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terça-feira, 30 de abril de 2013

Emília Monteiro revela os sons do Norte em Cheia de Graça


Emília: revelação do Norte
Ela é amapaense, cresceu em Minas Gerais, mas vive atualmente em Brasília e é da capital do Brasil que surge uma das cantoras que merecem ser ouvidas e admiradas por seu canto, graça, beleza e espontaneidade. Emília Monteiro tem todos os atributos para ser considerada uma das maiores cantoras do Brasil, pois sua música é rica em elementos rítmicos do norte do país, respeitando a sonoridade opulenta de cada estado. Lançando Cheia de Graça (2012 / Independente - Trattore / 27,99) este ano, Emília Monteiro é uma dessas cantoras que faltavam no mercado fonográfico para falar do povo do norte, suas referencias e seus estilos, e que o CD chega em um momento certo dentro da MPB: com pompa de um grande disco, Cheia de Graça merece todos os destaques e ser considerado um dos melhores discos do novo século. É um CD com referência amazônica, mais especificamente do Pará e Amapá. Ritmos como o carimbó, marabaixo, carimbó chamegado, batuque e lundu relidos em arranjos contemporâneos e universais, além de outras músicas também percussivas, mais o valor da MPB contemporânea. No CD há músicas inéditas de compositores já conhecidos e que compõe com vontade e satisfação sempre pensando no melhor da música como Zeca Baleiro, Celso Viáfora, Simone Guimarães, Ellen Oléria e Dona Onete e outros igualmente talentosos, porém ainda não conhecidos da grande mídia (de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro).

Os batuques são manifestações que se ramificou do candomblé e foi implantada na Amazônia na era colonial, da mesma forma como nas demais províncias e regiões brasileiras. O batuque é a denominação genérica dada pelos portugueses para toda e qualquer dança de negros ou qualquer dança de tambor de caráter religioso ou não. No Pará, Amapá e Amazonas, é a denominação comum para os cultos afro-brasileiros. No Amapá de Emília Monteiro e em sua música, o batuque assume rituais miscigenados, praticados nas comunidades festeiras e em outras de origem negra. A mais extraordinária manifestação de criatividade artística do povo paraense foi criada pelos índios Tupinambá que, segundo os historiadores, eram dotados de um senso artístico invulgar, chegando a ser considerados, nas tribos, como verdadeiros semi-deuses.

Inicialmente, segundo tudo indica, a Dança do Carimbó era apresentada num andamento monótono, como acontece com a grande maioria das danças indígenas. Quando os escravos africanos tomaram contato com essa manifestação artística dos Tupinambá começaram a aperfeiçoar a dança, iniciando pelo andamento que, de monótono, passou a vibrar como uma espécie de variante do batuque africano. Por isso contagiava até mesmo os colonizadores portugueses que, pelo interesse de conseguir mão-de-obra para os mais diversos trabalhos, não somente estimulavam essas manifestações, como também, excepcionalmente, faziam questão de participar, acrescentando traços da expressão corporal característica das danças portuguesas. Não é à toa que a Dança do Carimbó apresenta, em certas passagens, alguns movimentos das danças folclóricas lusitanas, como os dedos castanholando na marcação certa do ritmo agitado e absorvente. Na língua indígena carimbó - Curi (Pau) e Mbó ( Oco ou furado), significa pau que produz som. Em alguns lugares do interior do Pará continua o título original de Dança do Curimbó. Mais recentemente, entretanto, a dança ficou nacionalmente conhecida como Dança do Carimbó, sem qualquer possibilidade de transformação. E são essas danças que estão representadas no belo CD Cheia de Graça, revelando os ritmos do Norte.

