sexta-feira, 20 de abril de 2012

Quando o Canto é Reza, a homenagem de Roberta Sá a Roque Ferreira




Homenagem à Roque Ferreira
Uma das vozes mais elogiadas da nova geração da MPB, Roberta Sá lançou o CD Quando o Canto é Reza no segundo semestre de 2010. O trabalho é uma parceria com o trio de percussão Madeira Brasil, formado por Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim. São treze canções de autoria do compositor baiano Roque Ferreira, que já foi gravado por Clara Nunes, Maria Bethânia, Alcione e Zeca Pagodinho. O samba de Roberta Sá tem agora uma cadência e um acompanhamento diferentes. O compasso vem da Bahia e a levada é do afiadíssimo Trio Madeira Brasil. O resultado está neste belíssimo disco, que denota também uma guinada diferenciada no habitual som da cantora natalense radicada no Rio de Janeiro.

Quando o Canto é Reza (2010 / Universal / 25,90) é o mergulho de Roberta e os músicos do Trio Madeira na obra de Roque Ferreira, um compositor e cantador do Recôncavo Baiano, considerado um mestre atual do samba-de-roda. Uma musicalidade onde cabem elementos de coco, ijexá e ritmos afro-brasileiros. Um caldo de referências que resultou no seu trabalho mais vigoroso. Vigor que vem da força de sua poesia e do poder das imagens que ele retrata.

Roque Ferreira, o homenageado
Este disco de Roberta é totalmente diferente dos outros que ela já gravou, como o de estreia, Braseiro, tão rico e tão bonito que já demonstrava que a cantora logo estaria entre as melhores do novo século. Em seguida veio Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria, que veio consolidar sua brilhante carreira, com músicas caprichadas, capa primorosa e voz cristalina. Porém, Quando o Canto é Reza, disco que norteia um novo horizonte na carreira de Roberta, passou praticamente despercebido pelo grande público, embora a crítica tenha aprovado e feito muita divulgação do disco.

Todas as músicas falam do cancioneiro baiano e o clima amistoso nos remete à Bahia de todos os santos, muito cantado por Dorival Caymmi, mas numa outra atmosfera. Aqui, Roberta canta Roque Ferreira em trejeitos e formas cadenciadas num jargão mais intimista e íntima dos santos, do candomblé, da umbanda e do misticismo que somente a Bahia tem e nos proporciona.

Roberta Sá
As músicas do CD parecem rezas, de fato. A começar por Mandingo, que mais parece uma cantiga para receber um santo. Cocada é uma delícia de música, dessas que o refrão gruda em nossa memoria e não sai por nada. A romântica Água da Minha Sede e Água Doce dão a dimensão da capacidade homérica de Roque em fazer canção com sua sapiência e cadência elevadas, desmitificando a alma das rezas. Com essas duas canções, o disco prima por experimentar o sentimentalismo aflorado do compositor e deixando evidente que Roque Ferreira consegue adentrar em nosso coração através de uma boa música.

Tô Fora é a única canção em que o homenageado faz participação vocal e, diga-se de passagem, é uma música maravilhosa e o duo entre Roberta e Roque caiu como uma luva. Dinamismo e respeito mútuo pelo trabalho alheio, Roberta Sá não só entrou definitivamente para o rol das estrelas da MPB, como teve seu carimbo assinado com um grande disco.



Faixas



·       1 – Mandingo (Roque Ferreira / Pedro Luís)

·       2 – Chita Fina (Roque Ferreira)

·       3 – Zambiapungo (Roque Ferreira / Zé Paulo Becker)

·       4 – Cocada (Roque Ferreira)

·       5 – Água da Minha Sede (Roque Ferreira / Dudu Nobre)

·       6 – Orixá de Frente (Roque Ferreira)

·       7 – Água Doce (Roque Ferreira)

·       8 – Menino (Roque Ferreira)

·       9 – Tô Fora (Roque Ferreira)

ü  Part. Especial: Roque Ferreira

ü  10 – Xirê (Roque Ferreira)

ü  11 – Marejada (Roque Ferreira)

