sexta-feira, 23 de março de 2012

O novo disco de Fabiana Cozza: merecedor de aplausos



Novo disco de Fabiana Cozza: merecedor
O samba é seu dom e ela sabe dar o recado perfeitamente quando o tema é música de verdade, de responsabilidade, de qualidade. Fabiana Cozza é o que há de melhor na nossa música popular brasileira e sua representatividade significa que o samba feito por mulheres consagradas por Clara Nunes, Dona Ivone Lara e Alcione não está perdido. O samba tem nome, sobrenome e será muito difícil esquecermos uma interprete chamada Fabiana Cozza. Seu timbre de voz encanta e provoca sensações enérgicas tão equidistantes e sensíveis que é, de fato, uma presença marcante nos palcos e por onde passa. Fabiana veio para ficar em um reduto sambístico com pompas de honra, sendo vangloriada por muitos acadêmicos do segmento e louvada por fãs acalorados por seu gingado.

Com dois outros discos merecedores de aplausos efusivos, O Samba é Meu Dom (2004) e Quando o Céu Clarear (2007), Fabiana Cozza nos apresenta agora seu terceiro disco com a maestria da originalidade e mais um trabalho espetacular. Fica ainda mais difícil dizer que Fabiana é uma cantora passageira. Pudera: seus discos são obras-primas e de uma significância tão maravilhosa que nos deixa a sensação de que faltava algo para salvar o samba. Ou tentar.

Fabiana Cozza (2011 / Agô Produções / 25,90) é um disco delicioso por onde a cantora passeia entre o samba, o pagode, o partido alto, as crenças, os santos e a qualificação de um estilo único. Músicas caprichadas, compositores de primeira grandeza, harmonia e melodia e encantamento caminham de mãos dadas, como se mostrassem a Fabiana que o caminho a seguir era justamente aquele. E Fabiana está cantando melhor neste disco, deixando nítido que sua personalidade está equilibrada. Um disco tão perfeito que fica impossível ficarmos parados. O samba aparece na ponta do pé e a voz de Fabiana embala. E mais um disco destila todos os efeitos de que Fabiana Cozza é uma das melhores interpretes que este Brasil já conheceu.

A participação, assim como aconteceu em seu primeiro disco, de seu pai, Oswaldo dos Santos, emociona pela sensibilidade que a música exige. Pai e filha em um duelo marcante, voz magistral com voz potente num giro de palavras e sentimentos que nos deixam embasbacados e a certeza de que ainda teremos outros encontros como este. Mas o disco é muito mais. Fabiana regravou grandes bambas do samba, todos com a mesma intensidade e qualidade e respeito.

Ouçam com muita atenção as belas músicas deste disco, com destaque para Santa Bamba, a melhor faixa do disco. Mas ouçam, ouçam e cansam de ouvir Fabiana Cozza na sua melhor magnitude.

Fabiana Cozza é totalmente diferente do segundo álbum, Quando o Céu Clarear, mas muito próximo de O Samba é Meu Dom. Indiferente disso, as músicas que Fabiana canta neste seu terceiro disco são de uma competência única, espetacular e original.



Álbum Fabiana Cozza (2011)

·       Sandália Amarela (Wilson Moreira e Nei Lopes)

·       2. Lá fora (Elton Medeiros e Délcio Carvalho)

·       3. São Jorge (Kiko Dinucci)

·       4. Sabe Deus (Sombrinha, Marquinho PQD e Carlinhos Vergueiro)

·       5. Eternamente sempre (Sombrinha e Marquinho PQD)

·       6. Candeeiro de Deus (Roque Ferreira)

·       7. Festa do Zé (Sombrinha e Carlinhos Vergueiro)

·       8. Lupiciniana (Wilson das Neves e Nei Lopes)

·       9. Escudo (Wanderley Monteiro e Ivor Lancellotti)

·       10. Santa Bamba (Kiko Dinucci e Fabiano Ramos Torres)

·       11. Serenata de São Lázaro (Gilson Peranzzetta e Paulo César Pinheiro)

·       12. Solo Sagrado (Julio Marcos e Xuxu)

·       Narainã (Alvorada dos Pássaros) – (Ideval Anselmo, Jordão e Zecão)



Direção e Produção Musical: Paulão 7 cordas

 Produção Artística: Fabiana Cozza e Marcelino Freire



Nota 10

Fabiana Cozza / Fabiana Cozza


Marcelo Teixeira

quinta-feira, 22 de março de 2012

Líricas, o melhor disco de Zeca Baleiro

Líricas, lançado em 2000: ótimo
Quando a melancolia se torna presente, tudo se torna líricas. E foi justamente em um momento melancólico que o cantor Zeca Baleiro fez o melhor trabalho de toda a sua carreira, ao lançar no mercado fonográfico um disco totalmente triste, com músicas fúnebres e inquietantes e mensagens de lirismo profundo, absorto e tediante. Mesmo assim, Líricas não é um disco pra baixo, com teor duvidoso sobre o universo melancólico de Zeca Baleiro e sim um disco a altura de um grande cantor, de um excelente compositor e de um dos artistas mais cool dos últimos tempos.

Líricas (2000 / MZA / 24,99) é o trabalho mais contundente e sólido de um artista que estava trinando seu caminho. Com músicas realmente tristes ou sentimentais demais, o álbum tem em seu cardápio mensagens de amor, de ternura, de compaixão, do abstrato e do longínquo caminho que leva a separação de entes queridos (no caso de sua avó na canção mais triste de todo o disco) e amores impossíveis.

Regravando a pesada leva roqueira de Proibida Pra Mim num sentimentalismo puro e cabível de sortimentos, a música virou hit do momento pelas suas belas frases de amor e nesta música foi possível verificar a versatilidade de Zeca. Mas todas as canções são perfeitas para quem está levando uma triste vida, seja por questões amorosos ou não. Zeca representa em cada faixa um motivo de tristeza e as músicas são tão perfeitas para cada ocasião, que fica difícil dizermos qual a melhor faixa.

