sobrevivência. Amigos e parentes foram alertados. Apesar de preocupados, todos, tanto familiares como fãs e equipe médica, estavam confiantes até aquele momento. Afinal, ele era um homem forte, sadio… e com apenas 36 anos. Com esse perfil, todos acreditavam que não havia motivo para que se duvidasse de sua recuperação.
No entanto, mesmo com a equipe médica fazendo tudo que foi possível, seu esforço de nada adiantou. Na manhã de segunda-feira, 28 de julho, os corredores do hospital já estavam repletos de pessoas que queriam ver e saber alguma notícia sobre o estado de Paulo Sérgio. O otimismo já cedia lugar a um certo desespero. Afora os familiares, ninguém mais naquele momento tinha autorização para entrar na UTI, onde ele se encontrava.
As reações de Paulo Sérgio continuavam desfavoráveis. O Dr. Pimenta, chefe da equipe que incansavelmente tentava reabilitar o cantor, após exames minuciosos, revelou aos familiares de Paulo que suas possibilidades de sobrevivência já eram mínimas, quase nulas. Mesmo assim, a luta prosseguia. No hospital, a vigília permanência continua. Mais uma noite e o estado de saúde de Paulo Sérgio, ao invés de melhorar, se agravou. Às 14 horas e trinta minutos de terça-feira, 29 de julho, já não havia a menor possibilidade de melhora. O cantor Paulo Sérgio estava praticamente sem vida, apenas os aparelhos mantinham sua respiração e seus batimentos cardíacos. Às vinte horas e trinta minutos, foi anunciado o fim de sua longa e dolorosa agonia. Apesar de todo o esforço feito para salvá-lo, Paulo Sérgio estava morto.
Durante a madrugada e a manhã seguinte o corpo do cantor ficou exposto para visitação no velório do Cemitério de Vila Mariana, em São Paulo. Atendendo ao pedido dos pais de Paulo Sérgio, o seu corpo foi sepultado no Rio de Janeiro. Na capital carioca, o velório ocorreu no Cemitério do Caju. Entre os cantores que prestaram suas últimas homenagens, estavam o amigo Antônio Marcos, Jerry Adriani, Agnaldo Timóteo e Zé Rodrix. Às 16 horas do dia 30 de julho (quarta-feira), o seu corpo baixou à sepultura ao som de seu maior sucesso, Última Canção.
Para fazer justiça, acrescento o crédito para o compositor de Última Canção, que é Carlos Roberto Nascimento, que compôs a maioria dos sucessos gravados por Paulo Sérgio.

Rua Paulo Sérgio de Macedo
Por indicação do então vereador Almir Guimarães, da Câmara Municipal de São Paulo, uma rua do bairro do Butantã chama-se Paulo Sérgio de Macedo. Em sua indicação, que ocorreu no dia 13 de agosto de 1980, o vereador justificou a homenagem ao grande cantor. Já no dia 15 de outubro, no Diário Oficial do Município, era designada a rua que leva o nome de Paulo Sérgio, decreto assinado no dia anterior pelo então prefeito Reynaldo de Barros. Foram poucos os cantores brasileiros que em 13 anos de carreira conseguiram formar uma discografia tão variada e tão cheia de sucessos. Os discos de Paulo Sérgio, originalmente lançados sob o formato long play, já foram quase todos remasterizados e distribuídos no formato compact disc.
Paulo Sérgio de Macedo, mais conhecido como Paulo Sérgio (Alegre, ES, 10 de março de 1944 – São Paulo, 29 de julho de 1980), foi um cantor e compositor brasileiro de estrondoso sucesso, pouco falado nos dias hoje por mentes insolentes, insanas e incapazes.