ü  12 – A Mão do Amor (Roque Ferreira)

ü  13 – Festejo (Roque Ferreira)

ü  Citação: Samba Pras Moças (Grazielle e Roque Ferreira)



Produção de Pedro Luís



Nota 10


Quando o Canto é Reza / Roberta Sá


Marcelo Teixeira


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Livro, de Caetano Veloso: intelectualidade refinada




Livro, lançado em 1997: intelectual e hermético
Se o disco Livro (1997 / Polygran / 29,99) de Caetano Veloso, contasse apenas com as faixas Livros e Não Enche, o disco já seria uma obra prima do cantor, dessas músicas que grudam em nossa memória e não são, em hipótese alguma, composições de conteúdo chulo. Díspares no contexto e na sonorização, Livros trás o lirismo e a poesia que Caetano sempre almeja em várias músicas ditas intelectualizadas de sua autoria, enquanto Não Enche é a mensagem mais desumana e descaracterizada para que uma mulher saía do pé de seu homem, o deixando viver em paz. Mas o álbum é muito mais do que isso. Beleza, sofisticação, dedicação e palavras embutidas em frases difíceis fazem deste merecido disco um achado e tanto para a carreira do cantor como para ouvintes tão carentes de boa música. Não foi a toa que Caetano Veloso ganhou, no ano 2000, o Grammy como melhor álbum por este elogiado trabalho. E não é a toa também que o baiano de Santo Amaro da Purificação, filho de Dona Canô, mereceu destaque por este disco.

O disco tem suas particularidades extras. A Língua Portuguesa aqui expressada é de uma riqueza profunda e enigmática, tão enigmática, que algumas músicas são complicadas de cantar, caso de Os Passistas, que abre o disco. Livros, a faixa título e a mais sublime do álbum, também é meio complicada de assimilar à primeira audição, mas com o tempo ela penetra em nossos poros como uma avalanche de sentimentos. A música retrata o carinho que Caetano tem para com os livros, na sua forma geométrica e original e o resultado ficou perfeito.

Caetano Veloso: ele ganhou o Grammy
Exceto por How Beautiful Could A Being Be (Moreno Veloso), O Navio Negreiro (Castro Alves) e Na Baixa Do Sapateiro (Ary Barroso), todas as outras faixas são de autoria de Caetano.  O amor, o sentimento aflorado pelas palavras e o sentimentalismo profundo pela Bahia estão aqui retratadas na sua singularidade mais preenchida e sonora. E por homenagear os livros, Caetano Veloso complicou ainda mais a língua em versos e na forma de cantar. Isso não é nenhuma novidade na carreira do cantor, que adora inventar palavras ou expressá-las numa forma mais contundente e não podemos esquecer que músicas como Outras Palavras (quando a palavra computador ainda era um tabu e praticamente não falada) ou Língua, já foram cantada com maestria num jogo dificílimo de palavras.

Em Livro, ele volta a dificultar a vida das pessoas em músicas como Alexandre, cujo ajuda a contar a história do rei que transformou a Macedônia e conquistou o Egito e a Pérsia ou na canção Não Enche, cujo canta com rapidez palavras pouco comuns no dia a dia. Mas nem de palavras difíceis vive o disco e como prova disso Caetano impera o amor com a romântica e sensata Você é Minha (quase uma alusão a Você é Linda), Minha Voz, Minha Vida ou na homenagem que fez a sua Bahia em Onde o Rio é Mais Baiano.

As homenagens não param por ai. Manhatã ele compôs especialmente para Lulu Santos, Um Tom para Tom Jobim e na derradeira homenageou seu grande inspirador João Gilberto em Pra Ninguém, onde Caetano faz uma justa homenagem aos grandes cantores, de Nana Caymmi a Marisa Monte, passando por Elisete Cardoso e até sua melhor amiga Gal Costa e sua irmã Maria Bethânia.

As participações especiais ficaram por conta da própria irmã, Maria Bethânia e de Carlinhos Brown, que juntos fizeram uma gravação emocionante na canção O Navio Negreiro, uma releitura de Castro Alves, aonde Caetano, na sua forma mais ousada, incluiu ai um domínio público muito popular na Bahia, chamado Que Navio é Esse...