A voz de Zeca agrada e abafa holofotes de que ele seja sensacionalista ou paternalista com sua Maranhão. O que Zeca faz em Líricas é transformar a dor de uma melancolia em algo útil, aproveitado e rentável. Se os sentimentos de Zeca estavam aflorados neste álbum, com canções que beiram a loucura do abismo perdido e crua de pensamentos bons, esses sentimentos foram passageiros, porque seus outros discos são adversos a este.

Participação de Ná Ozzetti na bela faixa Banguela, os timbres de cantores tão díspares deixa nítido que a combinação tristeza versus alegria é dado como incerto para alguns momentos. Enquanto a voz de Zeca soa triste, o de Ná encanta pelo lirismo e sofisticação, deixando claro a permanência do uso vocal para extrair uma capacitação melhor a dualidade da música.

Seja como for, Zeca Baleiro nos impressiona tanto com este disco, que ele se torna, indiscutivelmente, em um representante nato do Nordeste e entra definitivamente para a seleta lista dos grandes cantores deste país.



Nota 10

Líricas / Zeca Baleiro


Marcelo Teixeira

quarta-feira, 21 de março de 2012

A Alma Lírica de Mônica Salmaso

Alma Lírica Brasileira, de 2011: lirismo puro
Ela é a preferida de Chico Buarque. Ela é a cantora mais bem afinada da música popular brasileira. Ela é detentora de prêmios importantes da MPB. Ela canta. Ela encanta. Ela emociona. Ela satisfaz. Ela reinventa a musicalidade perdida. Ela se chama Mônica Salmaso. E seu nome tem um peso enorme na nossa música pelo simples fato de ser uma cantora moderna com requintes de uma brasilidade única e universal, capaz de transbordar sentimentos por onde passa. Sua voz é lisonjeada até pelos menos entusiasmados por MPB. E seu timbre de voz é capaz de entorpecer homens desmotivados.

Alma Lírica Brasileira (2011 / Biscoito Fino / 27,99) é o novo disco de Mônica Salmaso que trás canções esquecidas e de um lirismo há pouco encontrado na nossa música de hoje. Pérolas esquecidas ou apagadas com o tempo, o disco tem destaque pela lírica e pela formosura que a textura de uma voz é capaz de embalar. Músicas com novas harmonias e melodias deixam a sensação de que Mônica, com seu faro apurado, acertou em cheio ao trazer para a modernidade canções como Melodia Sentimental (Villa Lobos / Dora Vasconcelos), que se transforma na melhor música do álbum devido a sua carga emotiva ou uma nova roupagem para o clássico Trem das Onze (Adoniram Barbosa).

Como sempre é costume, Mônica compila do cancioneiro buarquiano A História de Lily Braun, já cantada com enorme sucesso por Maria Gadú e Maria Rita e que neste disco, Mônica não faz por menos: a beleza de sua voz é tão poderosa e marcante, que mais parece uma canção nova. Em Noite (Nelson Ayres), os versos e as palavras cortantes representam a doçura do amor perdido ou entregue a outro alguém e que deixa a perfeita combinação entre voz, linguagem, harmonia e sentimentos. Lábios que Beijei é de uma inocência e um afeto tão profundos que deixa claro que só poderia ser cantada por Mônica em sua mais completa perfeição.

Carnavalzinho (Meu Carnaval), bela música de Lisa Ono e Mário Adnet, abre o disco com um capricho tremendo, deixando nítido o teor do álbum: como numa marchinha de carnaval, a música é curta, direta e a mensagem é clara, demonstrando que o carnaval de outros tempos era bem melhor. Samba Erudito (Paulo Vanzolini) é uma ironia fina de um dos melhores compositores da época de ouro da música de amores vingativos e nesta belíssima música não é pra menos: a canção de quase dois minutos é tão esplendida e charmosa, que fica impossível ouvi-la apenas uma vez. Regravando Cutelinho, também uma adaptação de Vanzolini e já cantada com enorme sucesso por Milton Nascimento, a canção destoa toda a versatilidade de Mônica como cantora excepcional que é.

José Miguel Wisnik, um dos maiores intelectuais que este país já conheceu, está presente mais uma vez nos discos e na vida de Mônica, com uma música sobre o poema do poeta Gregório de Matos, na bela canção Mortal Loucura. Tom Jobim e Vinicius de Moraes aparecem com Derradeira Primavera, deixando a bossa nova adentrar nesta alma lírica de Mônica. E tem também Meu Rádio e Meu Mulato, um grande sucesso do compositor Herivelto Martins que já fez sucesso na voz de Zélia Duncan em 2005. Mas regravar Violeta Parra nos dias de hoje é um risco que poucos cantores arriscam em fazer. Elis Regina e Zizi Possi foram as cantoras que gravaram ao menos uma canção de Violeta e Mônica recria Casamiento de Negros na sua alta formosura.

Alma Lírica Brasileira é um disco feito em família: Teco Cardoso é esposo de Mônica e excelente saxofonista. Nelson Ayres é um extraordinário compositor e um pianista de mão cheia. Ambos já tocaram ao lado de cantores tarimbados como Ná Ozzetti, Joyce Moreno e Ceumar. Portanto, Alma Lírica Brasileira deve e merece lugar de destaque na sua prateleira, estando no mirante mais alto, com todas as pompas de destacamentos que esta maravilhosa cantora merece.

Seu nome é Mônica Salmaso.



Nota 8

Alma Lírica Brasileira / Mônica Salmaso

Marcelo Teixeira

terça-feira, 20 de março de 2012

Samba Meu de Maria Rita: perfeito

Samba Meu, de 2007: o melhor de Maria Rita
O salto que Maria Rita deu em sua bem sucedida carreira ao fazer um disco inteiramente de samba está comprovado no belíssimo disco Samba Meu e que mostra uma Maria Rita totalmente adversa da menininha tímida que veio com um disco voltado para a MPB e que ficou a mercê de tristes notícias com o álbum Segundo. Sendo este o terceiro disco de sua carreira, Samba Meu representa a melhor fase da cantora e que destoa elementos caprichosos de uma particularidade deixada por cantoras como Clara Nunes e Alcione e que hoje é representado por excelentes compositores de uma excelência comprovada por Edu Krieger, Arlindo Cruz e Rodrigo Bittencourt.

