segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Quintal de Ná Ozzetti


Ná Ozzetti é uma cantora completa: dona de uma rica e intensa voz, ela consegue nos deixar baqueados com tamanha autenticidade e vigor. Suas músicas são perfeitas, seus sons são originais e sua magistral carreira é pautada por um senso comum que beira o lirismo e a poesia num conjunto de correntes que é capaz de nos fazer sentir na alma a verdadeira música popular brasileira. Completando trinta anos de carreira (o que é um feitio e tanto para quem vive de música no Brasil), Ná nos presenteia com um disco inédito e com músicas pra lá de sensacionais.
A cantora Ná Ozzetti

Nascida em uma família de músicos, formou-se em artes plásticas, e iniciou a carreira de cantora no fim dos anos 70, cantando no grupo Rumo. Em 1988 lançou o primeiro disco solo, Ná Ozzetti, pelo qual ganhou o prêmio Sharp na categoria cantora revelação. Seis anos depois veio o disco Ná, que conquistou a crítica com seu apuro técnico, ganhando dois prêmios Sharp, inclusive o de melhor disco. Identificada com a vanguarda paulista, Ná Ozzetti lançou em 1996 LoveLee Rita, um disco em homenagem a outra paulistana de sucesso, Rita Lee, dando uma atmosfera mais intimista e mais formal as composições da roqueira. Fundou sua própria gravadora, a Ná Records, que lançou em 1999 o disco Estopim, talvez o melhor de sua carreira. Em seu repertório há composições próprias, de seu irmão Dante Ozzetti, Itamar Assumpção, Luiz Tatit e José Miguel Wisnik. Em 2000 participou do Festival da Música Brasileira, promovido pela TV Globo, com a música Show, de Luiz Tatit, e acabou ganhando o prêmio de melhor intérprete, tendo um disco com músicas da década de 1940 e 1950 no belo e caprichado disco Show, em 2001.
O penúltimo disco da cantora foi o maravilhoso e sensacional Balangandãs (2009, Ná Records / MCD, 34,99), cujo ganhou o prêmio Bravo Prime: o disco é um delicioso passeio pela seara inestimável de criatividade e bom humor de Assis Valente, Dorival Caymmi, Synval Silva, Ary Barroso e João de Barro. O disco, na verdade, é uma bela homenagem à Carmen Miranda, por isso o título Balangandãs e tem sucessos cantados até hoje por diversos cantores, como Disseram que Voltei Americanizada, E o Mundo Não Se Acabou, Tico-Tico No Fubá, Adeus Batucada, Diz que Tem entre outras pérolas.

Meu Quintal, albúm lançado em 2011


Meu Quintal (2011, Borandá / Ná Records, 24,99) é um disco ímpar na carreira da cantora. Ao invés de relançar seus outros discos ou de regravar sucessos antigos ou de se ver emaranhada no grupo Rumo (da qual fizera parte no início de carreira), Ná preferiu unir o útil ao agradável e fazer canções com um sentimentalismo puro e um feitiço no repertório, capaz de nos fazer apaixonar a primeira audição. Músicas charmosas, bonitas, elegantes e perfeitas fazem deste disco o verdadeiro quintal de Ná Ozzetti, o verdadeiro ambiente íntimo e criativo de uma das maiores cantoras do País. O quintal de Ná Ozzetti é cerceado de segredos, mistérios e não há demagogias para que essa parte de sua casa seja cercada de amigos queridos e que fizeram parte de um terço de sua vida, dividindo esse quintal também com seu público fiel, cativo e que sempre a acompanhou.
Não tenho palavras para descrever o quanto este disco é sensacional. Capa, contra capa, fotos, desenhos e som são um brilho a parte e ouvir e ouvir e ouvir Ná Ozzetti neste disco é reverenciar o que há de melhor sendo produzido ultimamente na música popular brasileira, contemporânea e universal. Dante Ozzetti, seu irmão e parceiro em algumas faixas, continua sendo seu constante escudeiro e detentor de caprichos inestimáveis.

O disco abre com Meu Quintal, que dá título ao álbum e soa como um retrato autobiográfico da cantora: nessa faixa, ela revela os detalhes de seu quintal, ou tenta nos fazer sonhar com um quintal perfeito, que tem rio, farol, futebol e matagal. A segunda faixa é a trava língua A Velha Fiando, de Dante Ozzetti e Luiz Tatit, dois meros linguísticos que gostam da forma rápida de cantar. A música tem um mistério, incapaz de desvendar e inábil de nos revelar pelo teor de magia e arte. Baú de Guardados é uma combinação perfeita entre Alice Ruiz, grande amiga e defensora da boa música, a mãe de Tulipa Ruiz, grande revelação da música popular brasileira nos últimos anos. Esse baú de guardados faz parte do quintal autobiográfico de Ná e se transforma numa das melhores faixas do disco.
Tupi é uma canção leve e gostosa de ouvir, assim como Ser Estar, que em sua repetição de palavras até nos remete a velhas canções que usavam o termo. O resultado de ambas acaba sendo admirável e espontânea. Equilíbrio é a música mais rápida e a verdadeira trava língua que é a característica de Ná Ozzetti e Luiz Tatit: um jogo rápido de palavras, que a primeira audição não se entende nada, mas que com o tempo é uma divertida junção de esperteza e ironia as voltas com os equilíbrios e desiquilíbrios da vida.
Caricatura de Ná