Com este belo disco, Caetano Veloso não precisa provar mais nada como musico ou como artista, pois sua criatividade está comprovada neste espetacular Livro. E como já cantou Adriana Calcanhotto em uma música de sua autoria, Vamos Comer Caetano. Vamos revelarmo-nus.



Faixas

·       1 – Os Passistas (Caetano Veloso)

·       2- Livros (Caetano Veloso)

·       3 – Onde o Rio é Mais Baiano (Caetano Veloso)

·       4 – Manhatã (Caetano Veloso

·       5 – Doideca (Caetano Veloso)

·       6 – Você é Minha (Caetano Veloso)

·       7 – Um Tom (Caetano Veloso)

·       8 – How Beautiful Could A Being Be (Moreno Veloso)

·       9 – O Navio Negreiro (Castro Alves)

ü  Part: Maria Bethânia e Carlinhos Brown

·       10 – Não Enche (Caetano Veloso)

·       11 – Minha Voz, Minha Vida (Caetano Veloso)

·       12 – Alexandre (Caetano Veloso)

·       13 – Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso)

·       14 – Pra Ninguém (Caetano Veloso)



Produzido por Jaques Morelenbaum e Caetano Veloso

Nota 10

Livro / Caetano Veloso

Marcelo Teixeira

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Gaby Amaranthos, a diva do TchenoBrega




A cantora Gaby Amaranthos
Ela nasceu Gabriela Amaral dos Santos, é fã de Clara Nunes e Billie Holiday, é mãe de Davi, adora o estilo da cantora Beyoncé e adotou o nome artístico de Gaby Amaranthos, vestindo-se como a musa inspiradora. Lembro-me muito bem de sua apresentação no programa do Faustão e logo me apaixonei por seu estilo, seu jeito descontraído e seu jeito de cantar: esvoaçante, emocionada, lindamente perfeita e carismática. Logo depois, ela foi entrevistada por Marília Gabriela e ali consagrou-se uma nova estrela da música brega brasileira. Vale ressaltar que Gaby Amaranthos não se iguala em nada com Joelma ou qualquer outra cantora de baixo escalão e que ela tem luz própria, voz própria e carisma própria.

Nascida e criada na periferia de Belém, bairro do Jurunas, Gaby já cresceu com a música. Suas origens são de uma família de sambistas, onde desde pequena já cantava e dançava nas rodas de samba da família. Gaby é uma pessoa alegre, para ela não existe dia ruim. Antes de cantora profissional, a Gabriela foi coreógrafa de quadrilha, fez cursos de teatro e chegou a fazer pequenas apresentações na comunidade. Canta desde os 15 anos – começou na Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus, no bairro onde nasceu. Mas, apenas quando completou 18 anos, teve permissão para cantar nos bares da cidade, e assim começou a se apresentar cantando clássicos da MPB.

A rainha do Tecnobrega foi influenciada por cantoras como Clara Nunes, Ella Fitzgerald e Billie Holiday e pelos bregas Francis Dalva e Reginaldo Rossi – mas deixa claro que a sua maior influência está no bairro em que nasceu, onde tudo toca ao mesmo tempo. O destaque de Gaby Amarantos começou quando ela resolveu formar a banda Tecno Show, no ano de 2002. À frente do grupo, ela sugeriu introduzir riffs acelerados de guitarra brega tradicional com a adição de batidas eletrônicas, na banda, como faziam, ao mesmo tempo, os cantores Tony Brasil e Jurandir. Assim surgia o Tecnobrega.

Em 2003, o grupo lançou seu primeiro CD, com o grande sucesso Gemendo e Não vou te Deixar. Logo depois do lançamento, a banda se destacou nacionalmente, se apresentando pela primeira vez em um dos programas mais populares da TV brasileira, o Domingão do Faustão. No ano seguinte, o Tecno Show divulgou seu segundo álbum, o Reacendendo a Chama. A banda ia conquistando cada vez mais o seu público. A Tecnoshow chegou a vender mais de 100 mil cópias de discos.