Samba Meu (2007 / Warner Music / 24,99) é um álbum gostoso de ouvir e a voz de Maria Rita está saborosa e deliciosamente endiabrada. Músicas perfeitas, timbre nítido e uma sensualidade fora do comum, o disco destoa qualidades imprescindíveis em canções harmoniosas e letras caprichadas. A reinvenção do samba mostrada por Maria Rita é tão equilibrada que fica a sensação de que a cantora, dona de um estilo único de sabedoria encantadora e que nos emociona com músicas sentimentais, deixa claro que o samba é um reduto para quem entende do assunto com verdadeira maestria.

Com regravações de uma música esquecida do cancioneiro de Gonzaguinha (O Homem Falou) e praticamente herdando heranças e pérolas de Arlindo Cruz, o disco se torna um dos itens indispensáveis para amantes da boa música e do samba, sem fazer feio, mesmo com a constante presença nas rádios com a música Tá Perdoado, a tornando cansativa e chata por algumas vezes. Misturando ritmos do pagode e do samba de roda, Maria Rita nos presenteia com canções deliciosas com um pouquinho de saudade de um tempo que está logo ali, forçando um pouco a memória. Ouvir músicas do novo cardápio de compositores bons e já consagrados como Edu Krieger e Rodrigo Bittencourt é uma das maravilhas encontradas neste álbum.

Talvez seja o melhor álbum de Maria Rita, que já lançou Maria Rita (2003), Segundo (2005) e Elo (2011). O reduto do samba, para algumas cantoras, fica sendo um reduto limitado, mas nunca de vergonha alheia e com Maria Rita não poderia ser diferente. Ela canta samba muito bem e estava em sua melhor fase, mas como a própria cantora não gosta de rótulos, seu disco seguinte veio para formar um elo com o primeiro álbum. Ainda assim, não tirou a beleza e maestria do disco de samba, disco este com a capacidade de nos envolver tão enérgica e profundamente, que torna Maria Rita como uma das melhores cantoras do Brasil.



Nota 9

Samba Meu / Maria Rita

Marcelo Teixeira

segunda-feira, 19 de março de 2012

Respeitem os Cabelos de Chico César

Disco de 2002: o melhor de Chico César
Há uma diferença muito grande entre o Chico César de Mama África e o Chico César de Respeitem Meus Cabelos Brancos. O primeiro Chico surgiu como um meteoro na fusão intercambia entre o que era novo e o que poderia ser apenas uma aparição de um cantor maluco, porém culto. Com uma nova roupagem na música nordestina e se mostrando capaz de desenvolver um belo trabalho a frente do Nordeste, Chico César se firmou como o cantor e compositor mais bem representativo de sua época, não fazendo feio para aqueles que sempre o acharam meio estranho, com aqueles cabelos meio esquisito e com aquela roupa estilo africano.

Chico César é um cantor que merece respeito e não apenas por causa do cabelo, que se tornou uma marca registrada. Chico é culto e sabe compor muito bem e além de tudo é um grande defensor das causas perdidas. Hoje o Mais Cultura! faz uma justa homenagem ao disco que transforma a vida de Chico César para o que há de melhor na MPB e o deixa mais moderno, mais universal e mais autentico.

Respeitem Meus Cabelos Brancos (2002 / Abril Music / MZA Music / 29,99) é um disco sensacional e que nos mostra um Chico César à vontade com sua musicalidade, rica em detalhes nordestinos e ricos em atmosfera acadêmica unilateral. Visceral num todo, o disco prima pela riqueza de frases destinadas ao vocábulo de um povo sofisticado e culto e perene na forma de um evento mais humanitário. Chico acerta o tom de cores escuras para demonstrar a frieza com o qual suas frases intercalam com o protesto de suas canções, como na faixa título, aonde pede respeito com sua marca maior.

Quinto álbum da carreira, Chico convidou uma seleção de bambas para estar ao seu lado e o resultado é nitidamente perfeito. De Chico Buarque a Nina Miranda e Chris Frank, passando por Carlinhos Brown e tendo os parceiros Carlos Rennó, Vanessa Bumagny, Tata Fernandes, Milton de Biase e Bráulio Tavares, o disco não poderia ter resultado melhor e adequado.

Chico César está em sua melhor fase, com um disco tão perfeito e caprichado, que fica difícil voltarmos aos tempos de Mama África e lembrarmos suas danças espalhafatosas. Usando um belo terno com uma gravata que combina com a fina estampa do disco, Chico brinca entre o universo paralelo do cancioneiro nordestino e a sonoridade eletrônica em músicas que beiram o lirismo, a passagem do amor perdido, a música de protesto, o baião e o maracatu.

O respeito que Chico César pede neste disco é tão comum e particular que todos nós deveríamos fazer o mesmo: respeitar o próximo, seja ele quem for. Precisou um cantor como Chico se moldar e se reinventar para que a respeitabilidade fosse imperada num contexto geral. Ainda assim, sua musicalidade é única e demonstra a nós, ouvintes e amantes da boa música, um Chico César capaz de nos enfeitiçar, nos envolver, nos seduzir e o respeitar.



Nota 10

Respeitem Meus Cabelos Brancos / Chico César


Marcelo Teixeira

sexta-feira, 16 de março de 2012

Paula Lima - A Diva do Suingue


É Isso Aí, de 2001: perfeito e ótimo
Sempre que se ouve falar em Paula Lima a primeira coisa que nos vem à cabeça é a voz cheia de personalidade e belas nuances: marcante, aveludada, potente, feminina e charmosa que marcam presença junto com o balanço ímpar e envolvente que tem como tempero principal o samba, caminhando com naturalidade pela bossa, soul, jazz, MPB e rock. Tudo isso na figura apaixonante dessa mulher brasileira, bonita, exuberante, elegante e com um sorriso absolutamente cativante. Paula Lima tem a qualidade de estrela, pertence à música popular brasileira, ao palco, e o palco sem dúvida é o seu lugar.