Marcelo Teixeira.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Fernanda Porto antes e depois de Giramundo

Sambassim, 2002, o primeiro sucesso
Quando Fernanda Porto surgiu na MPB, fiquei na dúvida se seria ou não uma grande cantora para estar naquele posto, no posto mais alto ou muito próximo do mirante para ser considerada uma grande estrela. Seu primeiro disco, Sambassim (2002, Trama, 22,00) é um bom disco, mas peca pela repetição de frases em várias músicas e pelo eletrônico que a cantora fez questão de abordar em praticamente todo o disco. Mas se levarmos em conta a canção Só tinha que ser com você, podemos pensar que Fernanda é sim uma grande cantora, exceto pelas suas excentricidades eletrônicas que são berrantes e cansativas às vezes. Regravar um grande compositor e uma música que já fora sucesso na voz de Elis Regina para o antológico disco Elis e Tom (1974) não é tarefa das mais fáceis e fazer deste sucesso outro grande sucesso em pleno século vinte e um é ainda mais arriscado para uma artista que está chegando ao mercado fonográfico.
Mas Fernanda Porto apostou e conseguiu emplacar não apenas um, mas diversos sucessos com seu primeiro belo, harmonioso e charmoso disco. Não a classifico apenas como uma cantora de MPB, que tentou salvar a música popular brasileira, mas como uma cantora, acima de qualquer suspeita, de eletrônica. Seja qual for o caminho que Fernanda tenha escolhido, o fato é que após o charme do primeiro disco e o encantamento pelo segundo, a cantora tenha se perdido em seu próprio mundo, ficando a espreita do ostracismo e da negatividade que o sucesso a consagrou.
Lançando em seguida Giramundo (2004, Trama, 32,00), Fernanda deixou Tom Jobim de lado e foi prostrar-se ao lado de outro grande nome da MPB de todos os tempos: Chico Buarque de Hollanda. O cantor fez uma participação em sua própria canção, Roda Viva, gravada nos anos 60 como música de protesto e que ficou ainda mais consagrada na voz de Maria Bethânia. Giramundo é um disco que classifico menos eletrônico e mais pop de Fernanda, mas ainda assim é um disco voltado para a MPB. As escolhas das canções foram importantes para o consagramento de Fernanda e ter ao seu lado Arnaldo Antunes, Lina de Albuquerque e Martha Medeiros foi a principal harmonia do disco, pois praticamente os três conseguiram tirar proveito de um bom disco, com boas canções e boa sonoridade.
Giramundo, 2004, um bom disco
Em ambos os discos, Sambassim e Giramundo, Fernanda canta bem e consegue captar a sutileza que a música popular brasileira necessitava para o momento. A falta de uma cantora no início do século vinte e um era notória e o estreitamento do pagode e da música brega sertaneja estavam em baixa, deixando espaço livre para novos sons e foi justamente neste ínterim que surge Fernanda Porto, com sua nova sonoridade e seu novo encantamento. Lançou dois discos importantes, gravou seu nome como uma cantora de eletrônica e MPB e não deixou de ser pop por isso.
Mas o que aconteceu com Fernanda após o lançamento de dois grandes discos, para ter que lançar remixes? Bebel Gilberto fez isso uma vez e o resultado foi péssimo. Assim como estragaram com algumas músicas de Elis Regina ao abordar o eletrônico e remixe, Fernanda Porto deixou por um tempo seus sons para angariar outros, se perdendo no fio condutor de uma jornada de sucesso, para cair no marasmo do esquecimento, pois não foi tão bem aceito assim no mercado. Recentemente Gal Costa lançou um disco charmoso de MPB mais voltado à eletrônica (não remixado) e o resultado foi gratificante, novo, divertido e curioso. Mas o que Fernanda Porto fez após lançar Giramundo foi apenas se perder, não encontrar seu caminho e tendo ao seu lado Dj’s que apenas estragaram seu brilhante sucesso.
Lançou discos tão ímpares, díspares e unilaterais que fica impossível dizer que Fernanda lançou antes dois bons discos. Esqueceu de vez a paixão por Chico Buarque e Tom Jobim e enveredou por um caminho próprio (o que não é de todo mal), mas ainda assim, a falta de direcionamento a fez ficar caduca, arcaica e sem noção de espaço. Infelizmente, Fernanda Porto produziu após Giramundo discos tão aquém de sua originalidade, tão fora de um lugar comum de sua personalidade e tão singular que fica difícil lembrarmo-nos de alguma canção realmente merecedora de aplauso nos dias de hoje.
Mesmo assim, Fernanda nos brindou com dois discos importantes para a coleção de qualquer amante da música popular brasileira. E esperemos que um dia ela possa nos servir de bandeja mais uma vez um bom disco, jorrando em nossos ouvidos um bom som e uma boa partitura.
Como eu disse: esperemos.