No disco, Emília Monteiro reúne variadas influências da MPB e de seu Amapá natal, com elementos europeus, africanos e ameríndios. Participação de Dona Onete em Eu Quero Esse Moreno pra Mim. A compositora paraense também é autora de Veneno de Cobra; as duas músicas são inéditas. Destaque ainda para Mal de Amor, de Joãozinho Gomes e Val Milhomem, sucesso que marcou a carreira de Emília na noite macapaense. A cantora disponibilizou o CD no site www.soundcloud.com/emiliamonteiro. Lá você poderá ter uma noção mais abrangente da musicalidade do CD como um todo. Eu destaco As deliciosas Mandacaru e Descalço (Nanon) compositor inédito de São Paulo, Coisinha (Zeca Baleiro/Suely Mesquita), Meus Ventos (Márcia Tauil / Simone Guimarães).

Emília Monteiro me encanta, me fascina e me influência. Seu canto é embalado por sons amazônicos e africanos e esse é todo o emaranhado de caracteres que a cantora exprime ao se deleitar em sua música. Logo nos encantamos com a regionalidade musical desta amapaense simpática, sorriso largo e inspirador. Sempre antenada com os movimentos artísticos, Emília busca na sonoridade de seu som, atributos para que sua música seja cada dia mais levada por multidões e que não fique apenas no reduto nortista. Emília Monteiro é uma guerreira e seu som precisa ser desbravado pelos quatro cantos deste país, revelando uma das melhores cantoras de todos os tempos e a vontade de que dá é de ir até o Norte do Brasil para conhecer de perto esta rica cultura, a qual precisamos descobrir mais e mais.

Vale ressaltar que hoje é o aniversário desta grande guerreira e o Mais Cultura Brasileira! e o moderador deste blog, Marcelo Teixeira, assim como milhares de leitores, desejam à você Emília, um Feliz Aniversário com muito sucesso e que este novo ciclo seja repleto de sucessos.

 



Cheia de Graça / Emília Monteiro

Nota 10

Marcelo Teixeira

sexta-feira, 13 de julho de 2012

6º lugar: Fabiana Cozza - As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos




A cantora Fabiana Cozza: a sexta melhor
Fabiana Cozza iniciou sua carreira em 1996, em um grupo vocal liderado por Jane Duboc. Em 1998, a convite do compositor Eduardo Gudin, integrou o grupo Notícias Dum Brasil, gravando o disco Pra Tirar o Chapéu, dividindo o palco com Ivan Lins, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Leila Pinheiro, Hermeto Paschoal, Chico César. Seu primeiro trabalho O samba é meu dom foi indicado ao Prêmio Tim 2005 nas categorias Melhor Cantora de Samba e Artista Revelação e à categoria Revelação, no Prêmio Rival Petrobras 2005. No mês de setembro, Fabiana representou o Brasil no Popkomm, em Berlim. Batizado com o nome de um samba de Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro, o disco traz excelências do samba como Silas de Oliveira (Meu Drama) e Geraldo Filme (A Morte de Chico Preto) e canções inéditas de compositores como o paraense Leandro Medina (destaque no Festival da Cultura 2005) e Paulo César Pinheiro.

Lançado em 2004, o O samba é meu dom motivou a participação de Fabiana Cozza em shows pelo Brasil dentro do projeto Pixinguinha ao lado de Francis Hime, Celso Viáfora e Denise Pinaud, bem como a participação no programa Bem Brasil da TV Cultura ao lado do compositor Ivan Lins. Fabiana é uma das grandes revelações da MPB dos últimos tempos. É só bater o ouvido para crer. E o olho. A mulher, no palco, é fogo. Há tempo não surgia uma intérprete assim. Indo no coração da canção. Quer seja um samba, quer seja uma bossa.

O que mais impressiona quando ouvimos uma cantora jovem como Fabiana Cozza é justamente a maturidade de sua presença, a segurança com que domina o repertório e a aura de grande sambista que a ilumina quando se solta no palco. Não é à toa que ela coloca Elizeth Cardoso como uma de suas maiores influências. Fabiana, além da bela voz, conhece música brasileira e fala com desenvoltura sobre épocas, gêneros, cantoras e instrumentistas.

E é por todo esse samba no pé e esse gingado que só ela tem que Fabiana Cozza encabeça a sexta colocação no ranking das 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos.



Sexto Lugar: Fabiana Cozza

As 20 Melhores Cantoras dos Últimos 10 Anos



Marcelo Teixeira