Desde o primeiro trabalho solo, É Isso Aí, de 2001, a faixa homônima ganhou destaque nas rádios, caiu no gosto do público e se tornou sua marca registrada. A repercussão foi tão positiva que rendeu à cantora uma indicação ao Prêmio Multishow, na categoria Revelação. A partir daí os álbuns que vieram a seguir deixaram claro que o talento de Paula é sólido, vibrante, concreto, real e nos versos da composição de Jorge Benjor que falam “…no meu guarda-chuva não te levo mais…”, veio a consagração definitiva como Diva do Swing, Diva do Balanço!

Mas tudo isso é reflexo do aprendizado, seriedade e paixão pela música que a acompanham desde a infância. Aos 3 anos já acordava cantando, estudou piano erudito dos 7 aos 17 anos e durante esse período de infância/adolescência comandava a trilha sonora das festas da família. Não era difícil imaginar o caminho que ela seguiria, apesar de quase perdermos o talento singular de Paula para a promotoria, já que ela é formada em direito pela Universidade Mackenzie, mas foi quase…

Nome de peso surgido no início do novo milênio, a cantora Paula Lima surpeendeu com seu som funkeado, cheio de charme e suingue. Surgindo em 2001 com o ótimo É isso aí - que trazia a ótima Quero ver você no baile -, Miss Lima já é consagrada uma das melhores cantoras do país.

E hoje o Mais Cultura! reverencia o trabalho desta diva da MPB e do Black Music, Paula Lima. Seu primeiro disco é uma obra prima que merece toda a nossa atenção devida e que merece, acima de tudo, respeitabilidade mutua e carinho especial.



Nota 9

É Isso Aí / Paula Lima

Marcelo Teixeira

quinta-feira, 15 de março de 2012

Vírginia Rodrigues, uma estrela baiana

Virgínia Rodrigues nasceu em Salvador é uma cantora brasileira, descoberta por Caetano Veloso durante um ensaio do Bando de Teatro Olodum, em Salvador, em 1997. Sua música tem influência de música clássica, samba e jazz e ao mesmo tempo suas letras têm referências a entes do candomblé e umbanda. Sua voz prolixa e grave atinge desde notas agudas até tons mais graves e é mais um típico caso brasileiro, de um artista talentoso e bastante reconhecido no cenário internacional, mas ignorado no Brasil.

Depois de anos cantando em coros de igrejas católicas e protestantes, ela havia sido convidada pelo diretor Márcio Meireles para participar da peça Bye Bye Pelô, onde Caetano a viu pela primeira vez. De origem humilde, Virgínia traz referências populares e líricas do que ouviu na infância e juventude. O resultado é que seu canto vagueia entre o erudito e o popular. O primeiro disco foi produzido por Celso Fonseca e teve arranjos de Eduardo Souto Neto. As músicas foram escolhidas por Virgínia, Caetano e Celso Fonseca, e inclui canções como Noite de Temporal, de Dorival Caymmi, além das participações de Djavan, Gilberto Gil e Milton Nascimento.

O seu primeiro álbum Sol Negro foi bem recebido nos Estados Unidos e na Europa, rendendo à cantora raras críticas. O The Times de Londres escreveu: “...A nova Diva da musica brasileira, a cantora baiana de 33 anos, comoveu todo o Brasil com seu álbum de estreia Sol Negro; uma rica mistura de influências africanas e portuguesas e de samba de raiz.” Sendo elogiado também pelo jornal Le Monde e pela revista Rolling Stone.

A história da cantora baiana Virgínia Rodrigues ficou tão conhecida internacionalmente que os jornalistas americanos a apelidaram de Cinderela brasileira. Ex-manicure saída de uma favela de Salvador realizou, em um ano, duas turnês pelos Estados Unidos, shows na Europa e foi entrevistada por David Byrne, ao vivo, na televisão americana. Nos Estados Unidos, Europa e Japão, o primeiro disco de Virgínia saiu pela gravadora Rykodisc, de propriedade de Cris Blackwell, o mesmo que popularizou nomes como Bob Marley, Peter Tosh e U2.

Em seu segundo álbum, Nós, Virgínia homenageia os blocos afro de Salvador. Seu canto primoroso e sofisticado entoa músicas do Ilê Aiyê, Olodum, Timbalada, Ara Ketu e Afreketê. O The New York Times já a definiu como “uma das mais impressionantes cantoras que surgiu do Brasil nos últimos anos”. “Um dos lançamentos internacionais mais impressionantes dos últimos anos.”, escreveu Stephan Cook da “All Music Guide”.

Virgínia chega ao terceiro CD, Mares Profundos, coroada pelo sucesso no Exterior – embora ainda seja desconhecida em sua terra natal. Borralheiras não fazem milagre em casa. Lançado em janeiro de 2004 nos Estados Unidos, Mares Profundos chegou ao Brasil com edição simultânea na Europa. O selo do álbum é o prestigioso Edge, da gravadora alemã Deutsche Grammophon, a mais tradicional da música erudita. A produção, claro, é de Caetano. O repertório é venerável: 11 afro-sambas compostos entre 1962 e 1966 pelo violonista Baden Powell (1937-2000) e pelo poeta Vinícius de Moraes (1913-1980). O programa fecha com o samba Lapinha (Baden-Paulo César Pinheiro).

Quatro anos após lançar seu último disco, Virgínia Rodrigues volta à cena com o disco Recomeço, que versa sobre o amor dual, assunto imemorial e onipresente no cancioneiro, e muito discutido na composição. Como intérprete talhada que é, esbanja ineditismo a clássicos recorrentes da música brasileira. Seu canto camerístico aliado à compreensão da canção popular conferem um novo sentido a poesias de Chico Buarque, como as oníricas Todo Sentimento (com Cristóvão Bastos) e Beatriz (com Edu Lobo); de Vinicius de Moraes, seja com Francis Hime - na pouco conhecida Eu te Amo Amor, ou com Tom, o parceiro ancestral, em pérolas como Por Toda a Minha Vida e Estrada Branca; ou ainda ao grande hino de Dolores Duran, A Noite do Meu Bem.