Onde a Vista Alcança é a música mais triste e sentimental do disco, mas mesmo assim tem um charme e uma mensagem espetacular: a vida de alguém que partiu, a morte como mote e tema. Uma sensação de alma lavada ao ouvir essa música, dando a dimensão de que a morte é a lembrança mais saudável de uma perda. Acordo de Amor é tão bonita que acaba sendo impossível não repetir a canção por diversas vezes. Sobrenatural é uma canção enigmática de Zélia Duncan com Ná e os arranjos são tão perfeitos que a sobre naturalidade passa a ser algo comum. A canção Língua Afiada é mais uma de Tatit, que deixa nítido sua predileção pela língua: o músculo que menos se comenta do corpo humano, mas que é afiada e fica mole dentro de uma boca dura.
Encerrar o disco ouvindo Entre o Amor e o Mar é praticamente sentir Itamar Assumpção por perto, vivo, inerte, rindo, sentindo cada faixa entrarem em seus poros como se fossem para ele mesmo as canções. Uma música leve, doce, quente e perfeita para dizer ao final “que estou indo já já” é mesmo um termo para dizer que Ná Ozzetti, com seu brilho e criatividade, está pronta para nos direcionar a mais um capítulo de sua parte. Dar espaço dentro de seu quintal, para que canções saborosas e ulteriores façam parte de nossas vidas é deixar que o amor, a sabedoria, a paz interior e os esquecimentos de uma vida suburbana, fria e tenebrosa existem lá fora, bem longe do nosso quintal.

DISCOGRAFIA SOLO:
·       NÁ OZZETTI – 1988 – Warner/Continental – relançamento MCD
·       NÁ – 1994 – Ná Records – relançamento MCD
·       LOVE LEE RITA – 1996 – Dabliú Discos
·       SHOW – 2001 – Som Livre – relançamento Biscoito Fino
·       PIANO E VOZ – André Mehmari e Ná Ozzetti – 2005 - lançamento MCD
·       DVD PIANO E VOZ – André Mehmari e Ná Ozzetti – 2006 – direção Guto Carvalho - lançamento MCD
·       BALANGANDÃS – 2009 – Ná Records – lançamento MCD
·       MEU QUINTAL – 2011 – Ná Records – lançamento Borandá

********** Dez Estrelas.
Marcelo Teixeira.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Chico Buarque: tanta espera e um disco sem promessas.


Saiu o tão aguardado disco de inéditas de Chico Buarque, que estava de jejum há cinco anos, depois de ter lançado Carioca em 2006. Chico volta à mídia e aos palcos como ele mesmo: o velho e bom Chico. Depois de esperarmos tanto, Chico nos apresenta um disco mediano, mas não ruim, mas é um disco que merecia um tratamento melhor e mais audacioso. Mesmo assim, Chico Buarque está como ele mesmo quer, absorto de suas ideias e seus mantras e trazendo canções que mais parecem plágios de outras canções do passado e que força um pouco nas gírias atuais talvez para agradar. O fato é que Chico esteve entusiasmado com cantores como Crioulo e Seu Jorge e está usando o vocabulário destes para promover seu mais recente trabalho.


O novo disco de Chico Buarque, lançado em 2011


Chico (2011, Biscoito Fino, 35,00) é um retrato fiel às outras obras do cantor carioca. Mas suas letras não são inovadoras, não trazem proveito de uma grande obra e os fãs poderão cobrar isso futuramente, tendo em vista que este disco não figurará entre os melhores de sua carreira. Chico exagera em palavras chulas, que não condizem com o intelectual que ele é e expressa em algumas canções com as palavras mané e termos ditos periféricos como na boa. Esse não é o linguajar do cantor, como se nota em discos anteriores e escutar Chico falando gírias ou expressões assim é tenebroso. Mas vale lembrar que no CD Carioca, ele citou um palavrão logo na primeira faixa.
As mulheres que Chico sempre homenageia estão aqui representadas por Teodora, Ariela ou Anabela, na faixa Rubato. Mas o que mais impressiona neste novo disco é que Chico parece que não teve criatividade ao inventar novas melodias ou testar novos sons. Isso fica evidente em canções como Sem Você 2, que mais parece uma continuação da música Você, Você do CD As Cidades (1998). Barafunda se parece demais com Pivete, que foi lançada no disco Chico Buarque (1978), aonde um certo pivete vende chicletes no sinal, rouba e ainda assiste ao futebol. Em Barafunda, os nomes femininos estão de volta e a cadência nos remete ao futebol, característica de Chico. As duas canções se entrelaçam e parece que Chico só a continuou. O resultado é bom, mas não satisfatório.
Sinhá é uma parceria de Chico com o monstro sagrado João Bosco, mas João praticamente só assovia e toca seu violão e só ao final da música é que coloca voz, como num sussurro melancólico para finalizar a canção. Um grande desperdício vindo de Chico para com João, que já dividiram uma faixa no disco Chico Buarque (1984), na música Mano a Mano. Nina é uma canção sentimental, triste e a flor da pele, uma canção bonita, romântica e bela. Sou Eu, uma parceria com Ivan Lins e com participação de Wilson das Neves, é uma bela pedida, mas se parece um tanto com Deixa a Menina (com o mesmo Wilson das Neves), lançado no disco Chico Buarque Ao Vivo em Paris (1990). Uma melodia rica, dançante e vibrante, que já foi gravada por Diogo Nogueira.