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Por onde anda Vanessa Rangel?


Por onde anda a cantora carioca Vanessa Rangel? Existem cantores que aparecem de repente, passam por todos os programas de TV, emplacam um sucesso, muitas vezes por estar em alguma novela e somem da mesma foram que apareceram: do nada. Quem não se lembra de Palpite, um mega sucesso da cantora? Foi um acontecimento estrondoso. Palpite, a música de trabalho da novata Vanessa Rangel, foi tema do casal formado por Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis, na novela Por Amor, de 1997. Ela é tão única na carreira de Vanessa, que foi parar na trilha da novela global mesmo antes da cantora gravar o primeiro disco! Todas as outras faixas do álbum são desconhecidas do grande público. Aliás, você conhece outra música de Vanessa Rangel?
Depois disso a advogada, formada na Universidade Federal Fluminense, não fez mais nenhum hit. O fim da novela foi o começo da queda de Vanessa Rangel, que ainda resistiu e gravou o seu segundo e último disco em 2000: Mediterrâneo.
Cantora, compositora, instrumentista e violonista, aos nove anos de idade começou a tocar violão. Formou-se em Direito pela Universidade Federal Fluminense e chegou a trabalhar na Segunda Instância da Justiça Federal, mas abandonou a carreira de advogada para dedicar-se à música. Anos mais tarde, retornou à carreira de servidora pública federal.
O primeiro disco, um grande sucesso
Iniciou sua carreira artística em 1995, apresentando-se em espaços culturais cariocas. No ano seguinte, gravou uma fita demo produzida por Ary Sperling. No final de 1997, gravou o CD Vanessa Rangel, lançado no ano seguinte. Com dez músicas de sua autoria, o destaque era a canção Palpite, além da regravação de Acontece (Cartola). O disco contou com a participação de Ary Sperling (produção musical, piano, programação de teclados e violão), Rogério Meanda e Sérgio Chiavazzoli (guitarra) e Fernando Nunes (baixo), além de Kika Tristão, Aline Cabral e Xico Puppo nos vocais. Palpite foi regravada pelo grupo Terra Samba, um grupinho de axé tão atemporal que já afundou também.
Participou do CD 14 Bis, interpretando, com Lô Borges, a faixa Sonhando o Futuro (Lô Borges e Cláudio Venturini).
Em 2000, lançou seu segundo disco, Mediterrâneo, que contou com a participação de Fernando Nunes e Décio Crispim (baixo), Sidinho Moreira (percussão), Cesinha (bateria), Rogério Meanda (guitarra) e Ary Sperling (produção musical, arranjos, regência, teclados e violão de aço), além de Aline Cabral, Jurema de Cândia e Xico Pupo (vocais). No repertório, canções de sua autoria, com destaque para Do Avesso (incluída na trilha sonora da telenovela Vila Madalena, da Rede Globo), Por Toda a Vida Agora e a faixa-título, entre outras, além de Paisagem na Janela (Lô Borges e Fernando Brant). Ainda no ano 2000, sua canção Palpite foi selecionada como uma das músicas dos anos 90 na coletânea As Cem Melhores do Século e As 14 Mais, organizada por Ricardo Cravo Albin dentro do acervo fonográfico da gravadora EMI/Odeon.
Infelizmente, uma cantora do calibre de Vanessa Rangel acabou se perdendo no fio condutor de uma carreira brilhante que poderia tentar salvar a música popular brasileira, mas vale ressaltar que no início dos anos 2000 o pagode ainda continuava em alta, tentando derrubar a cada segundo toda uma geração de músicos conceituados e prestigiosos, deixando assim caminho fechado para Vanessa.
Vanessa saiu de cena, mas sua música é única e seus dois discos são perfeitos. Alguém ainda tem algum palpite?