Em 2009, a Gaby resolveu sair da banda, no período em que engravidou do seu único filho, Davi. A maternidade fez com que a cantora refletisse mais sobre sua vida profissional e assim sentiu necessidade de montar a sua carreira solo.

Logo que a cantora se dedicou a carreira solo, no ano de 2010, foi convidada a participar do programa do Faustão pela segunda vez, lançando o sucesso Hoje eu tô Solteira – foi anunciada por Fausto Silva como a Beyoncé do Pará.



Cena de um clipe
Já no último ano, a rainha do Tecnobrega voltou sua atenção para a gravação do seu primeiro CD solo. Trabalhou no disco, fez vários shows pelo Brasil, fez parcerias, gravou um videoclipe e até um DVD ao vivo no bairro do Jurunas, que teve direção de Priscilla Brasil e Vincent Moon. A primeira música disponibilizada, Xirley, já conquistou todo o Brasil e ganhou até um videoclipe, dirigido por Priscilla Brasil. A música e o clipe foram alvos da mídia e do público geral por suas referências feitas ao mercado informal do Tecnobrega e a pirataria. Mercado que muitos não conheciam antes de Gaby.

Durante algum tempo, o ritmo paraense ficou escondido no próprio estado e ficou marcado como o som da periferia de Belém, mas hoje Gaby está colhendo o sucesso que plantou. Recentemente, a cantora se destacou na mídia mundial como rainha do Tecnobrega, tem se apresentado em vários programas populares e é referência na música brasileira. Foi elogiada por Nelson Motta, Hermano Vianna, além de outros críticos musicais. Gabriela Amaral dos Santos, que antes fazia um som que se limitava na periferia Pará, hoje é tida como a esperança da música nacional.

O Tecnobrega se popularizou, o gênero quebrou barreiras e conquistou o público. Prova disso são as notícias que de todos os lugares do mundo sobre a cantora. Nem os clubes da Europa resistiram ao som inovador. Gaby está entre as 100 pessoas mais influentes do ano de 2011, assim como tem Gaby entre os discos mais aguardados pra este ano.

Ainda teve Gaby Amarantos, em rede nacional, iniciando 2012. A cantora foi a atração principal do programa do Faustão no primeiro dia do ano. A cantora ganha cada vez mais os carinhos de todos e conquista fãs, essencial para o seu sucesso. Ela agradece por todo o incentivo e carinho recebido do seu público.

O seu primeiro álbum solo Treme, aguardado por todos, está com o lançamento agendado para o primeiro semestre, logo após o Carnaval. O disco foi dirigido por Carlos Eduardo Miranda e produzido por Féliz Robatto. Treme conta com composições da própria Gaby, dos músicos: Zé Cafofinho, Ronaldo Silva, Felipe Cordeiro, Dona Onete, Joe Benassi e Maderito, Veloso Dias e Alipio Martins. Além de participações das cantoras Fernanda Takai, Thalma de Freitas e Iara Rennó e muito mais.

Vale recordar que a música de abertura da novela Cheias de Charme, atualmente brilhando no horário das 19 horas na TV Globo é cantada por Gaby e leva o título Ex My Love, com sua voz suave, aveludada e sensual. Afinal, Gaby não é vulgar, mesmo sendo brega. E para este ano a rainha do Tecnobrega está cheia de projetos. Antes do CD, Gaby lança o seu EP. Está previsto, também, o lançamento do DVD Gaby – Live in Jurunas. Muitas outras novidades estão por vir. E o ano, para Gaby, está apenas começando!