Chico com sua nova namorada, a cantora Thaís Gulín
 

Tipo um Baião mostra um certo Chico tentando entrar na era moderna e lançando tendências de vocabulários chulos. É nesta canção que algumas gírias se tornam notórias e a música se parece e muito com Fantasia, do disco Vida (1980), um dos melhores discos de sua carreira. Essa Pequena mostra a relação de uma garota com um velho, talvez a relação dele mesmo com a novata Thaís Gulín, sua nova namorada. A música que conta com a participação de Thaís Gulín é Se eu Soubesse, uma das melhores faixas do disco. Chico, como sempre se viu em sua carreira, gosta de dividir faixas musicais com as mulheres, tendo em vista que a mais contundente divisão vocal com ele foi na música Pedaço de Mim, com Zizi Possi, sendo considerada uma música marcante, pesada, difícil e cortante. Neste disco, Thaís reina absoluta e entra definitivamente para a seara das cantoras que poderá a vir a ser uma estrela, por sua técnica vocal e seu dom para o canto. Chico já dividiu faixas com a irmã Miúcha, com a sobrinha Bebel, com a ex esposa Marieta Severo, com Elba Ramalho, com a irmã Cristina Buarque, Mônica Salmaso, Bia Nunes e Branca Lima. Definitivamente, ele não vive sem elas, as mulheres.

Mas o novo disco de Chico não é o melhor de sua brilhante carreira e não acrescenta muita coisa em matéria de musicalidade. A capa mostra um Chico sorridente, mostrando nitidamente que a velhice lhe bateu a porta e que as rugas e linhas de expressão estão ali, no seu devido lugar. Queríamos mais de Chico: um disco sensacional, um disco merecedor de destaque, um disco aplaudido, um disco que não fosse parecido com obras antigas. Um disco que ficasse com a cara dele: intelectual e moderno ao mesmo tempo.
Uma pena esperarmos tanto e não ser assim. Mesmo assim, Chico, em algumas faixas, se supera. E esperaremos mais cinco anos para que venha uma obra-prima como Meus Caros Amigos (1976), Paratodos (1993), As Cidades (1998) ou Carioca (2006).

*******Sete Estrelas
Marcelo Teixeira.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Elizete Cardoso - A Diva

 

Sem sombras de dúvidas ou margens a especulações, Elizete Cardoso foi uma das maiores e mais admiradas cantoras de todos os tempos, deixando iluminação por onde passava, com sua voz potente e firme. Dona de um extraordinário senso de humor, Elizete foi admirada por diversos cantores, time de medalhões que figuram até hoje na lista dos melhores. De Chico Buarque a Clara Nunes, de Elis Regina a Virginia Rosa, passando por Rosa Passos e Zélia Duncan entre outros, Elizete foi cantada, admirada, amada e, acima de tudo, respeitada. Com Clara Nunes, teve o privilégio de dizer que a sambista seria sua sucessora quando morresse, o que foi uma honra para Clara. Com Chico Buarque teve um carinho tão profundo, tão magnifico, tão espontâneo, que a cantora gravou Todo o Sentimento já no fim da vida e a trouxe ao estrelato mais uma vez, deixando a canção ainda mais bonita.


Elizeth Cardoso (Rio de Janeiro, 16 de julho de 1920 — 7 de maio de 1990) foi uma verdadeira cantora brasileira. Conhecida como A Divina, Elizeth é considerada uma das maiores intérpretes da música brasileira e um das mais talentosas cantoras de todos os tempos, reverenciada pelo público e pela crítica.
Elizeth Moreira Cardoso nasceu na Rua Ceará, no subúrbio de São Francisco Xavier, e cantava desde pequena pelos bairros da Zona Norte carioca, cobrando ingresso (10 tostões) das outras crianças para ouvi-la cantar os sucessos de Vicente Celestino. O pai, seresteiro, tocava violão e a mãe gostava de cantar.
Desde cedo precisou trabalhar e, entre 1930 e 1935, foi balconista, funcionária de uma fábrica de saponáceos e cabeleireira, até que o talento foi descoberto aos dezesseis anos, quando comemorava o aniversário. Foi então convidada para um teste na Rádio Guanabara, pelo chorão Jacob do Bandolim.