Hoje, é cantora das mais respeitadas no circuito dos mais importantes festivais de jazz e world music mundo afora, participando de diversas turnês mundiais. Entre seus fãs está o ex-presidente americano Bill Clinton, que ficou encantado ao assistir a apresentação dela em São Paulo. Em entrevista, Clinton uma vez afirmou que ela era a cantora de quem ele mais gostava no mundo. Ele dedicou a Virginia uma passagem no seu livro de memórias Minha Vida. O jornal The New York Times classificou sua voz como celestial.



Teve uma participação no filme Wally Salomão de Ana Carolina Teixeira Soares.



Discografia

Sol Negro (1997)

Nós (2000)

Mares Profundos (2004)

Recomeço (2008)



Preciso dizer algo sobre o talento de Virginia Rodrigues? O mundo se desdobra aos seus pés e ela é uma das preciosidades que precisam ser lapidadas e degustadas a todo instante. Salve, Salve, Virginia!!!



Marcelo Teixeira

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sylvia Telles: a estrela, a cantora, a morte precoce e um povo esquecido

Sylvia Telles (Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1934 — Maricá, 17 de dezembro de 1966), também conhecida como Sylvinha Telles, foi uma cantora brasileira e uma das intérpretes dos primórdios da bossa nova. Sylvia era filha de Maria Amélia D'Atri, natural da França, e do carioca Paulo Telles, um amante da música clássica. Seu irmão mais velho, Mário Telles, também foi músico. Estudou no Colégio Sagrado Coração de Maria e sonhava em se tornar bailarina, mas, ao realizar um curso de teatro, descobriu que seu talento era realmente cantar.

A maioria de seus discos está fora de catálogo, o que dificulta o seu conhecimento pelas gerações recentes. Porém, ocasionalmente é lançada uma compilação com algumas de suas inúmeras gravações.

Segundo matéria publicada em O Globo e assinada por João Máximo: "Sylvinha foi uma das melhores intérpretes da moderna música brasileira, entendendo-se como tal a que vai de Ponto final - com Dick Farney e Amargura, com Lúcio Alves, até as canções que Tom e Vinicius fizeram depois de Orfeu da Conceição".

Em 1954, Billy Blanco, amigo da família, notou o dom de Sylvinha e apresentou-a a amigos músicos. Nas reuniões que eles faziam, pôde conhecer os grandes nomes do rádio da época, tais como Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, que a ajudou a encontrar trabalho em boates para o início de sua carreira profissional. Nessa época, conheceu seu primeiro namorado, o cantor e violonista João Gilberto, amigo de Mário; o relacionamento acabou porque a família Telles não gostava do jovem, que vivia de favor na casa dos outros.

No ano seguinte, Garoto escreveu-lhe um musical, chamado Gente de bem e champanhota, executado no Teatro Follies de Copacabana. Na ocasião, o músico e advogado José Cândido de Mello Mattos, o Candinho, acompanhou Sylvinha na canção Amendoim torradinho, por Henrique Beltrão. Eles se apaixonaram à primeira vista. Pouco tempo depois, morreu Garoto, sem poder ver o lançamento do primeiro disco de Telles.

Sylvinha e Candinho casaram-se e tiveram uma filha, Cláudia Telles. Em 1956, ela e seu marido apresentaram pela TV Rio o programa Música e romance, recebendo como convidados Tom Jobim, Dolores Duran, Johnny Alf e Billy Blanco. Contudo, o casal logo se separou.

Em 1958, o local de encontro dos músicos passou a ser o apartamento de Nara Leão, então com quinze anos de idade. Ronaldo Bôscoli, que frequentava as reuniões, atuava como produtor musical do grupo. Sylvia Telles, que já era um nome conhecido, foi então chamada para participar de um espetáculo no Grupo Universitário Hebraico, juntamente com Carlos Lyra, Roberto Menescal, entre outros. Foi neste show, "Carlos Lyra, Sylvia Telles e os seus Bossa Nova", que a expressão "bossa nova" foi divulgada pela primeira vez. Sylvinha Telles chegou a fazer turnês em outros países, como Estados Unidos, Suíça, França e Alemanha.

Em 1963, já divorciada de Candinho, Sylvia casou-se com o produtor musical Aloysio de Oliveira, separando-se no ano seguinte por causa de ciúme. Aloysio casou-se com Cyva, do Quarteto em Cy, posteriormente.

Aos trinta e dois anos de idade, Sylvia Telles morreu em um acidente de automóvel na rodovia Amaral Peixoto, no município de Maricá, em companhia de seu namorado Horacinho de Carvalho, filho da socialite Lily de Carvalho Marinho. Eles se dirigiam à fazenda de Horacinho no município, mas Horacinho dormiu ao volante, algo que acontecera à própria Sylvia dois anos antes, enquanto voltava de um show.

Um verdadeiro desperdício não comentar ou divulgar o trabalho de uma das melhores interpretes da nossa música popular brasileira, uma cantora talentosíssima e de categoria maior, que está, infelizmente, esquecida há muitos anos.



Marcelo Teixeira

terça-feira, 13 de março de 2012

Bebel Gilberto: a brasileira mais conhecida que Ivete Sangalo nos EUA

Isabel Bebel Gilberto de Oliveira (Nova Iorque, 12 de maio de 1966) é uma cantora brasileira nascida nos Estados Unidos. Muitas vezes associada à bossa nova, Bebel Gilberto é filha de João Gilberto e da cantora Miúcha, e sobrinha de Chico Buarque. Bebel teve sua estreia na música precocemente. Aos 9 anos já havia se apresentado no Carnegie Hall com sua mãe e Stan Getz, e já tinha participado no musicais Pirlimpimpim e Saltimbancos com sua mãe e seu tio, Chico Buarque.