Marcelo Teixeira

terça-feira, 17 de abril de 2012

A Pétala de Vanessa Bumagny



Segundo disco de Vanessa: poético
O rótulo MPB surgiu em um determinado momento dos anos 60 como forma de denominar uma nova geração de cantores e compositores que faziam um estilo musical inspirado em bossa nova, a tradição da música brasileira (samba, ritmos nordestinos, etc) e também nas novidades de então, ou seja, o rock dos Beatles, o soul de Ray Charles etc. Com o decorrer dos anos, ganhou uma conotação elitista que atingiu o seu auge durante a década de 90, quando surgiu o que alguns denominaram como a nova MPB. E o que seria isso? Simples: alguns artistas tentando retomar uma sonoridade do passado sem acrescentar nada a ela, e de forma pretensiosa e arrogante.
No entanto, eles esqueceram que MPB significa música popular brasileira. Felizmente, Vanessa Bumagny não parece sofrer desse mal e como prova Pétala Por Pétala, seu segundo CD, veio em um momento oportuno. Uma mescla perfeita de sofisticação e acessibilidade, assim o classifico. Ou seja, é bacana e elaborado, mas não cai na chatice. Graças a Deus!
Vanessa é paulistana, descende de portugueses e russos, e começou na área musical cantando em corais. Nos anos 90, apaixonada por Luiz Gonzaga, montou um grupo de forró. Depois, virou vocalista de apoio de Chico César, e logo começou a compor em parceria com ele e também com outro da mesma geração, Zeca Baleiro. Também viveu uns anos na Europa. Essa somatória de influências gerou o material que nos ofereceu em De Papel (2004) sua excelente estreia em disco. Nesses últimos cinco anos, fez inúmeros shows, atuou como atriz e preparou um novo CD, que finalmente vem à tona.
Pétala Por Pétala (2010 / Universal / 25,99) equivale a um banho de categoria por parte dessa moça de olhar enigmático e sensual. Sua voz doce e absurdamente afinada lembra o tom de Marisa Monte, Gal Costa e Vanessa da Mata, mas em nenhum momento soa como cópia de nenhuma delas. Como compositora, ela se vira com categoria tanto sozinha como em parceria. A produção de Zeca Baleiro ajudou bastante na elaboração da sonoridade basicamente acústica do disco, apostando no minimalismo e no menos é mais. Ao contrário do que acontece com frequência nos discos de alguns expoentes da nova MPB, aqui a gente não cai no tédio.
 Os climas variam de canção para canção. A toada folk/portuguesa de Flor, o sabor quase jovem guarda de Triz, a sofisticação ambiciosa de Esquina do Encontro e o jeitão de hit popular da deliciosa Ciúme Não Mata são destaques de um disco que transpira trabalho minucioso, e cuidado com não cair na mesmice e na rotina. Pétala Por Pétala é um trabalho que deveria ser ouvido por todos que gostam de MPB que fuja da repetição de velhas ideias mal digeridas. Aqui, o material é de primeira linha.

Faixas
•1. Flor
•2. Triz
•3. Blind Mask
•4. Não Quero Mais Fugir
•5. Linha de Fogo
•6. Alma Insensata
•7. Ciúme Não Mata
•8. Esquina do Encontro
•9. Roteiro
•10. Era Tudo Tão Difícil com Você
•11. Tambor
•12. Pétala por Pétala

Produzido por Zeca Baleiro

Nota 10
Pétala Por Pétala / Vanessa Bumagny
Marcelo Teixeira

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Verônica Ferriani: a nova estrela da MPB




A cantora Verônica Ferriani: beleza pura
Ela é a mais nova queridinha do cantor e compositor Ivan Lins que, em suas palavras, disse que “Verônica Ferriani é uma das mais bonitas vozes da nova geração de cantoras brasileiras, dotada de uma belíssima e emocional presença de palco”. Nélson Motta já declarou: “Verônica Ferriani é uma das melhores revelações dos últimos tempos, aliando técnica e personalidade, um fraseado fluente e sempre de bom gosto, além de ótimas escolhas de projetos e repertórios”. Nascida em Ribeirão Preto/SP, aos 8 anos de idade Verônica ganhou seu primeiro violão, cultivando desde então o amor pela música. Aos 17 anos, mudou-se para São Paulo para estudar Arquitetura e Urbanismo na conceituada FAU-USP. Ao final da faculdade, porém, tendo voltado a estudar música, redescobriu sua real e intensa vontade de cantar.

