A filha do caipira Zezé de Camargo, chamada, até onde sabemos, de Wanessa (quem sabe ela não tenha um nome tão esdruxulo quanto o do pai?), se perdeu no fio condutor de sua vidinha de cantora e ficou a mercê de uma vidinha longe dos holofotes depois que virou mãe. Isso é, de fato, uma notícia pra lá de maravilhosa, afinal, não ter que ouvir Wanessa Camargo é a oitava maravilha do mundo. Não suporto essa cantora. Ela canta mal, se veste mal e agora deu pra dançar igual a essas cantoras americanas que fazem a cabeça dos adolescentes pelo mundo afora. Wanessa é o que há de pior na música popular e sua singularidade é tão horripilante, tão anormal, tão atemporal que chega a nos dar urticarias. Ela canta mal. Ela é péssima. Ela é vulgarmente um insetinho que precisa de seu veneno para poder se mostrar hábil, poderosa e decente.
Wanessa Camargo veio ao mundo por dois motivos: para ser rival direta de Sandy, cantora que já teve seu artigo aqui no Mais Cultura! e para irritar ouvidos solenes iguais ao meu com sua voz, sua dança, seus trejeitos e sua chatice. Wanessa fez muito sucesso no passado, cantou e deixou adolescentes felizes com suas performances e dancinhas de palhacinha animada de festa. Sua caipirice herdou do pai. Para tanto, Wanessa Camargo precisava de novos horizontes quando percebeu que a menina estava se tornando mulher e que suas musiquinhas de escola não estavam mais fazendo efeito. A partir de um determinado momento, Wanessa Camargo partiu para uma nova linha de conduta musical, deixando de vez a porção criança mimada para se transformar na mulher madura, mas artificial, oca, sem superfície.
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| Depois de Paula Fernandes, a pior cantora |
Recentemente vi uma apresentação dantesca de Wanessa Camargo na televisão e fiquei horrorizado: ela dançava igualmente a Britney Spears. Virava o rosto igualmente Jenifer Lopez. Gesticulava com as mãos igualmente Adele. Fechava os olhos igualmente Mariah Carey. Uma mistura de cantoras estrangeiras, cantoras essas que são consideradas mundo afora as maiores divas do mercado fonográfico e o que não deixa de ser uma verdade. Mas deixar Wanessa ter em sua imaginação ser uma dessas divas é muito banal, inútil, de uma falta de incapacidade cabal e intrépida que só uma mocinha do interior é capaz de copiar.
Eu confesso que não sei qual é a pior espécie de cantora: a Paula Fernandes ou a Wanessa Camargo. As duas, de fato, são um lixo já comercializado pela indústria da música brasileira, as duas são justamente aquilo que fazemos e descartamos na latrina, as duas são meramente fantoches da pior qualidade musical já produzida pelo país. Portanto, existir cantoras desse nível, desse crível e dessa portabilidade é desumano demais, incapaz de sermos louvados ou agraciados por vozes bonitas e com repertórios dignos de sensatez.
Assim como sugeri a Paula Fernandes em um artigo inflamado ir ao Xingu para demonstrar a sua cultura neo caipirence, sugiro que Wanessa Camargo vá para o Alasca mostrar que a cultura brasileira da sua verve é muito significativa e próspera para ouvidos não preparados e sem um pingo de cultura. Que lá no Alasca ela possa ter um sucesso retumbante, desses que jamais ela poderia esperar. E ela nem precisa se preocupar com a volta. O Alasca é logo ali, virando a esquina.
Marcelo Teixeira