Sua estreia como solo profissional veio em 1986 com um EP autointitulado lançado pela WEA, que incluiu Preciso Dizer Que Te Amo, com parceria com Cazuza e Dé, quando ambos estavam na Banda Barão Vermelho. Em 1991, a filha de Gilberto e Miúcha trocou Ipanema, onde cresceu, para Manhattan, onde ela nasceu. Bebel continua vivendo em Nova Iorque, mas compartilha seu tempo entre os EUA e o Brasil. Bebel foi uma grande amiga de Cazuza e compôs várias músicas com ele, além de Preciso Dizer Que Te Amo, incluindo Amigos de Bar e Mais Feliz.

Participou do projeto Red Hot + Rio, juntando-se grandes estrelas da música como Everything But the Girl, Maxwell, George Michael e outros para a gravação do CD beneficiário. Ela também colaborou no CD do produtor japonês Towa Tei Future Listening, cantando os hits Technova e Batucada e também participou no projeto Peeping Tom de Mike Patton (vocalista do Faith No More, Mr. Bungle, entre outras), cantando Caipirinha.

O primeiro disco oficial, de 2000: ótimo
Com o lançamento de Tanto Tempo em 2000, Bebel inventou a bossa eletrônica, que assumiu os clubes de todo o mundo e Bebel se posicionou como uma das artistas mais vendidas do Brasil nos EUA desde os anos 60. Com seu segundo álbum, Bebel Gilberto (2004), ela refinou seu som para criar um estilo lounge acústico que apresentou seus pontos fortes como uma compositora brasileira. Com o Lançamento do CD Momento (2007), seu terceiro álbum em sete anos, ela quis fazer uma fusão de ambos. Misturando um pouco do Rio 'Orchestra Imperial' junto com a banda de Nova Iorque Brazilian Girls, e seguindo a direção do produtor Inglês Guy Sigsworth (o parceiro de Madonna em What It Feels Like for a Girl), esse momento reafirma o caráter internacional da cantora Bebel.

All in One, foi lançado mundialmente em 29 de setembro de 2009 na famosa gravadora de jazz americana Verve, e lançado no Brasil pela Universal Music. Para forjar uma serenidade madura em All in One, Bebel tinha uma super equipe de produtores, incluindo Mark Ronson (Amy Winehouse, Lily Allen), D. João (Dust Brothers, Beck), Daniel Jobim, Carlinhos Brown, Didi Gutman (Brazilian Girls) e Mario Caldato Jr (Beastie Boys, Bjork, Jack Johnson).

Desde o lançamento de Tanto Tempo, em 2000, já vendeu mais de 2,5 milhões de CD's e tem sido destaque em sete trilhas de filmes (incluindo Next Stop Wonderland, Bubble, "Closer" e, mais recentemente em 2010 Eat Pray Love) e sete séries de TV (Sex and the City, Six Feet Under, Nip/Tuck ...)

Bebel foi convidada pela rede de TV NBC a se apresentar no Miss Universo 2011, que foi realizado em São Paulo e foi transmitido para mais de 1 bilhão e meio de pessoas em mais de 190 países. Cantou o seu hit Close Your Eyes durante a competição das finalistas do TOP 10, em trajes de gala (vestidos de noite).
Bebel Gilberto é muito mais conhecida nos EUA do que Ivete Sangalo, que fez um mega show em uma casa lotada para... brasileiros. Sua popularidade é tamanha, que seus amigos e colegas são profissionais que trabalham para as estrelas do showbizz americano. E sua personalidade é tão impressionante que sua simpatia cai rapidamente no gosto popular de qualquer um.

Que ainda possamos ouvir Bebel Gilberto. Sua música nos deixa mais convincentes de que o Brasil está a salvo de insetos indesejáveis e por cigarras cantantes e rebolantes. Bebel é música pura e uma musicalidade única. Hoje o Mais Cultura! fez uma retrospectiva de sua brilhante carreira, com discos fundamentais para o mercado nacional e internacional e com uma representatividade perfeita de um caminho espetacular.



Marcelo Teixeira

segunda-feira, 12 de março de 2012

Thaís Gulin: uma boa novidade

Segundo disco da cantora: ótimo.
A cada semana nasce uma nova cantora da MPB que tenta ter seu espaço na mídia, alçando público e elevando a nossa música popular brasileira ao topo que ela realmente merece estar. Cantoras com potencial, muitas delas ainda vivem a margem do desconhecimento, sendo apenas reconhecidas no cenário e âmbito plausível por pessoas que vão atrás de informação ou novidades. Thaís Gulin, cantora paranaense de qualidade excelente, está provando que para ser cantora é preciso muito mais do que uma feição bonita, uma boa voz e um bom disco. O novo CD da cantora é um misto de satisfação gerada com qualidade e perfeição quase difíceis de serem conduzidas. Resumo: Thaís canta bem e compõe muito bem.

No centro da orquestra produzida e arquitetada por músicos de calibre de alta patente e cerceada por grandes méritos e reconhecimentos, Thaís Gulin surge como uma salvadora da nacionalidade musical brasileira prontamente a brilhar na seara deixada por grandes cantoras. Sua voz, forte como um machado e suave como a brancura das nuvens, deixa a percepção de que é uma voz que grita para que alguém lá longe, do alto do mirante, a possa ouvir. Sua sensibilidade é gritante e seu senso comum é apadrinhado por vários elementos hiperquânticos de evolução sentimental.

Ôôôôôôôô (2011 / Slap / 23,99) é o segundo disco de Thaís Gulin e que merece toda a nossa atenção pela desenvoltura que o álbum apresenta e pela distinta comparação de outras cantoras da mesma formação. Thaís tem um timbre forte, ousado e que não lembra nenhuma outra interprete. Seu rosto angelical se transforma em uma mulher forte e madura quando solta a voz em canções próprias ou regravações perfeitas. Um disco que merece toda a nossa atenção pelo fato de ser inteiramente bem produzido e bem diversificado, característica já consagrada na carreira da brilhante Thaís Gulin.