Verônica e Ivan Lins: admiração mútua
Verônica subiu ao palco pela primeira vez a convite do violonista e compositor Chico Saraiva, vencedor do Prêmio Visa 2003. Com ele se apresentou por dois anos pelo Brasil. Paralelamente, dava seus primeiros passos em rodas de samba em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em temporada de 6 meses no Traço de União (SP, 2004), abriu shows de artistas da Velha Guarda como Monarco, Nélson Sargento, Riachão, Tia Surica, Tia Doca, Noca da Portela, Seu Jair do Cavaco, Walter Alfaiate, Wilson Moreira, Moacyr Luz, Luiz Carlos da Vila, Wilson das Neves e Billy Blanco, assistindo de perto e passando a integrar, junto à nova geração, o movimento de valorização e renovação do samba ocorrido na última década. Naquele ano, a casa de shows ganhou da Revista Veja o prêmio de melhor casa de música ao vivo de SP.

Entre 2005 e 2008, conquistou admiradores em longas temporadas no Ó do Borogodó (Vila Madalena – SP), com Áurea Martins no Carioca da Gema (Lapa – RJ) e com a Gafieira São Paulo no Tom Jazz (SP), o que a levou a ser convidada, ainda antes do lançamento de seu primeiro álbum, a participar do programa Som Brasil – Ivan Lins e a se apresentar no Palco das Meninas, da Virada Cultural, em show considerado um dos 4 melhores e mais divertidos shows de toda a Virada pelo crítico de arte Lauro Lisboa – matéria em O Estado de SP.

Disco de estreia: nota dez
Verônica Ferriani (2009 / Tratore / 22,99) foi fruto de uma cuidadosa pesquisa e o CD apresenta um repertório surpreendente. Além de lindas canções inéditas, como o frevo Na volta da ladeira – com arranjo de metais e participação do Maestro Spok – e o bolero-canção Bem feito, ressurgem, em versões frescas e contemporâneas, pérolas escondidas de compositores consagrados, como Perder e ganhar, de Paulinho da Viola, a provocadora Com mais de trinta, de Marcos Valle, a suave Ahiê, de João Donato e Um sorriso nos lábios, um Gonzaguinha característico muito pouco conhecido, que abre o disco. O CD traz ainda If you want to be a lover, parceria de Luiz Henrique com o americano Oscar Brown Jr, gravada originalmente por Luiz e Liza Minelli.

Apaixonada por percussão e pela música brasileira, Verônica incorpora também elementos da música latina e africana em seu trabalho, trazendo um primeiro disco contagiante sendo um dos melhores lançamentos de 2009. Ainda neste mesmo ano, Verônica e Chico Saraiva foram contemplados pelo Projeto Pixinguinha (Funarte – MinC), gravando juntos o álbum Sobre Palavras, projeto a seis mãos exclusivamente com músicas inéditas de Chico e Mauro Aguiar.

Em um país de lindas vozes femininas, Verônica Ferriani se destaca. Com forte presença de palco e muita graciosidade, ela mostra ao vivo em seus shows por que tem sido convidada a dividir o palco com artistas consagrados como Beth Carvalho, Ivan Lins, Spokfrevo Orquestra, Toquinho, Mart’nália, Francis Hime, Marcelo D2, Jair Rodrigues, Tom Zé, Moska e Martinho da Vila.

O rosto é de uma menina, mas a voz e a determinação com que canta comprovam bagagem e conhecimento de causa. Assim é Verônica Ferrani, uma das gratas surpresas da temporada paulista.

Já faz um tempo que venho divulgando aqui no Blog Mais Cultura!, alguns cantores e cantoras que fazem parte da nova geração da MPB e trazer para vocês a maravilhosa preciosidade chamada Verônica Ferriani é um orgulho e tanto para mim, para o arquivo do Blog e para a Cultura Brasileira.

Agora, ouçam Verônica Ferriani, por favor.