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ana Cañas - uma grata surpresa na MPB

Quando Ana Cañas surgiu com o maravilhoso disco Amor e Caos (2008, Sony / BMG, 24,99) eu pensei: a música popular brasileira está realmente salva das agruras de pagodeiros e sertanistas. Ana encantou logo de cara, foi muito elogiada por seu crivo musical, muito pautada como jazzista e muito bem vinda na nova música popular. Timbre perfeito, repertorio invejável e um disco a sua altura, Ana provou que para se fazer um belo disco, não era necessário servir ao sistema como um cristão serve o seu dízimo.
Disco simples, músicas calibradas e bem arranjadas, Amor e Caos não demorou muito para entrar na minha lista de discos considerados excelentes. A começar pela música que abre o CD, Mandinga Não e pela sofisticação de seu retrato autobiográfico em A Ana, uma música cheia de auto definições e paradigmas de uma Ana temperamental, mas alegre. Homenagem à Clarice Lispector e Marisa Monte na canção Para Todas as Coisas, que mais se parece com a música Diariamente, que Marisa Monte gravou no disco Mais (1997) e uma bela homenagem a Caetano Veloso na faixa Coração Vagabundo, uma linda interpretação para uma música antiga e batida do cancioneiro do cantor. O tom jazzístico vem nas faixas Devolve, Moço e Super Mulher, que de tão harmoniosas, o disco já valeria a pena se estivesse só estas duas canções.
Amor e Caos, o primeiro disco
Logo em seguida veio Hein?, (2009, Sony Music, 19,99) um disco mais pop, mais moderninho e mais voltado à música eletrônica, que perde sua naturalidade com relação ao primeiro disco e a pergunta que ficou no ar foi: o que deu em Ana Cañas para fazer esse disco? O álbum não é ruim, pelo contrário, mas é o inverso do primeiro, que tinha um apelo menos popular, mais MPB, embora jazzístico e mais moderno que o primeiro. Para tanto, invés de Naná Vasconcelos do primeiro disco, veio Arnaldo Antunes no segundo e o resultado foi puro pop moderninho. Arnaldo Antunes não é de todo ruim, não é um artista maldito e muito menos um compositor qualquer. Ao sair dos Titãs, vestiu a própria roupa e se mostrou fiel àquilo que sempre quis demonstrar ao público, deixando claro que seu estilo era atemporal a banda. Ele coloca brilho e luminosidade por onde passa e algumas canções ficaram boas na voz suave de Ana. Porém, o pop popular de uma forma generalizada, não é o perfil de Ana. O jazz sim.
Músicas como Na Multidão, Sempre Com Você e Gira são tão popularescas e estranhas que me pergunto qual cantora poderia regravá-las. Em contrapartida, canções como Na Medida do Impossível, Problema Tudo Bem e A Menina e o Cachorro dão uma sonoridade perfeita e nítida a ouvidos solenes de boa música.
Ambos os discos são bons. Ana apostou na voz, nos timbres, na sua competência e nos brindou com um disco tão arrebatador, tão conquistador, tão maravilhoso, que fica impossível voltarmos ao primeiro como pensamento de inicio de tudo. Hein? é um delicioso disco e Ana Cañas se firma definitivamente como uma cantora de verdade.
Hein?, segundo disco
Mas ouvir Ana Cañas não é simplório. Ela não é tida como uma pessoa simpática, mas isso é o de menos para sua musicalidade. Recentemente fez um show em homenagem ao aniversário de São Paulo e cantou ao lado de Tiê e Mariana Aydar, para deleite do grande público. Ana Cañas é, acima de tudo, uma musicista capaz de nos envolver em seus mistérios. Ela canta com emoção, determinação e ouvir Ana Cañas é uma das oitavas maravilhas do mundo, porque seu timbre de voz é tão marcante, tão vibrante, que fica difícil nos desfazermos dele.
O equilíbrio de sua naturalidade é tão cativante que nos faz perceber o quão necessária se faz sua presença. Ana Cañas é música. Ana Cañas é qualidade.