O disco é composto por algumas regravações como Água (Kassin), já gravada com um certo sucesso por Caetano Veloso e que é uma música bem simples, mas que fala de um amor que um dia dará certo. A interpretação de Thaís para Horas Cariocas é tão impressionante que não deixa dúvidas de seu talento como cantora e compositora. A canção é maravilhosa, uma mistura de repetição de palavras com final melancólico e sensível. Se Eu Soubesse foi feita para o disco que trás Chico Buarque novamente ao mercado fonográfico e talvez seja a única música bonita do disco dele, lançado no ano passado e que também tem a participação de Thaís. Mas aqui a atmosfera é outra e quem rouba a cena é ela com seu timbre, sua potencia e sua qualidade em dividir os microfones com um monstro sagrado como Chico. Não por menos, Thaís é a nova musa inspiradora de Chico Buarque e deste fruto ainda renderá boas composições de ambos.

Revendo Amigos (Jards Macalé / Waly Salomão) ganhou sonoridade eletrônica, o que não deixou de ser interessante ouvir por algumas particularidades de Thaís: ela ora sussurra, ora grita, ora simula um choro. Divertido e ousado, esta regravação mais parece uma novidade do que uma pincelada no cancioneiro de Macalé ou Salomão. Recentemente estou achando que Ana Carolina está mais prestativa como compositora do que como cantora e isto está provado no disco de Maria Gadú na faixa Reis, uma das mais belas canções do álbum e que no disco de Thaís não poderia ser diferente. Uma linda canção de amor e ódio, Quantas Bocas prima pelas rimas e pelo belo refrão. Cinema Americano (Rodrigo Bittencourt) é uma música enorme de fala cortante e ligeira, que faz uma dura crítica ao mercado americano.

Encantada trás Adriana Calcanhotto na sua melhor forma, como sempre nos divertindo com suas charadas provocativas e irônicas, fazendo um jogo de palavras irresistível e admirável. Frevinho é uma composição de Thaís com Moreno Veloso, que recentemente está dando vida as marchinhas e frevos numa época em que muitos não sabem o que isso significa, tendo em vista que no novo disco de Roberta Sá ele é o responsável pela melhor faixa do disco. Paixão Passione é uma faixa bônus que fala de das torturas do amor e da paixão numa forma transversal e que somente Ivan Lins consegue transpassar. Mas a melhor faixa do disco é a pérola Ali Sim, Alice, de Tom Zé e com participação especialíssima do mesmo, transformando aqui uma mistura de vozes sensuais com um ritmo calibrado, doce, febril e magnífico.

O novo disco de Thaís não é para qualquer um. Tem que gostar de música popular brasileira de toda a sua forma e originalidade. Thaís é perfeita, seu timbre é perfeito e sua musicalidade é sensata, cortante e que não nos deixa dúvidas: Thaís Gulin é ótima.

Tudo em Thaís Gulin é sensível e tudo em Thaís Gulin é ferro, fogo, ódio e carvão. Suas cinzas deixam a nítida transparência de que o caminho da boa musicalidade está ali, bem diante de seus pés, prostrado como uma estatua lhe pedindo para que cante mais e mais e mais...



Nota 9

Ôôôôôôôô  /  Thaís Gulin

Marcelo Teixeira.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Perla: a quarta pior cantora do Brasil

Perla, a quarta pior cantora
O lixo comercial ambulante do comércio fonográfico continua fazendo com que algumas cantoras sejam excluídas do bom senso comum e agindo aleatoriamente como o fantoche de pessoas fúteis, desqualificadas e sem um pingo de moralidade cívica e moral. Chega a ser horripilante ver, ouvir e saber que cantoras do perfil de Perla existem no Brasil, um país rico em diversidade e musicalidade das melhores do mundo. Perla, uma cantora imbecil com qualidade esdruxula, é o homônimo de uma cantora capaz de levar sentimentos e sensibilidade às pessoas, capaz de mostrar que o povo a ouve é oco por dentro e vazio por fora e que suas músicas representam aquilo que mais ridiculariza as mulheres e crianças mundo afora. Ter a certeza de que esta cantora existe é padecer no inferno das sensações orgásticas de um mundo aquém de charlatanismo, desprovido de tanta desgraça alheia e de uma coexistência fraterna estupida.

Linchemos Perla. Gritemos em uníssono por sua derrota. Uma senhorita cantora de qualidade dúbia e de personalidade pífia que está deixando cada vez mais em baixa a boa qualidade do mundo da música, Perla é o oposto da mulher que canta, que exprime sentimentos ou que quando fecha os olhos demonstra a riqueza de uma boa voz, de uma boa música, de um bom som. Infelizmente esta senhorita cantora não nasceu com dom nenhum para o mundo artístico, alias, não sei nem o porquê Perla entrou para o mundo da música, mundo este que deve ser respeitado, estudado e aprimorado com o passar do tempo.

Queimemos os discos e fotos de Perla e teremos a nítida certeza de que ela não merece o mínimo respeito por pessoas que curtam uma boa cantora. Afinal, ficar rebolando em um palco, rindo de mulheres que sofrem por um amor verdadeiro, soltando pérolas infames sobre homens que traem e sobre mulheres que devem ser escudos para o sexo livre, fazem dessa cantora a triste alegria de ser mais uma a ganhar o título de a pior cantora do Brasil, estando ao lado de Paula Fernandes, Wanessa Camargo e Joelma.

Sua voz é fanha, chata, esganiçada, febril e modéstia a parte: insuportável. Sua presença me causa reboliço nas ideias e me vem a triste melancolia de que neste país de marias e clarices, de Brasil mestiço e dos joãos e josés ainda fabricam cantorazinhas medíocres, pobres e sujas. Taquemos Perla no fundo do poço, no submundo das capitanias oligarcas e medíocres e vamos por fim a democracia criada e gerada por cantoras sem um ponto de cérebro e com várias indagações na mente.



Marcelo Teixeira

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ângela Rô Rô - dos escândalos a boa música

O apelido Rô Rô vem da risada grave e rouca; características que fazem também o diferencial da voz; um pronunciado sotaque carioca, caracterizado pela acentuação da vogal "a" muitas vezes encavalada na consoante "r", de maneira rasgada e aberta; a fala rápida e atropelada acentua essas características. Compositora competente, Ângela já foi gravada por vários artistas, dentre os quais se destacam Maria Bethânia, Barão Vermelho, Marina Lima, Emílio Santiago, Ney Matogrosso, Toni Platão; Simone e Zélia Duncan gravaram Agito e uso, (Cd Amigo é casa, 2008). Começou a estudar piano clássico aos cinco anos, influenciada por ícones como Maysa, Jacques Brel e Ella Fitzgerald, a quem elegeria posteriormente como ídolos musicais.