Nota 10

Verônica Ferriani / Verônica Ferriani

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Pietá, de Milton Nascimento: excelente


Pietá, excelente disco
Em forma e conteúdo, Pietá (2003 / WEA / 37,99) representa um grande passo à frente na carreira de Milton Nascimento, que corria o risco de, no início de terceiro milênio, ficar para trás em termos de criatividade na comparação com os outros medalhões da MPB, igualando a João Bosco, que veio com um excelente disco à sua altura. Recorrendo ao espírito do Clube da Esquina original, Milton cercou-se de jovens talentos e soube usar essa juventude para revitalizar sua música. O resultado é seu disco mais vigoroso desde muitos anos; talvez, desde o último Clube da Esquina, de 1978.
Deixando sua natural afinidade com sonoridades como o pop e o jazz soarem fluídas, nas mãos do arranjador Eumir Deodato (que trabalhou com o cantor nos anos 60), Milton concentra-se no canto, com ótimos resultados. A integração com os novatos (alguns nem tanto) também ficou espontânea, sem costuras. No topo disso tudo, uma saudável disposição para não se repetir, mesmo ao repisar estilos de composição e ritmos já familiares para os conhecedores de sua carreira.
Marina Machado
Muito já se falou a respeito da participação de Maria Rita Mariano, filha de Elis Regina, no disco, e realmente a moça brilha nas três canções que Milton consagra a ela em Pietá. Em especial, Voa Bicho, pérola quase saltitante na qual a jovem arrepia pela semelhança entre sua voz e a de sua mãe. Mas no doce dueto de Tristesse é que Maria Rita atinge o momento de maior beleza, envolta em macio arranjo de Deodato, a bordo de cello e sopros. É bom reafirmar, no entanto, que nem só de Maria Rita e Eumir vive o disco. As duas outras convidadas de Milton, Simone Guimarães e Marina Machado, fazem igualmente bonito, substituindo o frescor intuitivo da filha de Elis pela segurança e experiência.
Simone Guimarães
Beleza e Canção, com Simone, e Casa Aberta, com Marina, as melhores intervenções de cada uma das vocalistas, são a prova disso. A sós, Milton brilha como intérprete e liquida a fatura eficaz como compositor, escorado no refinamento instrumental de Deodato (A Lágrima e o Rio) ou não (como nas mais despojadas e pop Às Vezes Deus Exagera e Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor). Num clima de revisita ao Clube da Esquina, Bituca não se deixou ficar olhando velhos álbuns de retratos e tocou o barco em frente.
O disco Pietá representa um marco na sua carreira. No contexto das novidades e promessas da MPB, estilo que na ocasião do lançamento do disco já vinha dando os primeiros passos na direção do trono do mercado musical brasileiro, Milton soube aproveitar as novas tendências sem perder seu estilo. O disco carrega a dose exata de criatividade que permitiu ao cantor e compositor continuar figurando, de forma original e própria, entre os grandes nomes da MPB.
Maria Rita Mariano
O resultado é um som leve, sutil e disposto a não se repetir, ainda que conserve características próprias que fazem parte do estilo do autor. Um bom arranjo misturado a belas e intuitivas vozes só poderia ser receita de sucesso. Milton Nascimento mostrou-se com esse disco um compositor que olha pra frente, sem deixar pra trás a qualidade da boa música, a sutileza dos bons arranjos e a qualidade das novas vozes que começavam a embalar o cenário musical de uma nova época e que hoje já são exemplos do mais bem vindo sucesso!