Elizete tinha presença de palco, raro em poucas cantoras atuais



Apesar da oposição inicial do pai, apresentou-se em 1936 no Programa Suburbano, ao lado de Vicente Celestino, Araci de Almeida, Moreira da Silva, Noel Rosa e Marília Batista. Na semana seguinte foi contratada para um programa semanal na rádio.

Casou-se no fim de 1939 com Ari Valdez, mas o casamento durou pouco. Trabalhou em boates como taxi-girl, atividade que exerceria por muito tempo.


Uma de suas últimas aparições na TV, em um programa de entrevistas da TV Cultura, em 1989, pouco antes de sua morte.

Em 1941, tornou-se crooner de orquestras, chegando a ser uma das atrações do Dancing Avenida, que deixou em 1945, quando se mudou para São Paulo para cantar no Salão Verde e para apresentar-se na Rádio Cruzeiro do Sul, no programa Pescando Humoristas.

Estilo
Além do choro, Elizeth consagrou-se como uma das grandes intérpretes do gênero samba-canção (surgido na década de 1930), ao lado de Maysa, Nora Ney, Dalva de Oliveira, Ângela Maria e Dolores Duran. O gênero, comparado ao bolero, pela exaltação do tema amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor não realizado, foi chamado também de dor-de-cotovelo ou fossa. O samba canção antecedeu o movimento da bossa nova (surgido ao final da década de 1950, 1957). Mas este último representou um refinamento e uma maior leveza nas melodias e interpretações em detrimento do drama e das melodias ressentidas, da dor-de-cotovelo e da melancolia.
Elizete e Elis Regina, noa anos 60

Elizeth migrou do choro para o samba-canção e deste para a bossa nova gravando em 1958 o LP Canção do Amor Demais, considerado axial para a inauguração deste movimento, surgido em 1957. O antológico LP trazia ainda, também da autoria de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, Chega de Saudade, Luciana, As Praias Desertas e Outra Vez. A melodia ao fundo foi composta com a participação de um jovem baiano que tocava o violão de maneira original, inédita: o jovem João Gilberto.

Anos 1960
Em 1960, gravou jingle para a campanha vice-presidencial de João Goulart. Nos anos 1960 apresentou o programa de televisão Bossaudade (TV Record, Canal 7, São Paulo). Em 1968 apresentou-se num espetáculo que foi considerado o ápice da carreira, com Jacob do Bandolim, Época de Ouro e Zimbo Trio, no Teatro João Caetano, em benefício do Museu da Imagem e do Som (MIS) (Rio de Janeiro). Considerado um encontro histórico da música popular brasileira, no qual foram ovacionados pela platéia; long-plays (Lps) foram lançados em edição limitada pelo MIS. Em abril de 1965 conquistou o segundo lugar na estréia do I Festival de Música Popular Brasileira (TV Record) interpretando Valsa do amor que não vem (Baden Powell e Vinícius de Moraes); o primeiro lugar foi da novata Elis Regina, com Arrastão. Serviu também de influência para vários cantores que viriam depois, sendo uma das principais a cantora Maysa.
Apelidos
Teve vários apelidos como A Noiva do Samba-Canção, Lady do Samba, Machado de Assis da Seresta, Mulata Maior, A Magnífica (apelido dado por Mister Eco) e a Enluarada (por Hermínio Bello de Carvalho). Nenhum desses títulos, porém, se iguala ao que foi consagrado por Haroldo Costa –- A Divina -- que a marcou para o público e para o meio artístico.

Elizeth Cardoso lançou mais de 40 LPs no Brasil e gravou vários outros em Portugal, Venezuela, Uruguai, Argentina e México.
Elizeth Cardoso morreu aos 69 anos, vítima de câncer.