Amor e Caos
*******Sete Estrelas
Hein?
********Oito Estrelas
Marcelo Teixeira.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Quem é Fiuk?


Quem é Fiuk? Qual a profissão de Fiuk? O que ele acrescenta na cultura brasileira? Fizeram esta pergunta dias atrás para que eu pudesse responder e eis que tenho a resposta: não sei e não conheço. Mas sei que ele é filho de Fabio Junior, o cantor romântico que fizera muito sucesso no passado, mais conhecido hoje em dia por ser pai de Cléo Pires e por ter seu casamento sempre entre altos e baixos. Mas Fiuk, filho rebelde e temperamental de Fabio, se mostra intrépido, intrometido e arrogante sempre que necessário. Seu estilo é um disparate contra a moralidade pública e sem um pingo de sociabilidade. Fiuk deveria e deve ser jogado de um mirante do mais alto possível para dentro do mar mais distante imaginável.
Qual o grande sucesso do moço? Qual o grande disco do cantor? Qual o grande feitio que esse rapaz pode nos apresentar? Nenhuma! Seu disco é tão atemporal quanto sua carreira e sua vida musical é tão nula, tão imbecil, tão atemporal quanto sua interpretação. Se eu tivesse poder de magia, mandaria Fiuk para a Índia, porque lá os animais de quatro patas têm mais respeito que aqui. Fiuk não canta e nem encanta, muito pelo contrario: ele surgiu para ser tachado como o filho do pai e irmão da atriz. Mas não como cantor. E para falar a verdade, não sei qual seu talento, qual seu destino e qual sua originalidade, pois ele não tem nada que possa ser concretizado como um verdadeiro cantor, um ator ou qualquer coisa que o valha para seu talento profissional.
Um imbecil nato, mas adorado pela mídia, Fiuk não merece espaço algum na música brasileira. E peço, encarecidamente, que apedrejemos o rapaz, com pedras certeiras em sua boca para que nunca mais possa cantar aquelas baboseiras pueris e sem graça. Que seus discos encalhem, que sua voz fique rouca, que não tenha um mínimo de criatividade para compor. Tive acesso a uma biografia do rapaz e o motivo deste artigo é único: saber quem é Fiuk. Esmiuçar sua vidinha musical. Retalhar sua onda de furor entre as adolescentes. E posso constatar: Fiuk é uma merda! Um grande idiota capaz de nos fazer tapar os ouvidos, vomitarmos em sua capa de CD e gorfar em suas canções. O moço não canta nada, nada, nada! E não entendo a mídia que sempre o idolatra, que sempre o quer em programas de televisão e que está nas colunas sociais como se fosse um gênio das artes.
Temos que boicotar esse tal Fiuk, com esses chapéus horrendos e esse trejeito de palhaço moderninho. Fiuk é o lixo que consumimos. É a estrutura de um prédio que desmorona terra abaixo e cai bem em cima de nossas cabeças. É o ser humano que Deus criou para atormentar mentes brilhantes.
Para quem não tinha uma ideia de quem era Fiuk, até que meu artigo saiu-se bem hoje.
E para quem quer ter a oportunidade de conhecer o trabalho do moço, posso logo adiantando: Fiuk não é nada. É apenas um lixo!