Faixas

Milton Nascimento
·       1 - A feminina voz do cantor (Milton Nascimento, Fernando Brant) Voz: Milton Nascimento
·       2 - Casa aberta (Chico Amaral, Flávio Henrique) Voz: Marina Machado / Milton Nascimento
·       3 - Beleza e canção (Milton Nascimento, Fernando Brant) Voz: Simone Guimarães / Milton Nascimento
·       4 - Tristesse (Telo Borges, Milton Nascimento) Voz: Maria Rita / Milton Nascimento
·       5 - Quem sabe isso quer dizer amor (Márcio Borges, Lô Borges) Voz: Milton Nascimento
·       6 - Imagem e semelhança (Kiko Continentino, Milton Nascimento, Bena Lobo) Voz: Marina Machado / Milton Nascimento
·       7 - A lágrima e o rio (Wilson Lopes, Milton Nascimento, Ricardo Nazar) Voz: Milton Nascimento
·       8 - Voa bicho (Telo Borges, Márcio Borges) Voz: Maria Rita  / Milton Nascimento
·       9 - Outro lugar (Elder Costa) Voz: Milton Nascimento
·       10 - Às vezes Deus exagera (Bruno Nunes) Voz: Milton Nascimento
·       11 - Cantaloupe Island (Herbie Hancock) Voz: Milton Nascimento
·       12 - Pietá (Chico Amaral, Milton Nascimento) Voz: Milton Nascimento
·       13 - Beira-mar novo (Folclore do Vale do Jequitinhonha) Voz: Milton Nascimento / Meninos de Araçuarí
·       14 - Os Meninos de Araçuaí (Telo Borges, Milton Nascimento) Voz: Milton Nascimento
·       15 - Boa noite (Chico Amaral, Milton Nascimento) Voz: Simone Guimarães / Milton Nascimento
·       16 - Vozes do vento (Kiko Continentino, Milton Nascimento) Voz: Marina Machado / Simone Guimarães / Maria Rita / Milton Nascimento

 Nota 10
Pietá / Milton Nascimento
Marcelo Teixeira

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Belô Velloso: simpatia e simplicidade em fazer música




A cantora Belô Velloso
Sobrinha de Caetano Veloso e Maria Bethânia, Belô Velloso é uma cantora baiana que não mede esforços para cantar aquilo que lhe agrada. E é justamente com este motim de intuitos, que a cantora baiana, nascida assim como os tios, em Santo Amaro da Purificação, alçou um público fiel e compartilhado e lançou discos que são verdadeiras obras primas bucólicas. Seu disco mais famoso (e o primeiro de sua carreira) foi lançado em 1996, intitulado Belô Velloso, com uma capa toda branca e com músicas de compositores carimbados e respeitados, caso de Caetano Veloso (Mamãe Coragem), já gravada com enorme sucesso por Gal Costa e Jorge Ben Jor (Amante Amado). Adriana Calcanhotto a presenteou com Canção sem o Seu Nome, talvez a mais bela do disco e tendo a tira colo a participações dos tios famosos. Em 2007 a gravadora Tratore relançou seu primeiro disco.

O melhor disco de Belô, de 1996
Pouca gente sabe, mas Belô Velloso têm seus sucessos em trilhas das novelas da Rede Globo, tais como: a novela Era Uma Vez (18h00 - 1996) com a música Menos Carnaval, o seriado Mulher (22h00 - 1998) com a música Desde que o samba é samba e a novela Porto dos Milagres (20h00 - 2000) com a música Por Te Querer. Foi a voz da campanha publicitária nacional, do comercial de lançamento de um famoso resort, com produção da agência Age Comunicações, com a música Toda Sexta-Feira.

Belô Velloso é uma cantora que merece todo o nosso respeito e nossa solidariedade sóbria pelo conjunto de sua obra e pelo seu talento reconhecido internacionalmente. Façamos jus ao sobrenome famoso que a cantora carrega e, mesmo que isso seja um pequeno detalhe em sua vida, Belô Velloso é, acima de qualquer suspeita, uma maravilhosa interprete.



Discografia



*     1996 · Belô Velloso (Velas)


*     1997 · Um Segundo (Velas)


*     1999 · MarÉs (PlayArte)


*     2000 · Acústico · ao vivo voz & violão (PlayArte Music)


*     2002 · Pegue ou Largue (PlayArte Music)


*     2004 · Oliver Twist · projeto especial infantil cd + cd-rom (BMGV Music)


*     2006 · Belô Samba · coletânea 10 anos (BMGV Music)


*     2009 · Versão Brasileira (BMGV Music)


*     2011 · single digital "Everybody Hurts" (BMGV Music)



Nota 9

Belô Velloso / Belô Velloso

Marcelo Teixeira