Discografia
Álbuns de estúdio e compilações
·       (1955) Canções à Meia Luz
·       (1956) Fim de Noite
·       (1957) Noturno
·       (1958) Retrato da Noite
·       (1958) Canção do Amor Demais
·       (1958) Naturalmente
·       (1959) Magnífica
·       (1960) Sax Voz
·       (1960) A Meiga Elizeth
·       (1961) Sax Voz nº 2
·       (1962) A Meiga Elizeth nº 2
·       (1963) A Meiga Elizeth nº 3
·       (1963) Elizeth Interpreta Vinícius
·       (1963) A Meiga Elizeth nº 4
·       (1963) Elizeth Canta Seus Maiores Sucessos
·       (1963) Grandes Momentos com Elizeth Cardoso
·       (1964) A Meiga Elizeth nº 5
·       (1965) Quatrocentos anos de samba
·       (1965) Elizeth sobe o morro
·       (1966) Muito Elizeth
·       (1966) A bossa eterna de Elizeth e Cyro – Elizeth Cardoso e Cyro Monteiro
·       (1967) A enluarada Elizeth
·       (1968) Ao vivo no Teatro João Caetano - Elizeth Cardoso, Zimbo Trio e Jacob do Bandolim - Vol. I e II
·       (1968) Momento de Amor
·       (1969) Elizeth e Zimbo Trio na Sucata
·       (1970) Elizeth no Bola Preta com a Banda do Sodré
·       (1970) Falou e disse
·       (1970) É de manhã - Elizeth Cardoso e Zimbo Trio
·       (1970) Elizeth, a exclusiva
·       (1970) A bossa eterna de Elizeth e Ciro - Nº 2 - Elizeth Cardoso e Cyro Monteiro
·       (1971) Elizeth Cardoso
·       (1971) Elizeth Cardoso - Disco de ouro
·       (1971) Elizeth Cardoso e Silvio Caldas
·       (1971) Elizeth Cardoso e Silvio Caldas - Vol. II
·       (1972) Preciso Aprender A Ser Só
·       (1972) Elizeth Cardoso
·       (1974) Edição histórica - VOL. 3
·       (1974) Elizeth / Feito em Casa
·       (1974) Mulata Maior
·       (1975) Bossaudade - A bossa eterna
·       (1975) Elizeth Cardoso
·       (1976) Elizeth Cardoso
·       (1977) Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, Zimbo Trio e Época de Ouro
·       (1978) A Cantadeira do Amor
·       (1978) Live in Japan
·       (1979) O Inverno do meu Tempo
·       (1980) Elizeth Cardoso nº 1
·       (1980) Elizeth Cardoso nº 2
·       (1980) Elizeth Cardoso nº 3
·       (1981) Elizethíssima
·       (1982) Outra vez Elizeth
·       (1982) Recital
·       (1983) Elizeth - Uma rosa para Pixinguinha
·       (1984) Leva meu Samba - Elizeth Cardoso e Ataulfo Júnior
·       (1986) Luz e Esplendor
·       (1989) Elizeth Cardoso
·       (1989) Elizeth Cardoso - Jacob do Bandolim - Zimbo Trio e Conj. Época de Ouro
·       (1991) Todo Sentimento
·       (1991) Ary Amoroso

Livros e Serviços

Elizete Cardoso, uma Vida – por Sergio Cabral, 34,90.

Elisete Cardoso - Uma vida. Biografia da cantora por Sergio Cabral. A polêmica do S ou Z persistem até hoje após mais de vinte anos de sua morte.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Marisa Monte e suas verdades

Marisa Monte acaba de lançar O Que Você Quer Saber de Verdade (2011, EMI / Phonomotor, 29,99) e se fosse depender da capa, seria um verdadeiro fiasco: a capa é horrenda, de um péssimo mau gosto e de um semblante terrível, que mais se parece com um desses personagens do filme de Pedro Almodóvar. Para falar a verdade, não é a melhor capa de um disco da cantora, que já lançou capas modernas e arrojadas para o público, sendo elogiada pelo seu maravilhoso Barulhinho Bom, álbum duplo e que teve sua embalagem lacrada por um envelope preto nos Estados Unidos, devido as conotações sexuais que nele tinha. Mas ao lançar O que Você Quer de Verdade, Marisa Monte tenta impor respeito à mídia e, acima de tudo, ao público que não aceitou discos anteriores, como Memórias, Crônicas e Declarações de Amor, um disco chato e sem fundamentos ou então de Infinito Particular, um álbum duvidoso, aquém das expectativas da cantora. Depois do bem sucedido álbum de sambas, Marisa retorna à mídia com um disco rico em letras charmosas, caprichadas, uma bela voz, um repertorio diversificado e uma equipe competente.