Durante a década de 1960, no auge da ditadura militar brasileira, mudou-se para Londres, onde trabalhou em restaurantes e cantou em pubs. Ao voltar para o Rio de Janeiro, apresentou-se em casas noturnas de espetáculos em Ipanema até ser contratada pela gravadora Polygram (atualmente Universal Music.) O primeiro disco, exclusivamente com composições da cantora e intitulado simplesmente Ângela Rô Rô (1979) tornou-se um clássico da música brasileira, ao abrigar numa mesma safra canções como Gota de Sangue, Não Há Cabeça, Agito e Uso e o grande sucesso Amor, Meu Grande Amor (que voltou à tona com a regravação da banda Barão Vermelho, em 1996). No disco seguinte, Só Nos Resta Viver, os maiores sucessos foram a faixa-título e a regravação de Bárbara, (Chico Buarque e Ruy Guerra), presente na peça de teatro Calabar. Outra faixa de destaque do álbum também é a sarcástica e autorreferencial Meu Mal é a Birita, na qual a cantora fala sobre a fama de alcoólatra.

O trabalho seguinte, Escândalo (1981), apresentou uma capa em formato de jornal, com o título como manchete, fazendo alusão à grande exposição de Rô Rô na imprensa por ter sido acusada de agressão pela então namorada, a cantora Zizi Possi. A canção Escândalo dá título ao álbum e foi composta por Caetano Veloso.

Duas características aliadas da persona pública de Ângela Rô Rô são o temperamento forte e a tendência a escândalos. Numa das entrevistas a cantora foi levada a abandonar a apresentadora Cidinha Campos durante o programa, devido às sucessivas perguntas pessoais, desviando o centro de atenção da entrevista. Rô Rô defendeu-se da entrevistadora argumentando que estaria abusando ao acusá-la de ser uma pessoa violenta e ao fazer alusões nada lisonjeiras sobre uso de drogas e comportamento errático. A irreverência de Rô Rô, somada à boemia, acabaram de fato por torná-la uma artista maldita, acompanhada de canções de blues e jazz marcadas pelas emoções confusas. A artista representa uma vertente da MPB, de cantoras talentosas, ousadas, que fazem do personalismo uma tônica do trabalho e um ícone da sociedade.

Entre o fim da década de 1980 e todos os anos 1990, Rô Rô gravou apenas dois discos e participou de alguns songbooks produzidos por Almir Chediak. Em 1997, foi indiciada por uma tentativa de incêndio no prédio onde morava, em Copacabana.

Anos 2000



Pouco tempo depois, Rô Rô decide largar as drogas, a bebida e o cigarro, e a fazer ginástica (perde cerca de 35 quilos) e lança o disco Acertei no Milênio em 2000. Com este trabalho, Rô Rô recebe o prêmio de Compositora do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

Entre 2004 e 2005 Ângela foi convidada a apresentar o talk-show Escândalo, na emissora de TV a cabo Canal Brasil recebendo dezenas de colegas da MPB. Em 2006, assinou contrato com a independente Indie Records, pertencente a Líber Gadelha (ex-marido da ex-namorada Zizi Possi e pai da cantora Luiza Possi), para a gravação do disco Compasso e do primeiro DVD ao vivo, gravado em um espetáculo no Circo Voador, na Lapa (bairro do Rio de Janeiro), em 20 de setembro de 2006. A canção de mesmo nome alcançou enorme sucesso, conquistando os hits de parada das rádios. Em 2008 participa do projeto "Loucos por música", o qual dividiu palco com Ivete Sangalo, Elba Ramalho e Ana Carolina.

Em dezembro de 2009 a Descobertas e Canal Brasil resgatam os áudios de canções gravadas no programa Escândalo com uma proposta intimista de voz e piano, apresentações peço país, e em alguns deles, convidados especiais, como Sandra de Sá e Ana Carolina.

Compositora de talento e êxito, Ângela Rô Rô ao longo de seus 30 anos de carreira, gravou mais de 100 canções de sua autoria. Várias delas alcançaram grande sucesso, entrando para o hall dos clássicos da MPB. Nestes trinta anos de carreira, celebrizaram-se as canções - Amor, Meu Grande Amor, Gota de Sangue, Tola Foi Você, Não Há Cabeça, Me Acalmo Danando, Agito e Uso, Mares da Espanha, Só Nos Resta Viver, Renúncia, Came e Case, Querem Nos Matar, Fogueira, Gata, Moleque, Ninfa, A Vida é Mesmo Assim, O Cinema, a Princesa, e o Mar, Viciei em Você, Compasso e Outono. (todas de sua autoria) E mais: Bárbara (Chico Buarque / Ruy Guerra), Fica Comigo Esta Noite (Adelino Moreira / Nelson Gonçalves), Escândalo (Caetano Veloso), Simples Carinho (João Donato / Abel Silva), Demais (Tom Jobim / Aloysio de Oliveira), Você Não Sabe Amar (Carlos Guinle / Dorival Caymmi / Hugo Lima), Sempre Uma Dose a Mais (Bernardo Vilhena / Lobão), Joana Francesa (Chico Buarque) e Gota D'Água (Chico Buarque).



·       Ângela Rô Rô (1979)

·       Só Nos Resta Viver (1980)

·       Escândalo (1981)

·       Simples Carinho (1982)

·       A Vida É Mesmo Assim (1984)

·       Eu Desatino (1985)

·       Prova de Amor (1988)

·       Nosso Amor Ao Armagedon (Ao Vivo) (1993)

·       Acertei no Milênio (2000)

·       Compasso (álbum) (2007)

·       Ângela Rô Rô (Ao Vivo) (2006)

·       Escândalo (2006)



Marcelo Teixeira