Marcelo Teixeira.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A nova rebeldia de Rita Lee

A confusão gerada entre a cantora Rita Lee e os policiais em um show no Nordeste este final de semana rendeu muitos holofotes, muita conversa e muita briga para ambos os lados. Após anunciar que aquele seria o último show de sua carreira, a cantora tentou interceder o trabalho da polícia, que estava transitando entre os presentes no evento. Rita parou o show e num misto de revolta e ironia, perguntou o que os policiais estavam procurando por ali. Com o show parado, a cantora, detentora de inúmeros sucessos antológicos e clássicos da MPB e do rock nacional, perguntou se os policiais estavam procurando “baseado” e “alegria”. O público presente vaiou a atitude da polícia e vibrou com a postura ofensiva da roqueira, que logo em seguida voltou ao show normal. Ao final, Rita foi levada diretamente para a delegacia, prestou depoimento, mas será processada pela corporação por desacato.
Rita Lee insultou os policiais, chamando-os cachorros e cavalos, quando as autoridades estavam revistando os espectadores do concerto, organizado pelo governo local. A cantora afirmou ter visto membros de seu fã clube, que viajam com ela pelo Brasil, sendo agredidos pelos policiais. Ao avistar policiais na plateia, declarou que não os queria em sua apresentação. “Vocês são legais, vão lá fumar um baseadinho.”
Rita Lee sempre foi a favor da legalização da maconha e ela mesma já provara diversas drogas, como já disse em várias entrevistas. E a mesma Rita Lee que é detentora de inúmeros sucessos antológicos, é também a rainha dos escândalos. Claro que para sua derradeira dos palcos e holofotes, ela teria que dar um showzinho extra para entrar definitivamente para o mundo das artistas encrenqueiras e que, devido a idade já avançada, poder ter o direito de dizer o que quer e na hora que quer.
Quem não se lembra do momento em que ela, juntamente com o vovô do rock, Lulu Santos, usaram de sarcasmo para criar o tal bairrismo entre São Paulo e Rio de Janeiro? Rita Lee também participou do disco de apenas duas faixas do cantor Chico Cesar, defendendo os animais que participam de rodeios cantando uma música que ofendia os nordestinos, os que não suportam a música brega e, acima de tudo, o sertanejo. Em seguida, Rita Lee lançou o disco Amor e Sexo e na faixa As Mina de Sampa, mais uma polêmica ao afirmar que a praia de paulista era o Parque do Ibirapuera.
Neste caso não poderia ser diferente. Rita causou mais uma polêmica mundo afora e desta vez com toda a razão. É intolerável a presença de policiais militares em rondas e vigílias em pleno evento musical, tirando a alegria das pessoas ali presentes e tirando, acima de tudo, o poder de ir e vir dessas mesmas pessoas. Já critiquei muito a presença da polícia militar em jornais e revistas e até mesmo em meu romance Entre Parvos e Alarves e Outros Getúlios e para dizer a verdade, o que a cantora Rita Lee fez não foi apenas servir de exemplo à sociedade como cidadã que paga seus impostos e que quer fazer com as pessoas se sintam bem ouvindo suas canções. Rita fez, acima de tudo, uma prestação de serviço, deixando claro que quem frequenta shows fuma baseado, bebe cerveja e outras porcarias mais.
Por que esses mesmos policiais não frequentam estádios de futebol? Não entram em favelas perigosas? A mesma polícia que entra nos shows sem a permissão daquelas pessoas, é a mesma polícia que matou o dentista negro Flavio Santana, que tirou a vida de inocentes e que não deixa o lazer de ninguém em paz. A mesma polícia que ali estava atrapalhando a festa e descontração das pessoas é a mesma polícia que finge que vê o ladrão e prende o trabalhador. É a mesma polícia que vai até o baile funk e deixa o traficante subir e descer na hora que quer.
Não tiraremos o prestígio das palavras de Rita Lee. Não ficaremos de luto por suas belas frases. Rita acertou ao direcionar sua metralhadora ambulante diretamente na cabeça daqueles homens fardados e em seguida vomitar suas músicas com alto teor de rock in roll nas veias. A sensação de prazer em ouvir aquelas frases proferidas por uma senhora foi única e plausível de merecimentos.
Parabéns, Rita.