O novo disco de Marisa Monte, lançado em 2011


Os tribalistas estão juntos mais uma vez. Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes praticamente cercam o disco, dando uma atmosfera capaz de nos ver de novo no redemoinho fechado e lastimo de Os Tribalistas, um disco cansativo e enjoado. E o que você quer saber de verdade sobre Marisa Monte? É sempre bom ouvir o que ela tem a dizer, suas verdades e mentiras e medos e afrouxos, mas o fato é que Marisa percorreu um longo caminho para chegar até aqui. Não é o melhor disco de sua carreira, talvez seja Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão, lançado em 1996, em que Brown e Antunes também estavam lá, mas com nomes de peso, como Gilberto Gil e Paulinho da Viola. As verdades de Marisa estão todas neste novo disco, cerceadas por um movimento hibrido e limpo, suas vertentes expostas e seus medos um tanto difusas.
As músicas são contagiantes e para este seleto grupo que cerca Marisa, ela convidou um dos compositores mais festejados do novo cenário musical e que fez sucessos para Zélia Duncan e Vanessa da Mata: o cantor paulistano Marcelo Jeneci trouxe o forró Hoje eu Não Saio, Não, uma música legal, divertida, que tem como mote a introdução ao mau humor numa forma evasiva.
Como sempre faz em quase todos os seus discos, as homenagens ao grande ídolo Jorge Ben Jor está aqui numa de suas melhores interpretações, pinçada do fundo do baú e posta em alto nível na bem elaborada Descalço no Parque. Uma música leve, simples, mas com um arranjo caprichado e uma voz sensível. O que ser Quer é uma música adequada, talvez uma das melhores do disco, com um toque de sentimentalismo e romantismo fresco. Marisa entoou um ar de sobriedade nesta faixa, deixando a mostra toda a sua versatilidade musical. Assim como acontece com Nada Tudo, uma canção que poderia ser tema de seu trabalho e que entra facilmente na mente das pessoas pelas palavras repetidas.
Algumas músicas são chatas ou podem passar despercebido, como é o caso de Depois e Lencinho Querido (uma velha regravação), e a brega Aquela Velha Canção, músicas que não acrescentam em nada no disco e só trazem aquela sensação de que foram feitas para encher o disco.
Marisa Monte

Marisa está numa de suas melhores fases, mas repito: não é o melhor disco de sua carreira. Ainda pode faltar muito, mas só de se distanciar de discos anteriores e inferiores, já é um bom sinal de amadurecimento e capacitação de novos recursos para novos discos. Porém, O Que se Quer Saber de Verdade é uma incógnita, porque Marisa não diz quais verdades ela mesma quis revelar, deixando talvez para que o público as descubra. Um disco sensato, bonito, sério e gostoso de ouvir, Marisa Monte reinventa um estilo que já estava ficando capenga e ultrapassado: a maneira de cantar, de fazer discos seriamente e de servir as pessoas com algo realmente genioso. Estar ouvindo este disco requer audácia e persuasão, porque a voz de Marisa Monte agrada tanto, que é capaz de fecharmos os olhos e simplesmente ouvi-la.
Como eu disse uma certa vez na Revista Bravo! sobre a própria Marisa quando lançava Infinito Particular e Universo Ao Meu Redor: outro disco de Marisa, só daqui há cinco anos!

*********Nove Estrelas
Marcelo Teixeira.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Diogo Nogueira: a semelhança do pai e um gingado próprio

Diogo Nogueira tem o jeito do pai, João Nogueira, a voz do pai, João Nogueira, o andar do pai, João Nogueira, o estilo do pai, João Nogueira, a cadência do pai, João Nogueira, o samba na palma na mão e no pé do pai, João Nogueira e estilo único dele mesmo, Diogo Nogueira. Diogo Nogueira é simplesmente ele mesmo no palco, mas sendo fiel ao escudo do pai, João e sendo autentico, espontâneo, único. O sorriso também herdado do pai demonstra a característica física do homem que revolucionou o samba na década de 1970 e conquistou respeito e honestidade por onde passava. Hoje, quase vinte e tantos depois, crescido e sendo considerado um dos principais nomes do samba atual, Diogo Nogueira olha para trás e canta a música Espelho, grande sucesso do pai e um retrato autobiográfico do próprio, cujo verso dizia “de fazer canções como as que fez meu pai”. É impossível não olhar Diogo Nogueira e não se surpreender com tamanha aparência com o pai. Mas não é de se espantar que Diogo tenha entrado definitivamente para o grupo seleto de sambistas que fazem sucesso não só cantando a herança do pai, como seus próprios sambas.


Seja cantando sucessos antigos, seja cantando músicas novas e contemporâneas, Diogo pode ser considerado um fenômeno. Ganhador de considerados prêmios, tendo manifestado tendências a outros estilos, como a MPB e o romantismo, Diogo pode (e consegue) flertar com cantores de outras estirpes sem cair na caretice de ser um estrangeiro no ninho. E essa miscelânea de ritmos é tão benéfica e agradável que faz do cantor um ser iluminado, respeitado e, acima de tudo, humano. Distinguir o que é samba de pagode é uma tarefa árdua, complicada e sagaz, mas pode-se apontar nos dedos quantos se diferenciam do ritmo pagodeiro que conquistou metade da população na década de 1990. Dudu Nobre já teve seu posto de sambista nato, tendo Zeca Pagodinho como seu padrinho musical e dele pode-se tirar proveito de sambas honestos, caprichados e sem malícias. Pois o samba é justamente isso: samba! Um estilo que consegue unir forças para sobreviver, capaz até de deixar o mais católico dos sertanejos embasbacados.
Cantando sucessos de Agepê, Bezerra da Silva e de outros bambas, incluindo ai seu magnífico pai, Diogo segue seu destino, traçando cada linha de chegada como se fosse um futebolista que está driblando a bola, um maratonista que está a frente da linha de chegada e um cadenciador nato por natureza, prestes a carimbar seus ouvidos com músicas agradabilíssimas e harmoniosas. Diogo não cansa, têm carisma e presença de palco, sua simpatia é visível e a sensação que ele nos passa é a de um homem que está feliz e realizado. E isso é importante para um musico.


Diogo Nogueira é o que há de melhor na música popular brasileira e não tem como ter distinção entre samba e pagode. Com discos realmente sensacionais, o cantor é a prova de que sucesso ministrado com cautela pode seguir sempre de mãos dadas. Diogo embala, emociona, cativa e seduz e ainda por cima é tímido. São agravantes que poderiam passar despercebido, talvez nem se lembrar de sua paternidade, mas que com sua energia positiva isso passa em branco. Diogo Nogueira fala pouco do pai, mas quando fala, é de uma emoção cognitiva tremenda e fabulosa. A saudade é enorme e a ausência o incomoda. Mas são situações que não frustram Diogo em momento algum.
Sambista de mão cheia, Diogo tem gingado e consegue deixar rastros por onde passa. Cativa pessoas. Canta bem e tem presença de campo. Samba e pagode se entrelaçam. Cantou com os mais diversos medalhões da música popular brasileira, de Chico Buarque a Ivan Lins, passando por Mariene de Castro e Maria Rita. O rapaz tem graça. E recomendo todos os seus discos, seus shows, sua historia, seu passado e seu futuro. Diogo Nogueira nada mais é do que cultura. E esperemos que o espelho que ele viu refletir em si, nunca se quebre.

Marcelo Teixeira.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Os mistérios de Mariana Aydar e seu Cavaleiro Selvagem


Mariana Aydar é uma cantora que não gosta do mesmo. Inova, renova, reinventa-se e interpreta a cada disco uma composição que lava sua alma, que inebria seus sentimentos, que dispa sua pele e que cubra seus poros. Trata-se de uma cantora misteriosa e os mistérios de Mariana são muitos, tantos que nem ela mesma sabe desvendá-los. É preciso parcimônia para que o ouvinte possa descobrir qual o seu verdadeiro segredo e qual o sentido de suas palavras, a direção de seu caminho ou o disparo certeiro de cada canção. Mariana é tudo isso e mais um pouco, é um tiro certo no claro, um disparate zombeteiro da própria dor e alegria.


O novo disco de Mariana Aydar


Mas que mistérios têm Mariana Aydar? Mariana canta bem, expressa bem, tem energia de palco, concentração, pureza, leveza, magia, encanta o publico e eleva seu bom humor as profundezas mais fundas do corpo que a assiste. Embebeda o semblante da alma mais desumana e sensibiliza ou tranquiliza a pessoa mais lunática. Mariana tem vigor, energia, pulsação, carisma e, sobretudo, musicalidade. Coloca todos os ritmos em seus discos, em seus shows e é uma das cantoras mais promissoras daqui um tempo não muito distante. Seus discos trazem pensamentos, sambas, forrós, maracatus e um certo iâmbismo capaz de nos fazer pensar por dias. Politicamente incorreta, Mariana tem em seu passaporte o carimbo da maturidade artística.
Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo (2011, Universal, 24,90) é um disco audacioso. Capa e contra capa mostram uma Mariana distinta de seus outros dois álbuns (embora esteja mais próxima de Peixes, Pássaros, Pessoas, lançado em 2010 no quesito autenticidade), e trás músicas difíceis de serem compreendidas, porém, não é um álbum nulo, que poderá vir a ser esquecido pelo público, mas será um disco, futuramente, pouco comentado da cantora. E pela primeira vez, Mariana Aydar não compôs nenhuma faixa para este álbum.


O disco é uma homenagem à Dominguinhos, o Cavaleiro Selvagem. E nos revela treze faixas distintas, entre regravações e novidades. A mais bela canção é uma parceira de Dante Ozzetti (irmão da maravilhosa cantora Ná Ozzetti e compositor que já foi gravado por Ceumar, Zélia Duncan, Chico Cesar, Itamar Assumpção, Virginia Rosa, entre outros) e Luiz Tatit, um linguístico e professor das palavras, intitulado Os Passionais, uma música que inverte palavras, que trata a desunião formal como forma de amor cego e cabal. Thalma de Freitas, atriz, cantora e compositora, aparece com Não Foi em Vão, uma melodia que fala das diretrizes do coração, do amor machucado e rasgado por uma paixão não entendida.
Mariana dá brilho e perfeição em Vai Vadiar, grande sucesso na voz de seu padrinho Zeca Pagodinho. A bem da verdade, Mariana sempre cantarolou esta música em seus shows e até em apresentações televisivas para ver se o público aprova (Vanessa da Mata sempre faz isso) e o resultado é diferente do sambão que consagrou a carreira de Zeca: uma melodia densa, carregada de sentimentos e com palavras fortes, mostra toda a versatilidade criativa ao transformá-la em quase bolero. Preciso do Teu Sorriso é um forró pé de serra que conta com a participação honrosa do grande homenageado, Dominguinhos. Uma música linda, estonteantemente bela e enegrecida de uma poderosa voz, mansa e madura ao mesmo tempo.
O Homem da Perna de Pau é um forró que assusta na introdução, mas que aos poucos ganha um certo respeito. Mariana gosta de gravar forrós, tendo em vista que já o fizera no primeiro disco, Kavita 1. O resultado é bom, mas não é uma música que impere no disco. Cavaleiro Selvagem, a música que dá título ao disco, é boa de ouvir e de encerrar o álbum, a doce voz de Mariana, praticamente sussurrando é uma alegria e satisfação imensa em escutar. Floresta é uma música de protesto, que tem uma interpretação esdruxula de Tiganá e que não acrescenta em nada no disco. Galope Rasante, grande sucesso de Zé Ramalho, não deveria ser regravada, tendo em vista que não combinou com o disco.


Mariana canta bem em inglês e demonstra sua versatilidade cantando Nine Out Of Ten, de Caetano Veloso. Uma música alto astral, contagiante e é a primeira vez que a cantora envereda pelo estrangeirismo em seus discos. Porto é uma melancolia profunda e arrastada, mas não de todo ruim. E Vinheta da Alegria é a derradeira, com seus versos cortantes e sua veia pulsante.
Alguns dos mistérios de Mariana estão soltos por ai e foram distribuídos para que você o pegue e o faça dele uma arma para se aprimorar de seu trabalho. Mas espero que esses mistérios nunca sejam revelados, para que Mariana Aydar possa nos presentear com um disco a altura de seu talento.

Sete Estrelas
Marcelo Teixeira.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Mamonas Assassinas: um grupo que foi tarde.

Há quem fale que o grupo Mamonas Assassinas foi a maior revelação de todos os tempos, o grupo que mudou a vida de milhares de pessoas com suas músicas e suas brincadeiras ou até mesmo popularizou ainda mais a esquecida brasília, carro popular que fizera muito sucesso na década de 1970. Crianças, adultos, senhores, homens e mulheres dançaram ao som do grupo, que conseguiu um sucesso arrebatador em menos de um mês de lançamento de seu disco – o único de sua precoce vida artística – e o único capaz de deixar brasileiros atentos à boa música de cabelos em pé. Até mesmo quem não tem cabelos.


Mamonas Assassinas, o grupo composto por cinco marmanjos entediantes, que pulavam nos palcos, que berravam, que chinfranava as pessoas, que azucrinava os ouvidos alheios, que adocicava a vida das donzelas, que deixavam os imbecis rapazes de bonés virados para trás endiabrados, que zombavam com gays e a cultura portuguesa em suas músicas, venderam nada menos que 18 milhões de discos em menos de seis meses. Um feito e tanto para um grupo chato, que combinava música infame com imbecilidade e sem criatividade. Dançar músicas com apelo sexual para crianças assistirem e mostrando que passar as mãos nas partes íntimas de uma mulher portuguesa para senhores de meia idade era um dos atrativos desse grupo que deixou saudades para aqueles que, assim como eles, os Mamonas, gostavam de imundices e mazelas.
Depois do rock dos anos 1980 e da mistura insana de pagode, axé e sertanejo na década de 1990, o Brasil viu nascer um dos piores movimentos ditos artísticos: o grupo Mamonas Assassinas. E o Brasil, um país sem memória, sem cultura e sem respeito por nada, deu-se por rendido ao pior grupo surgido em todos os tempos. Os Mamonas Assassinas nunca deveria existir e nunca deveria ter entrado para a cultura brasileira, de tão horripilante é suas canções, de tão incoerente eram suas ideias e de quão precárias eram suas piadas. Um grupo que deveria não ter saído do imaginário de quem o criou. Talvez eles não soubessem, mas ao criar o grupo, Dinho e trupe estavam assinando a sentença de morte. Não podemos retirar aqui o mérito que eles tiveram de angariar 18 milhões de discos vendidos, mas méritos esses ajudados por pessoas incapazes de digerir a palavra cultura.
Em 1996 o grupo explode em uma mata fechada e todos morrem. O Brasil, um país sem memória, como já disse certa vez o cantor Gonzaguinha, fica de luto. Os programas de televisão noticiam a todo momento. Crianças desoladas, mulheres tristes e até homens chorando a morte do grupo. Mas como adorar o que é ridículo? Como idolatrar o que é lixo? Como perpetuar o que não se trás nenhum beneficio e nenhum acréscimo à nossa vida ouvindo um grupo intitulado Mamonas Assassinas? Como? Pergunto inúmeras vezes e nunca tenho a resposta. Passados mais de quinze anos da morte do grupo, está sendo preparada para este ano de 2012 uma homenagem póstuma agora em Março. Homenagear o que foi de trágico para a cultura brasileira é homenagear Mamonas Assassinas, um grupo que foi, tragicamente, tarde.


Marcelo Teixeira